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Capítulo 122

Luan Narrando

São Paulo, 14 de Junho de 2028

Estávamos no Uber a caminho de Alphaville, em uma rodada de visitas a casas. Marina tinha essa ansiedade gostosa de querer resolver tudo pra ontem, e eu sabia que isso se aplicava a absolutamente qualquer coisa que envolvia o futuro dela. E, naquele momento, o celular dela parecia mais dono do dia do que eu — não parava de vibrar com as ligações da Katherine, a organizadora do nosso casamento.

Entre uma ligação e outra, a gente fazia transferências bancárias, aprovava orçamento, pagava fornecedor… era quase uma maratona. Quando o carro finalmente parou, paguei o motorista pelo aplicativo e desci. Marina, por sua vez, suspirou antes de atender outra chamada, ajeitando a postura como quem já sabia que teria dor de cabeça.

Mas percebi rápido que o rumo daquela conversa não era sobre casamento.

- Não dá, Melanie… eu não tô em Nova York agora, tô no Brasil. -ela respirou fundo, os olhos girando levemente como quem já não tinha mais paciência.- Não dá pra fazer isso agora, tá?

Do outro lado, eu só ouvia um tom agudo e acelerado, a Melanie sempre foi intensa demais. Marina apertou o celular contra a orelha, ouvindo mais um pouco, até retrucar:

- Melanie, nosso pai já é craque nisso. Ele teve três filhos antes desse, não é pai de primeira viagem. Não sei o porquê do seu surto. Eu também não estivesse no parto do Justin porque ainda não havia nascido e não estive no seu porque eu era um bebê.

Eu parei de andar por um instante, prestando atenção nela. Marina esperou a irmã descarregar mais uns argumentos, e só então falou de novo:

- Faz assim: me manda fotos quando ele nascer, tá bom? Um beijo.

E desligou, guardando o celular na bolsa com força, como se quisesse enterrar junto todo o estresse da ligação.

- O que aconteceu? — perguntei, curioso.

- Nada demais. A Melanie surtando porque a Ashley entrou em trabalho de parto. -ela fez um gesto com a mão, como quem espanta mosquito.- Mas eu não sou parteira, né?

A risada saiu de mim sem esforço, alta e sincera. Eu adorava esse jeito dela de transformar até o caos em piada.

Antes que eu pudesse provocar mais, o corretor, o Guilherme, apareceu dirigindo um carro preto discreto, nos cumprimentou com aquele sorriso treinado e nos chamou para entrar. Marina logo ajeitou a bolsa no colo, tentando deixar pra trás qualquer resquício de irritação, e seguimos.

O condomínio era enorme e, enquanto rodávamos pelas ruas arborizadas, o corretor falava sem parar:

- Aqui dentro vocês encontram de tudo: posto de gasolina, farmácia, mercado… não precisam nem sair pra nada. E a maioria dos artistas e influenciadores brasileiros moram aqui. Segurança de primeira linha, muito espaço pros filhos brincarem… qualidade de vida incomparável.

Marina trocou um olhar rápido comigo, aquele meio sorriso que dizia: "ok, já tô começando a gostar".

Depois de alguns minutos, ele reduziu a velocidade e estacionou em frente a uma casa que parecia saída de catálogo. A fachada já era um espetáculo por si só: linhas modernas, paredes de vidro bem posicionadas, jardim impecável, e uma porta de madeira imponente que convidava a entrar.

Eu soltei baixo, quase sem perceber:

- Uau…

Marina, ao meu lado, arregalou os olhos como se já tivesse se imaginado morando ali.

- Se por fora já é assim, imagina por dentro. -ela murmurou, apertando levinho minha mão.

A porta de madeira se abriu e fomos recebidos por um hall imenso, pé-direito duplo, lustre moderno pendurado bem no centro. O chão de mármore refletia a luz natural que entrava pelas janelas gigantes.

- Aqui temos a sala principal. -o corretor anunciou, com aquele tom teatral.

E não era exagero: sofá em L, lareira embutida, espaço que dava pra imaginar Serena correndo de um lado pro outro. Marina girava no próprio eixo, como criança entrando em parque de diversões.

- Olha isso, Luan… dá pra fazer até festa aqui dentro. -ela sorriu, os olhos brilhando.

Seguimos para a cozinha, toda planejada, ilha no centro, eletrodomésticos embutidos. Marina passou a mão pelo balcão como se já se visse cozinhando ali. Eu só consegui pensar em como ela se empolgava fácil, e isso me divertia.

Subimos as escadas e vimos as suítes. Cada quarto maior que o nosso apartamento em Nova York. Um deles tinha varanda com vista pra mata, e Marina respirou fundo, quase suspirando.

- Esse podia ser o nosso quarto… olha essa vista, Luan! -disse, apoiando as mãos no corrimão.

O corretor ainda mostrou área externa: piscina de borda infinita, espaço gourmet, churrasqueira, até uma sauna. Era o tipo de casa que não precisava de muito esforço pra conquistar.

- Então, o que acham? -ele perguntou, com aquele sorriso de vendedor que já se sente vitorioso.

Marina me olhou, olhos arregalados, como quem dizia “a gente precisa dessa casa”.
Eu podia ver no brilho dos olhos dela que, se dependesse só dela, a gente já assinava o contrato ali mesmo.

- E aí? -ela me cutucou, impaciente.- Você viu a cozinha? Viu a varanda? Luan, essa casa é perfeita!

Dei um sorriso de canto, tentando não rir da pressa dela.

- Calma, Mari. É a primeira casa que a gente visita. Não dá pra decidir logo de cara.

Ela bufou, cruzando os braços. 

- Você é impossível. Às vezes parece que não gosta de nada.

- Não é isso. -respondi, me aproximando dela.- Eu só acho que a gente precisa ver outras opções. Comparar. Não quero que você se apaixone agora e depois descubra uma ainda melhor.

O corretor pigarreou, meio sem graça, e fingiu estar olhando as anotações no tablet. Marina, por outro lado, me lançou aquele olhar mortal, mas acabou rindo.

- Tá, vai… mas você sabe que essa casa vai ser difícil de superar.

- E eu sei que você já tá imaginando a Serena aprendendo a nadar nessa piscina. -provoquei.

Ela corou levemente, porque acertei em cheio.

Enquanto o corretor continuava a mostrar os detalhes técnicos, Marina segurou minha mão e sussurrou:

- Eu só quero que a nossa família tenha um lugar lindo pra chamar de lar.

Meu peito aqueceu. Mesmo tentando ser racional, era impossível não me contagiar com o sonho dela.

O corretor, percebendo que a gente ainda tinha fôlego, ofereceu:

- Se quiserem, tenho mais duas opções dentro do condomínio. Uma delas é um pouco mais moderna, com conceito aberto.

Marina deu de ombros, mas eu topei. Não custava nada ver.

Entramos no carro e seguimos por mais alguns minutos até parar em frente a uma casa toda de vidro, linhas retas, arquitetura quase futurista.

Por dentro, era clara, clean demais, parecia cenário de revista. Mas faltava alma. Marina até tentou se empolgar, elogiou a iluminação, passou os dedos pelo corrimão metálico, mas eu conhecia sua cara.

- Não gostei. -ela confessou baixinho, assim que o corretor se afastou pra atender o telefone.- Essa casa não tem cheiro de família. Parece clínica.

Ri e puxei ela pela cintura. 

- Viu como é bom comparar?

- Odeio quando você tá certo. -ela resmungou, mas sorriu.

Depois de mais uma visita rápida, encerramos o tour, informamos o corretor que iríamos pensar e até a noite, daríamos uma resposta. No uber de volta, Marina apoiou a cabeça no meu ombro, suspirando fundo.

- Sabe, Luan… eu pensei que depois de Nova York, dos filmes, de toda essa correria, eu ia querer ficar por lá pra sempre. Mas hoje, visitando essas casas, eu só consigo pensar que talvez o Brasil seja o lugar certo pra gente criar raízes.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, absorvendo as palavras dela. O jeito como falou raízes fez meu peito bater diferente.

- Você tá mesmo pronta pra isso? -perguntei, olhando pela janela a cidade passando.- Nova York foi seu sonho desde sempre.

Ela ergueu o rosto, me encarando com aquele brilho determinado. 

- O sonho mudou. Agora é a gente. É a Serena. É o que a gente construir junto.

Meu coração apertou, e pela primeira vez, eu comecei a imaginar aquele futuro não como uma possibilidade distante, mas como algo real.

Decidimos ir até um shopping em São Paulo almoçar. Achei que ia ser tranquilo, afinal era meio de semana… mas bastou a gente colocar os pés na entrada que o caos começou.

As fãs reconheceram a gente na hora. Gritos, celulares erguidos, flashes piscando. Eu já estava acostumado, as fãs brasileiras sempre foram assim: calorosas, intensas, cheias de energia.

Marina, por outro lado, arregalou os olhos, surpresa. Agarrou minha mão como se fosse um bote salva-vidas, olhando ao redor como quem tentava entender o que estava acontecendo.

- Meu Deus, Luan… eles estão gritando meu nome também! -ela sussurrou no meu ouvido, meio chocada.

- Claro que estão. Você é a Marina Bieber, amor. Atriz, protagonista de filme, capa de revista… -sorri, tentando acalmá-la.- Aqui no Brasil a galera não brinca em serviço.

Ela respirou fundo, ainda meio assustada. Em Nova York até paravam a gente na rua, mas era sempre discreto, controlado. Nada se comparava a esse furacão brasileiro.

Seguranças do shopping vieram ajudar, abrindo caminho pra gente passar. Marina acenava de forma tímida, quase sem saber o que fazer, enquanto eu, já acostumado, tentava sorrir e responder aos chamados das fãs.

- Eles me conhecem… não por estar com você, mas por causa da minha carreira. -ela murmurou, quase em choque, quando finalmente conseguimos sentar numa mesa reservada.

Peguei sua mão sobre a mesa e ri baixo. 

- Bem-vinda ao Brasil, princesa. Aqui todo mundo já te ama, mesmo sem você se dar conta.

Ela ficou me olhando, ainda tentando processar, mas um sorriso de orgulho foi nascendo devagar em seus lábios.

Sentamos em um restaurante do shopping, daqueles em que o cardápio parecia mais uma obra de arte do que um simples menu. Marina estava radiante, os olhos brilhando.

- Faz tanto tempo que eu não como comida brasileira… -ela suspirou, passando a mão no cabelo.- Estou ansiosa demais.

Eu ri, balançando a cabeça.

- Aproveita enquanto tá com saudade, porque daqui a pouco vai enjoar de arroz e feijão todo dia.

Ela arqueou a sobrancelha, fingindo ofendida.

- Ah, para, eu amo! Você não tem noção.

Estávamos nesse clima descontraído quando duas meninas, claramente nervosas, se aproximaram da nossa mesa. Uma delas segurava o celular trêmulo, a outra mordia o lábio como se não acreditasse no que estava vendo.

- Desculpa atrapalhar… -a primeira começou, quase em sussurro.- Mas vocês se importariam de tirar uma foto com a gente? É que… eu não tô acreditando que tô vendo meus artistas favoritos bem na minha frente.

Eu automaticamente olhei para Marina, deixando a decisão nas mãos dela. Ela respirou fundo, sorriu com doçura e respondeu em português:

- Claro.

Eu não contive um sorriso diante da naturalidade dela. Levantamos da mesa juntos e nos posicionamos ao lado das meninas. Elas tremiam tanto que mal conseguiam segurar o celular direito. Depois da primeira foto, a amiga completou:

- Meu Deus, vocês são muito lindos! Sério… se a Serena puxou vocês dois, ela deve ser perfeita. Os pais são perfeitos.

Marina corou levemente, e eu passei o braço em volta dela, orgulhoso.

- Obrigada mesmo, de coração. -disse a segunda, já se afastando.- E desculpa mais uma vez por incomodar.

- Que isso, vocês não incomodaram. -respondi, ainda sorrindo.- Foi um prazer.

Elas acenaram empolgadas antes de desaparecer entre as mesas, enquanto Marina voltava a se sentar, rindo baixinho.

- Eu não sei se fico lisonjeada ou assustada… -ela confessou, pegando o copo de água.- Nunca pensei que alguém fosse falar isso de mim.

Eu a observei com calma, apoiando o braço na mesa.

- Aqui as pessoas são intensas, vivem tudo no máximo. E agora que elas sabem quem você é, se acostuma… porque vai acontecer muito.

Ela girou o canudo entre os dedos, pensativa.

- Em Nova York é tão diferente. As pessoas vem, peden foto, mas é algo rápido, educado… aqui é como se fosse uma explosão de energia.

- É exatamente isso. -eu confirmei, rindo.- Energia. As fãs daqui não só acompanham, elas vivem junto com a gente.

Marina olhou na direção de onde as meninas tinham ido embora, ainda sorrindo de leve.

- Eu achei muito fofo elas falarem da Serena…

- Também achei. -cruzei os braços, sem disfarçar o orgulho.- Mas elas não estão erradas, não. Nossa filha é perfeita.

Ela rolou os olhos, mas deu uma risada curta, tocando minha mão em cima da mesa.

- Você é tão convencido…

- Não, só realista. -pisquei para ela, arrancando mais uma risada.

O garçom chegou com os pratos, interrompendo a troca de olhares. Marina ficou encantada ao ver o prato típico, o cheiro do tempero brasileiro subindo no ar. Ela quase fechou os olhos de prazer antes mesmo de provar.

- Agora sim, comida de verdade.

- Aproveita. -falei, cortando um pedaço do meu prato.- Depois você vai entender o que eu quis dizer com “enjoar de arroz e feijão”.

Ela deu a primeira garfada e, antes de engolir, já balançava a cabeça em negativa, convicta.

- Nunca. 

Marina limpou os cantos da boca com o guardanapo, saboreando cada garfada.

- Luan, eu ainda tô com aquela casa na cabeça… a da fachada clara, com o jardim enorme. -ela apoiou o garfo no prato e me encarou, como se estivesse quase decidida.

Mastiguei devagar, segurando o riso.

- Eu sabia que você ia grudar naquela casa. -bebi um gole de suco e continuei:- Mas eu também gostei. Só que… você reparou na parte dos fundos? A piscina é incrível, só que o espaço pras crianças correrem não é tão grande quanto naquela outra, de esquina.

Ela arqueou a sobrancelha.

- Já tá pensando em mais de uma criança? -perguntou, com aquele tom provocador.

- Claro que tô. -dei de ombros, encarando-a de volta.- A gente não vai parar na Serena, né?

Marina riu, mas desviou rápido, mexendo a comida no prato.

- Ai, Luan… às vezes você fala isso com tanta naturalidade que eu não sei se fujo ou se abraço ainda mais forte.

Estendi a mão por cima da mesa, pegando a dela.

- Melhor abraçar, porque fugir não dá mais.

Ela respirou fundo, olhando pra mim com aquele jeito ansioso de quem queria resolver tudo logo.

- Então… se fosse só por mim, eu escolheria a primeira. Linda, prática, e dá pra imaginar a gente lá. Mas se você acha que uma outra é mais funcional pra Serena e… futuros filhos… -ela riu, meio sem graça.- eu também topo pensar.

Balancei a cabeça devagar.

- É um investimento grande. Mas vou te confessar: a primeira também ficou na minha mente.

Ela voltou a comer, mordendo o lábio de leve.

- Eu só quero um lar nosso, sabe? Não importa se é gigante, se é moderno, se é clássico… eu quero um lugar que a gente possa chamar de casa, sem ninguém dando palpite.

Olhei pra ela com ternura.

- E vai ser. Esse é só o começo.

Marina sorriu, apertando minha mão, antes de voltar a falar sobre o quanto seria prático morar num condomínio com tanta estrutura, sem precisar sair toda hora pra resolver coisa pequena.

Ela logo apoiou o queixo na palma da mão, olhando em volta do restaurante elegante, mas sem realmente prestar atenção.

- Imagina só, Luan… a gente acordando naquela casa, tomando café da manhã juntos, Serena correndo pelo quintal…

Sorri, quase conseguindo visualizar a cena.

- E você, de pijama, reclamando porque o pão de queijo acabou e eu vou ter que ir na padaria do condomínio buscar.

Ela gargalhou.

- Ah, mas se o condomínio tem padaria, você não tem desculpa.

- É… mas aí vai virar ponto turístico. “Olha lá, o Luan Santana comprando pão de queijo”. -falei, teatral, e ela balançou a cabeça, rindo ainda mais.

- Você se acostumou, mas eu… -suspirou, ajeitando a mecha atrás da orelha.- Eu ainda estranho. Eu quero uma vida tranquila, entende? Sem flashes o tempo todo, sem barulho demais.

Apertei a mão dela por cima da mesa.

- Marina, você vai ver… a gente vai encontrar um equilíbrio. E Alphaville dá essa privacidade. O pessoal respeita mais.

Ela respirou fundo, pensativa.

- Tá. Mas eu já aviso: quero uma sala grande. Não só pra gente, mas pra receber amigos, família… eu gosto de casa cheia.

- Eu também. -concordei.- E quero um estúdio. Não só pra mim, mas pra você também. Pra suas ideias, roteiros, o que quiser criar.

Os olhos dela brilharam.

- Você pensou nisso?

- Claro. -dei de ombros.- Eu te conheço, Ma. Sei que você precisa de espaço pra sua arte.

Ela sorriu, emocionada, e mexeu de leve na comida que já estava quase terminada.

- Eu tenho sorte de ter você.

- Eu que tenho. -retruquei, simples, mas com convicção.

Terminamos o prato aos poucos, entre risadas e planos. Ela falava de como queria uma cozinha aberta, “bem Pinterest”, enquanto eu provocava dizendo que já me via queimando arroz nela. Rimos até nos perdermos em detalhes: onde ficaria a árvore de Natal, se Serena ia estudar numa escolinha dentro do condomínio ou fora, até sobre onde colocaríamos a cama dela quando ela crescesse.

Quando o garçom trouxe a sobremesa, Marina pegou o garfo e sorriu pra mim.

- Acho que a gente já decidiu, né?

- É. -assenti, rindo.- Só falta bater o martelo e assinar.

Ela piscou, brincalhona.

- E pagar.

- Essa parte aí… melhor nem lembrar. -fiz careta, e ela gargalhou alto, atraindo alguns olhares ao redor.

Mas não importava. Naquele momento, no meio do restaurante chique, eu só conseguia pensar que tudo que ela dizia soava como futuro. Nosso futuro.

Mais de um mês e meio depois...

Nova York, 27 de julho de 2028

Os preparativos do casamento estavam a todo vapor, toda vez que eu voltava dos shows, a Marina me mandava experimentar o terno porque ela tinha medo de não servir no dia e eu só ria dela. Ela tava nervosa e eu confesso que eu também, mas tudo tava sendo idealizado como sonhamos.

A casa no Brasil foi comprada e estávamos fazendo uma reforma até nos mudarmos, mas ainda era segredo. 

Hoje estávamos eu, Marina, Serena, Jack, Chloe, Justin e Bruna no aeroporto, pra fazermos uma viagem de aniversário do Jack: iríamos para a Orlando, mais especificamente na Disney. Amanhã Jack completaria 2 anos e além de fazer uma festa, Bruna e Justin preferiram viajar e chamaram a gente pra levar a Serena.

A confusão no portão de embarque era a mais feliz possível. Chloe, com seus quase três anos, era a mais elétrica. Ela corria de um lado para o outro, o cabelo loiro balançando, perguntando a cada cinco minutos se o avião já ia para a "casa do Mickey". Jack, o aniversariante do dia seguinte, tentava acompanhar a irmã mais velha, soltando gritinhos animados que Justin tentava, sem muito sucesso, controlar, enquanto Bruna ria da cena.

A nossa pequena Serena estava mais calma, no colo da Marina, com os olhinhos curiosos absorvendo toda a movimentação. Ela apontava para os aviões na pista, balbuciando algo que só ela entendia, e Marina respondia com todo o carinho do mundo:

- É grande, né, filha? Nós vamos voar em um daquele.

Observei a cena com um sorriso. Minha família. A família que estávamos construindo. Meu pensamento voou para a casa no Brasil, para as paredes que em breve seriam preenchidas com as risadas dela, com os seus passinhos mais firmes e suas primeiras palavras.

- No que tanto pensa? -Bruna perguntou, se aproximando com um copo de café na mão.

- No quanto a gente é maluco de viajar com três crianças de menos de três anos. -brinquei, e ela gargalhou.

- É uma loucura, mas uma loucura boa. -disse ela, olhando para Justin, que agora tinha Jack nos ombros, fingindo ser um avião.

Marina se juntou a nós, ajeitando Serena em seu colo.

- E você, Mari? Contando os dias? -Bruna perguntou, o olhar cúmplice. 

Faltavam pouco mais de duas semanas para o nosso casamento.

- Contando os segundos! E sonhando com o Luan finalmente provando aquele terno de novo pra eu ter paz. -ela respondeu, me lançando um olhar divertido.

Eu ri e a abracei por trás, dando um beijo em seu ombro. 

- Amor, vai servir. Prometo não engordar até o dia 13 de agosto.

A chamada para o nosso voo interrompeu as risadas. Embarcar foi uma verdadeira operação militar de fraldas, mamadeiras e brinquedos. Nos acomodamos em nossos assentos, e durante a decolagem, segurei a mão de Marina com força. Ela deitou a cabeça no meu ombro enquanto Serena, no colo dela, olhava maravilhada pela janela as luzes da cidade ficando pequenas lá embaixo.

Serena, depois de lutar bravamente contra o sono, finalmente se rendeu e dormiu no meu peito durante o voo. A respiração dela, tão suave contra a minha pele, era a trilha sonora da minha felicidade. Olhei para a mulher da minha vida ao meu lado, que também tinha pegado no sono, e soube, com uma certeza absoluta, que eu tinha tudo.

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