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Capítulo 73

Marina Narrando

Sexta-feira, 13 de Março de 2026

Eu acordei com o coração apertado e cheio. Parece confuso, né? Mas é que esse dia sempre teve um significado diferente pra mim. É aniversário da Bruna… e do Luan.

Enquanto eu arrumava minha mochila pra passar uns dias em Nova York, coloquei meu celular pra tocar uma playlist antiga. No meio dela, começou a tocar “Sinais”. Fechei os olhos por uns segundos e respirei fundo. Quis pular a música, mas deixei tocar. Por mais que doesse, parte de mim ainda sorria com as lembranças.

Cheguei em NY no fim da tarde e fui direto pro apartamento da Bruna. Combinamos de fazer uma festinha do pijama entre amigas pra comemorar os 20 anos dela. Eu, Bruna, Virgínia e Olívia. Só a gente. Sem dramas, sem homens, sem passado batendo à porta.

- Finalmente! -Bruna me recebeu com um abraço apertado, aquele que só melhores amigas sabem dar.- Tava contando os minutos!

- Parabéns, sua linda! -falei, entregando a sacolinha com o presente dela.- Um presentinho especial pro primeiro aniversário como futura mamãe.

Ela sorriu, colocando a mão na barriga, que já começava a marcar de leve. A Olivia correu pra me abraçar também, e a Virgínia apareceu na cozinha, já com um pote gigante de pipoca.

- Já fizemos brigadeiro, já abrimos refrigerante e já decidimos o filme: drama adolescente com uma pitada de boy bonito e decisões erradas. -Virgínia falou, rindo.

Eu deixei minha mochila no canto da sala e me joguei no sofá com elas. A sala do apartamento da Bruna tava com almofadas no chão, luzes de pisca-pisca e uma vela de “20” em cima de um bolo improvisado que a Olivia trouxe de uma doceria ali perto.

A gente passou horas falando besteira, revivendo histórias da Columbia, lembrando das noites no refeitório, das crises antes das provas, dos crushes que nunca deram certo. Era tudo tão bom... tão leve. Eu precisava disso.

Mas entre uma risada e outra, meus olhos pararam em uma fotinho no aparador: Bruna e Luan, ainda pequenos, na frente da casa da avó deles, no Brasil. Me pegou desprevenida. A dorzinha veio, mas eu disfarcei com um gole de refrigerante e um comentário idiota sobre um ator do filme.

Bruna me olhou como quem sabia.

- Você mandou mensagem pra ele? -ela perguntou baixinho, no meio de um momento de silêncio.

- Mandei. Foi simples. Mas… foi de coração. -respondi, encostando a cabeça no ombro dela.- E você? Como tá?

- Confusa. -ela riu.- Feliz com a gravidez, mas ainda aprendendo a lidar com tudo. Com a distância. Com o coração meio bagunçado.

- É, amiga… acho que a gente tá tudo meio assim, né? Mas pelo menos temos umas às outras.

Ela assentiu. E naquele instante, naquela sala cheia de cheiro de pipoca e creme de rosto, com nossas meias coloridas e travesseiros jogados no chão, eu me senti parte de algo bonito. Mesmo com o coração um pouco remendado.

[...]

Já passava de duas da manhã. As luzes piscando ainda davam um clima fofo na sala, mas a pipoca já tinha acabado e o filme estava nos créditos finais. Olivia roncava baixinho com a cabeça no colo da Virgínia, e Bruna tinha ido escovar os dentes. Eu fiquei ali, olhando pro teto.

Não tava com sono.

Peguei o celular, só por pegar, sem nem saber o que queria ver. Abri o Instagram e, no reflexo, fui direto nos stories do Luan. Ele tinha postado há umas duas horas. Um vídeo curto, ele no camarim, a legenda dizendo “Mais um pra conta. Obrigado, Salvador”. 
Ele tava sorrindo. Aquele sorriso que sempre me desmontava. Dei play. A voz dele ao fundo me deu um arrepio.

Voltei pro meu perfil. Minha notificação mais recente era uma curtida dele na minha foto com Bruna de hoje. 

marinabieber Celebrando a vida dela e da nova vida que tá chegando. Sempre estarei aqui por vocês ❤️ @brusantanareal 

Ver a curtida dele... me pegou de um jeito.

Bruna voltou da escova de dente e se jogou ao meu lado no colchão, puxando a coberta até o pescoço.

- Insônia também? -ela perguntou, me olhando com um sorriso cansado.

Assenti.

- Pensando? -ela continuou.

- Tentando não pensar. -respondi, sincera.- Mas a cabeça não obedece.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, e depois me soltou:

- Ele sente sua falta.

Virei o rosto devagar pra ela.

- Como você sabe?

- Porque ele não é bom em disfarçar. Nem você.

Eu sorri, triste.

- E você? -perguntei.- E o Justin?

Bruna suspirou, abraçando um travesseiro.

- Tem momentos que parece que ainda somos aquele casal de quando nos conhecemos. Outros… é como se a gente fosse dois estranhos que compartilham um segredo precioso chamado Jack.

Ficamos quietas de novo. E então eu soltei, meio sem pensar:

- Eu ainda amo o Luan.

Ela virou o rosto, me olhando com carinho.

- Eu sei. E ele ainda ama você também. Mas às vezes, o amor sozinho não resolve tudo, né?

Fechei os olhos, deixando uma lágrima escorrer.

- Eu queria que resolvesse.

Bruna esticou o braço e pegou minha mão.

- Talvez ainda resolva. Só… não agora.

Apertei os dedos dela e respirei fundo. Talvez. Quem sabe.

Algumas semanas depois...

Estávamos todos sentados lado a lado, em frente a uma fileira de microfones. Luzes fortes, câmeras por todo lado, vozes cochichando entre os jornalistas. Era a coletiva de imprensa de Minha Culpa, nosso filme que estrearia em menos de vinte e quatro horas. O primeiro filme da minha vida.

Eu estava ali com Victor, o diretor Domingo González, os produtores e outros atores do elenco. Na frente, uma grande tela mostrava o pôster oficial do filme — eu e Victor, frente a frente, numa tensão quase explosiva que agora eu sabia reproduzir com mais naturalidade do que gostaria de admitir.

Sorri para a plateia, mantendo a compostura. Por dentro, minhas mãos suavam. Não por nervosismo, exatamente. Mas por... tudo.

A primeira pergunta foi para o diretor, sobre o processo de gravação e os desafios da adaptação do livro. Ele falou com entusiasmo, elogiando a equipe e o elenco, destacando a química dos protagonistas. Me senti corar.

Victor, do meu lado, parecia tranquilo. Tão natural em frente às câmeras. Ele virou para mim com aquele sorriso de canto que ele usava quando queria me fazer rir, e eu me forcei a manter o foco.

Logo veio uma pergunta direcionada a nós dois:

- Marina, Victor… vocês são novos no cinema. Esse é o primeiro projeto de ambos. Como foi a experiência de dar vida a personagens tão intensos como Noah e Nick? E como estão se sentindo agora, na véspera da estreia?

Peguei o microfone antes dele.

- Bom… foi tudo muito novo. -comecei, respirando fundo.- Estar num set de filmagem, com câmeras e marcações tão precisas, foi um desafio enorme pra quem participava de peças pequenas no colégio. Mas também foi libertador. A Marina de dois anos atrás nunca imaginaria estar aqui hoje. E a Noah… ela me ensinou muito. A confiar mais em mim, a enfrentar o que dói. Eu tô nervosa com a estreia, claro, mas também tô orgulhosa. A gente se jogou de corpo e alma nesse filme.

Victor assentiu, e depois pegou o microfone também:

- Realmente, estar na frente das câmeras foi um susto no início. Mas a Marina me ajudou muito. A gente aprendeu junto, cresceu junto… e acho que isso vai dar pra sentir no filme. Nick e Noah são intensos, complicados, mas verdadeiros. Assim como foi nosso processo.

O diretor sorriu, satisfeito com nossas respostas. Outras perguntas vieram, sobre bastidores engraçados, cenas mais difíceis, se tinha rolado improviso ou não.

Enquanto Victor falava sobre a cena das corridas de carro, eu fiquei observando tudo.

O barulho dos flashes, a movimentação dos jornalistas, os olhos curiosos tentando captar qualquer coisa além do que estávamos dizendo.

E por um instante, imaginei o Luan assistindo tudo isso de longe. Será que ele veria a entrevista? Será que ele lembrava que era amanhã?

Respirei fundo. Amanhã seria um grande dia. Pro filme. Pra mim. E talvez… pra minha história com ele também.

Eu já estava começando a relaxar. As perguntas estavam fluindo bem, o clima era leve, os jornalistas riam das histórias dos bastidores, e até a tensão de estar ali do lado do Victor, com tantas câmeras nos encarando, parecia estar se dissolvendo.

Mas aí veio ela.

Uma jornalista de blazer vermelho vibrante, com o cabelo preso num coque impecável e um sorriso que eu logo entendi não ser tão amigável assim.

Ela se levantou com o microfone em mãos e perguntou:

- Marina… a gente sabe que o cinema mexe muito com as emoções dos atores, especialmente quando há cenas tão intensas como as do seu personagem com o Nick. A química de vocês realmente chamou a atenção no trailer. Inclusive… tem circulado nas redes sociais que o fim do seu relacionamento com o cantor Luan Santana teria relação com essa aproximação com o Victor. O que você tem a dizer sobre isso?

Silêncio.

Victor olhou pra mim, claramente desconfortável. O diretor franziu o cenho e uma das assessoras de imprensa se adiantou pra talvez cortar a pergunta. Mas eu levantei a mão, pedindo calma.

Peguei o microfone. Senti meu coração bater mais forte. Eu sabia que uma hora isso viria.

- Olha… -comecei, mantendo o tom firme.- Eu entendo a curiosidade. Entendo que as pessoas criem suposições quando vêem algo intenso na tela. Mas confundir profissionalismo com vida pessoal é injusto. O Victor é um colega de trabalho incrível, e nós nos respeitamos muito. Trabalhamos duro pra dar vida a Noah e Nick, e foi só isso.

Parei por um segundo. Poderia encerrar por aí. Mas não consegui.

- Sobre o meu relacionamento com o Luan… foi uma história linda. Uma parte muito importante da minha vida. Mas nem tudo precisa de um culpado ou de um escândalo. As pessoas crescem, mudam, às vezes seguem caminhos diferentes. E isso não tem nada a ver com o que foi vivido nesse filme. Então, por favor… respeitem isso.

Algumas pessoas aplaudiram discretamente. Vi o diretor me lançar um olhar de apoio. Victor assentiu, visivelmente aliviado. A jornalista recuou, ainda com aquele sorrisinho, mas sem resposta.

Me ajeitei na cadeira. Eu estava tremendo por dentro. Mas lá fora, parecia inabalável. E, por um instante, senti que talvez eu estivesse pronta pra essa nova fase da minha vida.

A coletiva finalmente tinha terminado. Eu saí do palco sorrindo, acenando, agradecendo os flashes e os gritos do meu nome com aquele mesmo profissionalismo que fui treinada a ter… mas por dentro, eu só queria um minuto de silêncio.

Me despedi do Victor com um aceno e um "bom trabalho" trocado no olhar. Caminhei até uma salinha reservada onde deixei minhas coisas, tirei os saltos e me joguei no sofá com um suspiro cansado.

Peguei meu celular. Tinha várias mensagens. Mensagens da Olivia e da Virgínia elogiando minha resposta, algumas directs de desconhecidos dizendo que fui elegante, e até uma mensagem da minha mãe com um simples: “Orgulho de você, filha.”

Mas foi quando vi o nome dele… que meu coração apertou.

"Assisti agora a coletiva. Vi a sua resposta… E precisava dizer: você foi incrível. Corajosa. Justa. E elegante, como sempre. Me senti orgulhoso de você."

Fiquei olhando pra mensagem por uns bons segundos.

A forma como ele falava… ainda tinha algo ali. Uma ternura escondida entre as palavras. Uma familiaridade que só quem já dividiu tantos sorrisos e segredos poderia ter.

Meus dedos pairaram sobre o teclado.

"Obrigada por ter assistido… e por ter dito isso. Eu tava tremendo por dentro."

Enviei. Sem pensar muito. Porque com o Luan, era difícil pensar. Eu só sentia.

E antes que eu pudesse sair do aplicativo, vi que ele já estava digitando.

"Se você tava tremendo por dentro, ninguém percebeu. Você segurou firme. Eu te conheço… sei que algumas palavras ali te machucaram. Mas você foi gigante."

Sorri. Um sorriso triste, talvez. Porque era isso que a gente era agora: lembranças trocadas por mensagem, carinho embrulhado em silêncio.

E então, veio mais uma.

"Eu senti sua falta. Não só hoje. Mas vendo você ali… sendo você. Me deu uma saudade absurda do ‘nós’."

Meus olhos encheram. Eu não sabia se era o cansaço, o peso da coletiva, ou só a saudade falando mais alto. Mas naquele instante, eu quis estar com ele. Nem que fosse só pra dizer que, mesmo tentando seguir, parte de mim ainda era dele.

Respondi.

"Eu também senti. Às vezes parece que tá tudo resolvido aqui dentro, mas aí você aparece e bagunça tudo de novo…"

Pauso. Mas continuo.

"Obrigada por me ver. Por me sentir. Mesmo de longe."

E então, a mensagem que me fez fechar os olhos e respirar fundo:

"Se algum dia a gente se encontrar de novo, sem perguntas, sem culpa… só com saudade e vontade… será que ainda daria certo?"

Eu não respondi na hora.

Porque talvez… a gente ainda precise se encontrar mais uma vez. Na hora certa. No lugar certo. Ou no olhar de um filme que termina com reticências — e não com ponto final.

Demorei alguns minutos, respirei fundo e respondi.

"Eu não sei… Mas às vezes eu sonho com esse encontro. Às vezes eu fecho os olhos e quase consigo ouvir sua risada no meu ouvido."

Luan respondeu quase na hora.

"Eu ainda escuto a sua. Ainda ouço você cantarolando aquela música do Coldplay… aquela que dizia que mesmo se o mundo acabasse, a gente ainda dançaria."

Sorrio, os olhos marejam. A lembrança daquela música era só nossa. E ele lembrar… me destruiu por dentro, no melhor sentido.

"É, ‘Us Against the World’… Eu vivia cantarolando, achando que a gente era mesmo invencível."

"Talvez ainda sejamos. Só precisamos parar de lutar contra a gente."

Fecho os olhos. Meu coração tava gritando. Mas ainda assim, respondi com cuidado.

"Eu tenho medo, Luan. De tentar e tudo desmoronar de novo."

"E eu tenho medo de não tentar… e viver uma vida inteira sentindo a sua falta."

Eu li e reli essa última mensagem umas dez vezes. Porque era tudo o que eu também sentia. Mas a vida tinha colocado a gente em lados opostos agora. Ou pelo menos… era isso que eu dizia pra mim mesma pra tentar não correr até ele.

Demorei… mas digitei.

"Vamos com calma? Sem promessas. Só… deixa eu continuar te sentindo, mesmo que de longe."

"De longe, de perto… do seu lado ou em pensamento… eu nunca deixei de estar com você."

Meu peito apertou. E naquele momento, em plena véspera da estreia do meu primeiro filme, eu sabia: o meu maior papel ainda era aquele que eu vivia fora das câmeras. E nele, Luan ainda era meu par.

No outro dia...

O voo foi cedo, e mesmo exausta da coletiva do dia anterior, a ansiedade não me deixava dormir. Eu precisava estar com as meninas. Ver o filme com elas. Sentir o apoio delas. E, se eu fosse sincera comigo mesma, também queria um pouco do colo da Bruna. Ela sempre foi meu equilíbrio.

Cheguei em Nova York por volta das dez da manhã, fui direto pro apartamento da Bruna e desabei no sofá. Ela ainda estava na faculdade, assim como a Virgínia e a Olívia, mas ela deixou um bilhete fofo pra mim na geladeira, com direito a coração desenhado e um “faz como se fosse sua casa”.

Agora já passava das cinco da tarde. As três chegaram animadas, falando todas ao mesmo tempo e rindo como se o mundo lá fora não existisse.

- Menina! A gente viu outdoor do seu filme na Times Square! -gritou Virgínia assim que entrou, jogando a mochila no chão.

- Eu tirei foto! E filmei! A Olivia quase chorou, mas fingi que não vi, tá? -completou Bruna, rindo e já indo direto pra cozinha.

- É que ficou muito lindo, vai! -Olívia se defendeu, rindo também.- E ainda tinha trilha sonora do filme. Sério, Marina, é surreal.

Meu coração apertava de orgulho, mas também de nervosismo. O filme já estava liberado na Prime Video desde madrugada. A gente só precisava conectar.

- Tá tudo pronto? -perguntei, conectando a TV no aplicativo.- Já loguei aqui na minha conta.

- Tá quase! -Bruna disse da cozinha.- Eu tô terminando o brigadeiro, a Virgínia fez a pipoca mais amanteigada do mundo, e a Olívia tá servindo os refrigerantes.

- Não se esquece dos chips! -gritou Olívia, colocando as batatinhas em uma travessa e levando tudo pra mesinha de centro.

Aquela cena parecia tirada de um filme adolescente, e talvez por isso, eu sorri sozinha. Me senti em casa. No meio do caos do meu coração, estar ali era um alívio.

Bruna veio até mim com uma colher já cheia de brigadeiro, me deu na boca e riu.

- Pro stress passar, atriz internacional. Você merece.

- Você tá usando o Jack como desculpa pra fazer tudo que tem vontade, né? -brinquei, e ela deu de ombros, rindo.

- Claro! E vocês deviam agradecer. Olívia e Virgínia nunca comeram brigadeiro! É um absurdo!

- A gente nunca teve uma Bruna grávida na nossa vida antes! -Virgínia disse, já com a tigela de pipoca no colo.

Nos ajeitamos no sofá, a luz da sala ficou mais baixa, o play foi dado e, em segundos, meu coração batia tão rápido que eu podia jurar que as meninas estavam ouvindo.

A tela escureceu e o logo da Prime Video apareceu. Um silêncio automático tomou conta da sala, só interrompido por uma risadinha da Virgínia com a boca cheia de pipoca.

A primeira cena começou, com a Noah no carro com a mãe, minha primeira cena no filme, meu primeiro diálogo, minha primeira atuação em frente às câmeras de verdade. Mas mesmo assim, meu estômago revirou como se eu estivesse vendo tudo pela primeira vez.

- Ai, meu Deus, é você! -Olívia murmurou baixinho, segurando meu braço.- Eu tô tremendo!

E eu também.

Quando minha voz ecoou pela sala, meu peito se encheu. Era estranho e mágico ao mesmo tempo me ver ali. Como atriz. Como alguém que realmente seguiu o que acreditava.

- Amiga, você tá MUITO natural. Sério, tô impressionada. -Bruna sussurrou no meu ouvido, me puxando pra um abraço lateral.

A Olívia pegou a travessa de brigadeiro no meio do filme e começou a comer com a mesma colher que a Bruna — as duas nem notaram. Estavam concentradas demais.

- Gente, essa cena da corrida! Marina, você fez essa cena chorando? Tá perfeita! -Virgínia comentou emocionada.

- Fiz. Foi bem difícil, eu juro. Mas tem uma cena mais pro final que foi mais difícil, a gente teve que repetir cinco vezes. Eu saí exausta.

- Mas essa cena ficou poderosa. E a trilha sonora... meu Deus. Você ficou maravilhosa dançando Gasolina. -Bruna comentou.

Conforme o filme avançava, meu coração ia se acalmando. As meninas estavam mesmo envolvidas. Riam nas partes engraçadas, suspiravam nas românticas, se emocionavam nos conflitos... Era isso. Era real.

Quando os créditos começaram a subir e o nome “Marina Bieber” apareceu bem grande, as três gritaram juntas.

- Nossa ESTRELA!

- QUE ORGULHO!

- Você nasceu pra isso, amiga!

E eu chorei.

Chorei porque me vi ali, do início ao fim. Porque eu consegui. Porque elas estavam comigo. Porque, mesmo com o mundo especulando, duvidando, me julgando... eu consegui fazer valer.

Bruna me abraçou de lado e disse baixinho:

- Noah e Nick foram incríveis. Mas ninguém vai superar a Marina que você tá se tornando. E não tô falando da personagem, tá? Tô falando de você.

E eu só consegui abraçá-la de volta, deixando o choro rolar.

Peguei meu celular e ele estava em colapso. Notificações de todos os lados: Instagram, WhatsApp, Twitter, até gente que eu nem falava há anos apareceu das catacumbas pra comentar.

Abri o WhatsApp, e de cara, a mensagem do meu pai:

"Filha, assisti seu filme aqui com Ashley. Estamos orgulhosos demais! Ash chorou. Você brilhou tanto. Te amamos!"

Logo embaixo, mensagem da minha mãe:

"Marina do céu! Você tá gigante! Que emoção te ver atuando assim. Chorei, vibrei, quero ver de novo amanhã!"

Não consegui conter o sorriso. Ver meus pais orgulhosos daquele jeito… não tinha preço.

Na sequência, Melanie:

"Você tá um ARRASO! Sério, mana, me arrepiei com as cenas do Nick e da Noah! Já quero o 2, o 3, o 4! Você e o Victor tem MUITA química."

E claro, o Justin: 

"Orgulho define! Você nasceu pra isso, Mari. Mandou bem demais! Te amo."

Senti o coração aquecer. Meu irmão sempre foi meu maior incentivador.

E então… LUAN.

O nome dele ali na tela me deu uma pequena travada. Abri.

"Acabei de assistir. Você tá linda. Incrível. De verdade, Marina. Orgulho de você. Espero que esteja feliz. Você merece."

Fiquei um tempinho olhando pra tela. Digitei, apaguei, digitei de novo.

"Muito obrigada, Luan. Sua mensagem significa muito pra mim. Fico feliz que tenha gostado."

Eu tava terminando de escrever quando a tela do meu celular mudou pra uma chamada de vídeo. Victor.

Revirei os olhos com um sorrisinho nos lábios e levantei, indo até a varanda discretamente pra atender.

- Olha só quem é! A estrela do filme! -ele começou, animadíssimo, ainda com a camisa meio desabotoada.

- Oi, Victor! Tô vendo que você tá eufórico.

- Claro! Você tem noção do que a gente fez? O filme tá viralizando! Eu fui te procurar no quarto do hotel pra assistirmos juntos, e você não tava! Cadê você?

- Vim pra Nova York assistir com as minhas amigas.

- Tá bom, vai... Mas e aí? Quando a gente vai comemorar?

- Amanhã à tarde tô de volta, a gente se fala.

Ele sorriu torto, com aquela cara de quem tava tramando.

- A gente vai comemorar daquele jeito, né?

Eu arqueei a sobrancelha e dei uma risada desacreditada.

- Aquele jeito? Você tá impossível. Não, Victor. Aquela foi a última vez.

- Você sempre fala isso. Sempre. Já é o quê? A décima sexta "última vez"?

- Tá contando agora, é? Que romântico. -revirei os olhos, me fazendo de difícil.- Vou pensar no seu caso.

- Pensa com carinho, sardenta.

- Você é muito... -parei na metade da frase ao me virar e ver as três: Bruna, Virgínia e Olívia... as três me encarando com olhos arregalados. Eu congelei.- Victor, eu preciso ir, tá? A gente se fala. -desliguei rapidamente e fiquei parada, com o celular na mão e a alma tentando sair do corpo.

Bruna foi a primeira a se pronunciar, limpando a boca com a colher e olhando diretamente pra mim.

- Você tá TRANSANDO COM O VICTOR?

Virgínia bateu na coxa, chocada:

- Marina! O ex! O traficante da Columbia! Cheirador de cocaína!

- Gente... eu... não é bem assim...

Olívia cruzou os braços, olhando pra mim como uma mãe que acabou de flagrar a filha adolescente escondida com o namorado no quarto:

- É exatamente assim. A gente ouviu tudo. "Aquele jeito", Marina?

- Ai meu Deus. -cobri o rosto com as mãos.- Tá bom. Talvez tenha acontecido algumas vezes. Mas eu juro que é só físico. Foi mais forte que eu!

As três gritaram ao mesmo tempo.

- AI MEU DEUS, MARINA!

E eu sabia que, dali em diante, eu ia ter que aguentar a maior DR coletiva da história.

Mas lá no fundo… eu também sabia que talvez... eu não quisesse tanto assim que fosse mesmo a última vez.

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