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Capítulo 119

Justin Narrando

O sol batia forte nas paredes brancas das casas em Santorini, refletindo num azul que parecia saído de uma pintura. Caminhar de mãos dadas com a Bruna por aquelas ruelas me dava uma sensação estranha: eu, que já tinha vivido tanta coisa, de repente estava aqui, casado, em lua de mel, construindo algo que finalmente fazia sentido.

Olhei para ela, o vestido leve dançando com o vento, os óculos de sol segurando parte do cabelo. Era bonita de um jeito que até o silêncio ao redor parecia respeitar.

- Engraçado, né? -soltei, apertando a mão dela.- A gente veio até a Grécia pra descansar… mas eu só penso no Jack e na Chloe.

Bruna riu, aquele riso curto que sempre escapa antes da provocação:

- Amor, eles estão bem. Meus pais mandam foto a cada cinco minutos, você sabe. A mãe da Caitlin também.

Eu sabia. Meu celular já estava cheio de vídeos da Chloe correndo atrás do cachorro no quintal e do Jack tentando repetir palavras novas em português, daquele jeito enrolado que derrete qualquer coração. Ainda assim, a saudade batia.

Parei um instante e a puxei pra perto, encostando minha testa na dela.

- É que… eu nunca pensei que família fosse me fazer sentir tanta falta em tão pouco tempo.

Ela sorriu, mordeu o lábio e respondeu baixinho:

- Bem-vindo à vida de um pai apaixonado.

O cheiro de maresia misturado ao aroma de café fresco parecia impregnar cada esquina das ruelas de Santorini. Bruna puxava meu braço como se fosse guia turística, animada com cada porta azul que encontrava.

- Olha essa, amor! -ela apontou para uma casinha com flores vermelhas subindo pela parede branca.- Parece de filme!

Revirei os olhos, rindo.

- Você já falou isso de todas as quinze casas anteriores.

Ela me deu um empurrãozinho de leve, sem largar a mão.

- Mas essa é a casa. Dá até vontade de morar aqui.

- Aham, e eu trabalhando de pescador grego… imagina? -fiz pose de segurar rede, o que rendeu uma gargalhada alta dela.

Seguimos até o mirante, onde o mar se encontrava com o céu em um tom de azul impossível. Bruna tirou os óculos, encarou a vista e suspirou daquele jeito que me desmontava. Passei o braço por trás da cintura dela, puxando-a contra mim.

- Nunca pensei que um lugar bonito assim fosse ficar em segundo plano. -falei baixinho, só pra ela ouvir.- Porque o que realmente chama atenção tá do meu lado.

Ela virou pra mim, rindo com a sobrancelha arqueada:

- Cantada nível lua de mel, hein.

- Não, nível verdade. -e a beijei. Devagar, aproveitando cada segundo, até que ouvimos um grupo de turistas atrás comentando em inglês: “Procurem um quarto!”.

Bruna se afastou rindo, escondendo o rosto no meu peito.

- Viu só? A gente tá virando atração turística.

- É porque eu sou o Justin Bieber, meu amor. -brinquei, e ela me beliscou.

Mais tarde, subimos até as escadas infinitas que levavam a um restaurante de frente pro mar. O garçom trouxe vinho local, e Bruna, toda curiosa, quis provar antes de mim. A careta dela foi impagável.

- Tá meio forte, não? -ela tossiu.

- Tá nada… -tomei um gole e quase engasguei também, o que fez ela rir até as lágrimas.

No fim do dia, sentados lado a lado vendo o pôr do sol tingir as casinhas de dourado, Bruna encostou a cabeça no meu ombro.

- Acho que nunca vou esquecer essa viagem.

- Também não. -apertei os dedos dela.- Mas a melhor parte não é o lugar, é o fato de ser com você.

Ela suspirou, fechou os olhos, e eu fiquei só observando. O mundo parecia em pausa, só pra gente existir ali.

Os dias seguintes foram uma mistura perfeita de aventura e preguiça. Pela manhã, Bruna queria explorar cada cantinho. Alugamos uma vespa vermelha — que ela insistiu em pilotar.

- Confia em mim, amor! -disse, já colocando o capacete.

- Essa frase nunca terminou bem… -murmurei, mas subi atrás dela.

A cada curva eu me agarrava à cintura dela, não tanto por medo, mas porque não existia lugar melhor no mundo. No fim, claro, ela fez questão de dizer que dirigia melhor do que eu.

Visitamos praias escondidas, com água tão transparente que parecia Photoshop. Bruna corria até a beira, mergulhava rindo, e eu ia atrás só pra não perder a cena. Em uma delas, improvisamos um piquenique com pães, azeitonas e queijo local. O vinho… esse a gente não repetiu.

À tarde, subíamos ruínas antigas, tirávamos fotos ridículas fingindo ser estátuas, e terminávamos sempre em algum mirante. O sol grego parecia nascer só pra nos seguir.

À noite, o ritmo mudava. No hotel, o quarto tinha uma varanda que dava direto pro mar. Acendíamos algumas velas que ela comprou numa feirinha, e ficávamos ouvindo o barulho das ondas lá embaixo.

- Sabe o que é louco? -Bruna falou certa vez, deitada sobre mim, a cabeça apoiada no meu peito.- Eu sempre sonhei em casar, mas não imaginei que seria assim… tão leve.

Beijei a testa dela.

- Acho que é porque é com a pessoa certa.

Ela ergueu o rosto, sorrindo de canto.

- Você fica bom nessas frases quando tá tentando me levar pra cama, sabia?

- Não preciso tentar muito. -puxei-a para um beijo, e a conversa terminou do jeito certo.

Na manhã seguinte, descemos para o café já atrasados para o passeio de barco. Bruna apareceu de vestido florido, óculos escuros, e eu soltei, meio sem pensar:

- Tá tentando competir com a paisagem?

Ela riu, me beijou rápido e respondeu:

- Não, só tô tentando fazer você se apaixonar de novo todo dia.

Após o café da manhã, pegamos um barco para conhecer outras ilhas. O mar era de um azul inacreditável, quase hipnotizante. Bruna estava animada como criança, subiu para a proa e abriu os braços como se fosse dona do mundo.

- Tá parecendo cena de filme! -gritei.

- Então vem cá ser meu ator coadjuvante! -ela devolveu, rindo.

Corri até ela, segurei pela cintura e fingi que ia levantar igual “Titanic”. Só que o barco balançou e nós quase caímos. O capitão riu alto lá atrás. Bruna me deu um tapa no ombro, mas não conseguiu segurar a gargalhada.

Descemos em uma praia de areia vulcânica. A água era morna, diferente de tudo que eu já tinha sentido. Bruna mergulhava e vinha até mim com conchinhas que dizia serem “nossos tesouros de lua de mel”. Guardei cada uma no bolso da mochila — sabia que ela ia querer levar todas pro Brasil.

À tarde, fizemos uma trilha até um vilarejo escondido. As ruas eram tão estreitas que parecia que o tempo tinha parado ali. Bruna entrou em uma lojinha e saiu com um vestido branco bordado à mão.

- É pra jantar hoje. -ela anunciou, com aquele brilho nos olhos.

E à noite, realmente parecia saída de uma revista. O restaurante ficava no topo de uma colina, mesas ao ar livre, luzes penduradas como estrelas extras. Bruna, com aquele vestido, roubava a cena.

- Isso não é justo. -falei enquanto brindávamos com taças de suco de romã.- A paisagem aqui é uma das mais bonitas do mundo, mas eu não consigo olhar pra mais nada além de você.

Ela ergueu a taça, rindo.

- Cuidado, se continuar assim, vai acabar morando aqui comigo.

- Quem disse que seria ruim? -respondi, e vi o sorriso dela se abrir ainda mais.

Depois do jantar, voltamos caminhando devagar pelas ruelas iluminadas, nossas sombras dançando nas paredes. Bruna parou de repente, puxou meu rosto entre as mãos e me beijou no meio da rua, sem aviso.

- Só porque eu quis. -sussurrou.

O cheiro de jasmins se misturava ao da comida que escapava das tavernas. Bruna, como sempre, ia parando em tudo: vitrines, portas coloridas, gatos que apareciam do nada.

Foi aí que vimos uma mulher sentada num cantinho da praça, lenço vermelho na cabeça, pulseiras que tilintavam a cada movimento. Uma mesa pequena, coberta por cartas e velas.

Bruna me cutucou no braço, os olhos brilhando.

- Justin, olha, uma cigana!

- Ah não… -já comecei rindo.- Você não vai querer isso.

- Vou sim! -ela respondeu, quase me arrastando.- Lua de mel na Grécia, amor. Isso é praticamente um sinal.

A mulher levantou o olhar penetrante pra nós, e mesmo eu, que não acreditava muito nessas coisas, senti um arrepio estranho. Bruna se sentou primeiro, estendeu a mão sem hesitar.

A cigana pegou a mão dela com calma, os dedos enrugados deslizando pelas linhas da palma. Ficou em silêncio por alguns segundos, depois sorriu de leve.

- Você carrega amor verdadeiro. -disse num sotaque carregado, olhando rápido pra mim e depois de volta pra Bruna.- Vejo filhos no seu caminho… gêmeos. Um presente e também um desafio.

Bruna arregalou os olhos e virou pra mim, quase engasgando.

- Gêmeos?!

- Já tô suando frio. -brinquei, mas por dentro a curiosidade também cutucava.

A cigana continuou, sem se importar com nossa reação.

- Sua vida será longa e cheia de alegria. Mas há sombras também… cuide do sangue. -ela franziu a testa, como se tentasse entender melhor.- E do coração. Se ver os sinais cedo, tudo pode ser evitado.

O silêncio ficou pesado por um instante. Bruna mordeu o lábio, séria, mas logo sorriu nervosa.

- Tá vendo? Já tô imaginando a gente com dois bebês chorando ao mesmo tempo.

- E eu já tô imaginando a conta de fraldas em dobro. -respondi, arrancando uma risada dela.

Pagamos à mulher, que apenas nos observou até sairmos dali. Bruna ainda estava pensativa, a mão apertando firme a minha.

- Você acha que ela falou sério? -ela perguntou baixinho.

- Acho que ela percebeu que você é tão incrível que até o destino resolveu exagerar. -beijei o topo da cabeça dela.- Mas se vier gêmeos, a gente dá conta.

Ela riu, mas a preocupação no olhar ficou escondida ali, como se tivesse plantado uma semente.

- Justin… eu não tô preocupada com os gêmeos. -disse de repente, sem olhar pra mim.- O que me deixou com medo foi quando ela falou pra cuidar do sangue e do coração.

Parei.

- Amor, isso foi só um jeito poético de falar.

Ela negou com a cabeça, o cabelo balançando com força.

- E se não for? E se ela tava falando do Jack e da Chloe? O Jack é meu filho de sangue… e a Chloe é minha filha do coração.

A fala dela me atravessou de um jeito estranho. Eu não acreditava muito em premonições, mas o olhar daquela mulher tinha me incomodado também. Bruna apertou minha mão, os olhos pedindo.

- Vamos voltar. Quero que ela leia a sua mão agora.

Suspirei fundo, já imaginando que ia perder a discussão.

- Tá bom.

Voltamos até a pequena mesa iluminada pelas velas. A cigana estava concentrada em um jogo de cartas com outra turista. Esperamos até que a mulher agradeceu e foi embora, deixando o barulho das pulseiras da cigana ecoar na noite.

Me sentei de frente pra ela, estendendo a mão. Bruna estava ao meu lado, roendo o canto da unha, inquieta.

A cigana segurou minha palma e ficou em silêncio por alguns segundos, os olhos escuros fixos nas linhas da minha pele. Até que a expressão dela mudou: primeiro surpresa, depois algo que parecia um misto de desconforto e preocupação.

- Há sombra no seu caminho. -disse, com a voz baixa, arrastada pelo sotaque.- Vejo alguém que deseja o seu mal. Esse alguém… quer você morto.

Franzi a testa, o peito se apertando. Bruna prendeu a respiração ao meu lado.

- O que? -consegui soltar, tentando não parecer abalado.

A cigana passou o dedo sobre a linha principal da minha mão, como se procurasse detalhes.

- Essa pessoa é próxima… ou sabe como se aproximar. E se tentará te atingir, será pelo seu sangue.

Arqueei a sobrancelha, a confusão tomando conta.

- Sangue… e coração? É isso? Como falou pra ela?

A cigana ergueu o olhar, firme.

- Não. -balançou a cabeça devagar.- Para você… apenas o sangue.

Bruna agarrou meu braço de imediato, as unhas quase marcando minha pele. Eu continuei ali, quieto, sentindo o peso das palavras baterem forte demais para serem só encenação.

Pagamos e aímos da mesa em silêncio. As velas da cigana ficaram pra trás, mas as palavras dela ainda queimavam na minha mente. 

Bruna apertava minha mão com força, como se fosse se perder no meio da rua se soltasse. Parei no meio da calçada e puxei ela pra mim.

- Ei… olha pra mim. -segurei o rosto dela.- Isso não significa nada. Essas mulheres vivem de deixar a gente assustado.

Ela piscou rápido, os olhos marejados.

- Mas você viu a cara dela, Justin. Não parecia um teatro.

Suspirei, tentando arrancar aquele peso da voz dela.

- Amor, eu já tive gente querendo meu mal de verdade. Gente real. Isso aqui é só uma história contada no escuro.

Mesmo assim, enquanto falava, o incômodo crescia dentro de mim. Porque havia sido específico demais. Não “um problema”, não “cuidado com inveja”. Foi direto: alguém querendo me matar. De novo.

Continuei andando com ela, mas minha atenção estava em outro lugar. Quem? Por quê? Eu não conseguia associar a nada concreto, mas a sensação de vulnerabilidade era nova.

Bruna, percebendo meu silêncio, apertou mais minha mão.

- Promete que vai tomar cuidado?

- Sempre tomei. -tentei sorrir, mas saiu fraco.- E agora tenho mais motivos ainda. Você, o Jack, a Chloe…

Ela respirou fundo, encostando a cabeça no meu ombro enquanto caminhávamos.

- Só não me pede pra esquecer o que ela disse, porque não consigo.

Passei o braço por cima dela, trazendo-a contra mim.
- Então a gente lembra junto. E vigia junto. -falei baixo, mas firme.

A lua de mel continuava ali: as luzes, o mar, a beleza absurda de Santorini. Só que, de repente, tudo parecia ter uma sombra ao fundo.

Assim que entramos no quarto do hotel, Bruna largou a bolsa na poltrona e começou a tirar as sandálias com pressa, quase nervosa. O silêncio só foi quebrado pela voz dela, carregada de convicção:

- Eu tenho certeza, Justin. Quando ela falou pra eu cuidar do sangue e do coração… E você só do sangue, com certeza era sobre o Jack e a Chloe. Faz todo sentido. 

Fiquei parado alguns segundos, só observando. A mente trabalhando como louca pra procurar lógica ou saída, mas o corpo imóvel. Respirei fundo e me aproximei.

- Bru… -toquei o ombro dela.- Se a gente deixar isso crescer, vamos passar a viagem inteira com medo de algo que pode ser só palavras jogadas ao vento.

Ela ergueu o olhar, os olhos marejados, as mãos inquietas.

- Mas e se não for? E se for um aviso real?

Meu coração apertou. Eu também estava inquieto, mas se deixasse ela perceber, pronto: o assunto ia se arrastar até o fim da lua de mel. Então fiz o que sabia que funcionava. Puxei-a delicadamente pra perto, beijei de leve a ponta do nariz, depois a bochecha.

- Justin… -ela tentou protestar, mas já estava sorrindo de canto.

Continuei, espalhando beijinhos pelo rosto dela, o queixo, até alcançar os lábios.

- Você é impossível. -ela sussurrou, mas a tensão já se dissolvia um pouco na risada.

Abracei firme, como se fosse capaz de blindá-la de qualquer coisa. Enquanto a sentia relaxar nos meus braços, a minha cabeça continuava a milhão, repetindo as palavras da cigana. “Vejo alguém que deseja o seu mal. Esse alguém quer você morto.”

Engoli seco, escondendo o peso atrás de um sorriso.

- Promete uma coisa? -falei baixo, encostando a testa na dela.- Que por esses dias a gente só pensa em nós dois. Quando voltarmos… a gente pensa no resto.

Ela respirou fundo, assentindo. E eu a beijei outra vez, me agarrando à ideia de que, ao menos naquela noite, o destino podia esperar.

[...]

Os dias voaram. Entre passeios, risadas, descobertas e momentos nossos, já se passaram dez dias desde que chegamos. Agora, deitado ao lado da Bruna, olhando o teto do quarto do hotel, me bateu uma sensação estranha de despedida. Mas não era tristeza — porque amanhã não voltaríamos pra casa. Não ainda.

- Acredita que já estamos aqui há dez dias? -falei, virando de lado pra encarar ela, que brincava distraída com uma mecha do cabelo.

- Nem parece. Passou tão rápido… -ela suspirou.- Amanhã já é dia de arrumar as malas.

Sorri, sabendo o que vinha depois.

- É, mas não pra casa. Ainda temos Maldivas nos esperando.

Os olhos dela brilharam na hora.

- Eu ainda não acredito que vamos conhecer lá também! -ela me abraçou, animada como criança.- Sério, Justin, você foi louco de sugerir os dois destinos.

Ri, beijando a testa dela.

- Louco não, só quis te dar tudo. E quando a gente ficou em dúvida… achei que o certo era não escolher, mas sim viver os dois.

Ela fechou os olhos, encostando a cabeça no meu peito, como se guardasse aquele momento.

Eu fiquei em silêncio, acariciando devagar suas costas, mas por dentro sorria por outro motivo. Bruna achava que a maior surpresa da nossa viagem seria as Maldivas. Mal sabia ela que, quando voltássemos, nossa nova casa já estaria pronta, esperando por nós. Um lar do jeito que ela sempre sonhou, planejado em segredo, cada detalhe pensando nela.

Maldivas seria incrível. Mas o que eu mais aguardava era ver a reação dela quando abrisse a porta da nossa casa pela primeira vez.

Naquela noite, eu quis fazer algo especial. Era nossa última em Santorini, e eu queria que Bruna tivesse uma memória que ela jamais esqueceria. Reservei uma mesa em um restaurante no alto da encosta, onde o mar e o céu se encontravam em tons de azul profundo, e o pôr do sol parecia pintado à mão.

Quando chegamos, ela parou, boquiaberta, segurando minha mão com força.

- Justin… olha isso. -seus olhos refletiam as luzes douradas que iam se acendendo sobre as casas brancas.

- Eu disse que Santorini guardava a melhor vista pro final. -sorri, puxando a cadeira para ela se sentar.

O garçom trouxe vinho, e brindamos. Ela mordeu o lábio, erguendo a taça.

- À nossa última noite aqui… mas não a última de todas.

- À nossa história que só tá começando. -completei.

Durante o jantar, entre risadas e provocações, trocamos olhares que diziam muito mais que as palavras. Ela reclamou que eu roubei as batatas do prato dela, eu fingi ofensa quando ela me chamou de “criança gulosa”. Era esse equilíbrio que eu amava: o romance intenso misturado com o nosso humor bobo.

Quando a sobremesa chegou, não resisti e limpei um restinho de chantilly do canto da boca dela com o polegar, só pra ter a desculpa de beijá-la em seguida.

Mais tarde, descemos pelas ruas iluminadas, de mãos dadas. Bruna tirava fotos de tudo, mas eu só conseguia olhar pra ela. O vento leve bagunçava seus cabelos, e a cada riso dela, eu me sentia ainda mais certo de que não precisava de mais nada no mundo.

No caminho de volta, puxei ela para um mirante vazio.

- Vem cá, quero guardar isso na memória.

Ela se encostou no meu peito, e ficamos ali, observando as luzes refletindo no mar. Eu beijei o topo da cabeça dela e sussurrei:

- Obrigado por viver isso comigo.

Bruna levantou o rosto, sorrindo daquele jeito que me desmonta.

- Obrigada você… por me fazer sentir que cada dia com você é o melhor dia da minha vida.

Eu não resisti: a beijei devagar, com calma, como se quisesse congelar aquele instante no tempo.

E, naquela noite, de volta ao hotel, nos amamos sem pressa, entre risos e declarações sussurradas, como se o mundo inteiro tivesse parado para nos deixar aproveitar nossa despedida de Santorini.

No outro dia, acordamos cedo, mas não tão cedo quanto deveríamos. Bruna demorou uma eternidade pra escolher a roupa “certa” de vôo — como se fosse alguém reparar, sendo que íamos passar horas dentro do meu jatinho. Eu só assistia, rindo, até ela finalmente aparecer com óculos escuros e um vestido leve, parecendo pronta pra uma sessão de fotos.

- E aí, pronto? -provocou, ajeitando a mala.

- Eu tô desde cedo. -retruquei, pegando as bagagens.- Você é que acha que desfile de moda começa no embarque.

Ela mostrou a língua, e seguimos até o jato.

Assim que decolamos, Bruna já se serviu de champanhe como se fosse hábito de todo dia. Ergueu a taça, reclinou na poltrona e soltou:

- Eu poderia facilmente me acostumar com essa vida.

Eu ri, balançando a cabeça.

- Não tem que se acostumar, amor. Essa é a sua vida agora. Você é uma Bieber.

Ela me olhou com aquele sorriso maroto, o brilho nos olhos ainda mais forte.

- Bieber… ainda soa estranho, mas eu gosto.

- E acostuma rápido. -respondi, puxando-a de leve para sentar no meu colo.

O champanhe quase caiu, e ela riu, me dando um tapinha.

- Cuidado, esbanjador. Ainda não cheguei no nível de segurar taça e marido ao mesmo tempo.

- A gente treina em Maldivas. -cochichei no ouvido dela, só pra vê-la arrepiar.

O resto do voo foi dividido entre conversas sobre as praias que iríamos ver, cochilos no sofá do jato e alguns beijos roubados quando ela fingia que ia “apenas ajustar a manta”. No fundo, a viagem parecia longa, mas com Bruna por perto o tempo sempre passava rápido demais.

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