Justin Narrando
Me joguei no sofá com um meio sorriso no rosto, tentando disfarçar o quanto meu peito ainda tava acelerado. Apoiei a cabeça no encosto e fiquei ali, só observando ela na cozinha, de costas pra mim, mexendo a panela como se nada tivesse acontecido.
Mas aconteceu.
E eu não tava preparado pra sentir isso tudo de novo.
Fechei os olhos por um instante, respirando fundo. O cheiro do molho já invadia a sala e misturava com o cheiro dela… aquele perfume suave que eu conhecia bem demais. Era impossível não reparar no jeito que o quadril dela balançava levemente enquanto mexia a colher, ou no jeito concentrado como ela franzia a testa quando provava o molho na colher e murmurava alguma coisa pra si mesma.
Eu devia parar com isso. Devia só… aceitar a amizade, aceitar que a gente agora é só pai e mãe do Jack e que a história entre nós ficou pra trás.
Mas eu não conseguia.
Não quando ela sorria pra mim daquele jeito. Não quando ela me deixava beijá-la e ainda sussurrava que meu coração ainda era dela.
Passei a mão pelo rosto e deixei escapar um riso baixo, sem conseguir me conter. Eu parecia um moleque de quinze anos apaixonado. E por mais que eu tentasse negar… eu tava. Sempre estive.
- Por que tá rindo aí sozinho? -a voz dela veio da cozinha, divertida.
Abri os olhos e ergui uma sobrancelha, fingindo inocência.
- Nada não. Só… tô ansioso pro espaguete. -menti, meio rindo.
Ela virou o rosto só o suficiente pra me lançar aquele olhar desconfiado, mas não disse nada, só balançou a cabeça e voltou ao molho. Eu aproveitei pra me levantar e caminhar até a porta do quarto do Jack, espiando só pra conferir se ele continuava dormindo.
Lá estava ele, meu molequinho, com as perninhas gorduchas pra fora do cobertor e a chupeta quase caindo da boca. Sorri sozinho. Pelo menos eu e a Bruna tínhamos feito uma coisa certa juntos: o Jack.
Fechei a porta devagar e voltei pra sala, encostando na bancada de novo, de braços cruzados, só pra ter a desculpa de ficar perto dela.
Ela sentiu minha presença e deu um sorriso de canto, sem desviar os olhos da panela.
- Não disse pra você sentar e esperar? -ela provocou.
- Eu sei. -dei de ombros, me inclinando um pouco mais na bancada.- Mas prefiro ficar aqui. Ver você assim… toda focada, fazendo meu prato preferido… -falei num tom leve, mas a última frase saiu mais baixa do que eu planejei.
Ela parou de mexer por um segundo e me olhou, com as bochechas ficando levemente coradas. E, mesmo assim, conseguiu disfarçar com uma brincadeira:
- Tá tentando me distrair pra eu queimar o almoço, né?
Dei um sorriso torto e encostei o queixo na mão, só admirando ela.
- Não. Só tô tentando lembrar como é que eu fui tão idiota a ponto de deixar você escapar.
Dessa vez, ela não disfarçou. Baixou os olhos pro molho, e eu juro que vi um sorrisinho no canto da boca dela.
Aquele silêncio confortável se instalou entre nós, só o som do molho borbulhando preenchendo o espaço. Eu aproveitei pra me aproximar mais um pouco, apoiando a mão na bancada bem perto da dela. Ela ergueu os olhos e me encarou, mas não recuou.
- Eu vou reconquistar você, Bru. -falei num tom baixo, mas firme.- Nem que eu tenha que esperar o tempo que for.
Ela abriu a boca pra responder, mas pareceu mudar de ideia e apenas suspirou, balançando a cabeça devagar, como quem não queria admitir que estava gostando de ouvir aquilo.
Eu sorri, satisfeito com a pequena vitória, e me afastei só o suficiente pra não pressionar demais.
- Tá… me fala, falta muito pra esse espaguete? -perguntei, fingindo impaciência.
Ela bufou e riu, voltando a mexer a panela.
- Senta aí, Bieber. Prometo que não vai demorar.
Assenti, voltando ao sofá, mas com a certeza gravada na mente:
Eu ainda tinha uma chance.
E não ia desperdiçar.
Sentei de novo no sofá, mas dessa vez não tirei os olhos dela um segundo sequer. A Bruna continuava lá, focada na cozinha, provando o molho e montando a travessa do espaguete com um cuidado quase meticuloso. Eu me recostei no sofá, um braço apoiado no encosto, só observando, com aquele sorriso bobo que eu não conseguia evitar quando se tratava dela.
Alguns minutos depois, ela desligou o fogo, ajeitou os talheres e trouxe a travessa pra mesa já posta, chamando:
- Senhor Bieber, seu almoço está servido.
Levantei e fui até lá, com as mãos erguidas num gesto dramático.
- Finalmente! Achei que ia desmaiar de fome aqui esperando…
Ela revirou os olhos, mas tinha um sorriso no rosto quando se sentou à minha frente. Peguei meu prato e servi uma boa porção, inalando o cheiro incrível do molho.
- Meu Deus… -murmurei, já pegando o garfo.- Isso aqui tá melhor que qualquer restaurante.
Ela arqueou uma sobrancelha, divertida.
- Você nem provou ainda.
- Não preciso. Você fez. -respondi, de boca cheia logo em seguida, o que a fez rir.
- Continua o mesmo idiota de sempre… -ela disse, balançando a cabeça, mas com um olhar suave, quase carinhoso.
Eu a encarei por um segundo, mastigando devagar, e não resisti em provocar.
- E você continua se derretendo por mim por dentro. -falei com um sorriso sacana.
Ela fingiu indignação, cruzando os braços.
- Olha quem fala…
- Não nego, Bru. -disse, sério dessa vez.- Não nego nem por um segundo.
Ela desviou os olhos, focando no prato, e eu aproveitei o silêncio pra continuar comendo. Ficamos ali, só trocando olhares de vez em quando, como duas pessoas que conheciam todos os segredos uma da outra, mas que ainda estavam aprendendo a se reencontrar.
Quando terminei, empurrei o prato pra frente e suspirei.
- Melhor espaguete da minha vida. -declarei, sincero.
Ela ergueu o olhar pra mim, surpresa com o tom.
- Melhor? -ela perguntou.
- Melhor. -repeti, firme.- Porque foi você que fez. Porque foi aqui, com você.
Ela abriu um sorriso pequeno, tímido, mas que me desmontou por dentro. Levantou-se pra começar a juntar a mesa, mas eu logo me levantei também, segurando seu pulso de leve.
- Deixa que eu lavo. Vai ver o Jack um pouco. -ofereci.
Ela me olhou por um momento, claramente dividida entre recusar e aceitar, mas acabou cedendo.
- Tá. Obrigada. -disse baixinho, soltando a mão e indo na direção do quarto.
Fiquei ali parado por um instante, só observando a porta se fechar atrás dela, e me peguei sorrindo sozinho.
Se fosse por mim, eu lavava aquela louça pro resto da vida, desde que pudesse ver esse sorriso dela todo dia.
Comecei a lavar os pratos ainda com um nó bom no peito, pensando:
Um passo de cada vez, Bieber.
Um passo de cada vez.
Mais tarde...
Eu já tava no chão da sala de novo, com Jack sentado à minha frente, firme, bochechas coradas, batendo as mãozinhas no tapete enquanto eu fazia barulhinhos pra ele rir. Ele já conseguia ficar sentadinho sozinho e adorava quando eu fingia que ia morder a barriga dele. Nada no mundo batia aquela gargalhinha.
Bruna estava sentada no sofá, concentrada no notebook e num monte de papéis espalhados, trabalhando em alguma coisa da faculdade. Às vezes ela mordia a ponta da caneta, franzia a testa, digitava… parecia num mundo próprio.
Então o celular dela, largado na mesa de centro, começou a vibrar sem parar, várias notificações pipocando de uma vez. Eu ergui os olhos pra ela com um sorriso debochado.
- Caramba, Bru… quem foi que morreu?
Ela estendeu a mão distraída pra pegar o aparelho, mas assim que leu o que estava na tela, o rosto dela mudou completamente. Ficou branco. O olhar perdido. Um pavor estampado ali.
- Bru? — chamei, preocupado.
Ela só me olhou e estendeu o celular pra mim com a mão trêmula, a voz saindo num fio.
- Olha isso.
Peguei o celular. Na tela, uma matéria de fofoca enorme com uma montagem ridícula:
"Uma fonte segura afirma que a amizade entre Marina Bieber e Bruna Santana chegou ao fim após Bruna supostamente inventar mentiras sobre Marina para o irmão, Luan Santana — que na época era namorado da atriz. As mentiras teriam culminado no término do casal e no rompimento da amizade entre as duas."
Eu fechei a cara na hora e joguei o celular no sofá. Bruna ficou olhando pra mim, assustada, com as mãos no rosto.
- Não foi assim… -ela murmurava, balançando a cabeça, como se quisesse convencer a si mesma também.- Não foi assim que aconteceu…
Ela respirava rápido, os olhos marejados, o queixo tremendo. Me levantei imediatamente, sentei ao lado dela no sofá e segurei suas mãos.
- Eu sei, Bruna. Eu sei que não foi.
Ela me olhou, desesperada, lágrimas caindo agora.
- Agora vão acreditar… vão me encher de hate… -ela engoliu seco.- Todo mundo vai acreditar nisso.
Eu levei uma mão ao rosto dela, forçando-a a me encarar.
- Não interessa o que essa “fonte segura” falou. -disse firme.- Você sabe a verdade. Eu sei a verdade. O Luan e a Marina também.
Ela respirou fundo, fungando, mas não parecia menos abalada. Seus olhos voltaram para a tela do celular, as notificações não paravam de chegar, comentários, mensagens, mentions.
- Quem foi que vazou isso? -ela sussurrou, mais pra si mesma.- Já tem quase um ano. Quem ainda quer me ver no chão? Por quê?
- Gente ruim não precisa de motivo pra ser ruim, Bru. -eu disse, tentando acalmá-la.- Alguém inventou uma história velha pra ganhar uns cliques, só isso. Amanhã já tem outra fofoca. As coisas passam.
Ela balançou a cabeça, inconformada.
- Não é só fofoca… é meu nome, é minha amizade com ela… já destruíram tudo, Justin. Eu só queria saber quem fez isso. Quem me odeia a ponto de fazer isso.
Eu fiquei quieto por um instante, encarando o chão. No fundo, eu também queria saber quem tinha feito aquilo. Porque a vontade que eu sentia era de ir até a pessoa e fazê-la engolir cada palavra.
Segurei as mãos dela com mais força.
- Escuta aqui. -falei baixo, mas firme.- Eu não vou deixar ninguém acabar com você. Tá ouvindo? Eu tô do seu lado, Bruna. Sempre. E você não vai passar por isso sozinha.
Ela soltou um suspiro trêmulo e fechou os olhos, como se minhas palavras fossem o mínimo de conforto no meio do caos.
Jack começou a reclamar baixinho, como se sentisse o clima pesado. Eu me levantei e peguei ele no colo, balançando levemente.
- Por que você não respira um pouco? -sugeri, enquanto embalava Jack.- Vai lavar o rosto, beber uma água. Eu fico com ele aqui.
Ela respirou fundo e assentiu, ainda meio sem reação, antes de se levantar devagar.
Fiquei olhando pra porta do banheiro se fechar, Jack se aninhando no meu peito, e minha mente já fervilhava com uma única pergunta:
Quem teve a coragem de fazer isso?
E por Deus… eu ia descobrir.
Jack já tinha sossegado no meu colo, a cabecinha dele encostada no meu peito, respirando calmo. Eu tentava me concentrar nele, na calma que aquele neném me trazia, mas minha mente ainda fervilhava com a tal matéria.
Foi aí que ouvi o celular da Bruna vibrar no sofá, de novo. Olhei de canto de olho, pensando que fosse mais notificação daquelas porcarias… mas não. Era diferente.
Era uma ligação.
A tela acendeu bem na minha frente, e lá estava escrito Nathan ligando… com a foto daquele cara.
Revirei os olhos, sentindo a testa franzir antes mesmo de perceber. O coração bateu mais forte, de um jeito irritante. Eu nem lembrava mais desse idiota. Nem lembrava que ele ainda existia na equação dela. Que ela ainda atendia ligações dele.
Apertei Jack mais contra mim, só pra não fazer nenhuma besteira e atender eu mesmo pra mandar ele pastar.
Minha mandíbula travou, e eu fiquei só encarando a tela vibrando, como se pudesse, por osmose, fazer aquele nome sumir dali.
Nathan.
Tinha até esquecido da existência desse cara.
E agora, só de ver o nome dele piscando, minha paciência já tava indo embora junto.
Jack soltou um resmunguinho, tentando ajeitar a cabeça no meu ombro, e eu me forcei a respirar fundo pra não deixar transparecer na frente do meu filho o quão puto eu tava ficando por dentro.
Bruna nem percebeu de primeira quando voltou.
- Bruna… -chamei, num tom que saiu mais seco do que eu pretendia. Ela ergueu os olhos, meio confusa.
- Que foi? -perguntou, franzindo a testa.
Eu só olhei pro sofá e voltei a encarar ela.
Ela seguiu meu olhar, e quando viu o celular vibrando, pegou na hora. Só que antes mesmo de atender, ela percebeu o nome na tela. Nathan.
E aí eu vi. Vi a forma como o semblante dela mudou, como ela ficou desconfortável, mordeu o lábio e desviou o olhar de mim.
- É… só um minuto. -ela murmurou, já se afastando.
Mas eu não aguentei.
- Sério, Bruna? -falei, baixo, mas firme, segurando o tom por causa do Jack.- Você vai mesmo sair pra falar com ele?
Ela parou no meio do caminho, ainda segurando o celular que continuava tocando.
- Justin… -começou, já na defensiva.
- Não, de boa. -soltei uma risada curta, sem humor.- Eu só tinha esquecido que esse cara ainda existia.
Ela ficou em silêncio, me olhando como se não soubesse o que responder.
Eu também fiquei quieto por uns segundos, mas a tensão no ar era quase insuportável. Por fim, balancei a cabeça, tentando me concentrar no Jack e não no aperto no meu peito.
- Faz o que você quiser, Bruna. -murmurei, caminhando pro quarto com o Jack no colo. -Só… atende logo essa merda antes que eu faça uma besteira.
Não esperei pra ver se ela ia me responder. Eu só precisava sair dali antes que minha boca falasse mais do que devia.
Caminhei pro quarto de Jack devagar, ele havia pegado no sono e eu tava tentando não acordá-lo completamente, mas a verdade é que minha cabeça já tava a mil.
Deitei o Jack no bercinho e fiquei ali, encostado na grade, observando ele se ajeitar no colchão. Ele virou o rostinho pra mim, quase como um lembrete cruel de por que eu continuo aparecendo nessa casa mesmo quando tudo me manda ir embora.
É claro que o Nathan ia ligar.
Ela tava com ele. Ela escolheu ele. Eu sou só… o ex que ainda não superou.
Suspirei pesado, passando a mão pelo rosto e me sentando na beirinha da cama do Jack. Fiquei ali, olhando meu filho dormir, e me perguntando se algum dia eu vou parar de sentir esse nó no peito toda vez que ela sorri pra alguém que não sou eu.
Porque a verdade é que, por mais que ela diga que eu ainda mexo com ela… ela não tá comigo.
Eu sou só o outro.
Inclinei o corpo e beijei a testa do Jack devagar, sussurrando só pra mim mesmo:
- Teu pai é um idiota, sabia? Um idiota que não consegue deixar de amar a sua mãe.
Suspirei pesado, sentindo o peito afundar, e ajeitei melhor a coberta sobre o Jack. Ele dormia tranquilo, com as mãozinhas fechadas em punho e a respiração serena que eu adorava ouvir. Meu menino. Pelo menos dele, eu nunca duvidava do amor.
O celular vibrou no bolso da minha calça e, relutante, tirei pra ver a notificação. Era uma mensagem do Scooter:
“Preciso que venha aqui no escritório agora. Tenho uma surpresa pra você. Urgente.”
Revirei os olhos, porque surpresa nenhuma devia ser assim tão urgente. Mas no fundo eu sabia que, vindo dele, provavelmente era mesmo importante. Digitei só um “ok” e guardei o telefone. Me inclinei sobre o berço, beijando de leve a testa do Jack antes de sair do quarto.
Quando cheguei à sala, ela já estava lá, sentada no sofá, o notebook fechado na frente dela, o celular largado ao lado como se tivesse acabado de desligar. Ela me olhou assim que me viu, com aquele jeito… cauteloso. Como se já esperasse a sombra de desaprovação no meu rosto por causa do nome que aparecera na tela antes: Nathan.
Ela levantou devagar e caminhou até mim, os olhos cheios de alguma culpa contida, como se pedissem desculpas sem dizer uma palavra.
- Preciso ir até o Scooter agora. -expliquei, passando a mão na nuca.- Ele disse que é urgente… mas eu volto pra buscar o Jack, não vou demorar muito.
Ela apenas assentiu e, num gesto que me pegou desprevenido, abriu os braços e me puxou pra um abraço. Demorado. Como se, mesmo em silêncio, ela soubesse o que aquilo fazia comigo.
Fechei os olhos por um instante, sentindo o perfume dela tão perto, e desejei, com uma dor quase física, que ela fosse só minha de novo. Que não tivesse sempre alguém mais.
Porque era sempre assim, não era? Antes foi o Harry, e agora é esse tal de Nathan. Parecia que eu vivia correndo atrás, sempre tentando alcançar um coração que nunca estava inteiro comigo. Como se eu fosse só o outro. O que sobra.
Quando nos afastamos, ela ainda me olhava como se lesse tudo isso nos meus olhos.
E, de repente, levantou uma das mãos e pousou no meu rosto com delicadeza, os dedos frios contra a minha pele quente.
Ela ficou assim, me encarando sem dizer nada, os olhos presos nos meus como se quisesse decifrar cada pensamento, cada dor mal disfarçada. E eu senti minha garganta fechar.
Porque ela conseguia. Ela sempre conseguia.
- Justin… -murmurou, por fim, num tom baixo, quase hesitante.- Não pensa isso. Não pensa que você não é… suficiente.
Eu soltei um riso sem humor, desviando os olhos.
- Eu nem falei nada.
- Não precisa. Eu sei. -ela rebateu, ainda mantendo a mão no meu rosto, os dedos agora roçando minha mandíbula.
Fechei os olhos, porque era difícil demais encarar aqueles olhos castanhos me despindo por dentro.
- Eu só queria que fosse mais fácil. -confessei baixinho.- Queria que não tivesse sempre alguém no meio. Que fosse só eu.
Ela mordeu o lábio e suspirou, abaixando a mão devagar. Mas não tirou os olhos de mim.
- Sempre vai ser só você, Justin. -disse, quase num sussurro.- Só… me dá tempo.
Eu respirei fundo, tentando engolir o nó na garganta, e apenas assenti, sem conseguir dizer mais nada.
Ela deu um pequeno sorriso triste, esticou a mão de novo e alisou minha bochecha com carinho, como se quisesse me tranquilizar.
- Vai lá… depois você me conta qual é a surpresa. -murmurou, dando um passo atrás.
Dei um último olhar pra ela, tentando sorrir de volta, e finalmente saí pela porta.
E, enquanto atravessava o corredor, só conseguia pensar que, mesmo que ela ainda não dissesse em voz alta, aquele olhar dela me dizia tudo.
E por isso, eu continuaria tentando. Sempre.