Justin Narrando
- E se a gente continuasse a bebedeira no nosso dormitório? Tipo, compramos umas bebidas e fazemos uma noite de jogos! -Virginia sugeriu.
O pessoal adorou a sugestão. Eu, particularmente, gostei mais ainda porque isso significava que poderíamos beber sem ninguém do bar nos mandando embora.
Esperamos Anthony voltar do banheiro e o chamamos pra ideia. Ele topou de cara.
- Mas antes, temos que pagar essa conta, né? -Ryan lembrou, chamando o garçom.
Nós, como cavalheiros que somos — ou talvez só trouxas mesmo —, dividimos a conta entre nós quatro e ainda pagamos o consumo das meninas. Bruna até tentou protestar, mas já era tarde.
Pegamos nossos casacos e saímos andando pelas ruas de Nova York, respirando o ar gelado da noite. Olivia e Virgínia andavam grudadas uma na outra, tentando se aquecer.
- Ei, ninguém nunca pede identidade pra gente nesses lugares. Será que temos cara de mais velhos? -Virgínia perguntou do nada.
- Na conveniência onde vamos comprar as bebidas, eles pedem. -Ryan disse.
- Relaxa. -Anthony jogou os braços atrás da cabeça, com um sorriso presunçoso.- Eu tenho identidade falsa.
- Olha ele! Todo criminoso! -Bruna riu.
De repente, senti Marina grudando em mim, se enfiando debaixo do meu braço.
- O que foi? -perguntei, erguendo uma sobrancelha.
- Agora que não tenho mais namorado, é sua obrigação como meu irmão me aquecer do frio. -ela disse, emburrada, enquanto se encolhia contra mim.
- Ah, claro, porque é exatamente pra isso que eu existo, né? -revirei os olhos, mas acabei apertando ela de leve contra mim mesmo assim.
- Exato! Agora cala a boca e continua me esquentando. -Marina respondeu, se agarrando mais ao meu lado.
Bruna olhou pra Luan e riu.
- E aí, Luanzinho, quer me aquecer também?
- Nem ferrando! -Luan respondeu de imediato, fazendo todo mundo cair na risada.
E assim seguimos pela calçada, rindo e brincando, rumo à nossa próxima parada: comprar mais bebida e garantir que essa noite só terminaria quando o primeiro de nós desmaiasse no sofá.
Enquanto caminhávamos até a conveniência, Anthony já foi avisando:
- Eu entro sozinho pra comprar as bebidas. Se eu der o sinal, significa que deu ruim e é pra vocês correrem.
- E qual é o sinal? -Olivia perguntou, curiosa.
- Eu saio correndo primeiro.
Caímos na gargalhada, e ele entrou, confiante.
O vento frio da noite parecia ter dobrado de intensidade. Eu me encolhi e me sentei no meio-fio, batendo as mãos nos joelhos pra tentar me esquentar.
- Que frio da porra… -resmunguei.
- Ei, dá seu casaco aí. -Marina pediu pra Luan, abraçando o próprio corpo.
Luan arqueou a sobrancelha.
- Tá achando que sou quem? Seu namorado?
- Af, que grosso! -ela revirou os olhos.
Luan soltou um riso pelo nariz e tirou o casaco, jogando sobre os ombros dela.
- Tá vendo? No fundo, você me ama.
- Não exagera. -ele respondeu, mas os olhos brilhando de divertimento entregavam que ele adorava as provocações dela.
Bruna se sentou ao meu lado, cruzou os braços e olhou pra mim.
- E aí, Justin? Vai ficar aí sentado passando frio ou vai me aquecer também?
Sorri de lado e abri os braços.
- Vem cá, gatinha, eu aqueço você com meu amor.
Ela revirou os olhos, mas riu, se aproximando e batendo no meu ombro de leve.
- Muito convencido.
- E você gosta. -pisquei pra ela.
- Tá bom, tá bom, menos casalzinho e mais foco na missão. -Ryan cortou, rindo.
Enquanto esperávamos, Olivia e Virgínia começaram a comentar sobre os tipos de bebidas que iam querer, enquanto Marina e Luan continuavam em um duelo de provocações, com ela se esticando toda vez que ele tentava pegar de volta o casaco que tinha emprestado.
Foi então que Anthony apareceu na porta da conveniência, segurando duas sacolas e acenando pra gente.
- Deu bom? -Bruna perguntou.
- Deu certo! Agora vambora antes que percebam que sou menor de idade.
- Você acha que o atendente acreditou mesmo que você tem 21 anos? -Marina perguntou, desconfiada.
- Óbvio! Sou muito convincente.
- Claro, Anthony, claro… -Luan ironizou.
E com as sacolas cheias de bebida, seguimos rindo pela calçada, prontos pra continuar nossa noite no dormitório das meninas.
Enquanto caminhávamos de volta para o dormitório das meninas, eu ainda pensava no jeito que Bruna tinha pedido pra eu aquecê-la. Era coisa simples, mas me pegou de surpresa. Não sabia se era o álcool ou se ela estava mais solta depois de terminar com o Harry, mas eu gostava disso. Durante o tempo que namorou aquele babaca, ela parecia sempre se segurar, ficar mais reservada, e eu sentia falta desses momentos entre nós.
O pessoal à frente falava sem parar, Marina rindo alto de algo que Ryan tinha dito, Virgínia gesticulando animada, e Luan jogando provocações de volta pra Marina. Eu vinha mais atrás, sem pressa, enfiando as mãos nos bolsos pra me proteger do frio. Foi quando notei que Bruna olhou pra trás e diminuiu os passos.
Ela me esperou, e quando eu a alcancei, passou a caminhar ao meu lado.
- Tá na bad, Bieber? -perguntou, me olhando de lado.
Sorri fraco.
- Só tava pensando.
- Pensando no quê?
Dei de ombros.
- Em como você era mais divertida antes de namorar aquele cara.
Ela arqueou uma sobrancelha, surpresa.
- Sério que eu mudei tanto assim?
- E como. Mas tô gostando de ver que a Bruna que eu conheci tá voltando.
Ela sorriu, olhando pra frente.
- Bom saber.
Caminhamos em silêncio por um tempo, ouvindo as risadas do pessoal à frente, e então Bruna esbarrou de leve no meu ombro.
- Você sentiu falta de mim, Bieber?
Soltei uma risada pelo nariz.
- Talvez.
Ela riu também, e mais uma vez, me surpreendi com como ela parecia mais à vontade.
Quando chegamos ao dormitório das meninas, elas já estavam destrancando a porta e nos chamando pra entrar. Ainda sorrindo, segui Bruna pra dentro, sentindo que a noite ainda ia render.
Marina pegou os copos e levou pra gente, enquanto Anthony enchia cada um sob a mesa de centro.
Virginia olhou pra gente com um sorrisinho malicioso enquanto se acomodava no sofá.
- Quero falar putaria.
Ryan quase cuspiu a bebida de tanto rir.
- Virginia, você não tem vergonha nenhuma, né?
- Nenhuma. -ela disse, pegando seu copo e cruzando as pernas.- Mas eu quero saber de vocês. Vamos falar das piores transas de nossas vidas.
Todos riram, mas o desafio foi aceito na hora. O clima estava leve, descontraído, e a bebida já começava a fazer efeito.
Nos acomodamos melhor. Bruna sentou ao meu lado no sofá, Marina se jogou no chão perto da mesinha de centro, e Anthony se jogou numa poltrona, claramente já animado com o rumo da conversa.
- Ok, quem começa? -Olivia perguntou, olhando ao redor.
- Você, ué. -Marina respondeu, se servindo de um drink.
Olivia revirou os olhos, mas cedeu.
- Tá, tá. Uma vez saí com um cara que se achava o rei da sedução. No final, ele passou mais tempo falando do próprio desempenho do que realmente fazendo alguma coisa.
A mesa explodiu em risadas.
- Isso é clássico! -Bruna comentou.
- Ai, gente, teve uma vez que um cara parou no meio pra atender um telefonema da mãe. -Virgínia contou, fazendo todos gritarem de indignação.
- Para tudo. -Marina se meteu, colocando o copo na mesa.- Ele atendeu no meio da transa?!
— Sim! Disse que era importante!
Anthony riu alto.
- Mas e você, Marina? Conta uma.
Ela fez uma careta e balançou o copo.
- Ah, teve um que era fofo demais. Tipo, legal, bonitinho e tal, mas na hora H ele pedia permissão pra tudo. “Posso te beijar?”, “posso tocar aqui?”, “posso continuar?”.
- Meu Deus. -Ryan gemeu, cobrindo o rosto.- Isso quebra qualquer clima.
- Pois é. O cara achou que era um contrato, não uma transa.
- Sua vez, Bruna. -Anthony provocou.
Ela olhou pra mim, meio hesitante, e então tomou um gole grande da bebida antes de falar.
- Tá. Não vou citar nomes, mas meu ex era meio… rápido demais.
O grupo riu, enquanto eu tentava segurar um sorriso.
- A gente pode fazer uma vaquinha pra pagar um curso pra ele. -Virginia disse, rindo.
- Coitado. -comentei, mas sem parecer realmente solidário.
- Ou uma aposta pra tentar adivinhar quem é esse ex. -Marina comentou e todos riram, deixando Bruna vermelha.
- Tá, Bieber, e você? -Bruna me cutucou.
Pensei um pouco e dei de ombros.
- Uma vez fiquei com uma menina que queria fazer cosplay de Crepúsculo.
A gargalhada foi geral.
- Como assim? -Virgínia chorava de rir.
- Ela queria que eu chamasse ela de Bella e fingisse que eu era um vampiro!
Anthony se jogou no sofá, rindo tanto que parecia sem ar.
- Putz, Justin, essa ganhou!
Marina limpou uma lágrima do olho, ainda rindo.
- E você, Luan? Conta aí.
Ele deu um gole na bebida e sorriu de lado.
- Ah, a minha não é tão engraçada assim. Mas teve uma vez que a garota começou a chorar no meio.
Todos fizeram expressões chocadas.
- Chorar?! -Olivia arregalou os olhos.
- Sim! No meio da transa, ela começou a soluçar e disse que ainda amava o ex.
- Meu Deus, que climão! -Marina disse, balançando a cabeça.
- E você, Anthony? -Bruna perguntou.
Ele deu um sorriso convencido e abriu os braços.
- Eu? Não tenho histórias ruins, só momentos incríveis.
- Ah, cala a boca! -Virginia jogou uma almofada nele.
A conversa já estava quente depois das piores experiências, e Olivia, com seu jeito sem filtro, decidiu esquentar ainda mais.
- Certo, já falamos das piores… Agora quero saber sobre as melhores transas de vocês.
Todo mundo riu, mas ninguém recusou a ideia.
- Ah, eu adoro esse jogo. -Virgínia disse, animada, bebendo seu drink.
- Então começa você. -Ryan sugeriu.
- Com certeza. -ela piscou.- Uma vez, na praia… Foi à noite, o barulho das ondas, o vento quente, tudo perfeito.
- E a areia? -Anthony questionou.
- Um inferno depois, mas valeu cada segundo. -ela respondeu, rindo.
O grupo riu junto, e então Olivia olhou diretamente pra mim.
- Bieber, sua vez.
Eu sorri de canto, girando o copo nas mãos, e respirei fundo antes de falar.
- Beleza. Teve uma vez que eu fiquei com as costas tão arranhadas que parecia que eu tinha sido atacado por um tigre.
Bruna, que estava tomando um gole do drink, engasgou e começou a tossir. O pessoal começou a rir.
- Nossa, a gata era bruta, hein? -Virgínia comentou, rindo.
- Nem foi culpa dela. -continuei, tentando não olhar diretamente pra Bruna.- Foi que a gente tava tão envolvido que eu a deixei segurando na minha nuca e costas enquanto... bom, enquanto eu tava dando meu melhor.
Olívia riu, balançando a cabeça.
- Então você curte selvageria?
- Eu curto intensidade. -corrigi, bebendo um gole da minha bebida.
Bruna cruzou as pernas e respirou fundo, evitando me encarar.
- E você, Bruna? -Ryan perguntou, interessado.
Ela ajeitou o cabelo, pensou um pouco e deu um sorrisinho.
- Uma vez eu fiquei com um cara que tinha uma habilidade absurda de abrir o fecho do sutiã.
As meninas riram alto.
- Inédito! -Olivia exclamou.
- Nossa, esse você ganhou na loteria! -Virgínia comentou.
Bruna apenas sorriu, misteriosa.
- O cara tinha uma destreza impressionante. Nem precisei ajudar, foi automático. Eu piscava e já tava livre.
Eu mordi o lábio, segurando a vontade de rir. Eu sabia exatamente quem era o cara da história.
Marina então pigarreou, chamando a atenção.
- Ok, minha vez.
Ela olhou para o drink antes de falar, como se quisesse organizar as palavras.
- Teve uma vez que um cara me fez gozar duas vezes na mesma noite.
As reações foram imediatas.
- Isso sim que é um homem! -Virgínia exclamou.
Eu fiz uma careta.
- Deus, eu não precisava ouvir isso da minha irmã.
O pessoal riu, mas Luan, sentado no canto, apenas sorriu de leve e tomou um gole da bebida, sem dizer nada. Marina lançou um olhar discreto pra ele antes de continuar, mas eu percebi.
- Mas não foi qualquer orgasmo. -ela enfatizou.- Foi daqueles que fazem seu corpo tremer, perder a força, te fazer ver estrelas.
Eu tampei os ouvidos.
- Chega!
Todos riram ainda mais.
- E você, Luan? -Olivia perguntou, agora claramente interessada no que ele tinha pra falar.
Ele tomou um gole longo do copo e deu um sorrisinho convencido.
- Tá. Uma vez eu fiquei com alguém que tinha atitude de verdade. Não era daquelas que só deitam na cama esperando eu fazer tudo.
Marina ergueu uma sobrancelha, intrigada.
- Atitude como?
Luan sorriu de canto e bebeu mais um gole antes de continuar.
- Tipo… No meio do negócio, ela subiu em cima e segurou meus pulsos contra a cama, sem me deixar me mexer.
O pessoal fez um coro de “ooooh”, surpresos.
- Nossa, do nada? -Anthony riu.
- Do nada. -Luan confirmou.- E o pior é que eu adorei.
Marina mordeu o lábio, e eu vi os dedos dela apertarem o copo.
- Se libertou ou deixou ela no controle? -Virgínia perguntou, curiosa.
Luan deu de ombros.
- Deixei. Por um tempo. Depois tomei de volta, mas foi interessante.
Os olhares trocaram mensagens silenciosas pela mesa. Eu sabia exatamente o que estava acontecendo ali.
Ryan, animado com o rumo da conversa, se inclinou para frente e lançou a próxima pergunta:
- Tá, agora quero saber… Qual foi o lugar mais inusitado que vocês já transaram? Eu foi no vestiário do time. Durante o intervalo de um jogo.
O pessoal fez um coro de surpresa e aprovação.
- Você é doido! -Olivia riu.
- Não tinha ninguém lá, tecnicamentem -ele disse, se defendendo.- Mas quase fui pego.
- Bom, o meu é óbvio. -Virgínia disse, erguendo a mão.- Na praia, claro.
- Não acredito que você ainda tá orgulhosa disso. -Anthony debochou.
- Foi icônico! -ela rebateu.
Olívia entrou na conversa:
- O meu foi dentro de um carro, mas não parado.
- Como assim, não parado?! -perguntei, arregalando os olhos.
- Alguém estava dirigindo. -ela deu de ombros.
- Você tá brincando! -Bruna exclamou, rindo alto.
- Não mesmo. Não recomendo, foi um caos. -Olivia admitiu, rindo junto.
Anthony tomou um gole da bebida e sorriu antes de contar o dele:
- No camarote de um show. Enquanto a galera assistia o show embaixo, eu tava me divertindo lá em cima.
Todos riram e fizeram expressões de aprovação.
Então foi a vez de Luan, que apenas ergueu uma sobrancelha e disse:
- Em um estúdio de gravação.
Eu vi Marina travar por um segundo, mas ela logo voltou a beber seu drink.
- Com a acústica perfeita pra ninguém ouvir. -ele completou.
- Ou para todo mundo ouvir. -Virgínia corrigiu, rindo.
- Depende do ponto de vista. -Luan respondeu, enigmático.
Agora todos olhavam para Marina, que parecia um pouco distante, como se revivesse a lembrança.
- Hm… No topo de um dos prédios mais altos da cidade, com a vista inteira lá embaixo. -ela disse, soltando o ar lentamente.
Os olhos do grupo se arregalaram.
- Uau. -Olivia comentou.
- Esse foi ousado. -Ryan admitiu.
Então foi a vez de eu e Bruna. Todo mundo olhou para nós ao mesmo tempo.
Nos entreolhamos e, sem nem precisar combinar, sorrimos travessos e dissemos juntos:
- Na cama da Chloe.
A reação foi instantânea. O pessoal explodiu em gargalhadas, batendo as mãos na mesa e jogando as cabeças para trás.
- Vocês ganharam! -Virgínia disse, ainda rindo alto.
Marina também ria, e balançou a cabeça antes de dizer:
- Eu lembro que a Chloe achava que tinha sido eu a safada… E, na verdade, foi a Bruna.
Bruna apenas sorriu vitoriosa, dando um gole no drink, enquanto eu ergui minha taça como um brinde.
- Inacreditável -Luan disse, negando com a cabeça, mas rindo junto.
- Essa foi a melhor. -Ryan admitiu, limpando uma lágrima de tanto rir.
Anthony, com aquele sorriso de quem adorava provocar, perguntou:
- E aí, pessoal, com quantos anos perderam a virgindade?
Todo mundo ficou quieto por um momento, a pergunta no ar pairando, até que ele se adiantou e disse:
- Eu, com 14, com a minha prima de 16.
Ele falava com uma naturalidade impressionante, mas a reação de todos foi instantânea. Ryan quase cuspiu a bebida, Arregalei os olhos e Marina fez uma careta de desgosto.
- O quê?! Com a sua prima? -Ryan exclamou, incrédulo.
- É... era uma situação... diferente, sabe? -Anthony deu de ombros, tentando manter a calma.
Mas a sala inteira começou a rir, ninguém conseguiu se segurar, e as piadas começaram a rolar sem parar.
- Cara, você... com a sua prima?! Isso é... estranho. -comentei, ainda incrédulo.
Anthony deu um sorriso sem graça, mas também riu de si mesmo.
- É, eu sei, galera. Mas foi um momento, tipo... único. Vamos parar de falar disso, né?
A atenção então se voltou para Marina, que estava com aquele sorriso travesso no rosto, pronta para contar a sua história.
- Eu, com 15, com o capitão do time de futebol. -ela disse, com um olhar descomplicado, como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Arregalei os olhos e soltei uma risada nervosa.
- Com o Colin? Aquele cara? Sério? -ele perguntou, visivelmente surpreso.
Marina riu e deu de ombros.
- Ah, foi uma curiosidade de adolescente. Ele me perseguia, então decidi deixar rolar... mas, tipo, não foi nada de mais.
A galera continuou rindo e comentando, e Marina parecia se divertir com a nossa reação
- Eu, com 16, com a vizinha de 18. -comentei.
- Ah, a clássica vizinha mais velha. -Ryan comentou, com uma risada.
- É, aquela vizinha que a gente sempre sonha... -completei, com um sorriso malicioso.
Bruna, por sua vez, estava tranquila, mas logo respondeu:
- Eu, com 16, com o meu primeiro namorado.
Luan, não deixando passar a chance, deu a sua opinião.
- Eu nunca gostei dele, Bruna. -ele disse, com uma careta.
Bruna revirou os olhos.
- Eu sei, Luan, você sempre teve uma opinião sobre ele...
Então, Ryan completou:
- Eu, com 16, e foi com minha professora de natação.
Todos nós arregalamos os olhos.
- Como assim sua professora de natação? -Virginia perguntou abismada.
- É, ela me ensinou algumas "técnicas" extras. -Ryan tentou se manter sério, mas todos explodiram em risadas, até ele mesmo não conseguiu segurar o riso.
Virginia, não querendo ficar de fora, disse:
- Eu e a Olívia perdemos aos 16, mas foi uma coisa meio... do tipo, nós ficamos com inveja da Marina, que estava rodando o colégio inteiro com os meninos, e decidimos que queríamos viver isso também. Mas não foi juntas, tá? -ela fez uma pausa, como se quisesse garantir que a confusão não acontecesse.
Olívia riu, concordando:
- Exato! Foi com o mesmo cara, mas em momentos diferentes. Mas o importante é que nós dois fizemos nosso nome, sabe?
Marina deu uma risada, se divertindo com a história das amigas.
- Então vocês perderam por inveja de mim? -ela perguntou, com um sorriso travesso.
- Não foi bem por inveja, foi mais pela curiosidade... -Virginia respondeu, tentando desviar.
Luan, sempre aproveitando qualquer momento para zoar, disse:
- Bom, eu perdi com 16, com uma garota com quem eu estudava no Brasil. Foi no prédio dela, nas escadas, naquelas horas que a gente pensa que ninguém está vendo, mas… foi meio que o que deu pra fazer na hora.
Ryan, com uma cara de confuso, perguntou:
- Mas... por que você não falou que o lugar mais inusitado foi nas escadas? E aí, o que teve de bom no estúdio de gravação? -Ryan perguntou, ainda tentando entender.
Luan deu um sorriso torto e se inclinou para frente, como se estivesse prestes a contar um segredo.
- Ah, é porque no estúdio de gravação foi mais... "intenso", sabe? A coisa foi no improviso, mas o som, o ambiente... foi perfeito. E só transei com ela como prêmio de consolação, pois fui pedir pra ela gravar uma música pra mim e ela odiou. -Luan disse, dando de ombros e nós rimos.
Ryan arqueou a sobrancelha.
- Ok, você realmente tem um jeito diferente de contar as coisas. -Ryan riu, revirando os olhos.
Foi então que todos começaram a rir novamente, as piadinhas não paravam. Cada um tentando relembrar os próprios momentos e jogando mais comentários engraçados sobre os outros. A conversa parecia não ter fim, mas todo mundo estava se divertindo.
Marina, visivelmente animada, se levantou do chão e, com um sorriso travesso, disse que estava cansada de só conversar. Ela sugeriu que deveríamos colocar música e dançar, e foi direto para a caixa de som. Quando a música começou a tocar, uma vibe boa se espalhou pela sala. A batida era contagiante, e todos nos levantamos sem pensar duas vezes, deixando a conversa de lado por um momento, imersos no som. Cada um com seu estilo, mas todo mundo se divertindo.
O tempo foi passando, as garrafas ficando vazias e as conversas ficando cada vez mais altas e arrastadas, acompanhadas de risos e olhares descontraídos. O álcool começou a fazer seu efeito, e as primeiras caretas começaram a aparecer nos rostos de alguns. Eu, particularmente, estava me sentindo leve, quase à deriva, com uma sensação boa no corpo, mas ao mesmo tempo, um pouco mais desligado do que o normal.
Foi quando, distraído com a animação ao meu redor, percebi Bruna subindo as escadas. Ela estava um pouco mais desajeitada, tropeçando nos degraus da escada, claramente bêbada. Ninguém mais parecia reparar nela, então aproveitei aquele momento de distração dos outros para discretamente segui-la. Não queria chamar atenção, mas o instinto me disse para ir atrás dela.
Bruna entrou no quarto dela e eu a segui logo atrás, fechando a porta com cuidado. Ela se assustou por um momento, mas quando me viu, seu rosto se suavizou e um sorriso apareceu.
- Ah, você... -ela disse, ainda meio zonza, vindo até mim e se aproximando.- Estou tão bêbada...
- Eu também estou. -respondi, com um sorriso meio tonto. Perguntei, tentando parecer mais sério:- Mas, por que saiu da sala?
- Ah... eu fiquei meio na bad, sabe?
Ela deu uma risada fraca, como se fosse uma resposta automática para um momento meio tenso. Então, sem olhar para mim, seus olhos se voltaram para o mural de fotos pendurado na parede. Eu segui seu olhar e percebi que tinha várias fotos ali. Fotos dela com seus pais, com Luan, suas amigas... e uma foto de ela e do Harry, bem ali, no centro da parede.
Bruna, visivelmente incomodada, pegou a foto de Harry com raiva e rasgou. O som do papel se despedaçando foi abafado pela música lá embaixo, mas o gesto foi claro.
- Não vale a pena. -ela murmurou, os olhos distantes.
Fiquei parado por um segundo, sem saber bem o que dizer. Então, como uma tentativa de suavizar a situação, falei:
- Você deveria colocar uma foto minha e sua aqui, uma foto boa. A gente pode tirar, revelar e pendurar.
Ela olhou para mim, rindo baixinho, sem acreditar no que eu estava dizendo, e perguntou com um tom brincalhão:
- E por que você me seguiu até aqui, hein? Tá tão interessado em ver o meu quarto assim?
Eu me aproximei mais, ainda sorrindo, e, mesmo sem saber exatamente a razão de seguir ela até lá, só consegui dizer:
- Porque você é imprevisível. E eu gosto disso.