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Capítulo 112

Marina Narrando

Era dezembro, e as gravações de Nossa Culpa tinham acabado. Eu sentia um alívio estranho no peito, como se estivesse fechando um livro que amei ler, mas que também tinha me consumido. Estava ali, no meu apartamento, aquele espaço que carregava tantas lembranças minhas — meu primeiro canto conquistado com o meu próprio dinheiro, fruto de tanto trabalho. Postar ele à venda tinha me dado uma dor no coração, mas eu sabia: era um ciclo que se encerrava.

A Serena dormia tranquila na cadeirinha que treme, a boquinha entreaberta, os cílios enormes repousando contra a bochechinha fofinha dela. Com quase nove meses, ela era a minha maior alegria, a maior prova de que tudo valia a pena.

Enquanto isso, eu encaixotava minhas coisas com a ajuda do Victor. Ele estava com aquela cara dramática de sempre, exagerando em cada palavra.

- Cara… eu vou ficar sem minha parceira de filme e cerveja depois da gravação. -ele resmungou, colocando meus livros numa caixa de qualquer jeito.

Revirei os olhos, ajeitando outra pilha de coisas.

- Que cerveja, Victor? Você sabe que eu nem tô bebendo mais. Amamentando não dá.

Ele bufou, jogando a fita adesiva de lado e se apoiando na caixa.

- Tá, mas você entendeu o que eu quis dizer. Era o meu jeito de falar que vou sentir sua falta, poxa.

Eu parei, olhei pra ele, e mesmo com toda aquela pose dele de palhaço, percebi a sinceridade nos olhos. Sorri de canto.

- Eu também vou sentir sua falta, Victor. Mas agora que você tá noivo da Courtney… vai ter companhia de sobra. Vai poder ocupar a mente organizando o casamento.

Achei que ele fosse rir, ou soltar alguma piada, mas ao invés disso ele congelou. Parou de mexer na caixa, os olhos fixos no chão por alguns segundos. O silêncio dele foi tão estranho que me fez parar também.

- O que foi? -perguntei, desconfiada.

Ele respirou fundo, sem me encarar, e então soltou:

- Eu nem sei se vou casar com ela, pra ser sincero.

Arqueei a sobrancelha, surpresa.

- Como assim não sabe? Vocês estão noivos, Victor. Por que não casaria?

Foi aí que ele ergueu o olhar, e o peso naqueles olhos quase me fez perder o ar. Ele disse firme, com uma calma que só deixou suas palavras mais intensas:

- Porque eu nunca vou amar nenhuma outra mulher como eu amo você, Marina.

Meu corpo inteiro travou. A caixa que eu segurava quase escorregou das minhas mãos. Fiquei sem palavras, literalmente. Não esperava… não dele, não naquele momento. O coração bateu forte, confuso, e por alguns segundos o único som no ambiente foi o ronronar baixinho da cadeirinha da Serena.

Eu só conseguia encarar o Victor, tentando entender se ele realmente tinha dito aquilo… e se tinha noção do que significava.

Eu ri, um riso nervoso, sem saber o que fazer com aquele peso todo que ele tinha acabado de colocar sobre mim.

- Nada a ver, Victor… -balancei a cabeça, tentando desviar do olhar dele.- A Courtney é ótima, você sabe disso.

Mas ele não recuou. Pelo contrário. Deu alguns passos até ficar perto demais, tão próximo que eu conseguia sentir a respiração dele, o jeito intenso como me encarava.

- Marina… -ele disse baixo, quase como um pedido.- Deixa o Luan. Não vai embora pra Nova York de novo. Não casa com ele. Não vende esse apartamento. Fica aqui… comigo. A gente pode viver juntos. Eu assumo a Serena como se fosse minha filha.

Meu coração disparou. Eu fiquei completamente sem ar, como se as palavras dele tivessem me prendido contra uma parede invisível. A Serena ressonava tranquila atrás de nós, alheia à bomba que ele tinha acabado de soltar no meio da sala.

A parte mais assustadora não era nem o que ele estava propondo, mas o fato de que ele falava com convicção, como se tivesse realmente planejado aquilo, como se acreditasse que bastava eu dizer “sim” e o mundo ia se encaixar.

Eu neguei com a cabeça, o peito apertado. Dei um passo para trás, me afastando dele, e minha voz saiu firme, mesmo que por dentro eu estivesse tremendo.

- Victor… você não aprendeu nada sobre mim desde que nos conhecemos? -perguntei, encarando ele nos olhos.- Eu sempre volto pro Luan. Sempre. Ele é o amor da minha vida, é o pai da minha filha, é quem eu amo, é quem eu escolhi desde o início… e é quem eu sempre vou escolher.

As palavras ficaram pesadas no ar, e eu vi a expressão dele mudar, como se tivesse levado um soco invisível. O maxilar dele travou, o olhar abaixou por um segundo, mas logo voltou a me encarar, com uma dor misturada a frustração.

Victor respirou fundo, passando a mão pelos cabelos, como se buscasse as palavras certas.

- Me desculpa… -a voz dele saiu baixa, carregada de arrependimento.- Eu me precipitei. Eu só… eu acho que nunca vou me perdoar por não ter sido suficiente pra você.

Eu senti um aperto no peito. Ele não merecia carregar essa culpa sozinho, e muito menos pensar que não era suficiente.

-:Victor… não fala assim. -respondi, suavizando meu tom.- Você é suficiente. Sempre foi. Mas às vezes… não é sobre ser suficiente, é sobre ser a pessoa certa.

Ele riu sem humor, balançando a cabeça.

- Você mudou tanto, Marina. -os olhos dele estavam marejados, mas ele mantinha a postura.- Você não é mais aquela garota de 18 anos que eu conheci no campus da Columbia. Agora você é mãe, mulher, forte… amadureceu demais. Mas não perdeu sua intensidade. Essa forma única de sentir tudo no máximo, de lutar pelo que ama… é o que sempre me prendeu a você.

Eu engoli seco, o coração apertando com a sinceridade dele.

- Eu sempre vou ter curiosidade, sabe? -continuou ele, a voz quase falhando.- De saber o que teria acontecido com a gente se eu não tivesse sido um idiota. Se eu não passasse nosso namoro inteiro cheirando, vendido droga no campus… se você não tivesse descoberto da pior forma possível… Se eu não tivesse estragado tudo.

Por um instante, eu voltei naquela noite em que descobri. A decepção, a raiva, a dor. E o fim. Respirei fundo, tentando trazer leveza.

- Mas, Victor… a gente tentou de novo. -o encarei, lembrando daquele período confuso em que Luan e eu tínhamos terminado.- Você sabe disso. Nós dois tentamos, depois que Luan e eu nos separamos. Mas não funcionou mais.

Ele abaixou a cabeça, concordando em silêncio.

- A verdade é que a gente combina bem mais sendo amigos. -continuei, tocando de leve no braço dele.- E isso não diminui o que você significa pra mim. Só muda a forma como você faz parte da minha vida.

Victor suspirou, como se estivesse tirando um peso de dentro dele.

- Talvez agora… -começou, encarando o chão e depois levantando os olhos pra mim.- Talvez agora que você não vai mais estar tão perto… que não vamos mais contracenar juntos… as coisas fiquem mais fáceis.

Minha respiração prendeu.

- Porque, Marina, você pode dizer que era só trabalho, só profissionalismo… mas pra mim não era. -ele deu uma risada curta, amarga.- Você não tem ideia do quanto era difícil beijar sua boca e saber que, pra você, aquilo não passava de cena. Tudo que eu queria era que fosse real.

Antes que eu pudesse reagir, uma voz firme cortou o ar:

- Acho que já deu, Victor. É melhor você ir embora.

Meu coração disparou. Olhei assustada pra porta e lá estava Luan, encostado no batente, braços cruzados, o maxilar travado. O olhar dele queimava entre raiva e alívio.

Victor me olhou mais uma vez e forçou um sorriso pequeno, melancólico.

- Desculpa… -disse baixo.- Tchau, sardenta.

A palavra me atingiu como um soco no peito, pela última vez carregada de um carinho que não cabia mais entre nós. Ele então virou as costas, passando por Luan sem sequer encará-lo, e saiu.

Ficamos só eu e Luan. O silêncio pareceu pesar na sala. O peito dele subia e descia rápido, os braços ainda cruzados, mas os olhos revelando algo mais profundo.

- Por um momento… -a voz dele saiu grave, embargada.- Por um momento, Marina, eu achei que você fosse abandonar tudo. Que fosse escolher ele.

Não pensei duas vezes. Fui até ele e o abracei com força, como se quisesse apagar qualquer dúvida.

- Não, Luan. -sussurrei contra o peito dele.- É você. Sempre foi. Sempre será. Não existe outro igual, muito menos melhor.

Ele soltou o ar pesado que segurava, finalmente me envolvendo nos braços, como se só ali tivesse certeza.

Senti os braços dele me envolverem com tanta força que parecia medo de me perder de novo. A respiração dele ainda estava pesada, quente contra meu cabelo.

- Você não faz ideia… -ele murmurou, a voz baixa e tensa.- Do que passou pela minha cabeça quando vi vocês dois aqui.

Me afastei só o suficiente pra olhar nos olhos dele.

- Eu sei. -respondi, firme, segurando o rosto dele com as duas mãos.- Mas escuta: eu não vou a lugar nenhum. Não importa o que ele diga, não importa o que ele queira. O meu lugar é Nova York, com você, com a nossa filha.

Ele fechou os olhos por um instante, como se absorvesse minhas palavras. Quando abriu, havia uma mistura de vulnerabilidade e alívio.

- Eu fiquei com tanto medo, Marina… -a confissão saiu num fio de voz.- Porque eu sei que ele te provoca, sei que ele mexe com memórias antigas. E eu… eu não suportaria perder você de novo.

- Você não vai. -garanti, firme.- Eu escolhi você quando eu tinha dezoito anos, e escolho você agora, com tudo que vivemos. Eu volto sempre pro mesmo lugar: você.

Ele soltou uma risada nervosa, a testa encostando na minha.

- Você sabe que eu sou um idiota ciumento, né? -perguntou, com aquele meio sorriso frágil que eu tanto amava.

- Eu sei. -ri baixinho, acariciando a barba dele.- Mas é por isso que eu te amo também.

Ele suspirou fundo, como se finalmente estivesse se permitindo acreditar em mim. A raiva já tinha ido embora, sobrando só o alívio e a intensidade que sempre teve nos olhos quando me olhava.

- Então me promete uma coisa… -disse ele, quase num pedido.- Me promete que nunca mais vai me deixar duvidar.

- Prometo. -respondi sem hesitar.- Eu sou sua, Luan. Só sua.

Ele me puxou pra um beijo urgente, como se precisasse sentir na pele que minhas palavras eram reais.

Alguns meses depois...

Março de 2028

Minha vida tava um verdadeiro caos — mas um caos bom, daqueles que deixam a gente exausta e feliz ao mesmo tempo.

Primeiro: a Serena. Nossa pequena faria 1 ano em uma semana. E, como boa mãe surtada que sou, eu tava pirando com cada detalhe da festa. Luan ria dizendo que a gente não precisava de tantos balões personalizados, mas eu queria que fosse perfeito. Nossa filha merecia.

Segundo: o casamento. Em cinco meses eu diria sim pro amor da minha vida. O vestido sendo feito pela Dolce & Gabbana era um sonho absurdo, mas também um tormento — porque até ficar pronto, eu não descansava. Katherine, minha cerimonialista, era maravilhosa, mas ela me deixava louca com planilhas, mensagens de última hora e mil checklists.

Terceiro: Bruna. Minha cunhada, amiga, quase irmã. Eu era madrinha do casamento dela, que aconteceria em dois meses, e ela tava surtando tanto quanto eu. E adivinha quem tinha que segurar a onda dela? Eu mesma. Só que, pra falar a verdade, eu adorava. Principalmente porque, desde que a Serena tinha largado meu peito sozinha um mês atrás, eu tinha voltado a ser a Marina apocalíptica de antes: aquela que amava se arrumar, rir alto e, claro, brindar com qualquer álcool sem culpa nenhuma.

Hoje, mais uma vez, eu tava com a Bruna numa prova do vestido dela, assinado pela Ralph & Russo. Ela tava um espetáculo. Literalmente parecia saída de uma revista de noiva de luxo.

- Você tá rindo por quê? -Bruna perguntou, olhando o reflexo no espelho enquanto girava devagar.

Levantei minha taça de champanhe, sorrindo maliciosa.

- Porque o Justin vai chorar feito um bebê quando te ver entrando com esse vestido. -dei um gole.- E é capaz de desmaiar no altar.

Bruna riu, meio nervosa.

- Ai, Marina, para! Já tô a mil por hora com esse casamento. E você ainda tem a cara de pau de falar em desmaio.

- Amiga, olha no espelho! -gesticulei, empolgada.- Você é uma princesa. Eu não vou nem comentar do caimento porque senão vou te deixar ainda mais surtada.

Ela suspirou fundo, mordendo o lábio.

- Tá bom, tá bom… talvez esteja mesmo perfeito.

Sorri, me encostando no sofá da sala de prova.

- Está. E sabe o que mais? Você merece.

Ela veio até mim, me abraçou de lado e, por alguns segundos, nós duas ficamos em silêncio. Era surreal perceber como nossas vidas tinham mudado desde os tempos de faculdade.

- Quem diria, hein? -Bruna murmurou.- Nós duas casando quase juntas, com filhos…

- E bebendo champanhe caro enquanto escolhemos vestidos absurdos. -completei, rindo.- Quem nos viu e quem nos vê.

Bruna gargalhou, e eu acompanhei. Ela voltou a se olhar no espelho, admirando o vestido.

- Tá, mas agora me conta uma coisa. -falei, balançando a taça de champanhe na mão e olhando ela de cima a baixo no vestido.- Já decidiram aonde vai ser a lua de mel?

Bruna respirou fundo, olhando pro reflexo no espelho, como se quisesse ganhar tempo.

- Mais ou menos. -respondeu, meio evasiva.

- Mais ou menos? -arqueei a sobrancelha, já rindo.- Amiga, isso não existe. Ou vocês vão pra algum lugar, ou não vão. Não vem me enrolar.

Ela deu uma risadinha nervosa.

- A gente tá entre Maldivas e a Grécia… Justin não consegue decidir, e eu também não ajudo, né? -deu de ombros.

Me ajeitei no sofá, fingindo choque.

- Maldivas ou Grécia? Tá me provocando, né? -falei dramática, levando a mão ao peito.- Enquanto eu tô surtando com festa infantil e planilha de casamento, você tá no dilema de qual paraíso vai curtir com o seu marido perfeito.

Bruna riu, abanando a mão.

- Ai, Marina, para! Não é tão glamouroso assim, a gente só quer um lugar pra descansar de verdade.

Inclinei o corpo pra frente e estreitei os olhos.

- Descansar? Tá, Bruna, eu vou acreditar que vocês vão “descansar” na lua de mel. -fiz aspas no ar.- Mas ó, se cuida, hein?

Ela franziu a testa, rindo sem entender.

- Me cuidar? Do quê?

Dei um gole generoso no champanhe e apontei o dedo pra ela, rindo.

- De voltar com um presentinho na mala, querida. Já pensou? Mais um bebê?

Bruna arregalou os olhos.

- MARINA! -falou, em choque, mas logo caiu na gargalhada.- Pelo amor de Deus, nem brinca! Eu já tenho o Jack, a Chloe que é praticamente minha também, imagina mais um?

- Pois é. -falei, maliciosa.- Jack e Chloe naquela fase entre 2 e 3 anos, com manhas e birras… e você ainda grávida? Não, amiga, aí você surta de vez.

Ela riu tanto que até segurou o vestido na cintura com medo de se atrapalhar.

- Eu vou me cuidar, tá? Pode deixar. Não tem bebê surpresa vindo da lua de mel não!

Levantei minha taça em direção a ela.

- Brindemos a isso: lua de mel maravilhosa e zero filhos extras!

Bruna ergueu a mão como se também tivesse uma taça, e nós duas gargalhamos juntas, cúmplices como sempre.

O estilista da Ralph & Russo, um homem magro, elegante, com um lenço de seda azul pendurado no pescoço, apareceu do nada, como se tivesse brotado do chão. Ele juntou as mãos, encarando Bruna com aquele ar de pura expectativa.

- Então, Bruna, me diga. -disse, todo animado, quase cantando as palavras.- O que achou? Precisa de algum ajuste? Algum detalhe que queira acrescentar?

Bruna passou a mão com delicadeza no tecido, olhando cada costura como se fosse a coisa mais importante do mundo. Depois levantou o queixo, confiante:

- Eu quero um véu grande. Bem longo. E nele, quero bordado escrito “Até que a morte nos separe”.

Eu quase engasguei com o gole de champanhe que ia tomar. Inclinei-me pra frente e murmurei:

- Uau…

O estilista, que até então parecia prestes a bater palmas, girou o pescoço devagar na minha direção, olhos arregalados e uma mão pousada dramática no peito.

- Uau é pouco, querida! -disse ele, carregando no tom afeminado, como se estivesse numa novela mexicana.- Essa mulher vai me enlouquecer!

Eu não aguentei e explodi em risada, enquanto Bruna levava a mão à testa, tentando segurar a seriedade.

- Eu só quero algo único. -ela justificou, com um sorrisinho tímido.

- Único? -o estilista quase gritou, já andando de um lado pro outro.- Isso é lendário! Já posso ver o véu entrando na igreja, todos suspirando, e eu… desmaiando de emoção na primeira fila.

- Para! -Bruna disse, rindo, mas claramente amando toda a cena.

Bruna sumiu no provador de novo, ajudada pelo estilista que parecia mais animado que a própria noiva, acertando os últimos detalhes do vestido. Eu fiquei na sala, confortável demais no sofá macio, girando a taça de champanhe na mão. 

Assim que ela voltou, sem o vestido, de jeans e camiseta, pronta pra ir embora, me lançou um olhar desconfiado.

- Quantas taças você bebeu, Marina? -perguntou, arqueando a sobrancelha.

Eu ergui a mão com todos os dedos abertos, exibindo o número com orgulho.

- Cinco. E olha… isso é pouco comparado ao tanto que eu vou beber na sua despedida de solteira. -sorri de lado, já imaginando a cena.

Bruna levou a mão à boca, rindo, e balançou a cabeça.

- Ai, meu Deus, eu já tô ansiosa pra ficar bêbada com vocês, enchendo a cara de drinks exóticos… -ela deu uma pausa, o sorrisinho travesso aparecendo.- …e canudos em formato de pênis, claro.

Eu quase cuspi o champanhe que ainda tinha na boca.

- Bruna! -gargalhei, segurando o estômago.- Você não presta.

Ela me abraçou de lado, também rindo.

- Ué, é tradição! E você não vai escapar, vai beber até cair comigo.

- Ah, pode deixar. -respondi, erguendo a taça, agora vazia, como se fosse um brinde.- Até porque, quem disse que madrinha não tem que dar vexame junto com a noiva?

Bruna gargalhou, puxando minha mão pra irmos embora, enquanto o estilista ainda gritava lá do provador que queria ser convidado pra despedida também.

Uma semana depois…

Estávamos no carro, Luan dirigindo tranquilo, uma mão no volante e a outra batucando de leve na música que tocava baixinho no rádio. Eu estava no banco de trás, ao lado da cadeirinha da Serena. Minha pequena completava um ano hoje. Um ano. Eu olhava pra ela e parecia mentira.

Serena estava linda com o vestidinho florido que eu tinha escolhido com todo cuidado, rindo sozinha enquanto mordia a ponta do brinquedo favorito. Eu estava emocionada, nostálgica… parecia que ontem mesmo eu ainda estava com ela no meu colo, recém-nascida, perdida e apaixonada por aquele serzinho minúsculo.

Enquanto Luan dirigia, eu mexia no celular. Estava separando algumas fotos e vídeos desde o nascimento até os dias mais recentes, fazendo uma seleção pra postar no Instagram. Nada de mostrar o rostinho dela, claro — desde o início tínhamos decidido preservar isso. Eu cortava os ângulos, borrava o rostinho quando aparecia, e mesmo assim cada clique transmitia tanto amor que até eu me emocionava vendo.

Suspirei fundo e murmurei, mais pra mim mesma do que pra ele:

- Um ano já, amor… passou tão rápido.

Luan olhou pelo retrovisor e sorriu daquele jeito doce, que sempre me desmontava.

- Passou voando. Parece que foi ontem que a gente saiu da maternidade com ela.

Eu engoli em seco, sentindo os olhos marejarem, mas logo tratei de limpar discretamente pra não borrar a maquiagem antes da festa. Inclinei-me um pouco, ajeitando a chupeta que Serena tinha deixado cair no colo.

- Ai, filha… mamãe nem acredita que você já tá tão mocinha. -beijei sua mãozinha gordinha e ela riu, me fazendo rir junto.

No celular, finalizei a seleção de fotos e o texto da legenda, pra então publicar:

marinabieber Um ano do maior presente que Deus poderia ter colocado na nossa vida. Parece que foi ontem que a trouxemos no colo pra casa, tão pequena, tão frágil… e hoje já está completando seu primeiro aninho, enchendo nossos dias de amor, risadas e descobertas. Obrigada, filha, por nos ensinar diariamente o verdadeiro significado de família e felicidade. Te amamos para sempre. 🌸💖🎂



Enquanto rolava o feed, meu coração disparou quando vi o post do Luan:

luansantana Hoje faz 1 ano que essa pequena roubou meu coração de vez. Cada sorriso, cada descoberta, cada abraço… tudo vale a pena por ela. Te amo, Serena, e te prometo que estaremos sempre aqui pra te proteger e te amar, meu raio de sol. 💖

Eu não consegui segurar o sorriso. Fiquei ali por alguns minutos, encarando as fotos, sentindo uma mistura de amor, orgulho e uma pontinha de emoção por ter construído essa família com ele. Meus dedos tremeram levemente quando deixei um comentário: “Te amamos! Obrigada por ser o melhor pai que Serena poderia ter. 💖”

Era incrível como uma simples postagem podia fazer meu coração se encher tanto. Luan sempre teve essa sensibilidade, e ver esse lado dele nas redes, compartilhando um pedacinho da nossa vida, me fazia sentir ainda mais próxima dele, mesmo estando lado a lado todos os dias.

Bloqueei o celular e olhei para ele, concentrado no trânsito caótico de Nova York. Senti um calor bom no peito, pensando na nossa família e em como tudo parecia se encaixar, apesar da correria da cidade.

- Estou feliz por nós. -falei baixinho, mas com sinceridade.

Luan desviou os olhos do trânsito só por um instante, pelo retrovisor, e me lançou um sorriso que derreteu meu coração. Então, pediu minha mão, e eu levei até ele, entrelaçando nossos dedos. Ele deu um beijo suave na minha mão e sussurrou:

- Amo você. 

E, como sempre, não resistiu a uma brincadeira.

- Agora que a Serena já tem um ano… acho que podemos começar a pensar no próximo.

Eu não consegui segurar a risada, soltei a mão dele e revirei os olhos, com um sorriso nos lábios:

- Ha ha, muito engraçado.

Olhei pela janela por alguns segundos, vendo os prédios passando embaçados pela chuva leve que começava a cair, e pensando no que ele tinha acabado de falar.

- Mas olha, -falei, virando o rosto pra ele.- se você prometer que não vai me engravidar de dois ou mais de uma vez, a gente pode começar a tentar… daqui dois anos.

Ele piscou pra mim pelo retrovisor, com aquele sorriso travesso que só ele sabe fazer.

- Dois anos. -repetiu, como se estivesse selando um pacto.- Posso esperar.

Senti um arrepio bom percorrer minha espinha. Era engraçado, mas também confortante saber que tínhamos tempo, que cada coisa aconteceria no momento certo.

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