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Capítulo 129

OBS: Por conta dos acontecimentos do último capítulo, irei trocar a narração de hoje, que seria de Bruna, mas será de Luan.

Luan Narrando

O sol de agosto aquecia a minha nuca, e uma brisa suave soprava do rio, mas nada disso aliviava o fato de que minhas mãos estavam suando frio. Eu ajeitei a gola da camisa pela décima vez, sentindo o coração martelar contra as costelas num ritmo que competia com a música clássica que tocava ao fundo.

Ao meu lado, Justin, meu padrinho, meu cunhado, meu parceiro de crimes em Vegas, estava surpreendentemente calmo.

- Respira, cara. -ele murmurou, sem mover a cabeça.- Desmaiar agora vai estragar as fotos.

Eu tentei rir, mas o som saiu como um engasgo. Minha mãe já tinha entrado comigo e chorava discretamente. A mãe da Marina, Liana, também. Vi meus amigos, meus padrinhos, e as amigas dela, as madrinhas, lindas em seus vestidos rosé. Vi a Chloe entrar jogando pétalas para todos os lados, menos no tapete. Serena e Jack ficaram encarregados de trazer as alianças.

Tudo estava acontecendo.

Minha mente era um turbilhão. Lembrei da noite caótica em Vegas, do gosto de tequila, do glitter, e daquela conversa tensa na manhã seguinte. O gogoboy... a imagem idiota ainda tentava aparecer, mas eu a empurrava para longe. As palavras do Justin ecoavam na minha cabeça: "Você confia nela?". Sim. Mil vezes sim. Confiava nela com a minha vida. E era isso que importava.

Então, a música mudou.

As primeiras notas de Turning Pague soaram na versão instrumental, e todo o barulho de conversas dos convidados cessou. É claro que ela escolheria essa música pra sua entrada. Todos se levantaram, se virando para trás. Meu corpo inteiro se tencionou. Era agora.

Eu prendi a respiração e olhei para o fundo do corredor de flores.

E então, eu a vi.

O mundo inteiro parou. O tempo desacelerou. A brisa, o sol, a música, as centenas de rostos me encarando... tudo desapareceu. Só existia ela. Marina. Parada no início do corredor, no braço do pai.

O vestido era uma nuvem branca, a saia volumosa flutuando ao redor dela. O véu emoldurava seu rosto, e as flores em seu cabelo pareciam ter nascido ali. Ela era a visão mais linda, mais etérea, mais perfeita que eu já tinha visto em toda a minha vida. Não era a Marina que eu via de pijama de manhã, ou a mãe coruja correndo atrás da Serena. Era a Marina em sua forma mais pura, uma concentração de tudo que eu amava nela.

Nossos olhos se encontraram por cima de todas aquelas pessoas. E no instante em que o olhar dela encontrou o meu, todo o nervosismo, toda a ansiedade, todo o medo se dissiparam, substituídos por uma onda de certeza tão avassaladora que fez meus olhos arderem.

Ela sorriu. Um sorriso pequeno, só para mim.

Cada passo que ela dava em minha direção parecia durar uma eternidade e um piscar de olhos ao mesmo tempo. O mundo ao redor era um borrão de cores e formas desfocadas; os rostos dos convidados, as flores, o céu de Nova York, nada disso registrava. Meu universo inteiro estava contido naquela caminhada, na maneira como a saia do vestido dela flutuava, no jeito como o véu se movia com a brisa, e no sorriso que crescia em seu rosto a cada metro que nos aproximava.

Pensei em tudo que vivemos para chegar até ali. As risadas, as brigas, término, a volta, as noites em claro com a Serena recém-nascida. Cada momento, bom ou ruim, tinha sido um degrau nessa escada que terminava aqui, neste altar. A promessa que eu estava prestes a fazer não parecia um peso ou uma obrigação. Parecia a coisa mais fácil, mais natural do mundo. Era como prometer continuar respirando.

Finalmente, ela chegou. O pai dela, com os olhos vermelhos e um sorriso orgulhoso, parou na minha frente. Ele pegou a mão da Marina e a colocou sobre a minha. O toque dela era quente, familiar. Era o meu lar.

- Cuide bem dela, garoto. -ele disse, a voz baixa e embargada.

Apertei a mão dela com firmeza, olhando fundo nos olhos do meu sogro.

- Com a minha vida. -prometi.

Ele assentiu, deu um beijo na testa da filha e foi pro seu lugar.

Marina se virou para mim. Agora, de perto, eu podia ver cada detalhe. O brilho nos seus olhos, as flores delicadas em seu cabelo, a maneira como seus cílios tremiam um pouco. Estendi minha outra mão e enxuguei uma única lágrima que escorria pelo seu rosto, com cuidado para não estragar a maquiagem. Ela sorriu em agradecimento.

De mãos dadas, nós nos viramos para o celebrante. O mundo voltou a ter som e foco, mas agora, era diferente. Ela estava ao meu lado. A música parou, e a voz calma do celebrante preencheu o ar.

E ali, com a mão dela na minha, com o coração dela batendo no mesmo ritmo que o meu, eu estava pronto. Estávamos prontos.

A voz do celebrante começou a preencher o ar, falando sobre amor, companheirismo e a jornada que nos trouxe até ali. Sinceramente, as palavras dele entravam por um ouvido e saíam pelo outro. Todo o meu foco, toda a minha atenção, estava na mulher à minha frente. Na forma como seus dedos se encaixavam nos meus, no brilho de felicidade em seus olhos, na leve curva de seu sorriso.

Então, chegou a hora. O celebrante se virou para mim.

- Luan, por favor, seus votos.

Respirei fundo, me virando para encarar Marina. O mundo encolheu até se resumir ao espaço entre nós dois.

- Marina... -comecei, a voz um pouco mais trêmula do que eu gostaria.- Eu achei que sabia o que era felicidade até o dia em que te conheci. Você entrou na minha vida como um furacão, virou tudo de cabeça para baixo e me mostrou que o que eu tinha antes era só calmaria. E eu amo o seu caos. Amo a sua risada, amo a sua teimosia, amo o jeito como você cuida da nossa filha e como me faz querer ser um homem melhor a cada dia. Você não é só o amor da minha vida, você é a minha alma. E é algo extraordinário quando conhecemos alguém a quem podemos partilhar a nossa alma, e que nos aceita como somos. Nenhum período de tempo com você será suficiente, então, comecemos com "para sempre".

Vi as lágrimas escorrerem livremente pelo rosto dela, e ela riu, um riso molhado e lindo.
Quando foi a vez dela, ela apertou minhas mãos.

- Luan... -ela disse, a voz cheia de emoção.- Você me ensinou a não ter medo de ser feliz. Com você, eu aprendi que o amor não precisa ser complicado, ele só precisa ser real. Você é o meu melhor amigo, meu parceiro de todas as loucuras, e o pai mais incrível que a Serena poderia ter. Eu prometo te amar com toda a minha alma, honrar nossa parceria, e nunca, nunca deixar a gente esquecer de como rir de nós mesmos. Você é meu lar. Eu te amo, para sempre.

As palavras dela me atingiram em cheio. O celebrante sorriu para nós e então se virou para os convidados.

- Se há alguém aqui que se oponha a esta união, que fale agora ou cale-se para sempre.

Um silêncio súbito e pesado caiu sobre a cerimônia. Senti a mão da Marina apertar a minha com força. Olhei para ela e vi seu sorriso vacilar por um microssegundo, uma sombra de preocupação passando por seus olhos. Estranhei. Instintivamente, nós dois viramos a cabeça ao mesmo tempo, nossos olhares passando rapidamente pela multidão de rostos familiares. Ninguém se moveu. Ninguém disse uma palavra. O único som era o da brisa suave.

O celebrante esperou uma batida a mais e, com um sorriso, continuou:

- Ótimo. Então, podemos trazer as alianças.

A música suave recomeçou, e todos os olhares se viraram para o fundo do corredor. Lá vinham eles. Jack, muito sério e concentrado, caminhava devagar, segurando com as duas mãos uma pequena almofada de seda onde as alianças brilhavam. Ao seu lado, de mãos dadas com ele, vinha a minha Serena. Ela andava com passinhos trôpegos de quem aprendeu a se equilibrar há poucos meses, olhando para tudo com uma curiosidade encantadora. Um "awww" coletivo ecoou dos convidados. Foi o momento mais fofo que eu já tinha visto.

Eles chegaram até nós, e Jack, orgulhosamente, estendeu a almofada. Me abaixei para pegar as alianças, Bruna e Justin se aproximaram para ajudar as crianças a irem para seus lugares.

Peguei a mão delicada da Marina. E deslizei o anel de ouro em seu dedo.

- Com esta aliança, eu te recebo por minha esposa. Para te amar e te cuidar, de hoje em diante. Para sempre.

Ela pegou a minha aliança e, com os olhos fixos nos meus, a deslizeou no meu dedo. O peso do anel era reconfortante, final.

- Com esta aliança, eu te recebo por meu marido. Para te amar e te cuidar, de hoje em diante. Para sempre.

- E assim, pelo poder investido em mim, eu vos declaro, marido e mulher. -a voz do celebrante soou alta e clara.- Pode beijar a noiva.

Eu não esperei um segundo. Puxei-a pela cintura, e a beijei. E naquele beijo estava tudo: a promessa, a história, o futuro. O som dos aplausos e gritos dos nossos amigos e familiares era um eco distante. Naquele momento, no nosso beijo, éramos os únicos no mundo.

Quando nos separamos, de testa colada na dela, ela sussurrou só para mim: 

- Meu marido.

Eu sorri, me sentindo o homem mais feliz do mundo. 

- Minha esposa.

Viramos para a multidão, de mãos dadas, enquanto minha música "Chuva de Arroz" explodia e uma chuva de arroz, literalmente, caía sobre nós. A cerimônia tinha acabado. E a nossa vida juntos, oficialmente, tinha começado.

A saída pelo corredor de flores foi um borrão de sorrisos, aplausos e arroz que grudavam no meu cabelo e no vestido da Marina. Assim que chegamos ao final do tapete, fomos engolidos por uma onda de abraços. Meus pais, os pais dela, todos nos abraçando ao mesmo tempo, chorando e rindo.

Foi Katherine, a cerimonialista, quem nos resgatou daquele abraço coletivo com a delicadeza de um general.

- Meus parabéns! -ela disse, com um sorriso caloroso.- Agora, antes que a luz perfeita vá embora, eu preciso roubar vocês por alguns minutos para as fotos.

Ela fez um gesto para os convidados.

- Senhoras e senhores, o coquetel já está sendo servido no salão principal! Por favor, fiquem à vontade!

Enquanto a multidão se dispersava, nos guiando para dentro, Katherine nos levou de volta para a área da cerimônia, agora vazia e silenciosa, com o sol começando a descer sobre os arranha-céus de Manhattan, pintando o céu de laranja e rosa.

O fotógrafo começou com fotos só nossas. No início, foi um pouco estranho. "Olhem um para o outro", "Sorriam", "Agora dê um beijo na testa dela". Mas depois de alguns cliques, eu esqueci que ele estava ali. Eu só conseguia olhar para a minha esposa. Minha esposa. A palavra soava tão bem.

- E aí, Sra. Santana. -sussurrei, enquanto o fotógrafo trocava de lente.- Como se sente?

Marina se aninhou no meu peito, o rosto virado para mim.

- Cansada, feliz... e muito, muito sua. -ela sorriu.- E o Sr. Bieber-Santana?

Eu ri do jeito que ela juntou nossos nomes. Mesmo eu não tendo feito isso oficialmente.

- Eu me sinto o cara mais sortudo do mundo. -falei, beijando o topo de sua cabeça.

O fotógrafo nos chamou de volta, tiramos foto com nossa filha também e logo em seguida, a paz acabou. Nossos padrinhos e madrinhas invadiram o cenário, trazendo o caos de volta. A sessão de fotos virou uma festa. Justin sugeria poses ridículas, Ryan tentava fazer todo mundo rir na hora errada, e as meninas não paravam de ajeitar os vestidos umas das outras.

Tiramos fotos sérias, fotos rindo. Foi divertido, foi barulhento, foi a nossa cara.

Quando o sol finalmente mergulhou atrás dos prédios, deixando o céu num tom de roxo profundo, o fotógrafo abaixou a câmera.

- Conseguimos. Estão liberados para a festa!

As fotos tinham acabado. A parte "oficial" do dia tinha terminado. Olhei para a Marina, que brilhava sob as primeiras luzes que se acendiam no terraço. Peguei sua mão. E a nossa festa estava prestes a começar.

A porta do salão principal se abriu e fomos recebidos por uma onda de som e energia. O DJ soltou os primeiros acordes de "Shape of You", e o salão inteiro explodiu em aplausos e assobios. As luzes pulsavam em tons de rosé e dourado, e ver todos os nossos amigos e familiares de pé, sorrindo para nós, foi eletrizante.

Peguei a mão da Marina com mais força.

- Pronta, Sra. Santana? -perguntei, sorrindo.

- Mais do que pronta! -ela respondeu, o sorriso dela iluminando todo o salão.

Começamos a nossa volta, indo de mesa em mesa, um mar de abraços, beijos e felicitações. Agradecemos a presença de tios distantes, colegas da faculdade, toda a minha equipe dos shows, e os colegas de elenco da Marina. Era um turbilhão feliz de rostos conhecidos, cada um compartilhando um pedacinho da nossa alegria.

- Luan, cuida bem da nossa menina! -disse um tio da Marina, me dando um abraço de urso.

- Pode deixar! -respondi, rindo.

Estávamos quase terminando a nossa volta, nos aproximando das últimas mesas perto do bar, quando uma delas me fez parar. A mesa estava estranhamente vazia, com apenas um lugar ocupado. Um cara, sozinho, de terno, olhando para o copo. Quando ele levantou o rosto, meu sorriso congelou.

Victor.

Olhei para ele, depois para a Marina, esperando algum tipo de explicação. O sangue subiu para o meu rosto. Uma mistura de confusão e ciúme começou a borbulhar no meu peito. Eu nem sabia que a Marina o tinha convidado. Ver o ex-namorado dela ali, na nossa festa de casamento, sentado sozinho como um abutre esperando, fez meu estômago revirar. E pela expressão no rosto dela, eu soube que ela estava tão surpresa e desconfortável quanto eu.

Meu corpo inteiro ficou tenso. Senti o sangue esquentar nas minhas veias, e minha mão, que segurava a da Marina, se fechou com mais força. Meu primeiro instinto foi caminhar direto até aquela mesa e perguntar o que diabos ele pensava que estava fazendo ali.

- O que ele está fazendo aqui, Marina? -perguntei, a voz saindo baixa e dura, sem tirar os olhos do Victor.

Antes que eu pudesse dar mais um passo, senti a mão dela puxar a minha com urgência, me parando. Ela se colocou um pouco na minha frente, me forçando a olhá-la. O barulho da festa pareceu distante.

- Luan, me escuta. -ela disse, a voz apressada e suplicante, os olhos buscando os meus.- Calma. Por favor, tenha calma.

- Calma? -retruquei, incrédulo.- O seu ex-namorado e ex par romântico de filme está no nosso casamento!

- Eu não o convidei! -ela insistiu, e a sinceridade em seu olhar me atingiu em cheio.- Eu juro pela nossa filha, Luan, eu nunca faria isso.

Ela respirou fundo, falando rápido para que ninguém ao redor ouvisse.

- Ele apareceu antes da cerimônia. O Justin o viu. Ele tinha um convite oficial. Eu não sei como, mas... nós achamos que foi a Melanie. O Justin tentou fazê-lo ir embora, mas ele não foi. Eu fiquei sabendo disso minutos antes de entrar.

A revelação me atingiu como um soco. A raiva que eu sentia dela se dissolveu instantaneamente, sendo substituída por uma fúria direcionada a Melanie, e uma onda de preocupação pela Marina. Ela teve que lidar com esse estresse todo, sozinha, momentos antes de caminhar até mim no altar. E ainda assim, ela estava ali, sorrindo, como se nada tivesse acontecido.

Olhei para o rosto dela, e agora eu conseguia ver a fina camada de tensão sob o sorriso de noiva feliz. Ela estava tentando proteger nosso dia, nos proteger.

Respirei fundo, forçando meus ombros a relaxarem. Peguei a mão dela com as duas minhas, trazendo-a para perto.

- Ok. -falei, a voz agora firme e calma.- Ok, meu amor. Eu tô calmo.

Encarei o Victor, que agora nos olhava do outro lado do salão. A vontade de ir até lá ainda existia, mas agora era diferente. Não era mais por ciúme. Era para proteger minha esposa.

- O que a gente faz? -perguntei a ela, deixando claro que estávamos juntos nisso.

Marina olhou para o Victor, e por um segundo, vi a dor e a raiva em seu rosto. Mas então, ela respirou fundo e uma determinação de aço tomou conta de sua expressão. Ela se virou para mim, a mão dela firme na minha.

- A gente não faz nada. -ela disse, a voz surpreendentemente forte.

- Como assim, "nada"? -perguntei, incrédulo.

- A gente ignora. -ela continuou, os olhos fixos nos meus.- A pior coisa que podemos fazer é dar a ele, e a quem quer que o tenha convidado, o gostinho de estragar a nossa noite. Hoje é a nossa festa, Luan. É o nosso casamento. E ninguém, absolutamente ninguém, vai tirar isso da gente.

Fiquei impressionado com a força dela. No meio de toda a emoção e do estresse, ela era a mais forte de nós dois.

- Você tem certeza? -perguntei, minha voz mais suave agora.- Se você quiser, eu peço pro Justin e pros seguranças tirarem ele daqui em dois segundos.

Ela balançou a cabeça, com um sorriso triste, mas firme.

- Não. Isso seria dar a ele exatamente o escândalo que ele provavelmente quer. -ela apertou minha mão.- Por favor, amor. Só... vamos nos divertir. Vamos dançar, vamos beber, vamos celebrar com as pessoas que nos amam. Por favor.

Olhei para ela, minha esposa, tão resiliente e tão linda. Ela estava certa.

- Ok. -concordei, forçando um sorriso que logo se tornou genuíno.- O que a Sra. Santana quiser.

Juntos, nós deliberadamente viramos as costas para a mesa dele e continuamos nossa volta, como se nada tivesse acontecido. A próxima mesa era a dos nossos padrinhos.

Assim que nos aproximamos, vi o olhar de Justin cruzar com o meu. Ele imediatamente percebeu a tensão que ainda pairava sobre nós. Ele levantou uma sobrancelha, questionando. Eu apenas balancei a cabeça sutilmente, um sinal de "depois eu te explico". Ele entendeu na hora.

Bruna se levantou, vindo nos abraçar.

- Finalmente! -ela disse, nos puxando para a mesa.- Achei que vocês iam passar a noite inteira só dando oi. A gente quer dançar com os noivos!

O alívio de estar cercado por nossos amigos foi imediato. Ryan nos ofereceu uma taça de champanhe, Anthony fez uma piada idiota, e Olívia já estava contando uma história engraçada. A energia e o amor deles eram um escudo.

Sentei ao lado da Marina, passando meu braço por seus ombros. Ela se recostou em mim, e eu senti o corpo dela relaxar um pouco. O plano dela estava funcionando. Estávamos escolhendo a nossa felicidade. E, olhando para os rostos sorridentes dos nossos melhores amigos, eu soube que tínhamos feito a escolha certa.

A decisão de ignorar a nuvem escura que pairava no canto do salão foi a melhor que poderíamos ter tomado. Rodeados pelos nossos melhores amigos, a tensão começou a se dissipar, substituída por risadas e conversas altas. A energia da nossa mesa era contagiante.

Logo, os garçons começaram a servir o jantar. O cheiro delicioso encheu o ar, e pratos lindamente montados foram colocados à nossa frente. Era um risoto de açafrão com vieiras e um filé mignon ao ponto, exatamente como havíamos escolhido meses atrás. E, como o meu estômago de repente percebeu, estava muito bom.

Dar a primeira garfada foi como um suspiro de alívio. A normalidade do ato de comer, de saborear uma boa comida, foi incrivelmente reconfortante. Olhei para a Marina ao meu lado; ela comia com gosto, rindo de uma piada que a Olívia contou. Vê-la relaxar e se permitir aproveitar aquele momento, depois do estresse que eu sabia que ela tinha passado, me encheu de admiração.

De vez em quando, meus olhos inevitavelmente desviavam para o canto do salão. Victor continuava lá, sozinho na sua mesa, mexendo no copo. Ele não fazia nada, não se levantava, não incomodava ninguém. Ele apenas assistia. Sua presença era uma nota dissonante em nossa sinfonia perfeita, mas decidimos não deixar que ele estragasse a música. Notei que, de vez em quando, o olhar do Justin também ia naquela direção, sempre alerta, um guardião silencioso.
Debaixo da mesa, procurei a mão da Marina e a entrelacei na minha. Ela apertou meus dedos com força. Trocamos um olhar rápido, um olhar que dizia tudo: "Estamos juntos nisso. Estamos bem."

O jantar foi passando, os pratos foram sendo retirados, e as taças, reabastecidas. Aos poucos, a energia do salão começou a mudar de novo. A conversa animada se tornou mais alta, e a batida da música de fundo começou a ficar mais proeminente. A noite estava apenas começando.

Katherine se aproximou de nós com um sorriso cronometrado.

- Luan, Marina, me desculpem interromper. Está na hora. -ela disse, a voz baixa e calma.+ Prontos para a primeira dança?

Trocamos um olhar. Era a hora.

Katherine nos guiou para fora do salão principal, para um salãozinho reservado que ela havia preparado para nós, um pequeno oásis de silêncio no meio da festa barulhenta. Ali, longe de todos os olhares, tivemos um momento só nosso. Escovamos os dentes rapidamente, um gesto tão doméstico e normal que me fez sorrir. Marina se olhou no espelho, retocando o batom que os beijos e a comida haviam desgastado, enquanto eu ajeitava meu terno e passava a mão no cabelo, tentando parecer o mais apresentável possível.

- Pronto pra mostrar seus passos de dança incríveis pro mundo? -ela brincou, se virando para mim.

- Só se você prometer não rir muito alto se eu pisar no seu pé. -respondi, puxando-a para um beijo rápido.

Enquanto esperávamos, o coração acelerando de novo, pensei em como tudo estava perfeitamente conectado. Havia muitas referências de Crepúsculo no nosso casamento, a nossa bobeira romântica particular. A data, 13 de agosto, a mesma do casamento do Edward e da Bella. A música que a Marina escolheu para entrar na cerimônia, a mesma da Bella. Um pedaço dos meus votos, tirado diretamente do discurso do Edward. E agora, a nossa música da valsa.

Ouvimos a voz do DJ ecoar do lado de fora, abafada pela porta.

- E agora, senhoras e senhores, aplaudam de pé enquanto recebemos na pista de dança, pela primeira vez como marido e mulher, o Sr. e a Sra. Santana!

A porta se abriu. Demos as mãos e entramos no salão sob uma nova onda de aplausos. Caminhamos até o centro da pista de dança vazia. As luzes do salão diminuíram, e um único foco de luz nos envolveu, nos isolando do resto do mundo.

Nos posicionamos, minha mão em sua cintura, a dela em meu ombro. E então, as notas suaves e inconfundíveis de "Flightless Bird, American Mouth" começaram a tocar. Olhei fundo nos olhos da minha esposa, e o mundo inteiro desapareceu. Éramos só nós dois, no nosso para sempre.

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