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Capítulo 84

Justin Narrando 

Estava sentado no sofá do apartamento da Marina em Los Angeles, com uma cerveja na mão, o celular apoiado na perna, e a live do Luan rolando na tela. O cara tava claramente bêbado, e sinceramente? Uma parte de mim até sentia pena, mas a outra… a outra queria rir alto. Era quase patético o jeito que ele tava se humilhando ao vivo.

- Olha isso, Marina... -falei, erguendo o celular e virando a tela pra ela, que tava na cozinha preparando uns petiscos.- Teu ex virando cantor de sertanejo dramático em rede nacional por sua causa. Dá até dó.

Ela não respondeu de imediato. Só revirou os olhos, como se aquilo tudo já tivesse ultrapassado todos os limites do ridículo.

- Não tô nem aí. -ela disse, seca. Mas eu conheço minha irmã. A forma como a mão dela demorou meio segundo a mais pra cortar o queijo, como ela soltou o suspiro mais forte do que precisava... ela tava incomodada sim.

- Mano, ele cantou ‘Me Desbloqueia’, depois uma música sobre o bebê, e agora tá mandando Jorge e Mateus como se fosse trilha de novela das nove. -tomei outro gole da cerveja e ri, debochado.- Ele tá desesperado, Marina.

Ela se aproximou com uma tábua cheia de queijo, salame, castanhas e torradinhas. Colocou a bandeja na mesinha de centro, pegou uma azeitona e estalou a língua.

- Desespero depois de me chamar de mentirosa e acreditar na Bruna? Ah, me poupe. Agora que me viu de barriga, resolveu sentir alguma coisa.

- Você viu o trecho que ele canta ‘o que você vai dizer quando seu filho aprender violão com as minhas músicas’? Eu quase cuspi a cerveja, Marina! -falei, rindo.- O ego dele não cabe nem nesse estado!

Ela bufou e cruzou os braços.

- Ele achou que eu ia cair aos pés dele só porque apareceu na porta do hotel dizendo que sabia de tudo. Mas quando ele teve a chance de me ouvir, me entender, ele escolheu duvidar. Escolheu não confiar. Agora quer resolver com música? Devia ter me respeitado antes.

Peguei uma torradinha, dei uma mordida, e a observei.

Ela estava linda, mesmo irritada. Vestia uma camiseta larga do AC/DC, o cabelo preso num coque bagunçado, e a barriga já um pouco aparente. Mas nos olhos... tinha dor. Não era só orgulho ferido. Era decepção.

- Você acha que ele ama você ainda? -perguntei, meio que por perguntar, mas curioso.

Ela demorou.

- Se amasse de verdade, teria me defendido. Teria me escutado. Teria ficado.

Suspirei.

- Então senta e aproveita o show, mana. Porque pelo jeito… esse cara ainda vai cantar muita música pra você.

E ela… só riu. Uma risada amarga. Porque no fundo, os dois sabiam: o amor ainda existia. Mas talvez, agora, fosse tarde demais.

Marina estava sentada ao meu lado, com a tábua de petiscos na frente, segurando um copo daqueles grandes, cheio até a metade com suco de laranja e acerola. Dava pra ver que ela tava tentando se distrair, mas os olhos dela voltavam pro celular de vez em quando, como se uma parte estivesse presa naquela live do Luan que ainda rolava em segundo plano.

Ela tomou um gole do suco, limpou a boca com o dorso da mão e, sem me olhar diretamente, soltou:

- E você e a Bruna? Tá tudo bem entre vocês dois?

Soltei um suspiro e balancei a cabeça.

- Não tem ‘eu e a Bruna’, Marina. Eu só vou lá por causa do Jack. Converso com ela sobre ele, só.

Ela me lançou um olhar de canto, desconfiada, mas não disse nada de imediato. Eu continuei, mais firme:

- Qualquer outro assunto, eu nem quero saber. Ainda não consigo olhar pra cara dela e esquecer o que ela fez com você.

Marina abaixou o olhar pro copo nas mãos, girando o suco lentamente. A voz saiu baixa:

- Ela era minha melhor amiga. Irmã quase. E foi a primeira a duvidar de mim...

- Ela não só duvidou. Ela atacou. -completei, com amargura.- Ela te esculachou na frente de todo mundo sem te ouvir primeiro. E ainda conseguiu fazer o Luan te deixar naquele estado.

Marina deu um sorriso triste e apertou os olhos por um segundo, como se segurasse alguma lágrima. Depois, respirou fundo.

- Você não sabe o quanto doeu...

- Na real, eu sei sim. -respondi.- Porque eu vi. Vi você chorando, tentando se manter forte, segurando tudo sozinha. E ver o Luan agora se lamentando não apaga o que ele te fez passar.

Ela assentiu devagar, e a gente ficou em silêncio por uns segundos, o som da live ainda ecoando baixinho do meu celular. O Luan tava lendo comentários e dizendo que "as músicas são retratos do que a gente sente quando palavras não bastam".

Marina tomou mais um gole do suco, apoiou o copo na mesa e falou:

- Então ele tá sentindo bem tarde.

E eu não pude discordar.

Algumas semanas depois...

O apartamento em Nova York estava cheio de gente, e por um momento parecia que a tensão das últimas semanas tinha dado uma trégua. Bruna decorou tudo com muito carinho — o tema era ursinhos, tudo em tons de azul e branco pro mêsversário do Jack. Um bolinho lindo com o nome do Jack no topo, doces personalizados, salgadinhos variados, bexigas, e uma mesa posta com tanto cuidado que era impossível não notar o esforço dela.

Meus pais estavam lá — minha mãe, sorridente e sempre muito elegante, e meu pai, que veio com a Ashley, que estava animada, ajudando Bruna com a mesa como se fossem amigas de infância. Luan e Melanie também estavam presentes, mas tanto ele quanto Bruna mal trocavam palavras. A única coisa que os aproximava era o Jack, e a gente tentava disfarçar na frente de todo mundo. Era constrangedor, mas ninguém queria estragar o momento do bebê.

Virgínia e Olívia chegaram com um presente lindo — um conjuntinho de moletom da Ralph Lauren, azul marinho, e um sapatinho minúsculo que derreteu os corações das avós. As duas se juntaram à mesa com animação e carinho, como sempre.

Logo depois chegaram Ryan e Anthony, que eu fiz questão de convidar. Eles adoravam o Jack, e eu sabia que a presença deles traria leveza ao ambiente. Cumprimentaram todo mundo com aquele jeitão alto-astral de sempre, fizeram piada com o cabelo bagunçado do Luan e comeram como se não houvesse amanhã — tudo normal.

Bruna mantinha o sorriso no rosto, mas eu percebia o quanto ela estava tensa. Ela se arrumou toda, estava linda — vestia uma blusa bege de tricô e uma saia jeans, e tinha até feito uma trança embutida no cabelo. Mas os olhos... os olhos dela buscavam Marina, mesmo sem querer. Só que Marina não tinha dado sinal nenhum de que viria, apesar de eu tê-la convidado.

Na hora de cantar o parabéns, todo mundo se aproximou da mesa. Bruna pegou Jack no colo, e eu estava ao lado dela, com Melanie à direita. Luan se aproximou com os pais, Ryan filmava com o celular, e Ashley já tinha começado a puxar um “Happy Birthday To You”

Foi aí que a campainha tocou.

- Eu atendo. -falei rápido, curioso, caminhando até a porta.

Girei a maçaneta e, quando abri…

Ali estava Marina.

Linda, com um vestido longo de manga cumprida azul-claro, all star branco e cabelo solto. O rosto limpo, com aquele brilho de sempre. A barriga já se destacava sob o tecido leve, mesmo com apenas 11 semanas.

- Fiquei na dúvida entre os presentes… -ela disse, mostrando as cinco sacolas da Carter’s com um sorriso tímido.- Então trouxe todos.

Eu sorri, surpreso e genuinamente feliz. Não esperei, apenas a abracei forte, sentindo aquele alívio gostoso.

- Você veio mesmo… -murmurei.

- Claro. Não perderia o mesversário do meu sobrinho.

Meu peito se aqueceu.

- Entra. Ele vai amar, e eu também.

Marina entrou no apartamento e a presença dela fez o tempo parar por um segundo. Algumas pessoas se viraram, surpresas. Virgínia e Olívia sorriram. Melanie foi até ela imediatamente, a abraçando com alegria. Ashley a cumprimentou com educação e afeto, e nosso pai lhe deu um abraço afetuoso com um beijo no topo da cabeça.

Luan, que segurava um pratinho com docinhos, congelou por um instante, mas manteve a compostura. A tensão entre ele e Marina ainda era nítida, mas ela nem olhou em sua direção — seu foco era Jack.

Bruna, no entanto… Bruna travou.

Ela segurava o Jack no colo, mas ao ver Marina, o sorriso se apagou lentamente. Seus olhos encheram de água, mas ela piscou forte, disfarçando.

Marina se aproximou com cuidado, e olhando apenas para o bebê, disse:

- Oi, coisinha linda… olha só quanto presente a tia trouxe pra você.

Aproximou-se, depositou um beijo suave na testa de Jack, que já fazia suas carinhas engraçadas e chupava a mãozinha com força.

Depois de cantar os parabéns, Marina permaneceu um tempo mais afastada. Bruna ainda segurava Jack, mas estava visivelmente mexida. Seus olhos percorriam o ambiente sempre que Marina estava por perto, mas ela não conseguia se aproximar. Não sabia como.

Marina, com naturalidade, foi até Bruna novamente e pegou Jack do colo, sem trocar uma palavra sequer. Não houve grosseria, apenas um silêncio espesso entre as duas. Bruna baixou os olhos, o coração apertando no peito. 

Marina sorriu ao pegar Jack, segurando-o com cuidado e carinho. 

- Ai, coisa mais linda… você lembra da tia Marina, né? -ela disse em um tom doce, beijando o rostinho de Jack.

Ela caminhou até onde estavam Virgínia, Olívia, Ryan e Anthony, todos sorrindo ao ver Marina com o bebê.

Eu, que observava de longe, peguei um copo de suco natural de laranja com acerola e fui até ela. Marina sorriu quando estendi o copo.

- Tá geladinho. Sem açúcar, do jeito que você gosta.

- Obrigada, Justin. -ela respondeu, ainda sorrindo, pegando o copo com uma das mãos enquanto segurava Jack com a outra.

- Você tá bem? -perguntei baixinho, mesmo sabendo que a resposta provavelmente seria “sim” por conveniência.

Ela apenas assentiu, olhando pra frente.

Foi então que a mãe de Bruna e Luan se aproximou. Usava um vestido floral claro, com uma elegância leve que só ela tinha. Ela parou ao lado de Marina e sorriu, olhando diretamente pra barriga dela.

- Você tá linda, Marina. -disse com carinho, colocando uma das mãos com delicadeza sobre a barriga dela.

Marina se virou um pouco, surpresa, mas sorriu de volta.

- Obrigada…

A mulher respirou fundo e continuou:

- Olha, independente de qualquer coisa… do que você e o Luan decidirem ou deixarem de decidir… eu só quero que você saiba que esse bebê já é amado. Muito.

Marina apertou os lábios, emocionada.

- Eu não esperava ouvir isso hoje.

- Pois ouça, com o coração. Eu amo esse bebezinho aqui… -ela fez um leve carinho na barriga de Marina.- Tanto quanto eu amo o Jack. São meus netos. E nada vai mudar isso.

Houve um silêncio breve, interrompido apenas pelo som de Jack balbuciando alguma coisa.

- Eu prometo que não vou afastar meu filho… ou filha, de você. -Marina disse, com a voz um pouco embargada.

Eu coloquei a mão no ombro dela, firme, apoiando.

- Você não tá sozinha, Marina. E o bebê também não tá.

Ela assentiu, emocionada.

Olhei pra Bruna, ela tava parada perto da mesa, ajeitando os docinhos como se aquilo fosse a coisa mais importante do mundo. Mas eu conheço a Bruna. E eu vi no jeito que ela mordia o canto do lábio, no modo como os olhos evitavam o grupo onde Marina estava. Ela tava sofrendo.

E por mais raiva que eu tivesse sentido dela, por mais decepção… ela ainda era a mãe do meu filho. Ainda era alguém que, lá no fundo, precisava de ajuda. E talvez de um empurrão.

Me aproximei dela devagar, sem muito alarde. Ela fingiu que não me viu, mas eu cheguei perto, peguei um brigadeiro da bandeja e comi ali mesmo, na frente dela.

- Tá bom, viu? Parece até comprado. -brinquei, tentando quebrar o gelo.

Ela deu um sorrisinho fraco, mas não falou nada.

- Você quer ir lá falar com ela, né?

Bruna olhou pra mim na hora. Me encarou como se eu tivesse lido a mente dela. E eu li mesmo.

- Eu não sei o que dizer, Justin. -ela sussurrou.- Como é que eu vou olhar na cara dela e pedir perdão por uma coisa que nem eu consigo me perdoar?

- Começa dizendo isso. -respondi, simples.- Você não precisa de um discurso. Só precisa ser honesta.

Ela abaixou os olhos de novo.

- Ela me odeia.

- Você odiaria também. Mas mesmo assim, tá aqui. Marina tá aqui. Isso já diz muita coisa.

Bruna passou a mão nos olhos discretamente, limpando as lágrimas que começavam a descer.

- Você acha que ela ainda sente alguma coisa por mim? Como amiga?

Suspirei, encostando na parede ao lado dela.

- A Marina tem um coração enorme. E ela é sua irmã de alma, não só por afinidade, mas porque vocês escolheram uma à outra desde sempre. Isso não desaparece de uma hora pra outra.

Bruna assentiu devagar, respirando fundo.

- E você?

- Eu o quê?

- Já me perdoou? -ela me olhou com os olhos marejados.

Demorei alguns segundos. Era difícil responder. Ainda doía.

- Eu… tô tentando. -falei, sincero.- Porque eu vejo o quanto você ama o Jack. E porque eu sei que lá no fundo, você achava mesmo que tava protegendo o Luan. Mas isso não muda o estrago que você causou. Então não, eu ainda não te perdoei. Mas tô tentando.

Ela mordeu os lábios com força, engolindo o choro, e então só balançou a cabeça em sinal de entendimento.

Do outro lado da sala, Marina riu de alguma piada do Anthony. Minha mãe foi até Marina e pegou Jack no colo, que parecia não entender nada do clima pesado que se formava no ar. Foi quando a mãe da Bruna se aproximou devagar, com aquele olhar sério, mas também cheio de preocupação.

- Justin, Bruna, precisamos conversar. Por favor, venham até o quarto da Bruna.

A gente se olhou, meio desconfiado, meio sem saber o que esperar, mas fomos. Entramos no quarto, e ficamos ali, só nós dois, em silêncio, esperando. Eu sentia o peso daquele momento. Sabia que algo sério vinha aí.

Depois de uns segundos, a mãe da Bruna entrou, acompanhada do Luan e da Marina. A tensão ficou quase palpável. Lá vinha a matriarca da família tentar remendar algo que parecia irreparável, nos obrigando a colocar pra fora tudo o que a gente sentia.

Ela sentou na beirada da cama, olhando pra gente com olhos de quem queria paz, e falou:

- Eu sei que vocês têm muito pra resolver, mas precisam falar. Tudo que está guardado dentro de vocês.

Eu não me aguentei e comecei:

- Eu tô puto e magoado, não só pelo que a Bruna fez com a Marina, mas também porque a Bruna dormiu com o Zach. O mesmo Zach que foi motivo do nosso término.

Bruna me olhou com uma mistura de arrependimento e raiva, pronta pra responder, e não se fez de rogada:

- Justin, não foi assim que aconteceu. Eu... eu tava perdida, confusa. O Zach apareceu quando eu mais precisava e...

Antes que ela terminasse, Marina tomou a palavra, com a voz firme, quase cortando o ar:

- Bruna, você foi falsa comigo. Eu era sua melhor amiga, sempre estive ao seu lado, sempre te protegi de tudo e de todos. Quando o Zach te beijou, eu nunca acreditei que você tinha dado brecha pra ele. Nunca apontei o dedo pra você, nunca te acusei de trair o Justin.

Ela respirou fundo, olhando direto nos olhos da Bruna.

- Eu te dei apoio, conselhos, te tirei da fossa depois do término de vocês, vim de Los Angeles pra cuidar de você. E na primeira oportunidade que você teve, você fez isso comigo. Você me acusou. O tempo todo que eu estava com o Luan, eu o respeitei, acreditei no nosso relacionamento.

Eu sentia o coração apertar, como se cada palavra dela cortasse um pouco mais.

- Luan terminou comigo porque é um babaca inseguro que só porque eu estava trabalhando com meu ex-namorado, o Victor, e mantinha amizade com ele, já desconfiou de mim. E só fui ficar com o Victor meses depois do nosso términom

Marina continuou, com a voz mais carregada de dor:

- Eu parei de ficar com o Victor porque achei que Luan e eu íamos voltar. Até que você, Bruna, soltou a bomba pra Luan e fez parecer o que não é. Que eu era a maior vilã dessa história, que eu estava enganando ele. Você agora está tentando parecer que era a vítima, mas a vítima aqui sou eu.

Ela olhou pra Bruna com uma sinceridade crua:

- Você não deveria se meter no que não te cabe, especialmente entre mim e o Luan.

A voz dela baixou, quase um sussurro de mágoa:

- Eu só contei pro Justin sobre você e o Zach porque você foi traíra comigo. Se não fosse isso, eu teria guardado esse segredo. E é assim que uma amiga de verdade age, Bruna.

O silêncio tomou conta do quarto. Eu podia ver a expressão da Bruna se desfazendo em arrependimento, mas também uma tristeza profunda. Luan estava tenso, olhando pra todo mundo, tentando digerir cada palavra.

Minha mãe, que até então estava em silêncio, soltou um suspiro pesado e disse:

- Vocês são uma família. E famílias brigam, mas também se unem. Precisam resolver isso, antes que essa distância cresça demais.

Aquele momento foi pesado pra todo mundo, mas algo ali mudou. Pelo menos, um começo.

Luan respirou fundo, o rosto fechado, os olhos vermelhos de tanto segurar a mágoa.

- Eu tô magoado demais com você, Bruna. Sério. Você pintou a Marina de uma forma que eu acreditei... e isso vai gerar consequências graves.

Ele fez uma pausa, olhando pra todo mundo no quarto, e continuou, a voz quase falhando.

- A Marina tá esperando um filho meu, e eu não vou poder criar esse filho com ela... porque ela não me perdoa. Por eu ter desconfiado dela, por ter apontado o dedo, por ter acreditado nos outros antes dela.

Marina, que estava ao lado, cruzou os braços, um olhar firme e de dor na voz, acrescentou:

- Não esquece de acrescentar que você preferiu ouvir a verdade da boca do Justin, como se nada do que eu dissesse valesse a pena.

Luan soltou um longo suspiro, fechando os olhos por um instante, claramente exausto.

Enquanto isso, Bruna não conseguia mais segurar as lágrimas. Ela começou a chorar, soluçando baixinho, olhando um por um, especialmente para Marina e Luan.

- Por favor... me perdoem. Eu errei demais, eu sei. Eu não quero que vocês me odeiem... Eu só quero consertar, quero que a gente volte a ser família...

Ela se encolheu, buscando alguma forma de conforto no olhar deles.

Eu encostei na parede do quarto, os braços cruzados, respirando fundo. Depois de ver Bruna implorando perdão, resolvi falar. Mas com frieza. Porque eu tava cansado.

- Comigo, você não precisa se preocupar, Bruna. -minha voz saiu baixa, mas firme. Ela me olhou com os olhos marejados.- A gente é pai e mãe do Jack, e isso não vai mudar. Eu vou continuar vindo aqui, vou continuar sendo presente na vida do nosso filho. Mas o que existia entre a gente... já acabou. Acabou faz tempo. Por falta de confiança. E agora então? Não tem nem chance de ter volta.

Ela engoliu seco, mas eu continuei. Era hora de falar tudo.

- Agora, o seu foco tem que ser a Marina e o Luan. Porque é com eles que você errou mais feio. Você se meteu numa coisa que não era da sua conta. Se a Marina tivesse traído o Luan ou não, isso era entre eles. Relacionamento é a dois. Não é você quem decide quem é certo ou errado. E o pior? Você nem sabia da história inteira.

Ela baixou os olhos, a vergonha estampada no rosto.

- Você achou que tava protegendo o Luan, mas só piorou a vida dele. E destruiu uma das poucas pessoas que realmente te amavam de verdade. A Marina era sua melhor amiga. A Marina te defendeu quando ninguém mais acreditava em você. E agora?

Ficou um silêncio pesado no quarto. Bruna chorava baixinho, com as mãos no rosto. Luan olhava pro chão. Marina encarava a parede, os olhos cheios d’água, mas sem derramar uma lágrima. Ela tava exausta demais pra isso.

Sem dizer mais nada, virei de costas e abri a porta devagar. O som da dobradiça foi o único ruído no quarto silencioso. Dei um passo pra fora e fechei a porta atrás de mim.

Já do lado de fora, apoiei as costas na parede do corredor e passei as mãos no rosto. O coração tava pesado, como se eu tivesse carregando todo mundo nas costas. Só que pela primeira vez, eu me dei conta: eu só podia carregar a mim mesmo... e ao Jack.

Fiquei ali por um tempo, tentando me acalmar. Pensando.

No quanto a gente erra com quem a gente ama.

No quanto o tempo, às vezes, não cura.

E no quanto a confiança, uma vez quebrada, nunca volta do mesmo jeito.

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