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Capítulo 107

Justin Narrando

O processo com o visto americano aconteceu bem mais rápido do que eu imaginava. Acho que ser uma pessoa pública e a situação ser considerada urgente ajudaram bastante. Agora, oficialmente, eu era um cidadão americano — graças ao fato de meu pai ser americano por nascimento. E, automaticamente, Chloe também passou a ser. Agora, no documento dela, estava lá: Chloe Beadles Bieber.

Caitlin estava mais do que agradecida. Ela já estava há tempo demais nos Estados Unidos, e aproveitou para voltar ao Canadá e passar um tempo com os pais. Levou a Chloe junto. Meu coração apertou, confesso. Queria a minha filha aqui, mas sabia que eram os últimos momentos da Chloe com a mãe, então, não me meti.

Hoje era aniversário da Marina. Acordei cedo, a casa ainda estava silenciosa. Jack e Bruna dormiam profundamente, espalhados pela cama deles. Não quis acordar a Bru — eram férias de verão e, depois de tudo o que ela tinha passado, ela merecia dormir até tarde sem culpa.

Fui pra cozinha, botei água pra ferver pra fazer café. Me movia sem mancar, um progresso enorme comparado aos últimos meses. Não precisava mais de fisioterapia, o que era uma vitória, mas meu médico ainda não tinha me liberado para voltar aos palcos. Isso me frustrava às vezes, mas Bruna e ele encontraram um jeito de canalizar essa energia: me obrigaram a frequentar a academia.

Preparei o café, servi numa xícara fumegante e me sentei à mesa, pegando o celular. Primeiro aplicativo que abri foi o Instagram. E lá estava: a homenagem do Luan pra Marina.

luansantana Hoje o mundo comemora mais um ano da pessoa mais incrível que já conheci. Você é luz, é força, é amor. Feliz aniversário, minha Marina. Te amo ❤️ @marinabieber



Dei um “curtir” e fiquei encarando aquilo por alguns segundos, antes de sair do aplicativo.

Depois, abri o WhatsApp e mandei mensagem pra Marina:

"Bom dia, Ma 

Agora que você pode beber álcool legalmente, quando vamos fazer isso acontecer? 🤪"

Ainda não tinha resposta. Resolvi então ir pra galeria, caçar alguma foto nossa. Não tirávamos muitas, e isso me fez rolar bastante o rolo de câmera. Achei uma que servia perfeitamente: estávamos no backstage de um evento, a nossa cara tava engraçada. O enquadramento não era perfeito, mas justamente por isso tinha aquele charme de momento real.s

Fiquei uns minutos pensando na legenda. Não queria nada muito longo ou meloso — a gente nunca foi assim nas redes. Escrevi:

justinbieber Feliz aniversário, irmã. Você merece o mundo e mais um pouco. Te amo 🩷@marinabieber

Postei no feed, respirei fundo e, rolei o feed.
Pra minha surpresa, já tinha um post da Bruna também. Do jeito que ela era ansiosa, com certeza postou exatamente à meia-noite. Bruna sempre foi mais sentimentalista que eu — e, nesse sentido, era praticamente o oposto.

O post dela era um carrossel cheio de fotos delas juntas:

brusantanareal Hoje é dia da minha parceira de risadas, de confidências e de aventuras. Desde o primeiro dia que te conheci, sabia que você seria parte da minha vida. Obrigada por todos os momentos, por me ensinar tanto e por ser essa pessoa incrível que ilumina tudo ao redor. Feliz aniversário, Marina. Amo você daqui até a Lua e de volta. @marinabieber ❤️

Era impossível não sorrir lendo aquilo. A Bruna conseguia colocar sentimento até nas vírgulas.

Bebi um gole do café já morno e pensei que Marina, quando acordasse, ia ter uma notificação atrás da outra: o post do Luan, o meu, o da Bruna… e, claro, a minha mensagem no WhatsApp.

Mas antes que eu pudesse fazer qualquer outra coisa, o celular vibrou. Olhei rápido achando que era ela — e era.

"Bom dia mano
Hoje! Com certeza 
To em NY, e tô na maldadeee hahaha 🍻"

Sorri sozinho, já digitando de volta: 

"Opaaa, é bom ter minha irmã de volta hahaha"

Ela respondeu quase de imediato:
"Não totalmente
Eu ainda não posso fumar um 🚬🍁😂"

Soltei uma risada baixa, balançando a cabeça. Era tão “Marina” misturar zoeira com sinceridade no mesmo texto.

"Tu não perde uma chance, né? 😂 Mas tequila já é um bom começo"

"É, mas tequila sem 🚬 não é a mesma vibe, você sabe hahahaha"

"O que eu sei é que se o Luan ler isso, ele vai infartar"

"Relaxa, ele já me viu pior 🤷🏼‍♀️"

Li aquilo e não consegui evitar o sorriso — ela realmente não tinha filtro nenhum comigo.

"Tá, mas cadê o convite oficial pra eu te ver hoje? Ou vai ficar só nessa maldade pelo celular?"

"Aff, que convite? Só vem você e a Bru
Depois do almoço eu tô livre. A gente vai comemorar."

"E a Serena?" 

"Nosso pai e a Ash vão ficar com ela, e eu já deixei o estoque de leite pronto. Hoje é meu dia, vou aproveitar."

Balancei a cabeça sozinho, rindo de leve. Marina nunca deixava de ser… bem, Marina.

Logo após o almoço, Bruna e eu nos arrumamos. Elizabeth já estava lá, sentada no sofá com Jack no colo, brincando com ele enquanto ele ria alto daquele jeito que só ele sabia. Nos despedimos do nosso pequeno com beijinhos e cócegas, e ele, mesmo sem entender direito, ficou dando tchauzinho com a mão.

Descemos para o carro e seguimos até o apartamento do Luan e da Marina. Já tínhamos acesso liberado, então não precisava de toda aquela formalidade de portaria — só subimos direto.

Assim que o elevador abriu, já dava pra ouvir a música vindo do final do corredor. Tocamos a campainha e, depois de uns segundos, a porta se abriu. Marina apareceu, usando um cropped preto, shorts jeans desfiado e um drink colorido na mão. O sorriso dela ocupava metade do rosto, e dava pra ver nos olhos que ela já estava meio altinha.

- Olha só… -falei, segurando o riso.- Nem esperou a gente pra ficar bêbada, né?

Ela me abraçou apertado, rindo.

- Você sabe que eu tô literalmente um ano sem beber nada… eu perdi o costume! Tô me reconectando comigo mesma.

Bruna riu atrás de mim. 

- Reconectando é ótimo…

Entramos, e o ambiente estava quente, no sentido de animado mesmo. Luan estava no canto, com uma garrafa na mão e rindo alto de alguma coisa que o Ryan tinha acabado de falar. Anthony mexia no celular, mas ainda com uma long neck na outra mão. Olívia e Virgínia dançavam no meio da sala, sem a menor vergonha, revezando entre uma coreografia improvisada e gargalhadas.

O cheiro de alguma mistura cítrica no ar deixava claro que não era só cerveja ali.

- Olha quem chegou! -Luan soltou, vindo até nós com aquele sorriso largo. Me abraçou rápido e deu um daqueles tapinhas de irmão nas costas.

Ryan veio logo atrás, cumprimentando com um “e aí, mano” e um aperto de mão firme. Anthony largou o celular por um instante pra me dar um abraço rápido, enquanto Virgínia e Olívia, ainda no meio da sala, gritaram o nome da Bruna e já puxaram ela pra um abraço coletivo.

Era aquele tipo de energia boa de reencontro, todo mundo rindo e falando ao mesmo tempo.

- Tá bom, tá bom… -falei, rindo.- Vamos direto ao ponto que eu já vi que aqui é “chegou, bebe”.

Marina, que ainda estava com o drink na mão, apontou pra bancada da cozinha americana, que estava lotada de garrafas, latinhas, frutas cortadas, gelo e até um cooler improvisado. 

- Vai lá, mano… se serve. Hoje eu não tô fazendo drink pra ninguém, é cada um por si.

- Ótimo. -Bruna respondeu, já largando a bolsa na cadeira alta perto do balcão e indo com passos decididos até o arsenal etílico.

Eu segui atrás dela. 

- Tá vendo? É por isso que eu te amo, mulher. -falei, e ela riu, pegando logo duas taças.

Pegamos gelo, escolhemos uma vodka aromatizada e um pouco de suco pra começar leve. Bruna, como sempre, foi mais generosa que eu na dose.

Quando nos viramos de volta, todo mundo já tinha se espalhado: Luan conversava com Anthony na varanda, Marina e Virgínia dançavam com Olívia no meio da sala, e Ryan já estava mexendo na playlist no celular, provavelmente pra colocar algo ainda mais animado.

O clima era aquele de que a noite ia render — e muito.

Fui até a varanda, levando minha taça. O ar ali fora estava mais fresco, e o som da música ficava abafado pela porta de vidro fechada. Luan estava encostado no parapeito, rindo de alguma piada que Anthony tinha acabado de soltar, enquanto Anthony, com um cigarro entre os dedos, dava aquela tragada lenta antes de soltar a fumaça pro lado.

- Aí, mano… -Anthony começou, virando levemente pra mim quando me aproximei.- Tava falando aqui pro Luan… esses últimos dez meses com a Virgínia… pff… -ele soltou um riso curto, balançando a cabeça- mudaram minha vida, de verdade.

Luan fez um gesto com a taça, como quem confirma. 

- É sério, o cara virou outra pessoa.

Anthony tragou de novo, olhou pro céu por um instante e continuou:

- Você me conhece, Justin… antes era uma mulher diferente todo dia, aquela vida sem rumo. Eu achava que era liberdade, mas… no fundo era vazio, sabe? -ele fez uma pausa, deu uma última tragada e apagou o cigarro no cinzeiro da varanda.- Agora… agora eu sinto que tenho um motivo, um porto seguro. Parece clichê, mas eu tô completo.

Eu dei um sorriso, balançando a cabeça. 

- Clichê nada, mano. Isso é o que todo mundo procura, só que alguns demoram mais pra achar.

Luan riu.

- Justin falando que “todo mundo procura” é a frase mais irônica que eu ouvi hoje.

Eu levantei a sobrancelha, já rindo também. 

- É, talvez eu não tenha sido o melhor exemplo de estabilidade no passado… mas eu entendo o que ele tá dizendo.

Anthony deu um gole na bebida que estava na outra mão e suspirou, como quem finalmente se livrou de um peso. 

- E olha… ter alguém que me entende… que me aguenta… -ele deu um sorriso, olhando pro lado de dentro, onde Virgínia estava dançando com Bruna, Marina e Olívia.- Não tem preço.

Ryan apareceu, abrindo a porta de vidro com aquele sorriso debochado de sempre.

- Ah, entendi… reunião dos homens aqui fora e ninguém me chama, né? -falou, cruzando os braços, fingindo estar ofendido.

Anthony riu.

- Irmão, você tava muito ocupado lá dentro tentando acompanhar a coreografia das meninas.

- Não era coreografia, era exercício físico. -Ryan respondeu, sério, antes de sorrir.- Tô mantendo a forma.

Luan levantou a taça. 

- Bem-vindo à sessão “Homens Sábios da Varanda”. A pauta de hoje é relacionamentos e maturidade.

- Ih… então eu cheguei atrasado, porque não tenho nada pra contribuir. -Ryan riu, se encostando ao lado de Anthony.- Mas já que tão falando disso, o Anthony aqui não parava de me zoar quando eu dizia que ia sossegar um dia… e olha quem tá com cara de apaixonado agora.

Anthony jogou a cabeça pra trás e gargalhou. 

- Tá, confesso, fui pego. Mas é diferente, mano, agora é sério.

- É sério até alguém inventar uma balada nova. -Ryan provocou, recebendo um olhar de “vai se ferrar” de Anthony.

Eu só observava, dando um gole no meu drink, sentindo aquela sensação boa de estar cercado de gente que eu gostava. Conversa solta, piada, zoeira… e por alguns segundos, nem lembrava das preocupações do lado de fora dali.

Ryan deu um gole na cerveja e soltou, do nada:

- Mas também… a Olívia não dá chance, né. Eu sou apaixonado nela desde o primeiro ano da faculdade.

Eu e Luan nos entreolhamos e quase cuspimos a bebida ao mesmo tempo.

- O quê?! -falei, rindo.- Como assim, mano? Eu nunca fiquei sabendo disso!

Luan balançou a cabeça, ainda surpreso. 

- Cara… eu jurava que você só queria dar uns pega nela, não que fosse essa novela mexicana aí.

Ryan fez uma careta. 

- Pô, vocês acham que eu sou tão raso assim? Isso aqui é sentimento verdadeiro, rapaziada.

Anthony caiu na risada. 

- Sentimento verdadeiro que você nunca falou pra ela. Tá de parabéns, campeão.

- É estratégia. -Ryan rebateu, levantando o dedo como se fosse um professor.- Tô esperando o momento certo.

Luan riu alto. 

- Momento certo? Isso aí já virou lenda urbana, irmão.

Eu só balancei a cabeça, achando graça. 

- Sabe qual vai ser o momento certo? Quando ela aparecer com outro cara e você vier chorar no grupo no WhatsApp.

Ryan fingiu que ignorou, mas deu um sorriso de canto. 

- Relaxa, comigo é tudo no tempo certo.

Ryan apoiou o cotovelo no parapeito da varanda, me olhando com aquela cara de curiosidade que ele não conseguia esconder.

- Mas e aí, Justin… como é que ficou a história do acidente? A polícia acha que foi criminoso ou acidental?

Dei um gole na minha bebida antes de responder, soltando um suspiro. 

- Não deu em nada, mano. Pelo que eles falaram, meu carro deve ter batido em outro carro antes de bater no poste… mas, sei lá, o que pensar.

Luan franziu a testa. 

- Mas não encontraram o outro carro? Nenhuma câmera, nada?

- Nada. -respondi, balançando a cabeça.- É como se tivesse sumido.

Anthony soltou um assobio baixo. 

- Estranho demais…

- Pois é. -continuei.- Eu até tento não ficar encucado, mas… mano… você conhece aquela sensação de que a história não bate?

Ryan ficou sério por um instante. 

- Eu ficaria com o pé atrás também.

Luan me deu um tapa leve no ombro. 

- Só não deixa isso te consumir, bicho. Senão daqui a pouco você tá virando detetive particular.

- Relaxa. -falei, dando um sorriso de canto.- Se eu virar detetive, vai ser só pra investigar por que o Ryan não chama logo a Olívia pra sair.

Todo mundo riu e Ryan balançou a cabeça, tentando mudar de assunto.

Anthony deu um último trago no cigarro, apagou na borda do cinzeiro improvisado e disse:

- Vou pegar mais bebida lá dentro antes que acabe.

Ryan levantou a mão. 

- Vou junto. - e os dois sumiram pela porta da varanda, deixando só eu e o Luan encostados no parapeito.

O barulho da música vindo da sala parecia distante naquele momento. Eu fiquei alguns segundos olhando a rua lá embaixo, respirando fundo, até decidir falar.

- Bruna me contou sobre… o lance que você descobriu que eu fiz. +falei, sem rodeios.

Luan me olhou de lado, sem mudar muito a expressão, mas claramente entendendo do que eu tava falando.

- É… eu imaginei que mais cedo ou mais tarde você ia tocar nesse assunto.

Passei a mão no cabelo, tentando organizar as palavras. 

- Eu queria pedir desculpas, mano. De verdade. Minha intenção nunca foi te fazer duvidar da sua capacidade de alavancar sua carreira sozinho. Você sabe disso.

Ele ficou me encarando por alguns segundos, depois olhou de volta pra cidade iluminada. 

- Eu sei… e, pra ser sincero, no começo eu fiquei puto. Me senti meio… diminuído, entende? Tipo, como se eu precisasse de ajuda e não fosse capaz de conquistar sozinho.

- Eu entendo. -respondi, sincero.- Mas não era isso. Eu só queria dar um empurrão, porque eu acredito no teu talento.

Luan respirou fundo, deu um gole no drink e deu um meio sorriso. 

- Eu sei, Justin… e já passou. No fim das contas, eu percebi que você fez porque se importa. E isso é raro.

Dei um leve sorriso também, sentindo o peso sair dos ombros. 

- Que bom que você pensa assim.

- Mas… -ele apontou o dedo pra mim com um olhar quase sério.- Da próxima vez, me chama pro plano. Se for pra trampar nos bastidores, a gente faz junto.

- Fechado. -falei, batendo o copo no dele.- Juntos, sempre.

Ele sorriu, e eu encostei o copo na mureta da varanda, olhei pro Luan e falei, meio conspirador:

- Mano… preciso te mostrar um negócio. Mas é segredo, tá?

Ele arqueou uma sobrancelha. 

- Ih… lá vem.

- Sério, não é pra falar nada. Nem pra Bruna e principalmente pra Marina… porque se ela souber, a Bruna vai saber, e aí já era.

Luan deu um sorriso de canto, cruzando os braços. 

- Tá bom, vou fingir que sou um cofre.

- Cofre com a fechadura meio frouxa… mas tudo bem. -brinquei, tirando o celular do bolso.

Desbloqueei, rolei a tela direto pro WhatsApp e fui descendo até encontrar a conversa com o corretor. Toquei nela e fui rolando até o link que ele tinha me mandado.

Cliquei no link e a página carregou. Era a simulação 4D da uma casa. Aquela mesma que eu tinha fechado negócio na semana passada, e que, na segunda-feira, ia começar a passar por uma reforma pesada. A câmera virtual girava pelo hall de entrada, subia as escadas, mostrava a sala com um pé-direito duplo que deixava qualquer um de boca aberta.

- Que isso… -Luan falou, se inclinando pra ver melhor.- É tua?

Assenti, com um sorriso que eu tava tentando segurar.

- Nossa casa nova. Depois do casamento, eu, Bruna, Jack e Chloe vamos morar aí.

Ele soltou um assobio baixo, balançando a cabeça. 

- Cara… que sonho. E essa sala? Parece coisa de filme.

- Então… -continuei, deslizando o tour virtual.- Aqui vai ser a cozinha, mas vou derrubar essa parede e fazer um conceito aberto. Quero espaço pra gente cozinhar enquanto o Jack e a Chloe ficam correndo.

- Tu já pensou até nos detalhes? -Luan riu, mas com aquele ar de quem tava impressionado.

- Claro. Esse quarto aqui. -mostrei- vai ser o deles. Vou colocar duas camas, mas com espaço pra brincar. Quero que eles cresçam com lembranças boas.

Ele ficou olhando um tempo, depois suspirou. 

- Bruna sabe?

- Não. Nem desconfia. Pra ela, depois do casamento, a gente vai continuar no apartamento até decidir alguma coisa. Eu quero que seja uma surpresa.

- Mano… -ele me olhou sério, depois riu de novo.- Você vai acabar matando ela do coração.

- É o plano. -brinquei.

Ele voltou a encarar a tela, enquanto a simulação mostrava o quintal. A piscina iluminada, a área gourmet com churrasqueira… e, no canto, um espaço que eu já imaginava pros churrascos e encontros da família.

- Isso aqui… -Luan apontou.- Vai ter mesa de sinuca, né?

- Óbvio. E som. Não dá pra chamar os amigos e deixar o lugar sem música.

- Gostei, gostei… -ele disse, e depois ficou mais sério.- Cara, tô feliz por você. De verdade. É bonito ver você construindo essa vida.

- Valeu, mano. -eu guardei o celular e dei um gole no drink.- Mas lembra: segredo absoluto.

- Relaxa. -ele ergueu as mãos como se jurasse inocência.- Isso aqui fica só entre nós.

A porta da varanda se abriu e Bruna apareceu.

- Luan, vem fazer caipirinha. -ela falou, já com aquele sorriso de quem tava no clima da festa.

- Eu? -ele apontou pra si mesmo, como se tivesse dúvida.- Não vou não.

Bruna revirou os olhos. 

- É a sua noiva que tá pedindo. -ele cruzou os braços, pronto pra recusar de novo, mas Bruna completou:- E por coincidência, essa noiva é a aniversariante de hoje.

Luan riu, balançando a cabeça. 

- Tá bom, tá bom… mas antes, preciso pedir um favor.

Ela arqueou a sobrancelha, desconfiada. 

- Lá vem.

- Não, é sério. -ele se aproximou um pouco, baixando o tom de voz.- Eu encomendei um bolo pra Marina, vai chegar daqui a pouco. É surpresa. Só que eu não vou conseguir sair daqui sem ela perceber… então, Bruna, eu vou precisar que você invente alguma desculpa. Tipo… sei lá… que a babá do Jack ligou, ou qualquer coisa assim. Aí você “sai pra atender o telefone” e, na real, vai buscar o bolo.

Bruna abriu um sorriso malandro. 

- Gostei da missão. Mas vou caprichar na atuação, relaxa.

- Ótimo. -Luan sorriu, satisfeito.

Luan foi pra cozinha, resmungando alguma coisa sobre “não ser bartender de festa”, e a porta da varanda se fechou atrás dele. Bruna encostou na mureta, de frente pra mim, com o copo na mão e aquele sorriso preguiçoso de quem já tava relaxada no clima da tarde.

- Então… -ela disse, dando um gole na bebida.- Você e o Luan tavam falando sobre o quê aqui fora? Parecia papo sério.

Dei um meio sorriso. 

- Coisa de homem.

Ela arqueou a sobrancelha. 

- Coisa de homem ou coisa que você não quer me contar?

- As duas. -admiti, rindo.

Bruna balançou a cabeça, mas não insistiu. 

- Tá… vou confiar.

O som da música lá dentro misturava risadas e vozes altas. Marina e as meninas estavam cantando alguma coisa, provavelmente já na terceira ou quarta rodada de drinks. Bruna ficou um tempo olhando pra dentro, como se estivesse memorizando a cena.

- Bom ver todo mundo assim, sabe? -ela falou.- Depois de tudo que aconteceu… a gente merece.

Assenti, me aproximando e puxando ela pela cintura. 

- E hoje é o dia da Marina brilhar.

Ela sorriu, encostando a testa na minha. 

- Só espero que ela não desmaie antes de cortar o bolo.

Eu ri. 

- Se depender do tanto que ela já bebeu, isso é uma possibilidade real.

Bruna olhou pra porta da varanda e voltou a me encarar, o sorriso se transformando num olhar cúmplice. 

- Vamos entrar?

- Vamos. -respondi.

A música “Swalla” invadia o ambiente, a batida pulsando pelo apartamento enquanto as luzes coloridas piscavam. A Marina estava ali no centro da sala, claramente já meio alta, rebolando com a empolgação que só a mistura de tequila e festa trazia. Ela dava risada, soltando uns gritinhos e tentando convencer as meninas a acompanharem o ritmo, o que resultava em algumas caretas e passos desajeitados, mas toda tentativa era feita com aquele brilho alegre no olhar.

Luan já estava lá, segurando uma caipirinha gelada que entregou para Marina com um sorriso maroto. Ela, não economizando no elogio, olhou pra ele e disse em meio a uma risada solta:

- Ai, Luan, você é o noivo mais lindo, barra gostoso, barra sensual, barra perfeito do mundo!

Luan piscou pra Bruna, mandando um sinal sutil, e eu vi Bruna sacar o celular com rapidez, começando a atuação como se fosse uma mãe preocupada. Ela colocou a mão no peito e falou com voz tensa:

- Ai, peraí... a babá do Jack tá ligando... Vou atender no corredor, tá?

Marina, distraída e bebendo a caipirinha com aquela cara de quem adorava cada gole, só falou um “tá bom” meio sonolento, sem suspeitar de nada.

Pra manter a atuação firme, eu falei pra Bruna:

- Me avisa qualquer coisa, tá?

Ela assentiu com a cabeça, saindo da sala, quase correndo para o corredor com o celular no ouvido, fingindo uma conversa séria e preocupada.

Enquanto isso, Marina entregou a caipirinha pra mim, com um sorriso maroto. Eu já tinha experimentado aquela bebida, e sinceramente, achava aquilo forte demais — como os brasileiros conseguiam gostar daquilo era um mistério pra mim. Mas não dava pra negar que a Marina amava tomar aquela bebida, parecia que dava um upgrade na animação dela, a deixando ainda mais solta e divertida.

Olhei para ela, que já estava jogando o cabelo de um lado pro outro, rindo alto e puxando os braços para a dança que só ela sabia fazer. O clima estava perfeito, quente, vibrante.

Pouco tempo depois, a porta se abriu de fininho e Bruna entrou com aquele jeito de quem carregava um segredo delicioso. Marina estava de costas, concentrada em algum papo com Virgínia, e nem percebeu a movimentação atrás dela.

Luan, rápido e eficiente, pegou o bolo que Bruna trouxe, desembalou com cuidado e posicionou as velas com o número “21” no topo, já preparadas para o momento perfeito.

Bruna acendeu as velas com um fósforo, e eu, no controle da música, desliguei as caixas de som, fazendo o som cessar de repente — deixando um silêncio cheio de expectativa no ar.

Então, com sorrisos contagiantes, Bruna, Luan e eu começamos a cantar juntos o “Happy Birthday to You”, a voz firme e animada reverberando pelo apartamento.

Marina virou-se devagar, surpresa, os olhos arregalados quando viu Luan chegando com o bolo nas mãos, as velas brilhando no escuro da sala.

Na sequência, Virginia, Olívia, Ryan e Anthony juntaram-se a nós no coro, tornando o momento ainda mais especial e cheio de amigos.

Marina, que não conseguiu segurar a emoção, teve os olhos inundados de lágrimas. Ela sussurrou um “Obrigada...” enquanto a gente batia palmas e sorria pra ela, feliz por compartilhar aquele instante tão lindo.

Mais tarde...

Mais tarde, eu já estava com aquela leve tontura boa — o tipo de bêbado em que você sabe exatamente o que está acontecendo, mas tudo parece um pouco mais engraçado do que deveria. Luan, sentado ao meu lado na varanda, parecia imune ao álcool. Juro que não entendo como ele consegue: bebe o mesmo que todo mundo, mas continua com a postura de quem está pronto pra uma reunião de negócios.

O sol já se escondia no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e rosa, e eu sabia que a noite estava se aproximando. Em breve, teríamos que ir pra casa, principalmente porque eu não queria lidar com um Jack acordando cedo e dois adultos com ressaca mortal.

Enquanto eu pensava nisso, olhei pra dentro e vi o cenário: Bruna, Virgínia, Ryan e Anthony estavam completamente entregues à bebedeira. Anthony, inclusive, já tinha perdido a conta de quantas vezes disse que amava todo mundo ali — especialmente Luan, que ele aparentemente considerava seu “irmão de outra mãe” depois do terceiro copo de caipirinha.

Mas nada — absolutamente nada — superava o estado da Marina. Minha irmã estava em outro planeta. Entre risadas altas, abraços em todo mundo e uma coordenação motora que desafiava a gravidade, ela decidiu que seria uma ótima ideia inventar um karaokê. O problema? Não tínhamos karaokê. O que tínhamos era um celular, um vídeo no YouTube com a letra na tela e um microfone imaginário que ela segurava como se fosse o maior tesouro da vida.

Quando anunciaram que a próxima música seria Evidências, Bruna imediatamente se juntou a ela, porque claro, se é música brasileira e com potencial para gritos desafinados, minha noiva está dentro.

O show começou. E olha... eu tento sempre apoiar Bruna em tudo, mas a afinação ali estava sofrendo agressões. Marina, por outro lado, nem fingia que tentava seguir o tom — ela simplesmente gritava o refrão com tanta paixão que parecia estar cantando pra um ex-namorado imaginário que a deixou no altar.

Eu e Luan assistíamos à cena de camarote. Ele cruzou os braços, tentando conter o riso, mas eu percebia seu ombro tremendo de tanto segurar.

- Mano… -falei, com um sorriso de incredulidade.- Eu juro que não sabia que Evidências podia ser assassinada de tantas maneiras diferentes na mesma música.

Luan mordeu o lábio, rindo baixo. 

- A Marina tá cantando uma música e a Bruna tá cantando outra. Só que ao mesmo tempo. É quase arte abstrata.

No refrão, quando deviam entrar juntas, Marina resolveu improvisar, prolongando umas notas e cortando outras, como se fosse uma diva do sertanejo alternativo.

- A Bruna tá no Tom e a Marina no Jerry. -comentei, e Luan gargalhou, finalmente sem conseguir disfarçar.

Marina ouviu a risada e apontou pra gente. 

- Cala a boca, seus críticos de boteco! Aqui é emoção, não técnica!

- Emoção eu até entendo. -retruquei. Mas, pelo amor de Deus, pelo menos canta no mesmo tom que a Bruna! Isso é quase uma ofensa pois você é irmã e noiva de cantor.

Ela riu, perdeu completamente o timing da letra e acabou se atrapalhando toda, enquanto Bruna seguia firme, ou pelo menos achando que estava.

O show terminou com as duas se abraçando como se tivessem acabado de ganhar um Grammy, enquanto a plateia — no caso, nós — batia palmas mais pela coragem do que pela performance.

- Foi lindo, de verdade. -falei, erguendo meu copo.- Um massacre, mas lindo.

Luan brindou comigo, ainda rindo. 

- O tipo de coisa que nem em mil anos eu vou esquecer.

E, sinceramente, eu também não.

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