Bruna Narrando
Flashback On
Entrei no meu quarto sentindo tudo girar ao meu redor. Meus pés tropeçaram um pouco no tapete, e precisei segurar na parede para não cair. Nem percebi que alguém me seguiu até que ouvi o barulho da porta sendo fechada. Virei assustada, meu coração acelerando por um segundo, mas então vi que era ele.
- Ah, você… -murmurei, soltando um suspiro aliviado. O álcool me deixava mais leve, mais despreocupada.- Estou tão bêbada...
Ele sorriu, aquele sorriso torto e relaxado.
- Eu também estou.
Por um momento, ficamos apenas nos encarando. Ele estava ali, parado no meio do meu quarto, como se pertencesse àquele lugar. Então, com a voz um pouco mais séria, perguntou:
- Mas, por que saiu da sala?
Meu sorriso diminuiu um pouco.
- Ah... eu fiquei meio na bad, sabe?
Soltei uma risada fraca, sem muito ânimo. O som da música abafava o silêncio incômodo que se instalou por um momento. Meus olhos, como se tivessem vontade própria, foram atraídos para o mural de fotos na parede. Cada imagem ali contava uma história. Eu com meus pais, eu e Luan, eu e minhas amigas… e bem no centro, eu e Harry.
Meu estômago revirou. Aquela foto não deveria estar ali. Não merecia estar ali. Antes que pudesse pensar direito, puxei a foto da parede e a rasguei ao meio. O som do papel sendo destruído trouxe uma sensação estranha de alívio, mas também de vazio.
- Não vale a pena. -murmurei, jogando os pedaços no chão.
O silêncio no quarto foi interrompido pela voz dele:
- Você deveria colocar uma foto minha e sua aqui, uma foto boa. A gente pode tirar, revelar e pendurar.
Me virei para encará-lo, surpresa com o que ele tinha acabado de sugerir.
- Você só pode estar brincando... -falei, rindo baixinho.
Ele apenas me olhava, um brilho diferente nos olhos. Um brilho que fez meu coração dar um pulo inesperado.
Cruzei os braços, tentando disfarçar qualquer coisa que estivesse passando pela minha cabeça naquele momento, e perguntei:
- E por que você me seguiu até aqui, hein? Tá tão interessado em ver o meu quarto assim?
Ele se aproximou mais. Meu corpo inteiro ficou em alerta, mas não de um jeito ruim. O cheiro dele misturado com o álcool e um pouco de perfume ficou mais forte.
- Porque você é imprevisível. -sua voz saiu baixa, rouca.- E eu gosto disso.
Meus olhos foram para os lábios dele. Minha respiração ficou um pouco mais pesada. Ele percebeu.
E, no instante seguinte, eu já estava puxando sua camisa e grudando minha boca na dele.
O beijo foi intenso, cheio de urgência. Suas mãos desceram pelas minhas costas, me puxando para mais perto. Meu corpo colou no dele, e eu não quis mais pensar. Não quis mais lembrar de nada. Só queria sentir.
No instante seguinte, nossas roupas estavam no chão, estávamos apenas de peças íntimas, Justin beijava meu pescoço, dando leves chupões, enquanto uma de suas mãos alcançou o fecho do meu sutiã, e dessa vez, para minha surpresa, ele abriu apenas com uma mão.
- Na próxima você pode contar que o cara que sabe abrir seu sutiã, também sabe abrir com uma mão só. -ele disse no pé do meu ouvido e eu não pude deixar de rir.
- Você é louco!
- Louco pra matar a saudade e te foder gostoso.
Suas palavras me surpreenderam, e antes que eu pudesse pensar em algo, suas mãos foram parar na minha bunda pra me levantar do chão, enlaço minhas pernas ao redor da cintura dele já sentindo o volume do seu membro gostoso, o qual eu estava morrendo de saudades. Ele me prensa na parede ao lado da porta intensificando o beijo, descendo os lábios pelo meu queixo, pescoço e finalmente chupando meus mamilos que já estavam duros de tanto tesão.
Eu solto um gemido, enquanto levo uma de minhas mãos e arranho suas costas. Ele começa a me carregar pelo quarto e me deita no quarto fazendo uma trilha de beijos que passa pelo meu pescoço e entre meus seios, e vai descendo pela minha barriga chegando onde eu tanto queria, dando uma mordidinha por cima da calcinha, me fazendo soltar um gemido, ele afasta minha calcinha para o lado e passa a língua em mim, me olhando nos olhos e depois da àquele sorriso safado rasgando minha calcinha com um puxão só.
Ele volta a passar sua língua bem devagar sem parar de me olhar. Mordo os lábios, coloco minha mão em seu cabelo, puxando um pouco. Fecho os olhos sentindo as maravilhas que aquela língua faz, e quando já estou quase alcançando o orgasmo, gemo mais ainda e isso faz ele intensificar as chupadas e as lambidas, me fazendo chegar ao êxtase. Ele vai diminuindo a intensidade até parar.
Saio da cama e faço ele levantar também pra tirar a cueca, sento ele na minha cama e me ajoelho no meio de suas pernas, segurando seu membro, fazendo movimentos pra cima e pra baixo, passo a língua e vejo ele estremecer, mordendo os lábios.
De todos os caras que já transei, Justin é o mais gostoso em todos os sentidos.
Ele segura o meu cabelo pra não ficar no meu rosto e olha com cara de puro prazer enquanto abocanho seu membro, olhando pra ele, tendo a visão privilegiada daquele tanquinho gostoso. Eu, não me aguentando de tesão vendo ele tão entregue ao prazer que eu tava dando, paro de chupar e subo na cama com uma perna de cada lado dele, e sem esforço, sinto seu membro me preenchendo, enquanto solto um gemido.
Ele coloca as mãos em meu quadril quando eu começo a subir e descer pelo seu membro, dando mais pressão nos movimentos que no começo eram devagar. Enquanto ele chupava meus seios, e às vezes dando tapas na minha bunda ou apertando, me fazendo gemer.
Depois que eu sento mais um pouco com ele apertando meu quadril, ele goza com um gemido gostoso no meu ouvido me fazendo gozar também, vou diminuindo os movimentos finalizando rebolando até parar totalmente, abraçando ele pelos ombros pra descansar, soltando uma risada de satisfação sendo acompanhada por ele.
Flashback Off
As semanas se passaram depois daquela noite, e as coisas entre mim e Justin não mudaram tanto quanto eu achei que mudariam. Nos víamos de vez em quando, trocávamos mensagens, e às vezes o clima ficava exatamente como naquela noite.
Por que eu não o escolhi antes?
Por que passei meu tempo ao lado de Harry, quando Justin sempre esteve ali, pronto para ficar comigo?
A resposta era simples, mas doía um pouco admitir. Eu sempre gostei de Justin, sempre senti algo por ele, mas eu tinha medo. Medo de estragar o que tínhamos, medo de que, se desse errado, eu o perdesse por completo. E no fim, escolhi errado.
Mas ele parecia estar indo devagar, hesitante. Como se tivesse medo de se jogar de novo e quebrar a cara comigo.
E, pra ser sincera, ele não estava completamente errado.
Eu ainda queria curtir minha solteirice. Acabei de sair de um relacionamento, ainda estava no primeiro ano da faculdade, e embarcar em algo sério agora? Não rola. Eu tinha mais alguns anos pela frente, muitas experiências para viver.
E mesmo que Justin fosse alguém especial… não significava que eu precisava me amarrar a ele agora.
Eu estava no meu quarto, com o notebook aberto na minha frente, revisando alguns detalhes da minha estadia e da Marina no Brasil. Já tinha reservado o hotel e estava analisando algumas opções de passeios quando meu celular vibrou.
Peguei o aparelho e vi que era uma mensagem da Marina. Ela tinha me mandado uma localização e, logo em seguida, uma mensagem curta:
"Vem aqui, por favor."
Franzi a testa, confusa. Abri o mapa e vi que ela estava em um consultório ginecológico. Meu estômago revirou. Algo estava errado.
Fechei o notebook imediatamente, vesti um casaco e chamei um Uber. Durante o trajeto, minha mente girava com possibilidades. Será que ela estava doente? Será que aconteceu algo sério? Por que ela não me disse nada antes?
Quando cheguei, fui direto até a recepção. A atendente olhou para mim com um semblante calmo e profissional.
- Boa tarde. Onde está a paciente Marina Bieber?
- Ela está na sala cinco. Pode seguir por aquele corredor.
Agradeci e fui na direção indicada, tentando ignorar a ansiedade que se instalava no meu peito. Assim que abri a porta, não tive nem tempo de olhar em volta antes de sentir Marina se jogar nos meus braços, soluçando forte.
- Ei, o que aconteceu? -perguntei, segurando seu rosto e tentando ver seus olhos inchados de tanto chorar.- O que foi, Marina? Você tá me assustando!
Minha mente foi direto para o pior. Câncer. Alguma doença grave. Meu coração disparou.
Foi quando uma voz calma, mas firme, interrompeu meus pensamentos.
- Você deve ser a tia do bebê.
Pisquei algumas vezes, confusa. Meu olhar foi para a médica, que agora estava de pé ao lado da mesa.
- Q-que bebê? -minha voz saiu mais baixa do que eu pretendia.
A médica olhou para Marina, como se pedisse permissão para continuar. Minha amiga apenas abaixou a cabeça, fungando.
- A senhorita Bieber descobriu hoje que está grávida. É uma gestação recente, aproximadamente quatro semanas.
Minha boca se abriu, mas nenhum som saiu. Eu só consegui olhar para Marina, que não levantava o rosto. Grávida? Como assim?
- Mas… você… -tentei juntar os pensamentos.
- Eu não posso ter esse bebê, Bruna. -Marina murmurou, sua voz embargada.
A médica continuou com um tom profissional, mas atencioso:
- Marina está muito nervosa com a situação, mas já tomou uma decisão. Optou por interromper a gravidez. Por isso, pedi que ela chamasse alguém de confiança para acompanhá-la, pois o pós-procedimento pode causar dores e fraqueza. Ela não deve voltar sozinha.
Engoli em seco, minha mente tentando absorver tudo ao mesmo tempo.
- Você… você tem certeza? -perguntei, olhando para Marina.
Ela finalmente levantou a cabeça, seus olhos vermelhos me encarando com uma mistura de dor e certeza.
- Eu tenho. Eu não quero isso, Bruna. Eu não quero ser mãe agora. É do Victor! Minha vida tá uma bagunça, eu tô no primeiro ano da faculdade… eu não posso.
Segurei sua mão e apertei.
- Então eu tô aqui. O que você precisar.
Ela desabou de novo nos meus braços, e eu apenas fiquei ali, segurando minha melhor amiga enquanto ela chorava.
A doutora se preparou para o procedimento, organizando seus instrumentos com calma enquanto explicava cada passo. Eu estava ao lado da Marina, enquanto ela se preparava também pro procedimento, mas eu não conseguia raciocinar direito. Minha mente estava um caos.
A sala parecia pequena demais, fria demais. O cheiro do consultório, aquele típico aroma de álcool e desinfetante, estava me sufocando.
- Vamos começar agora, Marina. -a doutora disse, sua voz profissional e suave.- Você não vai sentir dor por causa da anestesia local, mas pode sentir um pouco de pressão. Se em algum momento se sentir mal, me avise.
Marina não respondeu. Apenas assentiu, os olhos fixos no teto. Eu nunca a vi tão calada, tão distante.
A doutora narrou tudo que estava fazendo. Cada palavra dela parecia distante, como se eu estivesse ouvindo debaixo d’água.
- Agora estou dilatando o colo do útero... Inserindo o cateter de aspiração... O procedimento está quase finalizado...
Eu tentava focar no que ela dizia, mas era como se meu cérebro se recusasse a processar tudo. Eu nunca estive numa situação como aquela. Nunca imaginei que passaria por algo assim com alguém.
Marina não reagiu. Não chorou. Não se mexeu. Apenas ficou ali, deitada, como se estivesse tentando se desconectar de tudo.
Por fim, a doutora terminou.
- A anestesia ainda está fazendo efeito, então, antes que passe, vou inserir um novo DIU. Este tem duração de cinco anos.
Eu queria dizer algo, mas não sabia o quê. Senti um nó na garganta. Marina não parecia a mesma pessoa que ria comigo nas festas, que discutia moda e séries ou que reclamava da faculdade. Ela parecia… vazia.
Depois de um tempo, a doutora passou uma receita de medicamentos para o pós-procedimento e recomendou repouso absoluto pelo menos até o dia seguinte.
- Se sentir cólicas intensas ou qualquer sintoma anormal, me ligue. Caso contrário, tudo deve seguir como o esperado.
Ela entregou os papéis para Marina, que os pegou mecanicamente.
- Obrigada. -sua voz saiu baixa, quase um sussurro.
Saímos do consultório e andamos juntas em silêncio. O ar lá fora estava gelado, mas Marina não parecia sentir nada.
Parei de andar e fiquei na frente dela.
- Marina… -chamei, hesitante.
Ela levantou o olhar, seus olhos verdes pareciam mais escuros, pesados.
- O que acabou de acontecer lá dentro? -perguntei, tentando entender como ela estava lidando com tudo aquilo.
Ela soltou um suspiro cansado.
- Bruna… -ela passou as mãos no rosto, fechando os olhos por um segundo.- Eu confio em você. Sei que você nunca me julgaria. É por isso que eu te chamei.
Engoli em seco.
- Eu sou sua amiga, claro que eu não julgaria. Mas, Marina… você tá bem?
Ela hesitou, depois balançou a cabeça.
- Não sei. Mas fiz o que tinha que fazer.
Dei um passo mais perto e segurei sua mão.
- Você não tá sozinha, tá?
Ela sorriu, mas foi um sorriso fraco.
- Eu sei. Mas… me promete uma coisa?
- O quê?
- Não conta pra ninguém. Nem pra Olivia, nem pra Virgínia. Isso vai pro nosso túmulo.
Eu olhei para ela, vendo como aquilo era importante.
- Prometo.
Marina assentiu e soltou um suspiro profundo, como se estivesse tentando se livrar do peso daquele momento.
E então, seguimos em silêncio. Mas eu sabia que aquele dia ficaria marcado nela para sempre. E em mim também.
Eu olhei para Marina, tentando avaliar se ela realmente estava bem para a viagem ao Brasil.
- Quer cancelar a viagem? -perguntei, cautelosa.
Ela me olhou como se eu tivesse falado a maior besteira do mundo.
- Você tá louca? -ela retrucou, indignada.- Eu tô ansiosa pra essa viagem, Bruna. Até lá, vou estar bem.
Eu ainda estava meio hesitante, mas se Marina dizia que estava bem, eu não ia forçar. Assenti e acenei para um táxi. Assim que entramos, o silêncio tomou conta do carro. Eu sabia que ela precisava de um tempo para processar tudo, então não forcei conversa.
Quando chegamos ao campus, Marina olhou para o lado dos dormitórios e fez uma careta.
- Não quero ir pra lá agora.
- O que quer fazer então?
Ela deu de ombros.
- Caminhar um pouco.
Eu não questionei, apenas concordei.
Fomos andando pelo campus, sem um destino certo, até que avistamos um grupo já conhecido.
Virginia, Olívia, Justin, Ryan, Anthony e Luan estavam sentados no gramado, rindo alto de algo que provavelmente era uma besteira qualquer. Eles não faziam ideia do que tinha acontecido há menos de uma hora.
Marina estava andando mais devagar do que o normal, e isso não passou despercebido.
- Ué, Marina, que cara é essa? -Virginia perguntou, estreitando os olhos.
- Parece que levou uma surra. -Justin brincou, lançando um olhar suspeito.
- Na verdade, parece que foi ela que deu a surra. -Ryan acrescentou, rindo.
- Melhor ainda! -Anthony entrou na brincadeira.- Conta pra gente, Marina, quantos caíram hoje?
Marina revirou os olhos, mas riu.
- Nenhum, seus idiotas.
- Então por que você tá andando assim? -Virginia insistiu.
Marina suspirou dramaticamente.
- Porque troquei o DIU.
- Ahhhh -Olívia balançou a cabeça em compreensão.- Entendi. Você quer distância de choros de bebês e trocas de fraldas, né?
Virginia riu, concordando.
- Bem típico da Marina. Nunca te imaginei sendo mãe, pra falar a verdade.
Eu engoli seco e olhei para Marina, esperando ver alguma reação diferente, mas ela estava... bem.
- Óbvio, né? -Marina respondeu, cruzando os braços.- Já basta eu ter que lidar com os bebês chorões daqui. -ela lançou um olhar para os meninos, que fingiram indignação.
- Falou a dona “eu acordo resmungando e jogando travesseiro nos outros”. -Luan rebateu, rindo.
- Detalhes.
O grupo todo riu.
Por um momento, vendo Marina ali, respondendo com seu humor afiado, me perguntei se ela realmente estava bem ou se estava apenas escondendo tudo muito bem. Mas, conhecendo ela, sabia que não adiantaria pressionar.
Me joguei na grama ao lado de Marina, deixando escapar um suspiro cansado. Não era só pelo que tinha acontecido com ela —apesar de isso ainda estar martelando na minha cabeça— mas pelo cansaço geral da faculdade.
- Eu mereço férias. -resmunguei, fechando os olhos por um segundo.
- Concordo. -Olívia respondeu, deitada de barriga para cima, olhando para o céu.- Eu mal comecei a faculdade e já quero trancar.
- Trancar? -Virginia bufou.- Você? A nerd que passou a vida inteira estudando?
- Exatamente por isso. -Olívia retrucou.- Eu achei que ia chegar aqui e viver aquele clichê de filme americano, sabe? Festas, pegação, encher a cara e fazer merda…
- Você já fez tudo isso.-Marina apontou, arqueando a sobrancelha.
- Sim, mas com responsabilidade. -Olívia resmungou.- Quero fazer merda de verdade, sem pensar no amanhã.
- Ah, então você quer cagar sua vida? -Justin provocou, rindo.
- Talvez.
- Bem, se precisar de ajuda, Ryan tá aí pra isso. -Anthony brincou, apontando para Ryan, que fez um gesto dramático.
- Me respeita. -Ryan colocou a mão no peito.- Eu sou um homem de classe.
- De classe baixa, no caso. -Justin zombou.
- Ah, vai se ferrar, Bieber.
Todos riram.
Luan estava quieto, observando Marina, que mexia na grama com os dedos, distraída. Ele parecia querer perguntar algo, mas hesitava.
- E aí, vocês vão viajar mesmo? -Justin perguntou, mudando de assunto e me encarando. Marina e eu nos entreolhamos, franzindo a testa.
- Como sabe? -Marina perguntou.
- O notebook da Bruna não desliga só de fechar a tela, então eu sondei quando ela saiu e vi. -Virginia falou, dando de ombros.- E vocês estavam muito misteriosas, ficamos curiosos.
- Sim, nós vamos. -respondi a pergunta de Justin, ajeitando meu cabelo.
- Vocês têm certeza que é uma boa ideia? -Justin me olhou desconfiado.- Faltar aula assim, do nada…
- A gente tá bem nas matérias. -Marina deu de ombros.- Não vamos perder nada importante.
- Sei… -Justin cruzou os braços.- E vocês vão sair escondidas, sem ninguém saber?
- Não é que ninguém pode saber. -esclareci.- Só não queremos que os professores façam um escândalo.
- Aham, sei… -Anthony estreitou os olhos.- Isso tá cheirando a fuga de filme adolescente.
- Então vamos fazer jus ao roteiro. -Marina sorriu, e eu pude ver um traço da sua verdadeira animação voltando.
- Que vocês voltem vivas. -Luan comentou, finalmente se manifestando.
- Por favor, né? -Marina revirou os olhos.- Como se a gente fosse se meter em alguma coisa perigosa.
- Você é a Marina, então sim, é bem possível. -Olívia brincou.
- Olha, só peço uma coisa. -Virginia disse, olhando para nós duas.- Nenhuma das duas volta grávida, hein?
- Nem com DST. -Ryan acrescentou, fazendo todo mundo rir.
- Idiotas. -Marina revirou os olhos, mas riu junto.
- Só digo uma coisa. -Olívia cruzou os braços.- Se vocês voltarem bem, a gente até perdoa esse plano de fazerem uma viagem só as duas e não chamarem ninguém.
- Ah, claro! -retruquei, rindo.- Até parece que vocês topariam matar aula e correr o risco de serem expulsos.
- Depende do destino. -Justin respondeu, dando de ombros.
- Então, na próxima, a gente pode planejar algo pras férias de verão. -sugeri.- Aí ninguém precisa faltar aula.
- Agora sim, gostei da ideia. -Anthony disse.
A tarde estava chegando ao fim, e começamos a nos levantar do gramado para ir aos dormitórios. O assunto voltou para nossa viagem ao Brasil, e Marina cruzou os braços, sorrindo convencida.
- Vocês só estão com inveja porque eu vou conhecer o Carnaval de perto. -ela provocou.
- Como se você soubesse alguma coisa de Carnaval. -Luan zombou.
- Sei mais do que você pensa, Santana. -Marina disse, e, para provar seu ponto, começou a sambar.
E não era qualquer sambadinha desajeitada, não. Ela sambava perfeitamente bem.
- Que porra é essa? -Ryan arregalou os olhos.
- Eu ensinei pra ela há duas semanas. -expliquei, segurando o riso enquanto Marina continuava.
- E não é que a gringa leva jeito? -Anthony comentou, surpreso.
- Eu tô muito pronta pro Brasil. -Marina disse, parando e jogando o cabelo para trás, toda metida.- Só não sei se o Brasil está pronto pra mim.
Todos rimos, e, mesmo depois de um dia tão longo, foi bom ver Marina se divertindo.
Só esperava que ela continuasse assim.