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Capítulo 41

Marina Narrando

Acordei com a sensação de que uma orquestra inteira estava ensaiando dentro da minha cabeça. O latejar era insuportável, e só então percebi que o álcool da noite passada ainda não tinha me deixado completamente. Pisquei algumas vezes, tentando ajustar minha visão ao quarto meio escuro, iluminado apenas por alguns raios de sol que passavam pela cortina entreaberta.

Foi quando percebi que estava deitada sobre algo — ou melhor, sobre alguém. Meu coração deu um pequeno salto antes que eu olhasse para cima e visse o rosto de Luan. Ele dormia tranquilamente, a respiração leve, os traços relaxados.

Por um instante, apenas observei. Ele era lindo quando acordava. A pele suave, os cílios longos descansando sobre as bochechas. O cabelo estava um pouco bagunçado, mas de um jeito que só o deixava mais bonito.

Olhei para mim mesma e para ele. Ainda estávamos vestidos, o que significava que não tínhamos feito nada além de dormir juntos. Um alívio percorreu meu corpo — não que fosse um problema, mas eu definitivamente não queria acordar com surpresas indesejadas.

Tentei me mexer devagar, esticando o braço para alcançar meu celular, que estava do lado dele, mas no processo acabei me movendo demais e senti Luan se remexer abaixo de mim. Ele soltou um resmungo baixo antes de abrir os olhos preguiçosamente. Quando me viu, um sorriso sonolento surgiu em seus lábios.

- Bom dia… -ele murmurou, a voz rouca e carregada de sono.

- Bom dia… -respondi, minha própria voz saindo meio arrastada.

Ele esfregou os olhos lentamente, ainda se acostumando com a luz fraca do quarto, e depois me olhou novamente com um sorriso preguiçoso.

- Acordar do seu lado vale a pena… mesmo com essa ressaca que eu tô sentindo.

Aquele comentário fez meu peito se aquecer de um jeito inesperado. Eu já tinha ouvido muita coisa de Luan, mas havia algo na simplicidade daquela frase, dita com aquela voz baixa e rouca, que me pegou desprevenida.

Eu ainda estava meio levantada, apoiada sobre um dos braços, mas ao invés de continuar tentando alcançar o celular, simplesmente me rendi ao momento. Me deitei novamente no peito dele, me aconchegando como se aquele fosse o meu lugar natural.

Luan soltou uma risadinha baixa, passando o braço ao redor da minha cintura, e suspirou.

- Você devia sair daí antes que eu me acostume…

- Hm… acho que não. -murmurei contra a sua camisa, fechando os olhos novamente, sentindo o calor do seu corpo contra o meu.

Luan passou os dedos de leve pelas minhas costas, um carinho preguiçoso que me fez querer ficar ali para sempre. Eu sabia que, eventualmente, teríamos que levantar, mas naquele momento, a cama era o melhor lugar do mundo.

- Marina… -ele chamou baixinho.

- Hm? -murmurei, sem vontade nenhuma de sair do seu abraço.

- Você acha que o resto do pessoal já acordou?

Suspirei e levantei um pouco a cabeça, encarando ele.

- Considerando o tanto que a gente bebeu ontem, acho que tem gente que vai precisar de reanimação.

Ele riu, passando a mão pelo rosto.

- A gente se superou.

- Pois é… -fiz uma careta, sentindo minha cabeça latejar mais uma vez.- E eu vou precisar de um balde de café antes de qualquer outra coisa.

Luan me observou por um momento, como se analisasse algo em mim, depois sorriu de canto.

- Mas e aí? Dormiu bem?

- Até que sim… -dei de ombros, brincando com um fio solto da camisa dele.- Você é um travesseiro confortável.

Ele riu, fingindo estar convencido.

- Claro que sou. Só o melhor pra você, Bieber.

Revirei os olhos, mas sorri. Já estávamos acostumados com esse jogo de provocações.

- Mas você roncou.

- Eu não ronco!

- Ronca, sim. Parecia uma serra elétrica.

Luan arregalou os olhos, fingindo indignação.

- Ah, agora você tá inventando coisa.

- Sério! Quase peguei meu travesseiro e coloquei na sua cara.

Ele gargalhou e, antes que eu percebesse, rolou comigo na cama, me fazendo soltar um gritinho de surpresa. Agora era eu quem estava deitada e ele por cima, me prendendo com os braços.

- Se eu ronquei, você sonhou comigo me pedindo pra ficar mais um pouco na cama?

A proximidade me fez prender a respiração. Ele sabia o que estava fazendo, e eu sabia que ele sabia.

- Pff… você se acha muito, Santana.

- Porque eu sou.

- Ridículo.

- Eu ouvi "maravilhoso".

Tentei empurrá-lo, mas ele riu e se jogou de volta ao meu lado, deixando um braço ainda sobre minha cintura. O quarto estava silencioso, além das nossas vozes e da respiração ritmada dele.

- Tá bom, agora levanta. -falei, tentando sair da cama.

- Não.

- Luan…

- Só mais cinco minutos.

Suspirei, mas acabei sorrindo. Eu também queria mais cinco minutos.

Então me aconcheguei mais um pouco e decidi que levantar poderia esperar só mais um pouquinho.

Luan e eu estávamos tão confortáveis que, quando fechei os olhos novamente, me permiti relaxar. Mas a paz durou pouco.

TOC, TOC, TOC.

Ignorei. Quem quer que fosse, podia esperar.

TOC, TOC, TOC.

Revirei os olhos e escondi o rosto no peito de Luan.

TOC, TOC, TOC.

- Quem é o infeliz que não sabe que ressaca é coisa séria? -murmurei, sem paciência.

- Não faço ideia, mas se a gente ignorar, talvez vá embora. -Luan disse, a voz ainda sonolenta.

A batida continuou.

Bufei. 

- Abre lá, Luan.

- Eu? Você que é dona do quarto. 

- Mas eu tô deitada.

- Eu também.

Suspirei, abrindo um olho e o encarando. 

- Eu sou uma dama.

Ele riu, sarcástico. 

- E eu sou o rei da preguiça.

- Luan, abre a droga da porta!

- Não.

- Luan!

- Marina!

Ele cruzou os braços e me olhou com aquele ar convencido.

- Se a pessoa não foi embora até agora, é porque não vai desistir. -cruzei os braços também.- Só abre logo.

Ele bufou, revirando os olhos, e se levantou.

- Isso é abuso psicológico, Bieber.

- Se você não abrir logo, vai ser abuso físico também.

Ele riu e caminhou até a porta, ainda coçando a nuca. Assim que abriu, porém, seu corpo ficou tenso.

- Victor?

A voz de Luan não tinha mais a mesma preguiça. Agora, soava mais alerta. Meu estômago revirou, e eu praticamente pulei da cama.

Victor estava parado ali, olhando diretamente para Luan. Seu rosto era uma mistura de fúria e decepção.

- Mas que porra é essa?

Meus olhos se arregalaram.

- Victor…

Ele riu, mas sem humor. 

- Um dia. UM DIA, Marina. Você terminou comigo ontem. E agora eu venho aqui e dou de cara com ele?

Senti meu rosto esquentar, tanto de culpa quanto de irritação.

- Isso não é bem o que você tá pensando…

- Ah, não? -ele gesticulou, apontando para Luan, que continuava parado ali, observando tudo.- Então me explica. Porque eu vejo você, na cama, e esse idiota aqui abrindo a porta do seu quarto, deixando claro que dormiu aqui.

Luan cruzou os braços, o maxilar travado. 

- Relaxa, cara. Não rolou nada.

- Cala a boca! -Victor explodiu, olhando para ele com raiva.- Você sempre foi uma pedra no sapato, sempre! Mas eu achei que, pelo menos, ela tivesse um mínimo de respeito…

Aquilo me atingiu.

- Você não vai jogar essa merda pra cima de mim. Eu terminei com você porque você é um traficante, Victor! Você quer me acusar de alguma coisa? Acusa, mas não vem fingir que você não é o errado da história.

- Não era pra terminar assim, Marina. Não desse jeito.

Eu vi o jeito que os olhos dele brilharam por um momento, como se estivesse se segurando para não surtar de vez.

Luan, sempre incapaz de ficar quieto, deu um passo à frente.

- Acho que tá claro que ela não quer mais nada, cara. Segue em frente.

Victor se virou para ele, os punhos cerrados.

-;Você deve estar amando isso, né?

Luan ergueu uma sobrancelha.

- Eu só tô falando a real.

Victor soltou uma risada debochada e me encarou uma última vez.

- Parabéns, Marina. Espero que tenha valido a pena.

E então, ele virou as costas e saiu, batendo a porta com força.

Suspirei pesadamente, passando as mãos pelo rosto.

- Que merda…

Luan me observava, mas não disse nada por alguns segundos.

- Você tá bem?

Assenti, ainda sem olhar para ele.

- Eu já esperava que ele fosse ficar puto… só não achei que ele fosse aparecer aqui.

- Melhor agora do que depois.

Respirei fundo e olhei para Luan.

- Ele tem razão em estar bravo.

- Ele tem razão em estar chateado, mas não em agir como se você devesse algo pra ele. Você terminou. O resto não é mais problema dele.

Assenti de novo, tentando absorver tudo.

Luan suspirou e colocou a mão no meu ombro.

- Que tal aquele café agora?

Não pude evitar um sorriso fraco.

- Eu realmente preciso de um.

Descemos as escadas, e assim que pus os pés na sala, minha cabeça latejou ainda mais. O dormitório estava um verdadeiro cenário pós-apocalíptico.

Garrafas vazias espalhadas pelo chão, copos virados, pedaços de comida largados pela mesa de centro, e…

- Meu Deus. -murmurei, franzindo o nariz ao perceber o pior.- Tem VÔMITO na planta.

Luan fez uma careta. 

- Espero que seja falsa.

- Claro que é falsa! Eu jamais teria uma planta de verdade aqui. Eu mal lembro de abastecer minha garrafa de água, imagina regar um troço desses.

Luan riu, desviando de uma garrafa caída.

- Bom, pelo menos você cuida de si mesma… mais ou menos.

Ignorei o comentário e fui direto para a cozinha. Liguei a cafeteira elétrica que eu tinha comprado — porque, sinceramente, depender do refeitório do campus para um café decente nos fins de semana era um erro que eu não estava disposta a cometer.

Enquanto eu preparava o café, senti Luan se encostar no balcão ao meu lado. Ele pigarreou antes de falar:

- Ei… sobre aquele dia, na festa aqui no seu dormitório…

Já sabia onde ele queria chegar.

- Luan…

- Não, sério. Eu queria pedir desculpa. Eu não devia ter invadido seu quarto daquele jeito. Você ainda tava namorando o Victor… foi uma baboseira minha.

Suspirei, pegando duas canecas no armário.

- Isso já passou, Luan.

- Eu sei, mas eu fui um babaca.

Dei de ombros, servindo o café. 

- Foi.

- Nossa. -ele riu, pegando a caneca.- Esperava um “não, claro que não, Luan!”.

Dei um pequeno gole no café quente antes de encará-lo com um sorriso travesso.

- Mas se eu soubesse que o Victor fazia o que fazia… -fiz uma pausa dramática, vendo Luan arquear a sobrancelha.- Eu tinha topado.

Ele riu alto. 

- Sério?

- Com certeza.

- Agora você me fala isso?

- Nunca é tarde demais.

Luan balançou a cabeça, ainda rindo, e tomou um gole do café.

- Você é terrível.

- Eu sou prática.

Brindamos nossas canecas como se estivéssemos celebrando a lógica impecável da minha decisão.

Luan ainda me olhava com aquele sorriso divertido enquanto bebia seu café, e eu apenas revirei os olhos.

- Para de me olhar assim. -falei, me encostando no balcão.

- Assim como? -ele fingiu inocência.

- Como se estivesse me imaginando sem roupa.

Ele quase engasgou com o café, tossindo e rindo ao mesmo tempo.

- Porra, Marina. Eu juro que dessa vez eu não tava!

Cruzei os braços e levantei a sobrancelha, cética.

- Dessa vez?

- Tá bom, talvez um pouco.

Revirei os olhos de novo, mas um sorriso escapou. Antes que eu pudesse retrucar, ouvimos passos pesados descendo as escadas.

Justin apareceu primeiro, com o cabelo bagunçado e a cara amassada de sono. Bruna veio logo atrás, se apoiando no corrimão como se a ressaca tivesse triplicado a gravidade ao redor dela.

- Eu preciso de café. -Justin murmurou, caminhando como um zumbi até a cafeteira.

- Bom dia pra vocês também. -falei, pegando mais duas canecas e servindo para eles.

Bruna pegou o café e fez uma careta ao dar o primeiro gole.

- Marina, pelo amor de Deus, o que você colocou aqui?

- Café.

- E ódio. -ela resmungou, mas continuou bebendo mesmo assim.

Justin, que nem ligava pra gosto quando precisava de cafeína, simplesmente virou metade da caneca em um gole só.

- O dormitório parece que foi atingido por um furacão. -ele comentou, olhando ao redor.- Quem diabos vomitou na planta?

- A pergunta certa é: quem vai limpar? -acrescentei, e todos se entreolharam, claramente esperando que outra pessoa se voluntariasse.

O silêncio reinou por um segundo, até que Anthony apareceu na sala, bocejando alto e coçando a cabeça. Ele parou ao ver a bagunça e franziu a testa.

- Caralho, o que aconteceu aqui?

- Festinha de sexta. -Luan respondeu, ainda segurando a caneca.- E pelo visto, ninguém aqui se candidatou pra equipe de limpeza.

- Eu nem lembro de muita coisa de ontem. -Anthony reclamou, pegando uma garrafa vazia do chão e analisando o rótulo.

- Então você pode começar a limpar. -Justin rebateu, dando um sorriso debochado.

Anthony o olhou como se quisesse socá-lo.

- Sabe o que é pior? -Bruna disse, suspirando.- Eu também nem lembro como a festa acabou.

Luan riu.

- Resumindo: todo mundo dançou, todo mundo bebeu além do limite aceitável, e você subiu cambaleando as escadas, foi pro seu quarto e o Justin te seguiu.

Todos os olhares recaíram sobre eles. Justin, que ainda bebia o café, apenas ergueu a sobrancelha.

- Ué, eu só queria garantir que ela não fosse tropeçar e cair de cara no chão.

Bruna sorriu, claramente se divertindo.

- Claro, Justin. Super protetor.

- Sempre.

Marina pigarreou, cruzando os braços.

- E então? Quem vai limpar essa bagunça?

Mais silêncio. Até que Virgínia apareceu, com cara de poucos amigos, e apontou para todos nós.

- Se alguém vomitou na minha planta, eu exijo que limpem agora.

- Então era sua planta? -perguntei, surpresa.

- Sim!

- Era. -Anthony corrigiu, apontando para o desastre.

Virgínia suspirou pesadamente, como se estivesse reunindo forças para lidar com o caos.

- Se ninguém limpar essa porra, eu vou começar a distribuir tarefas, e não vai ser negociável.

Ryan e Olívia desceram as escadas parecendo tão destruídos quanto o resto de nós. Ryan coçava a cabeça, tentando abrir os olhos direito, enquanto Olívia apenas bocejou, se encostando na parede com um suspiro dramático.

- Por que diabos todo mundo dormiu aqui? -perguntei, franzindo a testa.

Ryan ergueu a mão, como se estivesse prestes a contar uma história épica.

- Porque era três da manhã e tava um frio do caralho lá fora.

- Aham. -Olívia revirou os olhos.- E porque eu fiquei com dó e deixei eles ficarem. Eu falei pro Luan, o Ryan e o Anthony pra ficar porque também já fazia duas horas que o Justin tinha subido com a Bruna e nunca mais voltou.

Meu olhar imediatamente foi para Bruna, que estava concentrada demais no próprio café.

- A Olívia sentiu pena da gente por enfrentar o frio de madrugada enquanto o Justin estava sumido.

Bruna, que claramente não queria aprofundar o assunto, simplesmente jogou o cabelo pro lado e fingiu que não ouviu.

Mas foi aí que eu vi.

- O que é isso no seu pescoço?! -falei alto, apontando. 

Todos se viraram na hora, e Bruna, sem entender no começo, franziu a testa.

- O quê?

- Isso aí! -me aproximei, puxando um pouco a gola da blusa dela, e um roxo bem visível apareceu.

- Meu Deus, Bruna! -Olívia arregalou os olhos.

- Isso é um puta chupão! -Virgínia riu.

Justin, ao lado dela, apenas escondeu um sorriso atrás da caneca de café.

Bruna, percebendo que tinha sido pega, bufou e puxou a gola pra cobrir o pescoço de novo.

- Vocês são muito intrometidos, sabia?

- Não tem como não ser quando a marca tá gritando no seu pescoço! -Anthony riu, se jogando no sofá.

Luan olhou para Justin com um olhar de irmão mais velho protetor.

- Cê quer explicar isso, garoto Bieber?

Justin deu de ombros, bebendo o café como se não tivesse um chupão gritante no pescoço de Bruna.

- Eu sou muito bom no que faço.

A sala inteira explodiu em risadas, enquanto Bruna dava um tapa no braço dele.

Algumas semanas depois...

Eu estava deitada na maca, olhando para o teto branco da clínica, enquanto a Dra. Katherine Bennett deslizava o transdutor de ultrassom dentro de mim. Era só um exame de rotina antes de trocar o meu DIU. Eu sabia que ele estava vencido e queria resolver logo isso. Não podia me dar ao luxo de correr riscos.

A médica franziu a testa levemente enquanto analisava a tela.

- Marina, você sabia que está grávida?

Meu corpo gelou.

- O quê? -minha voz saiu fraca, quase um sussurro.

- É bem recente, mas aqui. -ela virou a tela na minha direção, apontando para uma pequena estrutura.- Esse é o saco gestacional. Pelo tamanho, parece ter por volta de quatro semanas.

Eu senti um buraco se abrir no meu estômago. Minha respiração ficou acelerada, meu coração disparou no peito.

- Isso não pode estar certo. Eu não estou sentindo nada, não tenho sintoma nenhum.

A médica manteve a calma, como se estivesse acostumada com esse tipo de reação.

- É porque está muito no começo. Os sintomas vêm um pouco depois. Mas eu posso confirmar com um exame de sangue, se você quiser.

Eu balancei a cabeça, minha mente girando. Quatro semanas… Meu cérebro fez os cálculos automaticamente.

O jantar do aniversário do Victor.

Minha garganta secou.

O ar da sala parecia ter ficado mais pesado. Meu peito começou a subir e descer rápido demais, como se eu não conseguisse puxar oxigênio suficiente. Meu corpo inteiro estava em pânico.

- Isso não pode estar acontecendo. -minha voz saiu trêmula.

A médica me olhou com empatia, tirando o transdutor com cautela de mim.

- Eu sei que é muita informação de uma vez, mas…

- Não. -cortei-a, sentando-me abruptamente na maca.- Isso não pode estar acontecendo. Isso não pode ser real. Doutora, tira isso. Agora.

Dra. Katherine me olhou com um misto de surpresa e preocupação.

- Marina…

- Eu tô no primeiro ano da faculdade! -minha voz saiu alterada, mas eu não me importei.- O pai é um merda! Essa criança não pode vir ao mundo!

Minha respiração estava descompassada, meus olhos começaram a arder. Meu peito doía como se algo estivesse esmagando minhas costelas.

A médica se aproximou com calma, tentando me tranquilizar.

- Eu entendo que seja um choque, mas essa é uma decisão que precisa ser tomada com calma.

Eu ri sem humor, passando as mãos pelo rosto.

- Calma? Como eu posso ficar calma? Eu não posso ter um filho! Eu nem queria estar grávida! Isso não devia ter acontecido!

Minha mente estava em completo caos. Eu não queria isso. Eu não queria isso. Eu não queria isso.

Meu futuro inteiro passava diante dos meus olhos. Faculdade, carreira, sonhos… Tudo indo pelo ralo.

E a última pessoa com quem eu queria compartilhar isso era o Victor.

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