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Capítulo 132

Marina Narrando 

Alguns dias antes...
Um dia após o casamento

O zumbido suave dos motores do jatinho era a única coisa que quebrava o silêncio. Do lado de fora da minha janela, um mar de nuvens brancas se estendia até o infinito, pintado pelos tons dourados do sol da tarde. Meu corpo inteiro doía de um jeito bom: os pés, por dançar por horas a fio; as bochechas, por sorrir tanto; a barriga, por rir até perder o fôlego.

Ainda parecia um sonho. Ontem, eu era Marina Bieber. Hoje, eu era Marina Santana. Esposa. Olhei para a aliança de ouro no meu dedo, ainda me acostumando com o seu peso reconfortante. O dia anterior tinha sido a montanha-russa mais intensa da minha vida: o pânico com a chegada do Victor, a traição dolorosa da Melanie, a briga... e depois, a proposta do Anthony, a festa, a sensação de estar nos braços do Luan, agora meu marido. No fim, o amor tinha vencido. E vencido de lavada.

Olhei para o lado. Luan estava sentado na poltrona de couro à minha frente, os pés para cima, lendo um livro. Ele parecia tão calmo, tão em paz. Meu marido.

Fechei os olhos, sorrindo, e decidi que a paz já tinha durado o suficiente.

- Ok, Sr. Santana. -falei, fazendo-o baixar o livro.- Já estamos voando há algumas horas. O senhor já pode me dar uma pista de pra onde está me sequestrando?

Ele abriu um sorriso preguiçoso, fechou o livro e se inclinou para frente.

- Hmm, Sra. Santana... Acho que ainda não. Mas, se você insistir, posso dizer que é um lugar quente... tem muita, muita água... e, tecnicamente, fica numa ilha.

Meu coração deu um pulo. A combinação de palavras soou familiar demais.

- Espera aí... Ilha? -perguntei, sentindo uma empolgação de fã crescer dentro de mim.- Luan, você não fez o que eu estou pensando que você fez. A gente não está indo para a Ilha Esme, né?

O sorriso dele se alargou, confirmando tudo.

- Não para a Ilha Esme de verdade, porque ela não existe. -ele disse, se levantando e sentando ao meu lado.- Mas estamos indo para o lugar que inspirou a ilha do filme. Um lugar quase secreto no Brasil, com uma casa linda de frente para o mar.

Eu o encarei, boquiaberta, enquanto ele me contava o destino. Saco do Mamanguá. Paraty. O nosso paraíso particular, a nossa própria lua de mel de cinema. As lágrimas de felicidade brotaram nos meus olhos.

- Você é inacreditável. -sussurrei, jogando meus braços ao redor de seu pescoço.

- Eu te prometi um "para sempre". -ele sussurrou de volta, me beijando.- Achei que esse era um bom lugar para começar.

E ali, acima das nuvens, nos braços do meu marido, eu soube que nosso "para sempre" seria a melhor aventura de todas.

A aterrissagem foi suave, mas a transição, um choque. Saímos do ar-condicionado frio e do luxo silencioso do jatinho para o abraço quente e úmido da noite brasileira. O ar de Paraty era denso, pesado, carregado com o cheiro de sal, de maresia e de terra molhada, de mato. Era um cheiro vivo.

Era noite fechada quando chegamos a uma pequena marina de madeira, mal iluminada por um único poste de luz amarela que atraía uma nuvem de insetos. Um barquinho de madeira, simples e funcional, nos esperava, balançando suavemente na água escura. Não era um iate. Era um barco de verdade, com o verniz desgastado e o cheiro de peixe e diesel impregnado na madeira.

O barqueiro, um senhor local de rosto enrugado pelo sol, nos cumprimentou com um aceno de cabeça e nos ajudou a subir. O motor engasgou antes de pegar, com um barulho alto e constante que quebrava o silêncio da noite. E então, nos afastamos da terra firme, mergulhando na escuridão.

Longe das luzes da cidade, o céu era uma coisa absurda, salpicado com tantas estrelas que parecia irreal. A água, cortada pelo nosso barco, brilhava com plânctons, um rastro de luz fantasmagórica nos seguindo. O vento era quente e trazia um spray salgado que grudava na minha pele, no meu cabelo. Eu me encostei no Luan, sentindo o calor do corpo dele contra o meu, a aspereza da sua barba por fazer roçando na minha bochecha. Ele passou o braço ao redor dos meus ombros, me puxando para mais perto.

Não precisávamos de palavras. O som do motor era alto demais para uma conversa normal, e de qualquer forma, tudo que precisava ser dito estava no aperto da mão dele na minha, no jeito como eu descansei a cabeça em seu ombro, exausta e completamente em paz.

O cansaço da viagem, a umidade, o cheiro de motor... aquilo era real. Não era um cenário de filme. Éramos nós. E era perfeito.

Virei meu rosto para o dele na penumbra. Seus olhos brilhavam, refletindo a luz das estrelas. Ele não sorriu. Apenas me olhou, com uma intensidade que fez meu estômago revirar. E então ele me beijou.

Não foi um beijo de casamento, delicado e para as câmeras. Foi um beijo faminto, bagunçado, com gosto de sal e de cansaço. Um beijo que dizia "finalmente sós". Minhas mãos se enredaram em seu cabelo, puxando-o para mais perto, enquanto a mão dele deslizava da minha cintura para a minha coxa, por baixo do meu vestido leve, a pele dele quente contra a minha. O som do motor, a escuridão, o balanço do barco... tudo se tornou um pano de fundo para aquela urgência, aquele desejo cru de simplesmente nos sentirmos, marido e mulher, longe de tudo e de todos.

- Estamos chegando. -a voz do barqueiro nos cortou, e nos afastamos, rindo baixo, ofegantes.

Olhei para frente. No meio da escuridão da encosta, uma única luz amarela brilhava, vinda de um píer de madeira. Nossa casa. Nosso refúgio. A nossa ilha.

Enquanto o barco diminuía a velocidade, se aproximando do píer iluminado, eu conseguia ver os contornos da casa por entre as árvores. Era moderna, com muito vidro e madeira, perfeitamente integrada à natureza ao redor. Parecia familiar. Familiar demais.

Meu coração de fã começou a bater mais rápido. Olhei para o Luan, os olhos arregalados de expectativa.

- Amor... é sério... -sussurrei, mal conseguindo conter a empolgação.- Você alugou a mesma casa? A casa do filme?

Luan, que observava a casa com um sorriso satisfeito, virou o rosto para mim. Um brilho travesso passou por seus olhos, e ele abriu um sorriso enigmático, fazendo suspense.

- Eu disse que era o lugar que inspirou a ilha do filme. -ele respondeu, vago.

- Luan! -protestei, dando um empurrãozinho nele.- Isso não é uma resposta! Para de me torturar e fala logo!

Ele riu, me puxando pela cintura.

- Você vai ter que esperar mais uns minutinhos pra descobrir, Sra. Santana. -ele sussurrou perto do meu ouvido, enquanto o barqueiro amarrava o barco no píer.- Paciência.

Ele saltou para o píer de madeira e estendeu a mão para me ajudar a descer. 

O barqueiro deixou nossas poucas malas no píer, nos desejou uma boa noite com um aceno e, com o mesmo barulho de motor, se afastou, desaparecendo na escuridão. O silêncio que ficou para trás era profundo, preenchido apenas pelo som suave da água batendo na madeira do píer e pelo canto de criaturas noturnas que vinha da mata densa ao nosso redor. Estávamos completamente sozinhos.

- Primeiro as damas. -Luan disse, pegando as malas e indicando com a cabeça o caminho de pedras iluminado que subia pela encosta.

Meu coração batia descompassado de ansiedade. Cada passo que eu dava por aquele caminho sinuoso, cercado por plantas tropicais e o cheiro doce de flores noturnas, revelava um pouco mais da casa. As paredes de vidro, a estrutura de madeira, a forma como ela parecia brotar da própria natureza... era tudo tão familiar.

Quando chegamos à porta de entrada, uma porta grande e imponente de madeira maciça, eu parei, quase sem fôlego. Luan colocou as malas no chão ao nosso lado e tirou uma única chave do bolso. Ele me olhou, aquele sorriso travesso ainda brincando em seus lábios.

- Pronta, Sra. Santana?

Eu não conseguia falar. Apenas assenti, os olhos fixos na porta.

Ele destrancou e a empurrou. A porta se abriu para uma sala ampla, iluminada por uma luz quente e suave. E o meu queixo caiu.

Era a casa.

Não era parecida. Não era inspirada. Era a casa. A sala de estar em plano aberto, o sofá branco enorme, a lareira de pedra, as paredes inteiras de vidro que davam para um deck e para a escuridão do mar lá fora. Eu podia ver a cena do filme se desenrolando ali, na minha frente.

Virei-me para o Luan, as lágrimas de pura alegria e incredulidade escorrendo pelo meu rosto.

- Eu não acredito! -minha voz saiu como um sussurro embargado.- Luan, é a casa! É de verdade! Como você conseguiu?

Ele me puxou para um abraço, rindo, finalmente se rendendo.

- Eu tenho meus contatos. -ele disse, beijando o topo da minha cabeça.- E eu te disse que faria qualquer coisa pra te fazer feliz. Bem-vinda à nossa Ilha Esme.

Eu o abracei com mais força, rindo e chorando ao mesmo tempo. Ali, no meio da sala de estar dos meus sonhos de fã adolescente, com o homem da minha vida, eu soube que nosso "para sempre" não era só uma promessa. Já tinha começado.

Eu ainda estava abraçada a ele, rindo e chorando, tentando absorver a perfeição daquele momento, quando ele se afastou um pouco, um olhar de pânico fingido no rosto.

- Espera. Espera aí. -ele disse, sério.- Eu esqueci uma coisa. Uma coisa muito importante.

Franzi a testa, confusa, enxugando as lágrimas.

- Esqueceu o quê? As malas estão ali.

- Não, não é isso. -ele disse, e sem mais explicações, pegou minha mão e me puxou de volta para a porta de entrada. Ele nos posicionou do lado de fora, no deck, me fazendo rir com o mistério.

- Luan, o que você...

Ele não me deixou terminar. Em um movimento rápido, ele se abaixou, passou um braço por baixo dos meus joelhos e o outro nas minhas costas, e me pegou no colo.

Soltei um grito surpreso que se transformou numa gargalhada alta.

- O que você está fazendo?

Ele olhou para mim, ali em seus braços, com o sorriso mais charmoso do mundo.

- Esqueci da tradição. -ele disse, a voz baixa e rouca.- O noivo tem que carregar a noiva para dentro de casa pela primeira vez.

E então, ele entrou novamente pela porta, me carregando em seus braços, cruzando a soleira da nossa "Ilha Esme". Eu não conseguia parar de rir, com os braços em volta do seu pescoço. Era clichê, era bobo, e era o gesto mais romântico do mundo. Ele tinha pensado em absolutamente tudo.

Luan me colocou no chão com delicadeza, mas manteve os braços ao redor da minha cintura, me segurando perto. Nós ainda ríamos, a testa colada na outra, no meio daquela sala que parecia ter saído de um sonho.

- Ok, agora sim. Bem-vinda oficialmente. -ele sussurrou.

- Você é um bobo. -respondi, beijando-o de leve. 

Ele pegou minha mão e me guiou pela casa. A cozinha estava abastecida com todas as minhas coisas favoritas, e uma garrafa de champanhe já gelava num balde de prata. A sala de estar se abria para um deck de madeira que parecia flutuar sobre a água escura e calma. Tudo era perfeito, silencioso, nosso.

Por fim, ele abriu a última porta. O quarto.

As paredes eram quase todas de vidro, dando a impressão de que estávamos dormindo no meio da floresta, de frente para o mar. Uma cama enorme, com lençóis brancos e macios, dominava o centro do cômodo. A luz da lua entrava, prateando tudo. Nossas malas já estavam ali no canto, trazidas pelo barqueiro.

Fui até a janela, tocando o vidro frio, olhando a imensidão escura lá fora. O cansaço da viagem, a adrenalina do casamento... tudo pareceu se dissolver, dando lugar a uma sensação de paz e intimidade avassaladora.

Senti a presença dele atrás de mim. Luan envolveu minha cintura com seus braços, apoiando o queixo no meu ombro. Ficamos em silêncio por um momento, apenas olhando a paisagem noturna.

- Gostou, Sra. Santana? -ele perguntou, a voz baixa e rouca perto do meu ouvido.

Virei-me em seus braços para encará-lo.

- Eu amei. -respondi, passando as mãos pelo seu rosto, sentindo a barba por fazer.- É mais do que eu poderia sonhar.

A brincadeira e as risadas deram lugar a algo mais profundo, mais intenso. O jeito como ele me olhava, ali, sob a luz da lua, era carregado de um desejo que espelhava o meu. Ele baixou a cabeça e me beijou, e o mundo inteiro se resumiu àquele quarto, àquela cama, a nós dois.

Suas mãos encontraram os botões do meu vestido, abrindo-os lentamente, um por um. Meus dedos foram para a sua camisa, desajeitados pela pressa, pela necessidade. As roupas caíram no chão, esquecidas. A sensação da pele dele na minha, do corpo dele contra o meu, era a única coisa real, a única coisa que importava.

Ele me guiou até a cama, e nós caímos juntos nos lençóis macios, em um emaranhado de braços e pernas, de beijos e sussurros. E ali, na nossa ilha, eu entendi perfeitamente o que significava "para sempre". Estava apenas começando.

Os dias naquele paraíso foram uma sucessão de momentos surreais e cada vez mais intensos. Nós nos despimos de tudo, literalmente. Nadamos nus no mar escuro sob o brilho das estrelas, a água morna envolvendo nossos corpos. Fizemos amor no deck, na areia da praia deserta, sem ninguém por quilômetros. Fomos para a cachoeira do filme, uma caminhada pela mata úmida que nos deixou exaustos, mas a recompensa de mergulhar naquela água gelada, no mesmo cenário de cinema, foi indescritível.
Na volta da cachoeira, encontramos uma placa que dizia: "Bar e Restaurante Crepúsculo". Eu comecei a rir tanto que precisei me apoiar no Luan. Claro que fomos lá depois. Bebemos cerveja gelada direto da garrafa e jogamos uma partida de "sinuca", um jogo que eu mal entendia, mas que me fez sentir incrivelmente brasileira.

Eu estava me apaixonando pelo Brasil, pela cultura, pelo jeito das pessoas. Tinha algumas dificuldades com o português; eram tantas palavras novas, tantas gírias, e traduzir tudo na minha cabeça era complicado. Mas o Luan, com uma paciência infinita, sempre me ajudava e corrigia com um beijo.

Já fazia uma semana que estávamos ali, imersos na nossa bolha. Hoje, voltamos para a civilização, para o centro histórico de Paraty. Iríamos passar o dia na cidade, passeando pelas ruas de pedra, curtindo a praia com outras pessoas.

O sol estava forte, e eu usava o meu novo acessório favorito, que comprei na primeira lojinha que vi. Um boné verde, com a bandeira do Brasil bordada na frente e a frase "Brasileiras Do It Better". Eu não o tirava da cabeça.

- Eu ainda não acredito que você está usando esse boné com a maior seriedade do mundo. -Luan disse, rindo, enquanto caminhávamos de mãos dadas pelas ruas coloridas.

- E por que não estaria? É um fato. -respondi, ajeitando o boné.

- Meu amor, você sabe que nasceu em Los Angeles, né?

Parei e me virei para ele, com a mão na cintura, em uma pose de falsa indignação.

- Com licença, senhor. Eu sou brasileira por matrimônio. Está na lei. -acrescentei com um sorrisinho.

Ele gargalhou, me puxando para um abraço.

- Você não existe, Sra. Santana.

- Existo. E sou brasileira. -retruquei, beijando-o. 

Encontramos um quiosque tranquilo no canto da praia, com duas cadeiras de madeira e um guarda-sol de palha fincado na areia. Luan foi até o balcão e voltou com duas cervejas estupidamente geladas, suando sob o sol quente. Ele as colocou na mesinha de plástico que ficava entre nós e se jogou na cadeira ao meu lado com um suspiro satisfeito.

Estávamos deitados ali, lado a lado, o som das ondas quebrando suavemente a poucos metros de distância, o calor do sol na minha pele, o cheiro de maresia e protetor solar. Era a paz em sua forma mais pura.

Peguei meu copo para tomar um gole e o observei por um instante. Era aquele mesmo copo simples e multifacetado que tínhamos usado no bar perto da cachoeira. Um design que eu nunca tinha visto antes de vir para o Brasil.

Virei-me para o Luan, que estava de olhos fechados, aproveitando o sol.

- Amor... posso te fazer uma pergunta boba?

Ele abriu um olho, sorrindo.

- Todas as suas perguntas são bem-vindas, Sra. Santana.

Levantei o copo na direção dele.

- Por que vocês chamam isso de "copo americano"? -perguntei, com genuína curiosidade.- Eu cresci nos Estados Unidos e eu juro que nunca vi um copo desses em toda a minha vida.

Luan riu, uma risada gostosa que ecoou no som das ondas. Ele pegou o próprio copo, girando-o entre os dedos.

- Ah, o famoso copo americano... -ele disse, com um ar de quem já tinha explicado aquilo mil vezes.- É uma longa história, mas, basicamente, o design foi inspirado em copos dos Estados Unidos, lá nos anos 40. O maquinário usado para fazer os primeiros aqui no Brasil também veio de lá. Então o nome "americano" pegou e ficou.

Ele deu um gole na cerveja, olhando para o mar.

- Mas a verdade é que não existe nada mais brasileiro do que ele. É o copo oficial do cafezinho na padaria, da cerveja gelada no boteco... Ele tem nome gringo, mas a alma dele é cem por cento brasileira.

Luan se virou para mim, o sol batendo em seu rosto, e abriu aquele sorriso que me desmontava.

- Meio que nem você agora.

Senti meu rosto esquentar, e não foi só por causa do sol. A comparação era tão simples, tão boba, e tão incrivelmente perfeita. Peguei meu copo e o ergui na direção dele.

- Um brinde a isso, então. -falei, sorrindo.- Aos americanos com alma brasileira.

Ele bateu seu copo no meu, o som do vidro ecoando na praia. Bebemos juntos, e o gosto da cerveja gelada nunca pareceu tão bom.

O resto da tarde na praia passou como um sonho. Luan pegou o celular e começou a tirar fotos nossa, rindo enquanto eu fazia poses com meu boné verde. Depois, deixamos tudo na cadeira e corremos para o mar. A água estava perfeita, fria o suficiente para refrescar do calor. Mergulhamos nas ondas, jogando água um no outro como dois adolescentes, o gosto de sal em nossos lábios se misturando em cada beijo.

Quando o sol começou a descer, pintando o céu com tons de laranja e roxo, voltamos para o hotel de mãos dadas, a pele salgada e o cabelo bagunçado. As ruas de pedra de Paraty pareciam ainda mais mágicas na luz do fim de tarde.

No nosso quarto, o cansaço bom do dia de praia começou a pesar. Joguei-me na cama, o corpo relaxado, enquanto Luan abria as janelas para deixar a brisa da noite entrar.

- Eu poderia viver aqui pra sempre. -murmurei, com o rosto afundado no travesseiro.

Ouvi os passos dele se aproximando da cama.

- Ainda não, meu amor. -ele disse, a voz cheia de um mistério divertido. Sentei-me para olhá-lo.- Porque a nossa lua de mel ainda não acabou.

- Como assim? -perguntei, confusa.

Ele sentou ao meu lado, com aquele sorriso de quem tem a melhor surpresa do mundo guardada.

- Arruma as malas e prepara o passaporte, Sra. Santana. Porque amanhã... a gente vai para Tulum.

Meus olhos se arregalaram. Tulum. As praias de areia branca, as ruínas maias, os cenotes... era um sonho. A nossa Ilha Esme particular tinha sido a introdução perfeita, e agora ele estava me levando para outro paraíso completamente diferente.

- Você está falando sério? -perguntei, já pulando da cama, a exaustão esquecida.

- Muito sério. -ele confirmou, rindo da minha empolgação.

Eu o abracei com força. Cada dia com ele era uma nova e maravilhosa surpresa.

- Ok, então precisamos celebrar nossa última noite no Brasil em grande estilo. -falei, já indo em direção ao banheiro.- Vou tomar um banho rápido e podemos sair para jantar.

Entrei no banheiro, o piso de ladrilho frio sob os meus pés, e liguei o chuveiro. A água quente começou a cair, enchendo o pequeno espaço com um vapor perfumado do sabonete do hotel. Fechei os olhos, deixando a água lavar o sal, a areia e o cansaço do dia. Era um momento de pura e simples felicidade.

Eu estava de costas para a porta, lavando o cabelo, quando ouvi o barulho do vidro deslizando. Me virei e lá estava ele. Luan, parado, já despido, com aquele sorriso brincalhão que eu amava.

- Achei que você ia precisar de ajuda pra lavar as costas. -ele disse, a voz rouca.

- Que cavalheiro da sua parte, Sr. Santana. -respondi, sorrindo de volta.

Ele entrou no box comigo, e o espaço, que antes parecia grande o suficiente, de repente ficou pequeno, íntimo. O corpo dele pressionou o meu contra a parede de azulejos frios, um contraste delicioso com o calor da pele dele e da água que caía sobre nós.

Ele pegou a esponja e, com uma gentileza que me derretia, começou a passar sabão nas minhas costas, nos meus ombros. O gesto era de cuidado, mas seus dedos demoravam em cada centímetro da minha pele, e a respiração dele, quente no meu pescoço, dizia outra coisa.

Virei-me para ele, pegando o shampoo e começando a massagear seu cabelo. Nossos olhos não se desgrudaram. A brincadeira deu lugar a uma intensidade silenciosa. A água escorria por nossos rostos, por nossos corpos, nos envolvendo naquela bolha de vapor e desejo.

Ele inclinou a cabeça e me beijou, um beijo lento e profundo, com gosto de água e de nós. As mãos dele deslizaram pelas minhas costas, me puxando para ainda mais perto, até que não houvesse mais espaço entre nós. Naquele momento, os planos para o jantar, para Tulum, para o resto do mundo, foram completamente esquecidos. 

Saímos do banho envoltos em toalhas brancas e macias, deixando um rastro de pegadas molhadas no piso do quarto. A paixão do momento tinha dado lugar a uma intimidade serena e confortável.

Sentei na beira da cama, penteando o cabelo com os dedos, enquanto Luan secava o dele na frente do espelho embaçado pelo vapor.

Eu o observei pelo reflexo. Meu marido. A palavra ainda soava nova, um título brilhante que eu estava amando usar.

- Ok... -falei, quebrando o silêncio confortável com uma risada baixa.- Eu sei que a gente tinha esquecido completamente do jantar... mas meu estômago acabou de me lembrar que ele existe e está bem zangado.

Luan riu, se virando para mim.

- O meu também. Acho que a gente se empolgou um pouco. -ele disse, se aproximando e se sentando ao meu lado.- Mas valeu a pena.

- Com certeza valeu. -concordei, dando um beijo em seu ombro.

O ato de nos arrumarmos para sair foi tranquilo e cheio de pequenos gestos de carinho. Escolhi um vestido branco, leve e solto, que contrastava com a minha pele bronzeada pelo sol. Enquanto eu me maquiava, sentia o olhar dele sobre mim. Ele se vestiu de forma simples, uma calça de linho e uma camisa de botão, e mesmo assim, parecia a pessoa mais elegante do mundo.

Ele veio por trás de mim enquanto eu colocava meus brincos e subiu o zíper do meu vestido, seus dedos demorando um pouco mais do que o necessário nas minhas costas. Eu me virei e ajeitei o colarinho da camisa dele. Eram esses momentos, os pequenos e silenciosos, que construíam a nossa história.

Prontos, paramos na porta do quarto. Luan estendeu a mão para mim.

- Pronta para a nossa última noite no Brasil, Sra. Santana?

Peguei sua mão, entrelaçando nossos dedos.

- Pronta para tudo, contanto que seja com você.

E saímos, caminhando pelas ruas de pedra de Paraty, sob a luz dos lampiões, para o nosso último jantar antes da próxima aventura. A noite estava quente, a cidade estava viva, e meu coração estava completamente em paz.

Nosso último jantar em Paraty foi leve e divertido. Sentamos em um restaurante charmoso no centro histórico, com mesinhas na calçada e luz de velas. Nós rimos como dois adolescentes, compartilhando histórias e sonhos, completamente perdidos um no outro. Em um momento, vi um casal passar com sua filhinha pequena, e um aperto de saudade da minha Serena apertou meu peito. Mas a sensação logo passou. Eu sabia que ela estava bem, sendo mimada e cuidada. Na verdade, ela estava a poucos quilômetros de nós, em São Paulo, com os pais maravilhosos do Luan. A decisão de não deixá-la com a minha mãe foi consciente, por dois motivos: o trabalho da minha mãe, que é intenso, e, principalmente, por causa da Melanie. A ferida ainda estava muito aberta para arriscar qualquer tipo de proximidade.

Após o jantar, voltamos para o hotel, e em meio à brisa quente da noite e ao som suave do mar, nós nos amamos mais uma vez.

No outro dia, a empolgação tomou conta de mim. Fomos para o pequeno hangar onde o jatinho nos esperava para a segunda etapa da nossa lua de mel. Tulum! Eu estava ansiosa, mal conseguia ficar parada.

Já dentro do avião, com o cinto afivelado, me aconcheguei na poltrona de couro macio e peguei meu celular. Era hora de compartilhar um pouco da nossa felicidade com o mundo. Abri o Instagram, pronta para postar os melhores momentos da nossa viagem inesquecível a Paraty.

marinabieber Primeira parte da nossa lua de mel no paraíso! 🍯🌙✨ Encontramos a nossa Ilha Esme particular e foi mais mágico do que eu poderia sonhar. Cada cantinho de Paraty é especial. Esse país tem uma energia surreal! Acho que a minha nova identidade de ‘brasileira por matrimônio’ tá subindo à cabeça (e literalmente na minha cabeça 🧢🇧🇷😂). Obrigada, meu amor @luansantana, por realizar todos os meus sonhos, até os mais bobos de fã adolescente. Te amo para sempre. ❤️


Apertei o botão "publicar" e um carrossel de memórias felizes da nossa semana em Paraty foi lançado para o mundo. Sorri, satisfeita, e bloqueei o celular, colocando-o de lado na mesinha. O mundo virtual podia esperar. O meu mundo real estava bem ali, na poltrona ao meu lado.

Luan, que me observava com um sorriso divertido, se inclinou.

- Espero que tenna mencionado a parte em que você quase me venceu na sinuca.

Eu ri, entrando na brincadeira.

- Eu deixei você ganhar. Foi um presente de casamento atrasado. Cortesia de esposa boazinha.

- Ah, claro. Anotado. -ele disse, rindo.- E qual foi a sua parte favorita de verdade? Fora a sua derrota honrosa na sinuca.

Pensei por um momento, revivendo a semana.

- Hmm, a cachoeira foi mágica. E a casa... A casa foi um sonho. Mas, sinceramente? -olhei para ele.- Minha parte favorita foi te ver tentando me ensinar os nomes das frutas no café da manhã. Você ficava tão sério.

Ele gargalhou.

- Você que não se esforçava pra aprender a diferença entre 'maracujá' e 'jabuticaba'. -ele rebateu.- A minha parte favorita foi, sem dúvida, te ver usando aquele boné ridículo com o maior orgulho do mundo.

- Ei! Meu boné não é ridículo! Ele representa a minha nova nacionalidade. -protestei, rindo.

O clima era leve, feliz. O drama do casamento parecia uma vida distante.

- E agora, Tulum. -falei, me aninhando mais perto dele.- O que o Sr. Mestre dos Roteiros de Lua de Mel planejou pra gente lá?

Ele passou o braço pelos meus ombros, me puxando para um abraço.

- Menos referências de cinema, mais... relaxamento total. Praias de areia branca, ruínas maias com vista para o mar, talvez um mergulho num cenote secreto. E muita, muita tequila.

A ideia soava como o paraíso. Encostei minha cabeça em seu ombro, sentindo o avião vibrar suavemente.

- Obrigada de novo, Luan. -sussurrei, a voz séria por um instante.- Por tudo. Por essa viagem... por me aguentar no dia do casamento. Eu sei que não foi fácil.

Ele beijou o topo da minha cabeça.

- Ei. A gente passou por aquilo juntos. E superamos. -ele disse, a voz firme e cheia de certeza.- Agora, é só a gente. Não precisa me agradecer por nada. O nosso para sempre já começou.

E com essa promessa ecoando no meu coração, fechei os olhos, sentindo o cansaço bom da viagem e a excitação pela nossa próxima aventura no México.

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