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Capítulo 26

Bruna Narrando

31 de Dezembro de 2024

O sol escaldante brilhava no céu azul sem nenhuma nuvem à vista. O calor era intenso, mas a água gelada da piscina aliviava um pouco. Eu me encostei na borda, segurando o copo gelado da caipirinha que Luan tinha preparado. O cheiro do churrasco invadia o ar, misturado com o aroma das árvores e da terra molhada ao longe.

Na varanda, a família conversava animadamente, meu tio cuidava da churrasqueira, enquanto outro tio e meus primos jogavam truco. O Pantanal era um paraíso, e apesar de estar acostumada com a vida agitada de Nova York, nada se comparava a esse clima.

Levei o copo aos lábios, sentindo o gosto cítrico da caipirinha misturado ao leve amargor da cachaça. Luan realmente sabia fazer uma boa bebida.

Ele se aproximou da piscina, sentando-se na beirada e deixando os pés dentro d'água. Pegou seu próprio copo e tomou um gole antes de me olhar com um sorriso de canto.

- Melhor que os drinks chiques de Nova York, né?

Ri, balançando a cabeça.

- Olha, não vou mentir, lá tem uns bem bons, mas nada como uma caipirinha feita pelo meu irmão. -brinquei, levantando o copo em um brinde.

Ele bateu o copo no meu e sorriu.

- E aí, sentindo falta de lá?

Suspirei, olhando para o horizonte. O Pantanal tinha uma beleza única, com sua imensidão verde e os sons da natureza preenchendo o silêncio entre as conversas e risadas.

- Eu gosto de Nova York. -admiti.- A cidade tem uma energia única. A movimentação, as luzes, as oportunidades… Mas nada se compara ao Brasil. Aqui, eu me sinto em casa. O clima, as pessoas, a comida… E esse churrasco então? -apontei para a churrasqueira onde meu tio virava algumas carnes suculentas. Luan riu.

- Isso é verdade. Nova York pode ter um monte de coisa, mas churrasco de verdade é só aqui.

- E esse calor também. -completei, abanando o rosto com a mão. Luan gargalhou.

- Ah, isso aí ninguém aguenta. Vai querer outra caipirinha?

- Se for igual a essa, com certeza!

Ele se levantou, esticando os braços.

- Vou lá fazer. Aproveita essa piscina enquanto pode, porque daqui a pouco vai estar todo mundo querendo se jogar aí.

Revirei os olhos, rindo.

- Eles que não venham me importunar!

Luan piscou para mim antes de sair, e eu me encostei na borda da piscina novamente, observando o céu. Por mais que Nova York fosse incrível, nada se comparava à sensação de estar em casa.

Saí da piscina devagar, sentindo a água escorrer pelo meu corpo enquanto caminhava até a espreguiçadeira onde tinha deixado meu celular. O sol já estava mais baixo no céu, mas ainda fazia um calor absurdo. Peguei uma toalha e me enxuguei um pouco antes de me sentar na borda da piscina, com os pés dentro d’água.

Peguei meu celular e desbloqueei a tela, vendo várias notificações. Algumas mensagens do grupo das meninas, mas as que mais me chamaram atenção foram as de Harry.

“E aí, gata do Pantanal, tá derretendo por aí?

Aqui tá um frio da porra, me dá um pouco desse calor aí.

Saudades, queria estar aí contigo.”

Sorri, balançando a cabeça. Ele sempre tinha esse jeito leve de falar comigo, e mesmo à distância, conseguia me arrancar um sorriso. Comecei a digitar uma resposta.

“Tá muito quente, o sol está escaldante. Quer trocar?”

Ele respondeu quase que imediatamente.

“Na hora! Aqui tá tudo congelado, e eu só queria estar de boa com você, tomando essa bebida que você postou.”

Olhei para o copo ao meu lado e ri.

“É caipirinha. O Luan fez, ele manda bem. Quem sabe um dia ele te apresenta esse talento dele.”

“Aprovado, já quero. Mas me conta, como tá aí? Família reunida?”

Olhei ao redor, vendo Luan concentrado fazendo mais caipirinha, e o pessoal ainda fazendo o mesmo de antes. O clima era leve, familiar, e por mais que eu gostasse da minha vida em Nova York, esses momentos eram insubstituíveis.

“Sim, todo mundo aqui. Tô aproveitando muito, eles tão loucos pra te conhecer. Estou com saudades."

Esperei a resposta dele, sentindo uma leve ansiedade no peito. Harry demorou um pouco mais para responder, mas quando a mensagem chegou, um sorriso involuntário apareceu no meu rosto.

“Um dia com certeza irei pra aí conhecer sua família amor.

Saudade é pouco. Mas aproveita aí, você merece. Quando voltar, vou compensar essa distância.”

Meu coração acelerou um pouco. Respirei fundo e digitei uma última mensagem antes de bloquear o celular.

“Vou cobrar, hein. Mas agora vou curtir um pouco aqui, depois a gente se fala.”

“Ta bom, minha brasileira favorita.”

Soltei uma risadinha, largando o celular ao meu lado e voltando a olhar para a água da piscina. Por mais que estivesse curtindo minha família, não podia negar que uma parte de mim já queria estar de volta a Nova York.

Peguei meu celular de novo e entrei no Instagram, deslizando pelos stories sem muita atenção. Vi alguns amigos postando fotos da virada de ano chegando, minha mãe tinha postado uma foto da família reunida na fazenda, e Marina tinha postado uma foto do acompanhada de Victor.

Foi quando Luan chegou do meu lado, segurando dois copos. Ele se abaixou e me entregou um.

- Trouxe reforço pra você. -ele disse, sentando na borda da piscina ao meu lado.

Peguei a caipirinha e dei um gole, sentindo o gosto do limão misturado com a cachaça gelada.

- Essa ficou melhor que a outra. -comentei, olhando para ele.

- Eu sou bom nisso, né? -Luan riu, satisfeito.

Balancei a cabeça, rindo, e voltei a olhar para o celular. Continuei vendo os stories até que um em específico me chamou a atenção: Justin tinha postado uma foto com um cara e uma garota, e a localização era Toronto.

Franzi a testa e dei zoom na foto para ver melhor. Justin estava no meio, com um moletom grande e um gorro, todo no estilo dele. O cara ao lado dele eu não conhecia, mas a garota… Meu olhar parou nela. Justin havia feito marcações e vi quem era ela.

Caitlin Beadles.

Cliquei no perfil dela, curiosa. A primeira coisa que vi foi a foto de perfil: ela era linda, tinha um olhar azul marcante e um sorriso perfeito. Rolei o feed dela rapidamente, vendo algumas fotos dela na neve, outras com amigos e algumas com legendas inspiradoras.

Não deixei de sentir um aperto no peito. Quem era essa garota?

- Tá vendo o quê aí? -Luan perguntou, bebendo um gole da caipirinha.

Hesitei por um segundo antes de responder.

- Justin… Ele tá em Toronto. Postou uma foto com um cara e uma garota.

Luan arqueou uma sobrancelha.

- E daí?

Suspirei, desviando o olhar da tela e encarando a piscina.

- Nada. Só achei curioso.

Luan ficou me olhando por alguns segundos e então soltou uma risadinha.

- Ah, entendi. Tá com ciúmes.

Bufei.

- Não tô, não.

- Tá sim. -ele cutucou meu braço com o cotovelo.- Quem é a garota?

- O nome dela é Caitlin Beadles.

Luan franziu a testa, tentando lembrar.

- Acho que já ouvi esse nome antes… -eu o olhei, curiosa.- Lembrei. É uma ex do Justin. Eles se conhecem desde a infância, e namoraram na adolescência.

O incômodo dentro de mim aumentou um pouco. Eu sabia que Justin tinha um passado, assim como eu tinha o meu, mas ver ele ao lado de uma ex-namorada me incomodava mais do que eu queria admitir.

Luan percebeu meu silêncio e deu um gole longo na bebida antes de falar.

- Olha, Bru… Se você tá sentindo alguma coisa sobre isso, talvez seja um sinal de que precisa entender melhor o que sente por ele.

Engoli em seco e olhei para ele.

- O que você quer dizer com isso?

Ele deu de ombros.

- Você tá aí, num paraíso, com sua família, com sua caipirinha, curtindo o calor do Brasil, mas tá preocupada com uma foto do Justin. -ele me olhou nos olhos.- Sem contar que você namora outro cara. Acho que isso já responde muita coisa.

Suspirei, desviando o olhar.

- Você viu os stories da Marina? -perguntei, tentando mudar de assunto.

Luan negou com a cabeça, tomando mais um gole da caipirinha.

- Não. Tava mexendo no celular mais cedo, mas nem vi nada dela.

Peguei meu celular e voltei nos stories que eu já tinha visto, parando na foto dela com o Victor. Estiquei o celular para ele ver.

- Olha aí.

Luan pegou o celular da minha mão e analisou a foto. Marina estava abraçada com Victor, os dois bem juntinhos, curtindo o final de ano juntos.

Luan ficou em silêncio por alguns segundos, apenas encarando a tela, e eu percebi quando ele pressionou os lábios, como se estivesse tentando disfarçar alguma reação.

- E aí? -perguntei.

Ele deu de ombros, me devolvendo o celular.

- E aí, o quê? -arqueei a sobrancelha, desconfiada e cruzei os braços, encarando ele.

- Você ainda sente alguma coisa por ela.

Ele soltou uma risadinha, mas não me olhou nos olhos.

- Para com isso, Bruna.

- Luan…

Ele suspirou e balançou a cabeça.

- Olha, não é fácil ver ela com outro cara, mas eu já sabia que isso ia acontecer, né? Faz parte.

- Mas você ainda gosta dela.

Ele não respondeu de imediato. Apenas girou o copo nas mãos, olhando para a bebida antes de murmurar:

- Talvez um pouco.

Senti um aperto no peito pelo meu irmão. Eu sabia o quanto ele gostava da Marina, e apesar de tudo, parecia que ele ainda não tinha superado completamente.

Coloquei uma mão no ombro dele e apertei de leve.

- Você vai superar, Lu.

Ele forçou um sorriso e me olhou.

- Espero que sim.

Ficamos ali em silêncio por alguns instantes, apenas ouvindo o barulho da água na piscina e o som do churrasco ao fundo. 

Mesmo estando no Brasil, em um lugar que eu amava, com minha família… Meus pensamentos estavam em outro lugar.

E eu sabia exatamente onde.

Ou melhor, em quem.

01 de janeiro de 2025 – 02:00 da manhã

Eu estava completamente louca de bêbada.

A festa estava rolando solta na fazenda, o som estava torando no último volume, e ninguém da minha família parecia ter planos de acabar com a comemoração tão cedo. Eu já tinha perdido as contas de quantas caipirinhas tinha tomado, e a música alta, misturada com risadas e conversas animadas, me deixava ainda mais animada.

Estava dançando com minhas primas Camila e Jéssica, rindo sem parar, jogando o cabelo de um lado para o outro, sem a menor preocupação.

- Essa é minha música! -gritei quando começou a tocar um funk que eu adorava, e as meninas gritaram junto comigo.

A gente dançou mais um pouco, até que senti falta do meu celular. Me afastei um pouco, tonta, tentando lembrar onde tinha deixado. Olhei ao redor, meio perdida, até ver meu celular jogado em cima de uma mesa com algumas garrafas vazias e copos espalhados.

Peguei o celular e percebi que tinha várias mensagens.

Harry, Marina, Olivia, Virgínia… e Justin.

Sorri ao ver o nome de Harry e cliquei na conversa dele. Como eu estava muito bêbada, achei uma ótima ideia mandar um áudio.

Apertei o botão de gravação e comecei a falar, com a voz um pouco arrastada:

- Oiii, Feliz Ano Novo! Queria aproveitar a oportunidade e também aproveitar que estou soh efeito de álcool e falar que você é incrível, maravilhoso, lindo, simpático, gato, gostoso… Agradeço por cuidar de mim! Você é especial pra mim, tá? Muito especial! Eu te amo!

Assim que soltei o botão e enviei o áudio, ri sozinha, me sentindo super sincera e emotiva.

Saí da conversa dele e fui responder os outros, mas quando vi, a mensagem do Harry ainda estava pendente, não tinha sido aberta. Quando percebi que enviei o áudio para JUSTIN.

Meus olhos se arregalaram na hora, e o álcool no meu corpo não foi suficiente para me impedir de sentir um frio na barriga.

- Não, não, não…

Abri a conversa desesperada, torcendo para que de alguma forma o áudio tivesse evaporado no universo digital.

Mas não.

Ele estava ali.

Bonitinho.

Enviado.

Visualizado.

E Justin já tinha ouvido.

- Puta merda.

Fiquei paralisada olhando para a tela, meu coração batendo acelerado. Justin não respondeu imediatamente, mas a bolinha indicando que ele estava digitando apareceu.

Eu queria morrer.

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