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Capítulo 109

Bruna Narrando 

Uma semana havia se passado desde a morte da Caitlin, e Justin ainda não tinha voltado do Canadá. Isso me deixava ansiosa e aflita, porque me sentia sozinha com Jack. Dei férias para a Elizabeth, nossa babá, para ela descansar um pouco e eu me reorganizar, mas na prática, ficar sozinha com Jack significava praticamente não ter um segundo de paz. Marina estava em Los Angeles, gravando seu filme, e Luan tinha viajado também. Eu comecei a pensar seriamente em ir pro Brasil, passar um tempo com a minha família e, de quebra, apresentar o Jack a todos que ainda não conheciam meu pequeno: meus avós, tios, primos… ninguém deles tinha visto o meu menino ainda. A saudade e a vontade de compartilhar isso me apertavam o coração.

Enquanto Jack brincava tentando se escorar nas paredes da sala — ele já tinha quase um ano e vivia se equilibrando no sofá, nas cadeiras, nas paredes — eu tentava fazer mil coisas ao mesmo tempo. Tinha meu tablet no colo, e ali eu estava em duas conversas simultâneas:

A primeira era com a Juliet, a cerimonialista que estava cuidando do aniversário do Jack, que seria dia 28 deste mês, daqui 20 dias. Estávamos acertando os últimos detalhes, e claro, eu não parava de inventar ideias malucas e detalhadas, porque não consigo evitar.

A segunda conversa era com a Abigail, a cerimonialista que estava me ajudando com o meu casamento. Eu enlouquecia ela com minhas ideias — horários, cores, flores, convites, músicas, lembrancinhas, tudo! Tinha só 10 meses pra organizar tudo, e eu queria que fosse perfeito. 

Meu casamento seria numa segunda-feira, dia 15 de Maio de 2028. Escolhi essa data porque tinha um significado especial: era o mesmo dia em que Chandler e Mônica se casaram em Friends e o Jack e a Amy se casaram em Brooklyn Nine-Nine. Justin concordou totalmente com a escolha — ele sabia que datas assim tinham que ter significado — e eu estava empolgadíssima.

E, claro, no meio de tudo isso, estava cuidando do Jack. O bebê que eu antes achava que a fase de recém-nascido era difícil. Agora, ver meu pequeno engatinhando pela cozinha, tirando tudo dos armários, tentando ficar em pé em cada superfície que encontrava… era exaustivo. E cada vez que eu olhava, ele ria, achando que aquilo era uma grande brincadeira. Eu não podia deixar de rir junto, mesmo exausta, mesmo com a preocupação constante de que ele pudesse se machucar.

Enquanto isso, meu coração doía de saudade de Justin, queria que ele estivesse por perto. Então eu me organizava, respirava fundo e tentava administrar tudo sozinha, enquanto sorria para o Jack e respondia mensagens como se eu tivesse três braços e três cérebros ao mesmo tempo.

De repente, meu tablet começou a tocar. Era uma videochamada de Justin. Sorri instantaneamente e atendi, meu coração dando aquele quentinho ao ver o rosto dele na tela.

- Oi, amor! -ele disse, com o sorriso meio cansado, mas cheio de alegria.

- Oi, vida. Que saudade. 

- Estou voltando pra Nova York.

Eu senti uma pontada de ansiedade misturada com felicidade.

- Ah, que bom! 

- E olha quem ta indo comigo..m

Justin virou o celular para o lado e mostrou uma carinha manhosa e séria: era a pequena Chloe. Ela tinha quase dois anos e olhava pro celular com aquela expressão de “não tô nem aí pra você, tia Bruna”. Justin tentou fazer a menina falar, mas ela se recusava, cruzando os bracinhos e fazendo biquinho.

- Ela tá com bastante birra, manhosa. -comentou Justin, suspirando.

- É por causa da Caitlin? -perguntei, com preocupação.- Talvez ela esteja sentindo falta da mãe.

Justin balançou a cabeça negativamente, mas com um olhar pesado.

- Não, não é bem isso. Durante essa semana em Toronto, eu notei a forma que os pais da Caitlin tratam a Chloe… eles fazem todos os gostos dela, deixam ela fazer o que quer. Não sei se é pra suprir a falta da Caitlin, mas estava sendo difícil de ver.

Meus olhos se arregalaram.

- Tipo o quê? -perguntei, já me preparando para ouvir algo absurdo.

- Chloe pegava o porta-retratos da estante e tacava no chão. -disse Justin, fazendo um gesto de frustração com a mão.- Eu tentava repreendê-la, mas os pais da Caitlin não deixavam. Eles brigaram comigo e disseram pra “deixar a menina brincar”.

Engoli em seco.

- E antes que a gente saísse pra vir pro hangar, a mãe dela disse que iriam entrar na justiça pra pedir a guarda dela, pois eles conhecem a Chloe a mais tempo que eu, e eles saberiam cuidar melhor.

- Isso é absurdo. -falei, revirando os olhos mentalmente.- Eles vão perder tempo. A Chloe ficar com você é o que a Caitlin queria. Você é o pai.

Justin suspirou e passou a mão pelo rosto, exausto.

- Foi triste de ver… O pai da Caitlin mal consegue ficar de pé, e a mãe dele que cuida dele… como eles poderiam cuidar de uma criança? -disse ele, com uma voz carregada de pesar.

Concordei com a cabeça, sentindo uma mistura de raiva e tristeza pelo que ele estava passando.

Nesse momento, ouvi um estrondo atrás de mim. Jack havia tacado uma panela no chão na cozinha. Me levantei correndo, deixando Justin falando, e fui até ele, respirando fundo para não gritar:

- Jack! -disse, pegando-o nos braços.- Não podemos jogar panelas no chão!

Enquanto segurava meu pequeno, meu coração apertou de preocupação, mas também de amor. Olhei para o tablet, onde Justin ainda me observava com Chloe no colo, tentando acalmá-la, e senti a responsabilidade e o peso de tudo. Mas sabia que estávamos juntos nisso: eu com Jack, ele com Chloe, e o coração de cada um dividido entre amor e obrigação.

- Tá tudo bem, Ju. -falei, respirando fundo.- Vamos conseguir cuidar deles do jeito certo.

Justin sorriu, meio emocionado, e assentiu.

- Sei que vamos, Bru… só queria que você visse como foi difícil essa semana. -disse ele, olhando para Chloe que finalmente olhou um pouco para a tela, ainda desconfiada, mas curiosa.

Depois que desliguei a chamada, coloquei Jack sentado no chão e fiquei alguns segundos parada, com o celular ainda na mão, pensando em como tudo estava mudando rápido demais. Suspirei fundo, guardei o celular na mesa e voltei minha atenção pro Jack, que já estava batendo as mãozinhas no chão como se estivesse protestando pelo fato de eu ter tirado as panelas dele.

Enquanto ele ria, olhei as panelas uma a uma só pra ter certeza que nenhuma estava amassada. Tudo intacto — menos minha paciência. Me abaixei até ficar na altura dele e falei num tom meio sério, meio rindo:

- Filho, panela não é brinquedo, tá? -claro que ele me olhou com aqueles olhos brilhantes e um sorriso de quem não fazia ideia do que eu tava falando.

Suspirei e deixei pra lá. Não tinha como exigir compreensão de um bebê de quase um ano. Ele ainda descobria o mundo, e se o mundo pra ele agora era tirar tudo do armário e espalhar pelo chão, paciência.

Vi quando ele saiu engatinhando em disparada, parando perto do sofá e se apoiando nele pra tentar ficar de pé. Meu coração se derreteu, como sempre acontecia quando eu via cada descoberta nova dele. Era uma mistura de orgulho e desespero, porque eu ainda não estava preparada pra ver meu bebê crescendo tão rápido.

Dei uma última olhada na cozinha e fui até o quartinho novo. Abri a porta devagar, uma sensação de aconchego tomou conta de mim. O quartinho não era nada muito elaborado, porque foi feito às pressas, mas tinha saído melhor do que eu esperava. De um lado, coloquei um bercinho, com detalhes delicados em lilás, que seria da Chloe. Do outro, o bercinho do Jack, com detalhes em azul claro. Entre os dois, um tapetinho fofinho cheio de brinquedos espalhados — bichinhos de pelúcia, carrinhos, bonequinhas, mesinha com bloquinhos, lápis de cor, e caixinhas cheias de brinquedos educativos. Já imaginei os dois ali, engatinhando, brincando juntos, brigando também, porque seria inevitável.

Sorri sozinha, passando a mão pelo tecido macio do tapete. Eu queria que eles crescessem juntos, que tivessem memórias felizes desse espaço. Mesmo que tudo tivesse acontecido de forma inesperada, eu estava determinada a fazer dar certo.

Me sentei na poltrona do quarto e deixei a cabeça cair pra trás, fechando os olhos por alguns segundos. Foi inevitável a comparação que surgiu na minha mente: quando eu tinha 17 anos, no meu último ano na escola em São Paulo, passava horas rabiscando croquis e sonhando em entrar numa faculdade de Moda em Nova York. Achava que meu futuro seria cercado de tecidos, desfiles e revistas de moda. Nunca imaginei que, apenas quatro anos depois, eu estaria aqui — aos 21 anos, noiva do Justin Bieber, mãe do Jack, madrasta da Chloe.

Sorri de canto, ainda de olhos fechados. Qualquer belieber daria tudo pra estar no meu lugar, eu sabia disso. E não era só sobre estar com ele… era sobre a vida que construímos juntos. O Jack foi a maior surpresa da minha vida, um presente que me transformou. E agora vinha a Chloe… ela não nasceu de mim, mas eu já sentia que tinha nascido pra mim. Eu a amaria como se fosse minha filha, e faria de tudo pra que ela também sentisse isso.

Abri os olhos e olhei pros dois bercinhos, lado a lado. Uma promessa silenciosa surgiu dentro de mim: eu jamais tentaria ocupar o lugar da Caitlin, porque esse sempre seria dela, mas eu queria que a Chloe me enxergasse como uma figura de carinho, de segurança, alguém com quem ela pudesse contar. Eu só esperava estar à altura dessa responsabilidade.

Me levantei devagar e fui até a janela, olhando a cidade lá fora. Suspirei. Minha vida estava longe de ser normal, mas era a minha vida. E eu não trocaria por nenhuma outra.

[...]

Enquanto eu brincava com os bloquinhos com Jack, segurando o riso ao ver ele insistir em enfiar o quadrado no buraco do triângulo — e ficando bravo toda vez que não entrava — ouvi a porta da frente se abrir.

Levantei a cabeça e vi Justin parado ali, exausto, mas com um sorriso cansado. Ele equilibrava Chloe no colo, a menininha abraçada a ele como se fosse uma extensão do próprio corpo, e ainda trazia uma mala de rodinha puxada e uma mochila pendurada no ombro.

Meu coração aqueceu de imediato. Larguei os blocos de Jack de lado e me levantei depressa, indo até a porta. Assim que cheguei perto, ele ajeitou Chloe no braço e abriu um sorriso maior pra mim.

- Finalmente em casa. -ele murmurou.

Eu abracei ele com força, sentindo o peso de tudo que ele tinha passado naquela semana. 

- Bem-vindos de volta, meu amor. -sussurrei no ouvido dele, antes de me afastar um pouco pra olhar Chloe.

A pequena estava séria, os olhinhos curiosos passeando pelo apartamento, e quando Justin tentou aproximar ela de mim, ela virou o rosto e apertou ainda mais o pescoço dele.

- Oi, princesa. -falei baixinho, sorrindo de leve, mesmo com a rejeição dela. Eu sabia que seria assim no começo, e não ia forçar.- Que bom que você tá aqui.

Justin suspirou, apoiando a mala no chão e ajeitando a filha nos braços. Ele estava visivelmente cansado, mas também aliviado de finalmente estar de volta.

Jack, no chão, imediatamente largou os blocos e começou a engatinhar em direção ao pai, dando gritinhos como se tivesse entendido a cena.

- Olha só quem não esqueceu do papai. -Justin sorriu, se agachando como pôde pra deixar Jack chegar perto, mesmo com Chloe agarrada nele.

Eu me abaixei junto, passando a mão no cabelo do Jack, que dava gritinhos de animação, e olhei de novo pra Chloe, que observava tudo em silêncio, com uma expressão entre curiosa e desconfiada.

- Eu levo as malas. -falei, pegando a de rodinha antes que ele protestasse.- Você já tem peso demais nos braços.

Justin riu fraco e me deu um beijo rápido nos lábios. 

- Eu não sei o que faria sem você.

- Ainda bem que não precisa descobrir. -respondi, piscando pra ele antes de puxar a mala em direção ao corredor.

Coloquei a mala no chão do quarto das crianças, abrindo-a com cuidado, e comecei a organizar as coisinhas da Chloe. Algumas roupas estavam bem gastas, com tecidos finos e desbotados, parecendo ter passado por muitas mãos; provavelmente eram doações. Separei as peças: as que estavam muito gastas seriam descartadas, as que ainda estavam em bom estado eu guardaria para usar ou passar adiante. Não faria falta, porque o guarda-roupa dela já estava cheio com as roupas novas que eu tinha comprado — finalmente teria a chance de vestir minha menina como sempre sonhei, igual às minhas bonecas de infância. Chloe seria minha primeira “vítima fashion”, e mais tarde Serena teria a mesma diversão, mas teria que esperar crescer.

Enquanto eu estava concentrada na organização, Justin apareceu na porta do quartinho, segurando Jack em um braço e Chloe no outro. O olhar dele se iluminou ao entrar, encantado e emocionado com o espaço que eu tinha preparado.

- Uau… isso ficou incrível. -ele disse, com a voz embargada.

Ele colocou Jack no chão, e o pequeno correu até a caixa de brinquedos como se já conhecesse cada canto daquele quartinho. Chloe, por sua vez, se debateu para descer do colo, curiosa, querendo explorar tudo. Justin a colocou delicadamente no chão, e ela começou a andar sozinha, firme nos passinhos, até chegar na casinha de bonecas, examinando cada detalhe com os olhinhos curiosos.

Justin sorriu para mim, observando a filha e o filho se divertindo:

- Você fez um trabalho incrível aqui, sério... parece que eles nasceram pra esse quartinho.

Eu sorri de volta, feliz de ver aquela cena: minhas crianças, juntos, explorando e se acostumando com o espaço que agora era delas. O coração até apertava de emoção e orgulho, e mesmo que Chloe ainda fosse reservada e desconfiada comigo, naquele momento, tudo parecia se encaixar.

Alguns dias depois...

Os dias se passaram rápido demais, e hoje era o grande dia: aniversário de um aninho do Jack. Eu estava sentada no salão de beleza, cercada pelo barulho de secadores e o cheiro de produtos de cabelo, me arrumando para a festa que aconteceria em algumas horas. Meu coração estava um turbilhão de emoções, e lágrimas insistiam em se formar nos cantos dos meus olhos. Lembrei de cada detalhe desde o nascimento dele, dos primeiros dias tão frágeis e cheios de cuidados, até os momentos mais recentes em que ele já engatinhava pelo quartinho, curioso e cheio de energia. Tudo aquilo me fazia sentir uma mistura de orgulho, amor e nostalgia.

Enquanto esperava meu cabelo ser finalizado, peguei meu celular e abri o Instagram. Resolvi postar algo especial para marcar essa data tão importante. Escrevi um texto emocionado, lembrando do quanto ele havia crescido, de como cada dia tinha sido uma bênção, e como ele havia transformado minha vida de uma maneira que eu jamais poderia imaginar.

Selecionei algumas fotos dele, momentos doces e divertidos, mas mantive o rosto de Jack protegido com um emoji, como sempre fizemos desde que ele nasceu. Optamos por não mostrar seu rosto ao público, preservando a inocência e segurança dele, e seguindo o que sempre achei melhor para nosso pequeno.

Respirei fundo, tentando conter as lágrimas enquanto revisava o texto e olhava para aquelas fotos, sorrindo entre soluços. Era incrível perceber como, em tão pouco tempo, aquele menininho já havia mudado completamente nossas vidas, enchendo de amor e desafios cada canto da nossa rotina.

brusantanareal Há um ano, meu mundo mudou para sempre. 💙
Jack, você chegou e trouxe consigo uma alegria que eu jamais imaginei sentir. Cada sorriso seu, cada descoberta, cada passo dado… tudo isso me enche de orgulho e amor.
Ser sua mãe tem sido a experiência mais intensa, desafiadora e linda da minha vida. Obrigada por me ensinar tanto em tão pouco tempo, por me fazer rir mesmo nos dias difíceis e por me mostrar o verdadeiro significado do amor incondicional.
Hoje celebramos você, meu pequeno grande amor, com muito carinho e alegria. Feliz 1º aniversário, Jack! 🎉✨


Assim que atualizei meu feed, notei que havia um post novo do Justin. Meu coração acelerou:

justinbieber Hoje faz 1 ano que esse pequeno raio de sol entrou na minha vida e transformou tudo. Jack, você é minha inspiração diária, meu sorriso constante e meu maior motivo para ser melhor a cada dia. Ser seu pai é um privilégio imenso, e eu agradeço todos os dias por ter você, a Chloe e a Bruna ao meu lado. Feliz aniversário, meu filho! 🎉💙 Que este seja o primeiro de muitos anos cheios de felicidade, descobertas e amor.


Senti meus olhos lacrimejarem. Era incrível ver o amor dele tão explícito, a forma como ele se entregava à paternidade, à família. Não pude deixar de sorrir sozinha, imaginando como Jack iria reagir quando visse a festa, e como seria maravilhoso ver Justin emocionado ao lado dele.

Olhei para o relógio e percebi que os convidados começariam a chegar em breve. Respirei fundo, ajustei a saia do meu vestido e pensei: “Vamos fazer deste dia algo inesquecível para nosso pequeno príncipe.”

Faltando apenas uma hora pro aniversário do Jack, Justin passou em casa pra me buscar. Abri a porta do carro e entrei no banco da frente, sentindo aquele friozinho bom na barriga. Antes mesmo de nos mexermos, dei um selinho rápido nele. Ele sorriu, ajeitou o cinto e disse baixinho:

- Uau, você tá muito linda.

Eu não pude deixar de retribuir:

- E você? Um verdadeiro príncipe saindo de um comercial de TV.

Ele riu, e por um instante, fiquei só admirando aquele sorriso que me derretia. Olhei pra trás e vi os dois pequenos, cada um devidamente acomodado em suas cadeirinhas. Jack estava arrumadinho, com a camisa de botão e o colete, parecendo um mini-homem de negócios, enquanto a Chloe… minha nossa, a Chloe estava impecável, de vestido, sapato social e meia calça. Tinha até um penteado! Franzi a testa, desconfiada.

- Justin… isso não foi você que fez esse penteado, né? -perguntei, arqueando uma sobrancelha.

Ele riu e deu de ombros, fingindo inocência:

- Chamei a Marina. Ela é mãe de menina, tem mais prática nessas coisas.

Soltei uma gargalhada:

- A Serena não tem nem cabelo direito.

Justin riu junto, balançando a cabeça:

- Pois é, a Marina falou a mesma coisa! Mas eu disse que era um bom treino pra quando a Serena finalmente tiver cabelo de verdade. E ela foi e fez.

Não consegui segurar o riso, imaginando a cena.

Durante o trajeto até o salão de festas, eu olhava pela janela, tentando controlar a ansiedade pelo aniversário do Jack, mas Justin parecia notar meu olhar distraído. Ele deu uma risadinha e disse, meio provocativo:

- Ah, e só pra você saber… preparei uma surpresinha pra você hoje.

Eu me virei pra ele, arqueando a sobrancelha e cruzando os braços, fingindo desconfiança:

- Surpresa? Agora você me deixa curiosa, Bbieber. Espero que você não tenha contratado um personagem pra sair do bolo.

Ele sorriu de lado, aquele sorriso maroto que eu conhecia bem, e respondeu:

- Não, mas eu me arrependi agora de não ter pensado nisso. Mas você vai ver. Garanto que vai adorar.

Olhei de relance para trás, vendo Chloe e Jack observando a conversa com olhos curiosos, e senti meu coração derreter. Mesmo com toda a correria, com toda a logística e com Justin às vezes me deixando com os nervos à flor da pele, aquele momento me lembrava o quanto a vida com ele e com nossos filhos podia ser especial e divertida.

Enquanto ele dirigia, não consegui evitar a pergunta:

- Justin, você sempre tem que me deixar no suspense?

Ele riu, dando uma piscadela:

- Sempre, Bru. Faz parte da diversão.

Eu só balancei a cabeça, sorrindo.

Chegamos no salão, a decoração estava impecável, do jeitinho que eu queria, assim que pisei lá, já senti aquele clima animado, cheio de cores e risadas distantes do pessoal da equipe de organização. Juliet estava nos esperando na porta, toda sorridente, e correu até nós.

- Bruna! Justin! Que bom que chegaram! -disse ela, abraçando a gente de forma calorosa.- O fotógrafo quer tirar algumas fotos da família enquanto os convidados não chegam, e também algumas do aniversariante, é claro!

Olhei pra Justin, que estava segurando Jack, e depois pra Chloe, que ainda estava um pouco tímida, encolhida no colo dele. Sorri, sentindo meu coração bater mais forte.

- Então vamos. -falei, já ajustando meu cabelo e tentando ajeitar a roupa de forma prática, pensando que Jack provavelmente ia se mexer o tempo todo.

Juliet disse animada:

- Eu até trouxe umas plaquinhas divertidas para as fotos do aniversariante. Vai ficar lindo!

Justin colocou Jack no chão, que imediatamente começou a explorar o salão, e Chloe desceu do colo dele, andando devagarinho até o cantinho das plaquinhas, curiosa. 

Enquanto o fotógrafo organizava a gente, senti uma mistura de emoção, orgulho e leve nervosismo. Depois de tudo que passamos, ver Jack completando um ano, rodeada das pessoas que eu amo, com Justin ao meu lado, Chloe sorrindo pra mim, era surreal. Eu só queria aproveitar cada segundo, mesmo sabendo que daqui a pouco a festa iria explodir de risadas e caos.

Assim que terminamos as fotos, comecei a ouvir o som das portas se abrindo e o burburinho dos primeiros convidados chegando. Respirei fundo, ajustei a roupa de Jack e Chloe e sorri, tentando me preparar para os encontros.

Primeiro chegaram Pattie e Charlie. Sorri ao vê-los, Pattie, como sempre, cheia de carinho, veio direto me abraçar:

- Bruna! Que bom te ver! Jack e Chloe estão lindos! -disse ela, acariciando a cabeça do meu pequeno.

Charlie sorriu, apertando minha mão de forma calorosa:

- O tempo voa, hein, Bruna? Jack está enorme! -disse, olhando Jack com aquele olhar de orgulho paterno.

Logo depois chegaram William e Ashley, e eu os cumprimentei com sorrisos e abraços rápidos.

Então Justin começou a me apresentar para os familiares que eu ainda não conhecia. Primeiro vieram os avós paternos dele, Kathy e George. Sorri e estendi a mão para Kathy, que me abraçou suavemente:

- É um prazer finalmente conhecer você, Bruna. Justin falou tanto sobre você! -disse ela, olhando Jack com ternura.

George sorriu de forma tranquila e apertou minha mão:

- Bem-vinda à família, Bruna. Jack é um garotinho adorável.

Em seguida, Nate, tio de Justin, apareceu com Charlotte e Louis, o primo de 5 anos. Justin me apresentou:

- Bruna, é um prazer, essa é a Charlotte, minha esposa, e Louis, meu filho. -Louis olhou curioso para Jack e Chloe, sorrindo timidamente.

- Olá! -disse, agachando-me para cumprimentar Louis, que se encolheu um pouco, mas acabou me dando a mão. Charlotte sorriu calorosamente:

- Prazer em conhecê-la, Bruna. Jack e Chloe são lindos!

Logo depois, vieram os avós maternos do Justin, Diane e Bruce, seguidos pelo tio Chris. Diane me abraçou com carinho:

- Bruna, que bom que está aqui com a nossa família! -disse ela, sorrindo para Jack e Chloe.

Bruce cumprimentou-me com um aperto de mão firme:

- Bem-vinda, Bruna. É ótimo ver a família toda reunida.

Chris sorriu, olhando para os pequenos:

- Parabéns, Bruna. Vocês estão fazendo um trabalho incrível com essas crianças.

Justin segurou minha mão e sussurrou:

- Pronta para o caos familiar? -e eu ri, apertando sua mão de volta.

Logo, a porta se abriu novamente e, para minha alegria, Marina e Luan entraram carregando a pequena Serena, que dormia tranquila em um sling. Luan sorria orgulhoso e Marina, como sempre, parecia radiante. Eu não perdi tempo:

- Marina! Muito obrigada pelo penteado da Chloe, ela está um amor! -disse, me aproximando para dar um abraço nela.

Marina sorriu, passando a mão nos cabelos de Chloe:

- Imagina, Bruna! Nem precisa agradecer.

Luan acenou com a cabeça, orgulhoso, e segurou Serena com cuidado, apresentando-a discretamente para os outros familiares próximos. A pequena olhou com aqueles olhos curiosos para o salão cheio de gente, mexendo as mãozinhas pequenas.

Logo depois, Melanie entrou com um rapaz ao lado dela. Justin sussurrou algo para mim, mas não consegui ouvir direito, e Melanie rapidamente apresentou:

- Justin e Bruna, esse é o Nick, meu namorado. -ela disse com aquele sorriso meio debochado dela.

Eu sorri e cumprimentei Nick com um aperto de mão, tentando não olhar muito para o jeito que Melanie parecia satisfeita mostrando o novo par. Justin fez o mesmo que eu.

Não demorou muito para Virginia chegar, de mãos dadas com Anthony. Sorri ao vê-los, lembrando de como tinham se tornado tão próximos, Justin e eu os cumprimentamos animados.

Logo atrás deles, Olívia entrou de mãos dadas com Ryan. Justin não conseguiu deixar de comentar animado:

- Olívia e Ryan, finalmente juntos! Quem diria, hein? -ele disse, sorrindo de canto. Ryan corou, e Olívia revirou os olhos, mas estava claramente feliz.

Enquanto todos iam se acomodando, dois homens que eu ainda não conhecia entraram, cada um acompanhado por mulheres deslumbrantes. Chloe, como se tivesse reconhecimento imediato, correu até um deles e se jogou em seus braços. Justin me explicou rapidamente:

- Bruna, esse é Chaz e esse é Chris. -ele apontou para os dois rapazes.- O Chris é tio da Chloe, irmão da Caitlin. E essas são as namoradas deles.

As mulheres sorriram gentilmente para mim, e eu não pude deixar de notar como tudo parecia se encaixar perfeitamente, mesmo com tanta gente nova no meio da família. Chloe continuava abraçada no Chris, claramente encantada com a atenção, e Justin me lançou um olhar cúmplice, feliz por ver sua filha tão confortável e amada.

Eu fui conferir se todos os convidados estavam acomodados, passando os olhos pelo salão e me certificando de que cada um tinha um lugar, quando senti alguém segurando minha mão de repente.

- Bruna, sua surpresa chegou. -disse Justin com aquele sorriso cúmplice, puxando-me pela mão até a porta de entrada.

Ao abrir, quase caí no chão de emoção: lá estavam meus pais.

- MÃE! PAI! -exclamei, correndo para abraçá-los. Quase chorei ali mesmo, mas ainda tinha mais gente vindo.

Logo depois entraram meus avós paternos José e Manuela, os dois com aquele sorriso caloroso que sempre me fazia sentir em casa. Atrás deles, vieram meus tios: Max e Leonidas, irmãos do meu pai, e logo atrás deles, a tia Juliana, esposa do tio Leonidas, acompanhada dos meus primos: Camila, Jessica e Matheus — crescemos juntos, lembro das brincadeiras, das festas de família, tudo voltou na minha memória.

Eu estava com lágrimas nos olhos, mal conseguia falar. Justin percebeu e pegou Jack no colo, sorrindo:

- Olhem só quem temos aqui. -disse ele, apresentando nosso pequeno para a família. Jack estendeu os bracinhos, curioso, e minha mãe rapidamente se abaixou para pegá-lo:

- Ai, meu pequeno! Que saudades! -disse minha mãe, sorrindo emocionada.

- Ele é exatamente igual a você, Bruna? -comentou meu tio Leonidas, acariciando a cabecinha de Jack.

Eu ria e chorava ao mesmo tempo, abraçando meus avós:

- Vô Zé, vó Manu… que saudade de vocês! -disse, quase sem conseguir respirar de emoção.

Meus avós maternos, Emanuel e Cristina também chegaram, seguidos de minha tia Amélia, irmã da minha mãe. Todos vinham me abraçando, me beijando, perguntando sobre Jack, e eu não conseguia conter as lágrimas.

- Bruna, que alegria te ver assim! -disse vó Cristina, sorrindo carinhosamente.

- E ele é tão bonzinho! -comentou vô Emanuel, apontando para Jack, que agora tentava se apoiar na cadeira mais próxima.

Justin me olhou e piscou, como se dissesse “aproveite, você merece isso”, enquanto ia segurar Jack para que todos pudessem conhecê-lo. Eu não podia acreditar em toda aquela emoção, naquele momento em que minha família estava reunida novamente, depois de tanto tempo.

- Justin, obrigada… -eu consegui murmurar, abraçando-o discretamente.

- Por você, meu amor. -ele respondeu baixinho, sorrindo, enquanto observava nossa família interagir com Jack, cada sorriso e cada olhar me enchendo de uma felicidade que eu não conseguia conter.

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