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Capítulo 71

Luan Narrando

Já era fevereiro. Os últimos dias tinham sido surpreendentemente tranquilos, considerando todo o caos que tinha rolado. Eu tinha passado três dias no apartamento da Bruna, só cuidando dela e do Jack, ajudando nas coisas, tentando ser o irmão presente que ela precisava. Depois voltei pro Brasil. Resolvi passar um tempo com meus pais em São Paulo, na casa deles em Alphaville. A mansão tava silenciosa agora, meus pais estavam trabalhando e eu fiquei sozinho.

Estava deitado na rede da varanda, com a brisa batendo leve, o celular apoiado no peito. Mexia no Instagram por tédio, vendo os stories aleatórios das pessoas, quando apareceu o de Marina.

Era uma foto dela com Victor, e uma música — a mesma que ela vivia cantarolando quando estávamos juntos.

Meu estômago revirou. Eu lembrava dela dançando, com o cabelo bagunçado, me puxando pra dançar junto enquanto murmurava a letra.

Com o peito meio apertado, cliquei no perfil dela. A última publicação era de cinco minutos atrás.

Era uma foto dela com o Victor — ela com um roupão e ele sem camisa. Marina sorria como se estivesse em paz, como se tudo estivesse exatamente onde deveria. 

marinabieber 21, hein? Agora você pode brindar oficialmente… mas ainda é o mesmo insuportável que sabe exatamente como me tirar do sério e, às vezes, como me arrancar um sorriso. Te desejo tudo que te faz vibrar: sucesso, liberdade e noites memoráveis (mesmo que algumas você esqueça depois). Feliz aniversário, Vic. Que tua vida seja tão leve e divertida quanto tua alma. Obrigada por sempre me fazer rir quando eu mais preciso. ❤️ @victoreverleigh_ 🔥




Tinha um emoji de foguinho no fim, como ela sempre colocava nas legendas quando queria parecer casual, mas eu sabia que ela não era nada casual com as palavras.

Respirei fundo.
Doeu.
Não vou mentir.

Não era ciúmes.
Era… uma saudade que não dava mais pra disfarçar.

Soltei o celular no meu peito e olhei pro teto. Merda.

Fazia semanas que eu não via a Marina pessoalmente. Desde o fim do nosso namoro.

E agora ela ali, postando homenagem pro Victor. Pro mesmo Victor que era seu ex, que foi praticamente o motivo do nosso termink pois eu sempre soube que ele ainda gostava dela mais do que devia. E ela... ela com certeza sabia disso também.

Me levantei da rede e fui pra cozinha, só pra me ocupar. Peguei um copo d’água, encostei na pia e fiquei olhando a varanda aberta da mansão dos meus pais. São Paulo tava abafado, e eu suando em silêncio, não só por causa do calor.

A verdade é que eu ainda pensava nela. Todo dia.

E ver esse stories, essa legenda, esse sorriso... só me fazia lembrar que a gente não deu certo. Ou que talvez ainda desse, mas em outro tempo, em outra fase.

E aí veio a parte que eu mais odiava em mim mesmo: aquela pergunta que eu fazia toda vez que via algo dela com o Victor.

"Será que ela ainda sente minha falta?"

Ou pior…

"Será que ela já me esqueceu?"

Subi pro quarto meio no automático, sem saber o que eu tava procurando. Me joguei na cama, o ventilador girando devagar no teto, e o celular ali do meu lado me chamando de novo. Como se dissesse: “vai lá, Luan, olha de novo, se tortura mais um pouco”.

Abri o Instagram de novo. Voltei pro perfil da Marina. A publicação dela ainda tava ali, fresca. Abri os comentários, por curiosidade, e a resposta dele tava ali, fixada.

"Você sempre soube como me fazer sorrir. Obrigado por tudo, Mari. Mais um aniversário tá sendo especial por sua causa 💙" 

Fechei os olhos e respirei fundo. Meu maxilar travou sem querer. Um coração azul. Por que precisava disso? Não era só um comentário. Era a porra de uma indireta direta, do tipo que só quem já teve alguma coisa com a pessoa entende. E eu entendi.

Mari.

Ela odiava quando eu chamava ela de "Marina" com frieza, mas adorava quando eu encurtava pra "Mari" no meio de uma frase carinhosa. Agora ele chamando ela assim, publicamente.

Virei o rosto pro travesseiro e dei um grito abafado. Não era ciúmes, era... tá, talvez fosse ciúmes sim. Mas era mais do que isso. Era um aperto. Uma sensação de que eu tava perdendo ela aos poucos, mesmo sem saber se ainda era meu lugar.

Peguei o celular de novo. Escrevi “Marina” na barra de mensagem. A tela ficou ali, com a conversa antiga parada no nosso último papo — aquele cheio de palavras medidas, promessas vazias e despedidas travadas.

Meus dedos pairaram sobre o teclado.

Apaguei tudo. Bloqueei o celular.

Levantei da cama, fui até a janela, olhei o céu azul, com poucas nuvenz. Talvez ela já estivesse almoçando com ele. Talvez eles estivessem rindo de alguma cena da série. Talvez ela já tivesse... superado.

Mas eu?

Ainda tava tentando entender como é que a gente chegou até aqui.

Me virei de novo na cama, a cabeça fervendo. Eu tinha prometido que não ia mais mexer no Instagram dela hoje. Mas o dedo foi sozinho. Abri os stories da Marina de novo, ela tinha postado algo novo.

Era uma selfie com a mãe dela, Liana. 



E bem ali em cima da foto… a localização: Filadélfia.

Filadélfia?

Franzi a testa e pulei pro perfil do Victor. O último story dele era de três horas atrás: ele numa lanchonete, em Los Angeles, com um copo de café e um filtro preto e branco. Ainda lá.

Eles não estavam juntos.

Soltei o ar que eu nem tinha percebido que tava prendendo. Foi automático. Um alívio ridículo. Mas eu senti.

Então aquele post... foi só uma homenagem. E aquele comentário... só uma retribuição. Talvez não tivesse segundas intenções. Talvez eu tivesse imaginando coisa demais. Talvez...

Ou talvez não.

Mas uma coisa era fato: ela não tava com ele. Ela tava com a mãe. E isso me deu uma leve folga do nó no peito.

Deitei de novo, olhei pro teto, e murmurei:

- Filadélfia, hein, Mari?

Quase abri o chat de novo pra mandar uma mensagem. Mas parei.

Eu precisava de mais do que coragem. Eu precisava saber se eu ainda era bem-vindo.

Abri o chat. O nome dela ali, com aquele visto por último fazia 10 minutos. Meu coração acelerou como se eu fosse um moleque de 15 anos. Mas já tava decidido.

Respirei fundo e digitei:

"Vi seu post com a Liana. Fico feliz que estejam juntas. Filadélfia te faz bem, né?"

Apaguei.

Reescrevi.

"Faz tempo que não vejo você feliz assim. Manda um beijo pra sua mãe. Vocês estão lindas."

Apaguei de novo.

Droga.

Fechei os olhos, deixei os dedos irem sozinhos e mandei:

"Você tá bem? Vi que tá na Filadélfia."

Enviei.

Simples. Direto. Sem drama.

Mas já era o suficiente pra mostrar que eu ainda tava ali.

Agora… era esperar.

E isso, pra mim, sempre foi a pior parte.

Demorou alguns minutos.

Longos minutos.

O celular vibrou enquanto eu encarava o teto do quarto, ainda deitado na rede.

"Tô bem sim. Vim passar uns dias com a minha mãe. Fazia tempo que a gente não ficava juntas assim."

Li. Reli. Respirei.

Aquela resposta… parecia leve. Educada. Mas impessoal.

Mandei de volta:

"Imagino que tenha feito bem pra você. Fiquei feliz por ver vocês juntas."

A resposta veio rápida.

"Fez sim. Eu tava precisando. Às vezes a gente precisa voltar um pouco pra se lembrar de quem é."

Doeu. Porque parecia que ela estava falando de mim também… ou da gente.

Mas segui.

"Sei como é. Também voltei. Tô em SP, com meus pais."

"Que bom, Luan. Família faz falta."

Fiquei olhando pra tela. As três bolinhas apareceram. Sumiram. Voltaram.

E aí veio:

"E você, tá bem?"

Ela perguntou. Ela ainda se importava. Ou talvez só fosse gentil. Mas o coração bateu mais rápido mesmo assim.

"Tô… tentando ficar. Mas é difícil não sentir saudade às vezes."

Ela visualizou. E por um tempo… ficou só assim.

Silêncio. Digitando. Parando.

Até que veio:

"Eu também sinto."

Fiquei ali, com o celular na mão, parado. Lendo aquilo mil vezes.

Ela também sentia.

Mas o que ela sentia? Saudade da gente? Ou só de um tempo mais leve, mais simples? Fiquei encarando o celular, como se as palavras pudessem mudar. Como se ela pudesse mandar outra mensagem explicando melhor.

Nada.

Me levantei da cama, caminhei até o frigobar do meu quarto e peguei uma latinha de refrigerante. Dei um gole, celular ainda na mão. Me joguei na cama, encostei a cabeça no travesseiro e abri o Instagram de novo.

Marina tinha parado de postar.

Victor também.

E eu ainda estava preso naquele post, naquela legenda de aniversário que ela escreveu com carinho demais pra ser só amizade… e casual demais pra ser amor.

Não consegui me segurar.

"Marina… posso te fazer uma pergunta?"

Ela demorou um pouco mais dessa vez. Talvez estivesse pensando se respondia ou não. Até que veio:

"Pode."

Fiquei encarando a tela por alguns segundos antes de digitar.

"Você e o Victor… vocês tão juntos?"

Simples. Direto. Cru.

E eu sabia que, qualquer que fosse a resposta… ia doer um pouco.

Ela visualizou.

E aí demorou.

As três bolinhas apareceram. Sumiram. Apareceram de novo.

"Não. A gente não tá junto."

Fechei os olhos por um segundo. Alívio.

Mas antes de eu conseguir responder qualquer coisa, veio outra mensagem:

"Mas ele tem sido importante pra mim. E… eu tô tentando viver um dia de cada vez."

Respeitei.

Porque ela merecia isso.

Mas mesmo assim…

"Eu entendo. Só queria que você soubesse… que eu ainda penso na gente."

Silêncio.

Ela visualizou. Não respondeu de imediato.

Talvez não soubesse o que dizer.

Ou talvez… ela sentisse o mesmo.

Mas, dessa vez, preferiu guardar pra ela.

As bolinhas de "digitando" voltaram a aparecer. Eu sabia que essa conversa estava indo pra um lugar que, talvez, a gente não estivesse pronto pra seguir.

"Agora que seremos tios do Jack, acho que a gente tem que tentar manter uma amizade. Pelo bem do pequeno, né?"

Fiquei parado, encarando a tela do celular por um bom tempo. Ela estava certa. A coisa toda entre a gente tinha mudado, e agora, não importava o que sentíamos, havia uma outra pessoa envolvida.

"É... você tem razão. Vai ser estranho no começo, mas eu vou tentar."

A verdade é que não sabia se eu realmente conseguiria. O que eu sentia por ela ainda estava muito forte, muito presente, e agora a ideia de termos que ser só amigos parecia… um desafio. Eu sabia que faria o que fosse necessário pelo Jack, mas não seria fácil.

"Eu sei que vai ser estranho também. Mas, por tudo que a gente já viveu, e por tudo que ainda tá por vir, eu espero que a gente consiga dar esse passo. Só pelo Jack. Ele vai precisar da gente."

A dor que eu senti ao ler aquelas palavras foi quase física. Porque ela tinha razão. Jack era o centro agora. Se eu tivesse que engolir minhas próprias emoções e seguir com essa amizade distante, seria por ele.

"Eu vou tentar, Marina. Eu prometo."

Por mais que fosse difícil aceitar, a verdade era que agora minha única prioridade seria o pequeno Jack. Eu poderia ficar com a dor na garganta, a saudade apertando, mas tinha que ser o melhor tio possível, como se eu fosse um estranho na vida dela, só esperando o momento certo pra agir.

Quando vi que ela não tinha mais respondido, não fiz mais nada além de fechar o celular. Passei a mão pelo rosto, como se isso fosse me ajudar a apagar tudo o que havia se acumulado nos últimos meses.

Mas não ajudou.

Nada ajudava.

Mais tarde..m

Depois de um jantar caseiro daqueles que só a minha mãe sabia preparar — arroz fresquinho, bife acebolado e batata frita —, a casa estava calma. Minha mãe, já tinha ido se deitar, cansada depois do trabalho no consultório. Meu pai ficou na varanda, sentado na poltrona, tomando um cafezinho preto enquanto mexia no celular.

Eu hesitei por um segundo, mas acabei indo até ele com meu copo de suco na mão. Me sentei no degrau, em frente à rede onde ele costumava cochilar nas tardes de domingo. Ele levantou o olhar, sorriu de canto.

- Tá sumido, rapaz.

- Tô aqui faz três dias. -sorri fraco.

- Digo de verdade, de conversar. Você tá meio calado esses dias.

Suspirei, olhando pro céu escuro de Alphaville, onde mal dava pra ver estrela.

- Posso te perguntar uma coisa?

Ele deu um gole no café e assentiu.

- Claro, filho. Manda.

- Você e a mãe… já passaram por alguma fase em que parecia que era melhor seguir só como amigos?

Ele me olhou com atenção. Sabia que não era uma pergunta aleatória.

- Umas duas ou três vezes, no mínimo. -ele respondeu, sincero.-O casamento tem dessas. Amor não é só o que a gente sente, é o que a gente escolhe viver todo dia. Por que a pergunta?

- É sobre a Marina.

Ele não disse nada. Só me encarou, com aquele olhar de pai que já sabe da resposta antes mesmo de ouvir.

- Ela me mandou mensagem hoje. Disse que a gente devia manter uma amizade. Pelo bem do Jack, sabe?

- E você ainda ama ela?

Demorei pra responder, mas acabei soltando um "sim" baixinho. Só que foi suficiente.

- Então, filho… deixa eu te falar uma coisa que aprendi com a vida. Às vezes, o amor da nossa vida também pode ser a lição mais dura que a gente aprende.

- E o que eu faço com isso?

Ele deu um sorriso triste, passou a mão no queixo, pensativo.

- Você respeita o espaço dela. Mas também não precisa apagar o que sente. Mostra que tá presente, que pode ser amigo… mas, se for pra viver esse amor de novo, que seja com maturidade. Porque se um dia ela olhar pra trás, ela vai lembrar de quem ficou, mesmo quando tudo parecia perdido.

Fiquei quieto. Aquilo bateu diferente. Não era só conselhos de pai, era experiência de homem.

Ele se levantou, deu um tapinha no meu ombro.

- E se um dia o destino quiser juntar vocês de novo… você vai estar pronto. Até lá, cuida do teu coração.

Assenti, engolindo seco. Meu pai entrou, e eu fiquei ali mais um tempo, encarando o nada, tentando entender como se seguiu em frente quando o coração ainda não deixou.

Mas talvez… fosse isso que significava crescer.

Algumas semanas depois...

As semanas passaram num piscar de olhos. Março chegou e com ele, minha rotina acelerada voltou com tudo. Os shows estavam a mil, as viagens também, e eu sentia que finalmente tava reencontrando meu ritmo depois de tanta turbulência emocional.

Naquela manhã, eu estava numa sala de reuniões em um prédio comercial em Nova York, sentado de frente pro Daniel, meu empresário, enquanto ele passava as informações do cronograma no tablet.

Meu celular vibrou e vi a notificação: Aniversário do Justin.

Respirei fundo e, mesmo com os sentimentos ainda meio embaralhados por tudo que ele vivia com a minha irmã, digitei uma mensagem rápida:

"Parabéns, cara. Que seja um novo ciclo cheio de saúde e alegrias. Tudo de bom pra você e pro bebê também."

Enviei e voltei a prestar atenção no que o Daniel dizia, passando por uma apresentação cheia de fotos e números.

- ...e então, essa apresentação de São João, Luan, vai ser a maior da temporada. Vai ser em Caruaru, em Pernambuco. Fecharam com você como atração principal da noite do dia 20. É um sábado. -Daniel falava animado.- A galera da produção tá apostando alto, vai ter uma estrutura imensa, telões, cenografia especial... e chamaram vários artistas pra prestigiar também.

- Tipo quem?

- Alguns influenciadores grandes, atores da Globo, TikTokers... Talvez antes do seu show role show do Matheus & Kauan, Matuê, só sei que você será a última atração. Tá tudo caminhando pra ser histórico.

Eu me ajeitei na cadeira, sentindo aquela adrenalina boa. Fazer show no São João seria especial pra mim. Além de ser a primeira vez, era festa popular, era raiz, era emoção.

- Vai ser grande, hein. -falei, com um leve sorriso.- Tem alguma ideia de quem vai apresentar?

- Ainda estão definindo. Mas tão tentando trazer alguém com bastante apelo com o público jovem. Talvez até role da transmissão ir pro Globoplay. A gente tá alinhando tudo com calma.

- E a produção visual? Tem liberdade?

Daniel assentiu.

- Total. Inclusive, querem que você monte algo único, diferente. Pode trazer a essência do sertanejo, mas com o teu estilo. É tua noite, Luan. Vai ter câmera pra todo lado, imprensa, fãs... vai marcar.

Eu assenti, pensando no que poderia fazer. Depois de tudo, talvez aquele show marcasse mais do que minha volta aos palcos com tudo… talvez fosse o momento de me reencontrar por completo. E quem sabe, mostrar pra mim mesmo — e pra Marina, se ela acabasse assistindo — que eu ainda era aquele cara que sonhava, que fazia o que amava… e que tava pronto pra viver novas histórias. Mesmo que algumas antigas ainda morassem em mim.

Saindo da reunião, eu ajeitei o boné na cabeça, despedi do Daniel com um aceno e entrei no carro que já me esperava na porta do prédio. Assim que fechei a porta e me encostei no banco, puxei o celular do bolso. Abri o Instagram e a primeira coisa que apareceu foi um anúncio patrocinado da Prime Video.

Meu coração acelerou no mesmo segundo.

"Minha Culpa – Filme Original. Estreia dia 02 de abril. Assista ao trailer agora!"

Era o filme da Marina… e do Victor.

Cliquei sem pensar duas vezes.Marina aparecia já nos primeiros segundos, do lsdo de uma mulher, depois entrando em um lugar, trombando com Victor, com aquele olhar dele meio misterioso que sempre foi o oposto do meu. Marina dirigindo um carro em alta velocidade, cabelo ao vento, olhar determinado.  

Eles estavam intensos. Um casal de tirar o fôlego na tela. Tinha briga, beijo, química, aparentemente cenas mais quentes. Tudo muito bem dirigido, fotografia impecável… e Marina parecia radiante. Profissional. Linda. Entregue.

Me vi preso ali, no trailer de menos de dois minutos, como se fosse uma eternidade.

Quando acabou, meu reflexo foi clicar nos comentários. Milhares de pessoas ansiosas, elogiando a química deles, o talento da Marina, o novo galã da Prime. Fãs já shippando os personagens.

Suspirei fundo e deixei o celular no colo, olhando pela janela o céu cinza de Nova York.

Ela tava brilhando. Do jeito que sempre sonhou. E mesmo que isso doesse um pouco aqui dentro, eu sabia que ela merecia. Talvez o tempo esteja mesmo fazendo o papel dele… só não sei ainda qual é o meu papel na história dela agora.

Peguei o celular de novo, hesitei por uns segundos com o polegar pairando sobre o nome dela nas mensagens. Respirei fundo e abri a conversa. Já fazia dias que não trocávamos nenhuma palavra, e mesmo a última troca tendo sido leve, ainda existia um muro invisível entre a gente.

Mas fui no impulso, como sempre acontecia quando o assunto era Marina.

"Acabei de ver o trailer do 'Minha Culpa'...
Você tá incrível, Marina. De verdade. Parabéns.
Não vejo a hora de assistir. Imagino o quanto você deve estar orgulhosa."

Enviei. Simples, sincero.

Bloqueei a tela e encostei a cabeça no banco de novo, batucando o dedo na coxa enquanto esperava. Parte de mim torcia pra ela nem visualizar tão rápido, a outra queria ver “digitando...” logo abaixo do nome dela.

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