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Capítulo 138

Luan Narrando

Dois dias depois...

Faziam dois dias que o chão sob os meus pés era firme e seguro. Dois dias que o único som que me acordava de noite era o ressonar suave da Serena na babá eletrônica, e não o rugido de um monstro tentando nos engolir.

A casa, que antes estava cheia com o alívio barulhento da nossa família, agora estava em paz. Meus pais trouxeram nossa pequena de volta no primeiro dia. Pegar a Serena no colo depois de tudo aquilo foi como sentir minha alma voltar para o corpo. Eu a apertei com força, inalando seu cheirinho de bebê, a prova viva e real do porquê tínhamos lutado tanto. Os pais da Marina também vieram, nos abraçando com força, os olhos cheios de lágrimas e incredulidade. Contamos a nossa história, ou pelo menos as partes que conseguimos colocar em palavras, e eles nos olharam com uma mistura de horror e admiração, nos chamando de "corajosos e sortudos". Sorte. Sim, tivemos sorte. Coragem... era apenas o medo nos empurrando para frente.

Hoje, a casa estava vazia. Era só a nossa família de três, finalmente. Eu estava sentado no sofá, observando a Marina na poltrona em frente. Serena dormia em seu colo, um anjinho sereno, e ela mexia no celular com um pequeno sorriso no rosto.
 
- Amor. -ela chamou, a voz baixa para não acordar a pequena.- Vê o que eu postei no meu Instagram.

Peguei meu celular, a curiosidade me picando. Abri o aplicativo e o post dela foi a primeira coisa que apareceu.

marinabieber Tulum.☀️🇲🇽 Alguns registros dos dias mais perfeitos, das memórias mais doces, da calmaria antes da tempestade. Vivemos um sonho lindo, antes que um furacão viesse tentar apagar tudo.

Mas ele não apagou. Na verdade, ele só me mostrou o que eu já sabia, mas que pude sentir na pele: a força do homem com quem eu casei. O mundo pode me chamar de sortuda por muitas coisas, mas a minha maior sorte, a que realmente importa, é ter você ao meu lado. Em meio ao caos, quando o medo paralisava, você foi minha âncora, minha rocha e a bússola que nos guiou para fora do inferno.

Eu vi o medo nos seus olhos, mas vi uma coragem ainda maior, a coragem de um homem que se recusava a deixar sua família para trás. Um homem que lutou, que me guiou, que me deu forças quando as minhas acabaram. O mundo viu um furacão, mas eu vi um herói. Meu herói.

Serena ainda não entende, mas um dia ela vai saber que o pai dela não é apenas o homem que canta para ela dormir. Ele é o homem que enfrentou a maior das tempestades para voltar pra ela. Ela tem tanta sorte de ter você como pai. E eu... eu tenho a sorte de te chamar de meu marido. Eu te amo, pra sempre. Nós sobrevivemos. Juntos. Eu te amo, pra sempre @luansantana ❤️

Eu terminei de ler, e o mundo ficou embaçado. As palavras dela... a forma como ela me via... não era como eu me sentia. Eu me lembrava do pânico, da minha vontade de desistir, de mandá-la na frente. Mas ela... ela via um herói.

Uma lágrima quente escorreu pelo meu rosto, e depois outra. Não eram lágrimas de tristeza. Eram de gratidão. De um amor tão profundo que doía. Ela tinha pegado os pedaços quebrados da nossa pior memória e os transformado em uma declaração de amor e força.

Levantei o olhar do celular e encontrei os olhos dela. Ela sorria para mim, um sorriso que dizia que ela via cada lágrima e entendia cada uma delas. Naquele momento, eu soube. O furacão tinha levado nossa paz, nossa segurança, mas nos tinha dado algo em troca. Tinha nos forjado em algo novo. Mais forte. Inquebrável.

1 mês depois...

Um mês desde que pisamos de volta em Nova York, trazendo na mala apenas roupas emprestadas e o fantasma de uma tempestade que ainda assombrava nossos sonhos. Outubro chegou, e com ele, um esforço consciente de voltar à normalidade, de pintar a vida com cores vibrantes para afastar o cinza da memória.

A música foi meu refúgio e minha cura. Voltei para a estrada, para o palco, para os shows. A energia da multidão, as luzes, a vibração familiar das minhas canções, tudo isso ajudou a silenciar o som do vento uivante na minha cabeça. Era uma terapia barulhenta e itinerante, mas estava funcionando.

Eu tinha acabado de passar quatro dias fora, uma mini-turnê pela costa leste. Estava exausto, com o corpo doendo da rotina de viagens e shows, mas com a alma mais leve. Tudo o que eu queria era chegar em casa, abraçar minhas meninas e não fazer absolutamente nada por pelo menos vinte e quatro horas.

Quando abri a porta do nosso apartamento, no entanto, parei no lugar, a mala de rodinhas esquecida ao meu lado.

- Mas o que é isso?

A casa estava irreconhecível. Teias de aranha falsas, mas assustadoramente realistas, pendiam de cada canto do teto. Abóboras sorridentes e carrancudas de todos os tamanhos estavam espalhadas pelo chão. Pequenos fantasmas de lençol flutuavam, pendurados por fios invisíveis, no corredor. 

Marina apareceu na porta da cozinha, com a Serena no colo, que usava uma tiara com duas pequenas abóboras de pelúcia.

- Surpresa! -ela disse, com um sorriso radiante que ia de orelha a orelha.- O que você achou?

Eu olhei da decoração para o sorriso dela, e de volta para a decoração.

- Achei que pulei um mês e acordei no meio de um filme de terror. -brinquei, largando a mala e indo até elas, dando um beijo na testa da Serena e um beijo demorado nos lábios da Marina.- O que aconteceu aqui?

- Aconteceu que eu decidi que nós merecemos uma festa. E que a Serena merece o primeiro Halloween de verdade dela. -ela anunciou, os olhos brilhando com uma empolgação contagiante.- Então... no final do mês, a gente vai dar uma festa de Halloween! Para as crianças, para os nossos amigos, para todo mundo!

Ela estava tão genuinamente feliz, tão cheia de vida e de planos, que a visão de teias de aranha e fantasmas pela casa não me pareceu nem um pouco estranha. Pareceu... certa. Pareceu a coisa mais normal e perfeita do mundo.

Depois do furacão, tudo o que queríamos era paz e silêncio. Mas agora, eu percebi que o que realmente precisávamos era disso: risadas, amigos, música, crianças correndo fantasiadas. Precisávamos encher a nossa casa de vida de novo. E Marina, como sempre, sabia exatamente como fazer isso. 

Eu ainda estava sorrindo, absorvendo a ideia de uma festa e a alegria contagiante da Marina, quando uma figura familiar apareceu no corredor. Gemma, a babá da Serena, uma jovem doce e eficiente que se tornou parte da nossa pequena rotina. Ela segurava uma mamadeira.

- Bem-vindo de volta, Luan. -ela disse com um sorriso rápido, já se aproximando da Marina.- A pequena está com o radar ligado para o leitinho dela.

- O radar dela nunca falha. -Marina riu, entregando a Serena para os braços de Gemma com uma facilidade praticada.

Gemma pegou nossa filha, que já fazia um biquinho sonolento de antecipação pela mamadeira, e a levou em direção ao quartinho dela. Fiquei observando elas irem, o coração cheio daquela paz que só a volta para casa proporciona.

Assim que elas desapareceram pelo corredor e o som da porta do quarto da Serena se fechou suavemente, o clima mudou. A energia festiva e maternal da Marina deu lugar a algo diferente, mais focado. Mais íntimo.

Ela se virou para mim, e o sorriso em seu rosto não era mais o de antes. Era um sorriso só para mim. Seus olhos brilharam com uma intensidade que eu conhecia bem. Sem dizer uma palavra, ela pegou minha mão e me puxou suavemente, mas com firmeza, em direção ao nosso quarto.

- O que foi? -perguntei, rindo, me deixando ser levado.

Ela não respondeu, apenas continuou me puxando. Entramos no quarto, e ela fechou a porta atrás de nós, nos envolvendo em um silêncio que era só nosso. A curiosidade e a saudade de quatro dias longe de casa começaram a se misturar, e eu soube que a conversa, agora, seria outra.

Marina se virou para mim, e a luz suave do abajur acentuava o brilho em seus olhos. Ela caminhou lentamente em minha direção, parando a centímetros de mim.

- Então... -ela começou, a voz um sussurro, enquanto seus braços circulavam meu pescoço.- Que bom que voltou logo para casa.

Eu sorri, sentindo meu rosto esquentar um pouco. Puxei-a pela cintura, colando seu corpo ao meu.

- Só voltei pela minha garota. -respondi, a voz rouca.

- Quatro dias. -ela disse, a testa agora colada na minha.- Quatro dias pareceram uma eternidade. Depois de tudo... eu odeio ficar sem você. O silêncio da casa fica... alto demais.

A confissão dela, a vulnerabilidade em sua voz, me atingiu em cheio. Eu a entendia perfeitamente. O medo de que a segurança que reconquistamos fosse frágil.

- Eu sei. -murmurei, antes de acabar com o espaço entre nós.

O beijo começou suave, um teste, um reencontro terno. Era um beijo que dizia "eu senti sua falta", "você está segura", "eu estou aqui". Mas a saudade de quatro dias e a memória ainda viva de quase nos perdermos para sempre adicionaram uma urgência, uma fome. O beijo se aprofundou, tornando-se desesperado, apaixonado. Minhas mãos subiram por suas costas, se enroscando em seus cabelos, enquanto as mãos dela desciam pelo meu peito.

Nós nos separamos, ofegantes, as testas ainda juntas.

- Eu te amo. -falei, as palavras carregadas com o peso de tudo que vivemos. 

- Eu também te amo. -ela respondeu, antes de me beijar de novo.

Não havia mais necessidade de palavras. Havia uma necessidade de sentir, de provar que estávamos ali, vivos e inteiros. A conversa se transformou em um emaranhado de mãos e bocas, de roupas sendo tiradas com uma pressa febril e jogadas no chão sem cuidado.

Cada toque era uma redescoberta, cada beijo no seu pescoço, nos seus ombros, era uma celebração. A luz da lua que entrava pela janela desenhava o contorno do seu corpo sobre os nossos lençóis, e para mim, não havia visão mais perfeita no mundo. A maneira como ela me olhava, com uma mistura de desejo e um amor profundo e inabalável, me fazia sentir como o homem mais forte do mundo.

Ali, em seus braços, nos perdemos um no outro. Não era apenas físico; era uma forma de expulsar os últimos fantasmas daquela tempestade. Cada toque era uma afirmação de vida, cada gemido era uma canção de sobrevivência. Era a nossa maneira de provar, para nós mesmos e para o universo, que o furacão não tinha vencido. Nós vencemos. Porque tínhamos um ao outro.

Depois, deitados e emaranhados nos lençóis, com o som suave da respiração dela no meu peito, eu olhava para o teto, exausto e em paz. O mundo lá fora podia ter suas tempestades, seus monstros e seus medos. Mas aqui, neste quarto, nos braços dela, era o meu lugar seguro. A minha âncora. O meu lar. E nada, nem mesmo um furacão, poderia arrancar isso de mim.

Alguns dias depois...

Os dias que se seguiram foram se enchendo de uma normalidade bem-vinda, pontuados pela crescente empolgação da Marina com a festa de Halloween. As teias de aranha e abóboras em nosso apartamento se tornaram parte da paisagem, um lembrete constante de que estávamos focados em celebrar a vida, não em lamentar o que quase perdemos.
Marina falou com a Bruna e o Justin, e como eu já esperava, eles insistiram que a festa fosse na casa deles. "Aqui tem muito mais espaço para as crianças correrem, e o jardim é perfeito para a decoração!", Bruna argumentou. Marina topou na hora, rindo. "Ótimo! Pelo menos eu me poupo de limpar toda a sujeira depois!", ela me disse, piscando.

A questão das fantasias virou o grande tópico. Ela já tinha escolhido a dela dias atrás, mantendo um segredo absoluto sobre o assunto. Nós não combinamos nada, e eu, como sempre, deixei para a última hora e estava sofrendo para escolher algo. Eu queria algo que fosse especial. Depois de muito pensar, finalmente decidi por uma que, eu tinha certeza, iria surpreendê-la e fazê-la rir.

Finalmente, o dia 31 de outubro chegou. A agitação na casa começou cedo. Enquanto nos arrumávamos para ir para a casa da minha irmã, Marina se exilou no quarto de hóspedes.

- É surpresa! -ela declarou, fechando a porta com um sorriso misterioso.- Você só vai me ver pronta na hora de sair!

Eu ri, começando a me arrumar no nosso quarto. O clima era leve, feliz. E festivo, não só pela nossa casa, mas pelo bairro todo. A cada cinco minutos, a campainha tocava. E lá ia eu, no meio de vestir minha fantasia, atender a porta.

- Doces ou travessuras! -um coro de vozes infantis gritava cada vez que eu abria.

Um pequeno Drácula, uma Mulher-Maravilha e um fantasminha me encaravam com seus baldinhos de abóbora estendidos. Eu sorria e enchia as sacolas deles com os punhados de doces que a Marina tinha separado em potes perto da porta. A alegria pura no rosto daquelas crianças, a simplicidade da tradição, era contagiante.

Fechei a porta depois de atender um grupo de bruxinhas e voltei para o quarto, o coração leve. A normalidade. Era isso. O som de crianças rindo, a expectativa de uma festa, o mistério bobo de uma fantasia. Depois da tempestade que enfrentamos, a calmaria nunca pareceu tão boa. E eu mal podia esperar para ver a minha esposa e começar a nossa noite.

Eu já estava pronto. Dei uma última olhada no espelho, ajeitando o nó da gravata listrada no meu pescoço. O blazer vermelho, a camisa branca com os botões de cima abertos, o cabelo propositalmente um pouco bagunçado... não havia como errar. Eu havia decidido ir de Diego Bustamante, da novela Rebelde. Com certeza a Marina iria pirar quando me visse. O sorriso em meu rosto era de pura antecipação.

Foi quando ouvi passinhos apressados no corredor e uma pequena figura apareceu na porta do quarto. Era a Serena. E ela estava a coisa mais absurdamente fofa que eu já tinha visto na vida. Com seu vestidinho rosa, a faixa preta na cintura e um grande laço vermelho na cabeça, ela era a Florzinha, das Meninas Superpoderosas.

- Papa! -ela disse, apontando para si mesma com um orgulho adorável.

- Uau! -falei, me abaixando.- Mas que florzinha mais linda!

Ela deu uma risadinha e correu para os meus braços. Eu a peguei no colo, o cheiro de shampoo de bebê enchendo minhas narinas. Beijei seu rosto, sua bochecha macia, e ela riu de novo, um som que era a minha música preferida no mundo.

Enquanto a segurava, olhei nosso reflexo no espelho. Era incrível. Fisicamente, ela era uma miniatura perfeita da Marina. Os mesmos olhos grandes e expressivos, o mesmo formato do rosto, o mesmo tom de pele. Mas a personalidade... ah, a personalidade era toda minha. O jeito teimoso quando queria alguma coisa, a impaciência, a forma como ela ia de zero a cem em alegria ou frustração. Ela era a mistura perfeita de nós dois.

Abracei minha pequena super-heroína com força. Minha fantasia era uma piada interna para a minha esposa, mas segurar minha filha nos braços, isso sim era a verdadeira fantasia. A de ser pai dela. E era a melhor de todas.

Gemma apareceu na porta, com um sorriso gentil. Ela também iria à festa, mas sua fantasia era básica, um chapéu de bruxa e um vestido preto, algo discreto por ainda estar, tecnicamente, em horário de trabalho. Nada vulgar ou chamativo.

- Hora das frutinhas antes de ir, mocinha. -ela chamou Serena, que desceu do meu colo de bom grado e correu até a babá. As duas sumiram pelo corredor, a risada da minha filha ecoando pela casa.

Sozinho de novo, fui até a cômoda, passei um pouco de perfume no pescoço e punhos, o toque final. Eu estava pronto. E então, eu ouvi. O som inconfundível de salto alto no piso de madeira do corredor, se aproximando.

Meu coração acelerou um pouco. Me virei em direção à porta do quarto, esperando.

E lá estava ela.

Marina foi se posicionar no batente da porta, uma mão na cintura, a atitude confiante e pronta para o impacto da sua grande revelação. Mas então, seus olhos encontraram os meus. A pose dela vacilou. A boca se abriu em um perfeito "O".

Ao mesmo tempo, meu próprio queixo caiu. Eu a encarei, chocado. Mesmo sem combinar, mesmo sem uma única palavra trocada sobre o assunto, nós estávamos combinando.

Eu, de Diego. E ela, de Roberta.

Ela estava perfeita. A saia jeans, a bota preta, a gravata frouxa e, para completar, uma peruca de um cabelo vermelho, cortado em camadas repicadas, exatamente como a personagem. Ela não era a Marina. Era a Roberta Pardo, em carne, osso e atitude rebelde.

Nós ficamos ali, parados por uns dez segundos que pareceram uma eternidade, apenas nos encarando, um espelho do choque e da diversão um do outro. A coincidência era tão absurda, tão perfeita, que parecia coisa de outro mundo. Era a prova de que, mesmo em silêncio, nossos corações ainda batiam na mesma sintonia maluca.

- Não acredito. -ela sussurrou, e a risada começou a borbulhar em sua voz.

- Nem eu. -respondi, um sorriso enorme se espalhando pelo meu rosto.

A minha surpresa tinha sido surpreendida. E o resultado era mil vezes melhor do que qualquer coisa que eu poderia ter planejado.

A risada dela era contagiante, e eu ri junto, balançando a cabeça em descrença. Aquilo era perfeito demais. E se era para ser perfeito, então que fosse completo. Respirei fundo, endireitei a postura, levantei uma sobrancelha e deixei o Luan de lado por um instante.

- O que foi, Pardo? -falei, a voz com um tom arrogante e arrastado que eu passei o último mês estudando.- Perdeu alguma coisa por aqui ou só está admirando a vista?

Agradecimentos aos vídeos de "Melhores Momentos Diego e Roberta" que vi no YouTube esse mês, pensei comigo mesmo, tentando não rir.

Marina parou de rir na hora. Seus olhos brilharam, e ela entrou no clima instantaneamente. Cruzou os braços, jogou o cabelo vermelho da peruca para o lado e me olhou de cima a baixo com um desdém fingido.

- Cuidado com o que você fala, hein, Dieguinho. -ela disse, o apelido saindo com um veneno divertido.- Não quero que seu cérebro de noz superaqueça. E abaixa a bolinha, tá? Você é só um bonequinho de plástico. Bonitinho, mas completamente oco por dentro.

Eu me aproximei dela, entrando completamente no personagem, diminuindo o espaço entre nós até que eu pudesse sentir a respiração dela.

- Você me provoca, Roberta. -sussurrei, a voz baixa e "intensa".- Mas eu sei que você não vive sem mim.

Ela sustentou meu olhar, a boca se curvando em um sorriso atrevido.

- Nos seus sonhos, Dieguinho. Nos seus sonhos.

Eu me inclinei um pouco mais, como se fosse beijá-la, mas parei a milímetros de seus lábios. Olhei no fundo dos olhos dela e soltei a frase que selou toda a nossa brincadeira, a frase que Diego sempre dizia sobre a Roberta.

- Você está completamente louca.

Foi o suficiente. A pose de Roberta Pardo se desfez como um castelo de cartas. Marina perdeu a postura, jogou a cabeça para trás e caiu na gargalhada. Uma risada alta, genuína e maravilhosa. O som encheu o quarto, e eu não aguentei, comecei a rir junto com ela.

Ela se recuperou, enxugando uma lágrima de diversão do canto do olho. Ainda rindo um pouco, ela me deu um tapa leve no braço.

- Que absurdo! -ela exclamou, com uma voz que ainda carregava resquícios da Roberta.- Como você sabia como o Diego era na novela? Você assistia Rebelde, Luan Rafael?

Eu levantei as mãos em um gesto de rendição, um sorriso maroto no rosto.

- Eu não diria que "assistia". -comecei, fazendo aspas no ar.- Digamos que... pesquisei extensivamente para entender a complexidade do personagem para essa noite especial.

Ela arqueou uma sobrancelha, claramente não acreditando em uma palavra do que eu disse.

- "Pesquisou extensivamente"? Sei. -ela riu.- Você estava viciado nos vídeos de melhores momentos, não estava?

Eu apenas dei de ombros, um sorriso que denunciava tudo. Ela riu de novo, me puxando para mais perto.

- Certo, certo, seu "pesquisador". -ela disse, me dando um beijo rápido.- Adorei a surpresa. Você me conhece tão bem. Agora, venha aqui. A gente precisa de uma foto disso.

Ela me puxou para a frente do nosso espelho de corpo inteiro, que ocupava uma parede no quarto. Ajustou a peruca vermelha e fizemos uma pose.

Tiramos a foto. Era uma imagem perfeita de nós dois, perdidos em um momento de pura alegria e cumplicidade, as fantasias se encaixando perfeitamente. 

Eu ainda sorria para o nosso reflexo no espelho quando a ouvi digitar rapidamente no celular.

- Prontinho. -ela disse, satisfeita.

Ela virou a tela para mim. Era uma nova publicação no Instagram dela. A foto que tínhamos acabado de tirar. E, claro, havia uma legenda.

marinabieber Pode entrar, Elite Way School. A Roberta encontrou o bonequinho de plástico dela. 💖 @luansantana 


Eu ri alto. Era perfeito. Simples, divertido e uma referência que só quem era fã de verdade entenderia.

- "Bonequinho de plástico". -repeti, balançando a cabeça.- Você não perdoa, né?

- Jamais. -ela respondeu, piscando para mim e guardando o celular no bolso da jaqueta.- Agora vamos. Antes que a nossa Florzinha decida que precisa voar para a festa.

Ela pegou minha mão, entrelaçando nossos dedos. Saímos do quarto, de mãos dadas, um casal de rebeldes improvisados, prontos para a noite. E eu não poderia estar mais feliz. A vida era boa. Era normal. E era nossa.

Saímos do nosso prédio e o caminho até a mansão onde Bruna e Justin moravam foi rápido. Gemma foi no banco de trás com a Serena. A noite estava fria, típica de final de outubro em Nova York, e a cidade já estava em pleno clima de Halloween, com decorações assustadoras nas janelas e grupos de crianças fantasiadas correndo pelas calçadas.

Quando viramos na rua deles, a música animada já podia ser ouvida de longe. Pelo movimento de carros estacionados, nossa família e os outros convidados já estavam ali. Mas não foi a música que me surpreendeu. Foi a segurança.

Eu estava acostumado com o fato de que a casa do Justin, sendo quem ele é, sempre tinha seguranças na entrada. Mas o que vi hoje era diferente. Havia pelo menos o dobro de homens de terno, discretos, mas inconfundivelmente presentes, espalhados pelo perímetro do portão. Eles não estavam relaxados. Estavam alertas, os olhos varrendo cada carro que se aproximava.

- Uau. -murmurei, diminuindo a velocidade.- O Justin não está exagerando um pouco na segurança hoje?

Marina olhou para fora, a expressão divertida dela dando lugar a uma sobrancelha arqueada.

- Nossa, é verdade. Parece a entrada da Casa Branca.

Assim que nosso carro se aproximou do portão principal, dois seguranças imediatamente se moveram para bloquear a passagem, as mãos prontas. Antes que eu pudesse sequer pensar em buzinar, Kenny apareceu, vindo da guarita. Ele caminhou até a janela do meu lado com passos rápidos e eficientes.

Abaixei o vidro.

- E aí, Kenny? Festa difícil de entrar, hein? -brinquei, tentando aliviar o clima estranho.

O rosto de Kenny estava sério, como sempre, mas hoje havia uma tensão extra em seus olhos. Ele deu uma olhada rápida para mim, para a Marina, e para o interior do carro.

- Luan, Marina. -ele nos cumprimentou com um aceno de cabeça.- Só verificando. Podem entrar.

Ele fez um sinal para os outros seguranças, que abriram o portão imediatamente. Enquanto eu dirigia para dentro da propriedade, olhei pelo retrovisor. Os seguranças já haviam voltado às suas posições, os olhos novamente fixos na rua.

- Que estranho. -Marina disse, a voz baixa, ecoando meus pensamentos.- Ele parecia... tenso.

- Muito. -concordei, estacionando o carro perto da entrada principal da casa.- O Justin deve estar esperando algum convidado muito importante. Ou virou paranoico de vez.

Nós saímos do carro, o som da festa ficando mais alto. A preocupação ficou pairando no ar por um momento, mas a visão da porta da frente se abrindo e a risada das crianças nos chamando para dentro nos distraiu. Deixamos a estranheza do lado de fora e entramos, prontos para a festa. Pelo menos, por enquanto.

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