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Capítulo 21

Marina Narrando 

Me aproximei um pouco mais de Bruna e passei a mão em sua testa. Ela ainda estava quente demais.

- Bruna, acho que a gente devia te levar pro hospital, sério. Essa febre tá muito alta.

Ela abriu os olhos lentamente e me olhou com um ar cansado.

- Marina... eu juro, só preciso descansar. Já tomei remédio... Daqui a pouco passa.

Suspirei, me sentando ao lado da cama. Eu não queria ser insistente, mas também não queria arriscar.

- Mas e se não passar? 39 graus de febre não é brincadeira.

Luan concordou.

- Ela tem razão. Isso pode ser uma infecção ou algo mais sério.

Bruna suspirou e fechou os olhos de novo, mas não respondeu. Ela parecia exausta.

Olhei para Justin, que ainda estava abraçado a ela, tentando aquecê-la.

- O que você acha? -perguntei.

Ele hesitou por um momento, olhando para Bruna, e depois para Luan e para mim.

- Eu acho que se ela continuar assim por mais um tempo, a gente leva. Mas vamos esperar um pouco pra ver se o remédio faz efeito.

Bufei, cruzando os braços. Eu não gostava da ideia de esperar, mas também não queria forçar Bruna a fazer algo que ela não quisesse.

- Tudo bem, mas se a febre não baixar logo, vocês dois me ajudam a arrastá-la pro hospital.

Luan assentiu, concordando comigo.

O quarto ficou em silêncio por alguns instantes. Justin permaneceu segurando Bruna, tentando aquecê-la, enquanto Olivia e Virgínia se entreolhavam, preocupadas.

Eu me levantei e fui até a janela, observando a neve começar a cair lá fora. O campus estava lindo com as luzes de Natal e as decorações espalhadas por toda parte.

O celular de Bruna começou a tocar ao meu lado, a tela iluminando o quarto escuro. Olhei para o visor e vi o nome de Harry piscando.

Sem pensar muito, peguei o telefone e atendi.

- Oi, Harry.

- Marina? Cadê a Bruna? Passa pra ela.

Seu tom era preocupado, e eu mordi o lábio antes de responder.

- Ela tá dormindo. Na verdade, tá um pouco doente...

- Doente? Como assim? O que ela tem? -ele soou alarmado.

- Calma, ela só pegou uma gripe forte. Tá com febre, mas já tomou remédio. As meninas, o Luan e eu estamos cuidando dela.

Do outro lado da linha, Harry suspirou, ainda parecendo preocupado.

- Certeza que não é nada grave? Vocês levaram ela ao médico?

Troquei um olhar rápido com Luan e Justin antes de responder.

- Ainda não. Estamos esperando o remédio fazer efeito. Mas eu prometo que, se ela não melhorar, a gente leva.

Harry ficou em silêncio por um momento.

- Tudo bem... Eu confio em você. Só cuida dela, por favor.

- Pode deixar.

- Ah, e outra coisa… Eu vou precisar ficar mais alguns dias por aqui. Queria que você avisasse a Bruna por mim.

- Tudo bem, eu aviso.

- Valeu, Marina. Me avisa se ela piorar, tá?

- Claro.

Ele desligou logo depois, e eu soltei um suspiro, guardando o celular de Bruna de volta no criado-mudo.

Eu deliberadamente omiti que Justin estava no quarto com ela. Não queria que Harry ficasse ainda mais preocupado... ou com ciúmes.

O quarto estava silencioso, apenas a respiração pesada de Bruna e Justin preenchia o ambiente. Olivia e Virgínia haviam saído há pouco, e agora restavam apenas eu e Luan ali.

Ele estava sentado no tapete, de costas para a cama onde Bruna dormia, enquanto eu me acomodei na cadeira ao lado, observando minha melhor amiga descansar.

- Ela vai ficar bem. -murmurei, quebrando o silêncio. Luan assentiu devagar, os olhos fixos no chão.

- Espero que sim… Eu nunca vi Bruna assim. Ela sempre foi forte, sabe? Mas agora, vendo ela tão frágil... -sua voz era carregada de preocupação.

- Ela só precisa descansar. É normal pegar uma gripe forte nesse frio. 

Luan suspirou, passando as mãos pelo rosto. Notei que havia algo mais incomodando ele. Ele parecia distante, tenso.

- Você tá bem? -perguntei baixinho.

Ele não respondeu de imediato. Abaixou a cabeça, os ombros levemente trêmulos. Foi só então que percebi... Ele estava chorando baixinho.

Imediatamente me levantei e ajoelhei à sua frente, tentando entender o que estava acontecendo.

- Luan... o que foi?

Ele esfregou os olhos rapidamente, tentando enxugar as lágrimas, mas não conseguiu disfarçar o cansaço em sua expressão.

- É só... acumulado. -sua voz saiu embargada.- Tem sido tanta coisa ao mesmo tempo... Eu tô tentando me manter forte, mas agora, com Bruna doente, eu me sinto perdido.

Ele respirou fundo, desviando o olhar.

- Eu tô num país estranho, longe de tudo que eu conheço. Às vezes, eu só queria poder voltar pra casa.

Meu peito apertou ao vê-lo assim.

- Luan… você não precisa se sentir perdido. -segurei sua mão, apertando levemente.- Você pode contar comigo. Sempre. Bruna é minha melhor amiga, e eu faria o impossível por ela… e isso inclui você também.

Luan ergueu os olhos para mim, me encarando em silêncio. Seu olhar era intenso, como se tentasse absorver cada palavra minha. Então, sem aviso, ele desviou para minha boca.

Meu coração acelerou. Por um segundo, achei que ele fosse me beijar. E, o pior, eu não sabia se iria aceitar ou rejeitar.

Mas então, Luan suspirou, quebrando o momento.

- Obrigado, Marina. -sua voz veio num tom baixo, sincero.- Por estar por perto.

Eu apenas assenti, sentindo que, de alguma forma, aquele momento entre nós significava mais do que qualquer um de nós queria admitir.

Bruna começou a se mexer inquieta na cama, murmurando palavras desconexas. Sua pele estava ainda mais pálida, e sua respiração, irregular.

- Justin… -ela murmurou, a voz fraca.

Justin despertou num sobressalto, olhando para ela assustado. Eu e Luan nos levantamos imediatamente.

- Ela tá delirando de febre! -avisei, colocando a mão em sua testa.- Tá ainda mais quente. Precisamos fazer algo agora.

- Vamos levar ela ao hospital! -Luan sugeriu, mas eu neguei com a cabeça.

- Antes, vamos tentar baixar essa febre com um banho. Se não funcionar, aí a gente leva. Está nevando lá fora, com o corpo dela quente, pode dar choque térmico.

Justin não hesitou, já ajudando Bruna a se sentar. Ela parecia desorientada, os olhos meio abertos, mas sem foco.

- Eu vou sair então. -Justin disse, se levantando.

- Não. -interrompi, olhando para Luan.- É melhor o Luan sair.

- Por quê? -Justin franziu a testa. Suspirei e olhei diretamente para ele.

- Se eu estivesse no lugar da Bruna, entre meu irmão ou um ex-ficante que já me viu pelada, eu preferiria o ex-ficante.

Luan arqueou as sobrancelhas e soltou uma risada nasal.

- Justo. -ele murmurou, pegando seu celular do bolso.- Vou esperar lá embaixo. Me avisem se precisarem de alguma coisa.

Assim que ele saiu, eu e Justin começamos a despir Bruna com cuidado. Ela tremia muito, ainda balbuciando coisas sem sentido.

- Tá tudo bem, Bru. -murmurei, tentando acalmá-la.

Justin a segurou firme enquanto a levávamos para o banheiro. Liguei o chuveiro na água morna, o suficiente para resfriar seu corpo sem causar um choque térmico.

- Vai ser um pouco frio, Bru, mas é pra te ajudar. -avisei.

Justin nem hesitou em entrar junto com ela, a segurando enquanto eu jogava água em seu corpo. Ele já estava todo molhado, mas claramente não se importava.

- Só melhora logo, Bruna… -ele sussurrou, encostando a testa na dela, preocupado.

Eu apenas continuei o que fazia, torcendo para que aquilo ajudasse.

Após o banho, enrolei Bruna na toalha, tentando secá-la o máximo possível. Ela ainda estava meio zonza, os olhos fechando e abrindo devagar. Justin a pegou no colo sem hesitar, segurando-a com firmeza enquanto a levava de volta para o quarto.

- Imagina se o Harry visse uma cena dessa? -ele soltou, com um meio sorriso, enquanto caminhava. Não consegui evitar um riso.

- Ia ser no mínimo interessante. -brinquei.

Assim que chegamos ao quarto, abri o guarda-roupa e peguei um pijama quente para Bruna. Justin a colocou na cama com cuidado, e eu comecei a vesti-la. Apesar da febre alta, ela parecia um pouco mais consciente agora, resmungando baixinho enquanto eu passava a blusa por sua cabeça.

- Pronto, Bru. Tá tudo bem agora. -murmurei, terminando de ajeitá-la.

Justin pegou a coberta e a puxou até os ombros dela, a cobrindo completamente. Ele ficou ali, olhando para Bruna com uma expressão difícil de decifrar.

Eu sabia o que estava passando na cabeça dele. Ele não era namorado dela, mas a forma como olhava para Bruna deixava bem claro que, no fundo, ele queria ser.

Desci as escadas devagar, sentindo meu estômago revirar ao ver a cena à minha frente.

Olívia e Luan estavam sentados no sofá, mas a forma como ela estava tão colada nele, que estava quase no colo, me fez cerrar os punhos automaticamente. Eu tentei respirar fundo, manter a calma. Ela era minha amiga. Mas, ao mesmo tempo, sabia muito bem de tudo o que rolou entre mim e Luan… e ainda assim estava ali, se jogando para cima dele como se nada importasse.

Mordi a língua para não dizer nada impulsivo e, em vez disso, foquei no motivo pelo qual tinha descido.

- Bruna tá deitada. Ainda com febre, mas não tá mais delirando.

Luan levantou num pulo, se afastando de Olívia quase como se tivesse sido pego em flagrante. Ele veio até mim rapidamente, parecendo meio sem jeito.

- Obrigado, Marina. Sério. Por tudo o que você tá fazendo. -balancei a cabeça, tentando ignorar a irritação que ainda latejava dentro de mim.

- Ela é minha melhor amiga, Luan. Eu faria qualquer coisa por ela.

- Eu não sei o que seria dela, sem você. 

Apenas sorri, desviando o olhar pra Olívia e caminhando até a cozinha, tentando me ocupar com qualquer coisa para não pensar demais. Peguei um copo d’água e bebi devagar, respirando fundo. Quando vi Olívia saindo do dormitório, quando ela fechou a porta, pude soltar o ar preso nos pulmões.

Luan caminhou até mim, sua expressão era de quem queria entender o que estava acontecendo.

- Tá tudo bem? -ele perguntou, me estudando com aqueles olhos castanhos atentos.

Suspirei. Tinha tanta coisa para falar.

Queria pedir para ele não ficar com as minhas amigas. E nem com a minha irmã. Eu tinha visto o clima entre ele e Melanie no Dia de Ação de Graças, e isso ainda me incomodava. Mas, ao mesmo tempo, que direito eu tinha de falar algo? Eu estava namorando outro cara. Não era justo proibir Luan de ficar com quem quisesse só porque isso me incomodava.

Mordi o lábio, lutando contra as palavras que queriam escapar.

- Eu só tô cansada. Foi um dia difícil.

Ele assentiu devagar, mas seus olhos continuavam presos em mim, como se soubesse que havia mais coisa por trás do meu cansaço.

Luan continuou me encarando, e eu não desviei o olhar. Havia um peso naquele silêncio entre nós, um misto de mágoa e desejo não resolvido. Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos, claramente frustrado.

- É difícil pra mim estar com você sem poder te beijar, sem poder te tocar. -sua voz saiu baixa, mas carregada de sentimento.- Eu sinto sua falta, Marina. Mas você fez sua escolha.

Senti um aperto no peito com aquelas palavras. Eu também sentia falta dele. Senti desde o primeiro dia em que nos afastamos. Mas aquilo não era só sobre mim.

Cruzei os braços, sem desviar o olhar.

- Você foi a minha escolha, Luan. -minha voz saiu firme, mas cheia de dor.- Mas você demorou demais pra entender que eu também era a sua.

Ele piscou, surpreso com a minha resposta. E por um segundo, eu vi em seus olhos tudo o que ele nunca disse em voz alta.

Luan desviou o olhar por um instante, respirando fundo, como se estivesse absorvendo minhas palavras. Eu vi seus punhos se fecharem e relaxarem logo em seguida, como se estivesse tentando se controlar.

- Você acha que foi fácil pra mim? -ele voltou a me encarar, os olhos carregados de algo entre arrependimento e frustração.- Eu sempre soube que era você. Mas entre saber e ter coragem de fazer algo a respeito, existe um abismo.

- E quem te impediu de atravessar esse abismo? -questionei.

- Eu mesmo. -Luan deu um riso amargo, balançando a cabeça.- Medo, orgulho, sei lá... talvez um pouco dos dois. Mas agora não adianta mais, não é?

Eu não respondi de imediato. Porque, no fundo, eu também não sabia a resposta. Por mais que eu estivesse com Victor agora, aquele sentimento por Luan nunca tinha desaparecido. Eu queria dizer que tinha seguido em frente, mas estar ali, sentindo a intensidade dos olhos dele sobre mim, provava que talvez isso fosse uma mentira.

- Eu não sei. -admiti, sincera.

Luan me encarou por um longo momento, como se tentasse decifrar o que eu estava sentindo. Ele abriu a boca para falar algo, mas foi interrompido pelo barulho de passos na escada.

Justin apareceu na cozinha, os cabelos um pouco bagunçados.

- Bruna tá dormindo. A febre parece que baixou. -ele informou, olhando de Luan para mim, como se tivesse sentido a tensão no ar.

Eu apenas assenti, desviando o olhar de Luan e me concentrando no que realmente importava agora.

- A gente fica de olho nela essa noite. Se a febre não ceder, levamos pro hospital.

Luan concordou, mas seu olhar ainda estava em mim. Como se quisesse continuar aquela conversa. Como se tivesse mais coisas a dizer.

Mas agora não era o momento. Ou talvez nunca fosse.

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