Marina Narrando
Os dias que passei no Brasil com Bruna foram simplesmente inesquecíveis. Desde o momento em que pisamos no aeroporto até o último dia, parecia que estávamos vivendo em um universo paralelo, onde a única regra era aproveitar. A comida, as praias, o clima, a energia das pessoas... tudo era mágico. Eu ainda conseguia sentir o gosto do açaí na boca, lembrar da sensação da areia quente sob meus pés, das noites em que dançamos até o amanhecer, das risadas que ecoavam enquanto tentávamos ensinar Bruna a fazer uma caipirinha decente.
Mas agora, de volta à realidade, tudo parecia um borrão. As aulas voltaram a ocupar minha rotina, e, para piorar, o drama com Luan e Victor ainda estava fresco na minha mente. Eu tentava me concentrar nas explicações dos professores, mas não conseguia evitar notar como Victor estava agindo estranho comigo. Ele mal olhava na minha cara, evitava qualquer contato e, quando nossos olhares se encontravam, ele desviava rápido. Algo estava errado, e eu tive certeza disso na terceira aula.
Não que eu estivesse com paciência para lidar com isso. Na verdade, eu não estava com paciência para absolutamente nada. Passei tanto tempo tentando deixar os dramas de lado, aproveitando minha viagem, que agora parecia que a realidade tinha decidido desabar sobre mim de uma vez só. Quando o sinal tocou para o intervalo do almoço, eu saí da sala sem nem olhar para trás, mas Victor me chamou antes que eu pudesse escapar.
- Marina, espera. A gente precisa conversar.
Rolei os olhos antes mesmo de me virar. Sabia que isso ia ser uma perda de tempo. Mas parei, cruzando os braços e esperando que ele dissesse o que quer que estivesse engasgado na garganta dele.
- O que foi? -perguntei, impaciente.
Ele hesitou por um segundo, passou a mão pelos cabelos e soltou um suspiro pesado antes de finalmente soltar a bomba:
- Eu li o seu diário. Sei de tudo. Sei que você... que você fez um aborto.
Meu sangue ferveu instantaneamente. O quê? Ele tinha lido o MEU diário? Como ele teve a cara de pau de invadir minha privacidade assim? Eu podia sentir a raiva subir pelo meu corpo como um incêndio prestes a se alastrar.
- O quê? -minha voz saiu mais baixa e carregada de veneno.
- Marina, eu só... eu precisava entender. Você não me contou nada, não me deu nenhuma satisfação, eu tive que descobrir assim...
- E você acha que tem esse direito? -interrompi, minha voz agora firme, cheia de raiva.- De ler meu diário, de invadir minha privacidade? Isso só prova o quanto você é patético, Victor!
Ele engoliu seco, mas não recuou.
- Marina, isso não é só sobre você.
- É sim, Victor! O corpo é meu, a escolha foi minha, e se você tá achando ruim, problema é inteiramente seu! -cuspi as palavras, sentindo meu coração martelar no peito.- Eu não me arrependo de nada. Absolutamente nada. Eu fiz o que era certo pra mim, e tirar satisfação comigo agora não vai mudar absolutamente nada!
Ele me olhava como se tivesse levado um soco no estômago.
- Marina...
- Não, Victor. Eu não quero ouvir nada. Se você tá se sentindo mal, lida com isso sozinho. Eu não te devo satisfação nenhuma.
Sem esperar resposta, virei as costas e saí dali, deixando ele parado no meio do corredor, parecendo um fantasma. Meu coração ainda batia acelerado, minhas mãos tremiam de raiva. Como ele ousava? Como ele teve a cara de pau de fazer isso?
Até perdi a vontade de almoçar. Fui para o jardim do campus, sentir o sol bater no meu rosto. Me sentei no banco e fiquei ali, esperando a raiva que estava sentindo de Victor passar. Até que senti alguém sentar do meu lado. Olhei e era Luan.
Ele ficou em silêncio por um momento, mas seus olhos diziam tudo. Eu suspirei, sentindo meu coração acelerado, e então soltei as palavras que estavam entaladas na minha garganta:
- Eu também te amo.
Luan arregalou os olhos, surpreso, e um sorriso começou a se formar nos lábios dele. Meu coração pulava de felicidade, porque finalmente eu estava onde eu queria estar, com quem eu realmente amava. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, continuei:
- Eu fiquei com medo de ser rejeitada de novo… mas desde o começo foi você. Sempre foi você.
Ele não esperou mais nada. Em um segundo, sua mão já estava na minha nuca, puxando-me para ele, e nossos lábios se encontraram. O beijo foi intenso e romântico, mas ao mesmo tempo delicado, como se ambos estivessem aproveitando cada segundo daquele momento só nosso.
Meu coração parecia que ia explodir de tanta emoção. Era como se todas as peças finalmente tivessem se encaixado. Eu senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, mas dessa vez não eram de tristeza ou confusão, eram de pura felicidade. Eu estava onde deveria estar. Eu estava com Luan.
Ele percebeu minhas lágrimas e afastou um pouco o rosto, me olhando nos olhos, seu polegar limpando suavemente uma lágrima que escorria pela minha bochecha.
- Você tá chorando…
- De felicidade. -respondi com um sorriso, sem conseguir conter mais nada.- Eu tô tão feliz, Luan…
Ele sorriu e me puxou de volta para seus braços, me abraçando forte, como se quisesse me proteger de tudo. E ali, naquele banco do jardim, em meio ao sol brilhando e a leve brisa batendo, eu soube que finalmente estava exatamente onde deveria estar.
Ficamos ali, abraçados, sentindo o calor um do outro, sem pressa. Luan entrelaçou seus dedos nos meus e beijou minha testa com carinho. Eu fechei os olhos, aproveitando cada segundo ao lado dele.
- Promete que a gente vai dar certo? -murmurei contra seu peito.
Ele se afastou um pouco para olhar em meus olhos, segurando meu rosto com suavidade.
- Eu não preciso prometer, Marina. Eu vou fazer isso acontecer.
Senti uma nova onda de emoção me tomar, e antes que uma nova lágrima caísse, ele selou nossos lábios novamente, dessa vez com um beijo mais calmo, mais demorado, como se quisesse me provar que cada palavra sua era verdadeira.
O mundo ao redor desapareceu. Naquele instante, era só eu e ele, e nada mais importava.
Nós caminhamos de mãos dadas até o refeitório, ainda com aquele sorriso bobo no rosto. Olhei para a mesa onde estavam Olívia, Virgínia, Bruna, Anthony, Ryan e Justin, e mal pude conter a empolgação de ver todos ali. Quando Olívia, Virgínia e Bruna nos viram, começaram a gritar e a bater palmas, e logo, a maioria do pessoal no refeitório seguiu o exemplo delas, criando uma onda de palmas e risadas. Eu e Luan paramos no meio daquele tumulto e ele, sem pensar duas vezes, me beijou na frente de todo mundo, fazendo todos os olhares se voltarem para nós. O beijo foi intenso e doce ao mesmo tempo, cheio de felicidade e emoção. Eu não conseguia parar de sorrir, ainda meio sem acreditar que estava vivendo aquele momento ao lado dele.
Depois de alguns segundos, nos afastamos, rindo da reação das pessoas. Caminhamos até nossa mesa, e logo nossos amigos se levantaram para nos abraçar, nos felicitar. Todos estavam sorrindo, e parecia que o campus inteiro estava celebrando a nossa "nova" relação. Ryan foi o primeiro a falar, brincando:
- Agora, Luan, acabou a sofrência, né? -ele deu uma risada, provocando, e todos riram junto.
Luan revirou os olhos, rindo também, e disse:
- Tá, tá, nada de sofrência, prometo.
Justin, que estava mais sério, mas com um sorriso de aprovação, me olhou e depois olhou para Luan. Ele se aproximou dele, bateu em seu ombro e disse, com um tom meio brincalhão, mas também sincero:
- Luan, já que você está com a minha irmã agora, espero que cuide bem dela, viu? Somos amigos, mas se você a magoar, você vai ver só. -ele finalizou com um sorriso irônico, e eu senti um arrepio de leve, mas sabia que Justin só estava me protegendo.
Luan, sem perder a compostura, sorriu de volta e colocou a mão no peito, fingindo estar ofendido:
- Relaxa, mano. Eu vou cuidar dela como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Na verdade, ela é.
Eu sorri pra ele, e todos riram mais uma vez, nos sentamos junto deles, com a sensação de que, finalmente, algo estava certo entre nós. A conversa continuou leve, com risadas, mas também com uma sensação de que aquele momento era só nosso, e nada mais importava naquele instante.
Enquanto estávamos almoçando, a conversa estava tranquila, com todos ainda comentando sobre o nosso novo status de casal, até que um dos docentes do colégio se aproximou da nossa mesa. Ele parecia meio hesitante, como se não fosse querer interromper o momento, mas, com um sorriso educado, se dirigiu a Bruna e a mim.
- Senhoritas Bieber e Santana, desculpem interromper o almoço, mas o senhor Thompson gostaria de falar com vocês imediatamente na sala de reitoria.
Bruna e eu nos entreolhamos rapidamente, um pouco surpresas, mas não questionamos. Levantamos da mesa e seguimos o docente, que nos guiou pelos corredores do campus até a sala da reitoria. Assim que entramos, fomos recebidas por senhor Thompson, um homem de meia-idade, que usava um terno bem alinhado, dando uma impressão de seriedade. Ele se levantou quando entramos e fez um gesto para que nos sentássemos.
- Senhoritas, obrigado por virem rapidamente. -ele sorriu de forma cordial, mas logo seu tom ficou mais sério.- Vou ser direto. Vi que as senhoritas viajaram recentemente sem justificativa para as aulas, e essas faltas sem um motivo formal podem resultar em uma suspensão grave. No seu caso, senhorita Santana, isso é particularmente preocupante, pois a senhora não é cidadã americana e poderia ter sérios problemas com o seu visto de estudante. Há risco de ser deportada para o Brasil.
Bruna ficou pálida ao ouvir aquilo, e sua expressão mudou imediatamente, como se tivesse perdido o ar. Eu também senti uma sensação ruim no peito, mas tentei manter a calma.
- Senhor Thompson, foram só três dias, não é nada demais. -falei, tentando defender nossa viagem.- Nossas notas são excelentes, e raramente faltamos às aulas. Não há razão para isso ser um grande problema.
Ele, então, olhou para nós com uma expressão mais tranquila, mas ainda séria.
- Entendo, senhorita Bieber, mas aqui temos regras, e mesmo que suas notas sejam boas, essa falta sem justificativa foi notada. No entanto, decidimos não aplicar uma punição severa desta vez. Só queremos que as senhoritas entendam a seriedade do que está em jogo. Vocês levarão uma advertência, apenas um aviso. Na próxima vez, as consequências podem ser mais graves.
Bruna parecia um pouco mais aliviada, mas ainda estava visivelmente nervosa. Ela respirou fundo e, com a voz trêmula, se desculpou.
- Eu entendo. Não vou fazer mais isso. Me desculpe, de verdade.
Senhor Thompson assentiu, e com um tom mais suave, completou:
- Não precisa se desculpar, só queremos que fiquem cientes das possíveis consequências. Agora, peço que assinem a advertência, por favor.
Assinamos a advertência com rapidez, e assim que saímos da sala, o peso da situação começou a diminuir. Peguei a mão de Bruna e, tentando amenizar o clima tenso, falei para ela não se preocupar.
- Não se arrepende da viagem, né? Não vale a pena ficar com medo por causa disso. A gente aprende com os erros e segue em frente.
Bruna deu uma risadinha, embora ainda visivelmente nervosa.
- Não me arrependo, mas confesso que fiquei com medo de ser deportada para o Brasil. -ela suspirou, e eu a abracei rapidamente, tentando confortá-la.
- Ah, fica tranquila. -falei com um sorriso brincalhão.- Se alguém te deportar, é só casar com meu irmão, que aí você vai ter um visto permanente nos EUA e nunca mais vai se preocupar com isso.
Bruna riu com a brincadeira, e aquela risada dela foi como um alívio para nós duas. Pelo menos conseguimos relaxar um pouco depois de toda aquela tensão. Eu sabia que, com o tempo, as coisas iam se ajeitar.
Quando voltamos para a mesa, todos estavam com olhares curiosos, prontos para saber o que havia acontecido na reitoria. Bruna, um pouco mais calma, respirou fundo e começou a contar a história. Ela explicou tudo, desde o momento em que entramos na sala do reitor até a parte da advertência. Não demorou muito para os comentários engraçados começarem.
- Então você quase foi deportada? -Anthony perguntou, fazendo cara de surpresa.- Imagina só, a Bruna sendo mandada de volta pro Brasil, vendendo coxinha na praia e fazendo caipirinha. Eu ia sentir falta de você, Bruna!
Todos riram, e Bruna, mesmo um pouco corada, também não conseguiu segurar o riso.
- Ah, para! Eu ia ser deportada de boa, ia conquistar todo mundo lá de novo, e logo voltava. -ela brincou, tentando descontrair.
- Você ia virar uma celebridade no Brasil. -Luan comentou, com aquele sorriso sarcástico no rosto.- Mas é sério, esse lance de visto é muito burocrático. Foi um trampo danado pra gente conseguir o visto. Se a gente perdesse, ia ser trágico mesmo.
Ryan, com a típica cara de quem não perde uma piada, não deixou por menos:
- Não se preocupa, Luan. A americana aqui vai salvar você! -ele apontou pra mim, rindo.
Revirei os olhos, rindo, e aproveitei para dar uma alfinetada:
- Ah, então era por isso que você tava comigo, né, Luan? Porque eu sou sua solução de visto?
Luan fez cara de quem estava sendo desmascarado e brincou:
- Ah, agora que você descobriu, ficou na cara, né?
Todos riram, e eu continuei brincando:
- Não tem problema, eu adoto vocês dois, e assim não perdem o visto, e a gente vive feliz pra sempre aqui nos Estados Unidos!
Todos começaram a rir mais alto, aliviando ainda mais o clima. Mas aí, Justin, que estava quieto até então, falou, fazendo todo mundo parar para ouvir:
- Não vai ser preciso adotar ninguém, não. -disse ele, com aquele tom descontraído.- Eu conheço um americano que casaria com a Bruna, se fosse preciso, para ela não ser deportada.
Na hora, todo mundo fez um “hummmm” em tom de brincadeira, e Bruna ficou supervermelha, rindo com vergonha.
Eu e Luan trocamos olhares, e eu só consegui rir da situação, ainda mais vendo Bruna completamente sem graça. Era impossível não se divertir com a maneira como todos estavam tentando aliviar a tensão da situação. E, no fim das contas, parecia que, apesar de tudo, ela estava em boas mãos, com uma turma que sabia como fazer a vida mais leve.
Olívia, animada como sempre, bateu palmas para chamar nossa atenção.
- Gente, mudando de assunto! Domingo é meu aniversário! -anunciou, empolgada.- E eu estava pensando… que tal irmos para uma balada no sábado à noite para comemorar?
A proposta foi recebida com animação geral. Todos toparam na hora, começando a planejar a noite.
- Ótimo! Então já podem ir separando os looks! -Olívia avisou, com um sorriso travesso.
Bruna, que até então estava ouvindo, levantou a mão como se pedisse a palavra.
- E por falar em aniversário… -ela começou, olhando para Luan.- Quinta-feira que vem é o nosso, e eu queria fazer algo pra comemorar. Mas nada tradicional. Sem festa no campus, ou balada… queria algo diferente.
Todos começaram a dar sugestões animadamente, enquanto eu só conseguia pensar que teria que comprar presentes para Olivia, Bruna e agora Luan. O que eu compraria para cada um? Para Bruna, algo especial… mas e para Luan? Um presente para o meu namorado. Senti um frio na barriga só de pensar nisso.
No meio da discussão sobre o que fazer, Justin levantou a mão e falou:
- E se comemorássemos o aniversário de Bruna e Luan em uma pista de boliche?
Bruna e Luan se entreolharam, parecendo gostar da ideia.
- Eu adoro boliche! -Luan disse, empolgado.
- Eu também! -Bruna concordou.- Seria algo bem diferente!
Todos acenaram positivamente, aprovando a ideia.
- Então está decidido! -Ryan anunciou.- No sábado, balada para o aniversário da Olívia, e na quinta, boliche para os gêmeos!
Eu ri, mas minha mente ainda estava presa na questão dos presentes. O que eu daria para cada um?
Após o almoço, Luan e eu seguimos para o dormitório dele, pois ele disse que precisava pegar algo antes de nos encontrarmos com o pessoal para assistir ao treino de basquete do terceiro ano na quadra.
- É rapidinho. -ele garantiu, enquanto destrancava a porta.
Entrei com ele, mas fiquei encostada no batente da porta, observando enquanto ele vasculhava a escrivaninha, puxando gavetas e revirando algumas caixas.
- O que você tá procurando? -perguntei, curiosa.
- Já vou te mostrar… -ele respondeu misterioso, sem tirar os olhos da busca.
Cruzei os braços e esperei. Depois de alguns segundos, ele finalmente encontrou o que queria. Fechou a gaveta, virou-se para mim e caminhou até onde eu estava, segurando uma pequena caixinha de veludo na mão. Meu coração deu um salto dentro do peito.
- O que é isso? -perguntei, tentando conter a expectativa.
Luan abriu a caixinha, revelando um par de alianças de prata. Meus olhos brilharam ao vê-las.
- Marina… -ele começou, olhando para mim com um sorriso sincero.- Eu gosto das coisas certas. E se é pra ficarmos juntos, eu quero oficializar.
Senti meu coração acelerar e minha respiração ficou presa na garganta.
- Antes que você diga qualquer coisa… -ele continuou, segurando minha mão com delicadeza. Ele respirou fundo e então disse:- Marina Rhode Bieber, você quer namorar comigo?
A emoção tomou conta de mim. O brilho das alianças parecia insignificante comparado ao brilho nos olhos de Luan enquanto me olhava, esperando minha resposta. Senti um nó na garganta, e antes mesmo de conseguir responder, um sorriso tomou conta do meu rosto e lágrimas de felicidade encheram meus olhos.
- Luan, você nem precisava perguntar. -falei com a voz embargada.- É óbvio que eu quero!
O sorriso dele se alargou, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou. Um beijo doce, cheio de emoção e significado. Meu coração parecia que ia explodir de tanta alegria.
Quando nos separamos, ele tirou uma das alianças da caixinha e pegou minha mão.
- Então, deixa eu oficializar isso direito.
Deslizou a aliança no meu dedo anelar direito, e eu fiz o mesmo com ele, tremendo um pouco de tanta emoção. Ficamos alguns segundos admirando as alianças em nossas mãos, como se aquilo realmente selasse o que já sentíamos um pelo outro há tanto tempo.
- Agora sim, oficialmente minha namorada. -Luan disse, me puxando para mais um beijo.
Eu ri contra os lábios dele e o abracei forte.
- Oficialmente sua namorada.
Ficamos ali, trocando beijos, um mais apaixonado que o outro, como se o mundo ao nosso redor não existisse. Cada toque, cada olhar trocado, era carregado de algo novo, algo que finalmente podíamos viver sem medos ou incertezas.
Em um momento, um de nossos beijos começou a esquentar, e antes que eu percebesse, Luan me guiou até sua cama. Meu coração disparou ao sentir o colchão macio contra minhas costas, enquanto ele se apoiava sobre mim, mantendo nossos rostos próximos.
Por um instante, ele parou e ficou me olhando. Seus olhos percorriam meu rosto de uma forma intensa, cheia de ternura.
- O que foi? -perguntei, começando a ficar sem graça com aquele olhar fixo.
Ele sorriu de leve.
- Agora eu posso te admirar sem você pensar que eu sou besta.
Revirei os olhos, rindo.
- Ainda penso isso.
Luan soltou uma risada baixa e balançou a cabeça.
- Você não tem jeito.
Ele passou os dedos suavemente pelo meu rosto, descendo devagar pela minha bochecha até alcançar minha mão, entrelaçando nossos dedos.
- Nem acredito que você é só minha.
Meu peito se aqueceu com aquelas palavras, e senti meu rosto esquentar.
- Eu sempre fui sua, Luan. Só demoramos pra perceber isso.
Ele sorriu antes de me beijar de novo, um beijo cheio de carinho, de desejo, mas também de cumplicidade. Era como se estivéssemos selando tudo o que sentíamos naquele momento.
Ali, naquele momento, tudo parecia diferente. Por mais que Luan e eu já tivéssemos nos entregado um ao outro antes, agora era a primeira vez que fazíamos amor de verdade.
Havia algo no jeito como ele me olhava, no toque delicado dos seus dedos traçando meu rosto, no jeito como nossos corpos se encaixavam perfeitamente. Não era apenas desejo, não era apenas química. Era amor.
Luan manteve o olhar preso ao meu enquanto suas mãos percorriam minha pele com uma calma que me fazia arrepiar. Ele queria me sentir, queria que eu sentisse cada momento com ele.
- Eu te amo, Marina. -a voz dele saiu baixa, quase um sussurro, mas carregada de tanta emoção que meu peito se apertou.
- Eu também te amo.
E ali, entre beijos lentos e carícias cuidadosas, nos entregamos completamente um ao outro, como se nada mais no mundo importasse.