Foi um choque para mim na época, porque eu nunca o tinha visto daquele jeito antes. Desde então, eu simplesmente o evitava. Não queria conversa, não queria briga, não queria nada. Só distância.
Na verdade, daquele grupo todo, o único que eu conversava era Justin. Anthony já tinha me tirado do sério quando fez aquele comentário idiota sobre mim na lanchonete dias atrás, falando como se eu fosse algum tipo de prêmio que ele poderia simplesmente pegar quando quisesse. Um babaca completo.
E Ryan… bem, ele era meio blé. Não chegava a ser insuportável como Anthony, mas também não era alguém que me interessasse em manter por perto.
O dia se arrastou mais do que eu esperava. De manhã, tive aula, mas minha mente já estava focada no teste para a peça de teatro. Quando finalmente fui fazer minha inscrição à tarde, me deparei com uma fila enorme. O tempo parecia não passar enquanto eu esperava minha vez, mas, depois de um longo período de paciência, consegui me inscrever.
Após isso, fui direto para o salão. Eu não queria me arrumar no dormitório, porque já sabia que Olívia e Virgínia ficariam dando palpites sobre meu penteado e maquiagem. Bruna era diferente, ela não se metia tanto, mas as outras duas… Deus me livre. Preferi evitar essa dor de cabeça e fazer tudo em paz.
Quando o relógio já beirava as 18:00, voltei para o campus e segui para meu dormitório. Assim que entrei na sala, vi Olívia e Virgínia sentadas no sofá, conversando.
- Uau, Marina! -Olívia arregalou os olhos.- Você está incrível.
- Victor vai babar. -Virgínia completou, sorrindo.
Sorri de canto e joguei minha bolsa sobre uma cadeira.
- Obrigada. Vocês viram a Bruna?
Olívia trocou um olhar rápido com Virgínia antes de responder:
- Luan chegou aqui tem uns cinco minutos. Ele e Bruna subiram para conversar. Parecia algo sério.
Minha curiosidade foi instantânea, mas me forcei a ignorá-la. Não queria me meter nos problemas dos outros — ainda mais se envolvessem Luan.
- Hm. Entendi. -murmurei, tentando não demonstrar interesse.
Sem perder tempo, fui para o meu quarto e fechei a porta. Soltei um suspiro enquanto me olhava no espelho. Estava satisfeita com o cabelo e a maquiagem que fiz no salão. Tirei minha roupa e peguei a lingerie vermelha que havia comprado dias atrás. Ela era sexy, elegante e tinha sido escolhida especialmente para esta noite.
Depois de vesti-la, coloquei um vestido azul de manga comprida que abraçava minhas curvas na medida certa. Calcei um salto discreto e passei um último perfume antes de sair.
Fui até o dormitório de Victor e bati na porta. Quem abriu foi Harry, que arregalou os olhos ao me ver.
- Caramba, Marina! -ele disse com um sorriso surpreso.- Alguém caprichou hoje, hein?
Gabriel apareceu atrás dele e assobiou.
- Victor tem sorte, hein?
Revirei os olhos, rindo.
- Onde ele está?
- Ainda terminando de se arrumar. -Harry respondeu, abrindo espaço para eu entrar.
Passei por eles e me sentei no sofá, cruzando as pernas. Eu podia ouvir os sons abafados dele no banheiro, provavelmente finalizando algum detalhe.
Escutei passos no corredor de cima, quando ouvi sua voz ecoar do andar de cima:
- Quem tá aí?
- Marina. -Harry respondeu casualmente.
- Manda ela subir! -Victor gritou de volta.
Suspirei, balançando a cabeça com um sorriso e segui para o quarto dele. Assim que fui pro seu quarto, o vi em frente ao espelho, terminando de ajeitar o cabelo. Ele vestia uma camiseta branca, com um casaco bege por cima e uma calça da mesma cor. A corrente prata pendurada no pescoço dava um toque extra ao visual, deixando-o ainda mais gato.
Ele se virou ao me ver pelo reflexo do espelho e sorriu.
- Você está maravilhosa, princesa.
Cruzei os braços, avaliando-o dos pés à cabeça com um olhar divertido.
- E você está um gato.
Ele riu, satisfeito com o elogio.
- Vem cá.
Me aproximei dele, ficando na sua frente, olhando nossos reflexos no espelho, não poderia negar, a gente era um casal até que bonito. Peguei meu celular e tirei uma foto nossa em frente ao espelho.
Enquanto ele pegava a carteira, a chave do dormitório e o celular, aproveitei para postar a foto no Instagram. Escolhi uma legenda curta e fofa, parabenizando Victor pelo aniversário.
marinabieber Feliz aniversário, meu amor! Que seu dia seja tão especial quanto você. Te amo! ❤️ @victoreverleigh_
Ele terminou de pegar suas coisas e olhou para mim.
- Pronta?
- Sempre.
Saímos do dormitório e pegamos um táxi direto para o restaurante, prontos para aproveitar a noite.
O táxi nos deixou em frente ao restaurante mais chique de Nova York. O letreiro brilhava no topo do prédio sofisticado, e as enormes janelas de vidro revelavam um ambiente elegante e requintado lá dentro. Eu tinha feito a reserva dois dias antes porque queria que aquela noite fosse perfeita para Victor.
Assim que entramos, o maître nos recebeu com um sorriso polido.
- Boa noite, reserva no nome de...?
- Marina Bieber. -respondi, confiante.
Ele conferiu a lista e assentiu.
- Por aqui, senhorita Bieber.
Segui ao lado de Victor, sentindo o olhar dele sobre mim. Quando me virei para encará-lo, ele arqueou a sobrancelha e sorriu de canto.
- Reserva com antecedência? Estou impressionado.
- Não sou mulher de deixar as coisas pra última hora, querido.
Ele segurou minha mão e a levou até os lábios, beijando-a de leve.
- Isso é o que eu mais gosto em você.
- Só isso? -provoquei, enquanto nos sentávamos.
Victor riu baixo e se inclinou na mesa.
- Tem várias outras coisas que eu gosto… algumas que não posso falar aqui.
Revirei os olhos, segurando um sorriso.
O restaurante era deslumbrante. Lustres de cristal iluminavam o salão com uma luz aconchegante, e as mesas eram cobertas por toalhas de linho impecáveis. Um pianista tocava ao fundo, dando um toque ainda mais refinado à atmosfera.
O garçom apareceu rapidamente, nos entregando os cardápios.
- O que vai querer, princesa? -Victor perguntou, passando os olhos pelas opções.
- Estou entre um risoto de camarão e um filé ao molho madeira.
Ele sorriu de lado.
- Filé ao molho madeira? Gosta de carne, então?
Ergui a sobrancelha, percebendo a malícia na voz dele.
- Gosto de uma boa carne, sim. Mas só se for bem servida.
Victor soltou um riso abafado, se divertindo com minha resposta.
- Acho que posso garantir um bom prato pra você então.
Balancei a cabeça, mordendo o lábio para segurar o riso.
Depois de fazermos os pedidos, ele segurou minha mão sobre a mesa e me observou com aquele olhar intenso.
Nosso jantar não demorou chegar, e o cheiro delicioso da comida fez meu estômago roncar baixinho. Victor percebeu e riu.
- Parece que alguém estava com fome.
- É que eu não comi nada direito o dia todo. -cortei um pedaço do meu filé e levei à boca, fechando os olhos por um momento.- Meu Deus, isso está perfeito.
Ele me observou, apoiando o queixo na mão.
- Eu também estou com fome… mas não só da comida.
Rolei os olhos.
- Você não tem jeito.
Victor riu, pegando um camarão do prato dele.
- E você adora isso em mim.
- Aham, claro.
Comemos em silêncio por alguns minutos, apreciando a comida. Depois que metade do prato já tinha ido, Victor voltou a falar.
- Então… e esse teste pra peça de teatro?
Limpei a boca com o guardanapo antes de responder.
- Ah, a fila estava enorme, mas me inscrevi.
- Se você não for escolhida, esse pessoal é doido. Você é incrível no palco.
Sorri com o elogio.
- Obrigada. Mas tem muita gente talentosa, então vamos ver.
Victor inclinou a cabeça, me analisando.
- Você parece animada. Gostou de alguma coisa específica nesse papel?
Mordi o lábio, pensando.
- A personagem é bem forte e destemida. Achei interessante.
Ele sorriu de lado.
- Igual a você.
Dei de ombros, brincando:
- Talvez um pouco.
Victor pegou a taça de vinho e a girou nos dedos.
- E se você for escolhida, os ensaios vão tomar muito seu tempo?
- Um pouco, mas eu dou um jeito. Por quê?
Ele arqueou a sobrancelha.
- Só quero saber quanto tempo de você eu vou ter que dividir com essa peça.
Soltei uma risada baixa.
- Nossa, que egoísta.
- Claro. Você acha que eu vou gostar de dividir minha namorada com qualquer outra coisa?
Revirei os olhos, fingindo impaciência.
- Ai, Victor, você é muito grudento.
Ele riu e se inclinou mais perto.
- E você ama isso.
- Por que você não se inscreve também? Tem uns papéis masculinos muito bons.
- Não me interessei por essa peça.
Eu ia retrucar, mas o garçom chegou com a sobremesa que pedimos: um fondue de chocolate com frutas. Assim que ele saiu, Victor pegou um morango, mergulhou no chocolate e o estendeu para mim.
- Abre a boca.
Olhei para ele com desconfiança.
- Eu consigo comer sozinha.
- Anda, Marina. -ele sorriu de canto.- Confia em mim.
Suspirei e abri a boca, deixando que ele colocasse o morango entre meus lábios. No mesmo instante, senti o gosto doce do chocolate e da fruta combinando perfeitamente.
- Tá bom? -Victor perguntou, me observando.
- Uhum.
Ele pegou outro morango e comeu, me olhando de um jeito divertido.
- Eu poderia ficar te dando morangos assim a noite toda.
Ergui a sobrancelha.
- Você fala isso pra todas?
- Só pra você.
Revirei os olhos, mas não consegui segurar um sorriso.
O jantar seguiu assim, cheio de provocações e risadas. Quando terminamos, Victor segurou minha mão por cima da mesa e a beijou de leve.
- Vamos sair daqui?
- Pra onde?
O sorriso travesso dele foi resposta suficiente.
- Surpresa. Você confia em mim, não confia?
Suspirei, fingindo indecisão.
- Não sei…
Ele riu e se levantou, vindo até mim e estendendo a mão.
- Vem comigo, princesa. Prometo que você vai gostar.
Peguei na mão dele, sentindo um frio na barriga.
Saímos do restaurante de mãos dadas, e Victor chamou um táxi. Ele abriu a porta para mim e entrou logo depois, dizendo o destino para o motorista.
- Você ainda não vai me contar pra onde estamos indo? -perguntei, curiosa.
Ele sorriu, misterioso.
- Eu gosto de te ver curiosa.
Revirei os olhos, mas sorri também. A cidade passava iluminada pela janela enquanto seguíamos para sabe-se lá onde.
Depois de alguns minutos, percebi que o táxi nos levava para um dos prédios mais altos da cidade. Meus olhos se arregalaram.
- Não acredito!
Victor riu, satisfeito com minha reação.
- Gostou da surpresa?
- Vamos subir no observatório?!
- Sim. Você sempre diz que ama a vista noturna de Nova York. Achei que seria um bom jeito de terminar nosso jantar.
Senti um calor no peito com o gesto dele.
- Eu adorei.
Quando chegamos, Victor pagou o táxi e subimos pelo elevador. Assim que as portas se abriram, a cidade inteira se revelou diante de nós. As luzes brilhavam, criando um cenário perfeito.
Caminhamos até a grade de vidro e ficamos ali, observando a cidade. O vento gelado batia no meu rosto, mas Victor passou o braço pelos meus ombros, me puxando para mais perto.
- Valeu a pena a surpresa? -ele perguntou, a voz baixa perto do meu ouvido.
Assenti, ainda encantada com a vista.
- Muito.
Ficamos ali por um tempo, em silêncio, apenas curtindo o momento. Então, Victor pegou meu queixo com delicadeza e me fez olhá-lo nos olhos.
- Feliz aniversário para mim. -ele murmurou antes de me beijar.
O beijo foi lento, como se ele quisesse aproveitar cada segundo. Segurei em sua jaqueta, retribuindo na mesma intensidade. O mundo ao nosso redor sumiu por um momento.
Enquanto Victor me beijava, minha respiração ficou mais pesada. Eu sentia suas mãos firmes deslizando pela minha cintura, e meu coração acelerava com a adrenalina do momento. Com um sorriso travesso, puxei a parte de cima do meu vestido para baixo, revelando a lingerie vermelha que havia comprado.
Victor arregalou os olhos, claramente surpreso, mas um sorriso logo surgiu em seus lábios.
- Você é inacreditável… -ele murmurou, deslizando os dedos pelo tecido delicado da minha roupa íntima.
- Achei que fosse gostar da surpresa… -sussurrei, mordendo o lábio e aproveitando para provocar.
Ele riu baixinho, aproximando os lábios do meu pescoço e depositando beijos lentos. Minha mente estava a mil, uma mistura de desejo e adrenalina tomando conta de mim. A ideia de estarmos ali, no prédio mais alto e com a linda vista de Nova York, escondidos, deixava tudo ainda mais emocionante.
- Você sabe que se alguém entrar aqui, estamos ferrados, né? -ele disse, com a voz rouca, enquanto suas mãos percorriam minha pele.
Sorri contra seus lábios e segurei seu rosto entre minhas mãos.
- Então acho melhor você se apressar…
Ele riu e me puxou para mais perto, nossos corpos colados, e naquele momento nada mais importava além de nós dois e aquela noite inesquecível.
Depois de tudo, nós dois nos vestimos rapidamente, trocando olhares cúmplices e sorrisos travessos. Victor ajeitou a corrente no pescoço enquanto eu desamassava meu vestido, tentando parecer minimamente apresentável. Assim que terminamos, ele segurou minha mão e saímos do prédio, chamando um táxi para voltar ao campus.
Entrei no carro primeiro e, assim que sentei, peguei meu celular para ver as horas. Foi aí que percebi o número absurdo de chamadas perdidas de Bruna. Meu estômago revirou.
Engoli em seco e deslizei o dedo pela tela, abrindo as mensagens. Meu coração acelerou ainda mais ao ler.
"Marina, atende!"
"É sério, eu preciso falar com você agora."
"Não faz isso comigo, pelo amor de Deus!"
"Me avisa quando ver isso!"
Senti um nó na garganta. Uma sensação ruim tomou conta de mim.
- Tá tudo bem? -Victor perguntou ao meu lado, me observando com um olhar preocupado.
Respirei fundo, tentando não transparecer minha apreensão.
- Sim, é só a Bruna. Parece que precisa falar comigo… -murmurei, tentando soar despreocupada enquanto digitava rapidamente para Bruna.
"Tô no táxi voltando pro dormitório. Me espera."
Bloqueei a tela e deslizei o celular para dentro da bolsa, encarando a janela do carro e sentindo aquela angústia crescente. O que poderia ter acontecido para Bruna estar tão desesperada para falar comigo?
Victor passou um braço pelos meus ombros e me puxou para perto, beijando o topo da minha cabeça.
Assim que o táxi parou em frente ao campus, soltei um suspiro, ainda sentindo aquele peso estranho no peito. Victor pagou o táxi e nós descemos, caminhando até o pátio central do campis, Victor segurou minha mão, me puxando para um último beijo.
- Esse foi o melhor aniversário da minha vida. -ele murmurou contra meus lábios, sorrindo.
Sorri de volta, mas meu coração estava inquieto.
- Fico feliz por isso.
Nos despedimos e eu segui para o meu dormitório, sentindo o frio da noite arrepiar minha pele. Assim que entrei, fui direto para o meu quarto, precisava trocar de roupa antes de falar com Bruna.
Joguei minha bolsa na cama e tirei o vestido, vestindo rapidamente um pijama confortável. Ainda de costas para a porta, comecei a tirar a maquiagem quando ouvi três batidas baixas.
- Entra! -falei, sem me virar.
A porta se abriu, e pelo reflexo do espelho, vi Bruna entrar devagar, fechando a porta atrás de si. Seu rosto estava sério, apreensivo. Ela parecia hesitante, como se estivesse escolhendo as palavras certas.
- O que aconteceu? -perguntei, agora virando para encará-la.
Bruna respirou fundo, seu olhar carregado de algo que me fez gelar.
- Marina… eu preciso te contar uma coisa.
O peso no meu peito aumentou.
- Tá me assustando. -falei, cruzando os braços.
- Eu… eu descobri uma coisa sobre o Victor! -ela começou, mordendo o lábio.- E eu não sei como te contar, mas… eu não posso simplesmente ficar calada.
Minha expressão se fechou.
- O que tem o Victor? -perguntei, sentindo um frio na espinha.
Bruna hesitou mais uma vez, então respirou fundo e soltou de uma vez:
- Ele é um traficante, Marina.
O chão sumiu sob meus pés.
- O quê?
Minha voz saiu fraca, quase um sussurro. Meus ouvidos começaram a zumbir, e por um momento, achei que tivesse ouvido errado.
- O Victor vende drogas no campus. -Bruna repetiu, com firmeza.
Senti minha respiração ficar errática, meu peito subindo e descendo rápido.
- Não… não, isso não pode ser verdade. -balbuciei, sentindo uma onda de negação me dominar.- Quem te disse isso?
- Luan. -ela respondeu sem hesitar.- E quem contou pra ele foi o Justin, Justin ficou sabendo naquele dia da festa aqui. E… Marina, eu também vi algumas coisas estranhas. Vi ele recebendo dinheiro de um cara perto do estacionamento dos professores, e… eu juntei as peças.
Neguei com a cabeça, como se pudesse afastar aquela informação.
- Não, Bruna, isso não faz sentido! Eu conheço o Victor, ele não faria isso!
Mas, no fundo, uma parte de mim sabia que não podia simplesmente ignorar. A lembrança de Harry e Gabriel sempre estarem ao redor dele, a forma como ele evitava falar sobre algumas coisas… começou a fazer sentido.
Bruna se aproximou e segurou minhas mãos.
- Marina, eu sei que isso é um choque, mas você precisa acreditar em mim. Eu não inventaria isso.
Engoli em seco, sentindo meus olhos começarem a arder.
- Eu… eu preciso pensar. -sussurrei, afastando as mãos das dela e me sentando na beira da cama.
Minha mente estava um caos. O Victor que eu conhecia, o cara que tinha acabado de me agradecer pela melhor noite da vida dele… era um traficante?
Bruna já estava de pé, pronta para sair do meu quarto, mas antes de girar a maçaneta, ela hesitou e me olhou mais uma vez.
- Marina… tem mais uma coisa.
Minha respiração ficou presa na garganta. Eu já estava tentando processar tudo, e ainda tinha mais?
- Quem traz as drogas para o Victor… é o Harry.
Meus olhos se arregalaram, e eu olhei diretamente para Bruna, buscando alguma hesitação no rosto dela. Mas tudo que vi foi a decepção estampada nos seus olhos.
Aquilo foi como um soco no estômago.
Porque se Bruna estava olhando para mim daquele jeito… era verdade.
Não consegui dizer nada. Apenas fiquei ali, sentada na beira da cama, sentindo o peso de tudo desabar sobre mim.
Uma onda de emoção me atingiu com força, e pela primeira vez naquela conversa, eu me senti verdadeiramente fragilizada.
Senti um nó apertar na minha garganta, e antes que eu pudesse impedir, as lágrimas começaram a cair.
Bruna suspirou, e sem dizer mais nada, saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
E eu fiquei ali. Sozinha.
O silêncio do quarto parecia ensurdecedor, enquanto eu deixava as lágrimas escorrerem, me sentindo completamente perdida.
A raiva dentro de mim crescia como um incêndio descontrolado. Meu peito subia e descia rapidamente, meu coração batia tão forte que eu podia sentir a pulsação nos ouvidos.
Sem pensar, sem racionalizar, eu me levantei num impulso e agarrei o primeiro objeto ao meu alcance: meu sapato de salto.
- MENTIROSO! DESGRAÇADO! FILHO DA PUTA!
Minha voz saiu entrecortada pelo choro enquanto eu arremessava o sapato com toda a força contra o espelho do meu quarto.
O impacto foi imediato. O vidro estilhaçou em mil pedaços, espalhando cacos pelo chão. Alguns deslizaram pelo piso, outros ficaram presos na moldura, refletindo minha expressão devastada e furiosa em pequenos fragmentos.
Mas aquilo não era o suficiente.
Meus olhos caíram sobre o vestido azul que eu havia usado naquela noite. O vestido que eu tinha escolhido com tanto cuidado, que eu tinha usado para me sentir bonita, desejada… que agora só me fazia sentir nojo.
Agarrei uma tesoura e, sem pensar duas vezes, comecei a cortá-lo.
Cortei as mangas, cortei o tecido na altura do peito, rasguei a saia. Os pedaços caíam ao chão enquanto eu destroçava cada centímetro, como se aquilo pudesse arrancar a raiva de mim.
As lágrimas continuavam a escorrer pelo meu rosto, quentes, incessantes.
Minha visão ficou turva quando meus olhos encontraram o mural ao lado da minha cama. E lá estava ela.
A nossa foto.
Eu e Victor, pouco dias depois que começamos a namorar. Eu estava feliz naquela foto. Eu estava cega.
Minha mão tremeu de ódio enquanto eu arranquei a foto do mural, segurando-a com força entre os dedos.- SEU MENTIROSO DE MERDA!
Com um puxão seco, rasguei a foto ao meio. Depois mais uma vez. E outra. E outra.
Os pedaços caíram aos meus pés, junto com o vestido destruído e os estilhaços do espelho.
Minha respiração estava ofegante, meu peito doía, meus ombros tremiam.
Me senti vazia.
Me joguei na cama, deixando as lágrimas levarem o que restava da minha força. E, pela primeira vez naquela noite, o silêncio do quarto foi mais alto do que minha própria dor.
