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Capítulo 151

Justin Narrando

Descobrir que vou ser pai novamente me fez borbulhar de felicidade, uma euforia fora do comum. Pai de mais um bebê! No meio do caos, era a melhor notícia.

Bruna, porém, ainda não tinha caído a ficha. Mas marcamos o ultrassom pra podermos confirmar e saber o tempo certo. E a ultrassom foi feita duas semanas depois do teste positivar.

Flashback On

Eu segurava a mão de Bruna, ansioso. O primeiro trimestre era sempre o mais delicado, e o ultrassom precisava ser feito por via transvaginal.

O médico, um senhor tranquilo, me pediu para olhar para a tela.

Ele parou o aparelho. Franziu a testa.

- Há casos de gêmeos na família de vocês, senhor e senhora Bieber? -ele perguntou, com a voz profissional.

Bruna apertou minha mão.

- Eu sou gêmea. Por quê?

Meu coração disparou. 

- Bom, é por isso. -ele sorriu levemente.- Temos dois sacos gestacionais aqui. Você está esperando gêmeos.

Bruna quase gritou: 

- O QUÊ?!

O médico nos mostrou a tela. Ele apontou para uma mancha escura e disse: 

- Aqui está o primeiro, e vocês podem ver o coraçãozinho dele batendo.

Ouvimos o som rápido e ritmado do primeiro batimento. Eu engoli em seco, emocionado.

Então, ele moveu o aparelho um pouco para o lado. 

- E aqui está o segundo, com o coraçãozinho dele batendo também.

Ele acionou o som do segundo batimento. O som duplo preencheu a sala. As lágrimas escorreram pelo rosto de Bruna.

- Eu não consigo acreditar! Gêmeos! -ela sussurrou, em choque.

O médico tirou o aparelho. 

- Parabéns, pais. Vocês estão de oito semanas. É cedo para descobrir os sexos, mas se trata de gêmeos bivitelinos. Podem ter o mesmo sexo ou serem de sexos diferentes.

Bruna saiu de lá mais em choque ainda. Eu confesso que eu também. Não esperava, de repente, ser pai de quatro filhos. Mas, honestamente, eu estava extasiado. O caos era o nosso normal.

Flashback Off

Hoje é nosso aniversário de casamento, a gente não poderia estar mais feliz. Nem acredito que tem 1 ano que sou casado com o grande amor da minha vida.

Acordei a Bruna com um café da manhã caprichado na cama. Sua barriga já estava aparente, mas ela disfarçava com roupas mais soltas. Ela hoje completava 11 semanas e os gêmeos estavam crescendo rápido.

Nós ainda não sabíamos o sexo e tínhamos decidido, por pura diversão, descobrir somente no Brasil, com a família dela reunida.

Ainda não contamos para as crianças. Bruna tem andado com blusas largas para disfarçar. O Jack vendo a barriga, não entenderia, só acharia que a mamãe "engordou", mas a Chloe é muito esperta e certamente faria muitas perguntas. Somente Marina e Luan sabiam dos gêmeos.

O problema é que, apesar da felicidade, Bruna estava nas fases mais terríveis dos enjoos. E junto com a ansiedade da formatura que se aproximava, ela estava passando muito mal.

Ela pegou um waffle com chantilly que eu preparei e deu uma mordida. O sorriso dela se desfez no mesmo instante, e ela correu, cobrindo a boca, direto para o banheiro.

Eu suspirei, e a segui. Era difícil essa fase para ela, e eu tentava dar todo o apoio.

- Está tudo bem, amor. Essa fase logo vai passar. -murmurei, segurando o cabelo dela e fazendo carinho nas suas costas enquanto ela vomitava.

- Cala a boca! -ela conseguiu dizer entre engasgos.- Eu te odeio! Eu vou te matar por ter me engravidado! Você é um idiota!

Ela me xingava por todos os nomes, mas eu mantinha minha paciência. Eu sabia que não era a Bruna falando, eram os hormônios. A irritação dela não passou com a notícia dos gêmeos e só tem piorado.

- Tudo bem, amor. Eu sei. Eu sou o culpado. -eu disse, tentando acalma-la.

Ela me deu um olhar mortal, mas a exaustão a fez aceitar a ajuda.

Depois do caos de vomitar, Bruna foi para a pia escovar os dentes. O contato com a escova de dente na língua a fez ter mais uma onda de ânsia, mas felizmente, sem vômitos dessa vez. Eu estava parado na porta, observando-a, pronto para intervir. Ela voltou para o quarto, e eu, como um cachorrinho, a segui.

- Você vai virar a minha sombra, Justin? -ela perguntou, a voz fraca, mas com um toque da antiga irritação.

- Só estou me certificando de que você está bem. -respondi, com um sorriso de lado.

Ela parou. Seus olhos caíram sobre a bandeja de café da manhã que eu havia preparado, ainda intacta na cama. O waffle mordido, as frutas e o copo de suco. De repente, os olhos dela ficaram marejados.

- Eu sou horrível. -ela disse, e desabou a chorar.- Eu estou te tratando tão mal, te xingando de tudo quanto é nome, e você é o marido mais perfeito do mundo. Você me trouxe café na cama no nosso aniversário de casamento e eu te chamei de idiota!

Eu caminhei até ela e a abracei, sentindo a fragilidade dela.

- Ei, amor, ta tudo bem. Eu não entendo o que você está passando, mas compreendo. -eu a segurei firme.- Eu te amo. E você é a pessoa mais forte que eu conheço. Essa fase passa. Agora, vamos parar de chorar.

Bruna me abraçou de volta, o choro se acalmando.

- Desculpa. Eu vou tentar ser menos estressada, eu prometo. -ela sussurrou.

- Eu sei que vai. Agora, vai se trocar pra descer ver as crianças. -eu disse, beijando-a na testa.

Ela se soltou e foi até o closet para se trocar. Eu decidi que seria melhor levar o café da manhã não consumido de volta para a cozinha. Foi uma péssima ideia.

Quando desci as escadas, encontrei o caos. As crianças estavam tomando café da manhã junto com Beth e Georgia. Chloe e Jack estavam mais fazendo bagunça do que comendo. Eles estavam tendo aquela briga típica de irmãos sobre quem tinha a melhor torrada. Eu olhava para eles, sorrindo e lembrando de como eu era com a Marina. Senti uma pontada de saudade da minha irmã. Ainda bem que amanhã ela já estaria aqui.

- Bom dia, pessoal! -eu disse, beijando a cabeça de Chloe e Jack.

- Bom dia, senhor Justin! -as babás responderam.

- Bom dia, papai. -as crianças disseram em coro.

Nesse momento, o interfone tocou. Eu fui atender. Era o Kenny, que ainda estava cuidando da nossa segurança, informando que era da floricultura. Me lembrei que havia pedido rosas para Bruna como presente de aniversário de casamento.

- Pode deixar, Kenny. Eu vou buscar.

Fui até o portão. Dei bom dia para o Kenny e para o entregador, paguei e peguei o enorme buquê de rosas.

Entrei na sala novamente. Bruna estava terminando de descer as escadas, seus olhos brilharam quando me viram com o buquê de rosas nas mãos.

Eu sorri, a alegria dela valia mais que todo o estresse da manhã.

- Feliz aniversário de casamento, meu amor. -eu disse, estendendo as flores. 

Ela me abraçou e me beijou, emocionada, inalando o perfume das rosas.

- São lindas, Justin! -ela disse, pegando as flores.- Eu te amo muito. Você é o amor da minha vida.

Ela parecia totalmente transformada, a mulher irritada de minutos atrás havia desaparecido, substituída pela mãe e mulher radiante.

Bruna foi até a cozinha, desejando bom dia amigavelmente para Beth e Georgia e beijando as crianças. 

Ela se sentou com Jack e Chloe na mesa, que agora já não brigavam mais, comiam tranquilamente.

- Crianças. -ela começou, a voz suave.- A mamãe e o papai têm uma coisa muito especial para contar para vocês.

Ela me olhou, dando um sinal silencioso de que era a hora. Eu me aproximei, ficando de pé ao lado da cadeira dela, dando-lhe total apoio.

Bruna pegou a mãozinha de Chloe e a de Jack.

- A mamãe tem um bebê crescendo aqui, na minha barriga.

Eles arregalaram os olhos. As babás também ficaram surpresas, trocando olhares. Chloe, a mais velha e esperta, perguntou imediatamente:

- Um bebê, mamãe?

Bruna sorriu, o olhar brilhando, e balançou a cabeça.

- Não só um, meu amor. Na verdade, zão dois bebês! Vocês vão ter dois irmãoszinhos ou irmãzinhas, de uma só vez!

O silêncio na cozinha foi total por um segundo.

Chloe, a mais pragmática, processou: 

- Dois? Isso é um monte de brinquedos! E eles vão dormir no meu quarto?

Bruna riu.

- Não amor, não vão ficar no seu quarto. Fica tranquila. 

Já Jack simplesmente olhou para a barriga da mãe e repetiu, confuso, mas fascinado: 

- Dois bebês? Um e dois?

- Sim, dois! -Bruna riu.

Eu me abaixei e beijei a cabeça da Bruna. 

Jack pareceu não se importar muito com a notícia dos gêmeos. Para ele, o mundo ainda era sobre brinquedos e o momento presente. Ele não compreendia quase nada.

Mas a Chloe era esperta. Ela ficou diferente depois da revelação. Seus olhos tinham uma sombra que eu não consegui decifrar.

Mais tarde, eu estava sentado no sofá, olhando o stories da Bruna com o buquê de rosas que lhe dei. Ela estava linda na foto.
De repente, escutei as crianças brigando por algo na brinquedoteca. Bruna e eu nos entreolhamos. Chloe não era briguenta; sabíamos que Jack era um pouco mais intolerante com os pertences dele.

Fui ver o que estava acontecendo. Eles estavam brigando por um boneco do Homem de Ferro que pertencia ao Jack, um puxando de um lado e o outro do outro. A briga só parou quando Jack conseguiu tomar o boneco da mão dela, e Chloe começou a chorar.

Chamei Chloe para vir até a sala. Ela me olhou e veio, os ombros encolhidos, ainda chorando. Eu a levei até o sofá, onde Bruna tinha deixado o celular de lado.

- O que houve, meu amor? -Bruna perguntou, a voz maternal e doce.

Chloe sentou-se no sofá, chorosa. 

- O Jack não quis dividir o boneco dele comigo!

Bruna e eu trocamos um olhar de estranhamento.

- Chloe, você nunca ligou para os bonecos do Jack. Você sempre preferiu as suas próprias bonecas. -Bruna disse, confusa.
Chloe ficou quieta, apenas soluçando.

Eu me abaixei na altura dela, de frente.

- Filha, o que está acontecendo? Você pode falar para o papai.

Ela me olhou, os olhos marejados, e soltou a bomba.

- Eu não vim da barriga da mamãe Bruna. Agora ela vai me amar menos porque ela vai ter o Jack e dois bebês da barriga dela.

A verdade nos atingiu com a força de um soco. Não era ciúme do brinquedo, era medo de exclusão.

Bruna não hesitou. Ela se aproximou, pegou Chloe no colo e a apertou.

- Nunca, meu amor. Nunca, nunca, nunca. A mamãe ama você e o Jack igual. E agora, vamos amar os bebês também. Você não veio da barriga, mas você veio do coração! E isso é muito mais importante.

O choro de Chloe se intensificou no colo de Bruna, mas era um choro de alívio e aceitação. 

Bruna continuou a acalmando, o rosto dela enterrado nos cabelos loiros de Chloe. Ela se afastou um pouco para encarar Chloe nos olhos.

- Eu sou sua mamãe, Chloe. E o meu coração não diminui; ele aumenta. E você tem um trabalho muito importante agora. Você é a irmã mais velha de todos! Você tem que nos ajudar a cuidar do Jack e dos dois bebês. Você pode fazer isso?

Chloe fungou, passando a mão nos olhos.

- Eu vou ajudar. Mas eu sou a irmã mais velha do Jack e dos bebês?

- Você é a líder de todos! -Bruna disse, sorrindo e beijando a testa dela.- E você e o papai vão me ajudar a escolher os nomes, certo?

Eu me aproximei, beijando a cabeça de Bruna e depois a de Chloe.

- Ela está certa, Chloe. Você é a nossa assistente. Sem você, o papai e a mamãe ficariam loucos.

O sorriso de Chloe voltou, fraco no começo, mas ganhando força. A insegurança parecia ter sido afastada.

- Posso voltar a brincar agora? -ela perguntou, a voz já mais animada.

- Pode, meu amor! -Bruna disse, a colocando no chão, enquanto ela corria de volta pra brinquedoteca.

[...]

A noite caiu tranquila. A crise de ciúmes de Chloe estava resolvida, e as crianças, exaustas, já estavam dormindo profundamente.

Bruna e eu estávamos deitados na cama. Ela estava lendo um livro, e eu estava com meu celular, conversando com o Shawn Mendes.

- Ei, amor. -chamei.- O Shawn me avisou que a música está pronta. Ele me mandou a master.

Bruna fechou o livro imediatamente, animada. A música era o nosso primeiro passo em direção ao futuro no Brasil, o retorno oficial à minha carreira.

O nome da faixa: "Monster."

A música começou com a voz suave e inconfundível do Shawn. E depois do primeiro refrão, minha voz entrou. Eu senti Bruna se derreter ao meu lado.

Ela se inclinou e sussurrou:

- Eu amo te ouvir cantar. E eu senti muita saudade de te ouvir assim, nessa qualidade.

Eu pausei a música, virando-me para ela.

- O quê? Eu estou sempre cantando para você e para as crianças pela casa. 

Ela sorriu, diferenciando os momentos.

- É diferente, Justin. A Bruna esposa e mãe dos seus filhos ouve você cantarolar. Mas a Bruna sua fã estava com saudades de ouvir a sua voz nesse nível, na sua música.

Eu sorri, entendendo o que ela queria dizer. Era a volta do artista.

- Eu também senti falta. -confessei.

- Agora despausa, por favor! -ela pediu, voltando a se aninhar.- Ela é gostosa de ouvir.

Eu dei play. O som preencheu o quarto, e nós ficamos ali, lado a lado, embalados pela melodia da minha nova vida.

[...]

O dia seguinte começou com um despertar... barulhento. Bruna e eu fomos acordados por uma explosão de vozes e risadas vindas do andar de baixo.

- Eles chegaram. -murmurei, sorrindo.

Descemos as escadas, e o hall de entrada estava cheio. Luan e Marina haviam chegado, junto com a pequena Serena, e trouxeram os pais da Bruna e Luan. A família estava reunida.

Bruna rapidamente ajeitou a blusa para esconder a barriga. Seus pais ainda não sabiam dos gêmeos, e o plano era contar a grande novidade no almoço.

Eu fui direto abraçar Marina, enquanto Bruna estava em um abraço em grupo com seu irmão e seus pais, Antônio e Marta. Depois cumprimentei meus sogros e Luan, enquanto Bruna abraçou Marina. Quando Bruna finalmente se soltou, ela e eu fomos amassar nossa sobrinha Serena, que estava mais linda do que nunca.

Nós nos reunimos na sala. Chloe e Jack logo desceram as escadas, pulando no colo dos avós, depois no colo de Marina e Luan. Depois do tour de abraços, as três crianças foram para a brinquedoteca, felizes em brincar juntas.

Começamos a conversar sobre como foi a viagem, o clima no Brasil e os preparativos finais para a mudança.

- Eu nem acredito que você está quase se formando, filha! -Marta, a mãe da Bruna, disse, radiante.- Como estão suas expectativas para a formatura daqui a quatro dias?

A pergunta era inofensiva. Mas a gravidez não era.

Antes que Bruna pudesse responder, ela fez uma careta, a mão voou para a boca, e ela se levantou correndo, disparando para o banheiro do andar de baixo.

Eu suspirei, e olhei para os meus sogros e para Luan e Marina, que apenas sorriam com a boca fechada. O silêncio na sala era ensurdecedor.

Marta me olhou, confusa. 

- O que foi isso? Ela está doente?

Luan e Marina não aguentaram. Marina começou a rir, e Luan balançou a cabeça em negação.

Eu respirei fundo. O plano de contar no almoço tinha ido por água abaixo, ou melhor, pelo ralo.

- Ela já volta e explica.

Bruna merecia estar presente para a grande revelação, mesmo que fosse logo após um enjoo matinal.

Antônio, o pai de Bruna, olhou para Luan, desconfiado. 

- Vocês sabem de alguma coisa? Ela está tendo crises de ansiedade?

Antes que Luan pudesse responder, Bruna voltou para a sala. Ela estava pálida, mas conseguiu forçar um sorriso.

- Desculpem. Acho que a ansiedade da formatura me deu um enjoo repentino.

Ela se sentou ao meu lado. Seus pais a olhavam com total preocupação. Marta se inclinou.

- Filha, você precisa de um médico. Isso não é normal.

Bruna pegou minha mão, inspirou profundamente e finalmente decidiu que era hora de acabar com o mistério. Ela olhou para os pais, depois para Luan e Marina, que assentiram com encorajamento.

- Mãe, pai. Não é ansiedade.

Eu a olhei com carinho e assumi o comando da revelação.

- A Bruna não está doente. Na verdade, ela está muito bem. Nós não queríamos estragar a surpresa, mas... vamos ter um bebê.

O rosto dos meus sogros se iluminou.

- Ah, meu Deus! Que benção! -Marta exclamou, começando a chorar de alegria.- Eu sabia que essa menina ia me dar mais netos!

- Mas tem um pequeno porém. -Bruna interveio, sorrindo. Ela apontou para a barriga.- Não é só um bebê.

Eu completei, radiante: 

- São dois. A Bruna está grávida de gêmeos.

Marta levou as mãos à boca, e Antônio ficou paralisado, olhando de Bruna para Luan, como se pedisse confirmação.

- Gêmeos? -Antônio conseguiu dizer, a voz rouca.

- Gêmeos bivitelinos! -Luan confirmou, rindo.- Tipo eu e a Bruna!

Marta se levantou e veio abraçar Bruna, chorando e rindo ao mesmo tempo. 

- Ai, Bruna! Eu lembro de quando eu estava grávida de você e do Luan! -Marta disse, enxugando as lágrimas.- Foi tão mágico. Eu tinha desejos por coisas estranhas, como alface com chocolate.

Antônio, meu sogro, revirou os olhos em tom de humor.

- Mágico? Mágico era eu ter que sair de casa às três da manhã para caçar queijo canastra que só vendiam no mercado do outro lado da cidade! A Marta não conseguia dormir, e eu tinha que caminhar com ela pelo quarteirão inteiro, porque se eu sentasse, ela chorava!

Luan riu, balançando a cabeça. 

- É verdade, mãe? Vocês nunca contaram essa história pra gente.

- Claro que é verdade, meu filho! -Marta respondeu, nostálgica.- O Luan era o bebê mais agitado na minha barriga. Eu sentia ele chutar a noite toda. A Bruna era mais calma, ela dormia mais. 

Antônio completou:

- E a barriga! A barriga dela era tão grande, Justin, que eu tive que mandar reforçar as calças de moletom dela. Parecia que ela ia explodir! Você vai ver, Bruna, prepare-se. O nono mês é lendário.

Bruna riu, aliviada e feliz. 

- Eu já estou sentindo que minha barriga vai ser épica, pai. E os enjoos são exatamente o que você um dia descreveu, mãe. 

Marta suspirou, voltando à realidade dos enjoos. Ela olhou para Bruna, com a empatia de quem realmente entende o sofrimento de uma gravidez gemelar.

- Aí os enjoos, parecem ser duplicados. -Marta disse, balançando a cabeça.- Eu passei muito mal nos cinco primeiros meses. Não conseguia sentir cheiro de nada, e tinha que comer coisas frias o tempo todo.

- E, Marta, a senhora ficou muito irritada também? Porque a Bruna... bem...

Antônio se intrometeu antes que Marta pudesse responder.

- O quê?! A Bruna está ficando irritada? Isso não é nada! -ele disse, com a voz exagerada de quem está prestes a contar uma lenda.- A Marta ficou um demônio hormonal! Ela jogou um sapato em mim porque eu estava mascando chiclete muito alto! Ela chorava se eu esquecesse de comprar o iogurte específico e depois gritava comigo se eu comprasse a marca errada! Eu vivi seis meses sob terrorismo conjugal.

Marta apenas riu, nostálgica. 

- Ah, você está exagerando, Antônio.

- Estou? E a vez que você cortou o meu cabelo enquanto eu dormia?

A sala explodiu em risadas.

Marina, que nos olhava com os olhos totalmente assustados, balançou a cabeça veementemente.

- Pelo amor de Deus! -ela exclamou, abraçando Luan.- Serena será filha única. Acabou. Eu estava pensando em mais um, mas agora, com essa história de enjoos duplicados e demônios hormonais... Eu estou com medo de vir gêmeos dessa vez.

- Ah, mas eu espero que você engravide de gêmeos! -Bruna declarou.- Você também tem que passar pelo terror de ter casado com alguém gemelar! É um karma.

Eu concordei imediatamente, levantando as mãos em rendição.

- Eu não estou gerando, mas já estou sofrendo o terrorismo conjugal! Sou a principal vítima dessa dupla gravidez.

- Vocês me odeiam? -Marina perguntou.

Marta riu, balançando a cabeça.

- Ah, meus filhos, é uma alegria. Foi um caos, mas foi bom eu ter passado por tudo de uma vez só, porque depois eu não tive coragem de ter mais. É intenso, mas vale cada minuto.

Bruna olhou para mim, séria.

- Pois é. Eu já avisei o Justin que ele vai fazer a vasectomia assim que pisarmos no Brasil. E eu também vou fazer uma laqueadura depois que os bebês nascerem. Três filhos em menos de cinco anos? Com apenas 23 anos? A fábrica fechou.

Marina deu um suspiro de alívio e risadas.

- Graças a Deus! Achei que iam povoar a Terra!

A sala caiu em risadas.

4 dias depois...

Os quatro dias voaram, hoje, finalmente, era o dia da formatura da Bruna.

Ela passou o dia no salão com a Marina, Virgínia e Olívia. Era um alívio dar a ela um dia de mimos depois de tudo o que passamos, e com o peso extra de carregar os gêmeos.

Eu fiquei em casa com o Luan. Os pais da Bruna e Luan, gentilmente se ofereceram para levar o trio — Chloe, Jack e Serena — para passear no parque, para que a casa ficasse em paz.

Enquanto jogávamos videogame na sala de jogos, eu não conseguia relaxar totalmente. A ameaça do pai da Chloe ainda era uma sombra.

- Não aguento mais jogar essa fase, cara. -Luan disse, frustrado.- Concentra!

Eu suspirei, pausando o jogo.

- Desculpa, é a formatura, a mudança...

- E o caos hormonal da minha irmã. -Luan completou, rindo.

- Também. -eu ajeitei a postura.- Ei, eu pedi pro Kenny para ele ficar de olho nos seus pais e nas crianças no parque. De longe, é claro.

Luan me olhou, seu sorriso desaparecendo. Ele entendia a minha paranoia.

- É a melhor coisa, Justin. Não se sinta mal por isso. É o último evento grande antes de vocês irem pro Brasil. A gente precisa de zero surpresas.

- Eu sei. Só não vejo a hora de estar na minha casa em São Paulo. 

Luan deu um tapa no meu ombro. 

- Logo, logo. 

Passamos o resto da tarde conversando sobre projetos novos, e o alívio que seria começar a vida nova no Brasil, com segurança e a família completa. 

Eu e Luan encerramos a conversa logo e subimos para se arrumar.

Tomei um banho rápido, sentindo o alívio da água quente. Escolhi uma camisa branca larga, deixando os botões de cima abertos, para manter o estilo casual que eu gostava. Combinei com uma calça de alfaiataria marrom escura, de corte reto e tecido pesado, que caía larga até os sapatos. Nos pés, coloquei um par de sapatos pretos de couro com solado grosso, dando um toque urbano. Finalizei com um boné virado para trás e o meu colar de pérolas à mostra. Simples, mas a minha cara.

Quando terminei de me aprontar, Bruna entrou no quarto. Ela estava deslumbrante, a maquiagem feita e o cabelo solto e liso. Ela nem parecia a mulher que estava há dias vomitando.

Ela veio até mim, deu um beijo rápido e me avaliou com um sorriso.

- Você está gato! -ela disse, apressada.- Preciso correr!

Ela mal tirou a roupa e correu para o banheiro.

- Estou muuito atrasada! -ela gritou, com o chuveiro ligado.

Não demorou muito, e ela saiu do banheiro, vestindo-se rapidamente.

Bruna vestiu um vestido longo rosa-claro, solto e leve, que caía com um movimento suave. O decote reto deixava os ombros à mostra, e o tecido fluía de um jeito perfeito para disfarçar a barriguinha de quase 12 semanas. Nos pés, ela calçou uma sandália baixa dourada, delicada, com tiras finas que brilhavam sutilmente. O cabelo solto caía sobre os ombros, e o brilho discreto do colar completava o ar tranquilo e bonito dela.

- Pronta! -ela anunciou, pegando a bolsa.

Olhei para ela, completamente apaixonado. Estava perfeita.

- Você está incrível, meu amor. Nem parece que está carregando dois futuros terroristas hormonais na barriga.

Ela revirou os olhos, mas riu.

- Cala a boca e vamos logo!

Ao descermos para o andar debaixo, encontramos Luan e Marina prontos. Os pais da Bruna e as crianças já tinham ido na frente para o local da formatura.

- Uau! Vocês dois estão incríveis! -Marina exclamou, pegando o celular.- Preciso tirar uma foto de vocês.

Nós fomos para perto do sofá. Tirei uma foto rápida com Bruna e depois Marina tirou uma dela sozinha, elogiando o jeito que o vestido disfarçava a barriga.

Após a rápida sessão de fotos, Bruna deu um tapa na testa.

- Ah, não! Esqueci meu perfume! Eu já volto!

Ela subiu rapidamente as escadas, deixando nós três na sala. Marina soltou um suspiro nostálgico.

- Sabem, se nós três tivéssemos continuado com a faculdade, hoje seria a nossa formatura também.

- É verdade. -concordei, pensando na época das festas.- Mas eu acho que o nosso fígado não teria sobrevivido todos esses anos de festas, bebendo todo final de semana.

Marina e Luan riram.

- E no seu caso, Justin, o pulmão também, né? Fumando aquela maconha miserável. -Luan provocou, erguendo as sobrancelhas.

- Você não tem que dizer nada, Luan! A sua esposa também fumava! -devolvi, defendendo-me.

Marina se defendeu imediatamente. 

- No campus, eu nunca fumei! Eu só bebia! 

- Ah, tá. -Luan ironizou.- E fora do campus já fumou?

- O assunto não é esse! -Marina desviou, e eu ri da cara de culpa dela.

Eu balancei a cabeça.

- Mas a Marina tem razão em algo. Se a gente tivesse continuado na faculdade, se não tivéssemos abraçado as oportunidades que apareceram... Não seríamos quem somos agora.

- É verdade. -Marina concordou, séria.- Eu não seria uma atriz reconhecida, e você e o Luan não seriam cantores reconhecidos também.

- Provavelmente estaríamos começando nossas carreiras agora, a partir da formatura. -Luan refletiu.

Marina sorriu, pegando a chave do carro.

- Eu não me arrependo nem um pouco de ter saído da faculdade depois de um ano.

- Idem! -eu e Luan dissemos juntos.

Nós rimos e seguimos para o carro esperar a Bruna. A vida tinha nos tirado da sala de aula, mas nos dado um mundo de oportunidades e, o mais importante, uma família.

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