Bruna Narrando
A manhã de 2 de Janeiro chegou cinzenta, exatamente como meu humor.
Eu estava no banco do carona, olhando o céu de Nova York. Jack e Chloe ficaram em casa com as babás; era melhor assim. Uma despedida no frio, perto de um avião, não era lugar para crianças pequenas.
Meu coração estava em pedaços. Eu sabia que logo os veria em São Paulo, mas o medo era real. A partir de hoje, eu não teria mais ninguém do meu sangue aqui nos EUA, somente eu, e claro, o Jack, que era meu sangue por ser meu filho.
Chegamos ao hangar onde o jatinho de Luan estava esperando. A aeronave particular parecia um símbolo de liberdade e segurança, algo que nós dois teríamos que esperar meses para alcançar.
Kenny e sua equipe já estavam lá. Ele supervisionou o carregamento das caixas de mudança, que foram organizadas em um compartimento próprio do jatinho. O homem metódico de Justin era a nossa única certeza.
Justin foi o primeiro a se despedir. Ele abraçou Marina com uma força que demonstrava o quanto ele se importava.
- Se cuida, tá? -ele sussurrou para ela.
- Você também, seu idiota. E não surte com a papelada da Chloe. A gente se vê em maio. -ela respondeu, sorrindo através das lágrimas.
Eu abracei Luan, forte, inalando o cheiro familiar do meu irmão.
- Eu te amo. Me liga assim que pousar. E me mantenha atualizada sobre tudo. -eu disse, com a voz embargada.
- Eu também te amo, Bruninha. -ele me apertou.- Não se preocupe. A gente te protege de longe. Fica tranquila.
Trocamos. Eu me virei para Marina.
- Por favor, cuida do meu irmão. -pedi.
- Cuido. -ela me garantiu, apertando minha mão.- E você cuida do meu. Faça ele aprender pelo menos 20 palavras em português para a sobrevivência dele. -rimos.
Enquanto Justin abraçava Luan, que lhe dava um último aperto de mão de agradecimento, me concentrei em Serena. Ela estava tão lindinha em seu agasalho de inverno.
Abaixei-me e a abracei, sentindo o cheiro de bebê e de marshmallows que ainda pairava nela.
- Tchau, minha princesa. A titia te ama muito, muito, muito! -beijei a testa dela.
Luan a pegou no colo.
- Diz tchau para o tio Justin e para a tia Bruna, Serena.
A pequena acenou com a mãozinha, já cansada da manhã.
- Tchau! -ela disse, com a sua voz aguda.
Eles subiram a escada do jatinho. Eu e Justin ficamos parados na pista, no frio, observando. Marina, Luan e Serena se viraram uma última vez na porta da aeronave, acenando.
A porta se fechou.
O jatinho começou a se mover na pista, ganhando velocidade e decolando em direção ao céu cinzento.
Eu me virei para Justin, as lágrimas escorrendo livremente agora. Ele me abraçou.
- Agora somos só nós. -ele sussurrou, beijando o topo da minha cabeça.
3 meses depois...
Três meses se passaram em um ritmo lento, mas implacável.
Era Abril. E para a minha surpresa (e alívio), nada de novo aconteceu.
Houve aniversários nesse meio-tempo: Justin fez aniversário, eu e Luan fizemos aniversário, todos nós fizemos 23 anos e a Serena completou dois anos. Infelizmente, não pudemos ir para o Brasil comemorar por conta das minhas aulas, mas mandamos presentes e fizemos chamadas de vídeo.
A maior vitória nesse tempo foi a documentação. Finalmente! A papelada da Chloe estava pronta. Deu um trabalho absurdo, mil vezes mais burocrático que a do Jack.
Primeiro, tivemos que entrar com o pedido de residência do Justin. Depois, tive que assinar por Chloe como responsável dela (já que eu sou casada com o pai dela e sou brasileira, a lei nos ajudava). Tivemos que apostilar e traduzir tudo por tradutor juramentado no Brasil: a certidão de nascimento de Chloe, a certidão de óbito da mãe dela, e nossa certidão de casamento. A cabeça chegava a doer.
Mas conseguimos. Agora, só faltava o RNE (Registro Nacional de Estrangeiros) e o CPF deles quando chegássemos ao Brasil.
O Jack foi bem mais simples. Um tempo depois que ele nasceu, já corri atrás da documentação dele e consegui seu passaporte americano e brasileiro, e até o CPF. Ele já era considerado brasileiro.
Eu respirava aliviada. Só faltava a minha formatura, no final do mês que vem. Maio estava quase aí!
Eu morria de saudades da Marina, do Luan e da Serena, mas sabia que faltava pouco para estarmos juntos novamente. A casa que o Justin comprou era pertinho deles em Alphaville, e eu estava acompanhando tudo, escolhendo a mobília e planejando o quartinho do Jack do jeitinho dele e o da Chloe do jeitinho dela.
Hoje era sábado. Um dia tranquilo.
Justin estava na área da piscina, sentado na cadeira com seu violão e compondo. A gente conseguiu ter uma rotina mais leve nesses meses, apesar do medo constante de sermos descobertos pelo pai da Chloe. Ele pretendia voltar a compor e lançar músicas quando chegássemos ao Brasil. Ele havia parado de tocar desde o acidente que o deixou em coma.
Eu estava com uma fome absurda. Senti uma vontade louca de comer melancia com mostarda. Ainda bem que Pattie tinha vindo aqui ontem e trazido coisas frescas da feira. Ela também foi um anjo e levou as crianças para a casa dela, nos dando um sábado de paz.
Fatiei a melancia no prato, que parecia saborosa, e taquei uma boa dose de mostarda por cima. Saí para a área externa e me sentei perto de Justin.
- Quer um pedaço? -ofereci.
Ele fez uma careta de nojo, afastando o prato.
- Pelo amor de Deus, Bruna. Isso é nojento. Obrigado.
Eu dei de ombros e comi a iguaria com gosto, salivando. A combinação agridoce era a coisa mais deliciosa que eu já havia provado.
Eu comia a melancia com mostarda, feliz, enquanto via Justin tentar encontrar a melodia certa, imerso em seu violão.
Justin continuava totalmente concentrado, o violão repousando no seu colo. Ele estava imerso em seu próprio mundo, buscando a música que parecia fugir dele. Algumas vezes, eu o escutava cantarolando algo baixinho, parava, franzia a testa e mudava a melodia, ou trocava uma palavra da letra. Ele estava lutando contra o bloqueio criativo, mas o som do violão era relaxante.
O sol estava quente, um alívio daquele abril em Nova York, mas havia um vento constante, prenúncio de uma possível chuva mais tarde. Era a primavera tentando se firmar.
Eu olhei para minhas pernas expostas; eu ainda estava de shorts de pijama. O desejo por melancia com mostarda havia me tirado da cama antes de eu sequer me vestir. Fiquei incomodada ao notar como minha panturrilha e tornozelo pareciam mais inchados.
- Droga, eu tenho que voltar para a academia. -resmunguei para mim mesma, mastigando um pedaço de melancia.- Estou engordando demais ficando só em casa e indo pra faculdade.
Aquela irritação com o meu corpo e com a inação me deixou de mau humor.
Nesse momento, Justin levantou a cabeça do violão, quebrando o silêncio.
- Amor, você acha que essa parte aqui ficaria melhor com um Fá sustenido ou um Sol menor?
Era uma pergunta boba, focada puramente na música.
- Eu não sei, Justin! Coloca o que você quiser, eu não sou musicista! -respondi com uma grosseria que me chocou tanto quanto a ele.
Ele me encarou, os olhos castanhos arregalados pela minha explosão. O violão parou.
No segundo em que a frase saiu, eu me arrependi amargamente. A explosão não era sobre ele, mas sobre o inchaço nas minhas pernas e a tensão reprimida.
- Desculpa. Desculpa, amor. -coloquei a melancia de lado e me inclinei para ele.- Não é sobre você. Eu estou irritada com esse inchaço e com a pressão de tudo isso. Coloca o Sol menor. Vai ficar lindo.
Ele sorriu de lado e pegou minha mão.
- Tudo bem. A tensão está alta. Relaxa. O Sol menor, então.
- O que diabos deu em mim? -murmurei para mim mesma, balançando a cabeça. Minha grosseria com Justin tinha sido injusta e desnecessária.
Pedi desculpas mais uma vez. Ele sorriu, me garantiu que estava tudo bem e, compreensivo, voltou a se concentrar na sua música.
Terminei de comer a melancia com mostarda, que de repente não parecia mais tão deliciosa, e levei o prato para dentro. A irritação com o meu inchaço era palpável. Eu precisava me vestir e sair daquele pijama.
Fui para o quarto e entrei no closet. Peguei um shorts jeans que eu costumava usar no verão passado.
Tentei vesti-lo. Puxei o zíper. Ele subiu, mas na hora de abotoar, não foi. Tentei, forcei, mas ele simplesmente não fechava.
O pânico misturado à raiva me atingiu. Fiquei parada na frente do espelho do closet, encarando meu reflexo.
- Sério? -minha voz mal saiu.- Eu estou tão imensa assim que nem a droga do meu shorts me serve mais?
Suspirei, sentindo a raiva crescer. Peguei o shorts que não fechava, joguei de volta na gaveta e procurei outro, um modelo um pouco maior. Ele serviu, mas a humilhação do espelho já tinha estragado meu humor. Vesti uma t-shirt rapidamente e saí do closet.
Voltei para a cozinha. Eu precisava de açúcar. Abri a geladeira e encontrei os restos de chocolate da Páscoa do domingo passado. Peguei um pedaço e o mordi, sentindo a necessidade desesperada de algo doce.
Nesse momento, Justin entrou. Ele parecia animado, o violão em uma mão e o semblante leve, até feliz. Ele parou no meio da cozinha, me vendo comer o chocolate.
Eu estava à beira de um ataque de nervos, então não esperei.
- O que você está olhando? -perguntei, já na defensiva, pronta para uma guerra.
Ele se encolheu levemente, percebendo o tom.
- Nada. Eu só... vim para pegar água.
- Fala, Justin. O que foi? -minha sobrancelha arqueou, e eu o encarei. Eu podia sentir a raiva me controlando.
Ele hesitou.
- É que... você estava reclamando agora há pouco sobre peso e inchaço, e agora você está comendo de novo.
Aquilo foi a gota d'água. Na minha mente, ele estava me chamando de gorda e morta de fome. Eu devolvi o chocolate para a geladeira com força, fazendo a porta bater.
- Sério, Justin? Você vai me julgar por causa de um pedaço de chocolate? Você não tem ideia do que é sentir que seu corpo está te traindo, de não saber o que diabos está acontecendo com a sua cabeça, ter medo do amanhã e ainda lidar com o último ano da faculdade!
Eu explodi. Lágrimas de frustração vieram.
Justin colocou o violão apoiado na parede com cuidado e veio até mim, atravessando a cozinha. Ele me abraçou imediatamente, me acalmando. Eu parei de chorar, a frustração lentamente se esvaindo no calor do corpo dele.
- Me desculpa, amor. -ele disse, beijando meu cabelo.- Eu me expressei mal. Eu sei que você está sob muita pressão. Não foi um julgamento, eu juro.
Ele me segurou até eu respirar fundo.
- Mas agora... -ele continuou, se afastando um pouco, com um brilho animado nos olhos.- eu tenho uma novidade muito boa para te contar.
Eu enxuguei as lágrimas apressadamente com a manga da minha blusa, curiosa.
- Desembucha!
- Acabou de tocar o telefone. Foi o Andrew Gertler que ligou.
Eu inclinei a cabeça, confusa.
- Quem diabos é Andrew Gertler?
Justin sorriu, a animação dele voltando em dobro.
- Ele é o empresário do Shawn Mendes. O Shawn tem uma música nova e adoraria gravar comigo.
Meus olhos se arregalaram. Eu adorava o Shawn Mendes! Era o tipo de música que ouvia o tempo todo. Meu mau humor e a preocupação com o meu corpo evaporaram.
- Meu Deus, Justin! Isso é incrível! -eu o abracei com força, a alegria era palpável.- Quando é que vocês vão se ver?
- Hoje à tarde, no estúdio dele. Para ver se a gente entra em sintonia com a faixa.
Eu não pensei duas vezes. A chance de sair daquela casa e de participar de algo tão emocionante era imperdível.
- Eu vou junto! Por favor! Eu preciso de uma distração!
Justin sorriu e concordou.
- Tudo bem. Mas sem surtos, hein?
- Prometo.
Mais tarde...
Eu ajeitei meu cabelo uma última vez no espelho do closet. O blazer azul-marinho oversized e a pantalona off-white me davam a sensação de controle, mas por dentro, eu estava fervilhando. Peguei a bolsa dourada, meu ponto de poder, e desci. Justin estava me esperando na sala, sorrindo.
- Uau. -ele elogiou, se levantando.- Você está muito gata. Pronta para gravar uma música com o Shawn Mendes?
- Prontíssima. -respondi, forçando um sorriso, mas a ansiedade me incomodava. Eu bufei discretamente.
Entramos no carro. No caminho para o estúdio, eu bufava e soltava suspiros estressados a cada sinal fechado. Justin tentava manter a calma.
- Segura a ansiedade, Bruna. É só uma gravação, não é o show da vida.
- Eu sei, mas por que não ir logo? Eu detesto esperar! -falei, revirando os olhos para a janela
Ele não respondeu, mas dirigiu por mais alguns minutos e, de repente, parou em frente a uma farmácia.
- Vou ser rápido, prometo.
Eu revirei os olhos de novo. Por que não ir direto? Mas me contive.
Ele entrou e demorou menos de sete minutos. Logo voltou com uma sacola pequena e escura. Ele me entregou.
- Isso é para você. -disse, enquanto saía com o carro novamente.
Abri a sacola. Lá dentro, havia uma barra de chocolate (ele tentou me subornar com açúcar) e uma caixa pequena, branca e azul.
Um teste de gravidez.
Peguei a caixa na mão, o coração acelerando, e o olhei, incrédula.
- Justin, por que você comprou isso? -perguntei, a voz fraca. O medo se misturou com a raiva, e o pânico real tomou conta.
Ele manteve os olhos na estrada, mas a voz dele era calma e direta.
- Você não percebeu, meu amor? Eu te observo. Aquela vontade louca de comer melancia com mostarda, o inchaço que você disse estar, mas eu não reparei em nada disso... Você está mais estressada que o normal.
Ele se virou rapidamente para me encarar no sinal vermelho.
- Eu vi isso antes, Bruna. Eu vi tudo isso quando você estava grávida do Jack. E eu também vi a Marina assim quando estava grávida da Serena. Você está com o mesmo mau humor. Eu só quero tirar a dúvida antes de irmos para o Brasil. Podemos fazer esse teste quando a gente voltar do estúdio.
Eu fiquei em silêncio total. A caixa do teste de gravidez parecia pesar uma tonelada na minha mão. Minha mente começou a calcular.
Minha última menstruação desceu dia 27 de fevereiro. Hoje era dia 7 de abril.
Ok. Atraso. Um atraso significativo.
O pânico era uma corrente fria subindo pela minha espinha. Mantive a calma, respirando fundo, ignorando Justin que dirigia ao meu lado, ansioso pela minha reação. Eu não podia ter um surto ali.
Chegamos ao estúdio.
Apesar da ansiedade interna, consegui me portar como a executiva que eu estava fingindo ser. Cumprimentamos Andrew Gertler, o empresário, e o próprio Shawn Mendes. Ele era incrivelmente alto e muito simpático.
Deixei os três conversando. Eu me afastei, sentando em um sofá de canto, enquanto eles discutiam a faixa. Shawn mostrou a música. Era muito maneira, com uma melodia viciante e uma letra profunda. Justin topou na hora, mas fizeram algumas alterações na letra com as ideias que Justin teve.
Logo, os dois entraram para gravar. Fiquei ali, observando o processo, o som da voz de Justin se misturando à de Shawn. Não falei nada, apenas observei, tentando manter o foco em algo que não fosse o teste na minha bolsa.
Quando a primeira demo estava pronta, Justin saiu da cabine, os olhos brilhando de empolgação.
- E aí, amor? O que você achou? -ele perguntou, vindo direto para mim.
Eu sorri, forçando a animação.
- É incrível, Justin. É uma música com potencial de ser um hit global. A voz de vocês dois juntas é perfeita.
- E a letra? O que achou da letra?
- É profunda. Tem a cara do Shawn, mas a sua voz deu uma gravidade que só você tem.
Shawn e Andrew se aproximaram, e eu senti que precisava dizer algo mais substancial.
- É uma boa jogada de marketing para o seu retorno. É um novo começo. -comentei, olhando para Justin, mas pensando na nossa própria vida.
Shawn sorriu.
- A Bruna está certa. É o que essa música significa.
Justin pegou a minha mão, apertando-a com gratidão. Ele sabia que eu estava me esforçando para estar ali.
- Bom, agora que temos a bênção da nossa manager não-oficial. -disse Justin, rindo.- Vamos começar a acertar os detalhes.
O resto da tarde no estúdio foi gasto com a magia da música. Eles conversaram sobre os detalhes da colaboração, ouviram a demo exaustivamente, alteraram uma nota aqui, regravaram um trecho ali. Foi demorado, mas produtivo. No final, o empresário tirou algumas fotos.
Eu aproveitei o caminho de volta para postar no meu perfil.
brusantanareal Grandes coisas vêm por aí... 🎶 @justinbieber @shawnmendes
Chegamos em casa. O sol já estava se pondo, tingindo a sala de um dourado cansado. Desci do carro e Justin desceu logo atrás, com a maldita sacola na mão.
- Eu não esqueci. -ele disse, sério.- E é bom que você esteja com vontade de fazer xixi.
O pior era que sim. Eu estava morrendo de vontade. Suspirei, uma rendição silenciosa. Peguei a caixa da mão dele.
- Você está totalmente errado, Justin. É só estresse pré-formatura. -insisti, mais para convencer a mim mesma do que a ele.
Caminhei até o banheiro do andar de baixo. Como estávamos sozinhos, e eu não queria perdê-lo de vista por um segundo, fiz tudo com a porta aberta.
Eu me sentei na privada, e ele ficou parado na soleira da porta, o que era constrangedor.
Umedeci a ponta do teste. Coloquei-o na pia, e ficamos os dois olhando para a pequena tela de plástico, esperando o resultado.
- Eu não sei como isso pode ter acontecido. -murmurei, apoiando as mãos nas laterais da pia, tentando parecer controlada.
Justin sorriu, o olhar cheio de malícia, apesar da tensão do momento.
- Ah, eu sei muito bem. Nosso quarto, sozinhos, sem roupa...
Eu o interrompi, revirando os olhos.
- Eu sei como fazer um bebê, Justin. Não precisamos dos detalhes da nossa vida sexual agora.
Os dois minutos de espera pareceram uma eternidade. Eu estava lavando as mãos, tentando manter a mente vazia, quando Justin pegou o teste da pia.
Ele ficou em silêncio por um segundo, olhando para o pequeno visor.
- Deu positivo. -ele disse, a voz baixa, quase em choque.
Eu parei o que estava fazendo e olhei para ele pelo espelho, semicerrando os olhos.
- Você está me zoando? Justin, isso não tem graça.
Virei-me rapidamente, tomando o teste da mão dele. O visor digital, cruelmente claro, brilhava na luz da cozinha.
Lá estava a palavra: "Pregnant" (Grávida).
E, logo abaixo, a confirmação do tempo estimado: "3+" (três semanas ou mais).
- Puta que pariu. -murmurei, sentindo o mundo girar.
Eu estava em estado de choque, segurando o teste que brilhava com a palavra "Pregnant" e o número "3+". Minha mente processava a informação de forma lenta: o shorts que não fechava, o desejo absurdo de melancia com mostarda, a irritação insana...
Justin não hesitou. Ele estava emocionado. Seu rosto se iluminou com uma alegria que eu não via desde antes do acidente. Ele me puxou para um abraço forte, me tirando do chão.
- Nós vamos ter outro bebê! -ele exclamou, rindo, beijando meu cabelo e minha testa repetidamente.
- Justin, a gente... -eu comecei, tentando processar a logística do nosso pesadelo atual, mas as palavras não vinham.
Ele me segurou pelos ombros, ignorando meu pânico.
- Eu sabia! Eu te disse que eu reconhecia esses sintomas! Vamos ter outro beb, amor! E ele vai nascer no Brasil. Isso é incrível, Bruna.
Minha ficha não tinha caído ainda. Eu olhei para o teste, depois para o meu marido. Estávamos prestes a fugir para o Brasil, e agora, eu estava grávida.
- Justin, para! -eu o afastei um pouco, a voz tensa.- O que vamos fazer? Eu tenho que me formar, temos a Chloe e o Jack e... estamos fugindo!
Ele me segurou com firmeza, mas com ternura, e me forçou a olhar para a luz da verdade.
- Olha para mim, Bruna. Pense direito. Você se forma no próximo mês. O Jack vai fazer três anos. A Chloe vai fazer quatro. Nós vamos para a casa nova em Alphaville.
Ele gesticulou para o teste de gravidez na pia, onde o "3+" brilhava.
- Você está grávida, depois vemos de quanto tempo. Mas temos alguns meses de tranquilidade no Brasil até o bebê nascer. Meses para nos adaptarmos, para eu começar a trabalhar na música, para você investir na sua carreira.
O rosto dele estava radiante.
- Não precisa se preocupar com nada. Vamos ter tempo de sobra. Nós vamos ter outro filho! Isso é maravilhoso, Bruna.
A ficha começou a cair. O pânico deu lugar a uma onda de calor e à emoção que Justin estava sentindo. Ele estava certo. O tempo estava do nosso lado. A gravidez, em vez de um obstáculo, era uma promessa de futuro.
Eu o abracei de volta, forte. Pela primeira vez em meses, a incerteza parecia menos assustadora e mais como uma aventura.
- Nós vamos ter outro bebê. -sussurrei contra o peito dele, começando a sorrir.