Bruna Narrando
Maio de 2028
Mês de maio chegou e, com ele, a minha ansiedade.
Faltava apenas um pouco mais que um uma semana para o meu casamento e eu estava surtando de verdade. Era como se minha cabeça fosse uma panela de pressão prestes a explodir.
Tive que adiantar as provas da faculdade pra poder encerrar o ano letivo antes, já que normalmente terminaria em junho. Só que isso significou noites mal dormidas, pilhas de trabalhos extras e uma rotina enlouquecedora. Entre provas, atividades, ajustes finais do vestido, reuniões com a Abigail, minha cerimonialista, prova de maquiagem, de cabelo… parecia que tudo estava acontecendo ao mesmo tempo.
Hoje era sábado, 6 de maio. Eu me olhava no espelho do quarto, respirando fundo enquanto passava o delineador preto bem rente aos cílios. A cada traço eu pensava: é isso mesmo, tá acontecendo, daqui a nove dias eu viro oficialmente a Sra. Bieber. Só de imaginar, minhas mãos suavam.
Era o dia da minha despedida de solteira, e eu estava ansiosa. Marina tinha organizado tudo com um suspense que só ela conseguia criar, então eu não fazia ideia de todos os detalhes, mas confiava cegamente no bom gosto e, claro, na ousadia da minha cunhada. Justin também teria a dele na mesma noite — e eu mal queria saber os exageros que os amigos dele planejariam.
As crianças ficariam com as babás, Elizabeth e Georgia, que já estavam craques em lidar com os dois.
Jack, agora com 1 ano e 9 meses, estava na fase das palavras engraçadas, repetindo tudo que a gente dizia.
Chloe, com 2 anos e 7 meses, já tinha o jeitinho dela, mandona mas doce, e vivia grudada nele. Era impressionante como eles podiam brincar juntos rindo, e no minuto seguinte brigarem por um brinquedo. Logo depois, estavam de mãos dadas outra vez, como se nada tivesse acontecido.
Chloe já estava completamente acostumada com a gente, e isso me derretia. Um amorzinho de menina. O jeito que ela me chamava de “titia”, com aquela voz meiga e arrastada, era de partir o coração de tanta fofura. Toda vez que ouvia, parecia que meu peito se enchia de mais amor ainda.
Respirei fundo, terminei de puxar o delineado no olho e deixei a caneta sobre a penteadeira. Levantei-me, ajustando meu vestido branco curtinho, colado no corpo, com um decote que brilhava inteiro por causa das pedrinhas formando a palavra “Bride”. Quando a luz do quarto batia, o bordado cintilava e eu me sentia poderosa, como uma noiva moderna pronta pra arrasar.
Do outro lado do quarto, Justin estava em frente ao espelho, analisando dois bonés diferentes. Ele levantava um, fazia pose, depois trocava pelo outro, franzia a testa e voltava pro primeiro.
- Amor. -falei, rindo enquanto calçava minhas sandálias prateadas de salto fino.- Você tá demorando mais que eu pra se arrumar.
Ele virou o rosto, arqueando a sobrancelha com um sorriso de canto.
- É que não posso fazer feio, né? Última festa solteiro… tenho que manter o estilo.
Balancei a cabeça, rindo.
- Solteiro nada. Você já é mais casado do que muito homem com aliança no dedo.
Ele deu risada, apontando pra mim com o boné ainda na mão.
- Essa foi boa. Mas fala aí, qual combina mais? O preto básico ou o branco com logo dourado?
Cruzei os braços, fingindo avaliar sério, enquanto caminhava até ele.
- Hm… o preto é clássico. Mas o branco com dourado tem cara de Justin Bieber mesmo. Acho que combina mais com o ego do meu futuro marido.
Ele arregalou os olhos, fingindo estar ofendido.
- Ego? Tá me chamando de convencido?
- Só um pouquinho. -respondi, esticando a mão pra arrumar o boné dele.- Mas, fazer o quê? Eu gosto.
Justin sorriu, me puxou pela cintura e me deu um beijo rápido, só pra não borrar meu batom.
- Então vou de branco com dourado. Se a noiva aprova, tá aprovado.
Revirei os olhos, mas não segurei o sorriso bobo que escapou.
O celular vibrou na penteadeira, era uma mensagem da Marina:
“Cunha, tá pronta? A noite promete 🔥🍸”.
Eu respirei fundo, o frio na barriga aumentando.
- Pronta? -Justin perguntou, ajeitando o boné escolhido na cabeça.
Olhei pro espelho uma última vez, passando a mão pelo vestido brilhante.
- Mais do que pronta. Hoje começa a contagem regressiva oficial.
Ele piscou.
- Então se prepara, porque a semana vai voar.
Sorri, sentindo aquele misto de nervosismo e alegria que só uma noiva a nove dias do casamento entende.
Descemos até a portaria depois de nos despedirmos das crianças. Jack ainda estava segurando o carrinho de brinquedo dele e não queria soltar da minha mão. Me abaixei, dei um beijo na bochechinha dele e prometi que voltaria logo. Chloe, como sempre, me desmontou quando me abraçou pelas pernas e falou com aquela vozinha doce:
- Titia, volta logo, tá?
Quase chorei ali mesmo, mas me controlei.
- Claro, meu amor. Se comporta com a tia Beth e a tia Georgia, tá bem? -falei, ajeitando o cabelinho dela.
Justin se abaixou também, deu um beijo em cada um e brincou:
- Prometo que o papai não vai demorar… quer dizer, talvez demore um pouquinho.
Chloe riu, Jack bateu palminha, e então nos levantamos para finalmente descer.
Ficamos os dois juntos na portaria, lado a lado, esperando nossas caronas. Eu com a bolsinha pequena na mão, ele ajeitando o boné.
- Aposta comigo? -ele falou, me cutucando com o cotovelo.- Dez dólares que o Luan chega primeiro com o carro dele pra me buscar.
Arqueei a sobrancelha, rindo.
- Eu aposto que é a Marina, e não só chegando, mas chegando de forma completamente exagerada.
Ele gargalhou.
- Isso é bem a cara dela.
Não deu nem dois minutos e vimos a limousine apontar na esquina. Nós dois nos entreolhamos, rindo.
- É o Luan, certeza! -Justin falou.
- Quer apostar? -rebati, já segurando minha risada.
A limousine estacionou na frente e, para total surpresa, o teto solar abriu de repente. E lá estava Marina, com um vestido prateado justo, um martini na mão e um sorriso de estrela de cinema.
- Eu sabia! -bati palminha, rindo alto.- Eu ganhei!
Justin balançou a cabeça, incrédulo, mas sorrindo.
Marina acenou teatralmente, quase gritando:
- Preparada, noiva mais linda desse mundo?
Eu olhei para Justin, que me abraçou rápido.
- Vai lá, baby… aproveita. Mas não exagera tanto. -ele disse, com aquele tom meio sério, meio brincalhão.
- Relaxa, eu me comporto… -respondi, mas nem eu mesma acreditei.- Se comporta você, viu?
Marina aproveitou para se inclinar mais e, rindo, falou com Justin:
- Pode deixar, irmãozinho. Eu vou cuidar bem dela.
Justin, no mesmo instante, rebateu:
- Duvido muito. Só não esquece que vou estar com o seu noivo.
Nós três rimos juntos. Então me despedi dele com um beijo rápido e fui em direção à limousine.
Assim que entrei, fui recebida com gritos animados. Virginia, Olivia e Melanie já estavam acomodadas, cada uma com seu drink colorido na mão.
- Olha quem chegou! -Olivia cantou, brindando no ar.
Virginia bateu palmas.
- Finalmente! Agora sim a festa tá completa.
Melanie me abraçou de lado, rindo.
- Vem, Bru, senta aqui do meu lado.
Enquanto eu ainda estava processando a cena, Marina saiu do teto solar, se jogou ao meu lado e puxou algo da bolsa: uma tiara branca com um mini véu.
- Faltava isso! -disse, colocando delicadamente na minha cabeça.- Agora sim você tá oficialmente pronta pra sua despedida.
Eu ri, olhando meu reflexo no vidro fumê da limousine.
- Vocês não existem…
Marina levantou a taça de martini e declarou:
- Que comecem as comemorações!
E a limousine disparou pelas ruas iluminadas de Nova York. Eu achei que iríamos a algum clube ou restaurante, mas quando chegamos perto da marina, fiquei sem reação.
Ali, ancorado e já iluminado com luzes discretas, estava um pequeno iate nos esperando.
- Vocês tão de brincadeira comigo! -exclamei, quase sem acreditar.
Virginia piscou e ergueu a taça dela.
- Surpresa, noiva.
Eu só consegui rir, abraçando todas elas de uma vez, enquanto subíamos no iate, que já estava iluminado com luzes de neon quando subimos a bordo, e eu ainda estava em choque por Marina ter preparado tudo aquilo. Assim que botei os pés no deck, levei um susto bom: minhas primas Camila e Jéssica estavam ali, gritando meu nome feito duas doidas.
- BRUNAAAA! -Camila pulou em cima de mim, me esmagando num abraço.
- Olha só quem resolveu aparecer do nada! -falei, rindo, enquanto Jéssica me puxava pela outra ponta.
- A gente não ia perder sua despedida de solteira por nada, né? -Jéssica respondeu, com aquele sotaque brasileiro arrastado que me deu uma nostalgia enorme.
Virgínia já chegou com duas taças de um drink azul neon na mão.
- Vocês são as primas brasileiras? -perguntou em inglês, entregando uma taça pra cada uma.- Bem-vindas ao caos!
Camila olhou a bebida e arregalou os olhos:
- Caralho, parece limpa-vidro, isso é de beber mesmo?
- Bebe logo, prima! -eu falei, rindo.- Marina não ia nos matar com veneno.
- Eu não prometo nada. -Marina apareceu atrás, já com outra taça de martini, rebolando.- Mas se morrerem, pelo menos morrem felizes.
Melanie, que tava até então quieta, bufou.
- Vocês acham engraçado, mas eu é que vou ter que segurar Marina daqui a pouco quando ela começar a querer dançar em cima da mesa.
- Cala a boca, Mel. -Marina rebateu, dando um gole enorme.- Você é só invejosa porque eu brilho mais que você em qualquer festa.
- Nossa, começou cedo o shade. -Olívia riu, mexendo no cabelo.
- Shade nada, é verdade nua e crua. -Marina disse, colocando a mão na cintura.
Jéssica já tava meio alta depois do primeiro gole do drink azul e apontou pra Marina:
- Gente, essa mulher parece uma mistura de sereia com vadia de luxo.
- Obrigada, querida. -Marina soprou um beijo no ar.- Prefiro ser chamada de puta chique, mas sereia também serve.
Camila, sempre mais debochada, se inclinou na minha direção:
- E essa irmãzinha aí do Justin, a Melanie… ela tá de cara fechada por quê?
- É a resting bitch face dela, ignora. -Marina respondeu antes que Melanie falasse.
- Vai se foder, Marina. -Melanie revirou os olhos.- Só tô tentando não vomitar com esse drink esquisito.
- Ô, dá aqui essa taça! -Virgínia pegou da mão dela.- Quem reclama perde direito.
- Ai, eu já amo você, Virgínia! -Camila gritou, batendo a mão na mesa.
A música aumentou, um reggaeton estourando das caixas de som, e Olívia puxou todo mundo pro meio do deck.
- Bora, bitches, a noiva tem que dançar até o chão hoje!
- Eu vou cair com esse salto, caralho! -reclamei, segurando meu drink.
- Se cair, a gente finge que foi coreografia. -Jéssica disse, já descendo até o chão com uma facilidade absurda.
Marina colocou os braços em torno do meu pescoço e cochichou no meu ouvido:
- Promete que hoje vai ser a última noite comportada da sua vida, porque daqui pra frente você é só a Sra. Bieber.
- Vai tomar no cu, Marina. -respondi, rindo.- Eu ainda tenho mais nove dias de liberdade, tá?
Todo mundo gargalhou.
[...]
Me ajeitei no banco do iate, ainda ofegante de tanto dançar, o vento da noite batia no meu rosto e o mar refletia as luzes de Nova York ao fundo. Era uma vista de tirar o fôlego, e no meio da minha bebedeira, eu só conseguia agradecer a Deus por tudo que eu tinha vivido até ali. Mas, claro, paz mesmo não durava muito quando se tinha Marina e Virgínia por perto.
Marina, com aquele jeito dela, foi logo jogando a primeira:
- Tá, vamo falar de coisa séria agora… quem aqui ainda geme baixinho na cama? Porque, sério, eu e o Luan… eu acho que já traumatizei metade do prédio com os gritos.
- PUTA QUE PARIU, MARINA! -eu, Camila e Jéssica falamos juntas, todas com cara de nojo imediato. Camila quase cuspiu a bebida.
- Mano, você tá falando do Luan, MEU PRIMO! -ela arregalava os olhos.
- E MEU IRMÃO, cacete! -completei, empurrando ela de leve.
Jéssica fez a maior cara de asco, balançando a cabeça.
- Eu sou sapatão, mas do jeito que você fala parece até propaganda enganosa… ô, desnecessário!
Marina só gargalhou e virou a taça, debochada:
- Que culpa eu tenho se ele é gostoso?
Virgínia entrou no embalo, já meio alta:
- Eu tô amando esse rolê, mas se for pra gente abrir intimidade… eu adoro dar uns tapas no Anthony na hora H. O cara fica maluco, parece que perde o rumo.
- Minha Nossa Senhora… -Olívia colocou a mão no rosto, mas logo suspirou.- Tá, vou contar também. Eu e o Ryan, a gente gosta muito de preliminar, sabe? Só que eu ainda fico insegura, parece que não me solto tanto quanto queria.
- Aí que tá, amiga… -Marina apontou a taça pra ela.- Sexo bom é quando cê para de se preocupar em parecer bonita. Tem que ser livre, sem frescura. Eu e o Luan já transamos até no carro, com vidro embaçado e tudo, caguei pra quem tava passando.
- Credo, Marina! -falei de novo, indignada.- Para de falar do meu irmão, pelo amor de Deus.
Ela riu mais ainda, e Virgínia completou, provocando:
- Então fala você, Bruna. Não me enrola, porque eu aposto que o Justin te deixa sem andar direito no outro dia.
Senti minhas bochechas queimarem, mas respirei fundo e rebati:
- Quer saber? É, ele me deixa sim. O Justin tem pegada, tem paciência, sabe exatamente o que fazer. E olha… quando ele pega firme, eu perco a noção. -dei um sorriso safado.
- AFFFFF! -Marina e Melanie gritaram juntas, jogando almofadas em mim.- Você tá falando do nosso irmão, Bruna!
- Tá vendo como é horrível? -rebati, rindo.- Mesma sensação que eu tenho quando a Marina ficou falando do Luan.
Camila bateu palma, gargalhando:
- Toma! Bem feito, Marina. Agora aguenta!
Melanie, meio tímida, entrou na conversa:
- Ai, gente… eu e o Luke ainda tamo naquela fase que tudo é novidade, sabe? Só que às vezes eu sinto medo de não ser boa o bastante pra ele.
Virgínia se inclinou, encarando ela séria:
- Amiga, não existe "boa o bastante". O que tem é ser verdadeira, se abrir com ele e aproveitar. Tesão não tem manual, cada casal acha o jeito.
Camila, já soltinha, levantou a taça:
- Falando em casal, eu tô solteira e não tô achando ruim não. Prefiro me virar do que ter macho enchendo o saco.
Marina gritou:
- ALELUIA! Camila finalmente admitindo que vibrador é vida!
Todo mundo caiu na risada. Jéssica completou, com um sorrisinho malicioso:
- Eu só digo uma coisa: vocês tudo aí perdendo tempo com macho. Mulher sabe fazer muito melhor.
Marina deu um gole e soltou, rindo alto:
- Ihhhh, olha a Jéssica tentando recrutar mais uma pra tropa dela.
Eu gargalhei tanto que até chorei.
O garçom apareceu do nada, elegante, com uma bandeja prateada brilhando sob a luz. Em cima, várias taças brancas, todas personalizadas com o nome de cada uma de nós em letras pretas.
- Senhoritas, esse é o drink especial da noite. A caipirinha da noiva. -disse ele, com aquele sorriso de quem já sabe que vai arrancar gritos.
- Meu Deus, que coisa mais linda! -Olívia foi a primeira a pegar a dela, toda empolgada.
Cada uma estendeu a mão e pegou sua respectiva taça. Eu, Marina, Camila e Jéssica ganhamos caipirinha de limão; já Virgínia, Olívia e Melanie ficaram com a de morango.
- Obrigada! -falamos todas juntas, feito um coral animado.
Olívia, claro, foi a primeira a puxar ideia:
- Gente, vamos tirar foto das taças! Tem que registrar!
Nos reunimos na ponta do iate, e registramos aquele momento:
Só depois que garantimos o registro, finalmente demos o primeiro gole. O sabor forte da cachaça misturado ao frescor do limão me fez sorrir de imediato.
- Caralho, que delícia. -falei, já dando outro gole.
De repente, começou a tocar Malandramente, e eu não resisti.
- Puta que pariu, Marinaaaa! Você trouxe o Brasil pra Nova York! -falei, rindo, largando a taça e já descendo até o chão.
Camila gritou junto:
- AGORA SIM! Isso é despedida de solteira!
Fizemos no iate uma pista improvisada. Todas dançando, rindo, cantando alto. O drink batendo na medida certa, o funk explodindo nas caixas de som, e a sensação de que aquela noite seria inesquecível.
Marina me olhou com aquele sorriso de canto, levantando a taça dela:
- Missão concluída. Eu queria misturar nossas raízes, sabe? A elegância de Nova York com a bagunça boa do Brasil. Não existe Bruna sem essas duas partes.
E eu me derreti, porque ela tinha conseguido exatamente isso.
[...]
A gente já tava virada no álcool, dançando igual umas malucas no meio do iate. O DJ soltou um funk pesadão e eu e Marina távamos no chão rebolando até perder o fôlego. Virgínia já tinha subido na mesa, gritando que era "a patroa da porra toda". Camila e Jéssica, bêbadas, tavam disputando quem sabia descer até o chão sem cair.
Melanie tentou acompanhar, mas a coitada não aguentou o tranco. Do nada ela fez uma cara estranha, segurou a boca e saiu correndo cambaleando.
- Ih, deu ruim! -gritou Marina, rindo.
- Aposto dez dólares que ela tá vomitando agora. -disse Virgínia, caindo na gargalhada.
- Dez? Eu boto vinte! -Olívia levantou a taça.
Do banheiro a gente só ouviu um barulho alto, e todas nós caímos na risada.
Depois de horas nessa vibe, acabamos todas largadas nas poltronas do iate, com os drinks na mão, cabelo bagunçado e aquele sorriso bêbado que ninguém controla. Foi quando eu soltei, jogando a cabeça pro lado:
- Tá… mas alguém sabe onde os meninos foram comemorar a despedida de solteiro do Justin?
Olívia, com os olhos semicerrados e rindo sozinha, respondeu:
- Eu ouvi o Ryan falando algo sobre… Las Vegas.
Eu quase cuspi a caipirinha que tinha acabado de colocar na boca. Engasguei tossindo e as meninas arregalaram os olhos.
- LAS VEGAS?! -eu gritei, ainda tossindo.
Na mesma hora, todas começaram a rir e a zoar:
- Mano, eles vão voltar igual no primeiro Se Beber, Não Case! -Virgínia bateu na mesa rindo.
- Já tô imaginando o Justin tatuado na cara! -Marina gargalhou.
- Ou casado com uma stripper! -Camila completou.
- Pior… imagina o Luan voltando com um dente a menos! -Jéssica chorava de rir.
Eu botei a mão na cara, rindo e meio desesperada.
- Gente, para… não brinca com isso não! Eu caso semana que vem, porra!
Marina bateu no meu ombro, rindo:
- Relaxa, cunhadinha… no máximo ele volta com uma ressaca daquelas, e olha lá.
- Ou com uma galinha na suíte do hotel. -Virgínia falou, e todas caíram na gargalhada.
- Nossa, eu já consigo ver. -Olívia riu, segurando o celular fingindo filmar.-: “galeraaa, olha a noiva aqui, cacarejando na camaaa”.
- Ai que horror, para! -eu ri nervosa, bebendo mais da caipirinha.
- Já pensou se eles acordam com um tigre no quarto, igual no filme? -Jéssica arregalou os olhos, tentando ficar séria mas rindo.
- Um tigre? -Camila gargalhou.- No caso deles é capaz de ser um pitbull mesmo, comendo a mala do Justin!
- Ou o Justin acorda sem uma sobrancelha, toda raspada. -Marina riu alto.
- Se ele ousar aparecer no casamento sem sobrancelha, eu cancelo tudo na hora! -eu respondi, tentando parecer brava, mas rindo junto.
Camila levantou o dedo, bem dramática:
- E se eles forem presos?
- PUTA MERDA! -todas gritamos juntas e começamos a imaginar.
- O Justin ligando: “Amor, então… preciso que pague minha fiança” -Olívia imitou com a voz grossa, morrendo de rir.
- Ai eu desligo na cara dele! -falei, gargalhando, jogando a cabeça no ombro da Marina.
- Não, sério. -Virgínia se ajeitou na cadeira, com o copo quase vazio.- Imagina o Luan… bêbado, sem camisa, cantando no karaokê de Vegas com aquelas dançarinas de cabaré?
Marina quase caiu do sofá de tanto rir:
- Eu mato ele se isso acontecer!
- Ah, para, Marina, aposto que ele ia cantar “Meteoro da Paixão” no karaokê, e ia sair casado com uma velha de 80 anos. -Jéssica chutou, e a gente berrou.
Eu já tava de lágrimas descendo de tanto rir, segurando a barriga.
- Pelo amor de Deus, se eles voltarem com um rim a menos, eu juro que não caso mais!
Virgínia bateu a taça na minha:
- Aposta quanto que um deles volta tatuado “O que acontece em Vegas fica em Vegas”?
- Se for o Justin, eu tatuo junto, só de raiva! -eu gritei, e todas gritamos de rir de novo.
O riso coletivo ainda ecoava, cada uma falando uma besteira pior que a outra sobre o que os meninos poderiam estar aprontando em Vegas. Eu já sentia meu rosto quente, entre o álcool e as lágrimas de tanto rir. Marina se jogou de costas no sofá, e murmurou:
- Se eles voltarem inteiros, já vai ser lucro.
As meninas aplaudiram, como se fosse a maior verdade da noite. Eu respirei fundo, olhei ao redor, cada uma delas com as taças erguidas, e meu coração se aqueceu. Não tinha presente melhor do que aquele: rir até doer a barriga, beber até esquecer os problemas, e sentir que eu tinha um exército de mulheres incríveis ao meu lado.
Ergui minha caipirinha já quase no fim e brindei, sorrindo boba:
- Ao casamento, à amizade… e que os meninos não façam nenhuma cagada em Vegas!
Todas repetiram em coro, brindando comigo. E ali, no meio do mar, sob as luzes de Nova York ao fundo, a festa seguiu com a nossa risada ecoando pela noite.