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Capítulo 125

Bruna Narrando

Os dias em Orlando tinham passado voando, e eu juro que ainda estava ouvindo os gritinhos da Chloe e do Jack ecoando nos meus ouvidos. Ver os três — eles e a Serena — tão felizes, se divertindo em cada brinquedo, fez tudo valer a pena. Mas agora, de volta a Nova York, era hora de outra missão: a despedida de solteira da Marina.

Era sexta-feira, 11 de agosto, e só de pensar na noite que eu tinha preparado, um sorriso malicioso surgia nos meus lábios. Eu não sabia exatamente o que Justin estava tramando com a despedida do Luan — e sinceramente, nem queria saber —, mas uma coisa era certa: a da Marina ia entrar pra história.

O plano era simples, mas genial: Bus Party. Um ônibus inteiro só pra gente, música alta, luz neon, copos cheios, e claro… canudos em formato de pênis, que arrancaram gargalhadas de todo mundo no momento em que distribuí.

- Bruna, você é impossível! -Marina riu, tentando esconder a cara enquanto segurava o canudo.

- Aceita, amorzinho, hoje você é a noiva do rolê. -respondi, erguendo meu copo como quem brinda a ocasião.

Melanie estava animadíssima, filmando tudo pro celular. Virgínia já estava no segundo shot de tequila antes mesmo do ônibus sair, e Olívia chorava de rir a cada música que começava a tocar, como se fosse o hino da vida dela.

- A gente não vai sobreviver até meia-noite. -Marina disse, rindo, enquanto bebia também.

- Vai, sim. E digo mais: essa vai ser a melhor despedida de solteira da sua vida. -pisquei.

Ela arqueou a sobrancelha, desconfiada, mas deixou passar.

O ônibus rodava pelas ruas da cidade, e a gente já estava quase sem voz de tanto cantar e dançar. Eu podia sentir que Marina estava relaxando, deixando de lado toda a tensão dos preparativos do casamento e realmente se permitindo curtir.

Foi só quando o ônibus saiu da rota comum e pegou estrada que ela desconfiou.

- Bru… pra onde a gente tá indo? -perguntou, tentando manter o equilíbrio enquanto a batida da música sacudia tudo.

- Confia em mim. -respondi, rindo.- Você merece algo épico.

Horas depois, quando as luzes e os letreiros brilhantes surgiram à frente, Marina arregalou os olhos.

- Não… você não fez isso! -ela quase gritou, com a voz embargada entre surpresa e animação.

Eu dei um gole longo no meu drink e sorri.

- Bem-vinda a Las Vegas, minha cunhada.

Virgínia berrou como se tivesse ganhado na loteria, Olívia batia palmas, e Melanie já gritava que ia casar com o Elvis de mentira só pra fazer história. Marina, por sua vez, segurava a testa e ria incrédula.

- Meu Deus do céu… eu não tô acreditando nisso. -disse, ainda rindo.- Vocês são loucas!

- Loucas não… visionárias. -corrigi, levantando meu copo.- Hoje, você não é só a noiva do rolê. Você é a rainha de Vegas.

Assim que descemos do Bus Party, a risada coletiva ainda ecoava. A Marina estava com as bochechas vermelhas — não sei se mais pela tequila ou pelas piadinhas que a Olívia tinha soltado com aquele canudo em formato de pênis que ela não largava de jeito nenhum. Eu agradeci ao motorista, que sorriu cúmplice, como quem já tinha visto muita coisa em noites como aquela, e nos desejou boa sorte. Claro que ele não ia ficar ali esperando; Las Vegas era a cidade que nunca dormia, cada um tinha seus planos.

- Meninas, esqueçam cassino! -disse Virgínia, levantando os braços como se desse a ordem da noite.- Eu quero bar, quero karaokê e quero gritar até ficar sem voz!

- E beber até não lembrar como se soletra karaokê. -completou Olívia, já tropeçando de leve, mas com aquele carisma que só ela tinha.

Marina riu, mas estava empolgada. Eu percebia em seus olhos que ela tinha entrado na onda de verdade. Não era só sobre “curtir a despedida”, era sobre se jogar sem pensar em amanhã. E Las Vegas tinha esse poder.

Entramos num barzinho iluminado por néons coloridos, que piscavam em tons de azul e rosa. O cheiro era uma mistura de cerveja, fumaça e fritura, mas ninguém ali se importava. A música era alta, animada, e logo uma garçonete apareceu com uma bandeja.

- Primeira rodada, por minha conta! -falei, erguendo a mão.- Hoje a noiva não paga nada.

Marina gargalhou e pegou um copo de margarita.

- Ai, Bruna, eu te amo, sabia? -disse ela, já dando o primeiro gole generoso.- Eu juro que vou lembrar dessa noite pro resto da minha vida.

- Isso se você lembrar alguma coisa, né? -Melanie provocou, com aquele jeito meio implicante, mas ainda divertida.

Depois de algumas rodadas de shots, o karaokê começou a chamar os corajosos para o palco. Claro que a Olívia não perdeu tempo e puxou Marina junto.

- Vem, noiva! -ela gritou.- Essa é sua despedida, você não escapa.

Marina subiu no palco com um brilho nos olhos, pegou o microfone e, sem pensar duas vezes, começou a cantar uma música pop chiclete que todo mundo conhecia. Nós gritávamos, dançávamos e batíamos palmas como se estivéssemos num show particular.

No meio da segunda música, Virgínia puxou a Melanie e a mim para o palco também. De repente, estávamos as cinco lá em cima, desafinadas, rindo, gritando, e sem nenhuma vergonha. Os outros clientes do bar entraram na brincadeira, alguns filmavam, outros levantavam os copos e brindavam junto.

Em Las Vegas, ninguém julgava — todo mundo era um pouco louco, e isso era libertador.

O barzinho parecia pequeno demais pra tanta energia que a gente tinha naquela noite. Depois de várias rodadas de tequila, eu já não sentia meus pés direito, mas isso nunca foi problema em Las Vegas. Aliás, parecia que a cada copo a cidade ficava mais brilhante, mais barulhenta e mais… caótica.

Marina estava impossível. Ela subiu no palco de novo, sozinha dessa vez, e cantou uma música sensual, fazendo coreografias que deixaram metade do bar de queixo caído e a outra metade gritando junto. Quando desceu, ela pegou minha mão e quase me derrubou na pista de dança.

- Bruna, você cuida de mim hoje! -ela berrou no meu ouvido, com os olhos brilhando e o cabelo já desgrenhado.- Se eu cair, você cai comigo!

- Amiga, do jeito que eu tô, a gente cai juntas mesmo. -respondi, rindo.

A Olívia, do nada, apareceu com um balde cheio de cervejas e começou a distribuir como se fosse uma fada madrinha do álcool. Virgínia tinha encontrado um grupo de turistas mexicanos e já estava dançando no meio deles como se fosse parte da turma há anos. Melanie… bom, Melanie estava tentando filmar tudo, mas já tinha deixado o celular cair duas vezes dentro do copo dela.

De repente, alguém gritou:

- Vamos pra rua! Vegas é nossa!

E lá fomos nós, como uma tropa desgovernada, cambaleando pela calçada iluminada da Strip, rindo de tudo. Marina liderava, claro, com a tiara de “Bride to Be” toda torta na cabeça e o canudo fálico na mão, como se fosse um cetro real.

Passamos por um grupo de rapazes vestidos de super-heróis (ou tentando, porque a fantasia do Homem-Aranha deles parecia comprada num camelô). Adivinha? Marina foi direto neles.

- Eu quero foto com o Batman! -ela disse, abraçando o cara errado. O pobre coitado nem era o Batman, era o Superman, mas tentou explicar. Ela não quis saber. A foto saiu assim mesmo.

Depois disso, Olívia resolveu que devíamos entrar num clube de strip. Eu, meio sem reação, só fui junto. Lá dentro, a música eletrônica explodia nos ouvidos e luzes piscavam sem parar. Marina foi a primeira a subir no palco vazio e, antes que alguém pudesse impedir, ela já estava dançando em cima do pole dance como se tivesse nascido ali.

- Essa é minha despedida, e eu vou brilhar! -ela gritou.

O segurança começou a vir na direção dela, mas Melanie, com uma coragem que eu nunca imaginei que ela tivesse, subiu junto e começou a dançar também. O público vibrou como se fosse show pago. No fim, os seguranças acabaram rindo e deixaram por isso mesmo.

Quando saímos do clube, já era madrugada. Eu não sabia se estávamos indo embora ou começando outra festa. Só sei que Marina tropeçou, quase caiu, e parou bem na frente de uma capela de casamento estilo Elvis Presley.

Ela arregalou os olhos.

- Bruna, e se eu casar aqui mesmo? Só de zoeira?

Eu segurei os ombros dela, rindo, mas um pouco preocupada também.

- Não inventa moda, Marina! Não tem ninguém pra casar com você agora. 

Ela gargalhou alto, jogou o cabelo pra trás e ergueu o canudo fálico como se fosse uma taça de champanhe.

- Hoje é dia de loucura! Vegas é minha testemunha!

- NÃO! -eu segurei o braço da Marina quando ela tentou abrir a porta da capela de Elvis.- Você não vai casar aqui, pelo amor de Deus!

Marina bufou, rindo. 

- Ahhh, Bruna, deixa eu só entrar pra ver!

Antes que a noiva surtada inventasse moda, Virgínia apareceu como um raio, puxando todas nós.

- Gente, esquece capela! Eu ouvi música do outro lado da rua, bora ver!

E pronto, foi o bastante pra Marina largar a ideia do casamento improvisado e sair correndo atrás da Virgínia. Nós seguimos tropeçando, rindo e cantando qualquer coisa no meio da calçada até que chegamos numa praça pequena, cheia de gente em volta de um círculo.

- É batalha de rima! -Melanie gritou, como se tivesse descoberto ouro.

Fui chegando mais perto, curiosa, reconhecendo a voz, e quando vi quem tava no meio rimando, quase caí pra trás.

- NÃO… PODE… SER… -falei, arregalando os olhos.

Era o Justin. O MEU Justin. Camisa meio aberta, cabelo todo bagunçado, segurando o microfone como se tivesse nascido com ele na mão. Ele rimava qualquer coisa que vinha na cabeça, tropeçando nas palavras, mas o público gritava como se fosse o campeão mundial de freestyle.

E não parava por aí: Luan estava do lado dele, com a GRAVATA AMARRADA NA TESTA, gritando feito um doido. Ryan, Anthony e Luke batiam palma, incentivando. A cena inteira parecia saída de um pesadelo cômico.

Marina arregalou os olhos e começou a rir alto, segurando a barriga.

- O QUÊÊÊ? ESSES SÃO OS NOSSOS HOMENS?

Olívia quase caiu no chão de tanto rir. 

- Parece até filme de comédia barata!

Eu, no meio daquela confusão, só conseguia pensar: "Meu Deus, ele vai se arrepender tanto amanhã..."

Justin me viu na multidão, apontou o dedo e berrou no microfone:

- OLHA ALI, A MINHA MULHER! BRUNA, EU TE AMO, VOCÊ É A MINHA ESPOSA, POR VOCÊ EU VIRO UMA MARIPOSA!

O povo foi à loucura. Marina agarrou meu braço, chorando de rir.

- Bruna, e se esse homem lançar carreira de rapper?

- Eu vou ser a primeira a internar ele se ele fizer isso! -falei, rindo de nervoso.

- Gente, vamos embora, sério! -Virgínia agarrou meu braço, desesperada.- Não é hora de se misturar com eles, cada um no seu rolê!

Eu ia concordar, afinal, já tinha visto o suficiente do Justin pagando de Eminem bêbado. Só que era tarde demais. Ele já tinha gritado meu nome no microfone, feito uma rima me chamando de estrela e agora todos os meninos nos encaravam.

Luan foi o primeiro a reagir. Ele abriu os braços, a gravata ainda amarrada na testa, e gritou:

- MINHA NOIVA LINDA E GOSTOSA!!!

Marina surtou. Ela largou a taça de bebida que carregava e saiu correndo em direção a ele, como se estivesse em câmera lenta num filme romântico de quinta categoria. Quando se encontraram, foi aquele beijo escandaloso, cheio de risada e mão boba, bem no meio da roda da batalha. O povo foi à loucura, gritando e batendo palma, como se fosse parte do show.

- Não acredito nisso! -Melanie disse, cobrindo o rosto, mas rindo.

Eu queria cavar um buraco e enfiar a cabeça. Enquanto isso, Justin largou o microfone, tropeçou até mim e me puxou pra um abraço. Ele tava fedendo a tequila e suor, mas sorria feito um menino.

- Bruna, você é a mulher da minha vida! Olha só, rimei, viu? -ele disse, quase caindo.

Atrás dele, Anthony e Luke começaram a filmar, rindo igual uns idiotas. Ryan gritava “VIVA OS NOIVOS” como se fosse narrador de festa junina.

E eu ali, com vontade de rir e de morrer ao mesmo tempo.

Olívia se encostou em mim, gargalhando. 

- Amiga, esse é o momento: ou a gente ri, ou a gente desmaia.

E eu sabia que ela tinha razão. Porque aquela cena estava completamente fora de controle.

Fui direto nos dois, que já estavam quase se engolindo ali no meio da roda, e empurrei os corpos colados deles com as mãos.

- Vocês dois! Guardem esse fogo pra lua de mel, pelo amor de Deus! -falei, olhando firme pros dois, que ainda riam, trôpegos de tanto álcool.

Luan piscou pra mim, rindo com aquela gravata ridícula na testa. 

- Mas Bru, é a minha noiva! Eu amo essa mulher!

- Eu sei que ama, mas agora você finge que não viu a gente aqui. -olhei pra ele e depois pros outros meninos que só gargalhavam, filmando e batendo palma.- Vocês todos fingem, tá ouvindo? A gente vai seguir nosso rumo e nada aconteceu.

Marina ainda tentava se recompor, mas eu agarrei o braço dela antes que resolvesse se jogar em cima do Luan de novo.

- Vem, Mari. Agora.

- Mas Bru... -ela tentou protestar, rindo.

- Sem mas. Bora.

Virei as costas sem dar chance pra réplica, puxando Marina comigo, e as meninas vieram logo atrás. Melanie ria tanto que mal conseguia andar, Olívia dizia que ia sonhar com a cena e Virgínia, claro, estava indignada, repetindo mil vezes que tinha avisado.

Saímos do bar sob o som dos meninos gritando nossos nomes, Justin berrando um “TE AMO, BRUNA” no microfone e Ryan cantando a marcha nupcial só pra piorar.

Assim que viramos a esquina e a música abafou, suspirei fundo.

- Nunca mais! Nunca mais a gente cruza uma despedida com a deles.

Marina só gargalhou, vermelha, apoiando a cabeça no meu ombro. 

- Mas que foi engraçado, foi.

Eu tapei o rosto com a mão. 

- Engraçado é uma palavra... eu chamaria de vergonhoso.

Encontramos um outro bar que era bem mais tranquilo, nada daquela loucura da batalha de rima. Entramos rindo ainda da cena anterior e conseguimos um sofá grande no canto, daqueles que abraçam a gente quando senta. Mal encostei e já senti o corpo inteiro pedir descanso.

Logo o garçom apareceu. 

- O que vão querer?

- Uma rodada de draft beer, por favor. -respondi sem pensar muito, e as meninas assentiram juntas.

Enquanto ele foi buscar, Virgínia ajeitou o cabelo, apoiou o cotovelo no encosto e lançou aquela cara de quem ia jogar lenha na fogueira.

- Tá, agora que estamos entre mulheres… vamos falar de coisa séria.

- Ih, lá vem. -Olívia riu, já bebendo água que tinha pego no balcão.

- Quando e com quem vocês perderam a virgindade? -Virgínia disparou, sem nenhum pingo de filtro.

Eu quase cuspi de tanto rir.

- Amiga, você não tem freio, né?

- Ué, é a despedida da Mari! A gente tem que trocar confidências, segredos obscuros… A gente acabou não falando disso na despedida da Bru. -ela insistiu, animada.

Marina, que estava do meu lado, arregalou os olhos e balançou a cabeça. 

- Esquece. Esse assunto, pra mim, nunca. Jamais.

Nessa hora o garçom chegou com os copos altos, gelados, a espuma quase transbordando. Colocou tudo na mesa e saiu, e eu percebi que todo mundo, inclusive eu, ficou ainda mais curiosa depois da recusa dela.

Peguei meu copo, girando levemente. 

- Tá bom, mas agora você deixou a gente morrendo de curiosidade, Mari.

- Exatamente! -Melanie completou, rindo e batendo palminha.- Porque quem fala "jamais" esconde a melhor história.

Olívia inclinou a cabeça, encarando a Marina como se fosse um interrogatório divertido. 

- Vai, Mari. Conta só um detalhe. Um só.

Marina pegou o copo dela, deu um gole generoso e respirou fundo.

- Eu disse jamais. -repetiu, mas com aquele meio sorriso de quem estava se divertindo com a nossa insistência.

Eu olhei pras meninas, ergui o copo e falei: 

- Então, um brinde à noiva misteriosa que não revela nada!

Todas rimos, brindamos, mas dentro de mim eu sabia: a noite não ia terminar sem alguém arrancar pelo menos uma pista dela.

Depois do brinde, a cerveja gelada descendo fácil, senti que o clima estava propício pra gente realmente abrir o jogo. Marina continuava irredutível, mas eu sabia que a Virgínia não ia largar o osso.

- Tá, se a Mari não vai falar, alguém tem que começar, né? -Virgínia se inclinou na mesa, os olhos brilhando de expectativa.

Eu respirei fundo, dei um gole no meu copo e resolvi abrir logo.

- Ok, eu começo. -todas me olharam, atentas.- Foi em São Paulo, quando eu ainda morava lá. Eu tinha 16 anos, foi com um cara da escola, nada demais, não era amor nem nada. Eu só queria… experimentar, entende?

Marina arregalou os olhos, rindo. 

- Dezesseis?!

- Ué, vocês queriam sinceridade. -respondi, rindo junto.- Mas, olha, não foi nada marcante, tanto que nem mantive contato.

- Nossa, achei que tinha sido com o Justin. -Melanie falou, surpresa.

Balancei a cabeça. 

- Não, conheci o Justin com dezoito. Já tinha rodado de outros antes disso. -falei arrancando risadas delas.

- E depois também. -Olívia retrucou.

- Ei! -falei indignada com sua fala, mas sem deixar de rir.

- Tá, minha vez! -Virgínia bateu o copo na mesa, toda animada.- Eu perdi com quatorze, lá em Los Angeles. Era um vizinho, um pouco mais velho. Sinceramente, não recomendo. Eu achava que tava arrasando, mas olhando hoje, foi ridículo. -ela riu alto, e nós acompanhamos.

- Quatorze?! -Olívia a empurrou de leve.- Isso explica muito, amiga!

- Ah, cala a boca, você não foi muito diferente. -Virgínia rebateu, rindo.

Olívia ergueu o copo.

- Quinze. Também em Los Angeles, um colega da escola de artes. Foi meio atrapalhado, mas eu não tenho vergonha, não. Ele era fofo.

Todas rimos, e Melanie, que até então estava quieta, ficou vermelha quando os olhares caíram nela.

- Gente, vocês sabem que… tipo… a Mari é  minha irmã mais velha, né? Não é muito confortável falar disso. -ela ajeitou o cabelo, desconfortável.

- Para, Mel. -falei, sorrindo de leve.- Estamos entre amigas. E a Mari não vai te julgar.

Marina riu, erguendo as mãos como se se rendesse. 

- Eu prometo que não falo nada.

Melanie suspirou e, com a cara vermelha, confessou:

- Foi com dezessete, alguns meses antes de eu entrar na faculdade. -ela riu nervosa.- Eu queria perder logo, sabe? Não queria ser a única “virgem” quando entrasse.

- A pressão social pega, né? -eu disse, solidária.

- Demais. -ela concordou, bebendo um gole grande pra disfarçar a vergonha.

Virgínia bateu palminha, animada. 

- Pronto, todo mundo se abriu, menos a noiva!

Marina só riu e balançou a cabeça. 

- E vai continuar assim. Eu vou levar esse segredo comigo.

- A não ser que a gente arranque hoje, aqui em Vegas. -Olívia falou, piscando, e todas rimos alto, brindando de novo.

- Tá bom, já que o assunto é esse... -Virgínia se ajeitou, colocando os pés em cima do sofá, pronta para mais uma rodada de revelações.- Qual foi o lugar mais louco que vocês já fizeram?

Olívia engasgou com a cerveja de tanto rir.

- Amiga, você é uma máquina de perguntas constrangedoras! Eu amo isso!

- Ué, estamos em Vegas! Se não for pra falar de putaria, a gente ficava em Nova York. -Virgínia retrucou, dando de ombros.- Eu começo: na praia, em Malibu. De noite, mas ainda assim... a areia entra em lugares que você nem imagina que existem. Foi péssimo e maravilhoso ao mesmo tempo.

Gargalhamos alto.

- Ok, essa é difícil de superar. -admiti, pensativa.- Acho que pra mim foi no provador de uma loja numa viagem que fizemos, na primeira turnê dele que eu o acompanhei. O Justin teve essa ideia idiota, e eu, mais idiota ainda, topei. A adrenalina de quase ser pego foi o que valeu.

- Meu Deus, Bruna! Na loja? -Melanie disse, com os olhos arregalados, mas rindo.

- Minha vez! -Olívia levantou a mão.- No carro, voltando de um festival de música. E não era um SUV espaçoso, era um Fusca. Minhas costas doeram por uma semana, mas a história é ótima.

Todas rimos, imaginando a cena. Nossos olhares, então, se voltaram para Melanie, que estava com a cabeça baixa, sorrindo para a tela do celular que iluminava seu rosto.

- Mel! -chamei, rindo.- Larga esse celular e participa da conversa das adultas.

Ela levantou a cabeça num pulo, o rosto corado.

- Desculpa, eu... tava respondendo uma mensagem.

- Uhm, mensagem, sei... -Virgínia provocou, com um sorriso malicioso.- O Luke tá doidão na despedida do Luan. Então é o boy da história do lugar mais louco, por acaso?

Melanie ficou ainda mais vermelha e guardou o celular na bolsa.

- Não! E eu não tenho uma história tão boa quanto as de vocês. A minha foi... no banheiro de uma balada. Bem clichê.

- Ei, banheiro de balada tem seu valor! -Olívia defendeu, batendo em seu ombro.- É um clássico do romance moderno.

A conversa continuou nesse ritmo, com mais cerveja e mais histórias que ficariam guardadas para sempre naquele bar. A cada nova confissão, a pressão sobre Marina aumentava. Ela só ria, balançando a cabeça, se divertindo com nossas tentativas.

- Ok, Mari. Chega. -Olívia falou, séria, mas com os olhos brilhando de diversão.- A gente já expôs nossa vida sexual inteira aqui. Você tem que dar alguma coisa pra gente. Primeiro nome, a idade dele, qualquer coisa da sua primeira vez.

Marina deu um último gole em seu copo, colocou-o na mesa e nos encarou, uma por uma, com um sorriso enigmático. O barulho do bar pareceu sumir, e todas nós nos inclinamos para frente, esperando.

- Tá bom. -ela disse, e nós comemoramos baixo.- Eu não vou contar a história. Mas vou dar uma dica.

- Manda! -Virgínia quase gritou.

Marina fez uma pausa dramática, e então soltou:

- Ele era mais velho. E era o melhor amigo do meu irmão.

Ficamos em silêncio por três segundos, processando a informação. Então, o caos se instalou.

- O QUÊ?! -Virgínia berrou, fazendo algumas pessoas olharem.

- Amigo do Justin?! -Melanie perguntou, chocada.

- Mari, você não presta! -Olívia gargalhava, batendo na mesa.

Eu estava paralisada, tentando fazer as contas na minha cabeça, pensando em todos os amigos do Justin daquela época que ele havia me contado. 

- Amigo do Justin?! -falei com a voz esganiçada.- Mari, isso é material de primeira qualidade! Começou o jogo!

Virgínia já estava no modo detetive.

- Tá, vamos lá, quem eram os melhores amigos do Justin na adolescência? Ryan! Foi o Ryan?

Olívia deu um tapa no braço dela, rindo.

- Credo, a Marina teria me contado se tivesse transado com meu namorado.

- Ok, Ryan descartado. -Melanie disse, entrando na brincadeira.- Chaz! E o Chaz?

Marina balançou a cabeça, tomando um gole de cerveja com um sorrisinho vitorioso, amando nos ver queimar de curiosidade.

Minha cabeça, porém, estava a mil. Um amigo mais velho do Justin... As peças começaram a se encaixar de um jeito perigosamente específico. Meu Deus, e se for...? O Justin namorou a Caitlin por um tempo... seria uma loucura se a Marina tivesse ficado com o Chris na mesma época. Uma troca de irmãos. Não era algo tão absurdo, já que nós fizemos isso.

Respirei fundo, sentindo que tinha a resposta na ponta da língua. Olhei fixamente para Marina, que ainda sorria, e disse o nome em voz baixa, quase como um teste.

- Chris.

O sorriso de Marina desapareceu. Ela, que até então estava se divertindo com os chutes, parou, imóvel. O rosto dela ficou vermelho, um tom que a cerveja sozinha não conseguia explicar. Ela tentou disfarçar, levando o copo à boca rapidamente, mas o estrago estava feito. A gente viu.

Um silêncio de um segundo foi quebrado pelo grito da Olívia.

- ELA FICOU VERMELHA!

- A GENTE ACERTOU! -Virgínia bateu na mesa, fazendo os copos tremerem.- NÃO ACREDITO! FOI O CHRIS!

- Meninas, não... eu não... -Marina tentou negar, mas estava rindo de nervoso, sem conseguir nos encarar.

- Marina, você não engana a gente! -falei, rindo da reação dela.- Seu rosto te entregou completamente!

O segredo mais bem guardado da noiva tinha sido desvendado no meio de um bar em Las Vegas. A comemoração foi imediata e barulhenta, com direito a mais uma rodada de cerveja, dessa vez para celebrar nossa vitória.

A mesa virou um tribunal, e Marina era a ré confessa. As perguntas voavam mais rápido do que o garçom conseguia trazer as cervejas.

- Como assim o Chris?! -Olívia gritava, rindo.- Onde foi? Quando? O Justin sabe disso?

- Ele vai saber se você continuar gritando! -Marina respondeu, o rosto ainda corado, mas agora ela estava se divertindo com a situação. - E não, óbvio que o Justin não sabe! Vocês acham que eu seria louca? Ele teria matado o Chris!

- Isso torna tudo mil vezes melhor! -Virgínia declarou, batendo na mesa.- É um segredo de verdade! Um segredo sujo e maravilhoso!

Eu ainda estava processando a informação. Chris. Ele foi um dos padrinhos do meu casamento. Olhei para Marina, que agora tentava se defender do interrogatório da Olívia sobre os detalhes sórdidos, e uma pergunta crucial se formou na minha mente.

- Espera aí! -falei, interrompendo o caos. Todas olharam para mim.- Você disse que ele era 'mais velho'... -fiz uma pausa, encarando Marina.- Quantos anos você tinha?

A pergunta pairou no ar. O sorriso de Marina vacilou por um segundo. Ela mordeu o lábio, como se estivesse decidindo se revelava mais um pedaço do quebra-cabeça.

- Eu não...

- Fala! -todas nós gritamos em uníssono.

Ela suspirou, derrotada, e confessou em voz baixa, como se fosse o maior crime do mundo:

- Quinze. E ele dezesseis.

Se a revelação do nome tinha sido uma bomba, a da idade foi um terremoto.

- QUINZE?! -Melanie, a irmã mais nova, gritou, chocada.- Você nem falava comigo direito quando tinha quinze anos, como assim você tava por aí com o melhor amigo do nosso irmão?!

- E você ainda me julgou por ter sido com dezesseis? -perguntei, indignada.

- Menina, você era um perigo! -Virgínia gargalhou, jogando a cabeça para trás.- E com o melhor amigo do seu irmão! Isso é roteiro de novela mexicana!

- Ok, agora você vai ter que contar a história toda. -exigi, me inclinando para frente.- Quinze anos, com o Chris, sem o Justin saber. Isso é épico. Queremos os detalhes. Todos eles.

Marina pegou o copo, bebeu o resto da cerveja de uma vez só e o bateu na mesa com um baque final.

- Não. -ela disse, com um sorriso desafiador.- Já dei a vocês o "quem" e o "quando". O "como" e o "onde" vão continuar sendo meus. Pelo menos por hoje.

E por mais que a gente insistisse, ela não cedeu. A noiva misteriosa tinha nos dado o suficiente para nos deixar loucas, mas guardado o melhor da história só para ela.

A gente ainda estava rindo e tentando arrancar mais detalhes da Marina, quando a porta do bar se abriu, fazendo o sininho acima dela soar. Entrou um policial. Alto, uniforme impecável, óculos escuros mesmo sendo noite. Ninguém deu muita bola; afinal, era Vegas, qualquer coisa podia acontecer.

Continuamos nossa "investigação", mas eu notei pelo canto do olho que o policial não foi para o balcão. Ele estava caminhando lentamente entre as mesas, e seu olhar parecia fixo em nossa direção.

- Ih, acho que a gente tá falando alto demais. -Olívia sussurrou, rindo.

O policial parou bem ao lado da nossa mesa. O barulho das nossas risadas morreu na hora. Ele tirou os óculos escuros, revelando um olhar sério e penetrante, e falou com uma voz grave e firme que fez todas nós nos endireitarmos no sofá.

- Com licença, senhoritas. Estou procurando por Marina Bieber.

O queixo da Marina caiu. Ela arregalou os olhos, olhando para mim como se eu tivesse armado tudo. Eu juro que não tinha. Todas nós ficamos em silêncio, sem saber o que fazer.

- S-sou eu. -Marina gaguejou, levantando a mão timidamente.

O policial a encarou de cima a baixo.

- Marina Bieber, você está presa.

- Presa?! -Marina quase gritou.- Presa por quê?!

O policial deu um passo à frente, e um sorriso malicioso surgiu em seus lábios.

- Por ser gostosa demais e por roubar o coração de um homem.

Ele puxou um par de algemas de pelúcia rosa do cinto, e nesse exato momento, os primeiros acordes de "I'm Too Sexy" do Right Said Fred explodiram nos alto-falantes do bar. O "policial" começou a se mover, desabotoando a camisa lentamente ao som da música, revelando um tanquinho impecável.

Não era um policial. Era um gogoboy.

A ficha caiu e a mesa explodiu na gargalhada mais alta da noite. Marina cobriu o rosto com as mãos, vermelha de vergonha e rindo tanto que mal conseguia respirar. Virgínia e Olívia estavam de pé, aplaudindo e gritando, enquanto o nosso policial particular fazia uma performance só para a noiva, bem ali, no meio do bar. A despedida de solteira da Marina tinha acabado de subir para um nível lendário.

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Marina Rhode Bieber Tem 18 anos, é natural de Los Angeles, é meia-irmã de Justin, irmã de Melanie e mora em Nova York, caloura da Columbia. Justin Drew Bieber Tem 18 anos, é natural de London (Canadá), é meio-irmão de Marina e Melanie, mora em Nova York, calouro da Columbia. Luan Rafael Domingos Santana Tem 18 anos, natural de Campo Grande, recém chegado em Nova York, é irmão gêmeo de Bruna, calouro da Columbia. Bruna Domingos Santana Tem 18 anos, natural de Campo Grande, recém chegada em Nova York, é irmã gêmea de Luan, caloura da Columbia. Melanie Marie Bieber Tem 17 anos, natural de Los Angeles, irmã mais nova de Marina e meia-irmã de Justin, estudante do último ano do Ensino Médio. Olivia Sidney Mitchell Tem 18 anos, natural de Londres, mora em Nova York, caloura da Columbia. Virginia Weston Yeardley 18 anos, natural de Washington, mora em Nova York,  caloura da Columbia. Chloe Araya Collins 19 ...

Capítulo 93

Marina Narrando Já era segunda-feira e minha cabeça estava a mil. Eu caminhava pelos corredores do estúdio com uma mão apoiada na barriga já bem arredondada e um café descafeinado na outra, tentando organizar todos os pensamentos que martelavam desde o fim de semana. Eu ter voltado com o Luan… ainda parecia surreal. Quando deitamos no sofá ontem à noite e ele me puxou pra perto, me chamando de “minha namorada” com aquele sorriso bobo, eu senti um alívio no peito que não sabia que precisava. Mas também… tinha o outro lado. O post sobre a Bruna e nossa amizade, explodindo nas redes sociais. Eu vi cada comentário de ódio direcionado a ela e era revoltante. Pior ainda porque, embora os fatos estivessem todos distorcidos, eles não eram totalmente mentira.  Quando cheguei à sala de reunião no set, já estavam todos lá. O elenco completo, produtores, roteiristas, técnicos. Era aquele burburinho animado de sempre, todo mundo empolgado porque a divulgação do segundo filme já ia começar, com ...

Capítulo 91

Luan Narrando  Eu senti meu peito subir e descer rápido, ainda sem conseguir me afastar dela. Marina tava ali, entre os meus braços, a respiração dela quente contra a minha pele, e tudo em mim gritava pra não soltar. Aquela boca… aquele gosto dela… eu não lembrava quanto era viciante até provar de novo. Me sentei melhor no sofá, trazendo-a junto, acomodando-a no meu colo com cuidado por causa da barriga. Ela deixou escapar um riso nervoso quando ajeitei as mãos na cintura dela, quase como se pedisse permissão outra vez. - Você fica linda assim… -murmurei perto do pescoço dela, sentindo o cheiro do cabelo, descendo uma mão até descansar na curva do quadril.- …tão linda que eu fico até meio burro. Ela soltou uma risadinha, mas arfou quando minha mão subiu devagar pelas costas dela, desenhando a curva da coluna por baixo da blusa. Eu sentia a pele dela arrepiar debaixo dos meus dedos. - Luan… -ela murmurou, meio que em protesto, mas sem força nenhuma pra realmente me parar. - Shhh… -p...