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Capítulo 150

Luan Narrando

Três meses se passaram voando aqui no Brasil. Era Abril, e finalmente estávamos encontrando nosso ritmo em São Paulo. Estava sendo ótimo, de verdade.

Minha carreira não poderia estar melhor. Eu já havia assinado com a Universal Music Group em Nova York, e consegui transferir minha base para a unidade brasileira. Isso me permitiu expandir minha música mais nacionalmente. De vez em quando, eu ia para o México, Portugal ou França, mas priorizei shows aqui no Brasil para estar sempre perto da minha família.

Marina estava radiante. Atuar era o que ela mais amava, e ela estava totalmente imersa nas gravações da minissérie dela, "Rio Connection." Ela me dizia que estava amando o projeto, e as gravações logo se encerrariam, já que era algo curto. Ela estava feliz por focar em papéis mais sérios aqui.

A vida da Marina no Brasil não se limitava mais à atuação. Sua vinda para cá abriu um leque enorme de oportunidades. Ela estava radiante, fazendo publicidades para várias marcas, uma verdadeira embaixadora de luxo no nosso novo país.

Nossa pequena Serena estava esperta com seus dois anos de idade, e cada dia mais linda. Ela é a cópia exata da mãe, com aqueles cabelos ruivos e olhos verdes marcantes. Uma verdadeira princesinha que já estava falando frases completas.

Às vezes, eu olhava para as duas e sentia uma vontade imensa de aumentar essa pequena família. Mas eu e Marina estamos vivendo o melhor momento das nossas carreiras, e achei melhor manter o foco nisso por enquanto. A paz que encontramos aqui é preciosa.

Os dois primeiros meses em São Paulo foram difíceis, no entanto. 

A Marina na primeira semana quase pôs fogo na cozinha. Ela foi tentar cozinhar feijão. O que esperar de uma americana que só comia feijão enlatado, quando comia?

Eu tive que ensiná-la a deixar o feijão de molho, a refogar o alho e a fazer o arroz soltinho. Ela se esforçava muito para aprender a culinária brasileira, e minha mãe sempre estava por perto, o que era ótimo. Ela ajudava com a Serena e com a adaptação de Marina, servindo como uma verdadeira guia cultural.

O foco em nossas carreiras e a tranquilidade aqui no Brasil estavam nos curando de todo o estresse de Nova York. Só faltava o Justin e a Bruna para a família estar completa.

Hoje era domingo e o sol estava perfeito. Marina não tinha cena para gravar, eu não tinha show, então estávamos no condomínio. Ela estava com Serena na rua, que andava orgulhosa na sua bicicleta de equilíbrio.

Marina agora exigia que nossas conversas fossem em português. Não só para a adaptação dela, mas para que a Serena fosse aprendendo. Era um processo divertido e frustrante. Muitas vezes, eu falava português, ela respondia em português e, na próxima frase, voltava para o inglês sem querer.

- Luan, eu não acredito que a Prime Video me chamou de novo. -ela disse, começando em português.

- Sério, amor? O que eles queriam? -perguntei, no mesmo idioma.

- Well, they called from the Brazilian unit this time, saying that they have a series that I would be perfect for... -ela voltou para o inglês e eu a interrompi.

- O que você disse? Repete em português. -fingi total desentendimento.

Ela revirou os olhos, mas riu. 

- A Prime Video daqui me chamou de novo, dizendo que tem uma série que eu seria perfeita para uma personagem.

- Ótimo! E qual é o projeto?

- É uma série sobre... -ela hesitou, pensando na pronúncia.- Sobre... Tremembé?

Eu arregalei os olhos.

- Tremembé? Você quer dizer a cadeia? A prisão de segurança máxima?

- Sim! -ela confirmou, animada.- Eles disseram que eu poderia interpretar a Suzane Von Richthofen.

Fiz uma careta automática. O nome trazia um peso mórbido para qualquer brasileiro.

- Suzane Von Richthofen? Marina, você sabe quem é ela?

- Não faço ideia! Eles disseram que é uma história incrível de drama e true crime. Quem é ela?

Eu suspirei, pegando a Serena para ajeitar o capacete dela, antes de resumir o pesadelo.

- A Suzane é um dos maiores nomes do true crime brasileiro. Ela planejou a morte dos próprios pais. É uma história de assassinato brutal, Marina.

Marina arregalou os olhos. Ela parecia chocada e fascinada ao mesmo tempo.

- Meu Deus, Luan! Isso explica o porquê de Tremembé ser uma prisão! Mas o que ela fez exatamente?

Eu suspirei, sentindo o peso da história que estava prestes a contar. Não era o tipo de coisa que você discutia alegremente em um domingo ensolarado.

- É a história clássica e terrível de um crime brasileiro. Ela era de uma família muito rica e tradicional aqui de São Paulo. Ela tinha um namorado, o Daniel Cravinhos, que a família dela não aprovava.

Marina assentiu, já ligando os pontos do drama shakespeariano.

- E aí? Eles fugiram?

- Pior. Ela, o Daniel e o irmão dele, Cristian, planejaram o assassinato dos pais dela. Eles entraram na casa, bateram na cabeça dos pais dela com barras de ferro enquanto dormiam, e depois simularam um assalto para tentar incriminar outra pessoa.

O rosto de Marina ficou branco, e ela colocou a mão sobre a boca.

- Ela fez isso? Para ficar com o namorado?

- Para ficar com ele, sim. E principalmente para herdar a fortuna dos pais. A história dela é toda sobre inveja, dinheiro e psicopatia. É um caso que chocou o país inteiro e ainda é debatido.

Eu a olhei com seriedade.

- Você está sendo chamada para interpretar a assassina mais famosa e odiada do Brasil. É um papel gigante e pesado.

Marina ficou em silêncio por um longo momento, olhando para a filha que agora tentava escalar um brinquedo no parquinho. 

- Eu preciso ler o roteiro. -ela disse, finalmente, em um tom de voz que já parecia o da atriz focada.- Isso é um desafio.

- Papai! Sorvete! -Serena decretou, puxando minha camisa com determinação.

Eu não pude dizer não. 

- Vamos tomar sorvete, princesa! -concordei, pegando-a no colo.

Fomos andando até a sorveteria do condomínio. Uma das melhores coisas de morar aqui era ter tudo à mão.

Enquanto caminhávamos, Marina e eu voltamos para assuntos mais leves e essenciais.

- Eu acho que vou começar as aulas de português intensivas na próxima semana. -ela disse, praticando a pronúncia.- Eu não quero mais falar "Tremembé" errado.

- Não acho que precise. Sua fluência está melhorando a cada dia. Você só precisa parar de rir quando eu falo "bolacha" em vez de "biscoito". -brinquei.

- Não consigo! É muito fofo! -ela riu, me dando um tapa leve no braço.- Mas falando sério sobre o papel, Luan. Se eu aceitar, as gravações de "Rio Connection" acabam em junho. Isso me daria um mês para me preparar para a Suzane. Você acha que o público vai me odiar por interpretar alguém tão... maligna?

- O público te ama, Marina. E atuar é atuar. É um desafio dramático que vai te consagrar aqui. Mas tem que ser perfeito. Você não pode ter medo de ser odiada.

Chegamos na sorveteria. Serena, já no chão, apontava para o sabor de morango.

Depois de pedirmos e pagarmos, o celular de Marina vibrou na bolsa. Era uma mensagem. Ela pegou o aparelho, leu e franziu a testa.

- É a Bruna. Ela disse que tem uma novidade muito grande e que precisa ligar por vídeo agora.

Olhei para ela. Bruna e Justin só ligavam assim quando era urgente ou emocionante.

- Então liga para ela.

Nos sentamos para esperar os sorvetes, quando Marina ligou para Bruna por vídeo.

A imagem de Bruna que apareceu na tela nos fez rir. Ela estava descabelada, com o rosto inchado de quem tinha chorado, mas com um sorriso nervoso. Marina, ao contrário, parecia despreocupada, com o cabelo solto e o bronzeado brasileiro já começando a aparecer.

- Oi! Que cara é essa, Bruna? Estava chorando? -Marina perguntou, com seu sotaque ainda leve.

- Eu estou bem, juro. Mas tenho que te mostrar uma coisa. É muito maluco.

Bruna então tirou o celular do rosto por um segundo, e quando o colocou de volta, a câmera estava focada em um objeto: um teste de gravidez digital.

Marina arregalou os olhos, e eu fiz uma careta de surpresa teatralmente exagerada.
No fundo do vídeo, ouvimos a voz de Justin gritando, triunfante:

- Eu vou ser pai de novo! Pai de três!

- Bruna! Não acredito! -Marina gritou, a voz cheia de alegria.- Parabéns!

Eu me aproximei da tela, balançando a cabeça em choque e satisfação.

- Parabéns, Bru! Eu sabia que o lockdown de vocês traria resultados.

Justin apareceu na tela, abraçando Bruna por trás, a alegria genuína dele era contagiante.

- Foi ontem à noite que descobrimos. Ela ainda está em choque, mas eu estou nas nuvens!

Nossos sorvetes chegaram. Serena queria comer sozinha, Marina apoiou o celular no porta-guardanapo da sorveteria, desembrulhando o picolé dela sem perder a conexão.

- Vocês são loucos, é isso! -Marina disse, dando uma lambida no picolé. Ela olhou diretamente para a tela, em um tom de voz totalmente sério, apesar do contexto.- Justin, você já deveria estar considerando uma vasectomia, igual o nosso pai! Já são três! Ou quatro, se vier gêmeos!

Bruna e Justin caíram na risada.

- A gente pode conversar sobre isso depois que ele nascer, Marina! -Justin respondeu, rindo.

- Mas parabéns de novo, gente. É a melhor notícia de todas. Agora, o Brasil tem mais um motivo para ser perfeito para a gente. 

2 semanas depois...

Eu estava sozinho no meu camarim, em Roraima, me preparando para um show.
O celular tocou. Era uma videochamada de Bruna. Atendi, e ela me pediu para esperar um pouco. Logo em seguida, entrou outra videochamada: era Marina, em casa, em São Paulo. 

- Oi, gente! -Bruna disse, o rosto tenso, mas com um brilho malicioso.- Fiz ultrassom hoje para ver como estava o bebê.

- E aí? Como está meu sobrinho ou sobrinha? -perguntei, animado, ajeitando o fone no ouvido.

- Como está, Bru? Está tudo bem? -Marina perguntou, despreocupada, comendo uma bolacha que tinha na mão.

Foi então que Bruna pegou o papel do ultrassom, segurando-o contra a câmera.

- Não é O bebê, gente. -a voz dela estava em surto, um misto de pânico e euforia.- São OS BEBÊS! Eu estou esperando gêmeos!

Marina abriu a boca em choque, a bolacha caindo no chão. Eu fiquei sem reação por um segundo, meus pensamentos se atropelando. 

- Puta que pariu. -murmurei, apoiando a cabeça na mão.

Bruna estava rindo e chorando ao mesmo tempo.

- Eu saí de um filho, para três de uma vez só! E aí tem a Chloe! São quatro crianças em casa!

Marina recuperou a compostura e riu.

- Eu sabia! É por isso que eu não engravido de novo! Morro de medo de vir gêmeos.

Nesse momento, Justin invadiu a tela, rindo histericamente.

- Agora, sim, eu estou considerando uma vasectomia! -ele gritou.

Marina e eu caímos na gargalhada. A situação era surreal.

- Você vai fazer assim que pisar no Brasil, Justin! -Bruna decretou.

Justin recuperou o fôlego, com um olhar de orgulho malandro.

- Zerei o game, gente. 23 anos e quatro filhos! Ninguém faz isso!

A notícia dos gêmeos era a última peça de caos e felicidade que faltava. A família estava se expandindo de forma monumental.

[...]

Maio chegou, e com ele, a promessa da família reunida. Já estávamos na metade do mês.

Eu estava prestes a embarcar no jatinho, pronto para voltar para casa em São Paulo, depois de dias agitados fazendo shows, gravando programas de TV e dando entrevistas de rádio. Peguei meu celular e abri o Instagram logo cedo.

As duas primeiras publicações que vi me fizeram sorrir e me lembraram de algo importante: hoje era o aniversário de casamento de Bruna e Justin, completando um ano de casados.

brusantanareal Um ano casada com o homem mais incrível, caótico e cheio de vida que eu conheci. Lembro do dia em que nos casamos e de todas as promessas que fizemos, e hoje, olho para o que construímos e sinto orgulho. Nossa vida nunca é fácil, mas é sempre cheia de amor, aventura e muitas risadas. Obrigada por me dar a família mais louca e maravilhosa. Que venham muitos anos de cumplicidade, viagens e caos controlado. Te amo, meu amor. ❤️ @justinbieber

Logo depois era o post do Justin:

justinbieber 365 dias. Um ano de casados e eu sinto que nossa história está só começando. Você é meu porto seguro, meu desafio, a mãe mais forte que nossos filhos poderiam ter, e minha melhor amiga. Você me salvou de mim mesmo. Feliz aniversário, esposa. O futuro é com você, não importa onde ele seja. ❤️ @brusantanareal

Eu sorri, sentindo a emoção. Em poucas semanas, a promessa de "o futuro é com você, não importa onde ele seja" se concretizaria aqui, no Brasil.

Faltavam apenas cinco dias para a formatura da minha irmã, e eu finalmente estava voltando para casa em São Paulo para pegar minha própria família antes da viagem.

O voo para São Paulo foi tranquilo, mas a ansiedade por ver a Marina e a Serena já estava me dominando. Assim que desembarquei, senti o abraço familiar do ar brasileiro.

Marina estava me esperando na área de desembarque, linda, e Serena correu para mim, os bracinhos abertos.

- Papai! -ela gritou, me fazendo largar a mala e me abaixar para pegá-la.

- Minha princesa! Que saudade! -enchi o rosto ruivo dela de beijos.

Fui até Marina e a beijei. 

- Sentiu muita saudades de mim? -perguntei em tom divertido.

- Não! Mas senti a falta do seu beijo. -ela respondeu, sorrindo.- Sua gêmea ligou dez vezes hoje. Está surtando com a formatura.

- Eu imagino.

Aquele era um momento agridoce. Estar em casa era maravilhoso, mas a estadia seria curtíssima. No dia seguinte, eu e Marina embarcaríamos para Nova York. Reencontraríamos a família, assistiríamos à formatura da Bruna e ficaríamos lá até a mudança final.

A sensação de estar de volta ao meu sofá era indescritível. Eu me joguei nele, sentindo cada músculo relaxar.

- Papai! Posso ir na vovó? -Serena perguntou, já com os olhos brilhando.

- Ué, mas você não quer passar um tempo com o papai que acabou de chegar? -perguntei, fazendo beicinho.

Ela balançou a cabeça rapidamente, me arrancando uma risada. Amo a sinceridade das crianças.

- Tudo bem, mocinha.

Levantei e a levei na casa da minha mãe. Marina preferiu ficar em casa, provavelmente revisando algum roteiro ou descansando da viagem mental que seria Nova York.

Na casa da minha mãe, que era ali no mesmo condomínio, fui recebido com um abraço e o cheiro inconfundível de bolo fresco. Tomei um café com o bolo que ela havia acabado de fazer e bati um papo rápido com meu pai.

- Preciso ir, mãe. Quero descansar um pouco antes de viajar amanhã.

- Claro, querido. Quando vier buscar a Serena, traga a Marina para vocês jantarem aqui. Não vou aceitar desculpas. -minha mãe decretou.

- Combinado.

Dei um beijo na Serena, pedi para ela se comportar e obedecer à vovó e o vovô e, então, voltei para casa.

A casa estava em um silêncio reconfortante. Subi para o quarto e logo escutei o barulho do chuveiro ligado.

Eu me despi ali mesmo, apressadamente. O descanso podia esperar. Eu tinha tido a melhor das ideias: fazer companhia para minha linda — e gostosa — esposa.

Entrei no banheiro, o vapor quente envolvendo-me imediatamente. Marina estava de costas para a porta, sob o chuveiro.

O vapor quente carregava o aroma do sabonete de melancia que Marina adora, um cheiro doce e fresco que sempre me fez pensar nela. A água escorria por suas costas, delineando cada curva dos seus ombros, a estreita cintura e então se abrindo para o quadril generoso que minhas mãos conheciam tão bem.

- Tomando banho sem mim, Marina Santana? -murmurei, me aproximando. 

Ela se virou devagar, surpresa que se transformou num sorriso lento e cúmplice. O água molhou seu rosto, pingando dos seus fios ruivos grudados na testa e nas bochechas.

- Pensei que você estava na sua mãe. -disse ela, a voz um pouco rouca pelo vapor.

- Estava. Mas voltei com uma ideia melhor. -aproximei-me, e a água quente começou a me atingir também, ensopando meu cabelo, escorrendo pelo meu peito.

Minhas mãos encontraram a cintura dela, puxando-a suavemente para perto. A pele dela estava quente e sedosa sob o jato d'água. Ela não disse nada, apenas ergueu as mãos e as passou pelos meus cabelos, depois para os meus ombros, deslizando pelas costas num toque que era ao mesmo tempo familiar e eletrizante.

Baixei a cabeça e capturei seus lábios num beijo lento e profundo. Não havia pressa, apenas o sabor conhecido e ainda assim sempre novo dela. A água escorria entre nossos rostos, tornando o beijo úmido e quente. Suas mãos subiram e desceram pelas minhas costas, firmes, como se estivesse se reencontrando comigo.

Quando nossas bocas se separaram, ofegantes, desci meus lábios para seu pescoço, sentindo o pulso acelerado contra minha boca. Beijei a clavícula saliente, depois a curva macia do ombro. Senti o arrepio percorrer o corpo dela e um pequeno suspiro escapou de seus lábios.

- Luan... -sussurrou meu nome, mais um suspiro do que uma palavra.

Ajoelhei-me lentamente diante dela, sob o jato quente que agora me batia diretamente no rosto. Minhas mãos deslizaram pelas suas coxas firmes enquanto meus lábios exploravam a suave pele da sua barriga. Beijei cada centímetro, sentindo os músculos contraírem sob meu toque. Ela enterrou os dedos no meu cabelo, não pressionando, apenas segurando, ancorando-se em mim.

Olhei para cima e nossos olhos se encontraram. Seus olhos claros estavam pesados de desejo, mas também de uma ternura profunda. Havia um universo de intimidade naquele olhar, anos de conhecimento e ainda assim a surpresa do momento. Era isso, sempre era isso que me pegava: a mistura do conhecido com o novo, a descoberta que nunca terminava.

Levantei-me, e agora foram as mãos dela que percorreram meu corpo. Ela beijou meu peito, a língua provando a água que escorria, encontrou um dos meus mamilos e passou a língua sobre ele, fazendo com que eu soltasse um grunhido baixo. Suas mãos desceram pelo meu abdômen, arranhando levemente.

Deixei que suas mãos me explorassem, que seus lábios traçassem um caminho lento e deliberado pelo meu torso. Cada toque era uma afirmação, cada beijo uma relembrança. Não era sobre chegar a algum lugar, era sobre estar ali, completamente, naquele banheiro envolto em vapor, com o som da água como trilha sonora para nossa dança lenta e silenciosa.

Peguei a esponja e o sabonete dela. Passei o sabonete na esponja e comecei a lavar suas costas, fazendo círculos lentos e firmes. Ela fechou os olhos, inclinando a cabeça para trás, entregue à sensação. Virei-a devagar e repeti o movimento na frente, descendo pelos braços, pelo busto, contornando com uma reverência que não era de evitar, mas de adoração. A espuma escorria, limpando não apenas a pele, mas qualquer cansaço residual do dia.

Marina fez o mesmo por mim, suas mãos ensaboadas deslizando sobre meu peito, meus braços, meu abdômen, em um massagem que era puro carinho. Era um ritual de entrega, de cuidar do outro, de redescobrir o território que já era nosso, mas que sempre valia a pena revisitar.

Quando todo o sabão foi enxaguado e ficamos apenas sob a água, nos olhamos de novo. O desejo estava lá, intenso e palpável, mas havia uma camada mais profunda, uma conexão que tornava aquele momento muito mais do que apenas um prelúdio. Era um recomeço, um "eu ainda te escolho" silencioso, dito com as mãos, os lábios e o coração.

Peguei seu rosto entre minhas mãos e beijei sua testa, depois a ponta do nariz, e finalmente, seus lábios, com uma doçura que contrastava com a fogueira que ardia dentro de nós.

- Vamos para o quarto? -sugeri, minha voz rouca contra sua boca.

Ela apenas assentiu, com um sorriso que era só meu, e desligou o chuveiro. O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pela nossa respiração sincronizada. O descanso podia, de fato, esperar. O que tínhamos para viver naquela tarde era infinitamente mais importante.

Peguei uma toalha grande e macia e envolvi Marina, puxando-a contra mim enquanto secava suas costas lentas, sentindo cada arrepio sob o tecido. Ela fez o mesmo comigo, suas mãos firmes secando meu peito, meus braços, com uma deliberação que acelerava meu coração.

Sem trocar muitas palavras, entrelacei meus dedos nos dela e a conduzi para fora do banheiro, o vapor escapando pela porta aberta como um suspiro. A luz da tarde entrava pelo quarto. As sombras eram longas e convidativas.

Deitamo-nos na cama, o colchão cedendo ao nosso peso, e por um momento, apenas ficamos nos olhando. O cabelo dela estava molhado sobre o travesseiro branco.

- Você é tão linda. -murmurei, minha voz soando grossa no quarto silencioso. Minha mão traçou a linha do seu queixo, desceu pelo pescoço, até a curva do seio.

- Sou sua, toda sua. -ela sussurrou em resposta, arqueando o corpo levemente para o meu toque.

Dessa vez, não havia a urgência do banheiro. Minha boca desceu pelo seu pescoço, beijando. Prossegui para os seios, tomando um dos mamilos na boca, sentindo-o endurecer contra minha língua enquanto ela soltava um gemido baixo e profundo. Suas mãos se enterraram no meu cabelo, segurando-me lá, não com pressa, mas com posse.

- Quero sentir você também. -ela respirou, virando-se sobre mim com uma agilidade que me surpreendeu.

Agora era a sua vez. Sua boca era um fogo lento e meticuloso descendo pelo meu corpo. Ela beijou o centro do meu peito, sua língua desenhando círculos lentos, antes de descer, beijando cada costela, o abdômen contraído. Cada toque seu era uma promessa, uma relembrança de cada noite que tínhamos compartilhado. Quando ela finalmente me tomou na boca, foi com uma doçura devastadora que fez meu corpo se arquejar inteiro contra os lençóis.

- Marina... -gemi, meu quadril se movendo em um ritmo lento e involuntário.

Ela sabia exatamente como eu gostava, conhecendo cada curva, cada resposta do meu corpo como ninguém. Foi um tormento prazeroso, uma doce agonia que construía dentro de mim como uma maré.

- Para... para. -supliquei, puxando-a suavemente para cima.- Quero estar dentro de você. Quero te ter.

Ela veio de bom grado, seu rosto flushado, os lábios inchados de me beijar. Posicionei-me sobre ela, apoiado nos cotovelos, e olhamos um para o outro. O mundo lá fora, a viagem de amanhã, tudo desapareceu. Havia apenas nosso quarto, nossa respiração sincronizada e o espaço entre nossos corpos que estava prestes a desaparecer.

Guiando-me lentamente, entrei nela.

Ela estava quente, incrivelmente úmida e apertada, um abraço familiar que sempre me sentia como voltar para casa. Um gemido longo e trêmulo escapou de sua garganta, e seus olhos se fecharam por um segundo.

- Abre os olhos, Marina. -pedi, minha voz um rosnado suave.- Quero ver você.

Ela abriu, e o amor, a luxúria e a ternura pura que vi neles quase me derrubaram. Comecei a me mover, um balanço lento e profundo, cada embate uma afirmação.

Ela gemeu, suas unhas cravando-se levemente nas minhas costas, suas pernas envolvendo minha cintura mais forte.

O ritmo foi natural, nascido de anos de conhecimento mútuo. Não era frenético, era uma dança. Cada movimento era para sentir, para aprofundar a conexão. Eu a observava perder o controle, seus olhos se revirarem, sua boca abrir em gritos suaves e ofegantes. Era a visão mais linda do mundo.

- Eu estou perto... -ela alertou, sua voz quebrada.

- Eu também. -respirei, sentindo a tensão se acumulando na base da minha espinha, uma pressão quase insuportável. 

Senti o corpo dela estremecer violentamente sob o meu, um grito abafado contra meu ombro enquanto a onda do prazer a consumia. Foi a contração final dela, o som do meu nome saindo dos lábios dela como uma oração, que me empurrou para o abismo. Enterrei meu rosto no pescoço dela e me entreguei, jorrando dentro dela com um gemido rouco e prolongado, meu corpo tremendo incontrolavelmente.

Por um longo momento, não nos movemos. A única coisa que se ouvia era o som de nossa respiração pesada tentando encontrar um ritmo normal. Aos poucos, meu corpo afundou sobre o dela, mas rolei para o lado antes de esmagá-la, puxando-a contra mim, de frente um para o outro.

A luz da tarde estava mais fraca agora, lançando sombras longas no quarto. Ficamos deitados ali, entrelaçados, a pele úmida e quente. Ela colocou a mão no meu rosto, seu polegar acariciando minha bochecha.

- Eu te amo. -ela sussurrou.

- Eu também te amo. -sussurrei de volta, dando lhe um beijo na testa.

O cansaço finalmente me alcançou, mas era um cansaço bom, completo. O descanso, agora sim, podia vir. E viria, com ela em meus braços.

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