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Capítulo 22

Bruna Narrando 

Acordei me sentindo meio zonza, a cabeça pesada como se eu tivesse dormido por dias. Meus olhos piscaram algumas vezes antes de se ajustarem à pouca luz do quarto. Olhei ao redor e percebi que estava no meu próprio dormitório, debaixo das cobertas.

Foi quando notei que estava de pijama. Meu coração acelerou um pouco. Eu não lembrava de ter tomado banho ou trocado de roupa. O que tinha acontecido?

Virei a cabeça devagar e vi Marina deitada no colchão no chão, perto da minha cama, mexendo no celular. O brilho da tela iluminava seu rosto concentrado.

Respirei fundo e tentei me mexer, mas meu corpo ainda estava pesado. Mesmo assim, estiquei o braço e alcancei meu celular na mesinha ao lado. Apertei o botão e a tela se acendeu, mostrando o horário: 22h00.

Meus olhos se arregalaram.

- Eu perdi a tarde inteira?! -minha voz saiu rouca e um pouco falha.

Marina levou um susto e soltou o celular, que caiu no colchão. Ela se levantou no pulo e veio até mim.

- Meu Deus, Bruna! Você acordou!

Antes que eu pudesse reagir, ela acendeu a luz do quarto, e um incômodo imediato tomou conta de mim.

- Ai, Marina! -reclamei, apertando os olhos que arderam com a claridade repentina.

- Desculpa! -ela riu sem graça e abaixou um pouco a intensidade da luz.- Mas você me assustou! Como tá se sentindo?

Pisquei algumas vezes até minha visão se ajustar e então a encarei.

- Melhor... eu acho. Ainda um pouco zonza.

- Isso é normal. Sua febre tava altíssima.

Tentei me lembrar dos últimos momentos antes de apagar completamente, mas tudo parecia um borrão.

- O que aconteceu? 

Marina mordeu o lábio, hesitante, e então suspirou.

- Foi um caos. Você começou a delirar, então eu e Justin te colocamos no chuveiro pra baixar sua temperatura. Depois, eu te vesti e te colocamos na cama.

Eu arregalei os olhos de novo.

- Justin?!

- Sim. Ele que te carregou até o quarto.

Minha mente ficou em branco por um segundo. Justin me viu... nua?!

Eu nem sabia o que pensar.

Marina percebeu minha expressão e cruzou os braços, arqueando a sobrancelha.

- Nem adianta surtar agora, Bruna. Você tava delirando de febre, não tinha outra opção. E ele já te viu pelada em posições que eu não quero nem imaginar.

Fechei os olhos e soltei um longo suspiro. Eu sabia que ela tinha razão, mas ainda assim...

- Mas relaxa, Justin tava mais preocupado em te manter de pé do que qualquer outra coisa. Ele nem olhou pra nada.

Mordi o lábio e enterrei o rosto nas mãos, sentindo um calor subir pelo meu corpo que não tinha nada a ver com febre.

- Ai meu Deus...

- Você devia estar agradecendo, não surtando. Ele ficou aqui o tempo todo, só saiu quando você dormiu melhor.

Engoli em seco e abaixei as mãos, finalmente olhando para Marina.

- Ele ainda tá por aqui?

Ela negou com a cabeça.

- Foi pro quarto dele faz pouco tempo. Mas passou o dia inteiro aqui, te vigiando.

Meu coração deu um pequeno salto no peito. Justin... passou o dia comigo?

- E Luan? -perguntei, tentando mudar de assunto. Marina desviou o olhar por um instante antes de responder.

- Ele estava bem preocupado, mas como você já estava melhor, foi junto com Justin.

Observei sua expressão e algo me dizia que tinha mais coisa ali.

- O que foi?

Ela suspirou.

- Nada. Só... algumas coisas que eu preciso processar.

Arqueei a sobrancelha, mas não insisti. Meu corpo ainda estava fraco e minha cabeça girava um pouco.

- Quer água? Comida? -Marina perguntou, mudando de assunto.

- Água, por favor.

Ela se levantou e saiu do quarto. Assim que fiquei sozinha, olhei para o teto e respirei fundo.

Justin passou o dia comigo. Justin me carregou. Justin se preocupou.

Abracei o travesseiro e fechei os olhos, tentando ignorar o fato de que, por mais que minha mente estivesse cansada, meu coração parecia completamente desperto.

Marina voltou poucos minutos depois com um copo d’água e um pacote de biscoitos.

- Aqui. Bebe devagar.

Peguei o copo de suas mãos e tomei um gole, sentindo o líquido aliviar um pouco a secura na minha garganta.

- Valeu, Mari.

Ela se sentou na beira da cama e me observou por um instante.

- Tá sentindo alguma coisa? Além da fraqueza?

- Um pouco de dor de cabeça, mas nada demais.

Ela assentiu.

- Se piorar, avisa.

Ficamos em silêncio por alguns segundos. Peguei um biscoito e comecei a comer devagar, ainda me sentindo meio desconectada da realidade.

- Então... como foi o dia? -perguntei, tentando puxar assunto. Marina soltou um suspiro e se jogou para trás, deitando ao meu lado.

- Foi intenso. Justin quase não saiu do seu lado. Luan tava todo preocupado. Olivia tava grudada nele.

Fiz uma careta.

- Grudada como?

- Como se fosse dona dele.

Soltei um suspiro longo.

- E você não fez nada?

Ela riu de leve.

- O que eu podia fazer? Bater nela?

- Talvez. -brinquei, arrancando outra risada dela.

Depois de um tempo, Marina virou o rosto para mim.

- E você? Como tá se sentindo, de verdade?

Fiquei em silêncio por um momento antes de responder.

- Cansada. Meio confusa. Mas... grata.

Ela arqueou a sobrancelha.

- Grata?

Assenti.

- Por ter vocês comigo. Por Justin ter ficado. Sei lá... foi bom saber que ele se importa de verdade.

Marina sorriu de lado.

- Ele sempre se importou, Bruna.

Abaixei o olhar, sentindo meu coração acelerar um pouco.

- Pois é...

Marina me cutucou.

- Cuidado, hein. Se continuar assim, vai acabar se apaixonando.

Ri, tentando disfarçar o frio na barriga que senti com aquela frase.

- Eu já tenho problemas suficientes, obrigada.

Mas, no fundo, eu sabia que já era tarde demais.

Alguns dias depois...

Os dias se passaram, e eu finalmente estava melhor da gripe. Harry havia voltado, e a rotina da faculdade tinha sido uma loucura com a semana de provas. Mas agora, com as provas terminadas e o Natal se aproximando, finalmente tínhamos um dia mais tranquilo.

Hoje, a turma de música faria uma exibição especial dos clipes que produziram, e praticamente todo mundo do campus resolveu assistir. Como a exibição duraria a manhã inteira, peguei meu café e fui direto para o auditório, onde já encontrei Marina, Olívia, Virgínia, Ryan e Anthony sentados no fundo.

- Vai ser legal ver o que eles aprontaram, né? -Olívia comentou, olhando para o palco.

- Sim, e também vai ser uma ótima oportunidade pra ver nossos amigos passando vergonha na tela grande. -Anthony brincou, arrancando risadas do grupo.

Eu estava ajeitando meu casaco quando vi Harry entrando no auditório acompanhado de Gabriel e Victor. Eles olharam ao redor e, assim que me viram, caminharam até a nossa fileira, sentando-se bem na nossa frente.

- Tá melhor, pequena? -Harry perguntou, se virando para mim com um sorriso.

Assenti.

- Muito melhor.

Gabriel deu um sorrisinho.

- Que bom. Ficamos preocupados com você.

- Obrigada, mas agora já tô pronta pra maratonar esses clipes.

Ryan riu.

- Espero que tenham pelo menos alguns desastres pra tornar isso mais divertido.

- Com certeza tem. -Marina disse, mexendo no celular.

Olhei para a frente do auditório e vi que as primeiras fileiras estavam ocupadas pelo pessoal da turma de música. Luan e Justin estavam sentados juntos, conversando com alguns colegas.

Luan gesticulava enquanto falava, provavelmente empolgado com algo. Justin parecia relaxado, mas atento à conversa.

O auditório foi se enchendo cada vez mais, e logo as luzes começaram a diminuir. A exibição estava prestes a começar.

O professor pediu silêncio, informando que os clipes seriam exibidos em ordem aleatória. Todos no auditório se ajeitaram em seus assentos, enquanto ele clicava para iniciar o primeiro vídeo.

Assim que a tela acendeu, a primeira imagem surgiu, e imediatamente reconheci Justin.

Ele estava lindo no clipe.

A iluminação, o figurino, a forma como a câmera capturava cada detalhe dele… tudo parecia impecável. Mas, mais do que isso, o que realmente me prendeu foi a música.

A melodia começou suave, com um instrumental envolvente, e então a voz de Justin preencheu o auditório.

Fechei os olhos por um segundo, absorvendo a letra.

Dance with me under the diamonds
(Dance comigo sob os diamantes)
See me like breath in the cold
(Me veja respirando no frio)
Sleep with me here in the silence
(Durma comigo aqui no silêncio)
Come kiss me, silver and gold
(Venha me beijar, seja em prata ou em ouro)

A cada verso, as palavras pareciam ter um peso diferente. Havia algo nelas… algo pessoal.

Olhei discretamente para Justin, que estava na primeira fileira, assistindo ao próprio clipe com uma expressão neutra. Mas eu o conhecia bem o suficiente para perceber quando algo significava mais para ele do que ele deixava transparecer.

Marina, ao meu lado, se inclinou um pouco na minha direção.

- Essa música… -ela sussurrou.- Tem um tom meio… pessoal, né?

Eu apenas assenti, sem desviar os olhos da tela.

A cada verso, eu sentia um aperto no peito.

You say that I won't lose you
(Você diz que não vou te perder)
But you can't predict the future
(Mas você não pode prever o futuro)
So just hold on like you will never let go
(Então, segure firme como se nunca fosse soltar)
Yeah, if you ever move on without me
(Sim, se algum dia você seguir em frente sem mim)
I need to make sure you know that
(Eu preciso ter certeza de que você sabe disso)

E então, o refrão veio.

You are the only one I'll ever love
(Você é a única pessoa que eu vou amar)
(I gotta tell you, gotta tell you)
(Eu preciso te dizer, preciso te dizer)
Yeah, you, if it's not you, it's not anyone
(Sim, você, se não for você, não é ninguém)
(I gotta tell you, gotta tell you)
(Eu preciso te dizer, preciso te dizer)
Lookin' back on my life
(Olhando para trás na minha vida)
You're the only good I've ever done (ever done)
(Você é o único bem que eu já fiz)
Yeah, you, if it's not you, it's not anyone
(Sim, você, se não for você, não é ninguém)
(Anyone), not anyone
((Ninguém), não é ninguém)

Foi ali que percebi.

A letra… falava sobre um sentimento de dependência e devoção, onde ele expressava que, sem a pessoa amada, ninguém mais importa ou pode ocupar seu lugar, que ela é insubstituível. A música era um testemunho do poder do amor e da importância de expressar esses sentimentos antes que seja tarde demais.

Engoli em seco.

Meu coração acelerou.

Não podia ser…

Virei o rosto novamente para Justin, que continuava olhando fixamente para a tela, como se estivesse tentando decifrar a própria música.

E foi ali que eu soube.

Essa música era para mim.

Meus dedos apertaram levemente a barra do meu casaco. Eu não conseguia olhar para Marina, nem para ninguém ao meu redor. Meus olhos estavam presos na tela, nas palavras, na emoção crua que transbordava na voz dele.

A última cena mostrou Justin vencendo a luta e beijando a atriz que ele havia contratado. A música foi morrendo aos poucos, até restar apenas o silêncio no auditório.

Por um instante, ninguém falou nada.

E então, o barulho dos aplausos encheu a sala.

Justin se mexeu na cadeira, parecendo desconfortável com a atenção. Ele passou a mão pelos cabelos, abaixando a cabeça por um segundo.

- Uau. -Marina murmurou ao meu lado.- Foi intenso.

Respirei fundo, tentando manter a expressão neutra.

Harry, na fileira da frente, virou o rosto para mim e arqueou uma sobrancelha, como se esperasse minha reação.

Mas eu não conseguia reagir.

Minha mente ainda estava presa em cada palavra daquela música.

E, no fundo, eu sabia.

Justin estava tentando me dizer algo.

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