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Capítulo 121

Bruna Narrando

Os sete dias nas Maldivas foram um sonho que eu queria guardar em frascos, só pra poder abrir e reviver quando a saudade batesse. O mar azul turquesa, o sol escaldante refletindo no corpo do Justin, nós dois caminhando descalços pela areia branca… parecia cena de filme.

Entre mergulhos, massagens à beira-mar, jantares românticos em cabanas iluminadas por tochas e momentos de pura entrega entre quatro paredes, nosso tempo ali foi um mergulho em nós dois. Eu nunca tinha sentido tanta paz e tanta intensidade ao mesmo tempo.

Mas, como toda viagem perfeita, também teve seu custo: Justin foi embora com uma cor de bronzeado invejável e uma leve insolação, porque, claro, ele ignorou meus “passa mais protetor, amor”.

Agora, estávamos de volta ao jatinho particular dele, enfrentando as vinte e cinco horas de voo de volta para Nova York. Ele dormia no assento reclinável ao meu lado, camiseta branca simples, cabelo bagunçado, a respiração pesada do cansaço. Eu observava, sem conseguir pregar os olhos.

Na minha cabeça, a voz da cigana ainda ecoava. Tentei afastar. Não queria deixar aquilo me consumir, nem manchar tudo o que vivemos nesses dias. Justin não precisava ver minha testa franzida, não agora.

Fechei os olhos, encostando a cabeça no vidro da janela do avião. Prometi a mim mesma que, assim que aterrissássemos em Nova York, a vida voltaria a girar em torno das crianças, da família, do nosso lar. Talvez isso fosse o suficiente pra calar o peso das palavras daquela mulher.

Eu já estava quase cochilando quando senti Justin se mexer ao meu lado. Ele abriu os olhos devagar, piscando contra a luz suave da cabine.

- Quanto tempo eu dormi? -a voz saiu rouca, meio arrastada.

Olhei no celular. 

- Umas três horas. -sorri.- E roncou metade do tempo.

Ele franziu a testa, indignado. 

- Eu não ronco.

- Ah, ronca sim. -ergui a sobrancelha, divertida.- Quer que eu grave da próxima vez?

Ele riu, passando a mão pelo rosto. 

- Eu devia estar muito cansado… e um pouco torrado, né? -cutucou o ombro dele mesmo, ainda vermelho do sol.

- Torrado é pouco. -revidei, segurando a risada.- Tá quase virando camarão.

Ele fez uma careta e depois se inclinou pra me beijar rápido. 

- Você casou com um camarão apaixonado, parabéns.

Soltei uma gargalhada, balançando a cabeça. 

- Eu merecia pelo menos um surfista bronzeado, mas tudo bem, vou aceitar o camarão.

Ficamos assim, trocando provocações leves, até que ele se ajeitou melhor no assento e segurou minha mão.

- Daqui umas horas a gente vai ter a pausa pra abastecer. O piloto falou que podemos dormir numa cidadezinha antes de seguir viagem.

- Seria ótimo. -suspirei.- Minha coluna vai agradecer.

Ele sorriu de lado, com aquele ar que sempre denunciava que vinha besteira. 

-E se a gente pedir um quarto só com uma cama enorme… pra dar continuidade na nossa lua de mel?

- Justin! -dei um tapa leve no braço dele, rindo.- Você não cansa?

- De você? -ele rebateu na lata, com um sorriso malandro.- Nunca.

Acabei rindo também, balançando a cabeça enquanto encostava no ombro dele. 

- Você sabe que vai virar piada interna agora, né? -falei, olhando pro ombro dele, vermelho.- Cada vez que eu ver você sem camisa, vou pensar “lá vai meu camarão”.

Justin fingiu indignação. 

- E eu que achei que tinha casado com alguém que ia valorizar meu esforço estético. Fiquei horas mergulhando naquele mar cristalino só pra impressionar você.

- Impressionou, impressionou tanto que quase virou churrasco de praia. -retruquei, rindo.

Ele balançou a cabeça e me encarou, sério de repente. 

- Falando sério, Bru… eu nunca vou esquecer esses dias. Foi as melhores duas semanas da minha vida.

Meu coração apertou. A maneira como ele falou, com a voz baixa, sem tentar ser engraçado, me atingiu direto. Apertei a mão dele.

- Também foram as minha. -respondi, simples, mas com um nó na garganta.

Por alguns minutos ficamos só em silêncio, ouvindo o ronco leve das turbinas. Aquelas pausas eram raras, e eu gostava de sentir como se o mundo todo tivesse desacelerado.

Então, ele resolveu quebrar o clima.

- Sabe o que eu mais senti falta? -ele perguntou.

- Do Jack e da Chloe. -chutei de cara.

Ele sorriu. 

- Também… mas eu ia dizer pizza de Nova York. -riu, desviando quando eu bati no braço dele de novo.- Tá, tá, calma. Eu senti falta deles sim, óbvio.

Revirei os olhos, mas sorrindo. 

- Você é impossível.

- E irresistível. -completou, me puxando pra um beijo rápido que quase virou longo demais.

Eu ri contra os lábios dele. 

- Se a gente continuar nesse ritmo, vamos chegar em Nova York mais apaixonados que no dia do casamento.

- Ué, não era essa a meta? -respondeu, sério, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.- Deixa eu te perguntar... você já fez aquelas coisas no ar?

Arqueei uma sobrancelha em direção ao Justin, o canto da boca se curvando num sorriso maroto assim que entendi onde ele queria chegar.

- Aquelas coisas no ar, é? -repeti baixinho, fazendo suspense, só pra deixar ele ainda mais curioso. Me inclinei um pouco, olhando bem dentro dos olhos dele.- Ainda não.

O brilho malicioso que surgiu no olhar dele foi imediato, e eu não aguentei segurar a risada.

- Ainda não? -ele rebateu, abrindo um sorriso cheio de segundas intenções.- Então você tá me dizendo que existe uma chance…

Fiz uma expressão pensativa, encostando o queixo na mão como se estivesse realmente avaliando.

- Talvez. -deixei a palavra escapar devagar, quase como se fosse um segredo perigoso.- Mas só talvez.

Ele se aproximou um pouco mais, abaixando o tom de voz, como se o avião inteiro fosse ouvir nossa conversa.

- Você sabe que quando você fala assim, desse jeito provocando, só me dá vontade de transformar esse talvez em certeza, né?

Ri, tentando disfarçar a onda de calor que subiu no meu rosto.

- Pois é… -respondi, mordendo de leve o lábio.- O problema é que você nunca se contenta com pouco, Justin.

- E você gosta que eu não me contente. -ele retrucou rápido, como se tivesse certeza absoluta daquilo.

Revirei os olhos, mas não consegui esconder o sorriso que escapou. A forma como ele me olhava, como se não houvesse mais ninguém no mundo além de nós dois, era de deixar qualquer defesa fraca.

- Talvez eu goste mesmo. -admiti, de um jeito meio desafiador.- Mas vai ter que merecer, Bieber.

Ele riu, passando a mão no meu cabelo devagar, quase como quem promete alguma coisa só pelo gesto.

- Ah, Bruna… eu não tenho dúvidas de que vou merecer. -disse, antes de me puxar pra mais perto, como se o jatinho fosse pequeno demais pra tanta tensão entre a gente.

Justin ainda me olhava daquele jeito que só ele sabia, como se já tivesse tomado a decisão por nós dois. Eu tentava manter minha pose de desafiadora, mas cada segundo que passava, a ideia parecia menos absurda.

- Você tá mesmo pensando nisso? -perguntei, semicerrando os olhos, ainda em tom de provocação.

- Eu não tô só pensando. -ele respondeu, firme, a voz baixa e carregada de promessa.- Eu tô decidindo.

Soltei uma risada curta, balançando a cabeça.

- Você é impossível.

- Não… eu sou só um cara que tem a esposa mais linda do mundo e que acabou de dizer que nunca fez isso no ar. -ele rebateu, quase como uma justificativa perfeita.

O silêncio que veio depois foi cheio de significados. Nossos olhares se encontraram e, no fundo, eu sabia que não tinha volta.

- Você vai se arrepender de ter me provocado. -ele sussurrou, colando a testa na minha.

- Eu nunca me arrependo com você. -respondi, antes de ceder completamente.

E foi assim que, em meio ao som suave das turbinas e ao céu escuro pontilhado de estrelas do lado de fora, nossa primeira vez no ar aconteceu. Não importava o lugar, o tempo ou a viagem ainda pela frente: só existia a gente dois, rindo baixinho, se interrompendo com beijos e tentando não fazer tanto barulho — mas falhando miseravelmente, como sempre.

Quando tudo terminou, estávamos deitados, ainda rindo como se tivéssemos acabado de cometer a maior loucura do mundo.

- Então… -Justin disse, com aquele sorriso convencido.- A lista agora tem um check a mais.

Revirei os olhos, mas encostei o rosto no peito dele, sentindo o coração dele disparado sob a minha mão.

- Idiota. -murmurei, sorrindo sem conseguir disfarçar.

Depois de alguns minutos só rindo à toa e tentando recuperar o fôlego, me levantei, ajeitei a roupa e fui até o frigobar. Abri a porta baixinha de metal, e uma luz branca iluminou várias opções de bebidas e alguns snacks. Eu me abaixei, ainda rindo sozinha da cena que tínhamos acabado de viver.

Atrás de mim, Justin terminava de se arrumar também e logo caminhou até a cabine do piloto. Ouvi a voz dele abafada, perguntando sobre o horário do pouso.

Peguei uma garrafinha de água e fiquei indecisa entre um suco de laranja e uma latinha de refrigerante. Acabei pegando o refrigerante. Quando Justin voltou, fechei a porta do frigobar com o pé e me sentei de novo no sofá, entregando a ele o refri.

- E aí? -perguntei, curiosa, abrindo a minha água.- Quanto tempo falta?

Ele se jogou ao meu lado, abrindo a latinha com aquele estalo metálico.

- Umas três horinhas até a parada pra abastecer. Depois disso, vamos descansar um pouco antes de seguir. -respondeu, dando um gole e me olhando de canto, com aquele sorrisinho que ainda denunciava o que tínhamos aprontado.

- Três horas? -fiz uma careta.- Isso é muito tempo.

- Pra você, que não consegue ficar parada, né? -ele riu, bagunçando meu cabelo de propósito.- Eu já tô adorando essa viagem.

Revirei os olhos, mas encostei a cabeça no ombro dele, sentindo o corpo relaxar de novo. O silêncio confortável se instalou por alguns segundos, até que soltei, baixinho:

- Às vezes parece mentira, sabia? Eu aqui, com você, voltando da nossa lua de mel, depois de tudo o que a gente passou.

Justin deixou a latinha de lado e virou o rosto pra me olhar com seriedade.

- Não é mentira, Bru. É só a nossa vida. E, sinceramente? Eu não trocaria por nada.

Meu coração se apertou na hora. Eu sorri, mas desisti de responder com palavras. Em vez disso, puxei ele num beijo leve, daqueles que não precisam dizer nada.

[...]

O tempo passou mais rápido do que eu esperava. Entre beijos roubados, conversas bobas e até uma tentativa frustrada minha de vencer Justin num joguinho no tablet, logo já sentimos o avião começar a perder altitude.

Justin se levantou e foi até a janela, puxando um pouco a cortina. Olhou lá fora e depois voltou pra perto de mim.

- Vamos pousar pra abastecer. -avisou, calmo.- Depois vamos descansar em um hotel aqui perto, antes de seguir viagem.

Assenti, ajeitando o cabelo em um coque improvisado, e sorri. A verdade é que eu estava exausta, e a ideia de deitar numa cama parecia um presente.

Pouco depois, o jatinho pousou suavemente na pista iluminada. Do lado de fora, algumas luzes e carros da equipe de apoio já aguardavam. Pegamos nossas coisas essenciais e descemos as escadas de mão. O ar fresco da noite bateu no meu rosto, trazendo um alívio depois de tantas horas dentro da cabine.

- Vem cá. -Justin passou o braço pelos meus ombros, me puxando contra ele enquanto caminhávamos juntos em direção ao carro que nos levaria.

O motorista nos cumprimentou e logo seguimos para um hotel discreto, próximo ao aeroporto. O check-in foi rápido e, quando entramos no quarto, não tive forças pra nada além de me jogar na cama.

- Nossa, que delícia… -murmurei, afundando no colchão macio.

Justin riu, largou a mochila no canto e veio se deitar ao meu lado, puxando-me para o peito dele.

- Dorme, amor. Amanhã a gente continua.

Fechei os olhos, ainda sentindo o cheiro dele misturado ao travesseiro novo. O barulho distante da cidade se misturava à respiração dele calma, e em poucos minutos já estava entregue ao sono, com a sensação boa de que, apesar do cansaço, era exatamente ali que eu queria estar.

Algumas horas depois...

Depois de mais algumas horas de viagem, finalmente avistamos as luzes de Nova York pela janela. O coração bateu mais rápido — era como voltar pra realidade depois de dias que pareciam um sonho.

Justin se inclinou, olhando pela janela também, e sorriu. 

- Bem-vinda de volta ao lar, Sra. Bieber.

Revirei os olhos com um sorriso bobo. 

- Até parece que a gente ficou fora por meses…

- Mas parece, não parece? -ele riu, entrelaçando os dedos nos meus.- Uma parte de mim queria ficar lá pra sempre.

Eu concordei em silêncio. A lua de mel tinha sido perfeita, um daqueles capítulos da vida que ficam guardados com carinho. Mas havia também uma pontinha de ansiedade em mim — amanhã encontraríamos todo mundo de novo, e eu sabia que muitas coisas nos esperavam.

O jatinho pousou com suavidade, e logo descemos. O ar noturno de NY estava fresco, bem diferente do calor das Maldivas. Um carro já aguardava para nos levar até o apartamento.

No caminho, encostei a cabeça no ombro do Justin, observando as luzes da cidade que nunca dorme. Ele beijou o topo da minha cabeça, como quem queria me trazer de volta pro agora.

O balanço suave do carro e o cansaço acumulado de quase 35 horas de viagem foram mais fortes que eu. Mal percebi quando meus olhos pesaram e eu adormeci ali mesmo, com a cabeça encostada no ombro do Justin, embalada pelas luzes de Nova York que passavam borradas pela janela.

Não sei quanto tempo dormi, mas a próxima coisa que senti foi um toque delicado no meu rosto e a voz baixa do Justin me chamando.

- Amor... Bru, acorda. Chegamos.

Abri os olhos devagar, piscando para me acostumar com a escuridão. O carro estava parado. Minha primeira reação foi olhar pela janela, esperando ver a fachada familiar do nosso prédio no centro da cidade.

Mas não era isso que eu via.

Em vez do barulho e do movimento de Manhattan, havia um silêncio impressionante. E em vez do nosso prédio, havia um portão de ferro forjado, imenso e elegante, que se abria lentamente para nós. O carro avançou por um caminho de pedras cercado por um jardim que parecia ter saído de uma revista de arquitetura. Árvores altas e perfeitamente podadas, canteiros de flores que eu mal conseguia distinguir na penumbra e um gramado que se estendia até onde a vista alcançava.

No final do caminho, uma casa. Não, casa era pouco. Era uma mansão.

Era linda e enorme, não era coisa mínima. Tinha uma arquitetura clássica, mas com toques modernos, janelas que iam do chão ao teto e uma porta de entrada dupla que parecia ter o dobro da minha altura. Luzes quentes iluminavam a fachada, dando a ela um ar acolhedor, apesar da grandiosidade.

O carro parou em frente à porta e o motorista desceu para abrir para nós. Justin já estava do lado de fora, com um sorriso contido no rosto, esperando minha reação. Eu, por outro lado, continuei sentada, paralisada.

- Anda, vem. -ele me chamou, estendendo a mão.

Desci do carro, ainda em transe, e fiquei de pé, abismada. Inclinei a cabeça para trás para tentar ver o topo da casa. Olhei para o jardim enorme, para os muros altos que garantiam uma privacidade que eu nunca imaginei ter em Nova York. Era surreal.

Me virei para ele, com a testa franzida em pura confusão, a voz saindo quase como um sussurro.

- Justin... que lugar é este? Nós viemos visitar alguém?

Ele riu baixinho, um som que ecoou no silêncio da noite. Se aproximou, pegou minhas duas mãos e as beijou suavemente, sem nunca desviar o olhar do meu. O sorriso dele se alargou, cheio de orgulho e carinho.

- Não estamos visitando ninguém, meu amor. -ele respondeu, a voz calma e cheia de significado.- Agora, é a nossa casa.

Arregalei os olhos, surpresa. As palavras dele pairaram no ar frio da noite, sem fazer o menor sentido na minha mente exausta. Minha boca abriu e fechou algumas vezes antes que eu conseguisse formular uma frase coerente.

- Nossa casa? -repeti, a voz falhando.- Como assim, nossa casa? Justin, a gente mora num apartamento...

Ele apenas sorriu, aquele sorriso de quem sabe que acabou de virar o mundo de alguém de cabeça para baixo. Sem me dar mais tempo para processar, ele entrelaçou seus dedos nos meus e me puxou suavemente em direção à entrada.

- Vem ver.

A porta dupla se abriu para um hall que parecia maior que o nosso antigo apartamento inteiro. O chão de mármore branco brilhava sob a luz de um lustre de cristal que descia imponente do teto altíssimo, uns dois andares acima de nós. Uma escadaria em caracol, com um corrimão de madeira escura, subia elegantemente pela parede lateral.

Cada canto daquela casa era surreal.

Ele me guiou para a esquerda, passando por um arco que dava para uma sala de estar gigantesca. As paredes eram quase todas de vidro, revelando a escuridão do jardim lá fora e, ao longe, as luzes da cidade cintilando como um tapete de estrelas caídas. O mobiliário era moderno, mas aconchegante, com um sofá enorme em formato de "L", tapetes felpudos e uma lareira de pedra que parecia clamar por noites frias de inverno

Eu caminhava devagar, passando os dedos pelos móveis, pela parede, como se precisasse ter certeza de que tudo era real. Minha mente se recusava a conectar os pontos. Isso não era um hotel de luxo, não era a casa de um amigo. Ele disse que era nossa.

- Eu não... eu não entendo. -murmurei, virando-me para encará-lo. Meus olhos passearam pelo rosto dele, procurando por qualquer sinal de que aquilo era uma brincadeira elaborada.- Quando... como?

Justin se aproximou, parando a centímetros de mim. Seus olhos brilhavam de expectativa, de carinho.

- Eu comprei tem 1 ano. A reforma terminou um pouco depois de viajarmos. -ele confessou, a voz baixa.- Eu queria que fosse uma surpresa. Um recomeço de verdade para nós depois do casamento.

- Um recomeço? Justin, isso é... isso é um palácio! -gesticulei para o espaço ao nosso redor, sentindo uma mistura de euforia e pânico. Eu não conseguia acreditar.

- É a nossa casa. -ele reforçou, segurando meu rosto entre as mãos com delicadeza.- Eu queria um lugar onde as crianças tivessem espaço para correr sem se preocupar com vizinhos. Um lugar com um jardim para o Jack e a Chloe brincarem. Um lugar com privacidade, só nosso. Onde a gente pudesse construir nossa família, sem ter que se esconder. Eu queria te dar um lar, Bru. De verdade.

A sinceridade na voz dele, a forma como ele falou sobre "nossa família", me atingiu em cheio. O nó que se formou na minha garganta era feito de pura emoção. A cigana, as dúvidas, o cansaço da viagem... tudo pareceu desaparecer, substituído pela imensidão daquele gesto.

As lágrimas que eu não sabia que estava segurando finalmente escaparam.

- Você é louco. -sussurrei, rindo em meio ao choro.- Completamente louco.

- Louco por você. -ele respondeu, limpando uma lágrima da minha bochecha com o polegar.- Você gostou?

Eu não consegui dizer nada. Apenas assenti com a cabeça e me joguei nos braços dele, abraçando-o com toda a força que tinha, afundando o rosto em seu peito.

Ficamos abraçados por um longo tempo, até meu choro se transformar em soluços silenciosos e, finalmente, em uma risada baixa de pura incredulidade. Quando me afastei, sequei o rosto com as costas da mão, ainda olhando para ele como se fosse um anjo ou um louco. Talvez os dois.

- Isso ainda não parece real. -admiti, balançando a cabeça.

- Então eu preciso te provar. -Justin disse, pegando minha mão de novo.- A melhor parte ainda está lá em cima.

Ele me guiou de volta para o hall e subimos a escadaria em caracol, meus passos ecoando suavemente no mármore. O andar de cima era tão espaçoso quanto o de baixo, com um corredor largo e algumas portas fechadas. Justin parou em frente à primeira.

- Primeiro as damas. -ele disse com um sorrisinho, abrindo a porta.

Meu coração deu um salto. Era o quarto da Chloe.

As paredes eram pintadas num tom suave de lilás, com um céu estrelado pintado no teto, com estrelinhas que brilhavam fracamente no escuro. Uma cama baixinha, de casinha, estava encostada na parede, já com uma colcha de princesas. Havia uma estante cheia de livros infantis e bichos de pelúcia, um tapete macio com o desenho de uma amarelinha, uma casa de bonecas e um cantinho de leitura com almofadas fofas no chão. Ele tinha pensado em tudo. Eu conseguia imaginar perfeitamente a pequena ali, com seus quase três anos, pulando na cama e apontando para as estrelas no teto.

- Justin... -sussurrei, passando a mão por um ursinho de pelúcia na prateleira.- É perfeito.

Ele não disse nada, apenas me observou com um olhar terno antes de me guiar para a porta ao lado.

- Agora, o quarto do nosso campeão.

O quarto do Jack era um pequeno universo de aventura. As paredes eram de um azul claro, com decalques de animais da selva: um leão amigável aqui, uma girafa curiosa ali. Em vez de uma cama, havia um berço robusto de madeira que logo precisaria ser trocado por uma caminha, já que ele estava com quase dois anos e cheio de energia. No chão, um tapete que imitava uma pista de carrinhos e uma caixa de brinquedos cheia de blocos de montar e bolas macias. Era um paraíso seguro e divertido para um menininho explorador. Eu podia ouvi-lo rindo, tentando imitar o som de um macaco.

A visão daqueles dois quartos, preparados com tanto amor e cuidado, me emocionou de uma forma diferente. Não era sobre o luxo da casa, mas sobre o futuro que ele estava construindo para nós. Para a nossa família.

Me virei para ele, com os olhos marejados de novo.

- Você pensou em cada detalhe.

- Eu só pensei neles. -ele respondeu, simples.- E agora... o nosso.

Ele me levou até o final do corredor, para a última porta. Quando a abriu, meu queixo caiu.

O nosso quarto era um santuário. Era ainda maior que o antigo apartamento inteiro. Uma cama king-size, com uma cabeceira estofada e dezenas de travesseiros, dominava o centro do cômodo. Em frente a ela, uma parede inteira de vidro se abria para uma varanda particular, com a mesma vista deslumbrante da cidade. Havia uma área de estar com duas poltronas e, ao lado, duas portas que imaginei serem o closet e o banheiro.

Andei lentamente até a parede de vidro, sentindo o carpete fofo sob meus pés. Era avassalador. Era mais do que eu jamais sonhei.

- E então, Sra. Bieber? -Justin perguntou, vindo por trás e envolvendo minha cintura com seus braços, descansando o queixo no meu ombro.- Aprovado?

Respirei fundo, sentindo o cheiro dele, o calor do corpo dele contra o meu, e olhei para o nosso reflexo no vidro escuro, com as luzes de Nova York como pano de fundo.

- É mais do que aprovado. -respondi, a voz embargada.- É a nossa vida, Justin. Diante dos meus olhos. E é mais linda do que eu jamais poderia ter imaginado.

Ele me virou de frente para ele, segurando meu rosto entre as mãos. Seus olhos brilhavam tanto quanto as luzes da cidade lá fora, e o sorriso que ele me deu era um misto de alívio e pura felicidade.

- Essa é a única coisa que eu queria ouvir. -ele sussurrou, antes de inclinar a cabeça e me beijar.

Não foi um beijo urgente como os da nossa lua de mel, mas algo mais profundo, mais calmo. Era um beijo de promessa, de chegada, de um futuro que se desenrolava bem ali, naquele cômodo.

Quando nos separamos, ele manteve a testa colada na minha.

- Cansada?
- Exausta. -admiti com uma risada fraca.- Mas feliz. Tão feliz que acho que nem vou conseguir dormir.

- Bom, talvez isso te ajude a relaxar. -ele disse, pegando minha mão e me guiando para uma das portas que eu havia notado antes.

Ele a abriu e eu prendi a respiração. Era um closet. Não, era o closet. Um cômodo inteiro, maior que a minha antiga sala, com ilhas de gavetas no centro e fileiras de armários com portas de vidro. E o mais chocante: uma parte dele já estava ocupada. Vi alguns dos casacos dele pendurados, seus tênis organizados numa prateleira e, do outro lado, algumas das minhas roupas, minhas bolsas, meus sapatos.

- Mas... como? -gaguejei, olhando de volta para ele, completamente perplexa.- Nossas coisas...

- Pedi para organizarem tudo enquanto estávamos fora. -ele deu de ombros, como se fosse a coisa mais simples do mundo.- Sou Justin Bieber, tenho meus contatos.

Balancei a cabeça, rindo. Claro que ele tinha.

- E a outra porta? -perguntei, já com medo da resposta.

Ele me levou até a outra porta e a abriu, revelando um banheiro que parecia um spa cinco estrelas. Havia uma banheira de imersão enorme perto da janela, um box de vidro com dois chuveiros, uma pia dupla com uma bancada de mármore... Era luxuoso, íntimo e absolutamente perfeito.

- Ok, agora eu acredito. -falei, finalmente me rendendo àquela realidade fantástica.- Isso é real.

Meus olhos foram direto para banheira. Depois de mais de trinta horas entre avião e carro, aquilo não parecia um objeto, parecia uma miragem, uma promessa de alívio.

Justin seguiu meu olhar e sorriu, entendendo na hora.

- Acho que sei exatamente do que a gente precisa pra inaugurar essa casa direito. -ele disse em voz baixa.

Não demorou muito e estávamos mergulhados na água quente e cheia de espuma. O cansaço nos meus músculos parecia se dissolver a cada segundo. Encostei a cabeça em Justin, eu estava de costas para o peito dele, enquanto ele massageava meus ombros lentamente. Ficamos em um silêncio confortável, apenas observando as luzes da cidade brilhando lá fora pela janela.

- Isso é real mesmo? -perguntei baixinho, quebrando o silêncio.

- Cada pedacinho. -ele respondeu, beijando meu ombro molhado.- Acostume-se, Sra. Bieber.

Ficamos ali até a água começar a esfriar, conversando baixo sobre a viagem, sobre os planos para o dia seguinte, sobre a vida. Quando saímos, o cansaço tinha se transformado em uma moleza gostosa, quase sonolenta.

Ele me enrolou num roupão macio que parecia um abraço e, antes que eu pudesse protestar, me pegou no colo. Soltei um grito baixo e ri, envolvendo meus braços ao redor do pescoço dele. Ele me carregou do banheiro até a cama e me deitou com um cuidado infinito. Deitar naquele colchão foi como afundar em uma nuvem.

Ele se deitou ao meu lado, já vestido com uma calça de moletom. O cheiro do sabonete e da pele dele era reconfortante.

- Mal posso esperar para ver a carinha deles quando virem os quartos. -falei baixinho, pensando nas crianças.

- Eles vão amar. -Justin garantiu, virando-se de lado para me encarar. Ele acariciou meu cabelo, afastando uma mecha do meu rosto úmido.- Vamos amanhã buscar a Chloe na Marina e depois buscar o Jack no aeroporto. Mas esta noite... esta noite é nossa. A primeira na nossa casa.

Eu sorri, sentindo meus olhos se fechando. O sonho estava se misturando com a realidade de uma forma deliciosa.

- Eu te amo. -murmurei, já quase dormindo.- Obrigada por me dar um conto de fadas.

Senti seus lábios na minha testa.

- Bem-vinda a casa, Sra. Bieber.

E com o som da sua voz me envolvendo, eu adormeci, segura e amada, no nosso novo começo.

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