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Capítulo 76

Justin Narrando

Mais uma noite de show. Mais uma cidade, mais um palco, mais fãs gritando meu nome, mais luzes me cegando enquanto a música toma conta de tudo. Era estranho... eu sempre amei isso, viver em turnê, me conectar com as pessoas através da música. Mas, ultimamente, mesmo com tudo isso, parecia que algo — ou alguém — me faltava.

Depois do show, fui direto pro camarim. Meu cabelo estava molhado de suor, e eu só queria um banho e uma cama. Tirei a camiseta e joguei num canto, quando ouvi baterem na porta.

- Entra! -gritei, sem muito ânimo.

Pra minha surpresa, era Maya.
Ela entrou com aquele jeito todo cheio de atitude, usando um casaco oversized, os cabelos num coque bagunçado e uma expressão determinada.

- Boa performance lá fora, Bieber. -ela disse, cruzando os braços.

- Maya?! Que surpresa! -falei, meio confuso, secando o rosto com uma toalha.- O que tá fazendo aqui?

- Vim cobrar uma dívida. -ela sorriu, mas era aquele tipo de sorriso que deixava claro que ela não estava brincando.

- Dívida?

- A música. “Heart on Fire”, lembra dela? A que gravamos há meses e nunca lançamos. A gente prometeu lançar. E adivinha? Já passou da hora.

- Eu sei... -suspirei, sentando no sofá.- É só que... muita coisa aconteceu. Minha vida virou de cabeça pra baixo. Término, gravidez... minha cabeça não parava um segundo.

- E você acha que a minha tava tranquila? -ela rebateu.- Eu tive três campanhas publicitárias, terminei com o meu ficante, viajei pra Europa, e ainda assim... eu não esqueci da música. Sabe por quê?

- Porque você é determinada demais?

- Porque ela é boa demais pra morrer no HD de alguém. -ela disse, se aproximando e sentando ao meu lado.- Eu quero lançar essa música, Justin. Com clipe. Com divulgação. Com tudo. Ela tem potencial.

Eu fiquei em silêncio por um momento. Ela tinha razão. Aquela música era realmente forte. Nós tínhamos criado algo bonito, íntimo, intenso. E mesmo que a minha cabeça estivesse cheia de Bruna e tudo ao redor dela, eu também tinha uma carreira. E devia isso à Maya... e a mim mesmo.

- Tá certo. Vamos lançar. -falei, finalmente.

- Jura? -ela perguntou, animada.

- Juro. A gente marca a gravação do clipe essa semana. Posso encaixar isso antes dos próximos shows.

- Agora sim, você tá falando minha língua. -ela disse, batendo palmas.

Ela de repente passou os dedos no meu braço, como quem "sem querer" me tocava, e falou:

- Sabe... agora que você tá solteiro, acho que a gente devia comemorar o lançamento da música de uma forma mais... pessoal.

Eu sabia o que ela queria dizer. Maya sempre foi direta. Mesmo quando eu tava com a Bruna, ela não escondia que queria algo mais — mesmo que eu fingisse não perceber.

- Maya... -comecei, tentando ser racional, mas ela me interrompeu, rindo.

- Relaxa, Bieber. Tô falando sério. A gente tem química. Isso é óbvio. Aquela música que a gente gravou... aquilo não nasceu do nada. Você sentiu também, não sentiu?

Fiquei em silêncio. A lembrança da noite da gravação invadiu minha mente. As luzes baixas do estúdio, a proximidade, os sorrisos trocados... sim, eu senti. Só nunca quis admitir. Eu amava a Bruna.

Mas agora? Agora tudo era diferente. 

Maya se aproximou mais. Estava perto demais. Colocou a mão no meu rosto e me olhou nos olhos. 

- Só essa noite, Justin. Sem promessas. Só... a gente.

Não sei se foi o momento, o calor do pós-show, ou o fato de que eu queria esquecer tudo — mas eu cedi.

Encostei meus lábios nos dela. Primeiro devagar, testando. Mas ela aprofundou o beijo com pressa, com vontade. E eu correspondi. A química era real, e era intensa.

A noite terminou no meu hotel. A gente riu, bebeu um pouco, e ficou juntos. Foi rápido, louco, impulsivo. E quando tudo terminou, Maya deitou ao meu lado, como se aquilo fosse normal, rotineiro.

Mas pra mim... não era.

Porque mesmo ali, com ela, o nome da Bruna não saía da minha cabeça.

Acordei com a cabeça meio pesada, e não só pelo vinho da noite anterior. Maya já tinha ido embora, deixou só um bilhete com um coração desenhado e um "ontem foi divertido". Típico dela.

Tomei um banho rápido e fui direto pro estúdio. Hoje era dia de reunião com o Scooter e o time da gravadora. A música com a Maya estava praticamente pronta, só faltavam alguns ajustes finais e... a estratégia de lançamento.

Sentei na sala de reunião, tentando focar. Scooter abriu um sorriso assim que entrei:

- E aí, Bieber. Dormiu bem?

Ignorei o tom sugestivo da pergunta e só assenti com a cabeça. Ele pegou o tablet e passou os slides da apresentação.

- Seguinte, a gente acredita que tem potencial pra viralizar sua música com a Maya 

- Aham... -murmurei, cruzando os braços.- E qual é o plano?

Scooter me olhou por cima dos óculos.

- A gente quer retomar aquela ideia que te apresentei meses atrás. O namoro fake.

Revirei os olhos, já imaginando.

- Cara, a gente já conversou sobre isso. Eu não curto essa parada. Lá atrás eu neguei porque tava com a Bruna. Não fazia sentido.

- E agora você tá solteiro. -ele rebateu, direto.- Não precisa ser nada escandaloso. Só aparições juntos, umas fotos aqui e ali, fingir que estão se conhecendo melhor. Isso gera engajamento, views, aumenta as reproduções da música. Você sabe como funciona.

Suspirei, passando a mão pelos cabelos.

- E a Maya tá de boa com isso?

- Tá mais do que de boa. Aliás, ela sugeriu isso de novo. Disse que vocês combinam, e que é a hora perfeita pra fazer isso acontecer. -fiquei um tempo em silêncio, pensando.- Agora é a sua vez de cuidar da sua carreira. E se isso for bom pra música, pra sua imagem... por que não?

Olhei pra mesa, pensando em tudo. Maya era bonita, talentosa, tinha química comigo. Mas não era a Bruna. Nem de longe.

Mesmo assim, assenti.

- Tá. Vamos fazer isso. Mas com limites. Só profissional, entendeu?

Scooter sorriu satisfeito, como quem acabava de fechar um ótimo negócio.

- Pode deixar. Vamos marcar as primeiras aparições juntos. E parabéns, Bieber... você vai estar em todas as manchetes.

Saí dali com um gosto amargo na boca. Era isso que eu queria?

Ou só tava tentando fingir que o coração não doía toda vez que pensava nela?

Não tinha show naquela noite. A agenda estava, por milagre, livre. E tudo que eu queria era ouvir a voz que sempre me colocava no eixo.

Peguei o carro ainda em Washington, botei um boné, e dirigi por horas até Nova Jersey. Estava exausto, com a cabeça girando em mil direções, mas ver minha mãe era o que eu precisava.

Quando estacionei em frente à casa dela, Pattie já estava na varanda, como se soubesse que eu apareceria. Charlie apareceu logo atrás, com o uniforme de chefe de polícia ainda parcialmente desabotoado.

- Filho! -ela desceu os degraus e me puxou pra um abraço apertado.- O que você tá fazendo aqui a essa hora?

- Queria te ver. Precisava conversar. -murmurei contra seu ombro.

Charlie sorriu e me deu um tapinha nas costas.

- Quer que eu dê um tempo pra vocês dois?

- Seria ótimo, Charlie. -minha mãe respondeu por mim, já me puxando pra dentro da casa.

Fomos pra cozinha, como sempre. O cheiro de canela e chá fresco me fez lembrar dos dias tranquilos da infância, antes da fama, antes da loucura toda.

Sentei à mesa e ela logo me serviu uma caneca.

- Tá acontecendo alguma coisa, Justin?

Suspirei fundo, encarando o vapor subindo da xícara.

- Scooter quer lançar a música com a Maya... e quer que a gente finja estar juntos. Tipo... namoro de mentira, pra promover.

Ela arqueou as sobrancelhas, mas não disse nada.

- Eu sei que é marketing. Eu sei como funciona. Mas... -suspirei.- eu tô com medo, mãe. Medo do que a Bruna possa pensar. A gente não tá mais junto, mas... ela ainda carrega o meu filho, sabe?

Pattie assentiu, paciente.

- Você ainda a ama?

- Muito. E acho que ela ainda me ama também. Mesmo com tudo. Só que... isso pode magoar ela. Pode ser a gota d’água. E eu não tô pronto pra perdê-la de vez.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, depois colocou a mão sobre a minha.

- Filho... o que você sente por ela é verdadeiro. E eu sei que o que ela sente por você também é. Mas vocês estão com a confiança abalada, confusos... e têm um bebê a caminho. Isso muda tudo.

- Eu não quero que ela ache que eu superei. -falei num sussurro.- Porque não superei. A Bruna é... tudo, mãe. Ela é minha família. Ela vai ser a mãe do meu filho. E se eu me envolver, mesmo que falsamente, com outra pessoa... eu tenho medo que ela feche o coração de vez.

- Então você precisa pensar se essa música vale isso tudo. -ela respondeu, firme.- Porque o sucesso vem e vai, Justin. Mas perder alguém que você ama de verdade... isso pesa a vida inteira.

Fiquei quieto, olhando o chá na xícara, esfriando devagar.

- Obrigado, mãe.

Ela sorriu, acariciando minha mão.

- Sempre que precisar lembrar o que realmente importa... vem aqui. E escuta o seu coração. Porque eu conheço o meu filho. E ele é bom. Só tá com medo de errar de novo.

Assenti, sentindo um nó na garganta. Talvez fosse isso mesmo. Medo de errar. Medo de perder. E, acima de tudo, medo de ver a Bruna se afastar de vez... com nosso filho nos braços.

O céu lá fora já começava a escurecer devagar, aquele clima de fim de tarde aconchegante. Eu estava mais calmo depois de conversar com ela, mas ainda pensativo. Mexia distraidamente na caneca quando minha mãe me olhou com aquele jeito de quem já estava bolando um plano.

- Justin... e se você trouxesse a Bruna aqui?

A levantei os olhos, surpreso.

- Aqui? Tipo... agora?

- Não precisa ser hoje, claro. Mas nos próximos dias. -ela sorriu de lado.- Ela deve estar entediada, ainda mais agora com as férias de verão. E ela não pode pegar um avião pro Brasil com a barriga desse tamanho...

- É... a médica proibiu viagens longas já.

- Então! -ela se animou.- Trazer ela aqui pode ser bom pra ela, filho. Vai ter companhia, vai sair um pouco de casa, mudar de ares. Ela deve estar carente de gente por perto, especialmente alguém mais velho pra conversar. E olha... se ela quiser, pode até conversar comigo sobre maternidade. Afinal, ela tá carregando um mini Bieber... e eu sei bem como é isso.

Soltei um riso abafado, ainda com o coração apertado.

- Eu não sei se ela aceitaria... a gente tá... numa fase meio delicada, sabe?

- Justamente por isso. Talvez esse convite seja o que ela tá precisando. Sem pressão, sem drama... só um lugar tranquilo, com gente que quer o bem dela. E eu adoraria sentar com ela e conversar como futura avó do bebê dela.

Olhei pra minha mãe, e por um instante, vi ali mais do que a mulher forte que me criou. Vi a avó pronta, aberta, e alguém que queria estar presente, não só por mim, mas por Bruna também. E eu sabia que Bruna se sentiria acolhida por ela, mesmo que no começo tentasse bancar a durona.

- Eu vou pensar em como convidar ela... -falei, com um pequeno sorriso.- Sem parecer que é cilada.

Minha mãe riu.

- Diz que é pela comida. Que vai ter lasanha. Nenhuma grávida recusa lasanha.

Ficamos em silêncio por um instante, só ouvindo o som do relógio de parede e do vento lá fora. E eu desejei, de verdade, que Bruna aceitasse. Talvez essa viagem fosse o que a gente precisava pra reencontrar um caminho... mesmo que fosse devagar, mesmo que fosse só como amigos.

Mas no fundo, eu sabia. Eu ainda amava Bruna. E algo me dizia que ela ainda me amava também.

No outro dia...

Peguei a estrada de Nova Jersey até Nova York com as janelas semiabertas, o vento quente do fim de junho entrando e bagunçando meu cabelo. O verão finalmente tinha chegado com força. A playlist no carro era tranquila, só música boa pra tentar aliviar a tensão no peito. Mesmo com o ar entre nós mais leve, Bruna ainda era território delicado.

Quando estacionei em frente ao prédio dela, respirei fundo. Subi até o andar dela e toquei a campainha. Bruna abriu a porta com aquele barrigão lindo, de shorts larguinho e uma camiseta leve. O cabelo preso num coque malfeito e o rosto sem maquiagem. E mesmo assim, linda.

- Hey. -ela sorriu, encostada na porta.- Que surpresa.

- Oi, baby. -sorri também.- Tô atrapalhando?

- Claro que não. Entra. -ela se afastou e me deixou passar.

O apartamento estava fresquinho com o ar-condicionado ligado e cheiro de fruta cortada. Tinha uma tigela com melancia na mesinha de centro.

- Tá tudo bem? -ela perguntou, sentando-se devagar no sofá.

- Tá sim. Vim te ver. E... te fazer um convite. -sentei ao lado dela.- Falei com a minha mãe ontem.

Ela riu de leve. 

- Awn, eu gosto dela. Ela é incrível. E o Charlie também.

- Pois é. Ela teve uma ideia… achou que talvez você pudesse ir passar uns dias lá com ela. Lá em Nova Jersey. -falei devagar.- Disse que deve estar entediada, e que seria bom pra você conversar com alguém, mudar de ares…

Ela ficou pensativa por alguns segundos.

- Eu ia adorar conversar com sua mãe. E... não tenho mesmo muita coisa pra fazer aqui. Só consultas e repouso. Talvez... um fim de semana fora seja bom.

Meu coração deu um pulo.

- Sério? Você aceita?

- Aceito. -ela deu de ombros, com aquele jeito calmo.- Desde que Pattie esteja fazendo aquela limonada caseira dela.

- Ela vai amar saber disso. -sorri, genuinamente aliviado.

3 dias depois...

Sexta-feira, 26 de Junho de 2026

Estacionei em frente ao prédio da Bruna de novo, mas dessa vez com um sentimento diferente. Não era uma visita rápida, era quase uma viagem. E mesmo que o clima entre a gente estivesse mais leve, eu sabia que essa proximidade podia mexer com tudo de novo. Mas, sinceramente? Eu queria isso.

O porteiro já me conhecia, então sempre liberava minha entrada. Quando a porta se abriu, Bruna já estava com uma mala pequena ao lado da porta. Usava um vestido longo e leve, estampado em tons pastel, e os cabelos soltos caíam pelos ombros. Estava linda. E muito grávida.

- Pronta? -perguntei, tentando não sorrir demais.

- Prontíssima. -ela respondeu, pegando a bolsa de mão.

- Deixa que eu levo a mala. -peguei a alça e segui com ela até o elevador.- Você tá bem? Dormiu bem essa noite?

- Até que sim. Jack ficou bem agitado, mas consegui descansar. Tô animada pra ver sua mãe.

- Ela também tá super animada pra te ver. Tá toda empolgada preparando o quarto de hóspedes e comprando besteiras que você gosta.

Bruna riu, já dentro do elevador. 

- Tipo cereal de chocolate e morango fresco?

- Exatamente esses. E bolacha Oreo.

- Ai meu Deus, vou engordar mais ainda nesse fim de semana. -ela deu um risinho gostoso.

No carro, liguei o ar, coloquei uma playlist calma — John Mayer, Shawn Mendes, Ed Sheeran — e seguimos viagem tranquilos. Minha mãe já tinha mandado mensagem dizendo que o almoço estaria pronto quando chegássemos.

Assim que estacionamos, minha mãe já estava na porta, sorrindo. Charlie apareceu atrás, acenando.

- Oi, meu amor! -Pattie veio direto na direção da Bruna e a abraçou com cuidado.- Que saudade de você, meu Deus! Olha esse barrigão!

- Oi, Pattie! -Bruna sorriu largo.- Tava com saudade também.

- Vem, entra! A casa é sua. Já preparei tudo, espero que goste.

Charlie me deu um tapinha nas costas, me chamando de “moço responsável” e riu. Bruna se sentiu em casa imediatamente, e isso me trouxe um alívio que eu nem sabia que tava carregando.

A casa estava calma, com aquela luz dourada entrando pelas janelas e o cheirinho de lasanha ainda no ar depois do almoço. Charlie tinha saído pra resolver algo no trabalho, e minha mãe tinha convidado a Bruna pra tomar uma limonada na varanda dos fundos. Eu disse que ia tomar um banho rápido, mas acabei não indo. Quando passei pelo corredor, ouvi a voz da minha mãe chamando Bruna com aquele tom doce e acolhedor:

- Vem, querida, vamos lá fora conversar um pouco. Quero falar fom você de mãe pra mãe.

Meu coração disparou. Eu hesitei por um segundo… e fui até a porta entreaberta da cozinha, que dava pro quintal. Fiquei ali, parado, sem fazer barulho. Eu sabia que era errado escutar, mas... eu precisava. Precisava ouvir da Bruna o que ela sentia. Precisava saber se ainda havia alguma esperança.

Elas estavam sentadas nas cadeiras de madeira sob o toldo, a barriga da Bruna bem em evidência sob o vestido. Ela segurava um copo da limonada, enquanto minha mãe sorria de forma carinhosa pra ela.

- E como você tá? -minha mãe perguntou.- De verdade, Bru?

Bruna suspirou, olhando pro horizonte. 

- Tô... tentando ficar bem. Tem dias que são mais difíceis. Às vezes eu sinto falta de ter o Justin do meu lado. Às vezes eu fico com raiva. Outras vezes, eu sinto que ele ainda tá comigo, sabe?

Aquilo me pegou de jeito. Meu peito apertou.

- E você ainda ama ele? -minha mãe perguntou, direto, mas com gentileza.

Bruna olhou pra barriga, acariciando com calma. 

- Eu nunca deixei de amar. Mesmo quando ele duvidou de mim, mesmo quando me olhou com aquele olhar de desconfiança, como se eu fosse outra pessoa… Eu entendi. Dói até hoje, mas eu entendi.

- Ele sofreu muito também, Bruna. Ele se sente culpado até agora. -minha mãe disse, com a voz baixa.

- Eu sei. E eu nunca traí ele. Aquilo… aquilo foi uma droga. -Bruna abaixou a cabeça, a voz saindo falhada.- Foi tudo por água abaixo.

Minha garganta fechou. Me doeu ouvir aquilo.

- Só que... -Bruna continuou.- Se fosse o contrário, se eu tivesse visto uma menina beijar ele, mesmo que fosse sem querer... eu acho que também surtaria. Não sei se teria conseguido confiar. Então, com o tempo, eu entendi o lado dele também.

- Isso mostra que você amadureceu, meu amor. -minha mãe tocou na mão dela.- E também mostra que o amor que vocês viveram foi real. O Jack é fruto disso. Não se esquece disso nunca.

- Eu não esqueço. -Bruna disse com os olhos marejados.- Mas às vezes tenho medo de que, mesmo amando, a gente nunca mais consiga se encontrar de novo do mesmo jeito.

Aquilo bateu fundo. Me escondi de novo na cozinha, encostando na parede, sentindo o nó na garganta se formar. Parte de mim queria sair ali mesmo e dizer que eu ainda a amava, que faria tudo diferente se pudesse. Mas a outra parte… só queria deixá-la terminar a limonada em paz.

Esperei mais alguns segundos encostado na parede da cozinha, respirando fundo pra tentar disfarçar tudo que tava borbulhando dentro de mim. O coração ainda batia acelerado. Aquele nó na garganta ainda tava ali, firme. Mas respirei mais uma vez, passei a mão no cabelo e caminhei em direção à varanda tentando parecer o mais casual possível.

- E aí, tão conspirando contra mim aí fora? -brinquei com um sorrisinho leve, apoiando o ombro na porta.

As duas olharam na mesma hora. Minha mãe sorriu e Bruna... Bruna também. Mas o sorriso dela foi mais contido, meio tímido, como se estivesse imersa nos próprios pensamentos.

- Só conversando sobre maternidade e coração. -minha mãe respondeu com aquele olhar de "eu sei mais do que você pensa", e se levantou.- Vou ligar para o Charlie e ver se ele vem pro jantsr. Vou deixar vocês dois um pouco.

Ela saiu nos dando um último olhar significativo, como quem joga a bomba e vai embora. Me aproximei da Bruna devagar, sem pressa, sentando ao lado dela na outra cadeira de madeira. Ficamos em silêncio por uns segundos, só ouvindo o som das folhas balançando com o vento e um passarinho cantando ali perto.

- Tá calor, né? -soltei, tentando parecer relaxado.

Ela riu baixo, olhando pra frente. 

- Tá, mas é um calor gostoso. Nada comparado com o calor do Brasil.

Assenti, sorrindo de leve. 

- É... e aqui tem a limonada da minha mãe, que também ajuda.

Ela olhou pra mim de lado, com aquele jeitinho calmo que sempre teve quando não queria parecer tão transparente. Mas eu sabia que ela tava mexida. E eu também tava.

- Você tá bem aqui? -perguntei mais baixo.

Bruna assentiu. 

- Tô. Sua mãe é incrível, Justin. E me fez bem sair de casa, ver gente, conversar. Eu tava precisando.

- Que bom... -murmurei, encarando minhas próprias mãos antes de levantar os olhos pra ela.- Eu sei que não tenho mais direito de pedir nada, mas... fico feliz que tenha vindo.

Ela me encarou por um segundo, como se quisesse dizer algo, mas apenas assentiu com a cabeça.

Ficamos em silêncio de novo. Mas não era desconfortável. Era um silêncio cheio de coisa não dita. De histórias, dores, amor.

E mesmo fingindo que eu não tinha ouvido nada da conversa dela com minha mãe, cada palavra dela tava ecoando na minha mente. Principalmente aquela parte: “Eu nunca deixei de amar.”

Meu coração tava segurando essa frase como um presente precioso. E eu sabia... mais cedo ou mais tarde, eu ia precisar falar o que sentia também.

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