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Capítulo 131

Justin Narrando

A noite foi caindo, ou melhor, a madrugada foi se arrastando para o seu fim glorioso e etílico. Já passava das três da manhã. O salão, antes lotado, agora tinha espaços vazios que serviam de palco para os sobreviventes.

E que sobreviventes.

No meio da pista de dança, Marina, Bruna, Olívia e Virgínia, de sapatos na mão e vestidos levemente amassados, cantavam a plenos pulmões "Last Friday Night" da Katy Perry, como se a vida delas dependesse daquilo. Marina estava em cima de uma cadeira, usando uma garrafa de champanhe vazia como microfone.

Enquanto isso, eu comia bolo. Era o terceiro pedaço. Do meu lado, Anthony, Ryan e o noivo, Luan, continuavam firmes na bebida. Eu já tinha chegado no meu limite; agora, a missão era apenas colocar glicose no meu sangue para combater o estrago.

Observei a cena com um sorriso cansado. Alguns convidados já tinham ido embora. A maioria, na verdade. O pessoal da família, principalmente os que vieram do Brasil só para o casamento, subiram para os seus quartos há horas. A Marina foi genial em ter reservado o hotel inteiro do nosso pai para a festa. Isso facilitou tudo.

Antes da meia-noite, meus sogros, prudentemente, levaram uma Chloe sonolenta e um Jack já adormecido para o quarto. A mãe da Marina, Liana, junto com seu marido, Josh, subiu com a pequena Serena logo depois. Ashley também já tinha se recolhido com o pequeno Jordan, e meu pai, parecendo exausto, a acompanhou.

No fim, só tinha os jovens ali. Nós. O nosso bando de malucos.

Olhei de volta para a pista. Bruna descia até o chão, rindo tanto que mal conseguia cantar. Marina a acompanhava, as duas em uma sintonia perfeita de melhores amigas bêbadas e felizes. A imagem delas, depois de toda a merda que aconteceu mais cedo no jardim, era a prova de que a noite tinha sido, apesar de tudo, uma vitória.

Peguei mais um garfo de bolo, observando o caos feliz. 

Enquanto as meninas continuavam seu show particular na pista de dança, Ryan se virou para o Luan, que tinha um sorriso fácil e bêbado no rosto.

- E aí, Luan? Lua de Mel já está nos planos? Pra onde vai levar a esposa?

Luan deu um gole na sua bebida e sorriu de forma ainda mais ampla, um sorriso de quem guardava o melhor segredo do mundo.

- Ela ainda não sabe de nada. Mas a gente vai pra Saco do Mamanguá. Em Paraty, no Rio.

Eu soltei uma gargalhada, quase cuspindo o bolo.

- Não acredito! Você vai levar a minha irmã pro mesmo lugar da lua de mel do Edward e da Bella?

Luan deu de ombros, sem se importar com a minha zoação.

- A Marina é fã de Crepúsculo, cara. Ela escolheu a mesma data, a mesma música se entrada, achei até que o vestido de noiva seria igual. -ele riu.- Tudo que eu posso fazer é tentar realizar os sonhos dela. Quero fazê-la feliz.

Achei justo. Faria exatamente o mesmo pela Bruna.

E por falar na Bruna... Meus olhos a encontraram no meio da pista. Ela já estava no seu limite. Vi quando ela tropeçou nos próprios pés e quase levou a Olívia junto pro chão. Era a segunda vez que isso acontecia em menos de dez minutos. Ela mal se aguentava de pé.

Terminei o último garfo do meu bolo, a decisão tomada.

- Ok, rapazes, minha noite acaba aqui. -falei, me levantando.- Se cuidem. E Luan, parabéns de novo, irmão.

Fui até a pista de dança, me enfiando no meio do círculo de meninas. Passei o braço pela cintura da Bruna, que se apoiou em mim instantaneamente.

- Meninas, vou roubar a minha esposa. -anunciei.- Despeçam-se dela, porque agora ela vai pro quarto comigo.

As quatro gritaram um "UIIII!" em uníssono, com sorrisos maliciosos. Bruna, completamente entregue ao momento, passou o braço em volta do meu pescoço e disse alto o suficiente para que todas ouvissem:

- Finalmente... vai me levar pra cama pra me dar o meu castigo por beber demais?

As meninas caíram na gargalhada, e eu não pude evitar de rir junto, balançando a cabeça.

- Vamos, amor.

Caminhei com ela, meio que a carregando, para fora do salão e em direção ao elevador. Assim que as portas se fecharam, nos isolando do som da festa, ela se virou para mim, os olhos brilhando de álcool e desejo.

- E então, Sr. Bieber... -ela disse, com uma voz rouca e safada, me encurralando contra a parede do elevador.- O que você vai fazer comigo agora que finalmente me tem só pra você?

Eu ri, inclinando a cabeça para perto da dela, sentindo o cheiro de champanhe e tequila em seu cabelo.

- Primeiro, eu vou me certificar de que a Sra. Bieber beba pelo menos um litro de água. -sussurrei, enquanto o elevador subia.- Depois, vou tirar esse vestido antes que você decida dormir com ele. E depois... -fiz uma pausa, beijando seu pescoço.- ...a gente vê o que acontece.

Ela riu, um som rouco e feliz, se aninhando em mim. O "ding" do elevador anunciou nossa chegada ao andar. A caminhada pelo corredor silencioso foi uma operação delicada, comigo servindo de apoio para uma Bruna que ria de tudo e tropeçava a cada dois passos.

Quando finalmente entrei no nosso quarto, a quietude foi um alívio. Deixei a festa e o barulho para trás, fechando a porta para o mundo. Bruna se jogou na cama, de braços abertos.

- Cama! Minha amiga!

- Antes da sua amiga, sua outra amiga. -falei, pegando uma garrafa de água do frigobar e estendendo para ela.- Beba. Tudo. É uma ordem do seu marido.

Ela fez um biquinho, mas obedeceu, bebendo a água em goles lentos. Enquanto isso, lutei com o zíper do vestido dela, uma tarefa que a tequila tornava infinitamente mais complicada.

- Pronto. -falei, finalmente conseguindo abrir.- Pode sair daí.

Ela se livrou do vestido e ficou de pé, só de lingerie, por um segundo antes de pegar uma camiseta minha que estava jogada numa cadeira e vestir. Ela cambaleou até a cama e se enfiou debaixo das cobertas.

Quando me aproximei, ela já estava com os olhos quase fechados, o cansaço finalmente vencendo a batalha contra o álcool.

- Justin? -ela murmurou, a voz sonolenta.

- Oi, meu amor.

- Eu me diverti muito. -ela disse, com um sorrisinho satisfeito.- Eu te amo, meu marido.

E então, ela apagou. Completamente entregue ao sono.


Fiquei ali, olhando para ela, a mulher da minha vida, dormindo com a minha camiseta, com o cabelo todo bagunçado e ainda com um brilho de glitter na bochecha. Pensei no dia insano que tivemos. A montanha-russa de emoções. Mas ali, naquele silêncio, olhando para a minha esposa, a única coisa que restava era a paz. É, eu era um cara de sorte.

Antes de me deitar, resolvi trocar de roupa. Eu não ia dormir com aquele smoking apertado. Fui até o armário na ponta dos pés, tentando não fazer barulho, e comecei a desabotoar a camisa. Foi quando ouvi um murmúrio vindo da cama.

- Justin... o quarto tá girando...

Virei-me e vi que Bruna não estava mais deitada. Estava sentada, com a cabeça entre as mãos, o corpo balançando levemente.

- Amor? -perguntei, me aproximando.

- Não tô bem... -ela disse, a voz abafada.- Acho que eu vou...

Não precisei que ela terminasse a frase. Cheguei ao seu lado em dois segundos.

- Vem, levanta. Te ajudo.

Passei o braço dela pelos meus ombros e a ajudei a se levantar. Ela se apoiou em mim, tonta, e nós caminhamos lentamente até o banheiro. Assim que entramos, ela se soltou de mim e se ajoelhou na frente do vaso sanitário.

Ajoelhei atrás dela, meu único instinto sendo o de cuidar. Juntei seu cabelo comprido com as duas mãos, segurando-o firmemente para longe de seu rosto. E então, ela vomitou.

É... o glamour da festa tinha oficialmente acabado. 

Quando o barulho finalmente parou, ela ficou ali, ofegante, apoiada no vaso.

- Acabou? -perguntei baixo.

Ela apenas assentiu com a cabeça, exausta.

Com cuidado, eu a ajudei a se levantar. Abaixei a tampa do vaso e dei descarga, enquanto ela ia até a pia, trôpega, e lavava a boca várias vezes. O silêncio era pesado, quebrado apenas pelo som da água correndo.

Entreguei uma toalha para ela, e quando ela se virou para mim, seu rosto estava pálido e seus olhos, cheios de lágrimas. Do nada, ela começou a chorar. Não um choro alto, mas soluços silenciosos e sofridos. Ela se afastou de mim e sentou na tampa do vaso, abraçando os próprios joelhos, completamente desolada.
Ajoelhei na sua frente, confuso.

- Amor? O que foi? Aconteceu alguma coisa? Por que você tá chorando?

Ela olhou para mim, os olhos grandes e tristes, a boca tremendo.

- É porque... -ela soluçou.- É porque você me viu feia desse jeito... toda descabelada, vomitando... e agora você vai ver que eu sou um desastre e vai pedir pra anular nosso casamento!

Eu fiquei olhando para ela por um segundo, processando a lógica bêbada e absurda daquela frase. E então, eu não aguentei. Eu ri. Não foi uma risadinha. Foi uma gargalhada alta, genuína, que veio do fundo da alma.

- Anular nosso casamento? -repeti, ainda rindo, enquanto segurava seu rosto entre minhas mãos.- Bruna, meu amor, eu acabei de passar a noite vendo você dançar igual uma maluca, quase cair várias vezes, e falar um monte de besteira no meu ouvido. Eu te ajudei a tirar o vestido, te dei água, e segurei seu cabelo enquanto você botava todo o champanhe caro da festa pra fora. Misturado com tequila e sei lá mais o que, que você bebeu.

Limpei uma lágrima da bochecha dela com o polegar.

- Isso não é motivo pra anular um casamento, Bru. Isso é o casamento. Na saúde e na doença, lembra? A doença da cachaça também conta.

Ela me olhou, os soluços diminuindo, e um sorrisinho relutante finalmente apareceu em seu rosto.

- Idiota. -ela sussurrou.

- Sou o seu idiota. -respondi.- Agora vem, vamos pra cama. Chega de emoções por hoje.

Ela se encolheu um pouco, ainda sentada na tampa do vaso, e olhou para si mesma, para a minha camiseta amarrotada que ela usava.

- Acho que... eu quero tomar um banho. -ela disse, a voz baixa, como se quisesse lavar não só o corpo, mas a noite inteira.

- Claro, meu amor. É uma ótima ideia. -concordei na mesma hora.

Ajudei-a a se levantar. Ela ainda estava instável, se apoiando em mim. Olhei para ela, depois para o box de vidro do chuveiro. Ótimo. Ela mal consegue ficar de pé, e agora quer entrar num cubículo molhado e escorregadio. O que poderia dar errado?

- Ok, mas eu vou te ajudar. -anunciei, sem dar espaço para protestos.

Tirei a camiseta dela com cuidado, a ajudei a tirar sua lingerie e a guiei para dentro do box. Abri a água, esperando que ficasse morna, e a posicionei debaixo do jato. Ela suspirou, relaxando visivelmente com o contato da água quente.

- Acho melhor eu entrar com você. -falei, já tirando minhas calças e cueca.- Só pra garantir que você não escorregue e decida anular nosso casamento por negligência do marido.

Ela deu uma risadinha cansada enquanto eu entrava com ela. O momento não era sobre sexo ou sedução. Era sobre cuidado. Peguei o sabonete e comecei a lavar as costas dela com calma. Lavei seu cabelo, massageando o couro cabeludo para tirar os últimos vestígios de laquê e da fumaça da festa. A água morna caía sobre nós, e no vapor e no silêncio do banheiro, o caos da noite parecia derreter e escorrer pelo ralo.

Quando terminamos, eu a enrolei na maior e mais fofa toalha que encontrei e a ajudei a se secar. Vesti nela uma camiseta limpa, e a levei para a cama. Dessa vez, não houve protestos. Ela se aninhou nos travesseiros e, antes que eu pudesse cobri-la direito, já estava dormindo profundamente, o rosto sereno.

Finalmente, troquei de roupa e me deitei ao seu lado. A noite tinha, de fato, acabado. E tinha terminado da forma mais perfeita possível.

Alguns dias depois...

Os dias se passaram e o mês de agosto estava chegando ao fim. A vida, aos poucos, voltava a um ritmo normal, ou o mais normal possível para nós. Bruna já havia retornado às aulas da faculdade, mergulhada em seu último ano, rumo à formatura, e eu não podia me sentir mais orgulhoso dela.

Não vi mais a Melanie desde a noite do casamento. Soube que ela tinha passado os últimos dias na Filadélfia com sua mãe, Liana. Era melhor assim. 

Eu estava na nossa casa, em Nova York, fazendo o que tenho feito nos últimos tempos: compondo. O violão no meu colo era meu refúgio. Desde o acidente, o coma, a revelação de que meu próprio empresário tentou me matar e acabou morto... eu não havia voltado a cantar de verdade. A música era, por enquanto, só para mim.

A Elizabeth e a Georgia, nossas babás, estavam passeando com o Jack e a Chloe. As crianças estavam perturbando tanto para irem tomar sorvete que elas acabaram cedendo e os levaram. A paz na casa era bem-vinda, mas a ausência da risada deles já deixava um vazio.

Enquanto eu cantarolava uma melodia, dedilhando um acorde no violão, senti meu celular vibrar no sofá ao meu lado. Peguei para ver e meu coração gelou. Era uma mensagem de texto de um número desconhecido.

A tela mostrava uma foto. Uma foto tirada de longe, com o zoom estourado, dos meus filhos. Chloe estava no balanço, empurrada pela Georgia, e Jack estava no colo da Beth, tomando sorvete. A foto era granulada, clandestina. A pessoa que tirou estava os observando.

E embaixo da foto, uma mensagem.

Uma única frase, que fez todo o sangue do meu corpo sumir.

"Sua família é linda. Seria uma pena se algo acontecesse com ela."

O violão escorregou do meu colo e caiu no tapete com um baque surdo. Meu mundo inteiro, que eu estava tão cuidadosamente tentando reconstruir, desmoronou em um único e aterrorizante segundo.

Por um segundo, fiquei paralisado. O ar ficou preso nos meus pulmões, e o único som no apartamento silencioso era a batida frenética do meu coração contra as costelas. A foto na tela do celular queimava minha retina. Meus filhos. Alguém estava observando os meus filhos.

O pânico subiu pela minha garganta, gelado e afiado. Lutei contra ele, forçando meu cérebro a funcionar. Ação. Eu precisava agir.

Minha mão tremia tanto que quase derrubei o celular ao discar o número da Elizabeth. Ela atendeu no segundo toque, a voz alegre.

- Oi, Justin!

- Beth, me escuta com muita atenção. -falei, a voz saindo tensa e baixa, um esforço imenso para não gritar.- Chama a Georgia, pega o Jack e a Chloe e volta pra casa. Agora.

- Mas a gente mal chegou no parquinh... -ela começou a dizer.

- AGORA. -interrompi, a urgência vazando na minha voz.- Não pare pra comprar nada, não fale com ninguém. Venha direto para o prédio. Pega um táxi se for mais rápido. Eu te encontro na entrada de casa. Entendeu?

O silêncio do outro lado da linha durou um segundo. O tom da minha voz foi o suficiente.

- Entendi. Estamos indo agora. -ela respondeu, a alegria sumindo de sua voz, substituída pela preocupação.
Desliguei e disquei o número do meu chefe de segurança.

- Kenny, sou eu. Estou te encaminhando uma mensagem e uma foto que acabei de receber. -minha voz era dura, fria.- Quero um relatório de todas as câmeras de segurança ao redor do Central Park Sul com a Sétima Avenida nos últimos trinta minutos. Quero saber quem tirou essa foto. E quero uma equipe na porta da minha casa para ontem. Ninguém entra, ninguém sai sem a minha autorização.

- Entendido, Justin. A caminho. -a voz calma e profissional dele foi um pequeno alívio no meio do meu caos.

Desliguei. O próximo passo. Bruna. Merda, ela estava na faculdade. Se eu ligasse, ela ia surtar no meio de uma aula. Mas se eu não avisasse... ela nunca me perdoaria. Optei por uma mensagem, tentando controlar o pânico.

"Preciso que você venha pra casa. Agora. Não se preocupe, as crianças estão bem e a caminho daqui, mas aconteceu uma coisa. Venha pra casa, por favor. Eu te amo."

Enviei. E então, a pior parte começou: a espera.

Andei de um lado para o outro na minha casa, que de repente parecia uma jaula. Fui até a janela, olhando para a rua, como se pudesse ver o táxi deles se aproximando. Minha mente corria a mil quilômetros por hora. Quem faria isso? Um fã maluco? Alguém querendo dinheiro? Era alguma coisa a ver com o Scooter? Não, ele estava morto. Era... Melanie? Não, ela não faria isso. Faria?

A sensação de impotência era esmagadora. Eu tinha dinheiro, tinha fama, tinha seguranças. Mas no fim do dia, a segurança das pessoas que eu mais amava era frágil, e alguém tinha acabado de me lembrar disso da forma mais cruel possível.

Fui até a porta de casa e fiquei ali, parado, apenas esperando. Cada segundo era uma tortura. A manhã tranquila de composição tinha virado um pesadelo. E eu não descansaria até ter meus filhos de volta, seguros, em meus braços.

Os minutos se arrastavam como horas. Cada carro que passava na rua fazia meu coração dar um salto. Eu andava da porta para a janela, da janela para a porta, incapaz de ficar parado. O silêncio da casa, que antes era pacífico, agora era opressor.

Finalmente, vi dois SUVs pretos parando do lado de fora do portão. A equipe do Kenny. Homens de terno, discretos e eficientes, saíram e começaram a tomar posições. Foi um alívio mínimo, mas concreto. A fortaleza estava sendo reforçada.

Pouco depois, o interfone tocou. Meu corpo inteiro retesou.

- Sim? -atendi, a voz mais firme do que eu me sentia.

- É o táxi de uma senhora chamada Elizabeth. -a voz do segurança soou pelo aparelho.

- Deixa entrar! -ordenei.

Corri para a porta da frente, abrindo-a antes mesmo do carro parar. O táxi amarelo parou, e a porta de trás se abriu. A primeira que vi foi a Chloe, com o rosto lambuzado de sorvete de chocolate, parecendo confusa. Em seguida, o Jack, no colo da Georgia, e a Elizabeth, com uma expressão de pura preocupação no rosto.

Eu não esperei. Desci os degraus e arranquei a Chloe do carro, abraçando-a com uma força que a fez soltar um pequeno "ai".

- Papai...

- Tá tudo bem, meu amor. O papai só tava com saudade. -murmurei, beijando o topo de sua cabeça.

Peguei o Jack do colo da Georgia e o abracei com a mesma intensidade, enterrando o rosto em seus cabelos loiros. O cheiro deles, a sensação dos seus corpinhos nos meus braços... era a única coisa que importava no mundo.

- Justin, o que aconteceu? -Elizabeth perguntou, a voz baixa.

- Tá tudo bem. Eu explico depois. -falei, já os guiando para dentro de casa.- Fiquem aqui dentro com eles, por favor. E não saiam por nada.

Assim que eles entraram, o portão se abriu novamente. Era o carro da Bruna. Ela estacionou de qualquer jeito e saltou, o rosto pálido de preocupação. Ela viu os seguranças e correu na minha direção.

- Justin! O que foi? O que aconteceu? As crianças...

- Estão bem. Estão lá dentro. -falei, segurando seus braços para acalmá-la.- Vem, entra.

Eu a levei para a sala, onde as crianças já estavam brincando com alguns brinquedos, alheias ao furacão ao nosso redor. Sentei-a no sofá e, sem dizer uma palavra, entreguei meu celular, com a mensagem aberta.

Vi os olhos dela passarem pela foto, depois pelas palavras. Vi o sangue sumir de seu rosto. A mão dela começou a tremer, e ela levou a outra à boca, abafando um grito. O terror que eu senti minutos antes estava agora refletido, duplicado, nos olhos dela.

Ela olhou para os nossos filhos, brincando no tapete, e depois de volta para mim, as lágrimas brotando.

- Quem...? -ela sussurrou, a voz quebrada.

Eu a puxei para um abraço apertado, sentindo o corpo dela tremer contra o meu.

- Eu não sei. -respondi, honestamente.- Mas eu juro pra você, eu vou descobrir. E quem quer que seja, vai se arrepender de ter sequer pensado em tocar na nossa família.

A segurança imediata de tê-los em casa tinha passado. Agora, começava a guerra.

Ficamos ali, abraçados no sofá, por um longo tempo. O som da risada da Chloe e dos passinhos apressados do Jack no tapete eram, ao mesmo tempo, um consolo e uma tortura. Cada som inocente era uma lembrança do que estava em jogo, do que poderíamos perder.

- Justin, o que a gente faz? -Bruna sussurrou, a voz abafada contra o meu peito.- A gente chama a polícia? A gente... a gente vai embora?

Afastei-a um pouco para que pudesse olhar em seus olhos. Vi o pânico ali, o mais puro e primal medo de uma mãe.

- Não. A gente não vai fugir. -falei, a voz mais firme do que eu me sentia por dentro.- Fugir não resolve. Isso só nos tornaria alvos fáceis. A gente vai descobrir quem é. E a gente vai acabar com isso.

Ela assentiu, enxugando uma lágrima.

- Mas quem? Quem faria uma coisa dessas?

Minha mente correu, procurando um rosto, um nome. A ferida mais recente era a mais óbvia.

- A primeira pessoa que vem na minha cabeça é a Melanie. -admiti, a contragosto.- Depois do que ela fez no casamento, da raiva...

Mas Bruna balançou a cabeça imediatamente.

- Não. -ela disse, convicta.- A Mel é invejosa, ela foi cruel, mas... mandar uma ameaça desse tipo? Envolvendo as crianças? Não é o estilo dela. Isso é outra coisa. É mais... profissional. Mais frio. E ela estava na faculdade hoje o tempo todo, eu a vi no campus várias vezes.

As palavras dela fizeram sentido. Por mais que eu estivesse com raiva da Melanie, isso não era coisa dela. Envolver meus filhos, os sobrinhos dela, dessa maneira... não. Minha raiva por ela era uma coisa, mas a lógica me dizia que isso vinha de outro lugar. Um lugar mais sombrio.

Se não era ela, então quem? Minha mente voltou no tempo, para o caos da minha vida antes do coma. Para o Scooter. Ele estava morto, mas o rastro de inimigos e negócios sujos que ele deixou para trás era longo. Pessoas que talvez me culpassem pela sua queda...

Meu celular vibrou na mesinha de centro, me fazendo pular. O nome "Kenny" brilhou na tela. Atendi no primeiro toque, no viva-voz para que a Bruna pudesse ouvir.

- Kenny. O que você tem?

- Justin, a gente puxou as imagens. -a voz dele era calma, profissional.- O cara que tirou a foto usava um boné e máscara, impossível de identificar o rosto. Mas ele entrou num sedã preto. Estamos rastreando a placa agora. Mas tem mais uma coisa. O número que te mandou a mensagem... a gente triangulou. É um celular pré-pago, ativado hoje de manhã.

Senti meu estômago afundar. Um beco sem saída.

- Mas... -Kenny continuou.- O primeiro sinal da torre de celular que ele usou para ativar o chip foi perto de um prédio comercial no Queens. Um prédio que pertence a uma holding chamada Ithaca Ventures.

Ithaca Ventures.

O nome caiu como uma bomba no silêncio da sala. Não era um nome qualquer. Era o nome da antiga empresa do Scooter. 

Desliguei o celular. O medo ainda estava ali, mas agora ele tinha um rosto. Um rosto do passado.

Olhei para a Bruna, que me encarava, esperando.

- Não é a Melanie. -falei, a voz fria como gelo.- Isso é coisa do Scooter. Ou do que sobrou dele.

O fantasma do meu antigo inimigo tinha acabado de voltar para nos assombrar. E, dessa vez, ele estava mirando no meu bem mais precioso.

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