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Capítulo 48

Justin Narrando

Eu estava acompanhando em segredo tudo o que Bruna estava fazendo no Brasil, assistindo seus stories e os da Marina também. Só não mandei mensagem para não pressionar e parecer um grudento, até porque a gente ainda não tinha resolvido o que faríamos a respeito de nós. Mas estava torcendo para que ficássemos juntos. Eu não escondia de ninguém o quanto sou apaixonado por ela.

Na segunda-feira, enquanto eu ia de uma aula para outra, recebi uma mensagem de Scooter.

"Preciso de você no estúdio amanhã. Temos uma música nova para gravar e um feat especial."

"Sério? Quem é o feat?"

"Surpresa. Mas confia em mim, isso vai ser grande."

Meu coração acelerou. Eu sabia que Scooter estava apostando alto em mim, mas não imaginava que as coisas começariam a acontecer tão rápido. Passei o resto do dia ansioso, tentando imaginar quem seria esse feat misterioso.

Na terça-feira de manhã, cheguei ao estúdio e, para minha surpresa, Ludacris estava lá. Meus olhos se arregalaram. Eu cresci ouvindo ele, e agora estava prestes a gravar uma música ao seu lado?

- Então você é o garoto prodígio de quem todo mundo anda falando? Prazer, Justin. Tô animado pra essa faixa.

Tentei não parecer um fã impressionado, mas por dentro eu estava surtando.

- O prazer é todo meu! Não acredito que vou gravar uma música com você.

Scooter riu e entregou para mim a letra da música.

Passei os olhos pelas linhas e logo me apaixonei pela melodia. Era chiclete, envolvente, do jeito que eu gostava. Ludacris já tinha suas partes prontas, e eu sabia que precisava dar o meu melhor.

Passamos as próximas horas gravando os vocais. No começo, fiquei um pouco nervoso, mas depois me soltei. Ludacris me deu algumas dicas, e Scooter ficou ali, empolgado, dizendo que esse seria o meu grande momento.

Eu estava sentado no sofá do estúdio, observando Ludacris gravar sua parte da música. A batida da faixa estava tomando forma, e eu aproveitei a pausa para dar uma olhada no meu Instagram. Fui direto pros stories, na esperança de ver o que Bruna estava fazendo no Brasil. Vi que elas estavam em um bloquinho de rua, ambas com camisetas do Brasil, se divertindo no meio da folia. Sorri sozinho quando vi a Marina se sentindo "super brasileira", se jogando no carnaval depois de estar no país há apenas três dias. Ela estava tão empolgada, parecendo uma carioca de longa data, dançando no meio da galera, enquanto Bruna sorria ao lado dela. 

Deslizei mais um pouco e vi que Bruna tinha postado uma foto no feed, das duas dentro de um carro.  

brusantanareal Meu Brasil, minha energia! Não existe lugar como aqui! 💚💛 @marinabieber

Fiquei ali, observando a foto e os comentários que começaram a aparecer. Me senti um pouco distante de tudo aquilo, mas também feliz por elas estarem aproveitando tanto. Ao mesmo tempo, meu coração apertava um pouco. Não conseguia evitar o quanto desejava estar lá, junto delas, aproveitando aquele momento, principalmente com Bruna. Eu sabia que ela era alguém muito especial para mim, mas ainda estávamos em um limbo, sem saber exatamente o que seríamos ou o que nos esperava.

Após acabarmos as gravações, o clima no estúdio ficou mais tranquilo. Scooter e eu acertamos os detalhes do dia da gravação do clipe. Ele me explicou a logística, os horários e o que esperavam de mim para aquele momento. Quando tudo estava resolvido, ele me dispensou para que ele pudesse cuidar de outros assuntos. Porém, antes de eu sair, algo me pegou de surpresa. Fiquei ali, sozinho com ele, quando aproveitei a chance para perguntar.

Me aproximei de Scooter e, com um pouco de hesitação, perguntei:

- Ei, meu professor te mandou algum outro clipe, além do meu?

Scooter olhou pra mim com um sorriso, mas antes de responder, pareceu pensar por um momento.

- Não, só o seu.

- É que eu tenho um amigo, Luan, que estuda comigo, ele é muito talentoso e tem o sonho de ser cantor, mas o estilo dele é diferente do meu. Ele canta em português e no gênero sertanejo. Talvez você não esteja procurando algo assim, mas... sei lá, pensei que poderia ser interessante.

Scooter me olhou, pensativo, antes de responder.

- Eu não estou procurando alguém nesse estilo agora, mas vou te dizer, conheço um cara que poderia se interessar por ele.

Eu não acreditei muito no que estava ouvindo, mas a esperança começou a crescer em mim.

- Ah, sério? Você pode dar uma chance pra ele? Eu só... não queria que ele perdesse a oportunidade.

Scooter acenou com a cabeça.

- Me passa o contato dele. Vou fazer um favor a você.

Eu, então, rapidamente peguei meu celular e mandei o número de Luan, Scooter olhou para o telefone enquanto eu aguardava ansioso. Então, com a mesma rapidez que ele olhou o número, ele já estava digitando uma mensagem para outro empresário, mentindo dizendo que havia recebido o clipe de Luan, contou que ele estudava na Columbia, além de destacar que ele tinha um grande potencial na música.

Scooter apertou enviar e, sem olhar pra mim, disse:

- Eu passei o contato pra ele agora. Mas é melhor o Luan ser bom, viu? Porque se não for, não vou ficar muito feliz. E me manda esse clipe dele assim que conseguir.

Eu me senti em paz, mas também um pouco nervoso, sem saber o que aconteceria a seguir.

- Cara, por favor, não conta pra ninguém que eu falei sobre ele com você, tá? Eu só não queria que ele perdesse essa chance.

Scooter sorriu de novo, tentando parecer mais tranquilo, mas com um olhar sério.

- Pode ficar tranquilo, eu não vou falar pra ninguém. Só espero que o cara tenha talento de verdade.

Eu assenti, sentindo uma mistura de alívio e apreensão. Agora, a bola estava com Luan. Eu só torcia para que essa chance fosse realmente algo que mudaria a vida dele, como estava mudado a minha.

Na quarta-feira, acordei com o celular vibrando na minha mesa de cabeceira. Era uma mensagem de Bruna. O coração deu um salto só de ver o nome dela na tela.

A mensagem dizia:

"Oi, Justin. Desculpa por não ter falado com você nos últimos dias. Eu realmente precisava de um tempo pra pensar sobre nós dois, sobre tudo. Eu estou no aeroporto agora, indo de volta pra Nova York. Vou chegar bem cansada hoje, mas eu realmente gostaria de conversar com você amanhã, depois das aulas. Você pode?"

Eu fiquei parado por alguns segundos, olhando para a tela. Um monte de pensamentos invadiu a minha mente ao mesmo tempo. Eu estava tão feliz que ela ainda queria conversar, mas ao mesmo tempo sentia aquele peso no peito de não saber o que ela realmente pensava sobre tudo isso. Será que ela estava com dúvidas? Ou seria que ela estava esperando algo de mim?

Respirei fundo e comecei a digitar:

"Claro, Bruna. Eu também acho que precisamos conversar. Fico feliz que você queira isso. Me avise quando chegar, que eu vou estar esperando. Tenha uma boa viagem de volta."

Enviei a mensagem e fiquei ali, imóvel, tentando controlar a ansiedade. Eu queria que as coisas entre a gente desse certo. Queria muito saber o que ela estava pensando, mas, ao mesmo tempo, estava com medo de ouvir o que poderia ser uma resposta definitiva. Mas eu sabia que tinha que ser paciente e ouvir o que ela tinha a dizer.

Me arrumei rápido e fui direto pro refeitório encontrar os caras para o café da manhã. Peguei ovos mexidos com bacon, um suco de laranja e me sentei com Anthony, Luan e Ryan, que já estavam lá jogando conversa fora.

- Finalmente, Bieber! Achei que tinha morrido na cama. -Anthony debochou, mordendo um pão com geleia.

- Dormir é importante, cara. Mas eu não ia perder a chance de ver a cara amassada de vocês logo cedo. -retruquei, pegando meu garfo.

A conversa começou com esportes, como sempre. Ryan estava empolgado com o jogo de basquete que ia rolar no fim de semana.

- Cara, a gente tem que ir. Columbia contra Yale, vai ser insano! -ele disse, gesticulando animado.

- Não sei, eu tava pensando em dormir. -Luan respondeu, fingindo bocejar.

- Você precisa de um pouco de emoção na sua vida, irmão. Viver nessa sofrência não dá. -Anthony provocou.

Enquanto comíamos, começamos a ver as garotas passando pelo refeitório. Anthony fez questão de fazer comentários sobre cada uma que ele já tinha ficado.

- Mano, sem dúvidas, a garota mais gostosa que eu já fiquei foi a Virgínia. -ele afirmou, balançando a cabeça em aprovação.

- Sério? -Luan arqueou as sobrancelhas.- Não acho ela tudo isso, não.

- Cala a boca, você namoraria ela fácil! -Anthony retrucou.

- Não mesmo. -Luan riu, tomando um gole de café.

- Eu sonho em ficar com a Chloe um dia. -Ryan suspirou dramaticamente.

- Você sonha alto, hein? -provoquei, rindo.

- Ah, qual é! Ela é incrível! -Ryan insistiu.

- Luan já ficou com ela, né? -Anthony lembrou, olhando para ele com um sorriso de lado.

- Um surto coletivo. -comentei, balançando a cabeça, e os caras caíram na risada.

- Eu só não entendo como você parou de ficar com a Chloe achando que ia conseguir algo com a Marina. -Anthony disse, apontando o garfo para Luan.

- Você só fala isso porque levou um fora dela. -Luan rebateu, sem nem piscar.

- Isso aí foi golpe baixo. -Anthony colocou a mão no peito fingindo estar ofendido, e nós rimos.

- Agora, o que realmente me deixa indignado é outra coisa. -Ryan falou, jogando o guardanapo na mesa.- Eu tô há meses tentando algo além de beijos com a Olívia e nada! Mas no momento em que ela resolve dar em cima de alguém com segundas e terceiras intenções, é justo do Luan, e ele nem dá bola!

- Eu não fico com nenhuma amiga da Marina. -Luan deu de ombros.

- Mano, me explica essa lógica! -Ryan abriu os braços.

- É a lógica da sofrência, meu amigo. O Luan nasceu para viver de saudade e amor impossível. -Anthony riu.

- Aham, porque o seu amor impossível não é a Virgínia, né? -Luan rebateu.

- Ok, ponto pra você. -Anthony levantou as mãos, rindo.

Anthony tomou um gole do suco e perguntou.

- E aí, quando as meninas voltam?

Luan e eu respondemos ao mesmo tempo, mas com respostas diferentes.

- Não sei. -Luan disse, dando de ombros.

- Já estão voltando. -falei, e no mesmo instante Anthony e Ryan se entreolharam, com expressões maliciosas.

- Ihhh… -Ryan riu.- Pelo visto, Luan tá levando um gelo da Marina enquanto o Bieber aqui tá cheio de papinho com a Bruna.

- Que? Não, nada a ver. -levantei as mãos.- A gente só trocou mensagens hoje de manhã, só isso.

- Aham, sei. -Anthony debochou, cruzando os braços.

Luan balançou a cabeça e explicou:

- Eu só tô dando um tempo pra Marina depois da festa de sexta passada.

- Tempo ou esperando ela vir atrás? -Ryan provocou, e Luan revirou os olhos.

- Agora, vou falar uma verdade. -Anthony continuou, apontando pra nós dois.- Vocês dois são dois otários se ficarem com elas depois dessa viagem.

- Como é que é? -perguntei, arqueando a sobrancelha.

- Ah, fala sério! -Anthony riu.- Carnaval no Brasil? Você acha que elas não passaram o rodo enquanto os dois bobões aqui ficaram esperando por elas? Principalmente a Marina.

Senti um incômodo no peito, mas me mantive calado. Luan, no entanto, franziu o cenho e perguntou com um tom irritado:

- E por que você tá falando isso, especificamente sobre a Marina?

Ryan murmurou um "vixe" e eu já sabia que vinha besteira por aí.

- Ah, por favor! -Anthony riu de novo.- É meio óbvio. Marina é, digamos… bem rodada.

Minha paciência foi pro espaço. Senti meu sangue ferver e larguei o garfo na mesa com um estrondo.

- Cala a boca, Anthony. Você não tem moral nenhuma pra falar da minha irmã.

- Sério, mano. -Luan interveio, igualmente puto.- A Virgínia é considerada a garota mais fácil do campus, e você é amarradão nela.

- Exato! -apontei para Luan.- Você só fala isso porque a Marina não quis nada com você. Isso aqui é dor de cotovelo pura.

Anthony abriu a boca pra retrucar, mas Ryan colocou as mãos pra cima.

- Tá, calma aí, antes que vocês saiam no soco no meio do café da manhã!

O clima ficou tenso, mas Anthony apenas bufou e voltou a comer, enquanto eu e Luan trocávamos olhares, ainda irritados com a merda que ele tinha falado.

À noite, deitado na minha cama, eu tentava focar em qualquer coisa, menos no fato de que Bruna já deveria ter chegado a Nova York. Eu queria saber se ela tinha chegado bem, se já estava descansando, mas me segurei para não mandar mensagem e parecer ansioso demais.

Peguei o celular e abri o Instagram, rolando o feed sem muito interesse, até que vi uma nova postagem da Marina. Ela tinha feito um dump de fotos, agradecendo pelos dias incríveis no Brasil.

marinabieber Brasil, obrigada por tudo! Já morrendo de saudades! 💚💛

Revirei os olhos com a dramaticidade da minha irmã. Ela ficou lá há o quê? Quatro dias? Mas mesmo assim, não pude evitar um pequeno sorriso.

Claro que não pude deixar de curtir as fotos, afinal, a maioria era dela com Bruna. Além disso, Marina sabia tirar fotos muito bem, e eu gostava de ver minha irmã feliz.

Deixei um comentário simples, mas provocativo:

"Pelo visto aproveitaram bem, hein? Louco para ouvir as histórias"

Enquanto rolava as imagens de novo, me deparei com duas que me fizeram rir. Duas delas mostravam Bruna e Marina aparentemente bêbadas, Marina parecia até vesga de bêbada.

A outra foto que me chamou atenção foi Marina pegando carona na garupa de uma moto com um cara aleatório.

Balancei a cabeça e ri baixo. Marina realmente viveu intensamente esses dias. Só esperava que ela não tivesse feito nenhuma besteira. Ou melhor, que não tivesse feito algo que eu precisasse resolver depois.

Quando cheguei ao refeitório, lá estavam elas. Ou melhor, ela. Bruna estava toda radiante, com um bronzeado que realçava ainda mais a beleza natural dela. Marina estava ao lado, junto com Olívia e Virgínia, todas animadas conversando e rindo.

Anthony, Ryan, Luan e eu pegamos nosso café e fomos sentar com elas, todos curiosos para ouvir as histórias da viagem. Assim que nos acomodamos, Marina já começou a contar, gesticulando animada:

- Cara, os brasileiros comem espiga de milho na praia! Tipo, cheia de areia! -ela fez uma careta exagerada, e eu ri, porque já imaginava que ela ia reparar nessas coisas.

- Cheia de areia não, exagerada. -Bruna corrigiu, revirando os olhos.

- Ah, mas eu vi uns limpando o milho antes de comer, certeza que era areia! -Marina insistiu, e todo mundo riu.- E o pior é que eles não só comem milho puro, mas fazem um negócio chamado... como é mesmo? Pamona?

- Pamonha! -Bruna corrigiu de novo, segurando o riso.

- Isso! Pode ser doce ou salgada, mas o doce é melhor. Eu comi as duas, claro. -Marina fez uma cara de aprovação, e Anthony riu.

- Vocês ficaram só na comida, ou aproveitaram outras coisas? -Ryan perguntou.

- Outras coisas? -Virgínia arqueou a sobrancelha com um sorriso malicioso, e Ryan pigarreou.

- Digo... turismo, essas coisas. -ele desconversou, e eu ri.

- Ah, claro! A gente adorou tudo. Principalmente a comida! -Marina continuou.- Eu experimentei um tal de açaí, que eu achei que era tipo um sorvete, mas tem gosto meio terroso, e colocam banana e leite condensado, é meio bizarro, mas eu gostei.

- Melhor coisa do mundo. -Bruna comentou.

- Coxinha também! -Marina apontou pra Bruna.- Como nunca me contaram que existe coxinha antes? É tipo um salgado recheado com frango e catupiry!

- E o brigadeiro. -Bruna acrescentou.- Marina comeu uns quinze de uma vez no primeiro dia.

- Pequenos, né? Achei que era uma mordida só! -Marina deu de ombros.

- E as bebidas? -Ryan perguntou.

Marina riu e se inclinou para frente, como se fosse contar um segredo. 

- Mano, tomei caipirinha, isso foi o melhor. Caipirinha é um drink alcoólico com limão, açúcar e uma bebida chamada... como era mesmo, Bruna? Cachasa?

Bruna suspirou, segurando o riso. 

- Cachaça, Marina.

- Isso! Eu não parei de tomar a viagem inteira! É perigoso, porque você vai bebendo, bebendo, e quando vê, tá dançando em cima de um carro de som.

- Opa, opa, detalhes! -Anthony interrompeu, animado.

Marina só riu e piscou. 

- Algumas histórias são só para quem estava lá.

Virginia apoiou o cotovelo na mesa e olhou para Bruna e Marina com um sorrisinho malicioso.

- Tá, mas e os caras brasileiros? São gostosos? Beijam bem? E na cama, são bons?

Luan quase engasgou com o café, e eu arqueei as sobrancelhas, rindo de leve. Ryan e Anthony já estavam atentos, esperando as respostas como se fossem ouvir alguma revelação bombástica.

Bruna, no entanto, apenas sorriu e fez um gesto com a mão.

- Isso é assunto só para as garotas.

- Como se a gente tivesse ficado com alguém! -Marina riu, pegando um pedaço de pão e dando uma mordida.

Olívia arregalou os olhos e soltou um sonoro:

- O quê?

- Vocês não ficaram com ninguém? -Virginia perguntou, genuinamente surpresa.

Bruna negou com a cabeça.

- Não. A gente curtiu a praia, a Sapucaí, os bloquinhos de rua… só as duas mesmo.

- Mas não rolou nem um beijo? -Ryan perguntou, incrédulo.

- Os caras chegavam na Marina, e ela não entendia nada! -Bruna explicou, rindo.

Marina bufou. 

- Eu tentava entender, mas era difícil!

- Eu ficava com preguiça de traduzir, e aí acabava que eu também não ficava com ninguém pra não deixar a Marina sozinha. -Bruna completou, dando de ombros.

- Pera, pera… -Anthony olhou para Marina, curioso.- Então quer dizer que se você entendesse o que eles falavam, teria ficado com alguém?

Marina pensou por um momento e depois deu de ombros. 

- Talvez. Ou não. Sei lá!

- Perdeu a chance de pegar um brasileiro raiz. -Ryan provocou.

Marina sorriu de canto e olhou para Luan.

- Bom, tecnicamente já peguei um brasileiro antes…

Luan, que estava bebendo suco, engasgou na hora, tossindo enquanto Ryan e Anthony caíam na risada.

- Ah, essa foi boa! -Ryan bateu na mesa.

Então ela soltou uma risada ao lembrar de algo e olhou para Bruna.

- Mas a única vez que Bruna me deixou sozinha..

Bruna revirou os olhos, já sabendo onde isso ia dar.

- Ai, lá vem…

- Eu montei na garupa de um mototáxi!

- O QUÊ?! -Luan, Ryan e Anthony perguntaram ao mesmo tempo.

Eu, que estava bebendo suco, quase cuspi de tanto rir.

- Não acredito que você fez isso! -Olívia colocou a mão na boca.

 - Como assim? -Virginia perguntou, rindo.

- Eu só fui buscar cerveja! -Bruna se defendeu, rindo também.

- Eu tava dançando e, do nada, um cara me chamou e apontou pra moto. -Marina contou, gesticulando animada.- Eu achei que era tipo um Uber Moto e pensei “Por que não, né?”.

- MEU DEUS! -Bruna exclamou.

- Subi na garupa e saí por aí, vento no rosto, bem brasileira!

- Você nem perguntou pra onde ele ia?! -Ryan perguntou, chocado.

- Detalhes, Ryan, detalhes… -Marina riu.- Ele não falava inglês e nem eu português, então ficou por isso mesmo. A questão é que eu me senti radical!

Anthony se inclinou na mesa. 

- E aí, ele te levou pra onde?

- Graças a Deus, só deu uma voltinha e voltou pro mesmo lugar. Aí a Bruna voltou e quase me matou.

Bruna cruzou os braços. 

- Óbvio! A garota desaparece por cinco minutos e, quando eu volto, ela tá na garupa de um cara aleatório!

Todo mundo na mesa estava rindo, menos Luan, que só balançava a cabeça.

- Eu juro que tento te defender, Marina, mas você não colabora! -falei.

- Eu sou uma aventureira! -Marina jogou o cabelo para trás, rindo.

- Você é uma irresponsável! -Bruna retrucou, rindo junto.

- Depende do ponto de vista. -Marina piscou, e todos voltaram a rir.

Ryan ainda ria, balançando a cabeça.

- Mano, isso é muito aleatório!

- E eu achando que tinha sido doideira o fato de vocês não terem ficado com ninguém! -Anthony disse, ainda meio desacreditado.

Bruna revirou os olhos.

- Ai, gente, sério, Carnaval não é só pegação, sabia?

- Não, não sabia. -Ryan respondeu de imediato, fazendo todos rirem.

- Mas a real é que foi perfeito do nosso jeito -Marina disse, sorrindo para Bruna.

- E vocês pelo menos beberam todas, né? -Virginia perguntou, erguendo uma sobrancelha.

Marina fez um joinha.

- Se tinha uma coisa que a gente não recusava, era caipirinha.

- Eu vi. -eu disse, lembrando da foto delas meio bêbadas no Instagram.

Luan, que até então estava calado, finalmente olhou para Marina.

- Mas e aí, motoqueira fantasma, alguma história não relacionada a álcool e mototáxis?

- Nossa, tá me chamando de alcoólatra agora? -Marina colocou a mão no peito, fingindo indignação.

- Só estou perguntando se teve algum momento em que vocês não estavam fazendo besteira.

- Claro que teve! -Bruna interveio.- A gente viu o desfile das escolas de samba, comemos um monte de comida boa, conhecemos praias maravilhosas…

- E eu virei quase brasileira! -Marina completou, rindo.

- Sim, você com sua camisa do Brasil e seu português errado, se sentindo nativa. -Bruna debochou.

Marina ergueu o nariz.

- Eu sei muito de português agora.

- Então fala uma frase. -Luan desafiou.

Marina pensou por um segundo e depois falou bem devagar:

- Eu gostar de Brasil… muito bom!

Todos caíram na gargalhada, e Bruna só colocou a mão no rosto.

- Meu Deus… nunca mais fala que você aprendeu português!

- Ah, foi quase! -Marina disse, rindo junto.

- Quase não é bom o suficiente, Bieber. -Luan brincou.

- E você, Santana, precisa parar de ser tão ranzinza. -Marina retrucou.

- Não sou ranzinza. -Luan respondeu.- Só estou tentando entender se você voltou mais maluca do que foi.

 - Isso é impossível. -eu brinquei, e mais uma vez todos caíram na risada.

O café da manhã seguiu assim, entre risadas e histórias, e no fundo, eu sabia que estava feliz por tê-las de volta. Mesmo com todas as loucuras de Marina e Bruna, o campus parecia mais animado agora que elas estavam por perto de novo.

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