Marina Narrando
Eu juro por Deus que achei que já tinha visto de tudo nesse casamento. Já tinha chorado, já tinha rido, já tinha bebido escondido uma tacinha a mais do que devia… mas quando aquela cortina subiu e eu vi, com esses olhos que a terra há de comer, Bruno Mars e Lady Gaga no palco… eu quase desmaiei.
- LUAN! -agarrei o braço dele tão forte que quase arranquei.- LUAN DO CÉU, É O BRUNO MARS!
Ele me olhou rindo, tentando fingir calma, mas eu via a empolgação dele também.
- Eu sei, amor… -ele falou, quase cochichando.- Mas para de gritar, tá todo mundo olhando.
- Olhando é o caralho, Luan! -respondi já fora de mim.- CÊ TEM NOÇÃO DE QUEM TÁ CANTANDO ESSA MÚSICA? EU AMO O BRUNO MARS! OLHA ELE! OLHA ESSE HOMEM!
- Tá, calma… mas você não vai ter um treco aqui, né? -ele ironizou, segurando minha cintura.
Eu virei de frente pra ele, indignada:
- Você tá de terno, lindo, cheiroso, vai casar comigo daqui três meses, mas eu preciso que você entenda que… se o Bruno Mars me chamar pra dançar, eu vou!
Luan caiu na gargalhada, inclinando a cabeça pra trás.
- Vai nada, maluca. Você vai dançar só comigo.
- Ai, cala a boca, Luan! -dei um tapa de leve no braço dele.- Isso aqui tá surreal. Eu tô surtando, eu tô suando, eu não sei se eu rio ou se eu choro!
Eu pulava de leve no lugar, igual adolescente em show. A cada verso que eles cantavam, eu ficava mais histérica. A ponto de segurar a mão do Luan e balançar:
- Caraaaaa, eu nunca mais vou superar isso. NUNCA MAIS. Bruna zerou todas as noivas do planeta, acabou, não existe mais casamento depois desse.
Luan me abraçou pelas costas, rindo do meu desespero.
- Vou gravar você surtando, só pra mostrar pra Bruna depois que você amou mais a performance do que o próprio casamento dela.
- Cala essa boca, Santana! -retruquei, escondendo o rosto no ombro dele e rindo igual uma boba.- Se eu tiver um infarto aqui, é culpa sua por não segurar minha emoção.
E, no meio disso tudo, meus olhos marejaram, porque… cara, ver a Bruna dançando com o Justin ao som de Die With A Smile, com Gaga e Bruno Mars ao vivo, foi a coisa mais linda e mais absurda que eu já presenciei.
Após o fim da apresentação, todos aplaudiram e fomos tomar nossos lugares. O jantar tinha acabado de começar, os garçons passavam com pratos lindos, todo mundo comentando sobre a apresentação surreal da Gaga e do Bruno Mars. Eu ainda tava processando aquilo tudo, quando percebi que eles mesmos estavam circulando pelo salão, procurando uma mesa pra se sentar.
Meu coração disparou. Eu cutuquei Luan com tanta força que ele quase derrubou a taça de vinho.
- LUAN. -sussurrei desesperada.- O Bruno Mars e a Lady Gaga estão procurando lugar… eu não tô preparada pra isso.
Antes dele responder, o Bruno Mars olhou na minha direção, e… VEIO ATÉ MIM.
Eu gelei.
- Você é a Marina Bieber, certo? -ele perguntou, sorrindo, todo carismático, com aquele jeitinho que parecia até cena de filme.
Eu só consegui responder um “aham”, tão nervosa que até engoli seco.
Ele estendeu a mão e me cumprimentou firme.
- Eu preciso dizer que adorei os filmes que você fez. Você brilhou muito. Tô ansioso pro último… e confesso, tô torcendo pro Nick e a Noah ficarem juntos.
Eu quase enfiei meu corpo debaixo da mesa de tanto nervoso. Eu, que sempre falei tanto, não conseguia formular uma frase decente.
- Obrigada… -consegui murmurar, sentindo minhas bochechas queimarem.- Você não tem noção do quanto eu tô surtando com você aqui.
Bruno deu uma risadinha fofa, e então olhou pro Luan.
- E você só pode ser o Luan Santana. +disse, estendendo a mão pra ele.- É um prazer enorme conhecer alguém com tanto talento. Sua voz… cara, incrível.
Luan ficou sem graça, mas sorriu daquele jeitinho dele, meio humilde.
- O prazer é meu. Você é uma inspiração.
Eu, do lado, parecia uma adolescente em surto, segurando o guardanapo como se fosse me abanar. Eu não sabia fingir costume, não sabia ser natural. Tava com vontade de gritar: “MEU DEUS, É O BRUNO MARS NA MINHA MESA!”
Eu só queria morrer e ressuscitar dez vezes, porque aquilo não podia ser real. Ouvi a voz do Justin soar pelo salão:
- Bruno! Gaga! Venham sentar aqui!
Bruno sorriu, nos olhou de novo e… piscou pra mim antes de pedir licença e se afastar.
Virgínia, claro, não perdeu a chance.
- Mais dois minutinhos e você ia perder a noiva, Luan. -ela disse, rindo e levantando a taça na minha direção.- A Marina ia largar tudo e fugir com o Bruno Mars.
Todos na mesa caíram na gargalhada, menos eu, que só consegui levar a mão na cara, vermelha de vergonha.
- Vocês não prestam. -murmurei, tentando disfarçar, mas não conseguia parar de sorrir feito uma idiota.
Luan passou o braço por trás da minha cadeira e cochichou no meu ouvido, com aquele tom provocador:
- Relaxa, amor. Se fosse pelo Bruno Mars, até eu deixava você ir.
Não pude deixar de rir.
O jantar já tinha rolado, a comida tava impecável, e eu já tava naquela fase “alegrinha”, com as bochechas quentes de tanto vinho. Eu ria de tudo, até das piadas ruins do Ryan, e balançava a Serena no colo enquanto Luan tentava convencer ela a comer um pouquinho do purê que veio no prato.
De repente, as luzes do salão começaram a baixar e Justin apareceu no meio da pista de dança com aquele microfone na mão e um sorriso safado estampado no rosto.
- Queria roubar minha esposa por uns minutinhos. -ele disse, olhando pra Bruna.
A Bruna arregalou os olhos, surpresa, mas se levantou, linda naquele vestido que combinava tanto com ela. Ele a puxou delicadamente pro centro e… eu juro que quase cuspi o vinho quando percebi os primeiros acordes.
Justin começou a cantar One Less Lonely Girl.
O salão inteiro vibrou, todo mundo gritou, bateu palma, e no telão começaram a passar fotos dos dois desde o início: na faculdade, as viagens, momentos fofos, Jack bebê, Chloe rindo com eles, até aquela foto clássica dos dois deitados na sala em clima caseiro.
Eu fiquei emocionada, mas o vinho me deixou ainda mais sentimental do que o normal.
O pior é que o Justin realmente tava cantando como se fosse só pra Bruna, como se não tivesse mais ninguém ali. E a Bruna se derreteu toda, olhos brilhando, sorriso bobo.
Assim que a dança acabou e os aplausos se dissiparam, Bruna e Justin saíram da pista, rindo e trocando olhares cúmplices, e nós ficamos ali conversando, ainda com a emoção do show surpresa. Eu ainda segurava a Serena no colo, enquanto Luan conversava com Anthony e Ryan sobre a logística da festa, Melanie e Luke riam de alguma piada interna deles, e Virgínia e Olivia trocavam olhares cúmplices.
Uns dez minutos depois, de repente, tudo ficou escuro. E eu juro, meu coração quase parou quando uma luz começou a refletir no meio do salão, apontando direto pra Bruna e Justin.
No centro da pista, eles estavam incríveis. Bruna tinha trocado de vestido, agora um curto e sem véu, esbanjando confiança. Justin só havia tirado o paletó e estava com aquele sorrisinho maroto. E aí… os óculos de sol. Nas lentes, escrito: “Brustin”.
A música começou: Scream & Shout, e o salão explodiu.
- PUTA QUE PARIU! -eu gritei, segurando Serena, que riu e bateu palminhas.- Eles tão de sacanagem!
A Bruna e o Justin começaram a performance como se fossem estrelas de um clipe: dançando, jogando charme, interagindo com os convidados, sacudindo a pista. O bar finalmente foi liberado, e eu já podia ouvir a galera gritando, levantando copos, enquanto o DJ aumentava o som.
- Marina, olha eles! -Virgínia apontou, rindo.- Não sei se a pista de dança vai sobreviver a isso!
- Sobreviver? -eu disse, batendo o pé no ritmo da música.- Isso aqui vai virar um caos completo!
Luan se aproximou, me olhando com aquele sorriso de quem sabia que a festa ia ser épica:
- Preparada pra uma noitada?
Eu só assenti, sorrindo feito boba. Porque sabia que aquela noite ia ser lendária.
Logo vi meu pai se aproximando da mesa com Jack no colo e Ashley ao lado, de mãos dadas com Chloe. Ela já estava com a barriguinha enorme dos oito meses, esperando o Jordan. Meu coração derreteu na hora.
- Filha. -meu pai chamou com aquele sorriso orgulhoso, colocando a mão na cintura da Ashley.- A gente já vai indo, Ash precisa descansar.
Eu me levantei imediatamente, meio trêmula da emoção e do vinho. Abracei os dois, sentindo o cheiro familiar do meu pai que sempre me acalmava.
- Descansa, Ash. -falei baixinho, me aproximando dela e acariciando a barriga arredondada.- Mal posso esperar pra conhecer o Jordan.
Ela sorriu emocionada, colocando a mão sobre a minha.
- Ele vai amar você, tenho certeza.
Senti os olhos marejarem, mas engoli em seco. Meu pai então olhou pra Serena, que estava no meu colo, quase cochilando, e perguntou:
- Você se importa se a gente levar a Serena junto? As crianças já estão cansadas, e seria bom ela dormir tranquila lá em casa.
Na hora, meu coração apertou. Fiquei receosa, mas meu pai e a Ashley insistiram com carinho, garantindo que cuidariam dela como se fosse o maior tesouro do mundo — e de fato era.
- Não sei… -murmurei, beijando a cabecinha da Serena, que piscava devagar, já entregue ao sono.- É que eu fico preocupada, a Ash já está com oito meses, e se acontece algo e precisam correr pro hospital?
Meu pai sorriu, passando a mão no meu ombro.
- Relaxa, filha. Não vai acontecer nada, Jordan tá bem quietinho no forno.
Olhei pra Ashley, que fez um carinho suave na Serena e disse:
- Vai ser só por algumas horas, até vocês terminarem a festa. Eu prometo manter o Jordan aqui dentro durante esse tempo. -ela brincou e eu ri levemente.
Suspirei fundo, e depois de alguns segundos de hesitação, acabei assentindo.
- Tá bem… mas me manda mensagem qualquer coisa, me liga, faz sinal de fumaça se preciso.
Meu pai sorriu largo, aliviado, e me deu um beijo na testa. Entreguei a Serena nos braços dele, sentindo uma pontada de vazio imediato, mas também de confiança.
- Relaxa filha, vai se divertir. -ele disse piscando, antes de ir.
Eu fiquei parada, observando os cinco indo embora — meu pai com Jack e Serena no colo e a Ashley de mãos dadas com Chloe, acariciando a barriga. Uma cena tão simples, mas que encheu meu coração de amor.
Voltei pra mesa, respirando fundo, e Luan me puxou de volta pra cadeira, sorrindo de leve.
- Vai dar tudo certo, amor.
Eu suspirei, enxuguei discretamente os olhos, bati a mão na mesa e gritei:
- É HORA DE BEBER!!!
Todo mundo da mesa começou a rir, até Luan arregalou os olhos fingindo susto. Virgínia levantou a taça ainda pela metade e disse:
- Finalmente esse momento chegou!
Anthony bateu palmas, animado:
- Então bora que eu já tava de olho naquele bar desde que cheguei!
Olívia se levantou primeiro, puxando Ryan pela mão, e eu não pensei duas vezes. Peguei a mão do Luan e já fui puxando também, como se fosse a líder da revolução do álcool. Melanie veio rindo atrás com Luke, e Virgínia vinha de braço dado com Anthony, todos nós em fila.
Quando chegamos no bar, eu quase caí pra trás. Tinha tanta opção que parecia até cenário de filme. Drinks coloridos, com flores, fumaça saindo de copos, taças brilhosas, aquelas bebidas flamejantes que parecem que vão explodir, e até uma parte só de shots enfileirados.
- MEU DEUS! -eu falei, colocando a mão na boca.- Parece que abriram a Disneylândia versão adulta.
O bartender deu uma risadinha e perguntou:
- O que a irmã do noivo quer beber primeiro?
- Eu quero… hum… -olhei pra todo aquele espetáculo líquido e gritei:- SURPREENDE!!!
Ele sorriu de canto, pegou umas garrafas, começou a fazer malabarismo e preparar um copo alto com cores que iam do azul pro roxo. Eu já estava de boca aberta, só esperando.
- Tá liberado, galera! -falei, virando pros outros.- Hoje ninguém tem hora pra parar!
Luan riu, segurando na minha cintura, e cochichou no meu ouvido:
- Você vai me dar trabalho hoje, não vai?
Olhei pra ele com o copo na mão, levantando no ar.
- Eu vou te dar diversão, amor. Trabalho é amanhã!
Todos gargalharam, pedindo seus drinks. Quando todos já estavam com suas bebidas em mãos, rindo e escolhendo quem ia virar primeiro, ouvi a voz conhecida atrás de mim:
- Vocês iam mesmo começar sem a gente? -Justin perguntou, surgindo ao lado com a Bruna.
Dei uma risadinha nervosa, escondendo meu copo atrás das costas.
- Não… claro que não… a gente só tava… aquecendo.
Bruna cruzou os braços, arqueando a sobrancelha.
- Aham. Sei.
Luan deu de ombros e respondeu, rindo:
- A culpa é da Marina, sempre é.
- Ei! -protestei, mas já comecei a rir também.
Justin e Bruna pediram seus drinks, e o bartender fez questão de caprichar, colocando um de cor rosa choque pra ela e um verde neon pro Justin. Eles se juntaram ao nosso círculo improvisado no bar.
- Beleza. -Anthony falou, levantando o copo.- Agora sim, o time tá completo.
- Bora fazer um brinde maluco, só nosso. -sugeri, já com a bebida erguida.- Um ritual da galera!
Todo mundo começou a pensar em algo até que Melanie, rindo alto, sugeriu:
- Que tal a gente bater os copos no ar, depois encostar no chão, rodar e virar?
Luke gargalhou.
- Isso é mais complicado que coreografia de boyband, mas eu topo!
- Eu também! -Bruna disse animada, já rindo.
Então a gente fez: levantamos os copos no alto, gritamos um "Uhuuu!", encostamos no chão, giramos no ar (alguns quase derrubaram), e aí viramos junto, em coro, como se fosse um pacto secreto.
- AHHHHH!!! -gritei quando o líquido desceu queimando a garganta.- Isso sim é brinde oficial de casamento!
Justin gargalhou, abraçando Bruna pela cintura.
- Só vocês mesmo pra transformar até brinde em bagunça.
Luan me puxou contra ele, ainda rindo, e eu sabia que dali em diante… o bar não ia mais descansar.
De repente, o som das batidas conhecidas tomou conta do salão.
"I gotta feeling… that tonight’s gonna be a good night…"
Meus olhos brilharam na hora. Agarrei a mão do Luan e puxei ele sem nem dar tempo de reclamar.
- Vem, amor, essa é minha música! -gritei, já atravessando o salão.
Ele riu, meio sem acreditar, mas foi atrás de mim, ainda segurando a bebida com a outra mão. Quando chegamos no meio da pista, a galera abriu espaço e eu comecei a dançar como se não tivesse amanhã.
Logo depois, senti Bruna me abraçar por trás, gritando no meu ouvido:
- Essa música não podia faltar!!!
Justin apareceu do lado, levantando os braços como se fosse dono da festa (o que, tecnicamente, era), e então todos os outros vieram juntos: Melanie e Luke já rindo feito dois malucos, Virgínia e Anthony dançando sincronizados, Ryan e Olívia tentando inventar passos novos.
De repente, todos estávamos no meio da pista, pulando e cantando juntos o refrão, como se fosse um hino da nossa turma.
- Isso aqui tá melhor que Vegas, hein! -Ryan gritou, girando o copo na mão.
- Vegas quem? -Justin rebateu, já suando, a camiseta quase colando no corpo.- Aqui é que é a despedida oficial!
Eu gargalhei, rodando na pista com Bruna, já estávamos fora de controle, pulando, cantando a música a plenos pulmões, com os braços erguidos pro alto. Nossos cabelos voavam, as taças já tinham sido abandonadas em algum canto, e a gente só queria aproveitar aquele momento.
- TONIGHT’S GONNA BE A GOOD NIGHT! -gritei junto com ela, quase sem voz.
De repente, percebi que a roda foi se abrindo em volta de nós duas. A pista inteira parou pra olhar a gente, e os flashes começaram a pipocar de todos os lados. Até os fotógrafos oficiais da festa nos focaram.
Então, como se fosse ensaiado, nós duas começamos a girar juntas no meio da pista, cantando o refrão, apontando uma pra outra e pro público, que foi à loucura. Os convidados gritavam, batiam palmas, uns até subiram nas cadeiras pra filmar.
Luan e Justin estavam de lado, só rindo e balançando a cabeça, com aquele ar de “lá vão elas de novo”, mas no fundo, dava pra ver que estavam babando de orgulho.
Depois de duas músicas seguidas, Abigail apareceu toda organizada no meio da bagunça e levantou a mão, pedindo silêncio. A música parou e todo mundo olhou pra ela.
- Chegou a hora do buquê! -ela anunciou animada.
Bruna, toda suada, bochechas vermelhas, mas ainda radiante, subiu de novo no palco improvisado. Ela ergueu o buquê como se fosse um troféu e gritou no microfone:
- Vamos lá, solteiras, bora se juntar aí na frente!
Na mesma hora, a pista foi invadida por mulheres se empurrando, rindo, já armando a guerra pelo buquê. Eu, mesmo noiva, não pensei duas vezes. Corri pro meio delas.
- MARINA! -várias reclamaram juntas.- Tu já vai casar, sai daí, porra!
Eu só dei um sorriso safado, ajeitei o cabelo molhado de suor e respondi:
- Quero ver o circo pegar fogo, minhas queridas!
Bruna virou de costas, começou a contagem:
- Um… dois… três!
Ela lançou o buquê pro alto e foi como se a guerra começasse. Cotoveladas, puxão de cabelo, salto voando. Eu juro que em um momento achei que ia morrer esmagada ali, mas sobrevivi.
No fim, quando a poeira baixou, quem estava com o buquê nas mãos era ninguém menos que Virgínia.
Ela levantou as flores como se fosse uma taça da Copa do Mundo, e eu, Olívia e Bruna já pulamos em cima dela.
- É ELA, PORRA! -gritei.
- JÁ VAMOS PLANEJAR A DESPEDIDA! -Olívia berrava.
Virgínia, morrendo de vergonha, ria sem parar, enquanto Anthony, do canto, aplaudia todo orgulhoso.
A música voltou a tocar, e logo começou Good Feeling, do Flo Rida. Eu fui direto pro bar pegar mais um drink, já cambaleando, mas firme na missão.
[...]
As horas passaram voando, e eu já estava completamente bêbada. Descalça, cabelo uma juba desgrenhada, maquiagem quase toda borrada, mas foda-se. A pista de dança era meu trono, e eu não saía dali por nada.
De repente, vejo Bruna indo até o DJ e cochichando algo. O cara sorriu, mexeu no notebook e, em segundos, o ritmo mudou.
Quando o batidão do funk brasileiro começou, eu juro que quase chorei de orgulho.
DJ Guuga explodiu nas caixas de som e todo mundo ficou meio perdido, sem entender nada do que estava sendo cantado. Só os brasileiros presentes — e eu, que tinha feito curso de português — realmente sabiam o que rolava.
Mas ninguém ligou. Todo mundo começou a descer até o chão, dançar, se jogar na batida. Os gringos estavam enlouquecendo tentando imitar a gente. Eu gargalhava só de ver Kylie Jenner tentando seguir nossos passos.
Eu já tinha perdido completamente a conta de tudo que bebi naquela noite. Vinho, caipirinha, tequila, vodka, gin… se existia, tava misturado dentro de mim. Depois de mais duas músicas e meia, meu corpo começou a dar sinais claros de que não ia aguentar mais.
- Merda… -murmurei, correndo pro banheiro antes que fosse tarde demais.
Me apoiei na pia, olhei meu reflexo no espelho. Meu cabelo tava grudado de suor, a maquiagem borrada, o vestido já pedindo socorro. Eu respirei fundo, mas meu estômago não perdoou. Corri pro vaso e vomitei tudo o que tinha direito, abraçando a privada como se fosse minha melhor amiga.
Depois de alguns minutos, lavei a boca, ajeitei o batom na cara de pau e olhei pro espelho de novo.
- Tá tudo sob controle, Marina… -falei comigo mesma, rindo sozinha.- Nem parece que quase morreu agora há pouco.
Saí do banheiro como se nada tivesse acontecido. E justo na hora em que voltei pra pista, começou a tocar Vai Cavala.
Bruna gritou meu nome, já no meio da roda, e Camila também se juntou. Eu não pensei duas vezes. Corri e, juntas, nós três tomamos conta da pista.
As três fazendo a coreografia, nos jogando no chão. O povo fez uma roda em volta da gente, os gringos sem entender nada, só vibrando com a energia.
Naquele momento, não existia mais casamento chique, convidados famosos ou festa organizada. Era só a gente, bêbada, suada, e dominando Nova York com funk brasileiro.
Após toda a euforia do Vai Cavala, o funk continuava estourando no ambiente, os gringos tentando acompanhar o “rebolado brasileiro”, mas eu já tinha passado do ponto. O corpo tava mole, a cabeça girava, mas nada tirava minha animação. Eu grudei no pescoço do Luan, que tava tão bêbado quanto eu — a gravata já tinha sumido, a camisa toda aberta, cabelo bagunçado e aquele sorriso torto que só aparecia quando ele bebia demais.
Ele me abraçou forte pela cintura e, sem precisar falar nada, só de olhar nos meus olhos, soube.
- Você passou mal, né? -ele perguntou rindo, colando a boca no meu ouvido. Revirei os olhos, encostando a testa no ombro dele.
- Como você sabe?
- Amor, eu te conheço. Você pode enganar o resto do mundo, mas não engana a mim. -ele respondeu, dando aquele riso sacana.
Suspirei, me rendendo.
- Ok… eu vomitei igual uma cachoeira, mas já tô ótima, tá vendo? -balancei os braços como se estivesse 100%. Ele caiu na gargalhada.
E aí, como se o álcool tivesse desligado meu filtro de censura, aproximei bem a boca do ouvido dele e sussurrei em português:
- Hoje eu vou dar tanto pra você, mas tanto, que você vai implorar arrego, Luan Santana…
Ele arregalou os olhos e engasgou com a bebida, quase cuspindo no chão.
- Marina! -ele riu, me olhando incrédulo.- Você fala essas coisas assim, no meio da festa?!
Dei de ombros, segurando o rosto dele com as duas mãos e colando nossos narizes.
- Falo, ué. Quem manda ser gostoso desse jeito? -falei rindo, antes de morder o lábio inferior dele.
Ele sacudiu a cabeça, rindo ainda mais.
- Você é impossível, mulher.
- Não. Eu sou inevitável. -respondi, dramática, levantando a taça.
Ele gargalhou alto, depois me puxou num beijo daqueles de tirar o fôlego. O gosto de bebida misturado ao dele só me deixou mais tonta, mas eu juro que não tava nem aí.
Enquanto a música mudava pra outro funk pesadão, Luan encostou a boca no meu ouvido e devolveu na mesma moeda:
- Então se prepara, porque quando chegar em casa… você não vai conseguir nem levantar amanhã.
Eu arregalei os olhos e gargalhei, jogando a cabeça pra trás.
Aquela declaração dele me pegou em cheio. Eu já tava derretida no calor da festa, mas só de ouvir a voz do Luan prometendo me deixar de cama no dia seguinte… meu corpo inteiro arrepiou.
Segurei o rosto dele com as duas mãos, ainda rindo:
- Tá se achando muito, né? Aposto que nem chega em casa inteiro! -provoquei, mordendo o queixo dele.
Ele arqueou a sobrancelha, aquele olhar que misturava desafio com safadeza.
- Quer apostar?
Pronto. Já era. Minha perna quase cedeu ali mesmo. Pra disfarçar, virei um gole da bebida, mas engasguei, tossindo igual uma doida.
- Tá vendo? -ele riu, passando a mão nas minhas costas.- Não sabe nem beber, imagina aguentar eu…
- Cala a boca! -gritei rindo, empurrando o peito dele.- Se eu quiser, eu te arrasto agora pro carro e a gente faz a viagem de volta com os vidros todos embaçados.
Ele gargalhou alto, segurando minha cintura firme.
- Não duvido nada de você, Marina. Mas se começar no carro, a gente nem chega em casa. Vou ter que parar no meio da estrada.
Olhei nos olhos dele, séria por três segundos, até o riso escapar.
- E qual o problema? Eu topo. -falei baixinho, deslizando a mão pelo abdômen dele até a barra da calça.
O olhar dele escureceu de um jeito que só me deixou mais incendiada.
- Você é louca… -ele sussurrou, colando a boca na minha.
- Louca por você. -rebati, antes de beijá-lo com toda a intensidade que o álcool e a tesão me deram.
A música parecia desaparecer, só sentia a batida do coração dele contra o meu. A galera dançava, pulava, mas ali era só eu e Luan. Quando me dei conta, já tava agarrada no pescoço dele, rindo e gemendo baixinho no meio da pista.
Ele se afastou um pouco, ofegante, e disse:
- Vamos embora. Agora.
- Finalmente! -respondi, pegando na mão dele e já puxando pro lado da saída, tropeçando no salto e gargalhando como se fosse a coisa mais normal do mundo.