Justin Narrando
Mano, quando eu vi o Chaz e o Chris no corredor da delegacia, eu juro que pensei que tava tendo alucinação. Pisquei umas três vezes, mas eles continuavam ali, sorrindo, tipo dois anjos da guarda canadenses prontos pra me tirar da lama.
- Vocês pagaram minha fiança! Eu amo vocês, caralho!
Chaz acenou, rindo:
- Relaxa, bro. Não foi barato, mas valeu. A cara de vocês atrás das grades deve ter sido impagável.
- E o macaco? -Luke apareceu.- Ele também tá livre, né?
Chris passou a mão na testa, suspirando.
- Só vocês pra quererem sair de Vegas com um macaco, mano.
Eu comecei a rir tão alto que os policiais olharam torto. E foi nesse riso que percebi: a noite ainda tava viva. A prisão não era o fim, era só mais um capítulo.
- Galera, vamo embora daqui! -falei, já puxando os caras.- Eu não vim pra Vegas pra dormir, não!
Luan coçou a cabeça, ainda sem camisa.
- Justin, você não acha que já foi loucura demais?
- Luan, brother… -coloquei a mão no ombro dele, olhando bem sério.- A vida é curta demais pra gente pensar em amanhã.
Ryan começou a aplaudir no fundo:
- Fala bonito, poeta!
Anthony ergueu o braço, mostrando a tatuagem “Virgínia 💘”.
- Bora que eu preciso mostrar isso pra todos antes de me arrepender.
Todo mundo riu. E aí, quando saímos da delegacia, tinha uma SUV preta esperando a gente. Claro que era coisa do Chaz e do Chris. Entramos no carro com uma energia de moleque fugindo de casa.
Eu tava pronto. Vegas não ia esquecer da gente.
A SUV deslizou pela Strip como se fosse nossa nave espacial. A gente ainda tava rindo da prisão, falando alto, cheirando a vodka e suor, mas parecia que nada ia parar a gente.
- Então quer dizer que vocês foram presos por causa de um macaco roubado? -Chaz começou, quase cuspindo de tanto rir.- Mano, isso é história de filme!
Luke rebateu, indignado:
- Ei, ei, calma aí! Eu só adotei o bicho, não roubei. Ele parecia querer vir comigo.
Ryan explodiu em gargalhada:
- Aham, adotar no meio da balada em Vegas, com música alta e luz neon. É cada caô…
Eu não aguentei e bati no banco da frente.
- Luke, se fosse um cachorro de rua, eu até entendia. Mas, PORRA, era um macaco, mano!
Anthony levantou o braço, a tatuagem da Virgínia ainda vermelha.
- Vocês tão falando do macaco, mas ninguém tá falando que eu marquei meu amor pra sempre.
Luan riu, segurando a cabeça.
- Pra sempre? Cê fez essa tatuagem bêbado, Anthony. Amanhã vai tá chorando igual criança.
Anthony apontou o dedo pra ele.
- Errado! Isso aqui é prova de amor, parceiro. Quando a Virgínia ver…
- …ela te mata. -completei, rindo.
Chris abriu uma garrafa de tequila que tinha trazido e gritou:
- Aí, família, pra celebrar a liberdade!
A SUV virou praticamente um mini-bar. Cada gole queimava, mas também fazia a gente esquecer que tinha passado DUAS horas na cadeia.
- Bora pro cassino, de novo! -falei, já sentindo a adrenalina.- Vegas sem cassino é igual casamento sem lua de mel.
- Só que ninguém aqui pode perder mais dinheiro. -Luan avisou.- Porque eu sei que Marina me mata se eu voltar quebrado.
- Ah, relaxa, irmão. -respondi.- Dinheiro é igual ressaca: sempre volta.
Chaz me encarou com cara séria, mas não segurou a risada.
- Esse é o pior conselho financeiro que eu já ouvi.
Quando entramos no cassino, parecia cena de filme. As luzes, o barulho das máquinas, a grana voando. Eu e Ryan fomos direto pras fichas, Luan parou no bar pedindo mais shots, Anthony já mostrava a tatuagem pros croupiers como se fosse troféu, e Luke… bom, Luke desapareceu de novo.
De repente, alguém falou atrás de mim:
- Justin Bieber apostando em roleta? Isso eu tenho que ver.
Eu virei e vi uma galera reconhecendo a gente, já tirando celular, filmando, gritando.
Olhei pros moleques e disse:
- Prontos pra virar Vegas de ponta-cabeça de novo?
Eles ergueram os copos e gritaram junto:
- BORA!
E ali, com as fichas na mão e a noite só começando, eu soube que a gente ia se foder mais ainda… mas ia ser lindo.
[...]
A primeira coisa que me acordou foi o sol atravessando a cortina de seda como uma lâmina no meu olho. A segunda foi a sensação de que tinha um tambor dentro da minha cabeça.
Pisquei, devagar, tentando entender onde eu tava. Olhei pros lados e percebi: suíte presidencial. Ok, até aí tudo certo. Só que ao meu lado, deitado na cama comigo, estava Luan… mas do jeito mais bizarro possível. Ele tinha virado ao contrário, cabeça pra baixo, pés pro travesseiro. Um ronco absurdo saía dele.
- Mas que porra… -murmurei, esfregando os olhos.
Levantei e o quarto girou como se eu tivesse num carrossel. Sentei na beira da cama, tentando não vomitar, mas o estômago já avisava que a noite tinha sido guerra.
Dei alguns passos meio cambaleantes e fui analisando o cenário. Anthony estava esticado no chão, por cima do edredom, de braços abertos como se tivesse sido crucificado pelo álcool. A tatuagem ainda brilhava vermelha no ombro.
Luke estava todo torto na poltrona, a boca aberta, parecia que tinha brigado com a gravidade a noite inteira e perdido feio.
Ryan, largado no sofá, abraçado a duas almofadas como se fossem prêmio.
E no tapete, lado a lado, estavam Chris e Chaz, como dois soldados caídos depois de uma batalha.
Olhei aquilo e balancei a cabeça.
- Puta que pariu, parece cena pós-apocalipse… versão Vegas.
Meu estômago deu mais uma volta e eu corri pro banheiro. Ajoelhei no chão de mármore frio, encostei a testa na tampa da privada e pensei: se eu sobreviver, nunca mais bebo desse jeito. (Mentira, eu sabia que era mentira, mas servia de promessa temporária.)
Depois de alguns minutos, voltei pro quarto, ainda zonzo. Pisei no edredom no chão e Anthony resmungou:
- Ai, caralho… quem apagou as luzes?
- Ninguém apagou não, bro… foi você que desligou sozinho. -respondi, rindo fraco.
Luan se mexeu, abriu os olhos inchados e falou com voz arrastada:
- Justin… que horas são?
Olhei no relógio da parede e quase engasguei.
- Mano… onze e meia da manhã.
Ele arregalou os olhos.
- Fudeu.
E naquele momento eu sabia que a parte mais perigosa da ressaca não era a dor de cabeça… e sim encarar as meninas depois dessa noite.
Meu celular vibrou na mesinha de cabeceira e quase me deu um infarto. Peguei com a mão trêmula, já sentindo o arrepio subir pela espinha. Tela acesa: Bruna 💍❤️.
Meu coração gelou. Pronto, acabou, foi bom enquanto durou.
Atendi tentando parecer vivo:
- Oi, amor…
A voz dela veio calma, até doce demais:
- Oi, meu bem… tô aqui em Las Vegas com a Mel, a Marina, a Virgínia e a Olívia. A gente queria saber onde vocês estão pra almoçarmos juntos.
Eu congelei. Olhei ao redor: Luan ainda deitado de cabeça pra baixo, Anthony com metade da cara grudada no edredom, Luke babando na poltrona, Ryan de ressaca eterna no sofá e Chris e Chaz parecendo mendigos de tapete.
Engoli seco.
- Almoço?… aqui… em Vegas?
Ela riu.
- Claro, ué. A gente se falou de madrugada, não lembra que combinamos de almoçar juntos?
Botei a mão na cara. Puta que pariu.
- Amor, claro que eu lembro… -menti na maior cara de pau, tentando disfarçar minha voz de bêbado arrependido.- Só… só me diz onde vocês estão que… eu organizo os meninos aqui rapidinho e a gente encontra vocês.
- Beleza. Estamos no restaurante do Caesars Palace. Daqui meia hora. Não demora, hein?
Antes que eu pudesse inventar qualquer desculpa, ela desligou.
Eu fiquei estático olhando a tela preta do celular. Depois virei pro quarto e soltei:
- Mano… a fossa acabou. As meninas estão aqui. E querem almoçar com a gente. Daqui meia hora.
Luan arregalou os olhos, ainda todo amassado.
- Que??? -ele sentou de um pulo.- Mas… mas… eu tô sem camisa desde ontem!
Ryan levantou a cabeça do sofá com a cara de quem levou três socos.
- Espera… espera… elas sabem da prisão?
Eu revirei os olhos.
- Não sei, e eu não vou ser o idiota a contar primeiro.
Luke, com a boca seca, só murmurou:
- Caralho… eu ainda tô bêbado…
Anthony gemeu no chão, levantando devagar.
- A gente tá fudido, não tá?
Suspirei, ainda com a cabeça latejando.
- A gente tá mais do que fudido… a gente tá extremamente fudido.
Eu já tava surtando em pé no meio do quarto, só de cueca, com a cabeça latejando.
- Mano, a gente tem meia hora pra virar ser humano de novo. -falei, passando a mão no cabelo todo desgrenhado.- Bora, levanta, porra!
Chris abriu os olhos devagar, parecendo um morto ressuscitado.
- Bro, eu não vou conseguir encarar sua noiva sóbrio…
Chaz riu pelo nariz, ainda jogado no tapete.
- Nem bêbado você encararia…
Eles levantaram aos trancos, pegaram as mochilas deles e começaram a se arrumar. Chris veio até mim, ainda colocando o boné.
- Bieber, foi do caralho… mas a gente vai voltar pra Toronto. Já tá na hora.
Chaz completou:
- E a gente se vê no casamento, relaxa. A gente promete que não vai contar nada da stripper.
- Que stripper? -perguntei, olhando sério.
Os dois deram risada, bateram no meu ombro e saíram do quarto, deixando a porta bater atrás.
Suspirei fundo e olhei pro resto da tropa.
- Fechou. Agora somos só nós. E temos vinte minutos.
Luan tava de pé, desesperado, catando uma camiseta do chão.
- Essa tá suja de tequila… essa tem vômito do Anthony… -ele olhou pra mim quase chorando.- Caralho, Justin, eu não posso aparecer sem camisa na frente da Marina.
Anthony levantou, coçando a tatuagem fresca no ombro.
- Bro… a Virginia vai me matar quando ver essa merda. -ele puxou a manga da camiseta com a tatuagem escrito todo torto.- Eu devia dizer que foi homenagem ou que fui sequestrado por um tatuador?
Ryan já tava no banheiro, tentando lavar a cara, gritando de dentro:
- Alguém tem óculos escuros? Vou falar que tô com conjuntivite.
Luke, ainda torto na poltrona, levantou os dois braços.
- Mano… só preciso de café. Tipo, cinco litros. Depois eu consigo fingir que sou normal.
Eu respirei fundo, abrindo o frigobar e pegando umas garrafas de água.
- É isso, guerreiros. A gente vai chegar lá bonito, cheiroso, disfarçando a ressaca. Se alguém abrir a boca sobre ontem, eu juro que desisto desse casamento.
Luan riu, sem humor nenhum.
- Tá parecendo discurso motivacional de filme de guerra.
E eu:
- É exatamente isso que é.
Quando chegamos no restaurante do Caesars Palace, todos de óculos escuros, nós estávamos tentando parecer que a vida tava em ordem, mas a verdade é que a gente ainda tava com gosto de álcool na boca. Eu andava na frente, rezando pra Deus não deixar nada escapar sobre a noite anterior. Meu coração ainda batia acelerado porque eu sabia que Bruna não ia cair fácil no meu teatrinho de “tô bem”.
E lá estavam elas, sentadas na mesa redonda, todas lindas mesmo de ressaca, cada uma com uma garrafa d’água ao lado. Bruna foi a primeira a me notar, tirou os óculos escuros devagar e eu percebi os olhos vermelhos dela.
- Você não tá muito melhor do que eu, hein, noivo? -ela murmurou rouca, mas com aquele sorriso safado no canto da boca.
Me abaixei, segurei o rosto dela com as duas mãos e dei um beijo demorado, quase um pedido de desculpa silencioso. Ela retribuiu, mas cochichou no meu ouvido:
- Eu sei de tudo.
Gelei. Mas antes que eu falasse algo, ouvi Marina rindo e levantando pra receber o Luan. Ele a puxou pela cintura, deu um beijo apaixonado e ela, rouca também, comentou:
- Você tá fedendo tequila, amor. -e beijou de novo.
Ryan já foi direto em Olívia, que soltou um:
- Você parece que foi atropelado por um ônibus, Ry. -e mesmo assim deu um beijo estalado nele.
Anthony foi até Virgínia, que levantou a manga dele sem cerimônia e mostrou a tatuagem torta com o nome dela.
- Você é um idiota. -disse, séria, mas no segundo seguinte tascou um beijo nele.- Mas um idiota fofo.
Já Luke, ainda meio trêmulo, encontrou Melanie. Ela ergueu a sobrancelha, deu aquele olhar de “sei exatamente o que você fez” e puxou ele pelo colarinho, beijando sem dó.
- Você é tão burro. -ela murmurou entre risos, e ele:
- Eu sei, mas você gosta.
Nós nos sentamos, todo mundo em silêncio por uns segundos, só os garçons colocando pratos e copos na mesa. Até que Marina soltou:
- Tá, já que vocês tão com essa cara de “fomos pegos”, vou contar: a gente também bebeu até o amanhecer. -ela ergueu a mão, mostrando a unha quebrada.- Prova viva da guerra.
Bruna completou, rouca e rindo:
- Eu dancei tanto funk que achei que meu quadril ia sair do lugar.
Eu olhei aliviado pro resto dos caras e cochichei:
- Safe… elas aprontaram tanto quanto a gente.
Só que Virgínia completou:
- Mas a diferença é que a gente ficou no iate, curtindo, enquanto vocês foram parar na cadeia.
O silêncio bateu na mesa. Luan me olhou. Eu olhei pra ele. Anthony coçou a nuca.
E Bruna, me encarando:
- E aí, quem vai começar a falar?
Luke, do nada, falou:
- Pelo menos a gente não ficou com o macaco.
- QUE MACACO? -as meninas perguntaram em coro, assustadas.
Luan bateu no ombro dele, desesperado.
- Cala a boca, Luke!
Eu respirei fundo, levantei a taça d’água que o garçom tinha acabado de colocar na mesa e falei:
- Vamos brindar… ao fato de ainda estarmos vivos.
Marina ergueu a dela, completando:
- E à ressaca coletiva, porque puta que pariu… nunca mais.
Todo mundo brindou, meio rindo, meio gemendo de dor de cabeça.
[...]
Segunda-feira, 15 de Maio de 2028
Os dias voaram depois daquela loucura em Vegas e, de repente, o grande dia tinha chegado. Meu casamento. Só de pensar nisso, minha respiração já acelerava. O local escolhido era digno de um sonho: um dos salões mais luxuosos de Manhattan, no alto de um arranha-céu com vista panorâmica pra cidade inteira. Do lado de fora, as luzes de Nova York piscavam mesmo em pleno dia, e no terraço havia um espaço reservado para a cerimônia, com flores brancas e verdes em arranjos tropicais. Mesmo em Nova York, tinha o jeitinho brasileiro em cada detalhe.
No meu quarto, eu estava de frente pro espelho, camisa branca aberta, calça social já no corpo, e minhas mãos tremiam levemente. Eu nunca tinha ficado tão nervoso em toda minha vida — e olha que já tinha cantado pra multidões gigantescas. Mas agora não era palco, não era show… era a vida real.
Meu pai, William, entrou calmamente, já pronto em seu terno. Ele me olhou e sorriu daquele jeito que só um pai sabe sorrir.
- Tá pronto, filho? -ele perguntou, vindo até mim.
- Acho que nunca vou estar cem por cento pronto. -respondi rindo sem graça, mexendo na gravata que eu não conseguia ajeitar de jeito nenhum.- Minha mão tá tremendo, não consigo nem dar o nó.
Ele riu baixo, pegou a gravata das minhas mãos e começou a ajeitar com a calma de quem já fez isso centenas de vezes.
- Lembro do dia que você subiu no palco pela primeira vez. -ele começou, enquanto arrumava a gravata.- Você também tremia, mas no fundo sabia que tinha nascido pra aquilo. Hoje é parecido… você nasceu pra esse momento também. Pra formar sua família, pra amar e ser amado.
Senti meus olhos marejarem, respirei fundo tentando me segurar.
- Eu sei, pai. Só que… é a Bruna. -minha voz falhou.- Eu não quero errar com ela nunca. Ela merece tudo de mim, tudo mesmo.
Ele terminou de ajeitar a gravata, bateu de leve no meu ombro e me encarou sério.
- Então dá tudo de você. Casamento não é sobre ser perfeito, Justin. É sobre tentar todo dia, até nos piores dias. E eu sei que você vai ser um marido incrível, porque eu nunca te vi tão decidido com algo na vida.
Eu baixei a cabeça, tentando segurar as lágrimas.
- Obrigado, pai… de verdade.
Ele me puxou pra um abraço forte.
- Vai lá, filho. Hoje é o teu show mais importante.
Quando nos separamos, olhei no espelho de novo. Gravata alinhada, terno impecável, coração disparado. Mas, dessa vez, eu estava pronto.
Eu ainda estava tentando controlar a respiração quando a porta do quarto se abriu devagar. Me virei e vi minha mãe entrando, de mãos dadas com o Jack.
Ele vinha todo fofinho, com um mini terno preto e gravatinha borboleta que parecia maior do que ele. Só de ver meu filho daquele jeito, meu coração quase explodiu. Ele olhou pra mim, abriu um sorriso enorme e soltou a mão da minha mãe pra vir correndo até mim.
- Papai! -ele gritou, tropeçando nos passinhos apressados até cair nos meus braços.
Abracei ele forte, beijei o topo da cabeça e senti aquela paz instantânea que só ele conseguia me dar.
- Olha só quem tá mais lindo que eu hoje… -falei, ajeitando a gravatinha dele.
Minha mãe parou no meio do quarto, olhando pra mim com a mão na boca. Os olhos dela já marejavam.
- Justin… -ela sussurrou, balançando a cabeça.- Meu Deus, olha só você…
Ela veio até mim devagar, como se estivesse absorvendo cada detalhe. Quando chegou perto, passou a mão no meu rosto e riu entre as lágrimas.
- Parece que foi ontem que você era do tamanho dele… e agora vai se casar.
Senti um nó na garganta.
- Mãe… não faz eu chorar agora, por favor. -soltei uma risada nervosa, segurando mais forte o Jack no colo.
Ela enxugou as lágrimas e me abraçou junto com ele, nós três apertados.
- Eu tô tão orgulhosa de você. Tão orgulhosa. -ela disse baixinho, quase no meu ouvido.
Eu respirei fundo, tentando guardar aquele momento na memória pra sempre. Porque nada, absolutamente nada, se comparava à sensação de estar ali.
Meu pai se aproximou de novo, ajeitando a manga do paletó.
- Vou levar o Jack lá fora, filho. Deixa ele com as madrinhas, vai ser a sensação da entrada. -disse, já estendendo os braços pro meu pequeno.
Jack se agarrou no meu pescoço, mas logo depois abriu os bracinhos pro avô, animado.
- Vovô!
Beijei a bochechinha dele e sussurrei:
- Vai arrasar lá fora, campeão. Papai vai estar te esperando.
Meu pai sorriu e, com o Jack no colo, saiu, fechando a porta atrás deles. O silêncio ficou pesado no quarto, até eu perceber que agora estava só eu e minha mãe.
Ela me olhava de um jeito diferente, não era só orgulho. Tinha também uma pontinha de saudade, como se estivesse revendo todos os momentos em que cuidou de mim.
- É… parece que foi ontem que eu arrumava sua gravata pra festa da escola. -ela falou baixinho, ajeitando o tecido no meu pescoço de novo, como se fosse instinto.
Eu respirei fundo, tentando controlar a emoção.
- Mãe, eu juro que não sei como estaria aqui sem você. -confessei, olhando nos olhos dela.- Você foi meu chão em cada fase da minha vida.
Ela sorriu com lágrimas nos olhos e apoiou as mãos no meu rosto.
- E agora eu vejo você assim… um homem, pai, pronto pra casar com a mulher da sua vida. -a voz dela falhou.- Eu sempre rezei por isso, Justin. Que você encontrasse alguém que realmente te amasse, que te desse paz.
Meus olhos marejaram na hora.
- Eu encontrei, mãe. -respondi, firme, mesmo com a voz embargada.- A Bruna é tudo isso e mais.
Ela sorriu entre lágrimas, me puxou e me abraçou forte, como se não quisesse me soltar nunca.
- Então vai lá, meu filho. Vai viver sua felicidade.
Abigail apareceu na porta do quarto com seu sorriso sereno, mas eficiente.
- Justin, está na hora. -disse, ajeitando o ponto eletrônico no ouvido.- Vamos lá?
Meu coração disparou. Respirei fundo, olhei pela última vez no espelho, ajeitei a gravata e segurei o braço da minha mãe. Quando as portas do salão se abriram, fomos recebidos por uma onda de flashes dos fotógrafos e pelo som suave da música instrumental que preenchia o ambiente.
Entrei de braço dado com minha mãe, que sorria orgulhosa mesmo com os olhos marejados. Caminhamos lentamente pelo corredor até chegar ao altar. Cumprimentei alguns amigos no caminho com um leve aceno de cabeça, sentindo o peso do momento.
Logo depois, as portas se abriram novamente. A Marta surgiu, de braços dados com meu pai. Os dois caminharam juntos com postura elegante, emocionados. As câmeras não perderam nenhum detalhe, e eu percebi o quanto aquilo era especial para as famílias.
Então, começou a entrada dos padrinhos e madrinhas. Todas as madrinhas usavam vestidos da mesma cor, em tons longos e sofisticados, que harmonizavam entre si — cada uma com seu próprio modelo, mas criando uma unidade linda. Os padrinhos, de terno alinhado, caminharam ao lado delas com um ar solene, mas com sorrisos que denunciavam a felicidade do momento.
Primeiro, Marina entrou de braço dado com Luan. Ele parecia orgulhoso, erguendo o queixo, enquanto Marina sorria radiante, mesmo com os olhos marejados.
Depois, Melanie e Luke. Eles se entreolharam discretamente no caminho, e ela segurou firme no braço dele, como quem pedia apoio para não chorar antes da hora.
Em seguida, Virgínia e Anthony. Ele caminhava com ar sereno, mas eu consegui ver no olhar dele que estava emocionado. Virgínia, com seu sorriso doce, parecia irradiar paz.
Olívia e Ryan vieram logo atrás. Ryan não resistiu e fez uma piadinha baixinha no ouvido dela no meio do caminho, arrancando um riso discreto da namorada. Foi leve, bonito, bem a cara deles.
Chris surgiu de braço dado com a namorada, ambos muito elegantes. Ele parecia feliz de estar ali, participando desse momento comigo, e a namorada dele irradiava simpatia.
Chaz entrou logo depois com Camila, prima da Bruna. Os dois estavam sérios, mas em sintonia, transmitindo uma energia madura e respeitosa para a cerimônia.
Por último, Matheus, primo da Bruna, entrou acompanhado de Jéssica, outra prima dela. Eles se olharam rápido e sorriram, criando um clima caloroso e familiar.
Cada casal foi se posicionando em seus lugares ao lado do altar, compondo o cenário perfeito para a grande entrada que ainda estava por vir: a da Bruna.