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Capítulo 64

Justin Narrando 

Já era novembro. Um mês inteiro se passou desde... desde ela.

Bruna.

Eu não tive mais nenhuma notícia dela desde aquele dia. Nenhuma mensagem, nenhum sinal. Sumiu da minha vida como se eu fosse um capítulo ruim de um livro que ela não queria mais reler. E talvez eu tenha sido mesmo. Mas toda vez que eu tentava pensar com clareza, tudo desabava de novo. Então eu parei de tentar.

Comecei a viver no modo automático.

Scooter tava pegando pesado com a agenda. Shows, entrevistas, aparições, ensaios, fotos, eventos. Eu tava em todos os lugares, mas não tava em nenhum. Entende?

Eu tava só... existindo. Indo de um compromisso pro outro sem nem saber direito onde eu tava. Dormindo em aviões, acordando em hotéis que nem lembrava o nome. Fazendo o que esperavam de mim.

E a verdade?

A última folga que eu tive foi exatamente naquela merda de dia. Quando eu, como um idiota, larguei tudo e fui até Columbia pra ver a Bruna. Pra consertar as coisas. Pra ouvir dela que ainda me amava. Que queria lutar por nós. Que aquilo tudo era só um mal entendido.

Mas não foi o que eu encontrei.

Eu a vi. Com outro. Beijando ele.

E aquilo me destruiu.

Desde então, bastava eu acender um baseado que tudo passava. Era como se o mundo diminuísse o volume. Como se os pensamentos parassem de gritar. Como se nada importasse mais. E eu vivia chapado.

Era o único jeito de continuar respirando.

Só que Scooter tava ficando puto comigo. E com razão.

- Porra, Justin! -ele gritou comigo na última vez.- Você acha que isso aqui é brincadeira? Você acha que os fãs merecem chegar num show e descobrir que você desmarcou porque tava desmaiado num quarto de hotel fedendo a maconha?

Eu só abaixei a cabeça.

Não porque eu tava arrependido. Mas porque eu não tinha forças nem pra discutir. Eu não tava nem aí. Eu não tava aí pra carreira, pra minha imagem, pros compromissos. Eu não tava aí nem pra mim mesmo.

Eu só queria esquecer.

Só queria que a dor passasse. Que aquela cena na porta do dormitório da Bruna parasse de me assombrar.

Mas não parava.

Tava ali. Sempre ali.

E então eu acendia outro baseado.

E outra vez.

E mais uma.

Até que tudo sumia.

Até que eu não sentia mais nada.

Eu nem sabia direito que dia era. Só percebi que o mês tinha virado quando o calendário da parede do estúdio foi trocado. 

Eu tava no sofá do hotel em Los Angeles, deitado, com uma blusa velha e um cobertor embolado nos pés. A TV ligada em algum documentário qualquer. Nem som tinha. Só imagem. Eu só deixava a tela acesa pra não sentir tanto o silêncio me engolir.

O cinzeiro tava cheio. Os olhos, vermelhos. O coração, um caos.

Scooter não tinha me ligado hoje ainda. Talvez tenha desistido. Talvez tenha aceitado que eu não tô pronto pra essa porra toda. Ou talvez só esteja esperando a hora certa pra me dar outro sermão.

Tanto faz.

Olhei pro celular jogado na mesinha. Nenhuma mensagem da Bruna. Nem uma tentativa. Nem um "ei, tô bem" ou um "me desculpa". Nada.

Eu podia mentir e dizer que eu não esperava por isso. Que eu já tinha superado. Mas a verdade?

Eu esperava.

Esperava que ela fosse vir atrás de novo. Parte de mim achava que... que ela ia me procurar mais uma vez. Porque ela me amava. Eu sei que amava.

Mas amar, às vezes, não é suficiente.

A gente acha que é. Que se tiver amor, tudo dá certo. Que as dores passam, que os erros se ajeitam, que os mal-entendidos se desfazem. Mas não é assim.

Amar nem sempre salva.

E eu tô aqui, rodeado de tudo que eu conquistei, me sentindo mais vazio do que quando não tinha nada. Eu tenho tudo. E ainda assim, não tenho o que mais importa.

Não tenho ela.

Não tenho a Bruna.

Pensei em levantar. Fazer algo. Compor, talvez. Escrever tudo que tava preso aqui dentro, como eu fazia antes. Mas quando cheguei no piano, minha cabeça rodou. A dor de cabeça, a ressaca da madrugada, o corpo pedindo descanso. Eu só afundei de novo no sofá.

A campainha tocou.

Por um segundo, meu coração acelerou. Um segundo. Porque depois, veio a razão. Não era ela. Nunca era. Era algum delivery que nem lembro de ter pedido. Ou algum assistente que Scooter mandou pra me arrastar pra um compromisso. Não levantei.

A campainha tocou de novo.

Ignorei.

Voltei a encarar o teto. Pensando nela. No sorriso dela. No jeito que ela dizia "Bieber" quando queria me provocar. No cheiro do cabelo dela quando deitava no meu peito. Na risada quando eu dizia alguma besteira.

Na forma como ela dizia que me amava.

Fechei os olhos. E pela primeira vez em dias, deixei uma lágrima escorrer.

Sim, eu errei em não perdoa-la.

Sim, talvez ela tenha errado em se aproximar daquele idiota.

Mas nada disso importava mais.

Ela não tava aqui.

E eu tava sozinho.

Ainda tava no sofá quando ouvi a campainha tocar de novo. Já era a terceira vez. Não era delivery, ninguém espera tanto assim. Suspirei, irritado, e me levantei com esforço. Caminhei até a porta arrastando os pés, pronto pra xingar quem quer que fosse.

Quando abri...

- Marina?

Ela tava ali. De calça preta, camiseta larga do Nirvana, cabelo preso de qualquer jeito num coque malfeito e uma expressão que misturava preocupação com uma leve decepção.

- Oi. -ela disse, olhando bem nos meus olhos.

Eu fiquei ali, parado. Como se meu cérebro estivesse processando devagar demais. Marina? Aqui?

- Você vai me deixar parada na porta ou vai me deixar entrar?"

Abri espaço, ainda meio sem reação. Ela entrou com a naturalidade de quem já conhecia aquele lugar. De certa forma, conhecia. Minha irmã, minha confidente... e a melhor amiga da Bruna. Eu sabia que isso não era só uma visita qualquer.

Ela andou até o sofá, olhou pro estado do ambiente e suspirou.

- Você tá mal, né? -ela disse, se virando pra mim.

- O que você tá fazendo aqui?

- Te procurando. -respondeu.- Soube com Scooter que você não tava cumprindo nada da agenda. Ele até cogitou cancelar o resto do mês. Achei que talvez estivesse precisando de alguém que realmente se importa.

Fiquei em silêncio. Sentado de novo no sofá, peguei o cinzeiro lotado e fui até a lixeira da cozinha, joguei tudo fora. Era o mínimo de dignidade que eu podia ter com ela ali. Quando voltei, Marina já tinha se sentado, cruzando as pernas como quem se preparava pra uma conversa longa.

- Você ainda ama ela? -ela perguntou, sem rodeios.

- Não é óbvio? -falei baixo, quase sem voz.

- Então por que tá se autodestruindo em vez de ir atrás da verdade?

Revirei os olhos.

- Eu vi com meus próprios olhos, Marina.

- Você viu o Zach beijando ela. Mas você não viu o antes. E, principalmente, não quis ouvir o depois.

Fiquei em silêncio.

- Eu tô te dizendo isso como sua irmã, e como alguém que ouviu o lado dela. Ela não retribuiu aquele beijo. Ela chamou ele pra conversar, porque Virgínia e Olívia perceberam que ele tinha segundas intenções. A Bruna queria deixar claro que não tinha espaço pra isso entre eles. Ela amava você. -sua voz falhou um pouco.- Ama você.

Sentei na poltrona em frente a ela. A cabeça baixa. O coração apertando no peito.

- Ela ficou muito mal quando viu seu post no Instagram.

Fechei os olhos. A lembrança daquele post me envergonhava. Foi imaturo. Frio. Mas eu tava com tanta raiva naquele dia. Me senti traído. Perdido.

- Ela tá bem?

Marina hesitou.

- Não. -respondeu.- Passou dias sem comer. Não queria nem sair do quarto. Só chorava. Perdi alguns dias de gravação pois tive que ficar lá cuidando dela, arrastar ela pra aula. Você sabe o quanto ela é forte. Mas até as mais fortes quebram.

Me levantei, andando pelo quarto, passando a mão no cabelo. Aquilo tava doendo demais. Saber que ela tava sofrendo. Que ainda me amava. Que tudo podia ter sido diferente se eu tivesse respirado, esperado, escutado.

- E agora? -perguntei, num sussurro.

Marina se levantou também, se aproximou de mim.

- Agora, você decide se vai continuar se afundando ou se vai fazer algo com esse amor todo que ainda sente. Porque eu vi meu irmão se perder antes, e eu não quero ver isso de novo. Não por orgulho.

Fiquei ali, parado, olhando nos olhos dela.

- Ela me perdoaria?

Marina deu um pequeno sorriso.

- Ela não precisa perdoar um beijo que não foi culpa dela. Mas... ela te ama, Justin. E isso ainda pode ser o começo de uma nova história. Se você tiver coragem.

Fui até o criado-mudo, peguei outro baseado já enrolado — eu deixava alguns prontos, porque às vezes nem paciência pra isso eu tinha. Acendi com o isqueiro prateado que ficava ali por perto e dei uma tragada longa, como se aquilo fosse apagar toda a angústia que Marina tinha acabado de reacender.

Me aproximei da varanda do hotel, abrindo a porta de vidro. O ar fresco de Los Angeles me bateu no rosto e eu fechei os olhos por um instante. O som da cidade viva lá embaixo, buzinas, risadas, aquela vibe caótica que de alguma forma sempre me acalmava.

- Quer? -perguntei, segurando o baseado e virando o rosto pra Marina, que continuava me observando da sala, com os braços cruzados.

Ela arqueou uma sobrancelha.

- Sério?

- Vai negar só pra manter a pose de perfeitinha? -debochei, rindo pelo nariz.- Vai continuar sendo a atriz principal com ou sem uma tragada, princesa.

Ela revirou os olhos, mas caminhou até mim com aquela expressão de quem estava de saco cheio das minhas piadinhas — mas, por algum motivo, não resistia.

- Dá logo isso aqui. -disse, arrancando da minha mão.

- Uou! -falei, rindo, me encostando no parapeito.- Quem é você e o que fez com a Marina Bieber toda certinha, defensora da saúde e da boa imagem?

- Ela tá cansada. -respondeu, dando uma tragada leve, como quem ainda tava tentando entender o que tava fazendo ali.

- Vai postar no close friends depois? -continuei provocando.- Tipo: "hoje fui má, fumei com meu irmão drogado e deprimido."

Ela soltou a fumaça devagar e me olhou com um meio sorriso.

- Hoje fui irmã. Só isso.

Aquela resposta me pegou de surpresa. A zoeira morreu na garganta. Fiquei olhando pra ela, com o cabelo bagunçado, os olhos cansados, mas ainda brilhando. Marina era um raio de lucidez no meio do meu caos.

- Sabe que eu tô mal, né? -falei, num tom mais sincero agora.

- Sei. É por isso que tô aqui.

Ficamos os dois ali, em silêncio, dividindo aquele momento. O céu de Los Angeles tingido de tons alaranjados pelo fim do dia, os carros lá embaixo parecendo formigas apressadas, e nós dois ali, como se o tempo tivesse pausado.

- Você acha que ela me odeia? -perguntei de repente.

Marina me passou o baseado e respondeu baixo:

- Acho que ela te ama. E isso é pior do que ódio, Justin. Porque amor, quando dói, machuca mais fundo.

Traguei de novo, o coração apertando no peito.

- E você, tá bem? Com o Luan?"

Ela hesitou.

- A gente tá tentando.

- Ele ainda tem ciúmes do seu par romântico, né? -ri de leve.- Típico do Santana.

Ela riu também, finalmente.

- Ele me conhece bem demais. E quando a gente ama muito, a insegurança vem junto, né?

Assenti. A gente ficou ali por mais um tempo, dividindo o baseado, a vista e o peso que cada um carregava. Eu não era bom em demonstrar gratidão, mas saber que Marina tava ali por mim… foi como uma âncora.

Talvez fosse hora de tentar respirar. De dar um primeiro passo.

E esse primeiro passo podia ser… escrever.

O baseado tinha chegado ao fim, e agora a gente tava jogado no sofá enorme da sala do hotel, cada um ocupando um lado, com as pernas esticadas e os olhos meio perdidos no teto. A fumaça ainda pairava no ar, misturada com o cheiro de café que Marina tinha feito mais cedo. A brisa bateu forte, e a risada fácil vinha junto.

- Você lembra da vez que a gente enfiou tinta no secador da Melanie? -perguntei, com um sorriso torto se formando nos meus lábios.

Marina deu uma gargalhada e virou o rosto pra mim.

- Mano! Eu achei que ela ia botar fogo na casa! -ela levou a mão ao peito, tentando parar de rir.- O cabelo dela ficou azul por três dias. E ela jurava que era maldição."

- Ela chorou tanto que eu comecei a rir e chorar junto. Aí a vovó achou que eu tava arrependido.

- Mas você tava?

- Nem um pouco. -falei rindo, e Marina também.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, só ouvindo o som distante da cidade lá embaixo. Marina virou de lado, apoiando o rosto na mão.

- A gente era tão unido, né? -ela disse, com a voz suave.- Antes da fama, antes de tudo virar um caos.

- A gente ainda é. -rebati, encarando o teto.- A vida que bagunçou tudo. A gente só tá tentando encontrar o caminho de volta.

Ela suspirou.

- Eu sinto falta da gente no Natal… Você lembra quando você fazia showzinho pra gente com a escova de cabelo?

- E você era minha backing vocal! -falei, rindo alto.- Cantando tudo errado, mas com um entusiasmo que parecia que ia ganhar o Grammy.

- Cala a boca! -ela deu um empurrão de leve na minha perna, rindo também.

O riso foi diminuindo aos poucos, e Marina olhou pra mim de novo, dessa vez com os olhos um pouco marejados.

- A gente cresceu, Jus. Cresceu rápido demais.

- E se perdeu no meio do caminho.

- Mas ainda dá tempo de se achar.

Ela estendeu a mão na minha direção. Eu segurei.

- Obrigada por ser meu irmão. -ela disse.

Engoli seco, sentindo aquele nó na garganta que fazia tempo que eu não deixava subir.

- E obrigada por ainda me reconhecer no meio desse cara todo ferrado aqui.

- Eu sempre vou reconhecer. Porque por trás do popstar, tem o Justin que fazia careta pra me fazer rir quando eu tava com medo de dormir sozinha.

Sorri.

Mas então o olhar da Marina ficou mais sério. Ela apertou minha mão com mais força e falou num tom firme, doído:

- Eu juro que não vou deixar acontecer com você o mesmo que aconteceu com o Liam.

Meu sorriso murchou na hora. O nome dele ainda doía. Ainda era difícil de digerir.

- Eu vi o quanto ele tava cansado. Perdido. E você tá indo pelo mesmo caminho, Justin. Isso não é só uma fase. Você precisa cuidar de você. Eu não quero te perder.

Fiquei em silêncio por um tempo. O coração pesando no peito.

- Eu também não quero me perder. -falei baixinho.

A brisa ainda tava ali, fazendo tudo parecer mais leve, mais colorido… mas agora, no meio da fumaça e da saudade, Marina me lembrava do que era real. E do quanto eu precisava voltar pra mim mesmo.

Alguns dias depois...

Os dias tinham passado arrastados desde aquele momento com a Marina em Los Angeles. Agora eu estava em Nova York, me preparando pra mais um show lotado. Tentar manter a cabeça no lugar estava sendo um desafio, mas eu tava me esforçando. Tinha dado uma diminuída nos baseados — às vezes eu acendia um ou outro só pra relaxar, mas não tava mais naquela loucura de não conseguir levantar da cama. Eu queria estar melhor. E, de algum jeito, tava.

A equipe estava no camarim, os fãs entrando aos poucos pra sessão de meet & greet. Eu sorria, abraçava, posava pra fotos, respondia com carinho. Eu gostava daquele contato. Era uma das poucas coisas que ainda me faziam lembrar do porquê eu tinha começado tudo isso.

Enquanto eu sorria com uma garota que tremia de emoção me entregando uma cartinha, Scooter se aproximou, tenso.

- Justin... -ele falou baixo, puxando o canto da minha blusa. Me virei pra ele, curioso.

- Fala.

- Bruna tá aqui. -ele soltou como se tivesse medo da minha reação.- Quer saber se pode entrar.

Eu congelei por meio segundo. O nome dela me acertou como um soco no estômago.

- Ela tá aqui? -minha voz saiu mais baixa do que eu queria.

- Sim. Tá lá fora, esperando sua autorização.

Não pensei duas vezes.

- Deixa ela entrar.

Scooter me olhou com uma expressão entre surpresa e irritação. Cruzou os braços.

- Justin, você tem certeza? Olha só... foi por causa dela que você quase se afundou. Você ficou dias sem aparecer, não conseguia nem levantar da cama. Você tá melhorando agora, e honestamente, eu não acho que seja uma boa ideia.

Revirei os olhos, irritado com aquele sermão.

- Scooter, manda ela entrar. E me deixa sozinho com ela.

Ele bufou, claramente contrariado, e fez um gesto pros seguranças. Em poucos segundos, o camarim foi esvaziado, até os fotógrafos saíram. Eu fui até o espelho, ajeitei meu cabelo, puxei a camiseta preta que tava meio torta, respirei fundo umas três vezes. Meu coração tava a mil, acelerado como se fosse pular pra fora do peito. Minha garganta seca.

E então a porta se abriu.

Ela entrou devagar, com o andar elegante de sempre. Usava uma blusa preta de manga comprida que marcava a cintura, e uma saia curta de paetês que brilhava sob a luz. O cabelo solto, liso, caía pelos ombros. Ela estava deslumbrante. E eu estava completamente desarmado.

Fiquei parado, olhando. Ela me olhou também, meio sem jeito, mas com os olhos brilhando. Não era raiva, nem mágoa. Era aquele tipo de saudade que aperta a alma.

Meu corpo inteiro se preparou pra correr até ela, mas minhas pernas continuaram travadas no chão.

Ela deu dois passos lentos pra dentro da sala e fechou a porta atrás de si, com cuidado. Me olhou de novo, e dessa vez sorriu de leve, meio sem jeito. Aquele sorriso dela... sempre me desarmava.

- Oi. -ela disse baixinho.

- Oi. -repeti, sentindo minha voz falhar.

Ela caminhou até o sofá do camarim, sentou, cruzou as pernas com delicadeza e apoiou as mãos sobre o colo. Eu fiquei parado por uns segundos, depois fui até ela e sentei também, um pouco afastado. Ficamos em silêncio. Até que ela quebrou o gelo:

- Eu... pensei muito antes de vir aqui hoje. Mas eu precisava te ver. Precisava que a gente conversasse com calma. Sem raiva. Sem grito. Só... sendo a gente.

Eu assenti, engolindo em seco.

- Tô ouvindo.

Ela respirou fundo, os olhos marejando.

- Eu sei que você já escutou isso. Mas eu quero explicar mais uma vez. Aquele beijo com o Zach... foi errado. Foi. E eu assumo isso. Eu devia ter saído de perto dele antes. Devia ter percebido as intenções dele. Mas... eu juro por tudo que eu não fui lá pra te trair. Não mesmo.

Ela abaixou os olhos, nervosa, e começou a mexer nas próprias mãos.

- Talvez eu tenha dado abertura... não com palavras, mas... sei lá. Com atenção. Por carência. Por estar longe de você. Por estar me sentindo sozinha. Não é desculpa, mas... eu tava me apegando a qualquer mínima coisa que me fizesse sentir menos vazia.

Eu fiquei quieto, ouvindo. O coração apertado. Eu sabia que ela tava sendo sincera.

- Não foi maldade, Justin. Não foi porque eu quis te trair, nem porque eu não te amo. Eu te amo. Eu te amo tanto que... até dói pensar que te machuquei desse jeito.

Ela olhou pra mim, os olhos brilhando.

- Mas... a gente precisa ser realista. Não sei se o certo é continuarmos juntos. A gente se ama, sim. Mas... e a confiança? Será que vai voltar? Será que você vai conseguir me olhar sem lembrar disso? E será que eu vou conseguir não me sentir culpada o tempo todo?

Minhas mãos fecharam em punhos sobre o joelho. Parte de mim queria gritar que sim, que a gente ia dar um jeito. Que nada importava além do nosso amor. Mas a outra parte... a parte machucada, ferida, silenciosa... não tinha tanta certeza.

- Eu não sei o que pensar, Bruna. -falei, enfim, encarando o chão.- Eu te amo também. Nunca deixei de amar. Mas... quando eu te vi com ele... eu quebrei. Senti como se tudo tivesse desabado. Eu me perdi, você sabe disso.

Ela assentiu, limpando discretamente uma lágrima que escorreu.

- Eu sei. Me culpei todos os dias desde então.

O silêncio tomou conta de novo por alguns segundos.

- E agora? -perguntei.- O que a gente faz?

Ela me olhou, com o coração nos olhos.

- Eu não sei, Justin. Mas eu queria tentar conversar. Com calma. Ver se ainda existe um “nós” possível depois de tudo.

Ficamos nos encarando por longos segundos. Os olhos dela estavam inchados, e os meus provavelmente também. Tanta coisa dita, tanta coisa ainda guardada no peito. Meu coração parecia uma batida mal feita de bateria, descompassado, confuso, mas ainda pulsando forte por ela.

Mas aí... bateram na porta.

- Justin. -a voz do segurança soou do outro lado.- Tá na hora. Cinco minutos.

Eu olhei pro relógio, engoli seco. Era verdade. O show começaria em poucos minutos. E eu ainda estava com o coração na mão, completamente mexido com aquela conversa.

Me levantei devagar, passei a mão no rosto tentando disfarçar a bagunça emocional e olhei pra Bruna.

Ela também se levantou, meio sem saber o que fazer. Ficamos ali, frente a frente, e por um segundo pensei em abraçá-la. Ou beijá-la. Ou pedir pra ela nunca mais sair da minha vida.

Mas eu só respirei fundo e disse:

- Vem comigo.

- O quê?

- Vem. Me acompanha até o palco.

- Justin, eu...

- Eu não quero que você vá embora. Fica aqui. Só hoje. Só agora. Fica do meu lado.

Ela hesitou, me olhando com uma expressão confusa, mas cheia de sentimento. Então assentiu com a cabeça. E foi ali que eu soube... mesmo sem ter certeza de nada, eu não queria abrir mão dela.

Caminhamos pelos bastidores em silêncio. A galera da produção já estava toda posicionada. As luzes se ajustando. O som da multidão lá fora, pulsando alto, vibrando no meu peito.

Quando chegamos na lateral do palco, virei pra ela.

- Fica aqui. Do lado. Você vai relembrar o tempo da turnê. E... talvez, por uns minutos, a gente esqueça da dor e só lembre de quem a gente era. E ainda é.

Ela sorriu de leve, com lágrimas nos olhos, e assentiu.

Fui até o centro do palco, respirei fundo, e quando a cortina subiu e os gritos tomaram conta do ar... meu olhar foi direto pro lado. Onde ela estava.

E por mais que ainda doesse tudo por dentro... pela primeira vez em muito tempo, eu me senti vivo de novo.

O palco estava em êxtase. As luzes vibravam em cores intensas, a galera gritava, pulava, cantava comigo. Eu cantei várias músicas animadas — One Time, Eenie Meenie, Somebody To Love, Baby... os fãs estavam enlouquecidos, e por um instante, a energia ali quase me fez esquecer de tudo.

Mas quase.

Porque a cada intervalo de música, meu olhar ia pro canto do palco. Lá estava ela. Bruna. De braços cruzados, os olhos atentos em mim, e um sorriso tímido no rosto. Mas eu conhecia aquele sorriso. Era um sorriso que escondia saudade. E dor.

Depois de mais uma música agitada, fiz um sinal pro pianista e a banda. As luzes diminuíram. Um foco se acendeu sobre mim. A multidão silenciou aos poucos, como se pressentissem que algo importante estava por vir.

Peguei o microfone com as duas mãos. Respirei fundo. Meu peito apertado.

- Eu só... -comecei, com a voz um pouco embargada.- Eu só queria tirar um momento pra falar sobre amor. Sobre perdão. Às vezes... a gente erra. Às vezes, as pessoas que mais amamos nos machucam. E a gente machuca também. Mas sabe... quando o sentimento é real, verdadeiro mesmo... ele sobrevive. Ele sobrevive à distância, ao tempo, às mágoas.

Olhei direto pro canto do palco. Nossos olhos se encontraram.

- Essa próxima música... -engoli seco- é pra alguém que talvez ainda more aqui. -levei a mão ao peito- mesmo quando tudo parece perdido. Nothing Like Us.

O som suave do piano começou. A plateia gritou, mas então foi silenciando quando comecei a cantar.

- Lately I've been thinkin', thinkin' 'bout what we had
(Ultimamente tenho pensado, pensado sobre o que tivemos)
I know it was hard, it was all that we knew, yeah...
(Eu sei que foi difícil, era tudo o que conhecíamos, sim...)

Cada verso saía como se estivesse rasgando o meu coração. A voz embargava em alguns trechos, e eu via algumas fãs chorando. Mas tudo que eu conseguia ver... era ela. Bruna. E os olhos dela marejados, as mãos sobre a boca. Ela sabia que era pra ela.

- Cause nothing can ever, ever replace you
(Porque nada pode, nunca, nunca substituir você)
Nothing can make me feel like you do, yeah...
(Nada pode me fazer sentir como você faz, sim...)

Era como se naquele momento o mundo inteiro tivesse parado. Só existia a gente dois. Nossa história. Tudo que fomos, tudo que talvez ainda pudéssemos ser.

E quando cantei o refrão final...

- There's nothing like us
(Não há nada como nós)
There's nothing like you and me together, oh...
(Não há nada como você e eu juntos, oh...)

... ela deixou a lágrima escorrer. E sorriu. Aquele sorriso quebrado, mas verdadeiro. Aquele que dizia: “Eu ainda sinto tudo isso também.”

Depois de quase duas horas de show, eu encerrei com uma música animada, do jeito que a galera ama. A energia do público era surreal, e mesmo cansado, suado, com o coração acelerado por tudo que tinha acontecido naquela noite… eu estava leve. Mas também com um peso ainda não resolvido.

Assim que as cortinas se fecharam e desci do palco, Bruna estava me esperando ali ao lado, do jeitinho que sempre fazia. Ela sorriu, tímida, e me acompanhou sem dizer uma palavra. Apenas caminhou ao meu lado, silenciosa, com as mãos entrelaçadas à frente do corpo.

Entramos juntos no camarim. Fechei a porta e girei a chave, trancando. Precisávamos de privacidade. Precisávamos terminar o que começamos antes do show.

Peguei uma toalha, limpei o suor da testa, o corpo ainda fervendo da adrenalina. Bruna sentou no sofá do camarim, cruzando as pernas e observando cada movimento meu. Parecia nervosa, mas disfarçava bem.

- Você mandou muito bem no palco. -ela falou, com aquele sorrisinho discreto.- Eu senti falta disso… de ver você cantando assim, de pertinho.

Me aproximei, ainda secando o rosto.

- Eu também senti sua falta ali, do meu lado. Você sempre foi meu ponto de apoio. Minha paz antes de subir no palco.

Sentei do lado dela. Havia uma tensão no ar, mas também uma vontade imensa de esclarecer tudo.

- Sobre o que a gente tava falando antes… -Bruna começou, mexendo nos dedos.- Eu ainda penso muito sobre o que aconteceu. Demorei pra entender que a culpa realmente foi minha, que eu realmente dei abertura, mas eu não queria que nada daquilo tivesse acontecido.

Eu olhei pra ela por alguns segundos, tentando absorver tudo. Por mais que doesse, parte de mim já sabia disso. Ela sempre foi sincera, mesmo nos piores momentos.

- Bruna... você tem razão sobre uma coisa. -disse, abaixando o olhar por um segundo antes de encará-la de novo.- A confiança que eu tinha em você... foi abalada. Assim como eu também sei que você perdeu um pouco da sua por mim, por ter sumido, me afundado do jeito que eu me afundei.

Ela assentiu, apertando os lábios.

- E tentar reconstruir isso agora... -continuei- ia levar tempo. Muito tempo. E talvez só machucaria ainda mais a gente.

- Você acha que... a gente deve terminar mesmo? -ela perguntou, num sussurro quase inaudível, os olhos brilhando.

Engoli seco, sentindo meu coração apertar de novo.

- Eu não sei. -confessei, sincero.- Eu só sei que te amo. E que não existe ninguém como você. Mas também não quero viver com medo de te perder de novo... ou de me perder por causa de tudo isso.

Ela respirou fundo, e o silêncio pairou por alguns segundos. Me aproximei mais um pouco e encostei minha testa na dela. Nossos olhos fechados, como se estivéssemos tentando sentir uma resposta ali no toque.

- Só quero que a gente seja sincero um com o outro. -sussurrei.- Mesmo que doa.

Ela assentiu, com uma lágrima escorrendo silenciosa pelo rosto. Eu limpei com o polegar, e deixei um beijo leve na sua testa.

Ficamos ali no camarim por um tempo, sem pressa, só sentindo a presença um do outro. O silêncio era pesado, mas ao mesmo tempo confortável. Depois de um tempo, Bruna tirou os sapatos e puxou as pernas pro sofá, se encolhendo um pouco, como se quisesse fugir do mundo. Eu puxei-a delicadamente pro meu colo.

- Você quer ir pro hotel comigo? -perguntei, baixinho, com os dedos deslizando lentamente pelo seu braço.- Só pra… ficar junto hoje. Sem pressa, sem pressão.

Ela me olhou, os olhos ainda úmidos, e assentiu devagar.

- Quero sim.

Pegamos um carro e fomos direto pro hotel. O clima no caminho era calmo, sem aquela ansiedade do começo do relacionamento. Agora era algo mais profundo, mais emocional. Quando entramos no quarto, ela largou a bolsa num canto e tirou a blusa de manga comprida, ficando só com uma regata preta justa. Estava linda, como sempre.

Eu fui pro banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes e voltei pro quarto, encontrando Bruna já deitada na cama, de lado, olhando pela janela com o celular na mão.

Me deitei ao lado dela, e no mesmo instante, ela virou de costas pra mim. Fiquei ali, observando a linha do seu pescoço, o cabelo espalhado pelo travesseiro, o som suave da sua respiração. Eu estiquei o braço e passei ao redor da sua cintura, puxando-a pra mais perto.

- Senti tanto a sua falta. -confessei no seu ouvido, num sussurro.- Mesmo tentando me convencer do contrário.

Ela virou o rosto um pouco, até nossos olhares se encontrarem.

- Eu também senti a sua.

Dei um beijo leve no seu ombro, depois outro mais demorado no pescoço, e ela se virou de frente pra mim. Ficamos nos encarando por um tempo, até que ela aproximou os lábios dos meus. O beijo veio calmo, profundo. Sem pressa, sem fogo. Só sentimento.

Ela respirou fundo quando meus dedos subiram devagar, explorando cada centímetro, até encontrarem a barra da regata.  

Com movimentos lentos, puxei o tecido para cima, revelando primeiro a pele macia do seu ventre, depois a curva suave das suas costas. Ela arqueou levemente, ajudando, até que a blusa passou por seus braços e pela cabeça, sendo finalmente descartada na beira da cama. Agora, apenas o sutiã preto —rendado, delicado— separava meus dedos dos seus seios.  

Minha boca encontrou seu ombro novamente, beijando, lambendo, enquanto minhas mãos deslizavam para as costas, encontrando o fecho. Um clique suave, e o sutiã afrouxou. Bruna respirou mais rápido quando meus dedos puxaram as alças, deixando o tecido deslizar pelos seus braços. 

Minha boca não resistiu —desci, prendendo um de seus seios entre os lábios, sugando devagar enquanto ela soltava um gemido baixo. Minha mão desceu até a saia de paetês, sentindo o brilho sob meus dedos antes de encontrar a abertura lateral. Deslizei a mão por dentro, sentindo a pele quente da sua coxa, subindo até encontrar apenas a seda fina da calcinha.  

Ela arqueou contra meu toque, e eu pressionei levemente, sentindo a umidade através do tecido.  

- Você tá tão molhada... -murmurei contra seu seio.  

Bruna não respondeu com palavras —apenas levou as mãos à minha camisa, abrindo os botões um a um, até que meu peito ficou exposto. Suas unhas arranharam levemente minha pele, fazendo eu respirar fundo. Ela empurrou a camisa pelos meus ombros, e eu a deixei cair.  

Em seguida, seus dedos encontraram o cós da minha calça, a qual ela desabotoou. Eu me levantei o suficiente para deixá-la puxar tudo para baixo, junto com minha cueca, libertando meu membro já duro, latejando contra o ventre.  

Bruna sentou-se na cama, olhando-me com olhos pesados de desejo antes de se inclinar para frente, envolvendo-me com seus lábios num movimento lento, úmido. 

- Porra, Bruna... -soltei entre os dentes, segurando seu cabelo, os olhos fixos nos meus.  

Mas eu não queria pressa.  

Puxei-a de volta para cima, levando-a para o centro da cama, e me posicionei entre suas pernas. Minha mão desceu até a sua saia, puxando-a para baixo junto com a calcinha, revelando sua intimidade completamente —úmida, convidativa.  

- Quero sentir você. -sussurrei, antes de descer, lambendo sua intimidade num movimento lento, circular.  

Ela gemeu, os dedos se enterrando no meu cabelo, enquanto eu explorava cada dobra, cada centímetro dela. Quando enfiei dois dedos dentro, seu corpo arqueou, e ela apertou minhas madeixas, puxando-me mais contra ela.  

Eu continuei, acelerando os dedos enquanto minha boca fazia seu trabalho, até sentir suas pernas tremendo. Ela chegou perto, mas eu parei, deixando-a suspensa no limite.  

- Não... -ela protestou, ofegante.  

Sorri, subindo sobre ela, alinhando meu membro na sua entrada.  

- Quero você toda.

E então, sem pressa, entrei.  

A sensação foi indescritível —quente, apertada. Nos encaramos enquanto eu afundava até o fim. Ficamos assim por um momento, apenas sentindo, antes que eu começasse a me mover.  

Lentamente. Profundamente.  

Cada embate era calculado, cada movimento feito para prolongar o prazer. Nossos corpos se encontraram num ritmo que só nós conhecíamos, e eu sentia cada contração dela, cada gemido abafado contra meu pescoço e as unhas cravadas nas minhas costas.

Eu agarrei suas coxas, abrindo-a mais, entrando ainda mais fundo. Seus olhos se reviraram, e ela gemeu alto.

O calor entre nós aumentava, a fricção perfeita, a pele colada pelo suor. Eu sabia que não ia durar muito —ela estava muito apertada, muito molhada, e cada movimento era puro êxtase. Eu estava sentindo seu corpo começar a tremer.  

Ela apertou os olhos, o orgasmo a atingindo como uma onda, e eu a senti contraindo em torno de mim, puxando-me mais para dentro. Foi o suficiente —com um gemido rouco, eu atingi o clímax, dentro dela, nosso suor e fluidos misturando-se enquanto nossos corpos tremiam juntos.  

Ficamos assim por um tempo, ofegantes, até que eu deslizei para o lado, puxando-a contra meu peito, abraçados e entrelaçados sob os lençóis, com os corpos ainda colados, a respiração se acalmando aos poucos.

Bruna adormeceu primeiro, com a cabeça no meu peito. Eu fiquei ali, acordado por mais um tempo, acariciando seu cabelo, ouvindo seu coração bater devagar, tentando gravar aquele momento, como se fosse o último.

E naquele instante… mesmo com tudo incerto, eu senti que ela ainda era minha casa.

O sol da manhã invadia suavemente a varanda do quarto de hotel, aquecendo a pele e deixando o ambiente com um brilho dourado. Bruna estava sentada à mesa da varanda, com os cabelos soltos, um robe leve por cima da regata que usou na noite anterior. Ela mexia no café distraidamente, olhando o movimento da rua lá embaixo. Eu estava do outro lado da mesa, ainda um pouco sonolento, com o olhar perdido no horizonte.

O silêncio era diferente do de ontem — não era confortável. Era pesado, estranho. Quase sufocante.

Tínhamos dormido juntos. Tínhamos feito amor com a alma, mas… sabíamos que era uma despedida.

Bruna respirou fundo, apoiando as mãos na borda da xícara. Olhou pra mim por alguns segundos, como se tentasse encontrar as palavras certas.

- Acho que o melhor mesmo… é cada um seguir seu caminho. -ela disse, a voz baixa, firme, mas embargada.- Não adianta a gente tentar reconstruir algo sobre os pedaços quebrados, Justin. A confiança se foi. E, mesmo que ainda exista amor… às vezes, o amor não é suficiente.

Engoli seco, sem responder de imediato. Levei a xícara até a boca, tomando um gole do café amargo. Ao devolvê-la lentamente para o pires, olhei pra ela. O vento bagunçava os fios do cabelo dela, e o coração apertava só de imaginar não tê-la mais ali, perto.

- Sim. -eu disse, num tom baixo, quase um sussurro.- Talvez você esteja certa.

Ela mordeu o lábio inferior, desviando o olhar por um instante. O silêncio voltou, mas agora com o peso de algo que ambos sabiam: não tinha volta.

- Eu tenho que ir pro México hoje à tarde. Tem show lá. -falei, tentando parecer normal, mas a garganta ainda doía.

- Eu vou tentar pegar minha segunda aula… -ela respondeu, puxando uma mecha de cabelo pra trás da orelha.

Ficamos ali por mais alguns minutos, apenas ouvindo os sons da cidade, o barulho dos carros, da vida lá fora. Bruna se levantou primeiro, pegando suas peças de roupa e as vestindo, depois indo até a cadeira onde havia deixado a bolsa. Pegou o celular e prendeu o cabelo num coque desajeitado.

Antes de sair, ela olhou pra mim uma última vez.

- A noite passada… não foi um erro, tá? -disse com os olhos marejados.- Eu não me arrependo. A gente precisava daquilo. Foi a nossa despedida.

- Eu também não me arrependo. -respondi, me levantando.- Você sempre vai ser parte de mim, Bruna.

Ela assentiu com um sorriso triste, se aproximou e me deu um beijo leve na bochecha. Depois virou as costas e saiu pela porta, sem olhar pra trás.

E eu fiquei ali, parado, encarando a xícara de café, sentindo o gosto do adeus ainda preso na garganta.

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