Justin Narrando
Eu estava andando pelo campus, saindo da biblioteca depois de uma hora tentando focar nos estudos, quando ouvi alguém me chamar atrás de mim.
- Justin!
Virei a cabeça e vi Alicia se aproximando com um sorriso no rosto, ajeitando a mochila no ombro.
- Você sumiu. -ela disse, sem rodeios, parando ao meu lado.
Fiz uma expressão confusa, mesmo sabendo exatamente do que ela estava falando.
- Sumir? Eu tô por aqui, como sempre.
Alicia revirou os olhos e cruzou os braços.
- Desde novembro a gente não se vê direito. Do nada, você parou de me procurar.
Suspirei, passando a mão pelos cabelos. Eu sabia que, eventualmente, essa conversa ia acontecer.
- Não é nada pessoal. -menti.- Só andei ocupado.
Ela arqueou uma sobrancelha.
- Ah, ocupado? -questionou com ironia.- Bom, só queria saber se você sente minha falta. Porque eu senti a sua.
Ela se aproximou um pouco mais, mordendo o canto do lábio inferior, seu olhar carregado de intenções.
- Tenho um tempo antes do treino. -murmurou, deslizando a mão pelo meu braço.- Tá afim?
Minha mente ainda estava bagunçada por tudo que aconteceu nos últimos dias, e talvez fosse exatamente isso que eu precisava. Algo sem complicações.
- Seu dormitório ou o meu? -perguntei, olhando nos olhos dela.
Alicia sorriu.
- O meu.
Ela segurou minha mão e me puxou na direção do prédio dos dormitórios femininos, sem hesitar. Eu a segui sem pensar muito. Se tinha algo que eu precisava agora, era esquecer a bagunça que minha vida virou. E Alicia era uma ótima distração.
Assim que entramos no dormitório dela, fomos pro seu quarto, Alicia fechou a porta atrás de nós e me puxou direto para um beijo. Suas mãos deslizaram para a barra do meu moletom, empurrando-o pelos meus ombros, enquanto eu segurava sua cintura, aprofundando o beijo.
- Você nem hesitou, hein? -ela murmurou contra meus lábios, com um sorriso travesso.
- Você sabe que eu nunca hesito com você. -respondi, deslizando as mãos por suas costas.
Alicia puxou minha camisa, passando os dedos frios pelo meu abdômen, me fazendo arrepiar. Sem demora, ela me guiou até a cama, me empurrando para sentar. Se posicionou entre minhas pernas e me beijou de novo, enquanto suas mãos exploravam meu corpo.
Ela não estava ali para perder tempo, e eu também não.
As próximas horas foram um completo borrão de pele, lençóis bagunçados e suspiros pesados. Alicia sabia exatamente o que estava fazendo, e eu precisava daquela distração mais do que qualquer coisa.
Depois de um tempo, deitados lado a lado, Alicia virou para mim com um sorriso satisfeito.
- Então… Isso significa que voltamos a ficar?
Olhei para o teto por um momento antes de encará-la.
- Significa que… a gente aproveitou o momento.
O sorriso dela vacilou por um segundo, mas logo se recompôs, soltando uma risada baixa.
- Sempre direto ao ponto, né?
- Você não gosta disso?
Alicia passou os dedos pelo meu peito, brincando com a corrente que eu usava.
- Gosto. -ela admitiu.- Mas você anda diferente, Bieber.
Suspirei, rolando para o lado e apoiando a cabeça na mão.
- Diferente como?
- Meio distante. Como se estivesse sempre pensando em outra coisa.
Evitei seu olhar por um momento.
- Só tô focado na música. -menti.
Ela não pareceu acreditar muito, mas não insistiu. Apenas sorriu e se inclinou para um último beijo.
- Seja lá no que você tá pensando, espero que resolva logo. -ela sussurrou.- Porque eu tô aqui, caso queira continuar se distraindo.
Dei um sorriso torto.
- Eu sei.
Alicia se levantou e começou a se vestir para o treino, enquanto eu fazia o mesmo, colocando minha calça e pegando meu casaco.
- Vou nessa. -disse, indo até a porta.
- Nos vemos por aí, Bieber.
Assenti e saí do quarto, fechando a porta atrás de mim. Segui pelo corredor do campus, enfiando as mãos nos bolsos do casaco. O frio cortava, mas minha cabeça estava quente demais para me importar. Eu precisava colocar meus pensamentos em ordem.
Alicia foi uma distração. Mas era só isso. Uma distração.
Bruna ainda ocupava minha mente, mesmo que eu tentasse negar. O jeito que ela me evitava, como se aquele beijo no sábado tivesse sido um erro gigante, estava me irritando mais do que eu queria admitir.
E Harry…
Só de pensar nele, senti minha mandíbula travar. O cara agia como se nada tivesse acontecido, como se Bruna ainda fosse toda dele, enquanto eu sabia que ela estava tão confusa quanto eu.
Passei pelo refeitório e olhei para dentro sem nem pensar. Meus olhos encontraram Bruna quase de imediato. Ela estava sentada com Olívia, Virgínia e Marina. Parecia tranquila, rindo de alguma coisa que Olívia falou, mas, por um instante, nossos olhares se cruzaram.
E aí veio. Aquele choque elétrico no estômago.
Bruna desviou os olhos rápido, voltando a atenção para suas amigas, mas pude ver o jeito que ela mexeu no cabelo, inquieta.
Eu fazia ela se sentir assim.
Um sorriso de canto surgiu no meu rosto antes que eu seguisse meu caminho.
Ela podia me evitar o quanto quisesse. Mas ela sentia. Assim como eu sentia.
E, mais cedo ou mais tarde, a gente teria que resolver isso.
Dois dias depois...
A sexta-feira chegou rápido, e com ela, a animação para a festa no dormitório das meninas. O burburinho no campus era intenso, todo mundo comentava sobre o evento. Virgínia tinha espalhado tão bem a notícia que parecia que metade da universidade queria aparecer.
Eu já estava no meu dormitório, escolhendo uma roupa quando Anthony entrou, jogando-se na minha cama.
- Ansioso pra festa? -ele perguntou, pegando meu boné da mesa e colocando na cabeça.
- Não sei. -respondi, puxando uma jaqueta preta do armário.- Mas parece que vai ser boa.
Ele riu.
- Cara, você pode fingir pra todo mundo, mas não pra mim. Você tá empolgado porque a Bruna vai estar lá.
Fiz uma careta, pegando o boné da cabeça dele e jogando de volta na mesa.
- Cala a boca.
- Eu vi como você ficou olhando pra ela no refeitório outro dia. E como ela tá te evitando. Alguma coisa aconteceu entre vocês, e eu vou descobrir.
Revirei os olhos, colocando a jaqueta e checando o celular.
- Só se apronta logo. -resmunguei, pegando minha carteira e o celular antes de sair do quarto.
A música já estava alta quando cheguei. O lugar estava cheio, e o cheiro de bebida misturado com perfume tomava o ar. Vi algumas pessoas conhecidas e cumprimentei algumas garotas no caminho até a sala.
Foi então que a vi.
Bruna estava encostada perto do sofá, um copo na mão, usando um vestido manga longa preto justo que fazia meu coração acelerar. O cabelo estava solto, e ela ria de algo que Olívia tinha acabado de falar.
Ela não tinha me visto ainda.
Peguei um copo de alguma coisa na mesa e comecei a andar na direção dela, mas, antes que eu chegasse, Harry apareceu ao lado dela, puxando-a pela cintura e falando algo no ouvido dela.
Minha mão apertou o copo, e um nó se formou no meu estômago.
Bruna virou o rosto devagar e me viu.
Por um segundo, nossos olhos se encontraram, e eu vi a incerteza nos dela.
Mas então, como se nada tivesse acontecido, ela sorriu para Harry e encostou a cabeça no ombro dele.
Eu apertei o copo na mão, sentindo meu maxilar travar ao ver Bruna tão confortável ao lado de Harry. Ela sabia exatamente o que estava fazendo.
Se ela queria jogar esse jogo, então que fosse.
Dei um gole na bebida e desviei o olhar, circulando pela festa. O dormitório estava lotado, cheio de gente dançando, conversando e se divertindo. Passei por um grupo de garotas que me olharam com interesse, mas ignorei. Eu tinha outra coisa na cabeça.
- Você está muito tenso. -ouvi a voz de Alicia ao meu lado. Ela apareceu com um sorriso divertido e um copo vermelho na mão.
Revirei os olhos.
- Não estou.
Ela riu.
- Ah, claro que não. Você só tá bebendo mais rápido do que o normal e fuzilando aquele casal ali com os olhos.
- Não tô fuzilando ninguém.
Alicia arqueou a sobrancelha.
- Tá bom, então. Mas se quiser se distrair, sabe onde me encontrar.
Ela piscou e se afastou, me deixando ali.
Respirei fundo e decidi ignorar Bruna. Fui até o canto da sala, onde Anthony, Ryan e Luan estavam conversando com algumas pessoas. Luan segurava uma garrafa de cerveja, e Anthony já parecia um pouco alterado.
- Cara, isso aqui tá lotado! -Ryan comentou, olhando ao redor.- As meninas conseguiram fazer a melhor festa do ano até agora. Vai ser difícil alguém superar isso.
- Elas não brincaram em serviço. -Luan riu.
Vi Virgínia subindo em uma das cadeiras, batendo uma colher no copo para chamar atenção.
- Atenção, atenção! -ela gritou.- Primeiro, obrigada a todo mundo que veio! Segundo, essa festa é pra gente aproveitar e esquecer qualquer problema. Então, todo mundo que tiver alguma treta pessoal, deixe isso de lado e apenas curtam a noite, combinado?
O pessoal vibrou e levantou os copos.
Eu sorri de canto. É, esquecer os problemas... Seria uma ótima ideia.
Mas então meus olhos voltaram para Bruna, que agora ria com Harry, e eu soube que esquecer seria impossível.
Sai do dormitório, sentindo o ar frio bater no meu rosto. A música alta ainda ecoava do lado de dentro, mas aqui fora estava mais silencioso, com algumas vozes dispersas e risadas ocasionais.
Logo percebi um grupo reunido perto do muro, a fumaça densa subindo no ar. Pelo cheiro forte, já sabia do que se tratava.
Dei um gole na minha cerveja e me aproximei. Alguns caras e garotas conversavam, alguns encostados na parede, outros sentados no chão. Assim que me viram, um deles, um cara de moletom preto e cabelo desarrumado, abriu um sorriso e me reconheceu.
- Olha só quem apareceu! Bieber, né? -ele ergueu o baseado entre os dedos.- Quer um tapa?
Soltei um riso de canto, me lembrando da última vez que fumei, quando tinha 16 anos. Minha mãe soube e ficou tão puta que jurou que, se me pegasse fazendo isso de novo, ia apagar o cigarro na minha garganta. Ri sozinho ao lembrar disso.
O cara ergueu a sobrancelha.
- E aí?
Olhei para a fumaça subindo no ar, depois para a cerveja na minha mão. Quer saber? Que se dane.
- Passa pra cá.
Peguei o baseado entre os dedos e levei até os lábios, puxando a fumaça e segurando por alguns segundos antes de soltar devagar. A sensação era familiar, e o gosto amargo misturado com a cerveja não era tão ruim quanto eu lembrava.
- Aí sim! -um dos caras riu, batendo no meu ombro.
Encostei na parede, sentindo a leveza começar a tomar conta do meu corpo. Não sabia se era efeito do álcool, da maconha ou da necessidade de desligar minha mente um pouco, mas pela primeira vez naquela noite, senti que não me importava mais com nada.
Dei mais um trago e soltei a fumaça devagar, sentindo meu corpo relaxar. A conversa ao redor continuava, mas minha mente já estava vagando por aí.
Depois de um tempo, virei para o cara que me ofereceu o baseado e perguntei, casualmente:
- E quem vende aqui no campus?
Ele deu de ombros, como se não se importasse muito.
- Everleigh.
Franzi a testa imediatamente.
- Victor?
O cara deu de ombros de novo, sem confirmar nem negar.
Antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa, uma das garotas sentadas no chão, mexendo distraidamente na borda do copo plástico que segurava, levantou a cabeça e disse:
- É, o namorado da ruiva.
Aquilo foi o suficiente para confirmar minha suspeita. Victor mesmo.
Um outro garoto próximo, que estava tragando um cigarro e parecia mais atento à conversa do que eu imaginava, riu de leve e acrescentou:
- Na real, ele é só laranja. Quem realmente traz as drogas pra cá é o Preston.
Meu olhar ficou mais atento na hora.
- Preston? O Harry?
O cara que tinha me passado o baseado parou de mexer no isqueiro que segurava e me encarou, desconfiado.
- Qual é, mano? Você é da polícia? Tá fazendo um inquérito?
Soltei um riso pelo nariz e ergui as mãos em forma de rendição.
- Relaxa, só curiosidade.
Ele ainda me olhou meio torto, mas logo deu de ombros e voltou a tragar, enquanto eu processava aquela nova informação.