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Capítulo 83

Luan Narrando 

Voltar pra Nova York sempre me trazia aquela mistura de ansiedade e saudade, mas dessa vez era diferente. Eu estava voltando uma semana depois do nascimento do Jack. Mal consegui aproveitar aquele momento como tio... a agenda me arrastou de volta pro palco, e agora, com o coração apertado, finalmente estava de volta.

Assim que abri a porta do apartamento, senti. O clima. O silêncio carregado. A tensão flutuando no ar. Nem precisei de muito tempo ali pra perceber que algo tinha mudado — ou desmoronado.

Minha mãe foi a primeira a vir até mim, me abraçando com força. Mais do que o normal. E isso... me acendeu um alerta. Ela não era de abraços demorados. E ainda completou o gesto com um beijo demorado na minha testa.

- Que bom que você chegou bem, meu filho. -disse com a voz baixa, os olhos evitando os meus.

Eu a encarei com o cenho franzido, mas antes que pudesse perguntar alguma coisa, ela se virou e pegou o Jack no colo, que estava no bercinho. Começou a ajeitá-lo no carrinho.

- Vou descer pra passear com ele um pouco, tá?

- Mas... mãe, espera aí. Eu acabei de chegar. Nem vi meu sobrinho ainda. -tentei argumentar, dando um passo em direção a eles.

Mas ela já estava saindo pela porta, com um aceno apressado e o olhar perdido. Sem me dar chance. Fiquei parado por um segundo, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

Virei-me e vi os dois.

Justin de um lado do sofá, Bruna do outro. A distância entre eles parecia maior que qualquer viagem que eu tivesse feito nos últimos dias. Nenhum dos dois ousava me encarar.

Suspirei, largando minha mochila e a mala no canto da sala com um baque seco. Me sentei na poltrona de frente pros dois, jogando o corpo pra trás e cruzando os braços.

- Tá, vamos lá... desembucha. Que que tá acontecendo aqui?

Justin apenas soltou um suspiro, o rosto sério.

- Não tenho nada pra falar. -disse, seco, olhando pro lado, evitando qualquer contato visual comigo.

Franzi o cenho, irritado.

- Ah, não vem com essa, Justin. Tá todo mundo agindo estranho, minha mãe não quer nem olhar na minha cara direito, saiu com meu sobrinho como se estivesse fugindo de alguma coisa... E vocês dois tão aí, parecendo dois desconhecidos numa sala de espera. Então alguém vai ter que abrir a boca.

Bruna mordeu o lábio inferior, baixou a cabeça e soltou um longo suspiro. Ela parecia carregar um peso enorme nos ombros. E eu já conhecia aquele olhar. Era o olhar de quem errou. E sabia disso.

E ali, meu coração começou a bater mais forte. Como se, no fundo, eu já soubesse o que estava por vir.

Bruna se encolheu no canto do sofá, abraçando as próprias pernas, e eu senti um aperto no peito ao ver o rosto dela se contorcendo em dor. Seus olhos marejados buscavam os meus, mas logo se desviaram. Ela tentou falar algo, mas a voz falhou. Tapou a boca com a mão e desabou em lágrimas.

- Eu... -sussurrou, soluçando.- Eu estraguei tudo...

Franzi a testa, levantando ligeiramente da poltrona, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Justin bufou alto, se inclinando pra frente e me olhando com um misto de irritação e desprezo.

- Ela não vai conseguir te contar, então deixa que eu conto logo, porque eu tô cansado dessa palhaçada. -ele disparou.- A Marina tá grávida. E sim, Luan, é seu.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando processar aquilo. Respirei fundo.

- Ela disse que era, depois disse que se confundiu... -murmurei, relembrando a madrugada que Jack nasceu.- Ela voltou atrás e disse que talvez não fosse meu.

Justin riu, sarcástico.

- E você acreditou? Sério mesmo que acreditou que a Marina ia “se confundir” sobre uma gravidez, sendo que vocês se reencontraram em junho e ficaram juntos? -ele revirou os olhos.- Cara, ela só disse aquilo porque você tava a olhando com desprezo, ela preferiu dizer que não era seu, do que você ficar a olhando daquele jeito, com desconfiança. Que você não quis escuta-la, você preferiu acreditar no que a Bruna disse... tudo baseado em uma mentira.

Olhei pra Bruna, que ainda chorava baixinho, e depois voltei meu olhar pro Justin.

- Que mentira? -perguntei, sentindo meu corpo endurecer.

- A Bruna contou pra você que a Marina ficou com o Victor enquanto ainda namorava contigo, certo? -Justin cruzou os braços.- Disse que ela te traiu, enganou, que sempre teve algo com ele por trás...

Assenti, lembrando da raiva que senti naquele dia.

- Pois é. Só que isso nunca aconteceu. Marina e Victor começaram a ficar só em janeiro. Quando ela e você já tinham terminado. Quando ela estava livre e curtindo a vida dela. E mesmo assim, ela e Victor só ficaram até abril. Era uma amizade colorida, nada sério. E mais: a Marina nunca mentiu pra você. Ela nunca te iludiu. Ela me mostrou as mensagens que vocês trocaram. Era só saudade, carinho. Nenhum dos dois falou em voltar. Mas quando vocês se reencontraram em junho, ela achou que vocês iam ter uma segunda chance.

Senti a garganta fechar. Bruna chorava sem parar, escondendo o rosto nas mãos.

- E foi aí que a Bruna resolveu se meter. -continuou Justin, a voz cada vez mais fria.- Contou sobre o Victor. Só que ao invés de dizer a verdade, ela inventou traição. Inventou que a Marina te enganava esse tempo todo. Pintou ela como uma falsa, mentirosa... e você acreditou. Jogou tudo fora.

Fiquei paralisado. Como se cada palavra tivesse atingido meu peito em cheio. Minha mente voltava àquela conversa com Marina, a forma como ela ficou em silêncio depois que eu a confrontei. O olhar de mágoa. A desistência nos olhos dela.

Justin se levantou.

- E agora ela tá grávida. E diferente do que você pensou, o filho é seu. Porque depois de abril, ela não ficou com mais ninguém. Nem com o Victor. E o pior de tudo? -ele me encarou.- Ela ainda te ama.

Fechei os olhos. O peso de tudo caía sobre mim. Como se a verdade tivesse puxado o tapete que eu achava que ainda me sustentava.

Eu tinha jogado fora o que talvez fosse o amor da minha vida. Por causa de uma mentira.

Bruna se encolheu ainda mais no sofá, enxugando as lágrimas com as costas das mãos. A voz dela saiu trêmula, mas firme o suficiente pra chamar minha atenção.

- Eu... eu não fiz isso por maldade. Eu juro. -olhou pra mim, suplicando.- Eu achei que ela tinha te traído, Luan. A Marina tentou se explicar, tentou me contar a versão dela, mas... eu não consegui acreditar. Eu desconfiei. Fiquei com aquilo na cabeça, pensando que ela tinha te enganado esse tempo todo. E... eu fiquei com raiva. Por você. Por achar que ela te fez de bobo.

Fiquei em silêncio, tentando digerir aquilo.

Justin, do lado dela, soltou um riso debochado e sarcástico. Se virou completamente pra Bruna e balançou a cabeça em negação.

- Nossa... você realmente acreditou nisso? -perguntou com sarcasmo.- E ainda quer se justificar com base nisso? Bruna, você conhece a Marina melhor do que qualquer um aqui. Melhor até do que eu, que sou irmão dela. Você sabe que ela vivia por esse relacionamento com o Luan.

Bruna abaixou a cabeça, chorando em silêncio.

- Ela não traía, Bruna. Ela fazia planos com o Luan, sonhava com ele. A Marina falava mais do Luan do que da própria vida. Ela chorava quando brigavam, comemorava cada mensagem, cada ligação... -Justin continuou, a voz cheia de indignação.- E você jogou isso tudo no lixo por uma suposição. Uma desconfiança.

Meu peito pesou. As palavras do Justin se misturavam com minhas memórias: Marina aparecendo com aquele sorriso bobo quando eu fazia surpresa, me esperando na porta do hotel, me mandando áudios de madrugada dizendo que sonhava comigo. A mesma Marina que hoje está grávida... e sozinha.

- Eu achei que tava te protegendo. -Bruna disse, a voz quase inaudível.- Eu achei que se fosse verdade... você não merecia passar por isso.

Justin bufou, levantando da poltrona.

- Pois é. E agora ela tá grávida. Dele. E você não protegeu ninguém. Só ferrou com tudo.

Bruna escondeu o rosto nas mãos, em silêncio.

Eu me levantei devagar. Minhas mãos tremiam, e eu não sabia se era raiva, frustração ou tristeza demais se acumulando no peito.

Fiquei em silêncio por alguns segundos. Tentando entender como a Bruna, minha irmã gêmea, minha confidente, tinha feito uma coisa daquelas. Mexido no que era mais sensível pra mim. Mentido. Me afastado da Marina justo quando eu... quando a gente talvez tivesse alguma chance de consertar as coisas.

- Eu tô muito decepcionado com você, Bruna. -minha voz saiu firme, baixa, mas carregada.- Nunca pensei que você fosse capaz de uma coisa dessas. Sério... nunca.

Bruna ergueu o rosto, o olhar molhado implorando por perdão, mas eu desviei o olhar. Meu coração tava quebrado em pedaços demais pra isso agora.

Virei pra Justin, ainda de pé perto da porta.

- Onde ela tá?

Justin cruzou os braços, meio relutante, mas respondeu:

- Eu deixei ela ficar na suíte presidencial do hotel do meu pai. Ela precisava de um lugar calmo, seguro, sem ninguém por perto... depois de tudo. Mas ela saiu cedo com a Virgínia e a Olívia. -ele deu de ombros.- Ia voltar pra Filadélfia com a Melanie depois.

Meu coração disparou.

Sem pensar duas vezes, corri até a porta. Nem dei satisfação. Eu precisava encontrá-la.
Descendo o elevador, já ligava pro hotel, perguntando se Marina Bieber ainda estava hospedada. Quando disseram que ela havia saído minutos atrás, senti o chão sair dos meus pés.

Corri pelas ruas próximas, entrei no lobby do hotel torcendo pra ela ainda estar ali, mas não vi ninguém. Perguntei na recepção. Ninguém soube dizer pra onde tinham ido.

Já era tarde demais.

Me sentei na escadaria da entrada do hotel, respirando fundo, com o celular nas mãos. Coração apertado. Ela estava indo embora. Com o nosso filho. E eu nem consegui dizer a ela que... eu queria ficar. Que eu queria tentar.

Que eu ainda a amava.

Chorar não estava nos meus planos, mas quando vi o vazio do lugar, a sensação de que talvez tivesse perdido a chance com Marina... não consegui segurar. As lágrimas simplesmente caíram. Tentei enxugá-las, mas era inútil. O peso da situação era grande demais, e as palavras que minha irmã tinha me dito, as mentiras, me consumiam.

Então, no meio do meu desespero, um carro parou perto de mim, com o pisca-alerta ligado. Eu levantei os olhos, ainda um pouco desorientado, e vi uma figura conhecida descer apressada do carro. Marina.

Ela não me viu imediatamente. Sorriu para o porteiro e seguiu em direção ao balcão. Meu coração disparou. Levantei-me rapidamente, sem nem pensar, e fui atrás dela.

Cheguei bem perto do balcão e vi a recepcionista, a Rebecca, conversando com Marina. Ela estava pedindo algo, mas eu só consegui me concentrar no rosto de Marina. Ela parecia mais fria, distante... como se tivesse se fechado de novo.

A recepcionista se levantou para verificar se alguém poderia pegar o carregador de Marina na suíte. Naquele momento, não consegui mais me controlar.

- Marina! -chamei, fazendo-a se virar.

Ela se assustou, deu um passo para trás, mas logo tentou se recompor. O semblante dela se fez sério, e a tensão estava no ar.

- O que você está fazendo aqui? -perguntou, com um tom que eu não conseguia decifrar. Ela parecia nervosa, mas também com um ar de não querer enfrentar a situação.

Eu respirei fundo e, com a voz embargada, respondi:

- Agora... agora eu sei de tudo.

O silêncio se instalou entre nós, e eu sabia que, naquele momento, a verdade estava prestes a mudar tudo entre a gente.

Ela riu. Mas não foi aquele riso doce, que eu tanto conhecia. Foi um riso irônico, cheio de dor camuflada em sarcasmo. Marina negou com a cabeça, cruzando os braços diante do corpo, me olhando como se estivesse cansada — de mim, da situação, de tudo.

- Agora? -ela repetiu, com a voz amarga.- Agora você sabe de tudo? Que ótimo, Luan. Parabéns.

O peso do deboche caiu como uma pedra no meu peito. Ela balançou a cabeça de novo, rindo de novo — mais sem humor do que antes.

- Pena que agora não adianta mais. -continuou.- Porque mais uma vez, você preferiu ouvir os outros. A Bruna, o Justin, até a sombra da dúvida, mas não a mim. As minhas palavras nunca serviram de nada pra você.

- Marina... -comecei, mas ela ergueu a mão, me cortando.

- Não, Luan. Você teve a chance. Uma semana atrás, eu me abri, eu tentei... mas você foi estúpido. Você acreditou numa versão conveniente, distorcida, e nem sequer me olhou nos olhos pra saber o que eu realmente sentia.

Ela respirou fundo, os olhos brilhando, mas sem deixar cair nenhuma lágrima.

- Você nunca confiou em mim, Luan. E olha que eu me entreguei pra você de um jeito que nunca fiz com ninguém. Te mostrei um lado meu que ninguém conhecia. Fiz planos, sonhei contigo, te apoiei nos seus sonhos. Me dediquei de corpo e alma ao que a gente tinha. Mas não foi suficiente, né?

Ela deu um passo pra trás, como se recuasse das próprias memórias, e continuou:

- Bastou eu brilhar um pouco sozinha, bastou eu caminhar por conta própria, pra você achar que eu tava te enganando. Você terminou comigo por causa de um ciúme idiota. Acreditou na primeira mentira bem contada, mesmo eu nunca tendo te dado motivo algum pra tamanha desconfiança.

Foi nesse instante que Rebecca reapareceu com o carregador nas mãos. Chamou Marina com gentileza:

- Marina? Aqui está.

Marina se virou, pegou o carregador com um sorriso breve, sem graça.

- Obrigada, Rebecca.

E então ela começou a caminhar em direção à saída. Passou por mim com o rosto erguido, firme. Eu fiquei parado, sentindo tudo desmoronar dentro de mim.

- E o bebê? -minha voz saiu baixa, quase um sussurro.

Ela parou. Virou-se devagar, os olhos cravados nos meus.

- Eu vou criá-lo sozinha.

- Mas eu sou o pai. -soltei, desesperado, sem pensar, só sentindo.

Ela soltou uma risada seca, amarga, antes de responder:

- Grande merda.

E sem olhar pra trás, Marina se apressou até o carro que a esperava, entrou e desapareceu de novo da minha vida. E dessa vez... talvez pra sempre.

Alguns dias depois...

No Brasil

Cinco dias se passaram desde aquele dia no hotel. Eu andava evitando a Bruna como podia. Ia até o apartamento, conversava com a minha mãe, trocava ideia com o Justin, ficava horas brincando com o Jack no tapetinho da sala — aquele molequinho tava sendo meu refúgio. Mas quando Bruna tentava puxar assunto, se aproximar, pedir desculpas… eu travava. Meus olhos passavam por ela como se fossem vidro. A ferida ainda tava aberta. E sangrando. Eu não tava pronto pra perdoar. Nem perto disso. Ela era minha irmã gêmea, mas naquela situação… parecia uma estranha.

Marina continuava me ignorando. Me bloqueou em tudo. WhatsApp, Instagram, Snapchat (quem ainda usa isso mesmo?), até no X, o finado Twitter. Eu olhava pro celular todo dia, querendo ver uma notificação dela. Uma brecha. Um sinal. Mas nada.

Três dias atrás, voltei pro Brasil, me escondi na casa do Bruno Caliman. Compositor, amigo, parceiro de estrada e de bebida. Eu só fazia isso: compor e beber. Whisky puro. Mal comia. Já tinha escrito umas cinco músicas só nos últimos dois dias. Meu caderno tava transbordando de letras de dor, arrependimento, saudade. Sofrimento transformado em melodia.

- Tá vazio, cowboy. -Bruno disse, enchendo meu copo outra vez, enquanto eu encarava o celular na mesa.

Suspirei, peguei o celular, desbloqueei e abri o Instagram, mais por vício do que por vontade. Rolei o feed devagar, até que vi.

Páginas de fofoca repostando uma foto dela.

TMZ Marina Bieber anuncia gravidez! E exibe a barriguinha em clique encantador.

O coração me deu um soco. Um não — vários.

Meu peito apertou. O copo tremia na minha mão.

Ela parecia feliz. E sozinha.

E aquilo me destruiu.

Bruno tava terminando de beber o dele quando eu soltei:

- Mano… e se a gente abrisse uma live agora?

Ele riu, me olhando com aquele olhar de “isso vai dar merda”, mas ainda assim topou.

- Bora. Vai ser bom pra você desabafar, cara… do teu jeito.

Ele pegou o tripé que tinha guardado num canto da sala, ajeitou o celular com a câmera virada pra gente. Nos sentamos nas banquetas altas do estúdio dele. Eu, com o copo de whisky na mão. Ele, com o violão já afinado. Abri a live no meu Instagram, deixei carregando, esperando a galera entrar. Era tarde, mas em minutos já tinham centenas, depois milhares de pessoas. Comecei a mandar beijo pros fã-clubes, pros nomes que eu via no meio dos comentários. Meus olhos deviam estar vermelhos. Eu claramente tava bêbado. Mas… eu não ligava. Pela primeira vez em dias, eu sentia que queria falar. Mesmo que fosse por música.

- Galera… obrigado por estarem aqui. Eu sei que tô sumido, mas… hoje eu queria cantar uma que eu fiz faz pouco tempo. Ela chama Me Desbloqueia Aí.

Bruno não disse nada. Só abaixou a cabeça e começou a dedilhar os primeiros acordes no violão. Um arranjo bonito, simples. Meu coração apertava mais a cada nota.

Fechei os olhos, respirei fundo e comecei a cantar, com a voz rouca e embargada pela bebida e pela saudade:

Você não precisa de nenhum livro de auto ajuda
Você só precisa de um cheiro meu na sua nuca
Você não precisa de uma sessão de terapia
Você só precisa de uma noite mal dormida

Marca com outro um barzinho na sexta, um motel no domingo
Mas não aguenta os déjà vu, comigo
Sua vida vai ser isso aí, enquanto não admitir que

Sou aquela saudade ruim que você quer sentir
Sou a pessoa que odeia, mas quer bem aí
Eu sou aquele nunca mais que 'cê quer repetir
Que eu tenho a voz que te arrepia, mas não quer ouvir

Sou aquela saudade ruim que você quer sentir
Sou a pessoa que odeia, mas quer bem aí
Eu sou aquele nunca mais que 'cê quer repetir
Que eu tenho a voz que te arrepia, mas não quer ouvir

Me desbloqueia aí

- Não aguento mais ficar bloqueado  Preciso muito falar com você. Você sabe do que que você precisa. -falei no meio da música.

Quando terminei a primeira estrofe e o refrão, o chat tava uma loucura. Corações subindo, comentários em caixa alta, gente dizendo “desbloqueia aí Marina”, “meu Deus, que dor”, “volta com ela”.

Assim que os últimos acordes de Me Desbloqueia Aí silenciaram, eu olhei pro Bruno, e ele entendeu na hora. Eu queria ir além. Queria cantar aquela. A que eu escrevi no segundo dia ali com ele. A que falava diretamente com ela. A que talvez fosse polêmica — ainda mais agora, com o anúncio da gravidez dela fresco na internet —, mas eu não me importava.

Eu encarei a câmera, com os olhos pesados e o coração ainda mais.

- Essa aqui… -fiz uma pausa, sentindo o nó na garganta.- ...essa talvez vá gerar comentário. Mas eu tô nem aí. É de verdade. E se chegou até ela... então valeu.

Bruno começou no violão, suave. Eu fechei os olhos e deixei a letra me engolir, como tinha feito quando escrevi cada palavra.

Fiquei sabendo
Que 'tá esperando um bebê
Sempre foi seu sonho, eu lembro
Fico tão feliz por você

Sabe, de vez em quando ainda vejo suas fotos
Mudou, eu sei
Mas tem o mesmo olhar que tinha aos dezesseis

Só queria saber
Você sente o quê
Quando ouve a minha voz
No rádio ou na TV?

Então, me tira uma dúvida
Eu sei que a saudade de nós dois já não machuca
Mas o que você vai dizer
Quando seu filho aprender
Violão com as minhas músicas?

A voz falhava. As lágrimas vinham, mas eu segui cantando. O chat explodiu. Gente dizendo que não tava conseguindo parar de chorar, outras torcendo por um reencontro, outras revoltadas com toda a história. Mas ali… só existia eu, a música e a saudade da Marina.

Eu nem consegui falar nada depois da última música. O chat tava lotado, os corações subindo sem parar. Mas Bruno sabia… ele sabia que eu precisava continuar, que a dor ainda não tinha dado trégua.

- Manda aquela, do vídeo… -eu pedi, baixo, com um olhar quase suplicante.

Bruno não perguntou qual. Pegou o violão e começou os acordes de O Mundo É Tão Pequeno, do Jorge e Mateus. A mesma música que alguém fez e postou no Tik Tok, em junho, no nosso reencontro. O vídeo viralizou na época. Todo mundo dizia que dava pra ver o amor ali, no olhar, no toque, na conexão.

Eu comecei a cantar, a voz embargada. Mas não parei.

Pode brincar
Eu te conheço, sei jogar seu jogo
Sei que você vai se queimar
Sei que não aguenta fogo e vai quebrar a cara

Quando me ver escapando entre seus dedos
Ou dividindo os meus segredos com outra pessoa
Hoje eu acordei gostando mais de mim
Vou cair fora numa boa

Eu olhei pra câmera, direto. Como se ela pudesse me ver.

Então fica assim
A gente se encontra outra ocasião
Na festa junina, festa de peão
No bar da esquina
O mundo é tão pequeno afinal

E graças a Deus que o seu amor não me fez tão mal
E o meu coração ainda bate igual
E a gente se encontra em outro Carnaval
O mundo é tão pequeno afinal

No final, o Bruno tirou o violão devagar, e eu respirei fundo. Ainda doía. Mas cantar… cantar aliviava um pouco.

O mundo era pequeno, e o amor que eu sentia por ela… ainda era gigante.

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