Luan Narrando
Las Vegas.
Só de pensar nesse nome já dá aquela sensação de que nada de bom vai sair daqui. Mas cá estávamos: eu, Justin — o noivo nervoso, Ryan, Anthony e o novato do rolê, Luke, namorado da Melanie. A gente tinha prometido pra Bruna e pras meninas que seria uma despedida “tranquila”, mas Vegas não combina com a palavra tranquilo.
- Mano, olha isso! -Ryan quase gritou quando entramos no cassino do hotel, as luzes piscando, cheiro de cigarro no ar e gente apostando até a alma.- Eu tô me sentindo no meio de um filme do Scorsese!
Justin riu nervoso, mas eu percebia no olhar dele que ele tava tentando manter o foco.
- Só não me enche o saco amanhã se eu aparecer de ressaca, beleza? -ele falou, ajeitando o boné.
Anthony deu um tapa no ombro dele:
- Relaxa, noivo. Hoje você é rei. Amanhã a gente segura as pontas se precisar.
Luke, que parecia meio perdido ainda, perguntou:
- E qual é o plano? Cassino, balada ou o pacote completo?
Eu ergui meu copo de whisky e respondi, já sentindo a noite prometer:
- Pacote completo, óbvio. Hoje a gente não é só amigo do noivo, a gente é cúmplice.
E foi assim que a primeira rodada de apostas começou, com Justin jurando que não ia gastar nada, e dez minutos depois já xingando porque tinha perdido duzentos dólares no blackjack.
- Fala sério, cara! -ele bufou, jogando as cartas na mesa.- Minha sorte só funciona em cima do palco.
Eu gargalhei, pegando mais fichas:
- Sorte sua que casamento não se ganha em cartas.
Ryan já tava filmando tudo, rindo e gritando:
- Mano, isso aqui vai ser histórico!
E enquanto as luzes de Vegas brilhavam do lado de fora, eu tinha certeza de uma coisa: aquela noite ainda ia render história pra muito tempo.
A primeira rodada no cassino já tinha esquentado o clima, e o whisky começava a bater forte. Justin, que jurou que ia se controlar, já estava com o boné pra trás, rindo alto e xingando a própria sorte. Anthony e Ryan não paravam de filmar cada reação dele, e Luke ainda tentava entender a dinâmica do grupo — parecia um novato sendo jogado no meio de um furacão.
- Mano, sério, se você perder mais uma, eu juro que te jogo na piscina do hotel! -gritei pra Justin, que estava com uma expressão entre pânico e euforia.
- Cala a boca, Luan! -ele respondeu, tentando não derrubar o drink que já tinha na mão.- Não é fácil ser o noivo sortudo de Vegas!
A gente já tinha perdido a conta de quantos drinks tinham passado pelo balcão. Ryan resolveu que era hora de “animar a festa”, e começou a puxar apostas bizarras, tipo “quem consegue puxar a máquina de caça-níquel até a frente do cassino sem derrubar o drink”. Eu quase cai na gargalhada vendo Luke tentando equilibrar um copo de tequila enquanto Anthony filmava tudo, gritando:
- Isso vai direto pro TikTok, moleque!
Mas o ápice da noite ainda estava por vir. Justin decidiu que precisava de “uma despedida digna de casamento”, e Ryan sugeriu uma das festas privadas do hotel — você sabe, aquelas com piscina, música alta e garotas exóticas dançando em plataformas. Justin olhou pra mim, os olhos brilhando de malícia:
- Luan, amigo, hoje a gente vai fazer história. Hoje ninguém me segura.
Eu revirei os olhos, sabendo que o caos ia ser absoluto. Mas não podia negar: aquela adrenalina, aquela liberdade, aquela sensação de “antes do altar, tudo é permitido”, tinha algo viciante.
Chegando na área VIP da piscina, já tinha gente dançando, a luz piscando em ritmo alucinante, e as meninas do show particular começando a interagir com o grupo. Anthony e Ryan já estavam rindo como loucos, Justin tentando se manter sério, e Luke… bem, Luke parecia ter entrado num episódio de reality show de Vegas.
Eu respirei fundo, sentindo que essa noite ia ficar marcada na memória de todo mundo — e que provavelmente amanhã a gente ia estar cheio de histórias que nem poderia contar. Mas ali, naquele instante, era só a gente, Vegas e a sensação de que o mundo podia esperar.
- Mano… -Justin sussurrou no meu ouvido, quase rindo e quase chorando de emoção.- Se eu sobreviver a isso, eu caso contigo amanhã sem medo.
Sorri, balançando a cabeça.
- Só espero que você sobreviva até o altar, irmão.
E com isso, a loucura começou de vez. Drinks voando, apostas malucas, risadas sem fim, e eu me perguntando quantas histórias bizarras iriam sair dessa noite — e quantas seriam dignas de contar depois do casamento.
Quando a noite caiu, o VIP da piscina estava um verdadeiro pandemônio. Eu já tinha perdido a camisa faz tempo, suor escorrendo, cerveja e whisky misturados pelo corpo, e aquele calor maluco de Vegas só piorava. Anthony apareceu todo orgulhoso, mostrando a tatuagem nova: “Virgínia” com um coração atravessado por uma flecha bem na altura do ombro. Ele riu alto, pedindo minha opinião:
- E aí, mano, ficou foda ou caguei tudo?
- Tá… foda pra caralho. -respondi, enquanto segurava a risada.- Mas a flecha podia ter sido mais dramática, tipo fogo saindo dela, sei lá.
Justin, claro, estava doidão. O noivo parecia que tinha encontrado a fonte da juventude: maconha. Ele estava adando tragadas discretas e rindo sozinho das próprias piadas. Ele tentava se equilibrar no canto da piscina, a mão meio trêmula segurando o drink, mas a vibe dele era contagiante: todo mundo queria estar naquele estado de pura loucura.
Luke parecia um alien de tanta pira: pupilas dilatadas, rindo sozinho, dançando descontroladamente, gritando coisas que ninguém entendia, como se cada gesto fosse uma competição de insanidade. Ryan, por outro lado, tinha decidido que aquela era a noite perfeita pra mostrar que era “o rei da rima de Vegas”. Ele se aproximou de uns caras aleatórios do cassino, improvisando:
- Vegas na mente, whisky no copo. Se tu vacila, eu caio no topo!
Os caras olharam com uma mistura de confusão e admiração, e Ryan riu, se achando o próprio Tupac em miniatura.
Eu já estava no limite, quase caindo na borda da piscina, puxando Justin junto e gritando:
- Mano, se cairmos agora, é história pra contar até o próximo casamento!
Ele gargalhou, cuspindo um pouco de whisky, e me empurrou de volta:
- Luan, tu é doido, mas te amo, velho!
Anthony começou a dar cambalhotas ridículas na borda, quase caindo na piscina com a tatuagem fresquinha. Luke resolveu imitá-lo, mas acabou quase derrubando Ryan, que, claro, não largava a rima:
- Se tu vacila, amigo, eu improviso contigo!
E Marina, se estivesse aqui, teria surtado com o que estávamos fazendo, mas ninguém ligava, porque Vegas tinha sua própria lei: nada de juízo, só caos, risadas e mais drinks. Justin, ainda fumando maconha, olhou pra mim e disse:
- Luan, mano… depois dessa noite, só sobrevive quem tiver história!
- Concordo. -respondi, quase caindo de tanto rir.- E amanhã, vamos ter dor de cabeça eterna!
Ryan e Luke começaram a dançar no bar improvisado, fazendo passos que mais pareciam ritual tribal, Anthony gargalhava enquanto fazia caretas, e Justin só observava, rindo e cuspindo fumaça.
Justin olhou pra mim, olhos brilhando de doideira, e disse:
- Mano, essa festa tá boa, mas bora explorar Vegas de verdade.
Eu revirei os olhos, mas sorri:
- Tá… bora ver até onde a gente consegue quebrar a cidade.
Chamamos os caras e descemos, Justin pegou o carro alugado que tínhamos estacionado do outro lado do hotel — um conversível brilhante, vermelho berrante, impossível não chamar atenção. Todos subiram aos gritos, rindo, quase se atropelando de tanta pressa pra sair do hotel. Eu me sentei no banco do passageiro, colocando Luke atrás de mim e Ryan com Anthony no banco de trás. Justin ligou o motor, o som explodiu, e a loucura de Vegas continuou.
- Próximo ponto: Strip! -gritou Justin, apertando o acelerador.
Já na rua, o trânsito era um caos, mas ninguém se importava. Luke gritava bobagens, Ryan tentava improvisar rimas com os semáforos, Anthony apontava pra tudo e qualquer coisa e Justin só ria, fumando escondido enquanto dirigia.
- Esse é o verdadeiro “Se Beber Não Case”, galera? -eu falei, rindo, enquanto me segurava pra não cair no carro.
- E ainda não começou o pior! -Justin respondeu, olhando pelo retrovisor e rindo de forma insana.
Vegas nos esperava. O brilho dos letreiros, os sons de sirenes e da música eletrônica misturados ao caos do trânsito só aumentavam a adrenalina. Sabíamos que estávamos prestes a passar para outro nível, mas nenhum de nós tinha ideia do quão louco seria esse próximo destino.
O carro desceu a Strip como se fosse nosso território pessoal. Luzes piscando, letreiros neon, música alta em todos os cantos, e a sensação de que tudo era permitido. Justin não parava de rir, enquanto acelerava entre os carros, e Luke gritava sem parar, praticamente hipnotizado pelo caos da cidade.
- Mano, olha aquilo! -Ryan apontou pra um grupo de dançarinos improvisando na calçada.- Dá pra fazer rima com tudo, cês tão vendo?
Anthony só acenava, orgulhoso da tatuagem, dizendo que ia mostrar pra Virgínia depois e que ela ia pirar. Justin gritou:
- Bora naquele club ali, o que tem luz negra e tequila infinita!
Olhando pra fachada, eu só pude rir. Era absurdo. As pessoas dentro dançavam como se não houvesse amanhã. Sem hesitar, paramos o carro e todos saíram correndo, cada um do seu jeito: Luke saltou como se estivesse numa rave, Ryan começou a rimar com os seguranças, Justin puxou Anthony e eu fiquei ali, só observando a loucura que estávamos prestes a entrar.
- Luan, entra logo! -Justin gritou, puxando meu braço.- Aqui a gente vai virar lenda!
No momento em que atravessamos a porta, fomos recebidos por uma onda de música, luzes piscando em cores que doíam nos olhos, cheiro de álcool, glitter pelo chão e pessoas completamente fora de si. Era caos absoluto, mas maravilhoso.
- Esse lugar… é perfeito pra nós! -gritei por cima da música. Justin me olhou e riu, completamente em transe.
Luke já tinha desaparecido entre a multidão, Ryan estava fazendo freestyle com qualquer um que passasse por perto, e Anthony levantava o braço como se fosse o rei da porra toda. Justin e eu nos entreolhamos, sorrindo de forma cúmplice, sabendo que essa noite ia ser histórica.
No meio daquela confusão de luzes e corpos dançando, eu juro que achei que tava alucinando. Pisquei forte, esfreguei os olhos, até belisquei o braço. Mas não, era real: Luke atravessava a pista de dança com um macaquinho no ombro, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
- Não, peraí… eu tô muito bêbado ou esse doido tá com um macaco? -perguntei alto, rindo sem acreditar.
Justin olhou, arregalou os olhos e soltou uma gargalhada:
- Manoooo, ele tá com um macaco mesmo! -e começou a tossir de tanto rir.
Ryan, no improviso, não perdeu a chance:
- Luke chegou na festa, causando impacto, não trouxe bebida, mas trouxe um macaco!”
Anthony bateu palma, achando aquilo a melhor coisa da noite:
- Esse cara é oficialmente nosso maluco oficial.
Luke, com as pupilas explodindo de tão dilatadas, acariciava o macaquinho como se fosse um bichinho de estimação de infância.
- Gente, relaxa, ele é meu brother! -disse, tropeçando um pouco.- O nome dele é… é… sei lá, mas ele gosta de tequila!
O macaquinho, como se entendesse, roubou a rodela de limão da borda do copo de alguém e começou a mastigar. O pessoal ao redor pirou, todo mundo gravando no celular e rindo.
Do nada, o DJ da festa soltou no microfone:
- Quem aí manda bem no som? Quero ver quem tem coragem de subir aqui!
Eu virei automaticamente pro Justin, pronto pra sugerir o Ryan, afinal, rimar era o negócio dele. Mas quando olhei pro lado… cadê o Justin?
- Ué? -perguntei, girando a cabeça igual coruja.
Anthony apontou pro palco, quase cuspindo a bebida de tanto rir:
- OLHA LÁ, MANO!
Quando virei, quase caí duro: o Justin já tava em cima do palco, sem camisa, cabelo desgrenhado, segurando o microfone como se tivesse nascido com ele na mão. E a galera… lógico que foi abaixo. Grito, histeria, celular apontado de todos os lados.
- PUTA QUE PARIU, É O BIEBER! -alguém berrava no meio da pista.
E ele, sem dó, começou a bancar um rapper americano, mandando umas frases emboladas, batendo no peito e fazendo uns gestos exagerados com a mão. Eu juro que parecia que ele acreditava que tinha virado o Kendrick Lamar.
A multidão pirava, Ryan segurava a barriga de tanto rir e gritava:
- ISSO É UM DESRESPEITO À ARTE DO HIP HOP, MAS EU APROVO!
Luke, com o macaco no ombro, berrava:
- VAI, CUNHADÃO, ARREBENTA! -e o macaco, como se entendesse, levantava a mãozinha junto.
Anthony chorava de rir:
- Esse desgraçado acabou de transformar a despedida em show internacional!
E eu só conseguia pensar: Meu Deus do céu, esse homem vai se casar semana que vem e tá aqui rebolando no palco como se fosse do Wu-Tang Clan.
O DJ, em vez de tirar ele dali, tava incentivando:
- SEGUE O FLUXO, JUSTIN, SEGUE O FLUXO!
E o desgraçado ainda mandou:
- I’m Bieber, bitch! -jogando o microfone pro alto e pegando de volta, como se fosse o Eminem em 8 Mile.
A festa virou caos.
Justin desceu do palco com aquele sorrisinho convencido, peito estufado, suor escorrendo pela testa e a calça quase caindo de tanto que ele pulou. Ele veio andando devagar, tipo lutador depois de ganhar cinturão, batendo na mão da galera que gritava o nome dele.
- Viram isso? -ele abriu os braços quando chegou na gente, todo exibido.- O Bieber voltou às origens, porra! Eu nasci pra isso!
Ryan gargalhava:
- Origem onde, irmão? Origem em Detroit, no gueto? Porque, desculpa, tu é canadense, criado no meio da neve e da calopsita de estimação!
Anthony segurava o ombro recém-tatuado, como se fosse cair a qualquer momento, falou:
- Mano, cê parecia um pastor evangélico tentando virar o 50 Cent, eu juro por Deus!
Luke, ainda com o macaco pendurado, gritou:
& Eu vi nego chorando, tá ligado? O cara emocionou a plateia… -e aí completou, piscando pra mim:- …mas eu acho que era de vergonha.
Justin não tava nem aí. Pegou um copo da bandeja de um garçom aleatório, virou de uma vez e disse:
- Inesquecível. A noiva devia ter visto.
Eu revirei os olhos:
- Ainda bem que ela NÃO viu, porque senão cancelava o casamento na hora.
Ele deu uma risada debochada, passou a mão no cabelo molhado de suor e respondeu:
- Fica tranquilo, cunhadinho… amanhã eu volto a ser comportado e pai de família. Hoje, eu sou uma lenda viva.
E saiu andando pela boate, abrindo caminho no meio da multidão como se fosse dono de Vegas.
Eu olhei pros outros e falei:
- Pronto, perdemos o noivo.
Eu mal tinha terminado de falar, quando uma mina surgiu gritando lá da pista:
- MEU DEUS, O JUSTIN BIEBER ALI!!!
A partir daí foi efeito dominó. Um grupo inteiro de meninas surtou, celular pra cima, flash na cara dele, gritando, chorando, empurrando todo mundo pra chegar perto.
Justin abriu os braços, todo fodão, e falou:
- Calma, calma, uma de cada vez, o papai tá aqui!
Ryan quase se mijava de rir:
- Papai tá aqui é foda!
Anthony segurava o ombro tatuado e tentava afastar a galera:
- Dá espaço, porra, o homem casa semana que vem! Não pode aparecer roxo no altar, não!
Enquanto isso, Luke tava chapadaço, segurando o macaquinho e gritando:
- Cobra cem dólares por selfie! Quem quiser foto com o Bieber, fala com o empresário dele, EU!
O pior: o povo começou a pagar mesmo. Eu juro. Tinha gente enfiando nota no bolso dele.
Eu tentei puxar o Justin pelo braço:
- Bora, véi! Cê vai acabar saindo daqui no TMZ amanhã com a manchete “Justin Bieber detido em strip club em Las Vegas com um maluco com um macaco.”
Ele riu, todo elétrico:
- Deixa rolar, cunhado! A vida é uma festa, e hoje eu sou o convidado especial.
Foi aí que uma fã mais ousada subiu nele, agarrou o pescoço e tentou beijar. Eu só vi o desespero na cara dele:
- EITA, NÃO, CALMA! Eu sou homem casado, quase! -ele gritava, se debatendo.
Anthony, Ryan e eu tivemos que separar a mulher enquanto o macaco do Luke roubava o celular dela da mão.
Olhei pros caras, todo suado e já sem paciência:
- Se a gente não vazar daqui agora, esse casamento não vai nem acontecer.
Quando, de repente, ouvi um grito histérico:
- GENTE, É O LUAN SANTANA!!!
Olhei pro lado e vi umas três gringas vindo na minha direção, celular em punho, como se eu fosse a porra de um prêmio da loteria.
- Ah, não… -murmurei, já sabendo o que ia rolar.
Em segundos, já tinha mina me agarrando pelo braço, outra tentando pegar meu cabelo, e uma maluca berrando:
- CANTA “Meteoro”!
Eu, desesperado, tentando rir pra disfarçar:
- Minha filha, eu tô sem violão, sem microfone, sem nada!
Ryan gritava do fundo:
- Canta a capela, caralho, senão elas te comem vivo!
Enquanto isso, Justin ria igual um idiota, berrando:
- SHOW INTERNACIONAL! Luan Santana e Justin Bieber, ao vivo em Vegas!
A galera começou a me puxar, e eu juro que por um segundo achei que ia sair dali sem cueca.
Anthony tentava afastar as fãs, mas com o braço tatuado mal feito ele só parecia um maluco fugido da cadeia. Luke, por sua vez, tava com o macaquinho no ombro gritando:
- Selfie com Luan, 50 dólares! Promoção do dia!
Eu já tava ficando puto, com meia dúzia de fãs agarradas em mim, um noivo doidão de maconha rindo da minha cara, também sendo agarrado, um amigo tatuado, agora sangrando o ombro, outro chapado com um macaco vendendo foto e Ryan tentando rimar “Santana” com “banana”.
Quando percebi que a coisa tava ficando séria, com mina tentando arrancar até meu colar, eu olhei pros moleques e gritei:
- CORRE, CARALHO!
Foi tipo cena de filme: Anthony, com o ombro sangrando da tatuagem, pegou Ryan pelo braço; Justin pulou no meio das meninas tropeçando que até caiu de cara no chão, mas levantou rindo igual idiota; Luke com o macaco ainda no ombro, berrando “ele é nosso filho agora!”, e a gente saiu correndo pelo strip club.
Eu só pensava: puta merda, se tiver foto disso amanhã no TMZ, a Marina me mata.
A gente atravessou o salão no desespero, derrubando garrafa, mesa, até um stripper vestido de bombeiro caiu no chão com a gente. Eu empurrei a porta de emergência, alarme disparou, e quando vi estávamos todos do lado de fora, na rua, ofegantes, igual bando de fugitivo de presídio.
- Cês tão doidos, véi?! -eu quase gritei.- Eu quase fui estuprado por fã gringa!
Justin, rindo, ainda com os olhos vermelhos da maconha:
- Relaxa, cunhado, você nasceu pra ser amado!
Anthony, mancando e segurando o ombro tatuado:
- Foda-se o amor, alguém tem água oxigenada?
E aí vem Luke, acariciando o macaco como se fosse um bebê:
- Eu chamei ele de Tobias. Ele vai morar comigo e com a Melanie.
Eu passei a mão na cara, incrédulo:
- Cês tão malucos… nós acabamos de sequestrar um macaco em Vegas, porra!
Ryan, ainda tentando rimar até naquela situação:
- Macaco no ombro, perigo no escombro, mas Vegas é nossa, vamo até o tombo.
Eu juro que tive vontade de socar ele.
No fim, a gente correu até a limousine do outro lado da rua. Entramos todos aos trancos e barrancos, o motorista assustado olhando o macaco no ombro do Luke, e eu só falei:
- Pisa fundo e não olha pra trás!
E lá fomos nós, bêbados, suados, com um macaco de contrabando, fugindo de Vegas como se fosse missão da CIA.i
O motorista acelerava na limousine como se estivesse fugindo da máfia, e eu lá atrás, tentando recuperar o fôlego. O cheiro de bebida e suor impregnava o ar. O macaco do Luke, o tal Tobias, já tinha aberto a geladeira do carro e tava jogando latinha de energético pra todo lado.
- Luke, controla essa porra desse bicho! -eu reclamei.
Ele rindo:
- Ele é independente, mano, deixa o moleque viver!
Justin gargalhava, chapado, com o celular na mão:
- Eu vou postar isso no Insta, “meu novo sobrinho”…
- NÃO, PORRA! -gritei, quase voando no celular dele.- Você quer que Marina, Bruna e Melanie descubram AGORA que estamos fugindo com um macaco em Vegas?
De repente, luzes azuis e vermelhas refletiram dentro da limousine.
- FODEU. -Anthony murmurou, encolhendo o ombro recém tatuado.
O motorista parou no acostamento, dois policiais se aproximaram. Um deles bateu no vidro e pediu pra abrir. Justin, ainda rindo, abaixou o vidro e soltou:
- Boa noite, policial, somos apenas um bando de rapazes do bem de fora da cidade!
O policial piscou os olhos, reconhecendo:
- …Justin Bieber?
Antes que qualquer um pudesse inventar uma desculpa, Tobias, o macaco, pulou no colo do Justin, mostrou os dentes pro policial e jogou uma latinha nele.
- PRONTO, AGORA VAI TODO MUNDO PRESO! -eu berrei, já imaginando minha foto no jornal: “Luan Santana detido em Vegas com Justin Bieber e um macaco ilegal.”
Em menos de cinco minutos, estávamos todos algemados, sendo levados pra viatura. O macaco berrando dentro de uma caixa, Ryan tentando improvisar uma rima pra convencer os policiais, Anthony chorando porque a tatuagem tava ardendo, Justin cantando “Baby” como se fosse acalmar a situação, e eu só rezando:
- Senhor, se eu sair vivo dessa, prometo nunca mais beber em despedida de solteiro.
A delegacia de Las Vegas parecia cena de filme. Luzes brancas demais, cheiro de café velho, e a gente sentado em bancos duros, algemados, parecendo um bando de adolescentes pegos bebendo no meio da praça.
O policial bateu a pasta na mesa e encarou a gente.
- Vocês estão sendo acusados de dois crimes: posse de animal roubado e furto de veículo.
- QUE?! -eu quase caí da cadeira.- A gente não roubou nada!
O cara apontou pro Tobias, o macaco, que tava enjaulado no canto da sala, encarando todo mundo com uma cara de maluco.
- Esse animal foi reportado como roubado hoje mais cedo do zoológico de Vegas.
Luke levantou as mãos, desesperado:
- Eu não roubei, mano! Achei ele numa festa. Ele só… pulou em mim! Tipo… conexão espiritual!
- Conexão espiritual, meu ovo, Luke! -eu explodi.- Você trouxe esse bicho como se fosse um chaveiro!
Ryan, no maior timing errado do mundo, começou a rir alto.
- E a parte do carro? Essa foi boa… a limousine não era nossa mesmo, policial. Era um conversível!
O policial arregalou os olhos.
- Então vocês confirmam que roubaram o carro?
- NÃO! -Justin bateu na mesa, desesperado.- O motorista ofereceu carona! Eu juro, policial, eu posso cantar pra você!
Ele começou a sussurrar “Baby, baby, baby ohhh” e eu enterrei o rosto nas mãos.
Anthony, coitado, levantou o braço, mostrando o ombro com a tatuagem vermelha.
- Policial… eu nem tô entendendo nada, mas será que tem como vocês passarem um antisséptico? Porque a tatuagem da minha mina tá ardendo…
O policial piscou, sem acreditar no que via. Nisso, Tobias começou a berrar na jaula e jogou cocô na parede.
O barulho da grade se fechando atrás da gente ecoou como uma sentença.
- Sentem aí, rapazes. -o policial disse, trancando.- Quando passar o efeito das substâncias que vocês usaram, a gente conversa.
Eu quase gritei:
- Mas eu não usei nada, caralho!
- Claro, sem camisa, cheirando tequila e com glitter no cabelo… tá limpo sim. -o policial debochou e saiu.
Eu olhei pro resto do grupo e… meu Deus.
Justin tava sentado no chão, encostado na parede, rindo sozinho.
- Mano… a parede respira. Olha isso, Luan! Ela respira comigo…
- Jesus amado… -passei a mão no rosto.
Ryan tava tentando convencer outro preso a participar de uma batalha de rima.
- Vamo lá, meu parceiro, solta uma! Eu começo: Tô preso em Vegas, mas não tô à toa… quando sair daqui, vou comer a tua...
- CA-LA-BO-CA! -gritou o detento, jogando o chinelo nele.
Anthony tava deitado no banco, segurando o ombro tatuado.
- Minha Virgínia vai me matar… vai achar que eu traí ela…
- Cê tatuou o nome dela, animal! -falei.- Isso é a prova de amor mais idiota que eu já vi.
Luke, por sua vez, tava encostado nas grades, falando com Tobias, o macaco, que os guardas tinham colocado numa jaula improvisada ao lado da cela.
- Eu vou te tirar daqui, filho. A gente é família agora.
- Você precisa de ajuda psiquiátrica, Luke. -falei sério.
Ele sorriu.
- Não, eu só preciso de um veterinário pro Tobias.
A cela inteira caiu na gargalhada, menos eu. Eu só pensava na Marina…
“Se ela descobre que eu tô preso em Vegas porque um maluco resolveu adotar um macaco roubado, nem vai ter mais casamento.”
Eu suspirei fundo, encostei na parede e falei alto:
- Sabe de uma coisa? Acho que vou dormir. Acorda quando esse pesadelo acabar.
Justin deu uma risada:
- Dorme nada, mano… daqui a pouco a parede canta comigo.
E ele começou a cantar de novo.
[...]
Já fazia duas horas que a gente estava trancado naquela cela imunda. O papo não mudava:
- A culpa é tua, Luke! -eu batia o pé.- Quem manda roubar um macaco, véi?
Ele se defendia:
- Ah, e vocês acham bonito pegar uma limousine que não era nossa? Pelo menos eu trouxe um amigo!
O tal do Tobias, o macaco, deu um berro lá do canto da jaula, como se concordasse com ele.
- Cala a boca, Tobias! -Anthony gritou, já de saco cheio.
Ryan gargalhou, quase caindo do banco.
- Mano, a gente tá brigando com um macaco. Que nível a gente chegou?
Antes que a discussão virasse pancadaria, o policial apareceu. Girou a chave da cela com calma e falou:
- Estão livres.
A gente ficou se entreolhando, sem entender nada.
- Como assim, livres? -Justin perguntou, coçando a cabeça.- A gente nem foi interrogado.
- Fiança paga. -o policial respondeu seco, abrindo a grade.- Podem sair.
Saímos um por um, desconfiados, já esperando ver Marina, Bruna, Melanie, Virgínia e Olívia ali do lado de fora, prontas pra arrancar nossas cabeças. Mas não.
Pra nossa surpresa, quem tava lá eram Chaz e Chris, os brothers do Canadá.
- SEM CHANCE! -Justin gritou, correndo até eles e abraçando os dois como se tivesse reencontrado família perdida.- Meus irmãos, vocês salvaram a gente!
Chaz riu:
- Tava sabendo que vocês iam aprontar, mas não achei que seria tão rápido.
Chris completou:
- Bora, que a noite tá só começando.
Eu fiquei parado por um segundo, passando a mão no rosto. Aquilo não podia ser sério. A gente tinha acabado de sair da cadeia, bêbado, com um macaco como cúmplice de crime, e esses dois aparecem com a cara mais tranquila do mundo.
E foi aí que caiu a ficha: a noite não tinha acabado.
Justin olhou pra gente e falou, empolgado:
- Bora viver, porraaaa!
E eu só pensei: Marina vai me matar.