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Capítulo 147

Justin Narrando 

Acordei no dia 27 de Dezembro com aquela leve dor de cabeça que sempre acompanha o alívio. Dormir finalmente me trouxe descanso, mas a tensão dos últimos dias havia deixado sua marca. Levantei e fui direto para a cozinha, determinado a fazer um café forte.

Sentei na bancada, tomando o primeiro gole quente, e peguei meu celular. Entrar no Instagram era um reflexo automático.

Vi uma nova publicação de Marina. Era um carrossel de fotos, com momentos dos três filmes e registros da festa de encerramento de Los Angeles na noite anterior. 

marinabieber “Nossa Culpa” já está disponível!!!
E com ela, o final desta jornada. Tenho tantas coisas que gostaria de dizer, mas tudo em seu momento certo.

Para começar, quero agradecer profundamente à equipe que esteve aqui desde o primeiro dia.
Àqueles que me abraçaram, cuidaram e me acompanharam em cada passo — obrigada por serem a razão pela qual valia a pena trabalhar, mesmo nos dias mais difíceis.

À minha família e aos meus amigos: obrigada por me sustentarem quando eu não tinha mais forças, por me esperarem, por me protegerem. Não sei o que faria sem vocês.

Ao elenco, por compartilharem o orgulho de fazer essa saga comigo.
À Domingo, por confiar.

Aos fãs, por serem a razão pela qual eu faria tudo de novo — agradeço por todo o amor e apoio, por toda a empolgação.
Agradeço, acima de tudo, por terem entendido e amado tanto a Noah — ela merece.

E por último, obrigada a esta experiência por ter me ensinado tanto.
Aprendi sobre meus limites, meus valores, o tipo de exemplo que quero ser para jovens atrizes.
Aprendi o quanto é importante estar cercada de pessoas que querem cuidar de você, que te inspiram a continuar.
Aprendi que esta indústria pode ser sombria, mas também pode ser bela quando há verdade e respeito.

E aqui estamos!!!! Tendo dado tudo, mesmo quando não foi fácil — dizer que estou orgulhosa é pouco.
Espero que, com o tempo, quando eu conseguir processar tudo, possa lembrar disso com admiração e amor — confiando que tudo, com o tempo, sempre encontra seu lugar.

Fico com o que é bom, com o que aprendi, com a clareza sobre minha profissionalidade e o trabalho realizado — e, acima de tudo, com todos vocês no meu coração.

Culpada por toda minha vida. 🫶🏻
Como Noah, nos despedimos com gratidão, com cicatrizes e com muita luz na escuridão. ✨❤️

Curti o post e comecei a deslizar pelas fotos. Marina estava linda, com aquele jeito de estrela. Mas então, meu foco se fixou em uma das fotos de grupo. Lá estava Victor na foto da festa, parecendo derrotado. Isso me deu uma pontada de satisfação.

Fiquei ansioso. Eu precisava de detalhes sobre o que havia acontecido. Luan e Marina ainda estavam em Los Angeles, e eu queria saber se a nossa chantagem havia funcionado.

O som de alguém batendo na porta interrompeu meus pensamentos. Deixei o celular e o café na bancada e fui atender. Era Kenny.

- Bom dia, chefe. -ele disse, com a habitual seriedade.

- Bom dia, Kenny. Entra aí.

Dei espaço para ele passar. Ele estava com um tablet na mão, pronto para o trabalho.

- Precisamos fechar isso antes do Ano Novo, Justin. -ele disse, indo direto ao ponto.

Ele me mostrou a tela do tablet. Era uma casa em Alphaville, São Paulo, perto de onde Luan, Marina e Serena iriam morar. A casa não se comparava à mansão em que vivíamos agora — nada em São Paulo se compararia ao TriBeCa — mas era bonita, moderna e, o mais importante, segura.

- É uma boa localização. Discreta, mas com segurança privada e acesso rápido às vias. -comentei, estudando as fotos.

- Exato. Já verifiquei a vizinhança e a estrutura de proteção.

- Pode fechar o negócio.

Kenny assentiu e fez uma nota. Ele olhou para as escadas, certificando-se de que estavam vazias e que Bruna ainda não estava descendo. Ele falou mais baixo, inclinando-se na minha direção.

- Lembra daquele outro assunto que você me pediu para checar em segredo?

- Sim.

Ele me mostrou um imóvel comercial dentro de um shopping movimentado em São Paulo. Meus olhos se arregalaram. Era um espaço grande, com muito potencial.

Bruna se formaria em breve. Ela já é uma designer incrível, e ter sua própria marca e loja sempre foi o sonho dela. Não havia maneira mais justa de recomeçar a vida no Brasil do que dando a ela a chance de realizar isso.

- Este espaço é perfeito. Central, com fluxo de pessoas... daria uma ótima vitrine para a marca dela. Você analisou os detalhes legais?

- Sim. O contrato está pronto para assinatura. É um investimento sólido, Justin. E seria uma grande surpresa quando vocês chegassem em Maio.

Sorri, sentindo um calor genuíno pela primeira vez em semanas.

- Feche. Feche o negócio na casa e feche o negócio da loja.

Kenny guardou o tablet e assumiu uma postura mais tensa. Ele sabia que eu estava esperando a notícia.

- E Los Angeles? O Victor?

- Pelo o que soube, missão cumprida. Luan e Marina fizeram um trabalho limpo. Ele está silenciado. A chantagem funcionou. O medo da prisão federal é maior do que a obsessão. Victor está fora do jogo.

Respirei fundo, sentindo os ombros caírem. A guerra contra a nossa pequena ameaça pessoal estava finalmente acabada. Agora, restava apenas a ameaça poderosa de Chicago.

- Ótimo. Agora, foco total na segurança. Luan e Marina partem dia 2 de Janeiro. Mas nós ainda ficaremos aqui, correndo o risco de sermos pegos.

- Eu fiz meu trabalho direito. Se depender de mim, o pai da Chloe jamais descobrirá nada. Mas não podemos correr riscos. 

Assenti com a cabeça.

4 dias depois...

Acordei no dia 31 de Dezembro e pensei: Por que não?

A ideia de arriscar a Times Square lotada era insana, mas Bruna implorou. Ela queria "uma última memória de Nova York antes de virar paulistana". E quem sou eu para negar o último desejo da mulher mais determinada (e agora criminosa) que eu já conheci?

Lá estávamos nós: Bruna e eu, arrastando Chloe, Jack, Marina, Luan e a Serena. E para completar a loucura, tínhamos arrastado nossos amigos para servirem de "escudos humanos": Olívia, Ryan, Virgínia e Anthony.

A Times Square é, em qualquer dia, uma cilada turística. No Ano Novo, é o inferno na Terra. Estava um frio de rachar, mas pelo menos não nevava. O que não impedia a aglomeração de ser uma experiência claustrofóbica.

Eu estava com a Chloe no colo, a cabeça dela aninhada no meu ombro, olhando maravilhada para os telões. Bruna estava com Jack, que tentava comer a alça do seu casaco. Luan parecia um agente secreto, segurando a Serena firmemente no canguru, usando o corpo para bloquear a multidão de se aproximar demais.

- Eu não acredito que concordei com isso. -murmurei para Luan, que estava espremido ao meu lado.

- É pelo bem da nação, bro. -ele respondeu, com ironia.- Bruna está feliz. E é uma multidão tão grande que é a melhor camuflagem do mundo. Ninguém procura por nós no meio de um milhão de bêbados.

A gente arriscou e compramos cachorro-quente de uma barraquinha de rua. Um erro.

- Quem disse que Nova York tem o melhor hot dog? Isso é um crime! -Anthony reclamou, enquanto tentava evitar que a mostarda caísse no casaco de caxemira de Virgínia.

- Shhh! Pelo menos está quente! -Virgínia sibilou, mas logo se distraiu com os flashes.

- Eu vou matar vocês por isso. -declarei, olhando para meus pés.- Pisaram no meu tênis novo umas doze vezes. Eu usei esse tênis uma vez! Uma vez, Bruna!

Bruna nem me deu ouvidos. Ela estava rindo, segurando Jack com uma mão e acenando para uma câmera de TV que passava. O rosto dela estava corado pelo frio, mas radiante.

- Pare de reclamar, seu velho! Estamos em Times Square! Olha para a Chloe!

Chloe se virou no meu colo e me deu um beijo babado na bochecha.

- Feliz Ano Novo, papai!

- Feliz Ano Novo, pequena.

Enquanto a contagem regressiva para a descida da bola se preparava para começar, Olívia gritou.

- Gente, a Serena dormiu! -ela apontou para Luan, que balançava a filha, que estava em um sono profundo apesar da gritaria.

- Ela herdou o meu talento de apagar no caos. -disse Luan, orgulhoso.

Eu olhei para Bruna, que me encarava com uma ternura rara e um brilho nos olhos que só eu via. Naquele aperto de gente, entre os gritos, e rudo o que tínhamos passado esse ano, ela estava feliz. E por um segundo, o medo se dissolveu no barulho.

Marina se inclinou perto de mim e me abraçou.

- Obrigada por isso, Justin. É a última coisa que vou ver de Nova York.

- Vou sentir sua falta, Mari! -falei sincero.

A multidão começou a gritar: 

DEZ! 

NOVE! 

OITO!

Eu abracei Bruna, Jack no meio de nós, e levantei Chloe acima da minha cabeça para que ela pudesse ver a bola descer. O grito da multidão se tornou ensurdecedor.

DOIS! 

UM!

Um novo ano. Em breve um novo país. Uma nova vida.

- Feliz Ano Novo, meu amor. -Bruna gritou, me beijando com a promessa de um futuro incerto, mas nosso.

A bola desceu, o novo ano começou e o inferno da Times Square imediatamente se intensificou na hora da saída. O objetivo agora era um só: sobrevivência.

- Eu me arrependi amargamente dessa ideia! -gritei, tentando guiar Chloe e proteger a cabeça dela.

- A gente já entendeu, Justin! Anda logo! -Bruna gritou de volta, tentando manter Jack firme no seu colo, mas sendo impulsionada pela multidão.

A massa humana estava se movendo, esbarrando, empurrando. Foi então que Anthony interveio, vendo que Bruna estava prestes a cair.

- Me dá o Jack, Bruna! Eu tenho mais força para segurá-lo!

Anthony, com seu físico de quarterback, pegou Jack, que começou a chorar com a mudança repentina. Anthony segurou Jack firme e abriu caminho, com Virgínia gritando atrás dele:

- Cuidado com meu noivo, seus selvagens!

O caos era completo. Marina, que estava logo atrás de mim com Luan e Serena em segurança, perdeu a paciência quando um homem alto a empurrou com força.

- Você não tem educação, não? -ela gritou.

O homem nem sequer parou.

- Relaxa, amor! Esquece! -Luan tentou acalmá-la, mas ele estava rindo.- É o batismo de Nova York!

Olívia e Ryan estavam atrás de nós, presos na mesma maré.

- Eu perdi meu cachecol! -choramingou Olívia.

- Esquece o cachecol, Olívia! Concentra em sobreviver! -Ryan gritou, tentando segurar a mão dela.

Eu só conseguia sentir o meu tênis novo sendo destruído a cada passo.

- Esse é o pior investimento da minha vida! Quinze minutos de felicidade e agora estou com o tênis destruído e dez mil pessoas no meu encalço! -reclamei, e Bruna, que agora estava ao meu lado, deu um tapa no meu ombro.

- Para de ser dramático! Eu te compro outro tênis! Você nunca mais vai esquecer essa noite!

- Isso eu tenho certeza! Vou ter pesadelos com hot dog e multidões! 

Levou mais vinte minutos de esforço físico puro, mas finalmente conseguimos sair da Times Square e encontrar nosso carro na rua lateral. 

O alívio de sair daquela multidão sufocante da Times Square foi imediato. Foi um inferno, mas valeu a pena pelo sorriso da Bruna.

- Chocolate quente para todos! -Bruna prometeu, agasalhando Jack no banco de trás.- E com marshmallows!

- Você é a melhor, Bruna! -Virgínia gritou de dentro do carro de Anthony.

- Não se acostumem, eu só faço isso em eventos de quase-morte! -Bruna respondeu, rindo.

Nós nos dividimos em carros separados, é claro. Não havia SUV que comportasse nossa família e a trupe de amigos. Marina, Luan e Serena seguiram no carro deles, e nossos amigos nos seus.

Chegamos em casa, e o frio cortante de Nova York nos deu as boas-vindas. Assim que descemos do carro, a sorte nos presenteou: começou a nevar. Flocos grandes e macios caíam lentamente, transformando a rua em uma cena digna de cartão postal.

- Pelo menos não nevou na multidão. -comentei, pegando Chloe no colo e correndo para a porta.

Eu mal entrei e já fui direto para a sala. A prioridade era o calor. Joguei o casaco úmido em uma cadeira e me agachei para acender a lareira. O frio tinha entrado nos ossos, e o estalo da lenha acendendo era a promessa de conforto.

Nosso grupo estava finalmente acomodado. O fogo da lareira crepitava, as janelas estavam embaçadas pela neve lá fora, e todos tínhamos nossas canecas de chocolate quente com marshmallow nas mãos. O contraste entre o caos de fora e o calor da nossa sala era o refúgio perfeito.

Sentados ali, finalmente relaxados, começamos a conversar sobre o novo ano. O clima de perigo se esvaía, dando lugar à excitação dos planos.

Virgínia foi a primeira a falar sobre o futuro, animada.

- Gente, o ano mal começou, mas a realidade é que em cinco meses eu, Olívia, Bruna, Ryan e Anthony estaremos formados! Finalmente!

- Meu Deus, nem me lembre. -Bruna suspirou, mas com um sorriso.- Cinco meses e eu vou ser uma designer diplomada.

Marina tocou o braço de Bruna.

- E nós iremos vir te prestigiar. Pode apostar. Não perderíamos a sua formatura por nada nesse mundo.

Luan assentiu, confirmando. 

- É uma data marcada.

Virgínia sorriu, olhando para o noivo, Anthony.

- E claro, já estou planejando o casamento para o próximo ano, na primavera. Não é, amor?

Anthony sorriu e beijou a testa dela. 

- É a minha única tarefa para 2030.

- E esperamos que vocês estejam lá. -Virgínia disse, olhando para nós.- Seria imperdoável se vocês perdessem!

Eu olhei para Bruna, depois para Marina e Luan. Tínhamos que estar em São Paulo até Maio, mas a promessa de comparecer ao casamento era um marco de que a nossa vida, eventualmente, voltaria a ser normal.

- Nós estaremos lá. -Bruna prometeu, com os olhos brilhando de felicidade.

Os minutos se transformaram em horas agradáveis. A lareira aquecia a sala, e o chocolate quente nos embalou em uma bolha de planos e risadas. Falamos sobre a nova vida de Marina e Luan no Brasil, sobre os planos de carreira de Bruna e, claro, sobre a loucura da Times Square.

Lá pelas duas da manhã, o cansaço venceu a todos. Era hora de desfazer a reunião.

Nós nos levantamos para nos despedir. Abraços calorosos foram trocados com todos. Agradecemos a eles por terem aguentado a multidão e por terem nos ajudado a criar uma noite de Ano Novo tão normal, apesar de tudo.

Acompanhamos a família e os amigos até a porta. O frio cortante da neve da noite anterior ainda estava lá, mas a tensão havia diminuído.

Quando a porta se fechou e a casa ficou em silêncio, Bruna e eu nos abraçamos na entrada. O alívio de estar a sós era imenso.

- Sobrevivemos. -ela sussurrou, encostando a cabeça no meu peito.

Eu a abracei mais forte, sentindo a fragilidade e a força dela ao mesmo tempo. 

- Eu te amo. -eu disse, beijando-lhe a testa.

Eu a olhei nos olhos, sentindo o peso da nossa jornada e a esperança do que estava por vir.

- Eu espero, de verdade, que 2029 seja o nosso ano.

E com isso, subimos as escadas, prontos para enfrentar os dois dias restantes de normalidade antes da grande separação e da luta contra a ameaça de Chicago.

No outro dia...

O dia seguinte ao Ano Novo amanheceu sob uma fina camada de neve. Enquanto a neve caía lá fora, a casa estava agitada.

Eu gritava para Chloe na escada. 

- Pega o casaco mais quente, Chloe! Não é hora de drama fashion!

Na cozinha, Bruna estava terminando de embrulhar uma sobremesa com plástico-filme que ela havia preparado ontem à tarde. O almoço seria na casa do meu pai. Ele fez questão de preparar um almoço especial de Ano Novo, que também serviria como a despedida oficial de Luan e Marina, que partiam amanhã.

O nosso único receio era se Melanie estaria lá.

- Ela vai estar, não vai? -Bruna perguntou, sem precisar de nomes.

- Provavelmente. Meu pai é um otimista incorrigível quando o assunto é reconciliação familiar. -respondi, suspirando.

Depois de prender as crianças nas cadeirinhas — o que sempre parecia uma luta olímpica —, Bruna pegou a sobremesa e nós entramos no carro. Tínhamos dado alguns dias de folga para os seguranças de Kenny. Eles mereciam um pouco de tranquilidade depois de toda a intensidade das últimas semanas, e afinal, era Ano Novo.

Chegamos ao prédio do meu pai. Nem precisamos interfonar; o porteiro me conhecia. Subimos até a cobertura.
Quem nos recebeu na porta foi Ashley. Ela nos abraçou com carinho e nos desejou Feliz Ano Novo.

- Bruna, Justin, que bom ver vocês! -disse Ashley.
Bruna entregou a sobremesa. 

- Feliz Ano Novo, Ashley! Eu fiz com chocolate!

Ashley pegou o prato e o levou para a cozinha. As crianças, Chloe e Jack, dispararam pela sala e foram direto para o colo do vovô, que apareceu em seguida, sorrindo. O pequeno Jordan, filho da Ashley e do meu pai, já estava com quase sete meses e brincava, feliz, no tapete interativo no chão da sala.

Bruna e eu cumprimentamos meu pai.

Enquanto Bruna ia ajudar Ashley na cozinha, eu puxei meu pai para o lado.

- Pai, você chamou a Melanie?

Ele me olhou com aquela expressão paciente de "pai sabe mais".

- Chamei, filho. É um novo ano, ano de recomeço. Sua irmã é teimosa, mas acho que ela aprendeu a lição.

Antes que eu pudesse responder, Ashley voltou da cozinha e nos entregou duas cervejas abertas, uma para mim e uma para meu pai.

Dei um longo gole na cerveja gelada, saboreando a amargura que contrastava com a doçura da minha situação.

- A Marina não vai gostar disso. -declarei, olhando para meu pai. 

Meu pai fez aquela típica cara de quem já ouviu essa reclamação um milhão de vezes e sabe que não vai ganhar a discussão. Ele deu um gole longo na cerveja.

- Marina tem bom coração, filho. Ela vai entender que é Ano Novo e que a família é a família.

Eu ia argumentar que 'bom coração' não se aplicava quando o assunto era traição e tentativa de arruinar vidas, mas a campainha tocou.

- Deve ser uma de suas irmãs. -meu pai disse, indo atender a porta.

Eu me virei, observando a cena: Marina e Luan entrando, com a pequena Serena aconchegada no colo do pai. A alegria dos dois era evidente ao cumprimentarem meu pai.

Serena, vendo o vovô e a bagunça de Jack  e Chloe com Jordan na sala, começou a se agitar. A despedida de amanhã parecia um futuro distante.

Enquanto meu pai abraçava Luan, eu observava os dois, pronto para dar as boas-vindas. Mas meu olhar se desviou para trás deles. O elevador, silenciosamente, tinha parado no andar. As portas de metal se abriram.
E lá estava ela: Melanie.

Ela estava vestida de forma simples, mas parecia visivelmente mais magra e cansada, o que confirmava a história sobre a perda de privilégios. Melanie hesitou por um segundo na porta, claramente desconfortável, mas determinada a encarar a família.

Eu senti a tensão crescer na sala. O sorriso de Marina congelou. Luan, que estava com Serena no colo, endureceu. Bruna saiu da cozinha, secando as mãos, e viu a cena.

A ceia de despedida familiar acabava de se tornar uma zona de guerra.

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