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Capítulo 35

Luan Narrando

As últimas semanas estavam sendo um inferno.

Marina estava me evitando a todo custo. Não era para menos. Depois daquela noite, eu sabia que ela nunca me perdoaria. Invadir o quarto dela daquele jeito, bêbado, querendo algo que eu não deveria nem ter cogitado... foi imperdoável.

No dia seguinte, acordei com a pior ressaca da minha vida e uma culpa que parecia um peso esmagando meu peito. Tentei falar com ela, mandei mensagens, mas todas foram ignoradas. No campus, ela fazia questão de sair do caminho sempre que me via. Nos corredores, se fingia de ocupada com qualquer coisa, desviando o olhar. E quando não dava para evitar, ela simplesmente me tratava com frieza, como se eu fosse um estranho.

E aquilo estava me matando.

Porque, por mais que eu tentasse me convencer de que não, de que era só um desejo passageiro, eu sabia que não era. Marina mexia comigo de um jeito que ninguém mais conseguia.

E eu estraguei tudo.

Justin estava jogado no sofá, mexendo no celular, enquanto eu andava de um lado para o outro no quarto. Minha cabeça estava uma bagunça. 

- Cara, você precisa fazer alguma coisa. -Justin falou do nada, sem tirar os olhos da tela.

- O que você quer que eu faça? Ela me odeia.

- Também, né, irmão? Você foi babaca.

Bufei, passando as mãos pelo cabelo. Eu já sabia disso. Não precisava que ele esfregasse na minha cara.

Mas então, Justin largou o celular e me olhou de um jeito diferente. Como se estivesse pensando se devia ou não falar algo.

- Na real... -ele começou, coçando a nuca.- Eu fiquei sabendo de uma parada aquele dia na festa das meninas, mas decidi guardar pra mim.

Franzi o cenho.

- O quê?

Ele hesitou por um segundo, depois deu de ombros.

- Eu escutei quando tava chapado, então na hora achei que podia ser coisa da minha cabeça. Mas, pensando bem... acho que é verdade.

Me inclinei para frente, agora interessado.

- Fala logo, cara.

Ele olhou para a porta, como se certificando de que ninguém estava ouvindo, e depois abaixou o tom de voz.

- O Victor vende drogas aqui no campus.

Minha testa franziu na hora.

- Como assim?

- Isso mesmo que você ouviu. Ele vende. E sabe quem traz as drogas pra cá?

- Quem?

Justin cruzou os braços.

- Harry.

Fiquei em silêncio por alguns segundos, processando aquela informação.

- Tá brincando?

- Por que eu brincaria com um negócio desses? -ele arqueou a sobrancelha.

Passei a língua nos lábios, ainda tentando digerir aquilo.

- Como você sabe disso?

- Os caras com quem eu tava fumando me contaram. 

Meu peito se apertou. Isso significava que Marina estava namorando um cara que vendia drogas no campus?

- A Marina sabe disso?

Justin riu, irônico.

- Você acha que ela saberia e continuaria com ele?

Isso me deixou ainda mais inquieto.

- Se isso for verdade...

- É verdade. -ele me interrompeu.- E eu não duvido que ele use ela de alguma forma.

Engoli em seco.

Eu precisava fazer alguma coisa.

Aquela informação me deixou inquieto. Marina estava namorando um cara que vendia drogas no campus e nem fazia ideia disso. E, pior ainda, quem trazia as drogas era Harry.

Me joguei na poltrona, esfregando o rosto com as mãos.

- Isso é sério, Justin? Você tem certeza?

- Cara, eu já disse que me contaram. Não sei de todos os detalhes, mas foi algo sobre ele pegar os produtos com Harry e distribuir por aqui.

Meu estômago embrulhou. Eu sabia que o Victor não era nenhum santo, mas droga? Isso era grave.

- E por que você não contou pra ninguém?

Justin me olhou como se fosse óbvio.

- Primeiro, porque ninguém acreditaria em mim. Segundo, porque eu não tô a fim de me meter nessa merda.

Eu respirei fundo, tentando pensar. Marina precisava saber disso. Mas como eu ia contar, se ela mal olhava na minha cara?

- Você vai contar pra ela? -Justin perguntou, parecendo adivinhar meus pensamentos.

- Claro que vou.

Ele riu, sem humor.

- Boa sorte com isso. Ela não quer nem respirar o mesmo ar que você.

- Eu sei. Mas eu não posso deixar ela com um cara assim.

Justin deu de ombros.

- Só cuidado, mano. Esse tipo de gente não gosta de ser exposto.

Eu sabia que ele tinha razão. Mas, foda-se. Marina precisava saber com quem estava se metendo.

Justin me olhou sério e cruzou os braços.

- E a Bruna? Você não vai contar pra ela que o namorado dela tá trazendo as drogas pro Victor vender?

Meu peito apertou. Eu não tinha nem pensado nisso ainda.

- Puta merda… -passei a mão no cabelo, nervoso.

- Pois é. -Justin disse, balançando a cabeça.- Eu sei que você tá preocupado com a Marina, mas a Bruna também tá no meio disso.

Fechei os olhos por um segundo, tentando processar tudo. Marina estava namorando um traficante, e Bruna estava com quem trazia a droga pro campus.

- Droga…

Justin riu de leve.

- É, literalmente.

Abri os olhos e encarei ele.

- Você acha que a Bruna sabe?

- Não sei, cara. Mas acho difícil. A Bruna não tem cara de quem se envolve com esse tipo de coisa.

- E a Marina também não.

- Exatamente. E é por isso que elas precisam saber com quem estão lidando.

Eu sabia que ele estava certo, mas era um inferno imaginar o que viria depois. Marina já me odiava. Depois de contar isso, talvez Bruna também me odiasse.

Mas eu não podia ficar calado.

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, Ryan e Anthony entraram sem cerimônia.

- E aí, seus merdas? -Ryan disse, jogando a mochila no sofá.- Parece que o clima tá tenso aqui.

- Devem estar falando de mulher. -Anthony riu, se jogando na cadeira da escrivaninha.

Justin e eu trocamos olhares discretos. Era melhor não envolver mais ninguém nessa história.

- A gente tava falando sobre o jogo do final de semana. -Justin disse rapidamente.

- Ah, aquele que a gente perdeu? -Ryan revirou os olhos.- Prefiro esquecer.

- Foi por pouco, mano. -Anthony disse.- Mas também, com aquele juiz de merda…

Enquanto Ryan e Anthony continuavam discutindo sobre o jogo, minha mente estava longe dali. O que Justin tinha me contado ainda martelava na minha cabeça. Victor vendia drogas no campus. E Harry era quem trazia a mercadoria.

Eu olhei para Justin, que estava fingindo prestar atenção na conversa dos caras, mas dava pra ver que ele também estava pensando naquilo.

Será que Marina sabia? E, pior, será que ela estava envolvida de alguma forma? Não, não fazia sentido. Ela não parecia ser o tipo de pessoa que se meteria nisso. Mas então, por que diabos ela estava namorando um cara como Victor?

Meu estômago embrulhou. Bruna precisava saber. Eu odiava a ideia de vê-la sofrendo, mas era muito pior deixar que ela continuasse com um cara que estava metido nesse tipo de coisa. 

- Luan? -Anthony me chamou, e eu percebi que todos estavam me olhando.

- Hm? O quê?

- Tá viajando aí por quê? -Ryan perguntou, estreitando os olhos.

Justin entrou no meio antes que eu precisasse inventar alguma coisa.

- O Luan tá só pensando na Marina. -ele disse, dando um sorriso malicioso.

Os caras riram, e eu revirei os olhos. Melhor deixar que eles pensassem isso do que arriscar levantar suspeitas sobre a nossa conversa.

- Ainda nessa? -Ryan zombou.- Cara, desencana.

- Cala a boca. -resmunguei, me levantando.- Vou tomar um ar.

Saí do dormitório sem esperar resposta, minha mente ainda um caos. Eu precisava conversar com Bruna. A Bruna é minha irmã e iria me ouvir, e aí ela contaria pra Marina.

Fui direto para o dormitório das meninas. Meu coração estava acelerado, e minha mente girava com tudo o que Justin tinha me contado. 

Bati na porta e esperei. Depois de alguns segundos, a porta se abriu, revelando Virgínia, que me olhou com uma mistura de surpresa e curiosidade.

- Luan? O que você tá fazendo aqui?

- Preciso falar com a Bruna. -fui direto ao ponto.

Ela arqueou a sobrancelha e cruzou os braços.

- Bom, então acho que vai ter que esperar. Ela e a Marina foram ao shopping.

Soltei um suspiro frustrado e passei a mão pelos cabelos. Claro. Quando eu mais precisava falar com Bruna, ela não estava aqui.

- Algum problema? -Virgínia perguntou, estreitando os olhos.

Balancei a cabeça rapidamente.

- Nada demais. Só queria falar com ela.

Ela me olhou por mais um instante, como se tentasse decifrar se eu estava mentindo ou não, mas deu de ombros.

- Bom, acho que elas não vão demorar. Se quiser esperar, fica à vontade.

Hesitei por um momento. Ficar ali até Bruna voltar talvez fosse uma boa ideia, mas, ao mesmo tempo, eu precisava pensar em como ia contar isso para ela sem ferrar tudo.

- Valeu, Virgínia. Mas eu falo com ela depois.

Me virei e comecei a andar de volta para o meu dormitório, minha cabeça ainda cheia de dúvidas. Como Bruna reagiria quando eu contasse? E, pior ainda... Como Marina iria reagir?

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