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Capítulo 104

Marina Narrando

Já fazia uma semana que o Justin tinha acordado e, apesar de tudo que aconteceu, as coisas começaram a se ajeitar. Ele já tava em casa, fazendo fisioterapia. Agora ele tava morando com a Bruna, ao lado dela, do Jack e… da Chloe também. A Caitlin ainda tava lá, o que era um pouco estranho, mas necessário, eu acho. A Bruna não tinha me falado muita coisa, e nem ele, mas dava pra ver que as coisas estavam sendo tratadas com calma.

Já eu… eu tava em casa. Cansada. Cansada de um jeito que ninguém te prepara. A Serena era perfeita, e só de olhar pra ela, todo o resto sumia. Mas ao mesmo tempo, era como se meu corpo tivesse sido atropelado por um caminhão de sono, fome e leite.

O Luan me ajudava como podia, mas ele também tinha os compromissos dele. Meus sogros já tinham ido embora, e minha mãe vinha me ver de vez em quando, mas ela tava sobrecarregada com o trabalho. Então, no fim das contas, era eu, a Serena, e o turbilhão que é o puerpério.

Tava fazendo amamentação exclusiva, o que significava que eu sentia fome o tempo todo. Eu comia, e dali dez minutos parecia que não tinha comido nada. Já passei a mão num pacote de pão com requeijão no meio da madrugada e comi em pé na cozinha, enquanto ninava a Serena no colo.

Mas mesmo assim… eu me dedicava 100% a ela. Era tudo por ela. Toda vez que ela mamava, me olhava com aqueles olhinhos que mal enxergavam ainda, eu sabia que tava fazendo a coisa certa. Que por mais exausta que eu estivesse, aquele amor todo que eu sentia era maior que o cansaço.

Às vezes eu recebia mensagens da Bruna, dizendo que o Justin tava bem, que o Jack tava feliz por ter o pai de volta, e que a Chloe era doce. Mas por dentro, eu ainda me preocupava. Eu conhecia o Justin… ele tava passando por um turbilhão, e mesmo estando com a Bruna, ter a Chloe agora ao lado dele era uma reviravolta gigante. E a Caitlin ali... bom, era no mínimo tenso.

Suspirei, olhando pra Serena dormindo em meu colo. Eu queria poder ajudar mais, estar mais presente, mas pela primeira vez na vida, eu não dava conta de tudo. E tava tudo bem. Acho.

Me levantei devagar, com ela ainda no colo, e fui andando até o berço. Ela soltou um resmunguinho fofo antes de se ajeitar de novo, e eu me permiti sentar na ponta da poltrona, passar a mão no rosto e ficar ali. Silêncio. Só o som do coração acelerado de uma mãe que ama demais.

Peguei a babá eletrônica, me arrastei até o sofá da sala e desabei. Nem tive coragem de pegar meu celular. Meus seios estavam doloridos, minha cabeça pesada, e meu corpo… parecia que tinha sido atropelado. A exaustão era tão profunda que eu comecei a chorar sem nem perceber. As lágrimas só vinham, silenciosas, quentes, escorrendo pelo meu rosto.

Eu amava a Serena. Ela era tudo pra mim. Mas eu me sentia sozinha. Tão sozinha. O Luan tava tentando ajudar, claro, mas ele também tava sobrecarregado com o trabalho, o novo empresário exigia muito dele. Ele fazia o que podia, mas não era o suficiente. Nada era suficiente.

Ouvi meu estômago roncar e percebi que a última coisa decente que comi tinha sido um pedaço de pão pela manhã. Levantei cambaleando e fui até a cozinha, abri a geladeira, olhei… e fechei de novo. Não tinha energia nem pra pensar no que cozinhar. Muito menos pra lavar a louça que já tava acumulada.

Voltei pro sofá, me sentindo ainda mais miserável, e foi aí que senti. Uma tontura. Daquelas que fazem o mundo girar. Levei a mão na testa, e logo em seguida tudo escureceu por alguns segundos. Me agarrei na almofada tentando não cair. Meu coração acelerou.

- Calma… calma… -sussurrei pra mim mesma, tentando respirar fundo.

Mas o medo bateu forte. E se eu desmaiasse? E se eu caísse e ninguém estivesse aqui? E se a Serena chorasse e eu não conseguisse levantar?

Peguei o celular com mãos trêmulas e, sem pensar muito, abri o WhatsApp. Toquei no contato da Bruna. Escrevi:

“Você pode vir aqui?”

Três segundos depois, ela respondeu:

“Tô indo.”

Eu nem sabia se ela tava perto ou longe. Só sabia que precisava de alguém. Alguém que eu confiasse. Que entendesse.

Encostei a cabeça na almofada e fechei os olhos. Tentei não chorar de novo, mas tava difícil. Porque a verdade é que ninguém avisa o quanto a maternidade pode te quebrar inteira. E naquele momento… eu tava em pedaços.

Minutos depois, ouvi a campainha. Me levantei devagar, tentando ignorar a tontura que ainda me rondava. Abri a porta e lá estava ela — Bruna, ofegante, como se tivesse vindo correndo. Quando me viu, seu rosto mudou.

- Meu Deus, Marina… você tá péssima.

Dei uma risada sem graça e tentei afastar o cabelo do rosto, mas minhas mãos tremiam.

- Obrigada por vir…

Ela entrou sem cerimônia, fechando a porta atrás de si. Me puxou pra um abraço apertado, e só de sentir aquele carinho, meus olhos se encheram de lágrimas de novo.

- Ei, ei, ei… -ela sussurrou, me abraçando mais forte.- Não precisa dizer nada agora, tá? Eu tô aqui.

Ficamos ali por alguns segundos. Depois ela me levou até o sofá e me fez sentar.

- Você comeu hoje?

Balancei a cabeça, com vergonha de admitir.

- Pão de manhã… e um copo de água… -murmurei.

- Você tá brincando?! Marina! -ela levantou, já indo pra cozinha.- Fica sentada. Eu vou preparar alguma coisa pra você. 

Enquanto ela revirava a cozinha, ouvi a Serena se remexendo no quarto. Suspirei.

- Ela vai acordar de novo… -falei, frustrada.

- Deixa comigo. -Bruna apareceu no corredor em segundos.- Você precisa descansar um pouco. Eu cuido da Serena, depois você come alguma coisa, toma um banho, e dorme um pouco. Pode ser?

- Você já tá cheia de coisa com o Justin… -falei, cansada.- E agora tem a Chloe também… não quero pesar pra você.

Ela parou bem na minha frente e me encarou.

- Você não é peso, Marina. Você é minha melhor amiga. Eu não vou sair daqui até ver você bem de novo. Entendeu?

Engoli o choro e assenti.

Bruna me deu um beijo na testa e foi até o quarto da Serena. Pela primeira vez em dias, me senti… cuidada. Amada. Não como mãe, não como namorada, não como filha. Mas como Marina.

E isso… isso me deu forças pra aguentar mais um pouco.

Fui pro meu quarto ainda sentindo o peso da exaustão, mas sabia que precisava cuidar da Serena. Peguei a bombinha elétrica com cuidado e comecei a tirar o leite, sentindo a pressão e um incômodo gostoso — meu peito doía de cheio, mas era sinal de que a pequena teria o melhor. Consegui uma boa quantidade para deixar guardada, e isso me deixou tranquila.

Depois disso, fui para o chuveiro, deixando a água morna escorrer pelo corpo. Demorei mais do que o normal, lavei o cabelo com calma, tentando aliviar o cansaço que se acumulava. Saí renovada, vesti uma roupa confortável e fui para a cozinha.

Para minha surpresa, a louça já estava lavada, e um prato com macarrão à bolonhesa estava na mesa, com um cheiro que trouxe um sorriso espontâneo ao meu rosto. Aquele gesto simples me fez sentir amada e cuidada.

Nesse instante, a porta de entrada se abriu, e Luan apareceu, ele entrou na cozinha, sorriu ao me ver e me deu um beijo suave na testa. Com a voz cheia de carinho, perguntou:

- Como tá nossa pequena?

Enquanto dava uma garfada no macarrão, respondi que ela estava com a Bruna. Ele franziu a testa, meio surpreso.

- A Bruna está aqui? -perguntou, curioso.

Eu suspirei, tentando explicar com calma:

- Precisava dela por perto. Tem sido pesado...

Ele se sentou ao meu lado, pegou minha mão com cuidado e, olhando nos meus olhos, falou baixinho:

- Me desculpa por estar tão ausente... por não estar sendo o melhor pai... por não cuidar de você nesse momento tão delicado.

Eu tentei segurar as lágrimas entre uma garfada e outra, mas foi impossível. Esses hormônios do pós-parto são uma loucura. Meu peito apertou, e as lágrimas escorreram silenciosas, enquanto Luan apertava minha mão, tentando me confortar.

Acariciei o canto do meu olho para enxugar as lágrimas que insistiam em cair, tentando sorrir apesar do nó na garganta.

- Às vezes eu queria você mais presente, sabe? -falei baixinho, olhando para ele.- Mas eu entendo que seu empresário novo é bem exigente, e que você tem muitos compromissos.

Luan me olhou nos olhos, com aquela expressão séria e cheia de amor que me derretia.

- Marina... -disse ele com calma, ainda segurando minha mão.- Nenhuma carreira no mundo vale mais do que o seu bem-estar e o da nossa filha. De que adianta ter agenda lotada de shows, entrevistas, gravações, ganhar rios de dinheiro, e não dar valor pra maior riqueza que eu tenho? Que é você e a Serena.

Eu sorri, meio entre as lágrimas, sentindo meu coração amolecer mais ainda.

Sem perder tempo, ele pegou o garfo, pegou um pouco do macarrão e levou com cuidado até a minha boca, como se estivesse me tratando com todo carinho do mundo.

- Agora você come, e eu cuido de você. -ele disse, com aquele sorrisinho bobo que eu amava.

Depois que terminei de comer, senti uma mistura de cansaço e tranquilidade. Resolvi dar uma passadinha no quarto da Serena para conferir como ela estava. Ao chegar, ouvi a voz suave da Bruna cantando uma música de ninar, enquanto ninava nossa pequena nos braços, embalando-a com todo cuidado e carinho. Sorri sem conseguir conter a emoção — minha melhor amiga, minha cunhada, ali cuidando tão bem da minha filha, da sobrinha dela... era uma cena que aquecia meu coração.

Fiquei ali por alguns minutos, observando aquelas duas, antes de me despedir silenciosamente para não atrapalhar. Voltei para o meu quarto, onde, finalmente, me permiti relaxar de verdade. Deitei na cama, fechando os olhos, sentindo o corpo pesado e a mente cansada.

E ali, no silêncio confortável daquele quarto, eu simplesmente apaguei.

Quando acordei, o sol já começava a se pôr, tingindo o quarto com tons alaranjados. Fazia tempo que eu não dormia assim, um sono pesado e profundo que meu corpo implorava. Virei o corpo e percebi minha blusa molhada, ensopada de leite que vazou — meu peito estava pesado, dolorido.

Com cuidado, me levantei e fui até o quarto da Serena, mas o berço estava vazio. Meu coração deu um pulo, e eu segui para a sala.

Lá, no tapetinho de atividades, minha pequena fazia tummy time, tão minúscula e frágil. Bruna estava na cozinha, preparando um chá, enquanto Luan estava ajoelhado ao lado da Serena, cuidando dela com toda a atenção do mundo.

Assim que me aproximei, senti o cheiro da minha filha e, como se percebesse minha presença, ela começou a chorar baixinho, puxando um soluço de dentro de mim. Aquele choro era a maneira mais doce de me lembrar de que, mesmo nos dias mais difíceis, ela me precisava — e eu precisava dela.

Me sentei no tapete ao lado da Serena, pegando-a nos braços com todo o cuidado do mundo. Ela se aninhou rápido e, sem hesitar, agarrou meu peito com força, mamando faminta como se quisesse recuperar o tempo perdido. O calor do contato me acalmava, como se toda a exaustão e insegurança fossem desaparecendo aos poucos.

Bruna se aproximou devagar, segurando uma xícara de chá quente nas mãos, o rosto tranquilo, mas com aquela leve preocupação que só quem ama sabe demonstrar.

- A Serena já tomou banho, tá limpinha. -ela disse, com um sorriso gentil, colocando a xícara sob a mesa de centro.- Eu tava só esperando você acordar pra poder ir embora, mas amanhã eu volto cedo, prometo.

Agradeci a ela com um olhar cheio de gratidão, a voz embargada:

- Não sei nem como agradecer tudo que você tem feito... não só por mim, mas por ela também.

Bruna sorriu e, delicadamente, pousou um beijo na minha testa e depois na testa da Serena.

- Você não tá sozinha, Marina. A gente tá aqui pra tudo que precisar.

Luan se levantou, passou o braço em volta do ombro da irmã e falou com sinceridade:

- Valeu mesmo, Bru. A gente não conseguiria sem você.

Ela deu um último sorriso e começou a se afastar, então Luan a acompanhou até a porta, segurando a mão dela com cuidado.

- Se cuidem, tá? Amanhã a gente se vê.

Bruna acenou e saiu, deixando um silêncio confortável no ar, daqueles que só a família sabe proporcionar. Eu olhei para a Serena, que já dormia tranquila no meu colo, e respirei fundo, sentindo o peso do dia se transformar em esperança.

1 mês depois...

Um mês depois... caramba, já era Abril e eu havia sobrevivido aquele turbilhão de emoções, noites sem dormir e descobertas como mãe de primeira viagem. Nem quis fazer festa de mesversário para a Serena — precisava mais mesmo era de um pouco de paz.

Serena estava com a minha mãe hoje. Ela tinha conseguido quinze dias de férias e veio pra Nova York me ajudar — um verdadeiro respiro pra mim. Hoje ela decidiu sair a passeio com a pequena, nem me disse pra onde ia, só falou: “Vai cuidar de você, filha.” E eu deixei. Mandei um bom estoque de leite congelado e confiei. Minha mãe era experiente. E eu precisava de uma pausa.

Desci do apartamento com um nó no estômago. Já estou de 40 dias pós parto, e eu tinha consulta hoje com a ginecologista pra discutir métodos anticoncepcionais. Meu DIU tinha falhado na gravidez da Serena, e eu não pretendia repetir a dose tão cedo.

O carro do Luan já me esperava em frente ao prédio. Ele estava com os vidros escuros fechados, braço jogado no volante e uma camiseta preta colada no corpo que deixava os músculos em evidência. E o pescoço, meu Deus… o jeito como ele virava o rosto e esticava o maxilar... Eu queria morder ele inteiro.

Entrei no carro e ele sorriu daquele jeito moleque que me deixava sem ar. Assim que fechei a porta, ele se inclinou e me puxou pra um beijo. Eu não hesitei.

Nossas bocas se encontraram com sede. Um beijo molhado, cheio de língua, cheio de desejo contido há semanas. Minhas mãos foram direto pro pescoço dele e eu me inclinei pra mais. O calor entre as minhas pernas era imediato, urgente, como se meu corpo inteiro gritasse que precisava dele.

Mas aí... a razão me deu um tapa na cara.

Interrompi o beijo com um suspiro pesado, encostando minha testa na dele. Respirei fundo, os olhos ainda fechados.

- Eu não posso... -murmurei, quase com raiva.- Não ainda.

Luan afastou o rosto só o suficiente pra me olhar nos olhos.

- Tá tudo bem, amor. Vai que a médica libera hoje.

Fechei os olhos, frustrada. A sensação era cruel. Eu o queria. Cada parte dele. Sentia meu corpo inteiro latejando de vontade, e ao mesmo tempo, a lembrança do parto, o medo de uma nova gravidez, o DIU que falhou… tudo me freava.

- Você não tem ideia do fogo que eu tô sentindo. -confessei, num tom baixo, quase culpada.

Ele riu, mas com ternura.

- Eu tenho sim… você acha que eu tô tranquilo aqui? -ele ajeitou a calça discretamente.- Mas a gente espera. Eu prefiro mil vezes isso do que te ver preocupada ou correr risco de algo agora.

Assenti, mordendo o lábio.

- Depois da consulta hoje, vamos resolver isso. Eu quero voltar a me sentir mulher, Luan… e não só mãe.

Ele segurou meu rosto com carinho.

- Você é a mulher da minha vida, Marina. E ser mãe só te deixou mais linda ainda. Mais forte. Mais tudo.

Aquela declaração me desmontou. Me joguei no banco, puxei o cinto com força e suspirei, tentando esfriar a cabeça. Literalmente.

— Vamos logo pra essa consulta, antes que eu faça uma besteira nesse carro.

Ele riu, ligando o motor.

- Se fizer, eu juro que colaboro.

Eu dei um tapa de leve no braço dele, rindo também. Mas no fundo… estava contando os dias.

A sala da Dra. Mayra estava com aquele cheirinho leve de lavanda misturado com álcool, típico de consultório, mas de alguma forma mais acolhedor do que a média. Entrei e me acomodei na poltrona de frente pra mesa dela, enquanto Luan ficou encostado na parede, braços cruzados, só me observando. Ele fazia questão de estar comigo em cada passo desde que a Serena nasceu, e eu nem sabia como agradecer isso.

Dra. Mayra apareceu logo em seguida com um sorriso simpático, jaleco branco com as mangas dobradas e uma prancheta digital nas mãos.

- Marina! -ela abriu um sorriso largo.- Quarenta dias já? Passou voando!

- Mais ou menos, doutora… pra mim pareceu um ano. Mas sobrevivi. -dei um sorrisinho cansado, porém sincero.

- E como está se sentindo? -ela puxou a cadeira e se sentou.

- Cansada, pingando leite, com um peito mais pesado que o outro e… -olhei de canto pro Luan, depois voltei o olhar pra ela.- com muito fogo acumulado.

A médica soltou uma risada gostosa, espontânea.

- Gosto de pacientes sinceras! -ela disse, abrindo meu histórico no tablet.- Mas olha, boas notícias: seu resguardo oficialmente acabou. Você teve parto normal e ocorreu tudo bem, está sem sangramentos… clinicamente, você está liberada pra voltar a ter relações. Claro, com calma. Sem pressa e ouvindo o seu corpo.

Luan mexeu os ombros, como se estivesse se preparando pra algum tipo de comemoração, e soltou um sorrisinho malicioso.

- Isso quer dizer que a gente pode comemorar hoje?

- Segura a empolgação, Luan. -brinquei, rindo.- Ainda falta uma parte muito importante: não posso engravidar de novo.

- Justíssimo. -Dra. Mayra concordou, séria.- Sobre isso… como falamos na última consulta, seu DIU anterior falhou, e embora seja um método super eficaz, não dá pra ignorar o trauma. Você quer mudar?

- Quero. Sinceramente, fiquei com medo. Quero uma coisa segura e que não dependa da minha memória. Mas também não quero encher meu corpo de hormônios.

- Nesse caso, recomendo o implante subcutâneo. É discreto, dura três anos, e tem uma taxa altíssima de eficácia. Bem mais estável que o DIU de cobre, e com menos efeitos colaterais do que pílulas, por exemplo.

- Já posso colocar?

- Pode sim, se quiser. Hoje mesmo.

Assenti com firmeza.

- Então bora. Quero sair daqui com isso resolvido.

- Mulher decidida! Gosto assim. -ela sorriu e se levantou, indo preparar o material.

Enquanto isso, Luan veio até mim, se agachou do meu lado e sussurrou:

- Isso quer dizer que hoje tem?

- Quer dizer que hoje talvez tenha. -respondi provocando, passando o dedo no queixo dele.- Depende do seu desempenho.

Ele riu, baixinho, com aquela expressão de puro desejo.

- Pode deixar que eu vou dar meu melhor. Me dá só o sinal e eu viro atleta olímpico se precisar.

Dei um empurrãozinho de leve nele e rolei os olhos, rindo.

Depois do procedimento, que foi rápido e quase indolor, saímos do consultório de mãos dadas. O ar de primavera em Nova York tinha aquele frescor delicioso que eu tava sentindo falta, e pela primeira vez em semanas, eu me sentia... leve. Protegida. Livre. Serena estava bem com a minha mãe, e eu não precisava me preocupar por algumas horinhas.

Entramos no carro e, dessa vez, quando Luan me deu aquele beijo gostoso, eu não precisei mais me conter. Beijei de volta, com desejo. Com vontade. Com a certeza de que agora podia.

- Só não vamos fazer loucura no estacionamento, né? -murmurei contra os lábios dele.

- Relaxa… hoje à noite a gente faz tudo com calma. E com gosto.

Sorri. Ele deu partida e seguimos por algumas quadras até pararmos em frente ao Balthazar, em SoHo — um dos restaurantes mais clássicos e charmosos da cidade. Eu já tinha ouvido falar, mas nunca tinha ido. O cheiro que escapava pelas portas abertas já me deixava salivando.

- Balthazar? -arqueei a sobrancelha, impressionada.

- Achei que depois de mais de 40 dias sem transar, você merecia pelo menos uma entrada chique antes da sobremesa. -ele piscou, com aquele sorrisinho canalha que eu amava.

- Você é ridículo. -ri, batendo no ombro dele, mas entrando animada.

O maître nos reconheceu na hora e nos levou até uma mesa charmosa perto da janela. O ambiente era elegante, com luz natural entrando pelas janelas altas, garçons apressados mas simpáticos, e aquele burburinho baixo de um restaurante badalado.

Sentamos, e logo o cardápio foi entregue.

- Vai pedir o quê? -ele perguntou, olhando o menu com um foco quase profissional.

- Eu tô com vontade de algo leve. Talvez uma salada Niçoise e um croque monsieur. -comentei, ainda passando os olhos pelas opções.

- Isso é leve? -ele ergueu uma sobrancelha.- Eu vou de steak frites. E uma taça de vinho… ah, não, você ainda tá amamentando, né?

- Sim, infelizmente. Mas pode pedir a sua, não tem problema.

- Você vai ficar com inveja. Vai me olhar com cara de ódio.

- Eu vou te olhar com cara de "termina logo e me leva pra casa".

- Ui. Tá bom, então só água com gás. Eu não vou arriscar perder essa chance histórica de transar de novo.

Caímos na risada como dois adolescentes no intervalo da escola. Era impressionante como, mesmo depois de tudo — gravidez, noites sem dormir, fraldas e choros — a gente ainda conseguia rir assim, com leveza.

Enquanto esperávamos os pratos, ficamos conversando sobre tudo e nada. Ele me contou umas histórias engraçadas do estúdio, eu contei das primeiras manhas da Serena, das carinhas que ela fazia quando mamava, do jeito que ela puxava meu cabelo às vezes.

- Sabe o que é mais doido? -eu disse, mexendo no guardanapo de pano sobre o colo.- Mesmo com toda a loucura que foi esse último mês, eu não trocaria nada. Tipo… eu olho pra Serena e penso: valeu tudo. Cada dor, cada lágrima.

Luan me olhou com aquele carinho nos olhos que só ele sabia ter. Pegou minha mão sobre a mesa e apertou de leve.

- Você é a melhor mãe que ela poderia ter. E eu sou o cara mais sortudo do mundo por ter vocês duas.

Meu coração derreteu. Literalmente. Senti os olhos marejarem.

- Não fala assim que eu tô sensível e com sono, aí eu choro. -ri, tentando disfarçar a emoção.

- Chora, ué. Eu aguento. -ele deu um beijo rápido nas minhas costas da mão.- Mas se você quiser rir de novo, posso contar do dia que tropecei no fio do microfone e caí no chão do estúdio que nem um saco de batata.

- Por favor. Eu preciso dessa história agora.

E assim seguimos. Um casal. Dois melhores amigos. Com fome, com saudade um do outro, e com uma filha em comum que fazia tudo fazer sentido.

Quando os pratos chegaram, comemos devagar, entre uma piada e outra, entre olhares e sorrisos. Terminamos de comer, mas continuamos ali, sem pressa. O restaurante estava calmo, um ambiente acolhedor, com uma música ambiente baixinha tocando um jazz moderno. 

Eu brincava com a borda do meu copo d’água enquanto Luan me olhava do outro lado da mesa, com aquele sorriso bobo que me deixava completamente exposta.

- Tá olhando o quê? -perguntei com um meio sorriso.

- A mulher da minha vida. -ele respondeu, sem nem hesitar.

Revirei os olhos e ri. Mas no fundo, aquele comentário derreteu qualquer armadura que eu tivesse. Apoiei os braços na mesa e suspirei.

- Eu tô me sentindo... sei lá, estranha. Insegura. Com meu corpo. Eu... eu ainda tô me acostumando a ele depois da gravidez, sabe? As marcas, o peito maior... Eu sei que é normal, mas... eu não sei se vou conseguir me soltar. Quando a gente... enfim. -eu abaixei o olhar, tímida.- Acho que vou querer fazer só no escuro.

Luan esticou a mão por cima da mesa e pegou a minha.

- Marina, você tem ideia da mulher que você é? Do corpo que você tem? Do quanto eu te acho linda, gostosa, perfeita?

- Luan... -sorri sem graça, apertando a mão dele.

- Eu tô falando sério. Eu te olho e não vejo só a mãe da minha filha. Eu vejo a mulher mais incrível que eu já conheci. Forte. Sensual. Inteligente. Você tá mais linda ainda depois da Serena. E se você quiser apagar a luz, tudo bem. Mas eu só quero que saiba que, pra mim, não tem parte sua que eu não ame.

Fiquei em silêncio por alguns segundos. As palavras dele me atingiram como um abraço quente no peito. Senti meus olhos encherem um pouco, mas engoli o choro antes que saísse.

E foi então que, no meio daquela conversa tão íntima e delicada, ele levou a mão ao bolso da calça.

- Na verdade... -ele disse, com um sorriso de canto, meio nervoso.- Eu queria te falar mais uma coisa.

Franzi a testa, curiosa, e vi quando ele tirou uma pequena caixinha azul-marinho de veludo.

- Luan... -sussurrei, já me endireitando na cadeira.

Ele se levantou devagar e veio para o lado da mesa onde eu estava. Se ajoelhou ali, no meio do restaurante. As poucas pessoas que ainda estavam almoçando nos olharam, e eu senti o coração quase sair pela boca.

- Marina Rhode Bieber... -ele começou, me olhando com aqueles olhos castanhos tão intensos.- A gente já passou por tanta coisa. Crescemos, erramos, acertamos, tivemos nossa filha... e hoje eu não consigo imaginar a minha vida sem você. Eu quero acordar todos os dias ao seu lado, cuidar de você e da Serena, dividir as vitórias e também os momentos difíceis. Quero rir contigo, chorar contigo, envelhecer contigo.

Ele abriu a caixinha. Lá estava um anel delicado, com um pequeno diamante central rodeado por pedras menores. Lindo. Clássico. Como eu sempre imaginei.

- Quer casar comigo?

Minha respiração ficou presa. Eu olhei pro rosto dele, pro anel, pro restaurante inteiro que parecia ter parado no tempo. Eu não esperava aquilo. Não naquele dia. Não assim.

Mas ali estava ele. O pai da minha filha. O amor da minha vida.

- Sim. -minha voz saiu embargada.- Sim, Luan. Claro que sim!

As pessoas ao redor começaram a bater palmas, alguns sorrindo, outros registrando o momento com os celulares. Luan se levantou, colocou o anel no meu dedo com mãos levemente trêmulas, e me beijou. Um beijo cheio de emoção, de promessa, de tudo o que a gente já viveu e o que ainda estava por vir.

- Agora você tá presa comigo pra sempre. -ele murmurou contra meus lábios, sorrindo.

- Eu já tava. -respondi, rindo, com os olhos ainda marejados.

[...]

Assim que entramos no apartamento, senti aquele silêncio confortável me abraçar. Era estranho, mas bom, ver a casa sem o chorinho da Serena, sem brinquedos espalhados pelo chão, sem cheirinho de pomada ou leite… só nós dois. Um momento raro.

Coloquei minha bolsa no sofá, pronta pra agradecer a manhã incrível que Luan tinha me proporcionado, quando senti seus dedos tocarem levemente meus cabelos. Ele os puxou de forma suave pro lado, abrindo espaço no meu pescoço… e ali depositou um beijo lento, úmido, quente… e meu corpo reagiu como se estivesse esperando exatamente aquilo.

- Luan… -sussurrei, os olhos já se fechando.

- Você não tem ideia do quanto eu senti falta disso. -ele respondeu com a voz rouca, os lábios ainda colados na minha pele.- Só nós dois. Só você, Marina Bieber.

Virei de frente pra ele, e a intensidade no olhar dele me desmontou. Os dedos dele encontraram meu rosto, acariciando minha bochecha, enquanto o polegar passava de leve nos meus lábios. Tinha algo diferente nele naquele momento. Um misto de desejo, ternura e… amor. Tanto amor.

- Hoje foi perfeito. -falei, com a voz um pouco embargada.- Eu ainda tô tentando acreditar que você me pediu em casamento, Luan…

Ele sorriu, aquele sorriso torto e lindo que sempre me fazia perder o ar.

- Eu só fiz o que meu coração mandava, princesa. Faz tempo que eu sabia que queria passar o resto da vida com você. Só tava esperando o momento certo. E hoje, te vendo ali, com esse brilho no olhar mesmo depois de tudo que a gente passou… eu soube. Era agora.

Meus olhos encheram de lágrimas, mas dessa vez não de cansaço ou insegurança. Era emoção mesmo. Amor em estado bruto. O tipo de sentimento que parece que vai explodir no peito.

- E você ainda quer mesmo casar comigo, mesmo eu estando toda insegura, com o corpo mudado, com peito vazando leite…?

Luan não pensou nem dois segundos.

- Você tá mais linda agora do que nunca. Você é a mulher que gerou a Serena. A mulher que eu amo. Cada pedacinho seu, cada marca, cada mudança… eu amo tudo. Isso aqui -ele tocou minha barriga- é história. É amor. É vida. E eu vou lembrar disso toda vez que olhar pra você.

Eu me joguei nos braços dele. Beijei sua boca com urgência, como se quisesse mostrar que sim, eu aceitava. Que sim, eu também queria passar o resto da vida ao lado dele.

Os beijos ficaram mais intensos, e Luan me guiou até o quarto com cuidado, sem pressa. Fechou a porta atrás de nós, senti o coração disparar. Ele não precisou dizer nada. Só me olhou daquele jeito… e eu soube.

Meus pés mal tocaram o chão quando ele me ergueu pelas coxas e me encostou devagar na parede. O beijo veio urgente, profundo, como se a gente quisesse recuperar cada dia que passou vivendo só como pai e mãe, e não como homem e mulher.

- Eu senti tanto a sua falta… -ele murmurou entre um beijo e outro, enquanto minhas mãos se embrenhavam nos fios macios do cabelo dele.- De sentir você assim.

Eu respondi só com um gemido baixo, porque meu corpo já queimava. Senti as mãos dele subirem pela barra da minha blusa, devagar, até ele puxá-la por cima da minha cabeça. Eu tremi quando o ar frio encontrou minha pele. Ele encostou a testa na minha, respirando pesado.

- Você tem certeza? -ele perguntou, a voz rouca, os olhos presos nos meus.- Eu não quero te machucar.

- Eu tenho certeza. -falei, sem hesitar.- Eu quero você. Agora.

Ele sorriu, aquele sorriso safado que me desmontava inteira, e me deitou com cuidado na cama. Subiu por cima de mim, e nossas bocas se reencontraram. As mãos dele foram descendo, percorrendo meu peito — que ainda estava cheio, sensível. Quando ele me tocou ali, soltei um gemido entre surpresa e prazer.

- Tá tudo bem? -ele perguntou, parando.

- Continua. -pedi, segurando a nuca dele e puxando pra mais perto.

O beijo voltou intenso, enquanto ele distribuía carinhos pela minha barriga, meus quadris. Com cuidado, foi abrindo o botão da minha calça e a deslizando pelas pernas. Eu sentia cada célula do meu corpo acordar. Quando fiquei só de calcinha, ele parou pra me olhar.

- Eu queria que você se visse como eu te vejo. -ele disse, a voz embargada.- Você é perfeita. Meu Deus, como você é perfeita.

Eu passei a mão pelo rosto dele, sentindo os olhos marejarem. Mas não era insegurança. Era tudo que ele me fazia sentir.

Ele se abaixou, deixando beijos na minha barriga, nos quadris, até chegar onde eu mais precisava. O primeiro contato da boca dele me arrancou um gemido que ecoou pelo quarto. Eu tapei a boca com a mão, rindo baixinho entre o prazer.

- Shh… -ele sussurrou contra mim, com aquele tom brincalhão.- Os vizinhos vão pensar que a gente tá brigando aqui.

- Cala a boca. -falei rindo, arqueando as costas quando ele sugou minha intimidade com delicadeza.

Meu corpo inteiro latejava, implorando por mais. Quando ele subiu de novo pra me beijar, senti a ereção dele pressionando minha coxa.

- Luan… -eu pedi num sussurro rouco.- Por favor.

Ele entendeu. Se livrou da calça e da cueca, depois puxou uma camisinha da gaveta ao lado da cama. Quando voltou a se deitar sobre mim, nossos olhares se encontraram e ali eu soube que não tinha mais medo, nem insegurança. Só amor.

- Eu te amo tanto, Marina. -ele disse, encostando a testa na minha.- Você não tem ideia.

- Eu também te amo. -respondi, a voz trêmula de desejo e emoção.

No instante em que ele me preencheu, soltei um suspiro profundo, quase aliviado. Era como se tudo fizesse sentido de novo. Nossos corpos encontrando o ritmo que sempre foi só nosso.

Os movimentos começaram lentos, profundos, com ele beijando cada pedacinho do meu rosto e sussurrando palavras que eu nem consegui processar direito — só sentia. E sentia tanto.

Meus gemidos se misturavam aos dele, num compasso que ficou cada vez mais urgente, mais intenso, até que eu explodi num orgasmo que pareceu durar uma eternidade. Luan veio logo depois, enterrando o rosto no meu pescoço, ofegante, como se quisesse gravar aquele momento na memória.

Quando tudo se acalmou, ele saiu de dentro de mim e se deitou ao meu lado, me puxando pra cima do peito dele. Ficamos ali, só respirando juntos.

Eu não precisava de mais nada.

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