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Capítulo 54

Bruna Narrando

Eu estava ansiosa. Desde que acordei, sabia que Justin estava aprontando alguma coisa, mas ele se recusava a me dar qualquer pista. Só disse para eu me arrumar e esperar por ele no saguão do dormitório às dez da noite.

Quando o relógio marcou 21:58, eu já estava ali, vestindo um vestido azul-marinho soltinho e sandálias de salto baixo. Meu cabelo caía em ondas naturais sobre os ombros, e a maquiagem leve realçava meus olhos. Eu queria estar bonita, mas confortável, porque com Justin eu nunca sabia o que esperar.

Pontualmente às dez, ele apareceu. Vestia jeans escuros, uma camisa branca e um casaco preto. Simples, mas tão bonito que me fez prender a respiração por um instante.

- Você está linda. -ele disse, me dando um selinho rápido e pegando minha mão.

- E você está muito misterioso. -rebati, sorrindo.

Ele riu, apertando minha mão.

- Você vai gostar, prometo.

Saímos do campus e um carro preto nos esperava. Justin abriu a porta para mim, e eu entrei, curiosa. Durante o caminho, tentei arrancar informações, mas ele só ria e desviava do assunto.

Após alguns minutos, o carro parou, e eu arregalei os olhos.

- Justin… -murmurei, surpresa.

Estávamos em frente a um prédio alto e luxuoso. No topo, um terraço iluminado com luzes suaves. Justin desceu do carro e estendeu a mão para mim.

- Confia em mim?

Segurei sua mão, sorrindo.

- Sempre.

Subimos pelo elevador privativo até o terraço, e meu coração disparou quando vi o que ele tinha preparado. Havia uma mesa arrumada para dois, velas espalhadas pelo espaço e uma vista deslumbrante da cidade. O Empire State brilhava ao longe, e o céu limpo estava repleto de estrelas.

- Meu Deus, Justin… -falei, encantada.- Você fez tudo isso?

Ele sorriu, passando a mão pela nuca.

- Bom, eu queria que essa virada fosse especial para você. Não é todos os dias a gente faz dezenove anos, né?

Meu coração derreteu.

- É perfeito.

Ele puxou a cadeira para mim e nos sentamos. Nós comemos enquanto conversávamos sobre tudo e ríamos juntos. A noite estava agradável, e eu me sentia mais feliz do que nunca.

Quando faltavam cinco minutos para a meia-noite, Justin segurou minha mão sobre a mesa e me olhou nos olhos.

- Bruna, você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Desde que te conheci, meu mundo mudou completamente. E eu não imagino minha vida sem você.

Meu peito se aqueceu com suas palavras.

- Eu também não imagino a minha sem você, Jay.

Ele sorriu e olhou o relógio.

- Falta um minuto. Vem cá.

Nos levantamos, e ele me puxou para perto da beirada do terraço. A cidade brilhava abaixo de nós. Ele segurou meu rosto com delicadeza e encostou a testa na minha.

- Feliz aniversário, amor. -sussurrou.

Antes que eu respondesse, ele me beijou. Um beijo calmo, profundo, cheio de sentimentos. Meu corpo inteiro se aqueceu, e eu me entreguei completamente ao momento.

Quando nos afastamos, ouvi um barulho no céu.

- Olha! -exclamei, apontando.

Fogos de artifício estouravam ao longe, iluminando a noite. Meu coração acelerou com a cena perfeita.

- Você pensou em tudo, né? -perguntei, emocionada.

- Você merece tudo. -ele respondeu, entrelaçando nossos dedos.

Ficamos ali, abraçados, assistindo aos fogos e aproveitando o começo de um novo ano na minha vida. Eu não poderia ter pedido um aniversário melhor.

Depois daquele momento mágico no terraço, Justin me puxou pela mão e chamou um carro para irmos a um hotel ali perto. Eu estava nas nuvens com tudo o que ele tinha preparado, e a ideia de terminarmos a noite juntos, só nós dois, me fazia sorrir.

Chegamos ao hotel, e Justin caminhou com naturalidade até o balcão da recepção. A recepcionista, uma mulher loira e de sorriso fácil, abriu um sorrisão ao vê-lo.

- Ah, já é o segundo Bieber essa noite. -brincou ela.

Justin riu, apoiando os cotovelos no balcão com um ar descontraído.

- Bequinha, quanto tempo!

Eu arqueei a sobrancelha. "Bequinha"? Desde quando ele tinha intimidade com essa mulher?

A recepcionista riu e revirou os olhos.

- Não muda, hein, Bieber?

Antes que minha imaginação fosse longe demais, Justin pegou minha mão e me puxou um pouco mais para perto.

- Rebecca, essa é minha namorada, Bruna.

Aquela apresentação aqueceu meu peito e apagou qualquer faísca de ciúme. Sorri educadamente para Rebecca, que me cumprimentou com simpatia.

- Becca, tem alguma chance da suíte presidencial estar disponível? -ele perguntou casualmente.

Rebecca negou com a cabeça, rindo.

- Ahn-ahn, já foi ocupada.

- Sério? Por quem?

- Senhorita Bieber.

Ele arqueou a sobrancelha.

- Marina tá aqui?

Rebecca confirmou, e ele balançou a cabeça, rindo.

- Era só o que me faltava. -murmurou.

Eu ri também. Claro que Marina estaria ali. Ela nunca perdia uma oportunidade de viver com estilo.

- Bom, já que minha irmã monopolizou a suíte presidencial, o que mais você tem pra gente, Bequinha?

Rebecca digitou algo no computador e, após alguns segundos, pegou uma chave magnética.

- Esse quarto não é uma suíte presidencial, mas é quase tão bom quanto.

Justin pegou a chave e sorriu.

- Se tem uma cama confortável e a minha garota, já é perfeito.

Rebecca sorriu, entregando a chave para ele.

- Divirtam-se, Bieber.

Justin passou o braço ao redor da minha cintura e me guiou até o elevador. Quando as portas se fecharam, ele me puxou para um beijo longo e cheio de significado.

- Você é minha garota. -ele sussurrou contra meus lábios.

- Sempre. -respondi, sentindo meu coração disparar.

A noite estava longe de acabar, e eu mal podia esperar para ver o que mais Justin tinha reservado para mim.

Assim que chegamos ao andar do nosso quarto, Justin segurou minha mão e me guiou pelo corredor, observando os números das portas até encontrar a certa. Ele passou a chave magnética na fechadura, e a luz verde piscou, liberando a entrada.

Quando a porta se abriu, fiquei surpresa com o tamanho do quarto. Não era a suíte presidencial, mas definitivamente era luxuoso. O ambiente era moderno, com móveis elegantes e uma iluminação suave que criava um clima aconchegante. Havia uma cama king-size no centro, com lençóis impecavelmente brancos, e uma sacada que provavelmente tinha uma vista incrível da cidade.

- Tá satisfeita, senhorita Santana? -Justin perguntou, se apoiando no batente da porta com um sorriso convencido.

- Nada mal, Bieber. -provoquei, entrando no quarto e deslizando a mão pelo tecido da colcha macia.

Ele trancou a porta atrás de nós e largou as chaves na mesinha de cabeceira. Em seguida, tirou a jaqueta e jogou no sofá que ficava próximo à sacada.

- Eu sei que foi de última hora, mas eu queria terminar essa noite com você, só nós dois, sem ninguém pra interromper.

Sorri, sentindo meu coração se aquecer com as palavras dele.

- E você conseguiu. -respondi, caminhando até ele e entrelaçando meus braços ao redor do seu pescoço.

Justin deslizou as mãos pela minha cintura, nos aproximando ainda mais.

- Feliz aniversário, minha princesa. -ele sussurrou antes de me beijar.

O beijo começou lento, cheio de carinho, mas logo se intensificou. Eu me sentia leve, feliz, exatamente onde deveria estar.

Depois de um tempo, Justin se afastou um pouco e segurou meu rosto entre as mãos.

- Tenho mais uma surpresa pra você.

- Tem? -perguntei curiosa.

Ele pegou o celular e colocou uma música para tocar no Bluetooth do quarto. A melodia suave de "Kiss Me" de Ed Sheeran começou a encher o ambiente, e eu sorri na mesma hora.

- Como você sabe que essa é minha favorita?

- Eu sei tudo sobre você.  -ele sorriu, me puxando para dançar ali mesmo, no meio do quarto.

Eu ri enquanto girava nos braços dele, meu coração batendo no ritmo perfeito com o dele.

- Eu te amo, Justin.

Ele me olhou nos olhos, e eu vi ali todo o amor e carinho que ele tinha por mim.

- Eu também te amo, Bru. Muito.

Justin me deitou com todo o cuidado na cama, como se eu fosse algo precioso. O colchão era incrivelmente macio, e eu senti meu corpo afundar levemente enquanto ele pairava sobre mim, seus olhos me encarando com um misto de ternura e desejo.

Ele afastou delicadamente algumas mechas do meu rosto, seus dedos deslizando pela minha pele de forma suave. Um arrepio percorreu meu corpo inteiro.

- Você é linda… -ele sussurrou, como se fosse um segredo só nosso.

Meu coração martelava forte dentro do peito. Levantei uma das mãos e deslizei os dedos pelo rosto dele, sentindo sua pele quente sob meu toque.

- E você é perfeito…

Ele sorriu, aquele sorriso torto que fazia meu coração derreter, e inclinou a cabeça, encostando seus lábios nos meus em um beijo lento e cheio de carinho. Seus dedos deslizavam pela minha pele, me explorando com paciência, como se cada toque fosse uma declaração silenciosa.

Os beijos se intensificaram, as carícias se tornaram mais ousadas, e logo não havia mais espaço entre nós. Nos entregamos um ao outro de forma natural, entre sussurros e risadas baixas, embalados pela melodia suave de Kiss Me, que ainda ecoava no quarto.

Cada momento ao lado de Justin era único, e essa noite não seria diferente.

Eu adormeci em seu peito após aquela noite perfeita. No outro dia cedo, acordei com meu celular tocando. Me espreguicei na cama antes de ver que era minha mãe me ligando em videochamada. Me cobri com o lençol, já que ainda estava despida, e atendi fingindo agir com naturalidade. Justin ainda dormia ao meu lado.

Quando entrei na videochamada, vi minha mãe ao lado do meu pai, e Luan entrou ao mesmo tempo que eu. Antes que eu dissesse qualquer coisa, nossos pais começaram a cantar parabéns para nós em português.

Fiquei com vergonha quando Justin se mexeu ao meu lado, murmurando alguma coisa sonolento. Tentei disfarçar, sorrindo para a câmera. Minha mãe estava emocionada, dizendo como sentia nossa falta, pois era o primeiro aniversário que passávamos longe. Mas logo estaríamos juntos novamente.

- Estamos planejando ir para Nova York. -meu pai contou animado.- Assim, poderemos conhecer a namorada do Luan e seu namorado, Bruna.

Senti meu coração acelerar um pouco. Minha mãe sorriu e completou:

- Seu namorado é muito bonito, filha.

Revirei os olhos, rindo. Antes que pudessem notar qualquer coisa estranha, me apressei a encerrar a conversa. Justin se remexeu outra vez, e eu inventei uma desculpa rapidamente:

- Ah, Marina está me chamando, preciso ir! -falei apressada.

Meus pais se despediram e desligaram primeiro. Agora, só restavam Luan e eu na chamada. Mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Marina apareceu ao lado dele, cruzando os braços com um sorriso malicioso.

- Engraçado... -ela disse, arqueando uma sobrancelha.- Como eu estava te chamando se nem estamos no mesmo lugar?

Luan começou a rir, me acompanhando.

- Pegamos você no pulo, maninha! -ele debochou.

Soltei uma risada, jogando a cabeça para trás.

- Ai, cala a boca, vocês dois! -reclamei, ainda rindo.

Justin finalmente abriu os olhos e murmurou sonolento:

- O que foi? Que barulho é esse?

Marina e Luan começaram a gargalhar. Eu só podia estar pagando todos os meus pecados naquele momento!

Assim que desliguei a chamada com Luan e Marina, me acomodei novamente na cama ao lado de Justin, que ainda estava meio sonolento. Ele abriu os olhos devagar e sorriu para mim.

- Bom dia, amor. -falei.

- Bom dia, aniversariante. -ele disse, com a voz rouca de sono.

Sorri de volta e nos beijamos lentamente. O beijo começou suave, mas logo virou um daqueles beijos preguiçosos e apaixonados de quem não tem pressa de sair dali. Mas eu sabia que precisávamos levantar.

-'Vamos tomar banho. -sugeri, me espreguiçando.

Justin resmungou alguma coisa sobre ficar na cama o dia inteiro, mas acabou concordando. Levantei primeiro e corri para o banheiro, mas, antes que eu chegasse lá, ele pulou da cama e veio atrás de mim. Gritei, rindo, e corri mais rápido.

- Ei, volta aqui! -ele exclamou, rindo também.

Eu entrei no box primeiro e liguei o chuveiro, deixando a água morna cair sobre mim. Mas, antes que eu pudesse relaxar, Justin entrou também, rindo como uma criança.

- Peguei você! -ele me abraçou por trás e me encheu de beijos no pescoço.

Soltei uma risada e me virei para ele. 

- Você parece um menino de cinco anos correndo pela casa.

- E você adorou. -ele retrucou, convencido.

Revirei os olhos, mas não consegui segurar o riso. A água escorria por nossos corpos enquanto continuávamos brincando, empurrando um ao outro de leve e rindo como dois idiotas apaixonados. Era assim que eu queria passar meu aniversário: leve, feliz e ao lado de Justin.

Mais tarde, de volta ao campus, eu e as meninas estávamos no meu quarto, nos arrumando para ir ao boliche. 

- Eu vou arrasar hoje! -Virgínia disse, passando batom vermelho no espelho.- Quero ver quem vai me vencer no boliche!

- Você? Arrasar? -Olivia debochou, jogando uma almofada nela.- Da última vez, você jogou a bola e quase acertou o garçom, lembra?

- Isso foi um erro técnico! -Virgínia se defendeu, cruzando os braços.

Eu ri enquanto prendia meu cabelo em um rabo de cavalo. Estava tentando decidir se usava uma blusa vermelha ou preta.

- Marina, me ajuda aqui. Qual fica melhor?

Ela analisou com um olhar crítico.

- Vermelha. Combina mais com você, e, além disso, aposto que Justin vai gostar.

Olivia soltou um assobio provocativo, e eu joguei um travesseiro nela.

- Ai, ai, ai, Bruna tá querendo impressionar o namorado! -ela disse, gargalhando.

- E você, Marina? Que roupa vai usar? -perguntei, tentando mudar de assunto.

- Já escolhi! -Marina ergueu um vestido preto de manga longa e um coturno estiloso.- É confortável e estiloso. E vou chutar traseiros no boliche com classe!

- Aposta quanto que você perde pro Luan? -Olivia provocou.

- Perder pro Luan? -Marina bufou.- Eu posso ser péssima em esportes, mas eu tenho sorte! É isso que importa!

Virgínia revirou os olhos.

- Sorte não ganha jogo, querida. Técnica e talento, sim.

- Ah, então você já perdeu! -Marina zombou.- Porque você não tem nenhum dos dois!

Todas nós caímos na risada. Terminamos de nos arrumar, pegamos nossas bolsas e saímos animadas para encontrar os meninos. Essa noite prometia ser cheia de diversão e competição!

Quando encontramos com os meninos no jardim central, Justin sorriu ao me ver e disse:

- Uau, minha aniversariante está incrível.

Sorri, satisfeita com o elogio, e lhe dei um selinho. Logo decidimos pegar o metrô para irmos ao boliche. Fomos caminhando até a estação mais próxima, conversando sobre assuntos aleatórios e rindo de coisas bobas.

Ryan, do nada, soltou:

- Vocês não vão acreditar na fofoca que eu fiquei sabendo hoje.

- Ai, lá vem. -disse Olivia, rolando os olhos, mas com um sorrisinho curioso.

- Juro por Deus, essa é pesada. -Ryan continuou.- Fiquei sabendo que a Lauren tá dormindo com um professor.

Todos paramos por um segundo, chocados. Virgínia foi a primeira a reagir:

- Como assim?! Quem te contou isso?

- Fontes seguras. -Ryan respondeu, misterioso.- Mas vocês sabem como ela é, né? Sempre gostou de um atalho.

Todos rimos e então, do nada, Anthony soltou:

- Mas a Lauren já não dormiu com metade do campus? Luan incluso?

Marina imediatamente revirou os olhos, enquanto eu ria, olhando pra ela. Luan, sem se abalar, respondeu:

- Passado é passado, irmão.

Já Anthony foi mais longe:

- Só sei que ela é gostosa, mas uma morta na cama. Nem gemia.

Todos explodiram em risadas, inclusive Marina, que a princípio parecia um pouco enciumada. Olivia chegou a tossir de tanto rir, e Justin balançou a cabeça:

- Vocês não prestam.

Assim que desembarcamos do metrô, ainda rindo das besteiras que falamos no caminho, nos deparamos com a fachada iluminada da pista de boliche. O lugar tinha um clima animado, luzes coloridas e um cheiro delicioso de batata frita e refrigerante no ar. O som das bolas rolando nas pistas e dos pinos caindo criava o ambiente perfeito para uma noite divertida.

Assim que entramos, fomos direto até o balcão para pegar os sapatos próprios para o jogo. Marina torceu o nariz ao calçar os dela. 

- Isso aqui já deve ter passado por uns mil pés, né? -ela resmungou, fazendo todos rirem.

- É, mas pelo menos não vai precisar pagar pedicure depois, porque seu pé vai sair lixado daqui. -brincou Olívia, provocando ainda mais risadas.

Nos dirigimos até nossa pista reservada e organizamos os times:

Luan e Marina

Justin e eu

Virgínia e Anthony

Olívia e Ryan

Cada dupla jogava por um time, ou seja, seria uma disputa entre nós quatro. Pegamos nossas bolas de boliche – cada um escolhendo o peso ideal – e nos posicionamos para começar a primeira rodada.

Ryan foi o primeiro a jogar e, no momento em que soltou a bola, todos se inclinaram para ver o resultado. A bola foi reta… e direto para a canaleta. Todos explodiram em risadas.

- Isso foi só aquecimento, tá? -ele disse, tentando manter a pose.

- Claro, claro. -Virgínia debochou.- Quer que eu peça uma rampa pra você?

Na rodada seguinte, Luan acertou um strike logo de cara. Marina levantou os braços animada e deu um beijo nele. 

- Isso aí, amor! Estamos na frente! -comemorou.

- Relaxa, ainda tem muito jogo. -retruquei, pegando minha bola e me posicionando. Com cuidado, joguei e derrubei oito pinos.

Justin se inclinou ao meu ouvido. 

- Se ganhar, tem prêmio? -perguntou, com um sorriso malicioso.

Eu ri. 

- Se perder, tem castigo.

- Gosto de como você pensa. -ele respondeu, antes de jogar sua bola e acertar um spare.

O jogo continuou animado, com provocações saudáveis entre os times. Anthony fez questão de exagerar toda vez que acertava um strike, jogando beijo para a torcida imaginária. Olívia, por outro lado, ameaçou jogar a bola nele caso ele continuasse se achando tanto.

- Ah, qual é! Vocês só estão com inveja da minha técnica impecável. -Anthony brincou, girando a bola nos dedos como se fosse um basquete.

Quando foi a vez de Marina, ela pegou a bola com confiança, respirou fundo e lançou… só para a bola ir direto para a canaleta.

- MEU DEUS, O QUE FOI ISSO? -ela exclamou, colocando as mãos no rosto.

- Um fracasso, claramente. -Virgínia zombou, batendo no ombro de Marina.

- Isso foi uma estratégia! Agora eles vão subestimar a gente. -Luan disse, tentando animar Marina.

Anthony riu. 

- Só se a estratégia for perder mesmo.

Seguimos jogando, pedindo petiscos e refrigerantes entre as jogadas. 

A noite seguiu nesse clima descontraído, e mesmo com toda a rivalidade do jogo, estávamos nos divertindo muito. O placar final mostrou que Justin e eu vencemos a disputa – para o meu deleite e desespero de Luan, que jurou revanche. Mas o que realmente importava era a bagunça e as risadas que compartilhamos naquela noite inesquecível.

Alguns dias depois...

O ambiente estava agitado na noite do lançamento do primeiro álbum de Justin. As luzes brilhavam intensamente, fotógrafos capturavam cada momento, e a música ambiente preenchia o espaço enquanto convidados e jornalistas aguardavam ansiosos pelo grande momento. Eu, Marina, Luan, Virgínia, Ryan, Anthony e Olívia estávamos ali com ele, dando apoio e tentando acalmá-lo.

Justin, claramente nervoso, conversava à distância com seu empresário. Eu observava de longe, segurando um copo com minha bebida, enquanto conversava distraída com o pessoal. O clima era animado, mas dava para sentir a tensão no ar.

Foi então que a chegada de William, o pai de Justin e Marina, chamou a atenção de todos. Ele entrou acompanhado de uma mulher morena de olhos azuis e uma garota ruiva, com cerca de 17 anos, que era praticamente a cópia de Marina. Não precisei pensar muito para perceber que só poderia ser Melanie, a irmã mais nova de Marina e Justin. Minha suspeita foi confirmada ao notar a reação do grupo. Marina, Virgínia, Olívia, Ryan e Luan já a conheciam e acenaram para ela com familiaridade.

Virgínia se inclinou para mim e, com um sorrisinho travesso, comentou baixinho:

- Meu Deus, o pai da Marina e do Justin é muito gostoso!

Tentei segurar a risada, mas acabei rindo junto, cobrindo a boca discretamente.

- Virgínia, pelo amor de Deus! -murmurei, ainda rindo.

Marina ouviu e revirou os olhos. 

- Você não tem jeito mesmo, né? 

- O que eu posso fazer? Eu sou sincera! -Virgínia respondeu, piscando para mim.

Nesse momento, a mãe de Justin chegou acompanhada de seu marido. Foi então que Justin, ao notar a presença deles, ergueu a mão e me chamou com um gesto sutil. Meu coração acelerou. Eu ainda não conhecia meus sogros e, de repente, estava prestes a ser apresentada para ambos ao mesmo tempo.

Respirei fundo, ajustei meu vestido e fui até ele. Justin segurou minha mão e sorriu para mim antes de se virar para sua família. 

- Pai, mãe, Ashley, Charlie, Mel… essa é a Bruna, minha namorada. Bru, esse é meu pai William, minha mãe Pattie, minha irmã Melanie, Ashley é namorada do meu pai e esse é o Charlie, marido da minha mãe. -Justin me apresentou a cada um.

Senti todos os olhares se voltarem para mim. William foi o primeiro a estender a mão, sorrindo de forma educada. 

- Ah, então você é a famosa Bruna. Finalmente nos conhecemos.

- É um prazer conhecê-los! -sorri de volta, apertando sua mão.

Ashley, a namorada de William, sorriu de forma simpática. 

- Justin fala muito de você. É bom finalmente colocar um rosto no nome.

Charlie também me cumprimentou de maneira educada, enquanto Pattie me olhava atentamente antes de abrir um sorriso caloroso. 

- Você é ainda mais bonita pessoalmente, querida. Justin realmente tem bom gosto.

Sorri, meio sem graça com o elogio, mas antes que pudesse responder, Melanie, que estava ao lado do pai, cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha, olhando de mim para Justin com uma expressão curiosa. 

- E aí, Justin, ela é legal mesmo ou só bonitinha? -provocou.

Justin bufou, rindo. 

- Cala a boca, Mel. Você vai gostar da Bruna, relaxa.

Eu ri, já gostando da atitude divertida de Melanie. Ela parecia ter um espírito parecido com o da Marina, só que com um toque mais jovem e rebelde.

A apresentação correu melhor do que eu imaginava. O nervosismo inicial foi desaparecendo conforme conversávamos e, logo, já parecia que eu fazia parte da família. 

Marina se aproximou com Luan ao seu lado, sorrindo ao ver seu pai. Assim que chegou perto, ela cumprimentou todos, trocando abraços com Melanie, Pattie, Charlie e Ashley, antes de parar diante de William.

- Oi, pai. -ela disse animada.

William abriu um enorme sorriso e a abraçou apertado. 

- Filha! Como você tá? Tá linda como sempre. E aí, Luan, como vai? -ele soltou Marina e estendeu a mão para Luan, mas antes que ele pudesse responder, William o puxou para um abraço de urso.

Luan riu e retribuiu o gesto. 

- Tô bem, senhor William. Que bom ver o senhor de novo.

Marina cruzou os braços e olhou para o pai com um sorriso travesso.

- Pelo gosto você lembra do Luan, né?

William afastou-se do abraço e o analisou por um instante. 

- É CLARO que eu lembro! Como esquecer? -ele bateu no ombro de Luan, rindo.- Agora, me diga uma coisa, Marina... o que esse rapaz tá fazendo contigo?

Marina trocou um olhar divertido com Luan antes de segurar a mão dele e entrelaçar os dedos. 

- Bom, pai... ele agora é meu namorado.

O que aconteceu em seguida fez todos rirem. William arregalou os olhos e quase pulou de felicidade. 

- FINALMENTE! Meu Deus, eu achei que esse dia nunca ia chegar! -ele olhou para Ashley com a expressão mais vitoriosa do mundo.- Você tá vendo isso? Minha filha acordou! Ela escolheu o cara certo!

Marina revirou os olhos, segurando o riso. 

Nossa, pai, obrigada pela sutileza.

Luan riu, um pouco sem graça, mas feliz. 

- Fico feliz que o senhor aprove.

- Aprove? Meu filho, eu devia ter te adotado aquele dia que te conheci pra ver se ela se tocava mais rápido! -William exclamou, ainda animado.

Ashley deu um leve tapa no ombro dele. 

- Will, controle-se. Marina sempre soube o que estava fazendo.

- Nem sempre! Mas dessa vez ela acertou! -William retrucou, fazendo todos rirem novamente.

Marina suspirou dramaticamente e olhou para Luan. 

- Tá vendo o que eu passo?

Luan sorriu e apertou a mão dela. 

- Acho que agora eu passo também.

O grupo inteiro caiu na risada, e a noite seguiu cheia de brincadeiras e conversas animadas.

Enquanto todos conversavam e se cumprimentavam, um fotógrafo se aproximou, segurando sua câmera profissional e sorrindo para Justin.

- Bieber, posso tirar uma foto sua com a "primeira-dama"? -ele perguntou, em um tom descontraído.

Eu não consegui segurar o riso com o jeito que ele falou, e Justin também deu uma risadinha, lançando um olhar divertido para mim.

- O que acha, gatinha? -ele perguntou, com aquele olhar brincalhão que eu adorava.

- Claro. -respondi, ajeitando meu cabelo rapidamente.

Nos afastamos um pouco do pessoal, nos posicionando para a foto. Justin passou um braço pela minha cintura, me puxando para perto, enquanto eu descansava minha mão em seu peito. O fotógrafo nos guiou sobre a melhor pose, sugerindo que nos olhássemos primeiro antes de virar para a câmera. Justin aproveitou a deixa e me lançou um olhar intenso, aquele que fazia meu coração acelerar. Eu ri, um pouco tímida, e então viramos para o fotógrafo, sorrindo enquanto o flash piscava algumas vezes.

- Perfeito! -o fotógrafo disse, checando as imagens.- Vocês dois são muito fotogênicos.

- Bom, eu tenho uma ótima companhia. -Justin respondeu, me dando um beijo rápido na testa.

Eu revirei os olhos de leve, mas sorri. No fundo, eu adorava esses momentos com ele.

- Posso tirar mais algumas? -o fotógrafo perguntou, animado.

- Desde que você mande as melhores para a gente depois. -Justin brincou.

Tiramos mais algumas fotos, experimentando poses espontâneas, e, depois de alguns minutos, voltamos para junto do grupo, onde todos pareciam animados e aguardando pelo grande momento do lançamento do álbum.

O momento tão esperado finalmente chegou. As luzes do ambiente diminuíram um pouco, e um microfone foi entregue a Justin. Ele se posicionou no pequeno palco montado no salão e respirou fundo antes de falar.

- Bom, antes de tudo, queria agradecer a cada um de vocês por estarem aqui hoje. Esse é um momento muito especial pra mim. Desde criança, sonhei com isso, e agora esse sonho tá se tornando realidade. Mas nada disso seria possível sem o apoio de tantas pessoas incríveis. Minha família, meus amigos, meu empresário, e claro, minha namorada. -ele sorriu, parecendo emocionado e eu sorri.- Então, oficialmente, digo a vocês que... "My World" nasceu!

O salão explodiu em aplausos e assobios animados. Pegamos nossos celulares e abrimos o Spotify ao mesmo tempo. Ali estava ele, oficialmente, com um perfil de artista, com um álbum completo disponível para o mundo inteiro ouvir.

Sorri orgulhosa enquanto olhava para Justin, que parecia radiante de felicidade. Seu olhar encontrou o meu por um breve momento, e ele me deu um sorriso que fez meu coração acelerar.

- E pra tornar essa noite ainda mais especial, junto com o álbum, meu primeiro clipe profissional também está no mundo!

As cortinas ao fundo se abriram, revelando uma grande tela. De repente, a introdução de "Baby" começou a tocar e o clipe começou a rodar.

Meu coração disparou. Eu tinha acompanhado de perto aquela gravação, cada detalhe, cada cena. Era surreal ver tudo pronto, na tela, como um verdadeiro clipe profissional.

- Nossa, que produção incrível! -Virgínia comentou, com os olhos brilhando. 

- Tá muito foda! -Anthony acrescentou, Justin se apresentou de nós.

- Esse é o começo, maninho! -Ryan disse, dando um soquinho no ombro de Justin, que ria, visivelmente emocionado.

No clipe, Justin aparecia em um boliche, rodeado de amigos, e logo depois entrava a participação de Ludacris. Eu sorri, lembrando dos bastidores, de como Justin estava empolgado pra gravar, de como ele tinha ficado animado ao me ver no set naquele dia.

Enquanto todos assistiam, olhei para ele. Justin não piscava, parecia absorver cada segundo, como se quisesse gravar esse momento na memória para sempre. Quando o clipe terminou, houve uma explosão de aplausos e gritos de empolgação.

- ISSO SIM É UM ESTREIA! -Luan gritou, batendo palmas.

- Justin Bieber no topo! -Olívia brincou, e todos riram.

Justin foi até o pequeno palco novamente, pegou o microfone de novo, um brilho nos olhos.

- Obrigado, de verdade. Isso significa muito pra mim. E saibam que esse é só o começo! Fiquem com o álbum My World. 

Os aplausos continuaram, enquanto começava a o álbum, ele veio ao meu encontro e eu me aproximei, passando meus braços ao redor dele.

- Estou tão orgulhosa de você! -sussurrei.

Ele me olhou, os olhos brilhando de emoção.

- Isso tudo é tão louco, Bruna... eu realmente consegui.

- E vai conseguir muito mais.

Ele sorriu, antes de segurar meu rosto e me beijar ali mesmo, diante de todos. A noite era dele, e eu não poderia estar mais feliz de fazer parte dela.

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Marina Rhode Bieber Tem 18 anos, é natural de Los Angeles, é meia-irmã de Justin, irmã de Melanie e mora em Nova York, caloura da Columbia. Justin Drew Bieber Tem 18 anos, é natural de London (Canadá), é meio-irmão de Marina e Melanie, mora em Nova York, calouro da Columbia. Luan Rafael Domingos Santana Tem 18 anos, natural de Campo Grande, recém chegado em Nova York, é irmão gêmeo de Bruna, calouro da Columbia. Bruna Domingos Santana Tem 18 anos, natural de Campo Grande, recém chegada em Nova York, é irmã gêmea de Luan, caloura da Columbia. Melanie Marie Bieber Tem 17 anos, natural de Los Angeles, irmã mais nova de Marina e meia-irmã de Justin, estudante do último ano do Ensino Médio. Olivia Sidney Mitchell Tem 18 anos, natural de Londres, mora em Nova York, caloura da Columbia. Virginia Weston Yeardley 18 anos, natural de Washington, mora em Nova York,  caloura da Columbia. Chloe Araya Collins 19 ...

Capítulo 93

Marina Narrando Já era segunda-feira e minha cabeça estava a mil. Eu caminhava pelos corredores do estúdio com uma mão apoiada na barriga já bem arredondada e um café descafeinado na outra, tentando organizar todos os pensamentos que martelavam desde o fim de semana. Eu ter voltado com o Luan… ainda parecia surreal. Quando deitamos no sofá ontem à noite e ele me puxou pra perto, me chamando de “minha namorada” com aquele sorriso bobo, eu senti um alívio no peito que não sabia que precisava. Mas também… tinha o outro lado. O post sobre a Bruna e nossa amizade, explodindo nas redes sociais. Eu vi cada comentário de ódio direcionado a ela e era revoltante. Pior ainda porque, embora os fatos estivessem todos distorcidos, eles não eram totalmente mentira.  Quando cheguei à sala de reunião no set, já estavam todos lá. O elenco completo, produtores, roteiristas, técnicos. Era aquele burburinho animado de sempre, todo mundo empolgado porque a divulgação do segundo filme já ia começar, com ...

Capítulo 91

Luan Narrando  Eu senti meu peito subir e descer rápido, ainda sem conseguir me afastar dela. Marina tava ali, entre os meus braços, a respiração dela quente contra a minha pele, e tudo em mim gritava pra não soltar. Aquela boca… aquele gosto dela… eu não lembrava quanto era viciante até provar de novo. Me sentei melhor no sofá, trazendo-a junto, acomodando-a no meu colo com cuidado por causa da barriga. Ela deixou escapar um riso nervoso quando ajeitei as mãos na cintura dela, quase como se pedisse permissão outra vez. - Você fica linda assim… -murmurei perto do pescoço dela, sentindo o cheiro do cabelo, descendo uma mão até descansar na curva do quadril.- …tão linda que eu fico até meio burro. Ela soltou uma risadinha, mas arfou quando minha mão subiu devagar pelas costas dela, desenhando a curva da coluna por baixo da blusa. Eu sentia a pele dela arrepiar debaixo dos meus dedos. - Luan… -ela murmurou, meio que em protesto, mas sem força nenhuma pra realmente me parar. - Shhh… -p...