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Capítulo 75

Luan Narrando 

Sábado, 20 de Junho de 2026

Junho chegou. E com ele, o friozinho no estômago que eu sempre sinto nessa época do ano. Não é só pelo São João, pelas festas, pelas comidas típicas… É por Caruaru. Sempre foi especial cantar aqui. Mas naquela noite, algo estava diferente.

Meu show era o último da programação. Subiria ao palco às 00:30. Já eram quase meia-noite. Eu tava pronto, vestido com uma blusa branca sem mangas, com uma modelagem fluida e gola caída, dando um ar moderno e estiloso, com uma calça preta ajustada e botas pretas.

Sentado no sofá do camarim, tentei relaxar. A galera da banda conversava, riam de algo no fundo, e meu produtor me atualizava sobre os detalhes do palco no rádio. Eu só assentia com a cabeça, mas meu foco não tava ali.

Desbloqueei o celular e abri o Instagram. Sem pensar muito, fui direto nos stories da Marina.

Não consigo explicar, mas tem dias que a saudade aperta de um jeito que parece que ela tá aqui... e naquela noite, ela realmente tava.

Nos stories, ela aparecia filmando a multidão, depois a banda que tava no palco naquele momento. O logo do camarote da produção do festival aparecia num cantinho da tela. Quase caí pra trás.

Ela tava ali. A poucos metros de mim. Em Caruaru. No meu show.

Revi os stories duas vezes só pra ter certeza que era ela ou se era vídeo antigo. Mas não era. Era de agora. Eu reconheci o lugar. 

Sem pensar duas vezes, abri o WhatsApp.

"Você tá no São João de Caruaru?"

Fiquei encarando a tela, esperando aqueles três pontinhos aparecerem. O coração disparado, as mãos meio suadas. E, pela primeira vez em semanas, eu me senti esperançoso de verdade.

Depois de tudo que aconteceu... depois de todos os silêncios... só de saber que ela tava no mesmo lugar que eu, respirando o mesmo ar, ouvindo a mesma música, meu coração já dava voltas.

"Vi seus stories... tá aqui a trabalho ou veio curtir o melhor São João do mundo?"

Fechei os olhos por um instante, me perguntando se deveria mesmo ter mandado. Mas não consegui evitar.

Ela era a última coisa em que eu pensava antes de dormir... e a primeira que vinha na cabeça quando eu acordava.

E agora, ela tava aqui.
Tão perto.
Talvez perto o suficiente pra ouvir minha voz — não só no palco.

Os minutos pareceram horas até que a resposta dela chegou. Quando o nome da Marina apareceu ali na tela, meu coração deu um salto.

"Vim a trabalho, marcar presença no camarote como influenciadora. Mas confesso que tô curtindo os shows também. Nem sabia direito quem ia cantar hoje…"

Eu sorri. Típico dela. Toda desligada com as programações, mas ainda assim com uma presença que chamava atenção por onde passava.

Só de imaginar ela ali, sem nem saber que eu ia cantar hoje… como se o destino tivesse feito essa coincidência só pra me testar — ou talvez me dar uma chance.

Não pensei duas vezes.

Virei pro meu produtor, que tava mexendo no rádio, e falei:

- Ei, vê pra mim com qual empresa a Marina Bieber tá no camarote. Ela tá aqui no evento, trabalha com alguém daqui hoje.

Ele me olhou meio surpreso.

- Marina Bieber?

- É. A própria. Vê pra mim e… pede pra trazerem ela aqui no camarim, se ela topar, claro.

Ele assentiu na hora, já sacando o celular. Enquanto isso, tentei respirar fundo, colocar minha cabeça no lugar. O show já ia começar, mas agora… parecia que tinha algo mais importante pra acontecer antes de eu pisar naquele palco.

O celular vibrou de novo. Era uma nova mensagem dela.

"Você vai cantar hoje?"

Sorri de lado e respondi rápido:

"Vou fechar a noite. Começo 00:30. Tá pertinho. E você… vai me assistir?"

Pausa. Nenhuma resposta por alguns minutos.

E então, uma batida na porta do camarim.

Meu produtor apareceu e falou:

- A equipe dela confirmou. Ela tá a caminho, tá tudo certo.

Meu coração disparou.

Marina.

Ali.

Do outro lado daquela porta.

Depois de tudo.

Será que ela tava nervosa como eu? Será que aquele reencontro ia doer... ou curar?

Ou talvez um pouco dos dois.

Perfeito! Vamos seguir com o reencontro no camarim, ainda com Luan narrando em primeira pessoa:

A porta do camarim se abriu devagar. Eu me levantei automaticamente, o coração batendo acelerado.

E então ela entrou.

Não via aquela mulher há mais de seis meses. E ainda assim, foi como se meu mundo tivesse congelado por alguns segundos.

Ela estava linda. Um vestido longo no estilo xadrez vichy vermelho e branco, com recortes modernos e decote em V, alças largas e um detalhe de amarração na cintura que deixavam à mostra sua pele clara e bronzeada. Cabelo solto com uma mecha cada lado com tranças, maquiagem leve e o sorriso… ah, o sorriso educado e contido, mas ainda assim inconfundível.

Nossos olhos se encontraram por uma fração de segundo. O tempo suficiente pra tudo voltar. A saudade, os bons momentos… e a confusão de sentimentos.

Ela veio direto até mim, e me abraçou. Um abraço apertado, daqueles que não dá pra disfarçar o passado.

- Oi, Luan. -disse perto do meu ouvido, baixinho, naquele tom doce e firme que só ela tem.

- Marina… -respondi baixo também, com um nó na garganta que nem eu esperava sentir.

Não teve beijo, não teve emoção exagerada. Só um reencontro intenso e cheio de coisa não dita, camuflado por um ambiente cheio de gente.

Tinha fotógrafo, filmagem da equipe da produtora do evento, minha equipe e a dela. Gente conversando, rindo, observando. Marina manteve a pose profissional, tentando parecer o mais neutra possível, mas eu conhecia cada nuance dela.

- Você tá linda. -soltei, quase num sussurro. Ela sorriu, meio sem graça.

- Obrigada. Você também tá ótimo. Parece que o Brasil continua fazendo bem pra você. -disse com aquele brilho nos olhos.

Um dos meus produtores se aproximou dela e tentou puxar papo em inglês:

- Bem-vinda, Marina. Quer um pouco de água? Você está bem?

Ela riu leve, simpática, e respondeu, já em português:

- Podem falar português comigo, gente, eu entendo tudo. 

Me virei pra ela, curioso.

- Ainda tá firme no português?

- Tô sim. Achei que não ia conseguir continuar depois do filme, mas deu certo. Eu sou apaixonada pelo Brasil, então tinha que aprender a língua. -ela deu de ombros.

- Bom saber. -sorri de lado.- Vai que a gente precisa conversar mais vezes assim.

Ela me olhou rápido e desviou, dando uma risada nervosa. A produção chamou a gente pra umas fotos, e posamos juntos, lado a lado, como dois profissionais que se reencontram após um projeto bem-sucedido… mas por dentro, tudo era diferente.

Jamais imaginei que nosso reencontro fosse acontecer no Brasil. Menos ainda num show meu. E no meio do São João.

Mas ali estávamos nós.

E talvez o destino tivesse mais cartas na manga.

As câmeras filmavam, flashes piscavam. Era como se o mundo parasse por um instante pra registrar aquele reencontro.

- Vamos fazer umas sentados também. -sugeriu o fotógrafo.

Sentamos num dos sofás do camarim. Marina cruzou as pernas com elegância e ajeitou o vestido. Eu também coloquei a perna em cima da outra, mas de uma forma mais descolada, me aproximando mais dela. A gente sabia posar junto — ainda sabíamos.

Logo em seguida, um dos produtores veio até mim:

- Luan, tá quase na sua hora. Te chamam em cinco minutos.

Me levantei, respirei fundo e me virei pra ela.

- Ei… -chamei baixinho.- Quer assistir ao show do lado do palco?

Marina me olhou com surpresa, mas não hesitou.

- Quero sim. Vai ser incrível.

Sorri com aquilo.

- Vou pedir pra arrumarem um lugarzinho especial pra você ali. -fiz um sinal com a cabeça pro Gabriel, um dos meus produtores de confiança, que também era amigo de Marina.- Leva ela lá, cuida direitinho, tá?

Gabriel, que era abertamente gay e uma das pessoas mais carismáticas da minha equipe, se aproximou com um sorriso gigante.

- Olha quem voltou! Minha diva favorita! -ele falou, abraçando Marina com carinho.

Ela riu gostoso e respondeu:

- Eu tava com saudade das suas palhaçadas, Gabi.

Fui pro palco com o coração acelerado — mas por um motivo diferente dessa vez.

[...]

O relógio virou 00:30. As luzes se apagaram. A multidão gritou.

Subi no palco.

A energia estava surreal. A galera de Caruaru cantava cada música como se fosse a última. 

Entre uma música e outra, eu dava uma olhada discreta pro canto do palco.

E lá estava ela.

Perto da estrutura lateral, com o Gabi do lado, os dois rindo, dançando, ela soltando a voz com “Escreve Aí”, “Te Esperando”, “Morena”, “Abalo Emocional”. Ela conhecia todas. E cantava com vontade, igual antigamente.

Eu sorria sem nem perceber. Tentava me concentrar no show, mas era impossível não notar o quanto ela estava se divertindo.

Ela parecia feliz. Leve. E linda. E ali, por mais que houvesse mil coisas não resolvidas entre a gente… naquele instante, ela só era Marina. A minha Marina.

E eu cantava como se fosse pra ela.

Perfeito! Aqui está a continuação com o pós-show, mantendo a narração do Luan em primeira pessoa e com todos os detalhes que você pediu:

[...]

O show acabou e eu tava pingando de suor, mas com o coração completamente acelerado. Foi uma das apresentações mais intensas que já fiz. E não só por causa do público… mas porque ela estava ali. E eu senti tudo diferente. Mais forte. Mais vivo.

Voltei pro camarim ainda com a energia do palco correndo em mim. Uns minutos depois, Marina apareceu com o Gabi, sorrindo daquele jeito que eu conhecia tão bem.

- Você arrebentou, Luan. -ela falou, vindo na minha direção com os olhos brilhando.- Sério, que energia! E eu adorei suas músicas novas. Você tá numa fase incrível.

- Obrigado… -sorri de volta, tentando controlar a euforia.- Foi especial demais te ver ali. Me deu até um gás diferente no palco.

Ela riu, mexendo no cabelo com aquele jeitinho dela.

- Deu pra perceber… você tava inteiro ali.

Eu me aproximei, ainda respeitando o espaço entre a gente, mas com aquele impulso de ir além. Só que antes de qualquer coisa, eu respirei fundo.

- Marina… será que a gente podia ir pra algum lugar mais tranquilo? Só nós dois. Tem muita coisa que eu queria conversar com você.

Ela me olhou por uns segundos. Um silêncio que dizia muita coisa. E aí assentiu com um leve sorriso.

- A gente pode ir pro meu hotel. Tô hospedada aqui perto, com o pessoal da agência. Mas meu quarto é só meu.

Meu coração deu um pulo no peito. Não pelos motivos errados — não era desejo, era necessidade. Precisava daquela conversa. Precisava da verdade dela. Do que tinha sobrado da gente.

- Beleza. -falei com um aceno.- Me espera uns dez minutinhos? Só vou tomar um banho rápido e trocar de roupa.

- Claro. Tô no WA Hotel. Sexto andar, quarto 402.

- Fechado.

Ela deu um último sorriso e saiu.

Fiquei ali mais um instante, sozinho no camarim, olhando pro nada.

Peguei a toalha, fui direto pro chuveiro.

A noite ainda não tinha acabado.

[...]

O elevador parou no sexto andar e fui direto até o número que ela tinha me passado. Bati duas vezes, e em menos de um minuto, a porta se abriu.

Ela estava com o rosto lavado, sem maquiagem, cabelo solto. Usava um short de moletom e uma blusa larga.

Mesmo assim, era a mulher mais linda que eu já tinha visto.

- Entra. -disse com um sorriso calmo, e me dei conta do quanto sentia falta da voz dela me recebendo assim.

O quarto era confortável, tinha cheiro de lavanda e estava um pouco bagunçado, o que deixava tudo mais real, mais Marina.

Ela se sentou na ponta da cama e eu fiquei de pé por alguns segundos, meio sem saber por onde começar.

- Luan, senta. -ela disse rindo de leve, batendo com a palma na cama ao lado dela.

Me sentei. E por um momento, a única coisa que existia era o silêncio.

- Marina… -comecei, baixando os olhos por um instante antes de encará-la.- Eu sei que já faz um tempo. E que talvez nem faça mais sentido, mas... eu preciso te pedir perdão.

Ela franziu um pouco a testa, mas continuou me olhando.

- Perdão por ter sido inseguro. Por ter duvidado de você… por ter deixado o medo de te perder me transformar num cara que eu não queria ser.

Ela respirou fundo, como se estivesse absorvendo cada palavra.

- Eu tinha tanto medo de te perder… que no fim, perdi mesmo.

Ela mordeu o lábio inferior e respondeu com a voz baixa, firme:

- Luan… aquilo me machucou muito. Mais do que você imagina. Não foi só o fim de um namoro… você era meu melhor amigo também.

- Eu sei. E me odeio por isso.

- Mas… -ela respirou fundo e me olhou com mais doçura.- agora que o tempo passou, eu consigo entender. Sinceramente? Se fosse o contrário… se fosse eu no seu lugar, eu também teria surtado. Talvez até mais que você.

- Sério?

- Sério. Eu entendo agora. De verdade. Mas na época eu tava ferida demais pra enxergar qualquer coisa além da minha mágoa.

- Marina, eu nunca parei de pensar em você. Nunca.

Ela abaixou os olhos, respirou fundo e apoiou a mão sobre a cama, do meu lado. Eu senti meus dedos se aproximando dos dela, como se tivessem vida própria.

- A gente era muito imaturo, Luan… -ela murmurou.- A vida veio atropelando tudo… faculdade, distância, expectativas…

- Mas a gente se amava. Isso era real.

Ela levantou o olhar e assentiu com a cabeça.

- Era.

Houve um silêncio de novo. Mas dessa vez, era diferente. Cheio de tensão, de saudade, de lembrança.

Nossos dedos se encontraram no meio da cama. Ela não recuou. Pelo contrário, entrelaçou os dela nos meus.

- Marina… -falei, quase num sussurro.

- Eu sei… — ela respondeu.

E naquele momento, nem precisei dizer mais nada.

Me aproximei devagar. Ela não desviou o olhar. Nossos rostos se encontraram no meio do caminho, e o beijo aconteceu com uma delicadeza que me arrepiou inteiro.

Era um beijo de saudade, de reencontro, de alívio.

Deixei minha mão escorregar pela cintura dela, e senti quando ela passou os braços pelo meu pescoço. O clima foi se transformando, aos poucos, em algo mais intenso.

Marina deitou-se na cama, puxando-me sobre ela, e eu senti o calor do corpo dela contra o meu, mesmo através das roupas. Minhas mãos deslizaram por baixo da blusa larga dela, encontrando a pele macia da cintura, e ela arqueou as costas levemente, um suspiro escapando entre os lábios.  

- Eu senti sua falta… -ela murmurou, enquanto meus dedos subiam, explorando cada curva, até encontrar seus seios despidos, sem sutiã.  

Eu o contornei com os dedos, sentindo os mamilos dela já endurecidos pelo desejo. Ela soltou um gemido baixo quando eu os apertei levemente, e suas unhas cavaram suavemente nas minhas costas, puxando a camiseta para cima.  

- Tira isso… -ela ordenou, voz rouca.  

Obedeci, arrancando a camiseta em um movimento rápido, e ela fez o mesmo com a blusa, revelando o corpo que eu conhecia tão bem, mas que ainda me deixava sem ar. O short de moletom dela estava começando a ficar apertado no lugar certo, e eu deslizei a mão por dentro, sentindo a umidade crescente da calcinha.  

- Você já tá tão molhada. -murmurei, roçando os dedos sobre o tecido fino.  

Ela mordeu o lábio, os olhos escuros de tesão.  

- É por sua culpa…

Não resisti. Desci, beijando seu pescoço, os seios, enquanto puxava o short e a calcinha dela para baixo, revelando tudo. Ela ajudou, tirando-os completamente, e então suas mãos foram para o meu jeans, abrindo-o com dedos ágeis.  

Quando finalmente estávamos nus, pele contra pele, eu a puxei contra mim, sentindo o corpo dela se ajustar perfeitamente ao meu. Ela envolveu as pernas na minha cintura, e eu não consegui segurar por mais tempo.  

- Quero você agora… -grunhi, posicionando-me na entrada dela.  

Marina prendeu a respiração quando eu entrei, devagar, deixando ela se acostumar comigo novamente. Ela estava quente, apertada, e cada centímetro era pura loucura.  

- Porra, Luan… como eu senti falta disso… -ela gemeu, as unhas marcando minha pele.  

Comecei a me mover, num ritmo lento e profundo, nossos corpos se reconectando como se nunca tivessem se separado. Cada embalada era um suspiro, um gemido, um pedaço da saudade sendo saciada.  

Ela arqueou as costas quando minha mão desceu entre nós, encontrando sua intimidade e massageando em círculos.  

Eu sentia o calor dela aumentando, o corpo tremendo sob o meu, até que ela se quebrou, um gemido alto escapando enquanto os músculos dela me apertavam deliciosamente.  

Não demorei muito depois. Com alguns movimentos mais rápidos e profundos, eu também me deixei levar, enterrando o rosto no pescoço dela enquanto atingia o clímax, nosso suor e respiração misturados.  

Ficamos assim por um tempo, ainda conectados, até que eu rolei para o lado, puxando-a contra meu peito e assim adormecemos.

Na manhã seguinte...

O sol entrava de leve pelas frestas da cortina, iluminando só o necessário. A primeira coisa que senti foi o calor do corpo dela junto ao meu. Marina estava ali, deitada no meu peito, completamente nua, os dedos desenhando círculos lentos na minha pele como se quisesse guardar o momento no tato.

Abri os olhos devagar, e ao invés do caos costumeiro das minhas manhãs em turnê… havia paz.

- Você já tá acordada? -perguntei, minha voz rouca, ainda sonolenta.

- Uhum… -ela respondeu com a voz baixa, quase num sussurro.- Há um tempinho já.

Me mexi só o suficiente pra ver o rosto dela. Estava séria, olhando pro nada.

- Tá tudo bem?

Ela suspirou e, por um segundo, hesitou.

- Eu só… não queria levantar. Tô com medo de levantar e tudo isso… acabar.

A frase dela me pegou desprevenido. Encarei seus olhos, e ali dentro tinha uma mistura de coisas: carinho, insegurança, saudade, medo.

- Não vai acabar, Marina. -falei, firme, passando os dedos pelo cabelo dela.- Não dessa vez. Eu tô aqui.

Ela desviou o olhar por um instante, como se tentasse controlar alguma emoção.

- A gente sabe que a vida vai puxar a gente pra direções diferentes de novo. Como sempre fez. E eu tenho medo de levantar… e voltar a ser só eu. Sem você.

Aquela confissão me atravessou.

- Olha pra mim. -pedi, e ela voltou os olhos pros meus.- Não importa pra onde a vida nos empurre… essa noite não foi um acaso. Eu esperei muito por isso. Eu esperei por você.

Ela sorriu de leve, mas os olhos ainda estavam marejados.

O relógio tocou no meu celular e a vibração me tirou da bolha onde eu queria ficar com ela o resto do dia. Olhei pro visor e vi o alerta da equipe: "Check-out em 40 minutos. Carro pro aeroporto às 10h."

Fechei os olhos por um segundo, como se pudesse adiar o inevitável.

Do meu lado, Marina ainda estava ali, deitada em mim. Mas já não tinha mais aquele ar calmo. O dever também estava chamando ela.

- Você também tem que ir, né? -falei baixo, passando a mão pelas costas dela.

- Rio de Janeiro me espera… -ela suspirou, sem se mover.- Tenho que gravar um programa à tarde, marcar presença em um evento à noite. E você?

- Manaus. Show mais tarde.

- A gente nunca tá na mesma cidade por muito tempo, né?

- Mas ontem… a gente esteve. E isso valeu muito.

Ela finalmente se sentou na cama, puxando o lençol pra cobrir o corpo, e me olhou. O cabelo todo bagunçado, o rosto sem maquiagem, e mesmo assim, eu nunca tinha achado ela tão linda.

- Foi especial, Luan. Mesmo. Eu precisava disso mais do que imaginava.

- Eu também. -me aproximei e toquei o rosto dela.- A gente se deve pelo menos uma despedida digna, né?

Ela sorriu, triste. Me beijou, demorado. Sem pressa. Daqueles beijos que tentam dizer o que nenhuma palavra consegue.

Depois disso, começamos a nos arrumar em silêncio. A conexão que rolou entre a gente ainda tava ali, mas o mundo batia na porta.

Me vesti rápido, enquanto ela foi pro banheiro. Quando saiu, já estava com o cabelo preso, maquiagem leve, e aquele look impecável que só ela sabia montar. E mesmo assim, o olhar dela me dizia que preferia estar em qualquer outro lugar do que saindo daquele quarto.

No hall do hotel, nossas equipes já estavam nos esperando. Nos despedimos com um último abraço apertado, sem promessas, sem rótulos.

Apenas com um sentimento guardado ali, só nosso.

No carro, a caminho do aeroporto, abri o TikTok pra distrair a mente.

O primeiro vídeo na For You fez meu coração parar por um segundo.

Um fã-clube tinha postado uma montagem com cenas da noite anterior: Marina no camarim, a gente sorrindo lado a lado enquanto tirávamos fotos, ela curtindo o show no canto do palco…

E tudo isso embalado pela voz de Jorge e Mateus, cantando no fundo:

E ali, no meio de tanta correria, show, distância e saudade... eu só consegui pensar: o mundo é pequeno demais pra gente não se cruzar de novo.

E talvez, quando isso acontecer… a gente já esteja prontos.

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