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Capítulo 106

Luan Narrando

2 meses depois...

Junho de 2027

Dois meses se passaram, Serena agora já estava com três meses. Aquela pequena já estava cada vez mais esperta, me surpreendendo a cada sorriso, cada olhar atento que me lançava. Eu tentava aproveitar cada momento, cada risada, cada troca de carinho. Mas nem tudo era um mar de rosas.

A Marina voltou pra Los Angeles faz mais de um mês pra gravar o terceiro filme dela. Eu entendo o sonho dela, o que significa essa oportunidade, mas não vou negar que fiquei meio indignado. Ela levou a Serena com ela, claro. Contratou uma babá, e mesmo assim ela não deixava de levar a pequena pro set, pra poder amamentá-la quando dava. Fora o fato de que, no tempo que não está com a filha, a Serena fica sob os cuidados da babá.

Eu não estava feliz com isso. Nem um pouco. Sinto que a Marina está se doando demais pro trabalho e, ao mesmo tempo, eu queria estar mais perto, queria que a gente tivesse aquele cotidiano junto, aquela rotina que eu sempre imaginei com ela, sabe? Mas é o trabalho dela, e é o meu também. O escritório do meu empresário fica em Nova York, e meus shows acontecem mundo afora.

É complicado. Eu viajo, ela viaja. A gente tenta se encontrar, mas o tempo parece curto demais, os compromissos demais. Tem dias que eu fico olhando o celular esperando uma mensagem, uma foto, um vídeo da Serena, só pra me sentir um pouco mais perto. Mas não é a mesma coisa que estar ali, segurando ela no colo.

Sinto que estou numa corda bamba, tentando equilibrar tudo: a carreira, a família, o noivado, a minha vontade de ser um pai presente. Eu sei que a Marina está fazendo o melhor que pode, que ama a gente com tudo dela, mas isso não torna fácil.

Às vezes eu me pego pensando no que eu poderia fazer diferente, no que a gente poderia mudar pra que tudo fosse mais leve, mais nosso. E no fundo, eu só quero que a gente encontre um jeito de fazer essa vida dar certo — juntos.

Era um dia de folga, e eu havia decidido ir até Los Angeles. Fazia isso sempre que podia, mesmo sabendo que era cansativo, só pra passar um tempo com a Marina e a Serena. Ela estava no set de filmagem — aquele lugar que parecia um labirinto cheio de gente correndo pra lá e pra cá, cenários e cenários. Entrei na área onde estavam gravando uma cena, e lá estava ela: concentrada, firme, linda como sempre.

No entanto, ao lado dela estava Victor. Eu odiava aquele cara, mais do que qualquer coisa. Não só porque ele havia sido ex da Marina — e eles tinham voltado a ficar durante nosso término — mas porque ali, naquele set, ele representava tudo que eu queria afastar da vida dela.

Marina estava tão focada na cena que nem percebeu que eu estava ali. Fiquei parado, observando, tentando controlar a raiva que crescia por dentro, mas eu precisava ser forte.

A cena começou:

Marina, no papel de Noah, caminhou até Nick (Victor) e o empurrou com força.

- Você é um mentiroso! -gritou ela, a voz carregada de dor e raiva. Seus punhos voaram em direção ao peito de Victor, desferindo golpes fortes.- Você é um mentiroso, Nicholas!

Victor não reagiu no começo, apenas respirou fundo algumas vezes enquanto suportava os ataques.

Quando finalmente reagiu, bloqueou os punhos de Marina com as mãos firmes.

- Você está dizendo que me esqueceu? Não é isso que suas ações mostram! Você disse que nada poderia nos separar! -Marina o encarou com intensidade, mas Victor desviou o olhar, frustrado.

- Foi você quem quebrou todas as porras das promessas, quem decidiu ferrar tudo, droga! Você não vale nada, Noah, você não vale nada para mim agora. -as palavras de Victor pararam a fúria da Marina por um momento.

Eu cruzei os braços, focado na cena.

Marina o olhou por um instante, o suficiente pra fazer seus olhos se encherem de lágrimas, e continuou com a voz falhando, quase em um sussurro:

- Como pode dizer isso?

Victor apenas a observou, sem dizer nada.

Então ele deu as costas, começando a se afastar, indiferente.

- Eu cometi um grande erro, Nicholas! -gritou Marina, mas ele continuou andando.- Sua ex-namorada maluca me fez acreditar que você tinha me traído! Você ficou com a Sophia bem debaixo do meu nariz, e fui eu quem estragou tudo?! Você me fez cometer o pior erro da minha vida! Você fez com que eles me usassem, me usassem como se eu... como se eu...

Marina não conseguiu terminar, porque a cena exigia que ela começasse a chorar incontrolavelmente. Olhei ao redor e percebi que toda a equipe técnica estava tensa, absorvida na atuação. Victor refez seus passos e voltou para Marina, que olhou para ele, surpresa.

Os olhos dele carregavam uma raiva real, e confesso que ele era um bom ator, porque conseguiu transmitir essa emoção com perfeição.

Mas então, para minha surpresa — e nojo — ele fez algo que eu não esperava: sua mão deslizou pela cintura de Marina, e seus lábios se colaram aos dela num beijo intenso, roubado.

Eu virei o rosto, incapaz de assistir aquilo. Era demais pra mim.

- Corta! -gritou o diretor, e os dois imediatamente se separaram.- Ficou ótimo, perfeito!

O diretor começou a dar suas instruções para a próxima cena, enquanto Marina, ainda sem me notar, passava as mãos no rosto e limpava as lágrimas.

- Vamos dar uma pausa, depois retomamos. -o diretor falou.

- Ainda bem. -ela disse, com a voz baixa.-Estava sentindo meus peitos pesados, acho que vão vazar a qualquer momento. -Victor riu do seu comentário.

Alguém entregou um roupão pra ela, e enquanto ela se vestia, finalmente nossos olhares se cruzaram.

Foi como se o mundo parasse. O sorriso dela era o mais lindo que eu já tinha visto na vida.

Ela correu na minha direção e me abraçou forte, apertado.

- Eu senti tanto sua falta. -ela sussurrou contra meu peito.

Eu apertei ela ainda mais, segurando firme, querendo que aquele momento nunca acabasse.

Ela ainda estava sorrindo quando me puxou pela mão, atravessando o corredor até o camarim dela. Abriu a porta com pressa e, assim que entramos, encontrei Gemma, a babá, em pé, balançando a Serena no colo. Minha filha estava com o rostinho todo vermelhinho, chorando de soluçar.

- Vem cá, meu amor… -Marina disse, a voz suave, mas carregada de preocupação.

Ela tirou a Serena imediatamente dos braços da babá, ajeitando-a contra o peito. A menina ainda chorava, mas diminuiu um pouco o tom assim que sentiu o colo da mãe.

- Eu dei o remédio, mas ela ainda está bem chorosa… -explicou a Gemma, parecendo um pouco aflita.

Marina assentiu, sem tirar os olhos da nossa filha. 

- Tá certo… muito obrigada. Pode ir comer alguma coisa agora, tá?

A Gemma sorriu, aliviada, e foi até a bolsa dela. Marina então me olhou de lado, e eu entendi na hora o recado silencioso. Peguei minha carteira do bolso da calça, tirei algumas notas e entreguei para Gemma.

- Obrigada, senhor Luan. -ela disse, sorrindo, e saiu fechando a porta atrás de si.

Marina caminhou até o pequeno sofazinho no canto do camarim, sentou-se e ajeitou Serena nos braços, abrindo o roupão, erguendo sua blusa e desabotoando o sutiã de amamentação para amamentá-la. Eu fiquei olhando… aquela cena era de uma paz que eu não conseguia descrever. O choro da Serena foi se acalmando conforme ela começava a mamar, e o barulhinho suave dela sugando o leite preencheu o silêncio.

- O que houve? -perguntei, me sentando ao lado da Marina, mantendo o tom baixo.- Por que remédio?

Ela suspirou, fazendo um carinho nas costas da nossa filha. 

- Cólica… ela tá sentindo bastante ultimamente.

Olhei para a cabecinha pequena de Serena, tão frágil, e me inclinei para dar um beijo bem leve ali. Fiquei alguns segundos só admirando aquela cena, até levantar o olhar para Marina.

- Você sabe que é uma ótima atriz, né? -falei, ainda meio impressionado com o que tinha visto no set.

Ela arqueou uma sobrancelha, um sorriso de canto surgindo enquanto olhava para mim. 

- Você ficou assistindo?

- Fiquei… e se não fosse porque eu conheço você, teria acreditado em cada palavra.

O sorriso dela se abriu mais, mas ainda tinha um brilho cansado no olhar.

- Fiquei intrigado com a cena de hoje… -confessei, apoiando o braço no encosto do sofá, virado para ela.- Deu até vontade de assistir o primeiro e o segundo filme…

Marina me olhou de lado, curiosa, enquanto ajeitava a Serena no colo para que ela continuasse mamando.

- Ah é? E por que não assiste então?

Soltei um riso fraco. 

- Porque eu não tenho estômago pra ver você e o Victor se pegando naquelas cenas.

Ela imediatamente revirou os olhos e soltou uma risadinha curta, balançando a cabeça. 

- Luan… é totalmente profissional.

- Eu sei… -falei, mas minha expressão provavelmente entregou que não estava tão convencido assim.- Ainda assim, não dá. Você não tá ali como “personagem” na minha cabeça… é você.

- É porque você é ciumento. -ela sorriu, provocando.- E porque não entende que, no set, não tem nada de romance de verdade.

- Eu entendo. -retruquei, cruzando os braços.- Mas não quer dizer que eu goste.

Ela riu de novo, agora baixinho, e passou a mão pelo meu joelho, como se quisesse aliviar a tensão do assunto.

Marina deu um sorrisinho de canto, daquele que eu já sabia que vinha carregado de intenção.

- Sabe, se eu quisesse provocar mesmo, eu podia contar que hoje o diretor pediu pra gente repetir aquela cena… três vezes. -falou, ajeitando Serena no colo, com a voz propositalmente inocente.

Eu arqueei uma sobrancelha, sentindo o sangue subir.

- Três vezes?

- Uhum… -ela mordeu o lábio inferior, quase contendo a risada.- E em cada uma delas, ele pediu mais “intensidade”.

- Você tá se divertindo, né? -perguntei, chegando um pouco mais perto.

- Talvez um pouco… -ela deu de ombros, mas o olhar travado no meu deixava claro que estava adorando me ver reagir.- É engraçado como você tenta bancar o calmo, mas eu conheço esse seu olhar… sei que por dentro tá me xingando inteira.

- Não tô xingando. -murmurei, mas minha voz já não tinha tanta firmeza.- Só… imaginando umas coisas.

- Ah, é? -Marina inclinou o corpo levemente pra frente, sem soltar a Serena, e falou mais baixo, num tom quase conspirador.- Tipo o quê?

- Tipo eu te lembrando muito bem de quem é que te beija de verdade. -falei, com um meio sorriso, deixando claro que, se ela não tivesse com a bebê no colo, eu já teria colocado essa ideia em prática.

Ela riu baixinho, balançando a cabeça. 

- Você é impossível.

- E você adora. -completei, encostando um beijo rápido na testa dela, mas mantendo o olhar preso no dela por mais um segundo.

Assim que Serena terminou de mamar, Marina ajeitou a pequena contra o ombro, dando leves tapinhas nas costas até ouvir aquele arrotinho baixinho. Depois, se levantou devagar, andando até o carrinho que estava no canto do camarim. Colocou nossa filha ali com todo cuidado, cobrindo-a com uma mantinha suave e certificando-se de que ela estava confortável.

Quando se virou pra mim, não tinha mais aquele ar “inocente” que ela tentou bancar antes. O olhar dela agora era direto, carregado, quase como se estivesse dizendo sem palavras que tinha chegado a hora de parar com o joguinho.

- Pronto… agora a gente pode conversar melhor. -falou, num tom baixo, que soou mais como um convite do que como uma simples frase.

Eu mal tive tempo de responder. Ela veio até mim, segurando minha camisa na altura do peito e me puxando pra perto. Nossos corpos se encostaram, e eu senti aquela energia familiar que sempre acendia quando a gente passava tempo demais longe.

- Vai mesmo ficar só imaginando? -provocou, com um meio sorriso.

- Não. -respondi sem pensar, e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, prendi a boca dela na minha, daquele jeito urgente, como se eu precisasse matar toda a saudade acumulada desde que ela voltou pra Los Angeles.

As mãos dela subiram pela minha nuca, os dedos se entrelaçando no meu cabelo, enquanto eu a prendia pela cintura, sentindo o calor dela colado em mim. Era como se cada segundo sem ela tivesse se acumulado num só instante — e agora tudo estava explodindo ali, no camarim, a poucos passos da nossa filha dormindo.

- Luan… -ela suspirou contra a minha boca, como se estivesse cedendo de vez.

- Fala… -murmurei, ainda roçando os lábios nos dela.

- Eu tava morrendo de saudade disso.

- Eu também. -respondi, e a puxei de novo, mais forte, porque ali não era só sobre desejo — era sobre redescobrir cada detalhe que a gente já conhecia, mas que parecia novo depois de tanto tempo longe.

Marina e eu nos sentamos no sofá, abraçados, e ficamos ali, observando nossa filha dormir. O silêncio era confortável — só o som baixo da respiração dela e um leve burburinho vindo do set.

Marina então se encostou no sofá, cruzou as pernas e falou, do nada:

- Marca aí na sua agenda: 13 de agosto de 2028.

Virei o rosto pra ela, franzindo a testa.

- Tá… e o que vai ter nesse dia? E por que eu tenho que agendar isso agora, se tá tão longe?

Ela sorriu de canto, com aquele olhar travesso que me deixava ao mesmo tempo curioso e desconfiado.

- Porque… é a data que eu escolhi pra talvez dizer “sim” pra você no altar.

Soltei um riso curto, surpreso.

- Talvez? Como assim, talvez?

Marina deu de ombros, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

- Ué… vai depender de você até lá.

Olhei pra ela, semicerrando os olhos, tentando decifrar o que exatamente ela queria dizer com aquilo — mas o sorriso provocativo que ela manteve só deixou claro que não ia me dar todas as respostas naquele momento.

Cruzei os braços, inclinando-me um pouco mais para ela, ainda com aquele sorriso divertido no canto da boca.

- Ah, então quer dizer que eu tenho treze meses pra te convencer de que sou o homem da sua vida?

Marina fingiu pensar, olhando pro teto.

- Na verdade… você já é. -ela virou o rosto pra mim, sorrindo de leve.- Mas isso não significa que eu não possa me divertir um pouco te deixando no suspense.

Soltei uma risada baixa, balançando a cabeça.

- Você adora me provocar, né?

- E você adora cair. -ela respondeu, apoiando o cotovelo no encosto do sofá e o queixo na mão, me observando.- Além do mais… não é como se eu tivesse esquecido que a última vez que você tentou “me convencer” a alguma coisa, a gente acabou… bem, com a Serena. -ela apontou com o queixo para o carrinho, onde nossa filha dormia profundamente.

Olhei para Serena, e um sorriso inevitável me escapou.

- Então foi um argumento muito bom, pelo visto.

Marina riu baixinho, estendendo a mão para tocar meu rosto.

- E ainda é.

Aquela troca de olhares foi suficiente para que o resto do barulho do set desaparecesse. Só estávamos nós três naquele momento — eu, ela e a nossa pequena dormindo ali pertinho. Inclinei-me e encostei meus lábios nos dela, num beijo lento, carregado de tudo que a gente não precisava colocar em palavras.

Quando nos afastamos, murmurei:

- Pode ficar tranquila… dia 13 de agosto de 2028, você vai dizer “sim”. Sem talvez.

Ela mordeu o lábio, claramente tentando não sorrir demais.

- Veremos, Luan… veremos.

- Tá, mas… por que exatamente dia 13 de agosto?

Marina soltou um sorrisinho cheio de malícia.

- Porque foi o dia que o Edward e a Bella se casaram.

Arqueei as sobrancelhas e soltei uma risada.

- Meu Deus… como eu consigo esquecer que você é completamente obcecada por Crepúsculo?

Ela ergueu o queixo, fingindo orgulho.

- Obcecada não… apaixonada. É diferente.

- Aham… claro. -revirei os olhos, mas o sorriso me entregou.- Só você pra querer casar na mesma data que dois personagens de filme.

Marina deu de ombros, pegando meu braço e se aninhando mais perto.

- Pelo menos já é uma data romântica… e você não pode dizer que eu não planejo as coisas com antecedência.

Olhei pra Serena, ainda dormindo no carrinho, e depois voltei o olhar pra Marina.

- Eu não sei se fico animado… ou preocupado com o quanto você leva essa saga a sério.

Ela riu baixinho, encostando a testa na minha.

- Melhor ficar animado, porque já tá decidido.

Suspirei, meio rindo, meio me rendendo.

- Tá bom, vai… dia 13 de agosto. Vou marcar na minha agenda antes que você resolva trocar a data pra alguma outra referência de filme.

- Não se preocupe. -ela disse, sorrindo satisfeita.- Essa já é perfeita.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, só ouvindo a respiração tranquila de Serena no carrinho. A mão de Marina passeava devagar pelo meu braço, num carinho distraído, e eu não resisti em passar o braço por cima dos ombros dela, puxando-a mais pra perto.

- Eu sinto sua falta em casa. -confessei, num tom mais baixo.- Não é a mesma coisa sem você.

Ela levantou o rosto pra me olhar, com um brilho suave nos olhos.

- Eu também sinto a sua. É difícil ficar longe.

Beijei a testa dela, sentindo aquele calor no peito que só ela conseguia provocar.

- Então promete que, quando as gravações acabarem, a gente vai tirar uns dias só pra nós três… nada de set, nada de show, nada de compromissos.

Marina sorriu de lado, como quem já estava planejando mentalmente.

- Prometo. E quem sabe… uns ensaios pro dia 13 de agosto também.

Soltei uma risada curta, balançando a cabeça.

- Você não perde a chance, né?

- Nunca. -respondeu, apoiando a cabeça no meu ombro enquanto continuávamos admirando Serena dormir, como se aquele instante fosse só nosso, longe de qualquer pressa do mundo.

Alguns dias depois...

Quarta-feira, 30 de Junho de 2027 - 01:42 da manhã 

Era aniversário de Marina, havia mandado mensagem pra ela assim que deu meia noite, mas não obtive resposta. 

Eu estava em Nova York, o silêncio da madrugada era cortado apenas pelo som suave do violão que eu tocava, tentando terminar uma nova composição. O ar estava fresco, uma brisa leve entrando pela janela entreaberta, criando um clima perfeito para aquela inspiração noturna. Eu estava tão imerso na música que nem ouvi o bater na porta.

Quando batiam de novo, me assustei. Não era comum alguém aparecer naquele horário, muito menos alguém que eu esperasse. Levantei-me e fui abrir, ainda sentindo o eco das notas no ar.

Quando a porta se abriu, lá estava ela: Marina. O sorriso dela iluminava a escuridão do corredor. Em seus braços, carregava uma pequena bolsa da Serena e, enrolada em um sling, a nossa pequena dormia tranquila, com o rostinho coladinho ao peito da mãe.

Eu fiquei sem palavras por um instante, o choque da surpresa me paralisou. Não esperava vê-la ali, não aquela hora. Eu tinha planos de ir para Los Angeles no dia seguinte, estava acordado até tarde para preparar uma surpresa para o aniversário dela.

Ela se aproximou, com um brilho nos olhos e sussurrou, empolgada, um “Surpresa!”.

Eu apenas sorri, o coração acelerado, ainda sem conseguir processar tudo aquilo.

- Você... veio passar seu aniversário comigo? -perguntei, ainda incrédulo, enquanto a puxava para um abraço.

Ela assentiu, sorrindo.

Serena mexeu-se no sling e deu um suspiro baixinho, como se também aprovasse a ideia.

Marina caminhou devagar até o quarto da Serena, os passos silenciosos carregados de cuidado, como se não quisesse acordar nem o menor sussurro do silêncio da madrugada. Eu ainda estava ali, imóvel, encarando a porta entreaberta, meio descrente de que ela realmente tinha vindo até Nova York, naquela hora, só pra estar comigo no aniversário dela.

Ela voltou minutos depois, sem a Serena nos braços, nem com a bolsa da pequena — que ela obviamente já havia deixado no quarto da neném —, mas segurando firme a babá eletrônica, aquela aparelhinho que a gente usava para ouvir e ver a Serena de qualquer lugar da casa.

Aproximei-me devagar, com um sorriso enorme e o coração tão acelerado que parecia que ia saltar pela boca. Sem pensar muito, puxei Marina para perto, sentei no sofá e beijei seu rosto com toda a ternura que tinha guardado durante as semanas que ela esteve longe.

- Feliz aniversário, meu amor. -eu disse com a voz embargada, os olhos brilhando de felicidade, quase duvidando da sorte que eu tinha de tê-la ali.

Ela sorriu, um sorriso que parecia ter guardado só para mim. Encostou a cabeça no meu ombro e suspirou, satisfeita.

- Obrigada, meu amor. Achei que eu merecia mais do que mensagens e chamadas no FaceTime, sabe? -ela falou baixinho, como se fosse nosso segredo, como se o mundo inteiro pudesse escutar.- Queria estar aqui, do seu lado, para celebrar de verdade.

Eu a abracei com força, sentindo o cheiro dela, aquela mistura doce e reconfortante que eu já conhecia tão bem.

- Eu tô tão feliz que você veio. -confessei, segurando a mão dela, como se não quisesse mais largar.

Aquele momento, simples e cheio de significado, era tudo que eu precisava. A Marina ali, sorrindo pra mim, a gente junto, vivendo o presente que tanto tínhamos esperado. Era como se, só por uma noite, o mundo parasse e só existisse a gente dois.

Marina se ajeitou no sofá, ajeitando a babá eletrônica no colo, e soltou com aquele sorriso maroto que eu conhecia bem:

- Hoje é dia de estocar leite pra Serena. Quero garantir o estoque do mês inteiro, porque depois do meio-dia... -ela fez uma pausa dramática, os olhos brilhando com aquela faísca de travessura- ...eu vou tomar shots de tequila. Agora que sou legalmente adulta, vou aproveitar!

Eu ri alto, meio incrédulo, mas apaixonado por aquele jeito dela de transformar até uma simples madrugada em festa particular.

- Tá avisando ou me convocando pra essa festa, Marina Rhode Bieber? -brinquei, dando uma piscadinha.

Ela deu uma risadinha, puxando o cobertor que estava dobrado ao lado pra cobrir as pernas.

- Convocando, é claro! Mas por enquanto, preciso ser mãe responsável, afinal, alguém tem que cuidar da pequena diva.

Eu balancei a cabeça, admirando a mistura da seriedade materna com o espírito festeiro dela, tudo naquele equilíbrio perfeito que só a Marina conseguia ter.

- Tá combinado então. -falei, puxando ela para perto de novo, beijando sua testa.- Primeiro, o estoque do leite. Depois, a tequila vai esquentar essa festa de aniversário.

Ela sorriu, aquela luz no olhar dizendo que a noite só estava começando — e eu sabia que com ela, qualquer momento virava uma aventura.

De repente, Marina me encarou com uma expressão séria, como se tivesse decidido revelar um segredo que queimava dentro dela.

- Eu não vim aqui à toa. -disse baixinho, o tom cheio de promessa.- Vim porque preciso de você.

Senti meu corpo todo responder naquele instante, um fogo se acendendo na minha pele, um calor que eu não sentia fazia tempo. Brinquei com a voz, provocativo:

- E de que maneira você precisa de mim, exatamente?

Ela sorriu, aquela mistura de safadeza e certeza que me deixava sem ar.

- De todas as maneiras possíveis. -respondeu, sem pestanejar.

Sem pensar duas vezes, levantei-a do sofá e a peguei no colo. Suas pernas se enroscaram na minha cintura com facilidade, como se o nosso corpo já conhecesse o caminho, a coreografia silenciosa da paixão. O peso dela em mim, o cheiro doce que exalava da pele, o calor do corpo colado ao meu... Tudo isso só aumentava o desejo que já queimava.

Caminhei com ela para o quarto, cada passo uma promessa, cada respiração um convite. Deitei-a suavemente na cama, mas ela não tirava os olhos de mim, um olhar safado que dizia tudo o que palavras não podiam expressar.

Eu não podia me segurar. Encostei o corpo no dela, sussurrando com voz baixa e carregada de desejo:

- Ainda não entendi o que você quer de mim, Marina.

Ela se ajeitou, lentamente, e num movimento que me deixou sem fôlego, se ajoelhou na cama, me encarando diretamente nos olhos. O brilho era tão intenso que parecia queimar minha pele.

- Quero que você me foda. -disse, clara, explícita, sem rodeios.

O mundo pareceu parar por um instante, como se o tempo tivesse sido engolido pelo calor daquele momento. A urgência dela, a sinceridade no olhar, tudo me consumiu de uma forma que eu não podia — e não queria — controlar.

Aquele não era apenas desejo, era fome, necessidade, entrega. 

Eu me inclinei, os lábios colando nos dela num beijo cheio de pressa e promessa, e o resto da noite... bem, o resto da noite era só nosso.

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