Bruna Narrando
Justin havia viajado pra fazer shows, Jack estava com a babá que ele mesmo contratou, e eu… eu precisava resolver umas pendências.
E essa pendência tinha nome e sobrenome: Nathan Miller.
Fazia uma semana que ele disse que viajaria pra Amsterdam a trabalho, mas eu não conseguia tirar aquela pulga de trás da minha orelha. Eu já tinha certeza dentro de mim que queria o Justin, que o amava, que era com ele que eu queria ficar e criar o Jack. Só precisava de coragem pra encarar Nathan pessoalmente, olhar nos olhos dele e encerrar tudo de uma vez.
Mas aí veio a bomba.
Descobri que Nathan não estava em Amsterdam porcaria nenhuma. Estava em Nova York, desde o começo, e ainda por cima acompanhado daquele amigo dele que ele vivia mencionando, o tal do Austin. Ele sempre dizia que eles eram sócios num escritório de advocacia… mas eu precisava ver com meus próprios olhos.
Então fui até o endereço que havia achado na internet.
Era um prédio bem chique, sem letreiro, com uma porta envidraçada, com um lobby impecável e uma recepção enorme. Me apresentei, a recepcionista novata sorriu sem nem olhar direito pra mim e disse pra eu aguardar. Eu, impaciente, fui direto ao ponto:
- O senhor Blackwell está?
Ela olhou a tela do computador e respondeu com toda a calma do mundo:
- Saiu há pouco com um cliente.
Arqueei a sobrancelha. Cliente? Respirei fundo, tentando manter o tom casual:
- E o senhor Miller?
Ela franziu a testa.
- Não temos ninguém aqui com esse sobrenome.
Meu coração gelou.
- Nathan Miller. -insisti, mais firme.- Advogado.
A moça sorriu amarelo.
- Ah… o senhor Nathan Miller é cliente do senhor Blackwell, senhora. Não advogado. Pelo que sei, ele é jornalista da área de entretenimento. O senhor Blackwell o representa porque ele vive recebendo processos pelas… -ela fez uma pausa, baixando a voz, quase num sussurro- …pelas informações que ele vaza.
Foi como levar um soco no estômago.
O filho da mãe que espalhou minha história com a Marina por aí… era ele. Só podia ser. Eu havia contado pra ele sobre essa história, pois quando ele me conheceu, eu estava sofrendo muito por tudo o que aconteceu. Ele estava por trás disso o tempo todo, sorrindo pra mim como se fosse inocente.
O celular vibrou no meu bolso.
Nathan.
Atendi, tentando disfarçar a raiva na minha voz.
- Alô?
- Bru! -a voz dele era animada, cínica.- Tô aqui no aeroporto de Amsterdam, esperando meu voo de volta. Não vejo a hora de te ver.
- Hum… -murmurei, controlando minha respiração.- Que bom.
- Tá bem? Sua voz tá estranha.
- Tô ótima, Nathan. -devolvi, fria.- Depois a gente se fala, tá?
Desliguei antes que ele pudesse insistir mais alguma coisa. Meu corpo tremia de raiva e de nojo. Como eu pude ser tão idiota?
Me dirigi à porta de saída. Segurei o celular com força nas mãos, sentindo minhas pernas pesadas, os pensamentos embaralhados. O sensor da porta emitiu aquele plim discreto quando abri e dei um passo.
E então, eu congelei.
Meus olhos encontraram os dela.
Marina.
Ela vinha do lado de fora, ajustando a bolsa no ombro.
Eu fiquei ali, parada, as mãos geladas, o coração disparado, sem saber o que fazer.
Ela também parou, a poucos passos de mim, surpresa, quase assustada. O cabelo dela caía solto, os olhos verdes arregalados me encaravam fixamente, como se tentassem entender.
- Marina? -minha voz saiu baixa, hesitante.
Ela piscou algumas vezes antes de responder, também com a voz trêmula:
- Bruna… o que você…?
Mas ela não completou a frase. E eu também não sabia o que dizer. Porque naquele instante, olhando pra ela, eu também não sabia exatamente o que eu fazia ali.
Só sabia que, de algum jeito, aquele encontro tinha acontecido na hora certa.
De repente, meus olhos foram ofuscados por um clarão forte, repetido. Pisquei, assustada, levando a mão instintivamente à testa pra tentar me proteger da luz.
Olhei em volta, confusa, e percebi.
Paparazzi.
E não era só um. Tinham pelo menos três deles parados do lado de fora do prédio, todos com câmeras enormes apontadas pra mim e pra Marina, disparando flash atrás de flash.
- Puta que pariu… -murmurei, sentindo o coração acelerar na hora.
Marina também olhou por cima do ombro e arregalou os olhos.
- Sério isso?! -ela exclamou, visivelmente irritada.
Os flashes não paravam, e junto com eles vieram as perguntas gritadas, através da porta de vidro:
- Bruna! É verdade que você e Marina voltaram a ser amigas?!
- Marina, isso é um sinal de trégua entre vocês? Está tudo bem agora?!
- Como vocês se sentem depois de tanta polêmica?
Marina, com a mão já sobre a barriga e uma cara furiosa, deu dois passos em direção à porta e gritou:
- Vocês não têm um pingo de vergonha?! Não conseguem respeitar nem uma mulher grávida? Isso é nojento! Vocês só querem dinheiro, não se importam com ninguém!
Os caras continuavam atirando flashes e gritando perguntas, sem se importar com o tom de voz dela.
Eu só queria sumir dali. Meu coração batia alto no peito, o som das câmeras e as vozes pareciam ecoar na minha cabeça.
Dei dois passos até Marina, que ainda brigava com eles, e segurei sua mão com força.
- Vem… vem comigo! -murmurei, puxando-a com delicadeza, mas determinada.
Ela me olhou confusa por um segundo, depois assentiu, respirando fundo e me acompanhando de volta pra dentro do prédio.
Os paparazzi não desistiram — continuaram tirando fotos mesmo pela porta de vidro. Marina, antes de entrar totalmente, se virou pra eles e mostrou o dedo do meio, com uma expressão cheia de raiva no rosto.
Eu fechei a porta atrás de nós, sentindo minhas pernas bambas, e fui direto até a cortina. Segurei o tecido pesado e puxei de uma vez, fechando a visão deles.
O som dos flashes e das vozes abafou um pouco. Finalmente consegui respirar.
Me encostei na parede, ainda segurando a mão dela, tentando acalmar meus pensamentos. Marina também estava ofegante, as bochechas coradas de raiva, mas havia um brilho de alívio nos olhos dela por termos saído dali.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, só nos olhando, tentando recuperar o fôlego depois daquela cena ridícula. Eu ainda sentia meu coração disparado — não só pela confusão lá fora, mas por estarmos ali, juntas, de novo, de alguma forma.
Respirei fundo, tentando normalizar a minha pulsação depois daquela confusão. Soltei devagar a mão da Marina, mas continuei a fitá-la por alguns segundos. Ela também parecia processar tudo, ajeitando a bolsa no ombro, a respiração ainda um pouco acelerada.
- Você tá bem? Quer… quer um copo d’água? -perguntei, minha voz saindo mais suave do que eu pretendia. Eu realmente estava preocupada com ela, principalmente por ela estar grávida e ter passado esse estresse todo.
Marina ergueu os olhos pra mim, um leve sorriso no canto dos lábios.
- Tô bem, Bruna. -disse com firmeza, balançando a cabeça.- Não precisa se preocupar, não foi nada que eu não esteja acostumada.
Assenti devagar, mas por dentro a inquietação continuava. Eu sabia o quanto ela odiava esse tipo de situação, e no fundo também me incomodava que ela tivesse que lidar com tudo isso grávida de sete meses.
Um silêncio se instalou, desconfortável por uns instantes. Eu não via a Marina há meses. A última vez que tínhamos dividido o mesmo ar foi quando Jack ainda era um recém-nascido, um mês de vida só. E agora ele já ia fazer seis… parecia que um abismo enorme tinha se formado entre nós desde então. Eu não fazia ideia de como puxar assunto, do que dizer, por onde começar.
Mas foi ela quem tomou a iniciativa.
Ela me olhou com aqueles olhos escuros, ainda brilhantes, e respirou fundo antes de murmurar:
- Obrigada… por ter me salvado lá fora.
Ergui as sobrancelhas, surpresa.
- Não tem que agradecer. -falei, quase num sussurro.- Era o mínimo que eu podia fazer.
- Não era obrigação sua. -ela rebateu, ainda com aquele meio sorriso que parecia pesar mais do que qualquer palavra.- Mas você fez.
Nossos olhares se prenderam por alguns segundos, e eu senti minha garganta apertar. Ver a Marina assim, tão serena e ao mesmo tempo tão vulnerável, mexia comigo de um jeito estranho. Me lembrava que, apesar de tudo que rolou entre a gente, eu ainda me importava com ela.
- Claro que eu fiz. -consegui dizer, finalmente, numa voz firme.- Porque… apesar de tudo, eu não ia deixar que te destruíssem, me importo com você e também você tá carregando minha sobrinha.
Ela me olhou fundo por mais alguns instantes, como se quisesse dizer mais alguma coisa, mas só assentiu devagar e desviou o olhar para as cortinas fechadas.
E por um breve instante, eu senti que a barreira entre nós estava um pouquinho menos alta.
Cruzei os braços, tentando raciocinar como sairíamos dali, até ouvir a porta se abrir atrás da gente.
Era a recepcionista novata com quem eu tinha falado mais cedo, a menina de cabelos presos num coque bagunçado e óculos grandes. Ela parecia meio nervosa também, segurando uma prancheta contra o peito.
- Senhorita Santana… -ela me chamou baixinho, com um sorrisinho tímido, e depois olhou pra Marina com um ar cúmplice.- Eu… ouvi a confusão. Só queria avisar que… tem uma saída pelos fundos do prédio. Não é nada chique, mas ninguém vai ver vocês saindo por lá.
Eu pisquei, surpresa com a gentileza, mas logo me senti aliviada. Dei um passo em direção a ela.
- Obrigada. De verdade. -falei, sincera.
Ela assentiu, ainda tímida, e indicou com a cabeça um corredor lateral.
- É só seguir até o final e virar à direita. Vai dar num estacionamento pequeno atrás do prédio.
- Valeu mesmo. -murmurei, antes de me virar pra Marina.
Ela me olhava curiosa, uma sobrancelha arqueada. Eu apenas fiz um gesto com a cabeça em direção ao corredor.
- Vem. A gente vai sair por trás.
Marina arqueou a outra sobrancelha, mas acabou soltando um suspiro resignado.
- Você que manda, chefe. -murmurou, com aquele humor ácido que eu lembrava bem.
Eu não consegui segurar um sorriso pequeno enquanto pegava a bolsa do ombro e seguia pelo corredor. Marina veio logo atrás.
Avistei o Starbucks e chamei pra irmos até lá, então fomos. Fizemos nossos pedidos e sentamos na mesinha do canto, ainda meio sem acreditar que eu e Marina estávamos… ali. Juntas. Depois de tudo.
Ela colocou o chá gelado na frente, apoiou os cotovelos na mesa e ficou me olhando. Eu sentia aquele olhar pesado dela sobre mim, e por um instante fiquei sem saber por onde começar. Peguei minha bebida quente, como se aquele café pudesse me dar coragem, e suspirei, olhando para a espuma na tampa antes de encarar Marina.
- Você deve estar se perguntando o que eu tava fazendo naquele prédio, né? -comecei, a voz mais baixa do que eu esperava.
Ela apenas arqueou uma sobrancelha e tomou um gole do chá, como quem diz “não preciso responder”.
- Eu… -fechei os olhos um segundo e respirei fundo, sentindo a vergonha subir.- Cinco meses atrás, eu conheci um cara. Nathan Miller. Ele se apresentou como advogado, dizia que tinha um escritório junto com um amigo dele, Austin Blackwell… Ele era… um amor, sabe? Atencioso, paciente.
Minha garganta se apertou, mas continuei:
- Eu tava tão… tão perdida ainda. Achei que não ia dar certo com o Justin, achei que precisava me distrair… e ele tava ali. Me fazia rir, me fazia bem. Então eu comecei a confiar nele. Dividi coisas… coisas bem pessoais, inclusive coisas sobre você, sobre o Luan, sobre mim e o Justin… porque eu… confiava. -mordi o lábio inferior, abaixando os olhos para a xícara quente entre minhas mãos. — Eu jurava que ele queria o meu bem.
Marina não disse nada, mas continuava me encarando, atenta.
- Aí… -minha voz saiu quase num fio.- Uma semana atrás, eu e o Justin… a gente se beijou. -minhas bochechas queimaram só de falar em voz alta, e eu balancei a cabeça, um meio sorriso triste surgindo.- Eu percebi que… eu ainda amo ele. E ele também me ama. Eu… não sei nem por que demorei tanto pra admitir isso pra mim mesma.
Ela recostou na cadeira, cruzando os braços, o olhar dela mais suave do que eu esperava.
- Então… por que não terminou com o tal Nathan logo? -ela perguntou, sem rodeios.
- Porque eu precisava ter certeza. -respirei fundo.- Eu queria olhar nos olhos dele e dizer que acabou. Eu não queria mandar uma mensagem, não queria fugir. Ele merecia… sinceridade.
- E o que aconteceu hoje? -Marina perguntou, estreitando os olhos, como se já imaginasse a resposta.
- Descobri que ele mentiu pra mim desde o início. -falei, agora com um nó na garganta.- Hoje de manhã, a estagiária do escritório me contou que ele não é advogado. Ele é jornalista. Jornalista da área de entretenimento. E ele… é cliente do Austin, não sócio dele. Porque ele tá sempre sendo processado pelas coisas que vaza por aí.
Marina largou o copo de chá na mesa e soltou um suspiro irritado.
- Então ele que espalhou aquela história nossa… -ela disse, num tom baixo mas cheio de raiva contida.
Assenti devagar.
- Foi ele. Eu tenho certeza agora. Ele pegou tudo que eu contei pra ele… e usou contra a gente.
Marina ficou alguns segundos em silêncio, só me encarando, antes de finalmente dizer:
- Ele é um filho da puta.
- É. -concordei, mordendo o lábio e sentindo a garganta arder.- E pra completar… hoje, enquanto eu tava lá, ele me ligou. Disse que tava no aeroporto de Amsterdam, voltando pra Nova York. E eu… eu só consegui pensar: que cara sínico, mentiroso. Porque eu já sabia que ele tava aqui o tempo todo.
Marina balançou a cabeça devagar, em choque, e depois encostou os cotovelos na mesa de novo, me olhando bem nos olhos.
- E agora? -ela perguntou, mais calma.
Eu respirei fundo e ergui o queixo, sentindo uma pontinha de força voltar pra dentro de mim.
- Agora eu vou atrás do que eu quero. E o que eu quero… é o Justin.
Ela finalmente deixou escapar um pequeno sorriso de lado, aquele típico sorriso debochado dela, mas que eu sabia que era sincero no fundo.
- Tá… mas o que você tava fazendo lá, Marina?
Ela ergueu os olhos pra mim e, sem dizer nada ainda, puxou do bolso de trás da calça um cartão de visitas. Peguei e li: Austin Blackwell, Attorney at Law.
- Ele… me abordou no bistrô. Ele e o Nathan. -ela começou a explicar, baixinho.- Eu tava com a Virgínia e a Olívia, e os dois vieram até a nossa mesa. O Nathan falou primeiro, disse que o amigo dele, o Austin, me reconheceu e queria meu telefone, lógico que não passei, então o Austin se aproximou e pediu uma foto pelo menos… ele se mostrou muito interessado. Em mim. -Marina fez uma careta quase divertida.- Só que, né, não dei muita bola. Eu tô namorando.
Eu ergui as sobrancelhas, sentindo um sorriso involuntário brotar nos lábios.
- E posso saber com quem a senhorita está namorando?
Marina riu de leve, baixando o olhar, mas não escondeu a covinha no rosto.
- Com o Luan.
Meu sorriso aumentou ainda mais, e eu não resisti: estiquei as mãos por cima da mesa, segurando as dela com carinho.
- Eu tô tão feliz por vocês dois terem se acertado, Marina. De verdade. Vocês sempre foram certos um pro outro.
Ela me olhou surpresa no começo, mas logo sorriu também e apertou minhas mãos.
- Obrigada, Bruna… -murmurou com sinceridade.
Eu respirei fundo, ainda com um sorrisinho bobo, mas logo a realidade me cutucou de novo e eu soltei as mãos dela devagar, voltando a olhar pro cartão.
- Mas… -falei, séria agora.- isso aqui não foi só um encontro casual, né? Eu tenho quase certeza que esse Austin só tá tentando se aproximar pra arrancar alguma informação de você.
Marina assentiu devagar, passando a língua pelos lábios com um ar pensativo.
- Eu também acho isso agora… -admitiu, olhando para o copo dela.- Não sei explicar, mas alguma coisa nele me deixou desconfortável. Como se ele quisesse… mais do que só flertar.
- Ele e o Nathan são farinha do mesmo saco. -eu disse, amassando o cartão entre os dedos.- E agora que eu sei quem o Nathan realmente é, tenho certeza que esses dois estão armando alguma coisa.
Marina ergueu os olhos pra mim de novo, preocupada. Eu suspirei fundo, tentando sorrir para acalmá-la.
- A gente vai descobrir o que é. -garanti.- E não vamos deixar eles ferrar com a gente. Nem com você, nem com o Luan, nem com ninguém.
Ela sorriu de leve, mas os olhos ainda mostravam a apreensão. Então dei mais um leve aperto nas mãos dela e completei:
- Confia em mim, tá? Dessa vez a gente tá juntas nessa.
Marina abaixou os olhos por um instante, como se aquelas duas palavras tivessem exigido dela mais coragem do que parecia. E mesmo assim, a voz dela saiu num tom baixo, mas cheio de certeza:
- Eu confio.
Meu coração deu um nó. Eu não esperava ouvir aquilo dela tão cedo. Nem naquele dia, nem naquele lugar. Meus olhos brilharam de emoção na mesma hora. E eu apertei mais a mão dela por cima da mesa, sentindo a garganta embargar.
- Marina… -respirei fundo, e deixei sair, sem filtros, do jeitinho que eu sentia.- Eu senti tanta falta da sua amizade. Mais do que posso explicar.
Os olhos dela se ergueram pra mim, castanhos e profundos, como se buscassem a verdade por trás das minhas palavras. Então eu continuei, minha voz vacilando um pouco:
- E eu prometo… -apertei ainda mais seus dedos entre os meus, firme.- Prometo que nunca mais vou te decepcionar. Nunca mais vou julgar sem saber. Porque eu não sou ninguém pra isso.
O olhar dela suavizou de um jeito que me fez respirar com um pouco mais de leveza. Ainda tinha uma ponta de mágoa lá, eu podia sentir, mas também havia… esperança.
Marina deu um pequeno sorriso de canto, quase tímido, e voltou a fixar os olhos na minha mão segurando a dela.
- Não faz isso de novo, Bruna. -ela disse baixinho.- Eu realmente achei que… que tinha perdido você.
- E eu achei que já era tarde demais. -admiti, mordendo o lábio pra segurar as lágrimas que ameaçavam cair.- Mas não é. Não enquanto você ainda confiar em mim.
Ela ergueu o rosto e sorriu, um pouquinho maior dessa vez, e aquilo me deu força.
Fiquei olhando pra ela mais um segundo antes de soltar uma risadinha nervosa, tentando aliviar a emoção:
- Se eu começar a chorar aqui, você vai jogar esse chá gelado na minha cara, né?
Marina riu baixinho e balançou a cabeça.
- Vou… mas só se for pra você parar de drama e me ajudar a dar um jeito nesses dois idiotas que cruzaram nosso caminho.
Soltei uma risada de verdade agora, sentindo um peso enorme sair do meu peito.
- Fechado. -falei, ainda segurando sua mão.- Vamos dar um jeito neles. Juntas.
E naquela hora, eu soube: tínhamos virado a página. E ninguém mais ia colocar a gente uma contra a outra de novo — nem eu mesma.