Pular para o conteúdo principal

Capítulo 110

Luan Narrando 

Levantei na hora pra cumprimentar meus pais, meus avós, meus tios e primos. A gente não se via fazia tempo e a emoção era grande — exceto meus pais, que vi quando Serena nasceu. Todo mundo já foi me abraçando de uma vez, perguntando um monte de coisa, mas logo os olhos se voltaram para a Serena, que estava quietinha no colo da Marina, chupando a chupetinha como se não tivesse nada acontecendo ao redor.

- Meu Deus, deixa eu ver essa menina! -minha avó Manuela falou, emocionada, as mãos já estendidas.

- Calma, vó, todo mundo vai pegar, mas de pouquinho em pouquinho. -respondi rindo, enquanto olhava pra Marina, que já sorria diante da ansiedade da minha família.

Minha avó então me cutucou e pediu baixinho:

- Fala pra Marina que ela tá muito linda… radiante… tem um brilho materno fora do normal.

Olhei pra Marina e sorri. Antes mesmo de eu traduzir, ela já tinha entendido tudo.

- Muito obrigada, dona Manuela! -Marina respondeu em português, com aquele sotaque americano leve, mas tão fofo que até eu fiquei orgulhoso.

O silêncio que se fez na mesa foi engraçado. Todo mundo piscou meio confuso, e meu tio Max, sempre o zoeiro da família, arregalou os olhos e soltou:

- Eita, agora não dá mais pra falar mal dela em português, hein!

A família inteira caiu na risada, e Marina acompanhou, balançando a cabeça.

- Pois é, Max, agora vou entender tudo o que vocês falarem de mim. Então se quiserem falar mal, vai ter que ser em espanhol ou francês! -ela brincou, arrancando ainda mais gargalhadas.

Eu olhei pra ela com orgulho estampado no rosto. Minha família estava fascinada, não só com a Serena, mas também com o jeito da Marina. Era como se ela já tivesse se encaixado ali há muito tempo.

A gente ficou ali batendo papo, rindo alto como sempre, lembrando das presepadas de infância. Eu, meu tio Max — que só tem dois anos a mais que eu —, a Bruna e meus primos Camila, Jéssica e Matheus… rapaz, era cada história que só de lembrar já doía a barriga de tanto rir. Minha mãe só balançava a cabeça, dizendo que era um milagre a gente não ter quebrado um braço ou perna naquelas aventuras malucas.

Enquanto a zoeira rolava, eu percebi Marina se levantando. Ela ajeitou a Serena no colo e disse com calma:

- Vou ali conversar um pouco com os meus avós, tá? Quero aproveitar eles.

- Vai lá, amor. -falei, sorrindo.

Vi ela se afastando, caminhando elegante, e logo se enturmando com meus avós. A Serena olhava tudo com aqueles olhos atentos, como se entendesse cada detalhe do momento.

Foi então que o tio Leonidas, do nada, largou a pergunta no ar:

- E aí, Luanzinho… quando é que sai o casório, hein?

Todo mundo virou a cabeça na hora pra mim. Até Max ficou me encarando com aquele sorrisinho de canto, pronto pra zoar.

Cocei a nuca e respondi firme, mas com um sorriso no rosto:

- Agosto do ano que vem.

Na mesma hora, veio aquele coro de “Aaaaah” misturado com palmas, assovios e risadas. Minha mãe colocou a mão no peito emocionada, meu pai me deu um tapinha nas costas, e Max já foi o primeiro a tirar sarro:

- Hum… agosto… dá tempo de eu preparar meu terno chique, porque eu vou entrar rasgando na pista de dança, viu!

Todo mundo caiu na gargalhada de novo.

Depois da zoeira com minha família, resolvi dar uma circulada também. Pensei comigo: já que a Marina foi fazer sala pros seus avós, nada mais justo eu ir fazer um pouco de sala pra eles também. Levantei e fui até a mesa onde eles estavam.

Cumprimentei primeiro os avós dela:

- Senhor George, dona Kathy… que bom ver vocês aqui.

Eles sorriram calorosos, a Kathy segurou minha mão com carinho e disse num português esforçado:

- Muito… feliz estar aqui.

- E eu mais feliz ainda por vocês terem vindo. -respondi, animado.

Depois, passei pelos tios Nate e Charlotte, sempre elegantes, e pelo pai da Marina, o William, que me deu aquele aperto de mão firme, quase de sogro testando o genro (apesar de já saber que ele me aprovava).

Do lado estava Ashley, sorridente como sempre. Cumprimentei ela, que já foi logo perguntando:

- E aí, preparado pro casamento no ano que vem?

Eu ri sem graça.

- Acho que nunca se está realmente preparado, mas tô feliz demais.

Logo depois, meus olhos caíram na Melanie, que estava de mãos dadas com um rapaz que eu não conhecia. Ela percebeu meu olhar curioso e foi logo apresentando:

- Ah, Luan, esse é o Nick… meu namorado.

Estendi a mão pro cara.

- Prazer, Nick. Seja bem-vindo à bagunça.

Ele riu, meio sem graça, mas parecia gente boa.

Enquanto isso, olhei ao redor e reparei nos detalhes da festa. Estava tudo impecável, a cara do Justin e da Bruna juntos organizando: cheio de cuidado, cor, alegria e… bastante doce (óbvio, Bruna não ia deixar faltar). O Jack, no colo do Justin, já ia de uma mão pra outra entre os convidados, e parecia o mais animado de todos com tanta gente ao redor.

Marina me chamou pra sentar ao lado dela. Ela estava sentada à mesa, com a Serena no colo, coberta por aquele pano fininho que usava sempre que ia amamentar em público. Me sentei ao lado dela, já pousando a mão em sua perna, como se fosse meu lugar natural no mundo.

A vó Kathy, com aquele jeito doce e memória afiada, resolveu puxar uma história antiga.

- Isso aqui me lembra muito quando Marina e Melanie eram pequenas. -ela começou, suspirando.- Brigavam o tempo todo pela atenção do Justin. Eu ficava louca com os três juntos!

Eu ri, imaginando a cena.

- É verdade isso, Marina? -perguntei, curioso, virando pra ela.

Ela levantou os olhos e deu um sorrisinho sem negar nem confirmar, só balançando a cabeça, meio envergonhada. Mas antes que pudesse responder, Melanie entrou no papo com aquele tom venenoso que ela nunca conseguia disfarçar.

- Ah, mas isso aí é óbvio. A Marina sempre foi a irmã preferida do Justin.

O jeito que ela falou, carregado, como se ainda doesse nela, deixou o ar da mesa levemente pesado. Eu ergui as sobrancelhas, surpreso, e olhei primeiro pra Marina, depois pra Melanie. Minha noiva respirou fundo, mas não disse nada. E foi nesse momento que o Justin apareceu, como se tivesse sido invocado pelo comentário.

- Qual é o papo aqui, hein? -ele perguntou, com aquele jeito descontraído de sempre.

William não perdeu a chance de dar a cutucada certeira.

- O papo é que a Melanie ainda não superou o ciúmes de você com a Marina.

O silêncio que seguiu foi quebrado por algumas risadinhas discretas — inclusive minhas. Marina fechou os olhos, como se estivesse dizendo internamente: ai, meu Deus, pai, precisava disso?

Melanie revirou os olhos e cruzou os braços.

- Não é ciúmes, é só que… vocês sempre tiveram uma ligação que eu nunca entendi.

Justin olhou sério pra irmã.

- Mel, a Marina é minha irmã tanto quanto você. Eu sempre cuidei de vocês duas, cada uma do seu jeito. Não tem essa de preferida.

- Ah, claro… -Melanie respondeu, sarcástica, jogando o cabelo pro lado.- É só reparar quem você ligava primeiro quando tinha novidade. Quem você defendia quando a gente brigava. Quem você ouvia. Sempre foi ela.

Marina respirou fundo e apertou de leve minha mão, como quem pede pra eu não entrar na briga. Mas eu não consegui ficar calado.

- Talvez porque a Marina nunca fez questão de competir por atenção, Melanie. Às vezes é isso que cria uma conexão natural.

Ela me olhou atravessado, mas ficou quieta.

A vó Kathy tentou apaziguar:

- Meninas, vocês sempre tiveram personalidades diferentes. Marina sempre foi mais calma, Melanie mais intensa… é normal que um irmão se aproxime mais de um do que do outro em certas fases. Isso não significa que ame menos.

Marina, finalmente, resolveu falar.

- Mel, eu nunca quis ser "a preferida". Eu só queria ser sua irmã. Eu sei que a gente brigava muito, mas… você sempre foi importante pra mim, mesmo quando não parecia.

O clima suavizou um pouco. Melanie não respondeu logo de cara, mas desviou o olhar, mordendo o lábio inferior como se segurasse algo. O Nick, que até então só observava quieto, passou o braço pelos ombros dela, num gesto discreto de apoio.

Justin deu um sorrisinho e completou:

- No fim das contas, vocês duas são insuportáveis e eu que tive que aguentar. -ele riu, quebrando o gelo.- Mas eu não trocaria nada disso por nada no mundo.

Todos riram, inclusive a própria Melanie, ainda que de forma contida. Eu olhei pra Marina, que continuava amamentando a Serena, e vi no rosto dela aquela mistura de orgulho e amor — a mesma que eu sentia por estar ali, fazendo parte dessa família grande, barulhenta e cheia de histórias.

William e Ashley se entreolharam, sorrindo de um jeito que só quem está feliz de verdade sorri. William então falou, com aquela voz firme, mas cheia de alegria:

- Já que a família tá toda reunida aqui, a gente queria contar uma novidade… Eu e a Ashley vamos finalmente oficializar nossa união.

Houve um leve silêncio na mesa, seguido de alguns "ahhh" surpresos e sorrisos. Ashley apertou a mão do William, e ele continuou:

- Os planos são fazer isso em novembro, numa cerimônia bem íntima, só pra família. Nada de festa grande. Só quem a gente ama mesmo.

Marina sorriu, com a Serena ainda no colo, e disse:

- Que notícia maravilhosa! Vai ser lindo, vocês merecem.

Minha avó Kathy bateu palmas suavemente e comentou:

- Ah, eu adoro cerimônias pequenas, íntimas, cheias de amor. Vai ser perfeito.

Melanie, ainda com aquele tom de sarcasmo discreto, disse:

- Olha só, parece que o pessoal da família Bieber também sabe fazer cerimônia chique e sem barulho.

Justin riu e cutucou a Melanie:

- Vai, deixa eles felizes, Mel. Sem drama.

Eu olhei pra Marina e vi que ela estava radiante, sorrindo com aquele brilho materno que só aumentava quando estava com a Serena no colo. Achei incrível como, mesmo no meio do caos de uma festa de aniversário, da amamentação e da correria de todos, aquele momento de anúncio da união de William e Ashley trouxe uma calma boa pra mesa, e um sorriso ainda maior para o meu rosto.

Eu, claro, não perdi a chance de brincar com a situação:

- Finalmente parou de enrolar a Ashley.

Todos nós rimos.

Um tempo depois, Bruna se levantou animada e chamou todos:

- Pessoal, agora é hora de cantarmos parabéns pro nosso aniversariante!

Nos levantamos e começamos a nos aproximar da mesa central, que estava toda decorada com balões coloridos, docinhos, e o bolo do Jack no centro. Bruna segurava Jack no colo, sorrindo emocionada, enquanto Justin tinha Chloe nos braços, que já estava curiosa com a vela acesa.

Justin pegou um isqueiro e acendeu a vela, com cuidado pra não assustar as crianças. Todos os convidados se ajeitaram ao redor da mesa, e o ambiente ficou alegre, cheio de expectativa.

Bruna começou a cantar animada, e todos logo se juntaram:

- Happy birthday to you, happy birthday to you...

Jack, sem entender direito, batia palminhas como se estivesse acompanhando o ritmo. Eu olhei pra ele e sorri, imaginando que ele estava tentando imitar a gente. Chloe, ao lado, também batia palmas, olhando curiosa para o fogo da vela.

A cada verso, as crianças pareciam mais animadas, e o sorriso de Bruna era contagiante. 

Quando chegamos ao final da música, Bruna e Justin ajudaram Jack a soprar a vela — ou melhor, ele fez movimentos meio desajeitados, mas foi fofo demais. Todos aplaudiram e riram, e Chloe deu gritinhos de empolgação, querendo também soprar a vela.

Eu fiquei ali, ao lado de Marina, admirando a cena. Jack, Chloe, Bruna e Justin — toda aquela mistura de alegria, amor e família me deixou com o peito apertado de emoção. Era incrível ver como, mesmo com todas as loucuras e acontecimentos do último ano, a família se mantinha unida e feliz.

Alguns meses depois...

Novembro finalmente tinha chegado, e estávamos todos em casa nos arrumando pro casamento de William e Ashley. O clima era uma mistura de animação e caos controlado — se é que isso existe. Marina ia ser dama de honra, junto com Melanie e Bruna. Ela estava deslumbrante com um vestido rosa que combinava perfeitamente com o tom da decoração do casamento, que seria à beira da piscina do hotel de William — embora, pelo clima nova-iorquino de novembro, ninguém ousaria se aproximar da água.

Serena já estava com 8 meses e, como toda bebê nessa idade, era um pequeno furacão ambulante. Eu estava tentando calçar os sapatos dela — tarefa que parecia impossível, considerando que a pequena resolvia movimentar os pés a cada dois segundos. Cada vez que eu quase conseguia, ela balançava as pernas, ria e tirava o sapato com uma rapidez incrível.

Enquanto isso, Marina estava focadíssima na chapinha do cabelo, tentando deixar cada mecha perfeita, mesmo sabendo que, em poucos minutos, o vento da rua ou uma piscadela da Serena poderia bagunçar tudo. Ela resmungava de leve:

- Luan, você consegue se concentrar ou vai ficar olhando pro nada enquanto a Serena faz a dança do sapato invisível?

Eu ri, tentando equilibrar Serena no colo enquanto encaixava mais uma vez o sapato:

- Eu juro que estou tentando! Mas ela tem talento pra escapar de qualquer coisa, inclusive dos sapatos!

Marina soltou um riso, deixando a chapinha de lado por um segundo para olhar nossa filha:

- Nossa pequena tem personalidade demais, hein? Parece até que ela sabe que hoje é casamento e quer roubar toda a atenção.

Serena deu uma risadinha, balançando os bracinhos, como se entendesse cada palavra que dizíamos, e eu senti uma pontada de orgulho. Mesmo com o caos, com Marina resmungando e eu quase suando com os sapatos, aquele momento era perfeito. Era a nossa vida real, cheia de amor, crianças, risadas e pequenas loucuras cotidianas que tornavam tudo mais especial.

Quando chegamos na cerimônia, o clima estava perfeito. Os convidados já estavam acomodados, o murmúrio de conversas baixas preenchia o pátio, misturado ao leve farfalhar dos vestidos e o tilintar ocasional de talheres das mesas no salão. Eu me sentei com a Serena no colo, que parecia curiosa e encantada com tudo ao redor. 

Justin, sempre o mais responsável, havia feito um curso online e rápido sobre como celebrar cerimônias — ele estava ali, sério e concentrado, pronto para desempenhar o papel que William pediu: celebrar a união da família. William fez questão que todos os filhos participassem de alguma maneira. Por falar nele, ele esperava no altar improvisado, ajeitando a gravata e sorrindo discretamente para a família e amigos que estavam ali.

Logo, começou a música das damas de honra. As cinco — Bruna, Marina, Melanie e algumas amigas da Ashley — entraram em perfeita sincronia, com vestidos iguais. Marina estava deslumbrante, sorrindo e segurando a bainha do vestido com uma das mãos, enquanto com a outra segurava delicadamente um buquê com flores brancas.

E então a marcha nupcial começou. O pessoal ficou em silêncio absoluto, e todos os olhos se voltaram para a entrada da noiva. Ashley apareceu, radiante, de braços dados com seu pai. Ela sorria nervosa, mas feliz, e cada passo que dava parecia iluminar o caminho até William, que a esperava com aquele olhar que mostrava amor, respeito e uma pontada de emoção.

Eu olhei para Marina, que estava no altar, ela tinha um lencinho delicado na mão, enxugando as lágrimas que escapavam pelos olhos, e meu coração apertou. Se no casamento do pai, ela não conseguiu segurar a emoção… imaginei o que seria quando chegasse o nosso. Eu sorria pra ela, enquanto ela olhava fixamente para a cerimônia, absorvendo cada detalhe.

Justin estava do outro lado, sério, com a postura impecável. Ele tinha assumido o papel de cerimonialista de maneira surpreendentemente profissional. Sua voz firme e clara ecoava pelo salão, conduzindo cada passo da cerimônia. Quando se dirigiu a Ashley e William, senti o peso da responsabilidade dele, mas também a paixão e dedicação que sempre colocava em tudo que fazia.

- ... E por isso, estamos reunidos aqui hoje. -Justin disse, mantendo o olhar atento em todos, mas sempre com aquela segurança que só ele tem- para celebrar a união de Ashley e William, e compartilhar com eles os votos que escreveram com tanto carinho.

William foi o primeiro a se pronunciar:

- Ashley, desde que te conheci, soube que você seria a pessoa com quem eu quero compartilhar cada momento da minha vida. Prometo te apoiar, te respeitar, te amar e te fazer sorrir, todos os dias da minha vida. Prometo caminhar ao seu lado, mesmo nos dias difíceis, e celebrar cada vitória com você. -ele olhou profundamente para Ashley, sua voz embargada em alguns momentos.- Eu te amo, hoje e sempre.

Ashley sorriu emocionada, e tomou sua vez:

- William, desde o momento em que nos conhecemos, minha vida se tornou mais completa e cheia de amor. Hoje, diante de todos, prometo ser sua parceira, sua amiga, sua confidente e seu amor incondicional. -ela respirou fundo.- E prometo também cuidar desta nova vida que cresce dentro de mim. Estamos esperando nosso primeiro filho juntos, e nada me deixa mais feliz do que compartilhar esta alegria com você e nossa família.

Um suspiro coletivo percorreu a sala, enquanto William se derramava em lágrimas. Alguns convidados sorriram emocionados, outros enxugaram lágrimas discretamente. Eu senti o peso da emoção subir pelo meu peito, e vi Marina, apertar o lencinho com força, a mão trêmula enquanto os olhos brilhavam de felicidade. A Serena se mexeu no meu colo, como se percebesse a energia ao redor, e eu acariciei sua cabeça suavemente, sorrindo.

Justin continuava com a cerimônia, firme e focado, garantindo que cada passo fosse feito com perfeição: a entrega das alianças, os olhares trocados, os sorrisos contidos e as lágrimas emocionadas. Ele sabia exatamente como equilibrar a seriedade de um cerimonialista com a sensibilidade de quem entende o quanto aqueles momentos são únicos.

Melanie saiu do seu lugar, caminhou com elegância até eles e entregou as alianças com um sorriso discreto. Todos os olhos estavam fixos naquele momento, inclusive o meu. 
William segurou a mão de Ashley, e então disse:

- Eu William Bieber recebo a ti, Ashley Livingstone, como minha legítima esposa. Prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da nossa vida. -e colocou a aliança cuidadosamente, e ela fez o mesmo com ele.

- Eu Ashley Livingstone recebo a ti, William Bieber, como meu legítimo marido. Prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da nossa vida.

A troca de alianças foi linda, cheia de significado, cada movimento refletindo o amor e a promessa que eles faziam um ao outro. A respiração de todos parecia sincronizada naquele instante de tensão e alegria.

Justin então ergueu as mãos, com aquela postura de cerimonialista impecável, olhando para todos os convidados:

- Pelo poder concedido por Deus… e pelo site cursodecerimonialistaonline.com. -disse ele, fazendo um leve sorriso divertido que só ele saberia colocar no tom sério.- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva!

Um aplauso imediato ecoou pelo salão. Alguns convidados se levantaram, outros riram emocionados. Eu observei William e Ashley se beijarem com aquele carinho que parecia abraçar cada pessoa presente ali. Marina enxugou uma lágrima silenciosa, sorrindo para mim.

Eu senti uma pontada de expectativa: quando o dia fosse nosso, eu seguraria a Marina assim, com todo o amor que eu já sabia que sentia por ela. A cerimônia continuava, mas eu já não conseguia tirar os olhos de Marina. Ela, radiante, ainda emocionada, e aquele instante me fez perceber o quanto a nossa própria história ainda estava só começando.

Já estávamos acomodados no salão da recepção, o cheiro do buffet misturado com flores frescas criando aquele clima aconchegante de festa elegante, mas ainda familiar. Os noivos estavam posando para fotos do lado de fora, então nós estávamos ali, acomodados nas mesas perto do centro, aproveitando um momento mais tranquilo.

Eu, claro, com Serena nos braços, que brincava com o botão do meu casaco, enquanto Marina fazia caretas e falava com ela baixinho. Justin estava ao meu lado com a Chloe, que se debatia pra pegar o guardanapo da mesa, tentando chamar atenção. Bruna mantinha Jack no colo, dando risadinhas de leve enquanto ele tentava puxar as caixinhas de lembrancinhas pra fora da mesa. Melanie e o namorado, Nick, estavam sentados ao lado, com olhares curiosos sobre cada detalhe do salão.

Justin, com aquele tom sério, mas brincando ao mesmo tempo, comentou:

- Ninguém vai falar nada sobre nosso pai ter mais um filho?

Eu não pude conter a risada, olhando pra Marina, que fez uma expressão de surpresa divertida.

Melanie não perdeu tempo, rindo e comentando com aquele veneno característico:

- Nosso pai claramente desconhece a existência da camisinha.

Marina balançou a cabeça, quase rindo:

- Depois de vinte anos… nunca pensei que teria outro irmão.

Melanie deu de ombros, soltando um sorriso maroto:

- Pois é, tipo, era pra ele tá curtindo os netos que ele já tem… e que logo virão mais… não fazendo mais filhos!

Todos nós rimos, e a Chloe deu uma gargalhada aguda, como se estivesse participando da conversa, enquanto Serena apenas observava, mordendo o dedinho. 

Justin então comentou, sério, mas com aquele tom de brincadeira que só ele sabe:

- Espero que seja menino dessa vez. Chega de irmãs mulheres, muita dor de cabeça… ainda mais agora que já tenho a Chloe e a Serena pra esquentar a cabeça com namorados no futuro.

Fechei a cara imediatamente quando ouvi a parte da frase sobre “Serena com namorado”. Olhei pra Justin com os olhos semicerrados e disse, firme:

- Minha filha não vai namorar nunca. Nunca!

Todos na mesa riram, Marina soltou um risinho abafado, segurando a mão da Serena, e disse:

- Luan, calma… ela ainda nem anda direito e você já tá proibindo namorado.

Eu revirei os olhos, mas não consegui segurar o sorriso que teimava em aparecer. Chloe, percebendo a tensão engraçada, começou a bater palminhas, como se estivesse aplaudindo meu “lado protetor”. Serena, por outro lado, apenas olhou pra mim com aqueles olhos enormes, curiosa, sem entender nada, e eu senti um aperto no peito, pensando em como aquela pequena já tinha o poder de me deixar assim, pronto pra lutar por ela até o fim.

Justin apenas riu, levantando os ombros, e respondeu:

- Bom, só digo que já estou me preparando pra muita bagunça… e pode ter certeza que a Serena vai ter namorado sim, cedo ou tarde.

Melanie não perdeu tempo e cutucou:

- Só orce pra Serena não puxar a mãe, hein? Porque a Marina era cada dia um namorado diferente.

Eu quase engasguei, mas olhei pra Marina e vi que ela estava arregalando os olhos, claramente indignada. Ela se defendeu na hora, cruzando os braços:

- Ei! Que exagero é esse? Eu sou estável… agora!

Bruna, tentando ser a sensata do grupo, suspirou:

- Calma, gente. Serena ainda é um bebê! Vamos guardar essa “discussão de namoro” pro futuro… tipo uns quinze anos depois, talvez.

Marina bufou, mas não conseguiu esconder o sorriso. Serena, no meu colo, olhava tudo com aqueles olhinhos curiosos e começou a dar risadinhas, provavelmente achando a conversa divertida sem nem entender uma palavra. 

Justin, como sempre, deu aquele sorriso malicioso, olhando pra Marina:

- Bom, Marina… se a Serena puxar você, pelo menos não vai faltar emoção na família.

Eu revirei os olhos de novo, abraçando a Serena mais forte:

- Não vou nem discutir sobre isso… minha filha vai ter namorado quando eu disser que pode, e ponto final.

Bruna só riu, sacudindo a cabeça, e Marina passou a mão no meu ombro, tentando acalmar meu “modo protetor ativado”. 

Postagens mais visitadas deste blog

Personagens

Marina Rhode Bieber Tem 18 anos, é natural de Los Angeles, é meia-irmã de Justin, irmã de Melanie e mora em Nova York, caloura da Columbia. Justin Drew Bieber Tem 18 anos, é natural de London (Canadá), é meio-irmão de Marina e Melanie, mora em Nova York, calouro da Columbia. Luan Rafael Domingos Santana Tem 18 anos, natural de Campo Grande, recém chegado em Nova York, é irmão gêmeo de Bruna, calouro da Columbia. Bruna Domingos Santana Tem 18 anos, natural de Campo Grande, recém chegada em Nova York, é irmã gêmea de Luan, caloura da Columbia. Melanie Marie Bieber Tem 17 anos, natural de Los Angeles, irmã mais nova de Marina e meia-irmã de Justin, estudante do último ano do Ensino Médio. Olivia Sidney Mitchell Tem 18 anos, natural de Londres, mora em Nova York, caloura da Columbia. Virginia Weston Yeardley 18 anos, natural de Washington, mora em Nova York,  caloura da Columbia. Chloe Araya Collins 19 ...

Capítulo 93

Marina Narrando Já era segunda-feira e minha cabeça estava a mil. Eu caminhava pelos corredores do estúdio com uma mão apoiada na barriga já bem arredondada e um café descafeinado na outra, tentando organizar todos os pensamentos que martelavam desde o fim de semana. Eu ter voltado com o Luan… ainda parecia surreal. Quando deitamos no sofá ontem à noite e ele me puxou pra perto, me chamando de “minha namorada” com aquele sorriso bobo, eu senti um alívio no peito que não sabia que precisava. Mas também… tinha o outro lado. O post sobre a Bruna e nossa amizade, explodindo nas redes sociais. Eu vi cada comentário de ódio direcionado a ela e era revoltante. Pior ainda porque, embora os fatos estivessem todos distorcidos, eles não eram totalmente mentira.  Quando cheguei à sala de reunião no set, já estavam todos lá. O elenco completo, produtores, roteiristas, técnicos. Era aquele burburinho animado de sempre, todo mundo empolgado porque a divulgação do segundo filme já ia começar, com ...

Capítulo 91

Luan Narrando  Eu senti meu peito subir e descer rápido, ainda sem conseguir me afastar dela. Marina tava ali, entre os meus braços, a respiração dela quente contra a minha pele, e tudo em mim gritava pra não soltar. Aquela boca… aquele gosto dela… eu não lembrava quanto era viciante até provar de novo. Me sentei melhor no sofá, trazendo-a junto, acomodando-a no meu colo com cuidado por causa da barriga. Ela deixou escapar um riso nervoso quando ajeitei as mãos na cintura dela, quase como se pedisse permissão outra vez. - Você fica linda assim… -murmurei perto do pescoço dela, sentindo o cheiro do cabelo, descendo uma mão até descansar na curva do quadril.- …tão linda que eu fico até meio burro. Ela soltou uma risadinha, mas arfou quando minha mão subiu devagar pelas costas dela, desenhando a curva da coluna por baixo da blusa. Eu sentia a pele dela arrepiar debaixo dos meus dedos. - Luan… -ela murmurou, meio que em protesto, mas sem força nenhuma pra realmente me parar. - Shhh… -p...