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Capítulo 72

Justin Narrando

Era meu aniversário de 20 anos, mas minha cabeça não estava exatamente no clima de festa. Eu estava em Nova York, dirigindo pelas ruas com o pensamento longe. As coisas tinham mudado muito desde o último aniversário. Hoje, mais do que comemorar, eu estava me preparando pra uma reunião que o Scooter organizou — e o tema era a gestação da Bruna. Ele disse que seria importante, que teria algumas pessoas lá que eu nem sabia exatamente quem eram. Só sabia que precisava estar presente. E que Bruna também estaria.

Estacionei o carro em frente ao prédio dela e esperei. Meu coração bateu um pouco mais forte quando vi a silhueta dela se aproximando pela calçada. Bruna estava linda. Usava uma blusa clara, que marcava levemente a barriga que agora já aparecia um pouco mais. Quase 18 semanas, quatro meses e meio... e o Jack crescendo ali, dentro dela. Ela carregava uma sacola pequena na mão.

Ela abriu a porta do passageiro e entrou com um sorriso tranquilo no rosto, que sempre teve o poder de me desarmar.

- Feliz aniversário, Justin. -ela disse, se inclinando pra me abraçar. Retribui o abraço, apertado, com carinho.

- Obrigado, Bru. -murmurei contra o cabelo dela, sentindo aquele perfume doce e familiar.

Ela se afastou um pouco e me entregou a sacolinha.

- É simples, mas é de coração. Eu quis te dar algo especial... já que, né, esse vai ser seu primeiro aniversário como futuro pai. -disse com um sorriso tímido.

Eu sorri também, peguei a sacola e abri com curiosidade. Dentro, tinha uma camiseta preta com a estampa discreta "Dad Mode: Loading..." e um par de meinhas minúsculas, azuis, com “I love daddy” bordado.

Meu peito apertou. Respirei fundo. Era simples mesmo. Mas significava tudo.

- Bruna... -olhei pra ela, com um nó na garganta.- Obrigado. De verdade. Isso aqui... é o melhor presente que eu podia ganhar hoje.

Ela sorriu e pousou a mão na barriga.

- A gente fez com carinho, né, filho? -disse, olhando pra barriga e depois pra mim.

Eu ri baixinho e liguei o carro.

- Bora pra essa reunião. Vai ser um dia longo, mas pelo menos eu comecei ele bem. -falei, dando uma última olhada na sacolinha antes de colocá-la com cuidado no banco de trás.

E seguimos pela cidade, o clima dentro do carro tranquilo, com a nossa nova realidade ecoando baixinho entre as palavras e os sorrisos.

O caminho até a reunião não foi tão longo, mas mesmo assim ficou aquele silêncio confortável entre mim e a Bruna. Às vezes ela mexia no celular, outras vezes olhava pela janela com a mão sobre a barriga. Eu só observava de canto, admirando cada gesto dela com o bebê. Jack. Meu filho.

Chegamos no prédio onde seria a reunião, um daqueles lugares super modernos que o Scooter gostava. Subimos de elevador e, antes de entrar na sala, eu segurei o braço dela de leve.

- Bru... se você quiser que eu fale alguma coisa específica lá dentro, me avisa. Tô do seu lado, tá?

Ela assentiu, séria, mas com um olhar carinhoso.

- Eu sei. 

Entramos. Na sala já estavam Scooter, Allison, a representante de relações públicas e uma outra mulher que parecia ser advogada. Pelo jeito, a conversa seria séria.

Scooter foi direto ao ponto.

- Justin, Bruna, que bom que vieram. A gente quer conversar sobre os próximos passos. A gestação já tá sendo comentada nos bastidores, e quando sair na mídia, queremos que saia da maneira certa. Com cuidado, responsabilidade... e pensando em vocês e no bebê.

- Bom, vamos direto ao ponto. -a advogada disse, colocando uma pasta sobre a mesa.- Precisamos definir questões legais, Justin. Principalmente relacionadas à pensão, custeio da gestação e também à imagem pública.

Ela virou a atenção pra Bruna de um jeito que eu não gostei desde o começo. Um olhar meio condescendente, sabe?

- Você é estudante, certo, Bruna? Não trabalha atualmente?

Bruna assentiu com um leve “sim”, firme, mas visivelmente desconfortável.

- Então, como esperado, você será financeiramente dependente do Justin durante esse período. Precisamos deixar isso tudo claro no papel.

Eu franzi a testa.

- Bruna não é nenhuma aproveitadora, se é isso que você tá insinuando.

- Não estou insinuando nada, apenas fazendo meu trabalho. Mas, claro, é importante levar em consideração que uma gravidez nessa fase da carreira pode causar danos à sua imagem, Justin, e, infelizmente, isso levanta interpretações públicas… variadas.

Bruna abaixou o olhar. Eu senti meu sangue começar a ferver.

- Com todo respeito, você tá falando como se ela tivesse planejado isso pra se dar bem. E eu não vou permitir que ninguém trate a mãe do meu filho assim, entendeu?

A mulher olhou pra Scooter, que só suspirou, e depois voltou a me encarar.

- Tudo bem, Justin. Vamos aos números, então.

Ela tirou uma planilha. Eu vi meu nome em destaque e uma série de colunas com valores.

- Seu patrimônio hoje está estimado em 83,5 milhões de dólares. Considerando isso, e seguindo as diretrizes legais, o valor base de pensão mensal pode variar de 2% a 5% do patrimônio líquido anual convertido em base mensal.

- Qual o valor disso? -perguntei.

Ela digitou no tablet e respondeu com precisão:

- Baseando-se nos seus rendimentos, o valor de pensão mensal pode ser entre 70 e 100 mil dólares. Sugerimos começar com 85 mil mensais, cobrindo todas as despesas atuais e futuras com o bebê. Além disso, você será responsável por arcar com: -ela começou a listar com o dedo:- Consultas pré-natais, exames, ultrassons, remédios, plano de saúde para a Bruna até o parto, e depois para a criança. Despesas emergenciais médicas, caso surjam. Acordo de custódia pode ser discutido mais adiante, mas por ora, a prioridade é o bem-estar da gestante e da criança.

- Tudo isso tá certo pra mim. -falei, firme.- Desde o começo, eu falei que ia cuidar dos dois. Só não admito que tratem a Bruna como se ela tivesse feito isso por interesse. Não é o caso. Aconteceu, e a gente vai lidar da melhor forma possível.

Bruna ficou quieta, mas eu senti que ela tava segurando a emoção. Só assentiu de leve, com os olhos marejados.

A advogada respirou fundo, como se estivesse tentando manter a compostura.

- Tudo bem. Agora, vamos ao anúncio público.

Ela tirou um papel com o texto impresso e empurrou pra mim.

"Gostaria de comunicar que estou esperando um filho. Peço respeito à privacidade da mãe e à nossa família neste momento. Agradeço o carinho de todos. — Justin Bieber."

Eu li e bufei.

- Não. Isso aqui parece uma nota fria de assessoria. Eu vou escrever algo meu, de verdade. Algo que tenha a minha voz. Isso aqui não passa nenhum sentimento.

Scooter me encarou com um olhar compreensivo.

- Você quer escrever sozinho mesmo?

- Quero. -olhei pra Bruna.- É meu filho. Merece ser anunciado com mais coração.

justinbieber Como muitos sabem, nós dois terminamos nosso relacionamento há alguns meses. Foi uma decisão mútua, com respeito e carinho. Mas em meio às nossas tentativas de conversar, de entender o que ainda sentíamos um pelo outro… a vida nos surpreendeu.

Descobrimos que seremos pais. E a primeira coisa que sentimos foi medo — como qualquer jovem na nossa idade sentiria. Mas logo o medo deu lugar a outra coisa: amor.

Apesar de tudo isso, decidimos que vamos seguir caminhos diferentes como casal. Mas seguimos juntos como pai e mãe. Com respeito, responsabilidade e a certeza de que nosso filho vai crescer rodeado de amor.

Esse momento é muito especial, íntimo e delicado. Por isso, a gente só pede uma coisa: respeito. Respeito à nossa história, à escolha de sermos pais mesmo com todas as dificuldades, e principalmente ao nosso bebê.

A gente tá fazendo o nosso melhor, com o coração cheio de gratidão e esperança. 

Com carinho,
Justin Bieber e Bruna Santana.


Assim que postei, a advogada puxou outro documento da pasta e o colocou sobre a mesa, virando em nossa direção.

- Agora que definimos os termos do auxílio durante a gestação e da pensão após o nascimento, precisamos das assinaturas de ambos. Isso formaliza o compromisso de vocês como co-responsáveis pela criança.

Ela assinou primeiro. Em silêncio. Pegou a caneta com delicadeza, leu seu nome no contrato como se ainda não acreditasse e assinou. Depois, empurrou suavemente pro meu lado. Eu assinei também. E ali estava: oficialmente, pais. Não juntos como casal, mas juntos em tudo o que importava.

Nos levantamos logo depois, recolhendo nossos casacos e documentos.

- Obrigada. -Bruna falou, com educação, para a advogada. Mas eu percebi que o tom dela era frio. A forma como a advogada tratou ela… ainda me incomodava.

- Espero que tudo corra bem pra vocês. -a mulher disse, organizando os papéis.

Saímos juntos da sala e do prédio, sem dizer muita coisa nos primeiros minutos. Caminhamos lado a lado até o carro, e quando entramos, Bruna soltou um suspiro longo e recostou no banco.

- Foi puxado, né? -perguntei, ligando o motor.

Ela me olhou e deu um sorriso cansado.

- Muito. Mas… pelo menos agora tá tudo certo. E a gente pode focar no Jack.

Meu coração deu um salto com ela falando o nome dele. Jack. Nosso menino.

- É… no Jack. -repeti, com um sorriso que surgiu sem eu perceber.

E partimos, cada um com mil pensamentos na cabeça, mas com um laço silencioso e forte entre nós.

O carro já deslizava pela 5ª Avenida, a cidade viva como sempre, mas ali dentro parecia outro mundo. Um silêncio calmo, sem pressa, como se os dois estivessem precisando só... respirar.

Olhei de canto pra Bruna, que mexia no celular, provavelmente respondendo alguma mensagem da mãe ou das amigas. A barriga dela estava ficando mais visível agora, e cada vez que eu via, era como se a ficha caísse um pouco mais. A gente vai ter um filho. Um menino. O Jack.

- Ei. -falei baixo, só pra ela me ouvir. Ela me olhou, suave.- Obrigado por ter ido hoje.

- Eu que agradeço por você ter me defendido lá dentro. -ela respondeu.- Aquela advogada... parecia que tava me julgando o tempo inteiro. Achei que ela fosse me chamar de oportunista na cara dura.

- Ela ultrapassou um pouco os limites. Mas não se preocupa, não é ela que vai criar o Jack com você. Sou eu.

Ela sorriu. Aquele sorriso que misturava força e cansaço, mas ainda assim era lindo.

- Tá com fome? Quer almoçar? -perguntei 

- Com certeza. 
Escolhi um restaurante discreto no West Village, um daqueles que você só descobre se alguém te indicar, com música suave e cheiro de manjericão no ar. Pedi uma mesa nos fundos, num cantinho mais afastado — não queria ninguém interrompendo.

Abri a porta do carro pra Bruna, e ela desceu ajeitando a jaqueta sobre os ombros. Ela estava ainda mais bonita grávida. Talvez porque agora ela carregava algo meu. Algo nosso.

Entramos de mãos soltas, mas com os passos no mesmo ritmo. Sentamos, e o garçom nos trouxe os cardápios. Ela sorriu quando viu que tinha massa fresca feita na casa.

- Hmm… acho que vou de ravióli de queijo com molho de tomate. -ela disse, empolgada.- Só preciso confirmar se o molho é sem vinho. O Jack não gosta dessas coisas fortes.

- Ele puxou o pai. -brinquei, fazendo ela rir.

- O pai vivia tomando vodka pura na madrugada na universidade. Não me venha com esse papo.

- Ei, ele não precisa saber disso ainda… -nós rimos.

Ficamos em silêncio por uns segundos, só nos olhando, até que ela soltou:

- Eu gostei da forma como você escreveu sobre o Jack hoje. Foi... sincero. Emocionante.

- Era o mínimo. Eu não queria um texto seco, sabe? Porque, apesar de tudo, esse bebê é o maior presente da minha vida. E você… você tá me dando ele.

Ela baixou os olhos, emocionada. Levou a mão à barriga instintivamente, como se o Jack pudesse sentir tudo.

- Eu tô tentando fazer o meu melhor, Ju. Mesmo que às vezes pareça que tô perdida.

- Ei. -estendi a mão sobre a mesa, tocando a dela- Eu sei disso. E eu também tô tentando. A gente errou, machucou, se perdeu... mas esse menino vai crescer sabendo que foi amado desde o começo. Isso é o que importa.

Ela apertou minha mão de volta. Naquele gesto, tinha um pacto silencioso. Um compromisso sem volta.

O almoço chegou, e a conversa continuou leve. Rimos lembrando de quando ela achava que ele era uma menina, e até começamos a planejar como vai ser o quartinho.

- Já pensou em colocar aquelas luzinhas de corda no teto? -ela perguntou, empolgada.- Tipo um céu estrelado pro Jack?

- Já pensei em pintar uma parede com montanhas e bichinhos. Acho que o Jack vai curtir uma vibe natureza.

- O Jack vai ser estiloso igual o pai. -ela provocou, arqueando a sobrancelha.

- E teimoso igual a mãe.

Rimos. Bruna tava com um brilho no olhar. De mulher forte, de mãe decidida. E eu percebi que, mesmo separados, a gente tava encontrando um jeito de ser uma família. Do nosso jeito.

O almoço já tava quase no fim. As taças de água com gás pela metade, os pratos empurrados pro lado. Bruna brincava com o guardanapo, enrolando a pontinha com os dedos, meio pensativa.

- Eu sinto muito… por tudo ter sido assim. -ela disse, de repente, num tom baixo.- Por não ter sido do jeito que a gente imaginou.

Levantei os olhos e fiquei quieto por uns segundos. Aquilo doeu mais do que qualquer grito ou briga. Porque tinha verdade demais ali.

- Eu também. -falei, finalmente.- Porque se fosse o Justin e a Bruna de seis meses atrás, a gente tava explodindo de felicidade agora. Você com mil ideias de roupinhas e eu fazendo playlist até pro parto…

Ela riu, mas os olhos marejaram.

- Eu só… queria que as coisas tivessem dado certo. Porque, mesmo com tudo, eu ainda acredito que a gente ia ser muito feliz com esse bebê. Mas sem confiança, não tem como, né?

- A gente ainda vai ser feliz com ele. -falei, convicto.- Do nosso jeito. E… Bruna, eu não perdi a confiança em você 100%, sabe?

Ela me olhou surpresa. Acho que nem esperava mais ouvir isso da minha boca.

- Se eu tivesse perdido, eu não estaria aqui. Eu teria duvidado até da paternidade do Jack… mas eu nunca duvidei. Nunca. Porque, apesar de tudo, eu te conheço. E te amo… do meu jeito, talvez mais quieto, mais ferido agora… mas eu amo.

Bruna respirou fundo. A voz saiu mais baixa, como se não quisesse se permitir sentir o que tava sentindo.

- Eu também te amo, Ju. Só… não sei mais como amar você sem medo de te machucar.

- Então ama com calma. A gente não precisa apressar nada agora. A gente já tem tempo crescendo aqui dentro. -disse, apontando com o olhar pra barriga dela.

Ela sorriu, com os olhos brilhando.

- A gente tem tempo, né?

- A gente tem o Jack. Isso já é mais do que tudo.

Nos levantamos pra ir embora. O garçom nos desejou boa tarde e parabéns, e Bruna agradeceu como se ele tivesse dito aquilo só a ela.

Na calçada, o ar vespertino de março cortava o rosto com leveza. Caminhamos devagar até o carro. Dessa vez, nossos passos estavam um pouco mais perto. Como se um tivesse esperando pelo outro sem perceber.

Entramos no carro. Dessa vez, o silêncio entre a gente não doía. Era um silêncio confortável, de quem já falou tudo o que precisava, mas ainda assim, tem tanta coisa que queria dizer.

Estacionei na frente do prédio dela. O caminho todo até ali foi calmo, mas o coração batia com força desde que saímos do restaurante. Tinha coisa no ar que eu não sabia explicar. Uma mistura de nostalgia, amor e... saudade. Muita saudade.

Bruna tirou o cinto devagar e virou pra mim antes de abrir a porta.

- Você quer… subir um pouco? -ela perguntou, com aquele olhar que eu já conhecia. Não era um convite qualquer. Era quase um pedido. Uma vontade de estender um pouco mais aquele momento, como se o tempo com a gente fosse raro e precioso demais pra acabar ali.

Assenti com a cabeça.

- Quero sim.

Ela sorriu pequeno, abriu a porta e saiu. Dei a volta e a alcancei no elevador. No caminho até o andar dela, ninguém disse nada. Mas nossos ombros se tocavam e vez ou outra nossos olhares se cruzavam no reflexo do espelho.

Entramos no apartamento. Estava com aquele cheirinho suave de lavanda e baunilha que sempre me fazia lembrar dela. No canto da sala, uma caixa com algumas roupinhas que ela tinha comprado pro Jack estava aberta. Me aproximei e peguei um macacãozinho azul claro com uma estampa de astronauta.

- Você tá na fase "tema espacial", né? -falei, meio rindo.

Ela riu também, vindo até mim.

- É... eu acho que é coisa do Jack. Ele vai ser apaixonado por estrelas.

Bruna se sentou no sofá, puxando uma manta pro colo, ajeitando a barriga com delicadeza. Me olhou como se pedisse companhia.

Sentei ao lado, meio de lado pra encará-la. Ela estendeu a mão e tocou minha perna.

- Eu precisava disso hoje. Ficar perto de você. Me sentir segura... com alguém que me conhece de verdade.

Segurei a mão dela, devagar.

- Você vai sempre poder contar comigo, Bru. Por você. Por ele. Por tudo.

- Eu sei... -ela disse, baixinho. Depois me olhou de novo.- Posso deitar um pouco no seu colo?

Me ajeitei sem responder, apenas abrindo espaço, e ela se deitou. Apoiou a cabeça na minha coxa com cuidado, segurando minha mão, enquanto a outra acariciava a barriga devagar.

- Jack… o papai tá aqui. -ela sussurrou, quase num carinho pro bebê.

Meu peito apertou. Era tudo o que eu sempre quis e, ao mesmo tempo, tudo o que eu tinha medo de perder. Acariciei o cabelo dela devagar, e por um tempo ficamos assim… sem pressa. Sem mágoas. Só a gente.

Ficamos em silêncio por um bom tempo. Eu fazia carinho no cabelo dela, e Bruna mantinha os olhos fechados, respirando fundo como se estivesse tentando segurar o mundo no peito. A mão dela ainda segurava a minha, firme, como se não quisesse me deixar ir.

- Você já sentiu ele mexer? -perguntei baixinho, quase num sussurro.

Bruna abriu os olhos devagar e ergueu o olhar até mim.

- Algumas vezes... bem de leve. Tipo umas borboletinhas. -ela sorriu, colocando a mão dela sobre a barriga.- Mas acho que ele reconhece sua voz, sabia? Sempre que você fala perto, ele parece mais inquieto aqui.

Meu coração deu um pulo. Me inclinei um pouco mais, olhando pra barriga dela com cuidado.

- Oi, Jack… sou eu, o papai. Você tá cuidando direitinho da mamãe aí dentro, né?

Bruna sorriu com os olhos marejados. Passou a ponta dos dedos no meu rosto com delicadeza.

- Eu sei que a gente errou, Justin. Que talvez a gente tenha se perdido em algum momento. Mas... você vai ser um pai incrível. Eu nunca duvidei disso. Nem por um segundo.

Suspirei. Me abaixei um pouco mais e dei um beijo suave na barriga dela, fechando os olhos. O toque do meu rosto ali era como se eu tocasse um pedaço do futuro.

- Se eu pudesse voltar no tempo, eu faria tudo diferente. -falei.- Teria te ouvido mais. Teria acreditado mais em nós dois.

Ela respirou fundo.

- A gente ainda tem tempo, Justin… mas agora não pra nós dois, e sim pra ele. Nosso tempo é o tempo do Jack agora.

Me aproximei mais dela, nossos rostos tão perto que eu podia sentir a respiração quente dela contra meu queixo.

- É estranho, sabe? -continuei.- Te ter tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Como se ainda existisse um "nós" bem guardado, tentando sobreviver... no silêncio.

- Existe, Justin. -ela sussurrou, com os olhos fixos nos meus.- Mas ele tá quietinho. Machucado. Esperando a hora certa... se é que essa hora vai chegar.

Ficamos nos olhando por longos segundos, como se estivéssemos prestes a nos beijar. Mas, em vez disso, Bruna deitou de novo, dessa vez puxando minha mão até a barriga dela.

- Fica só mais um pouquinho aqui com a gente?

- Eu fico o tempo que vocês quiserem.

E naquela noite, naquele sofá, naquele silêncio cheio de amor e saudade... eu soube que não importava o que acontecesse no futuro, eu sempre voltaria pra esse lugar. Pra ela. Pro nosso filho. Pro nosso lar, mesmo que temporário.

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