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Capítulo 56

Justin Narrando

O palco estava fervendo. As luzes piscavam em sincronia com cada batida, e eu pulava de um lado pro outro, sentindo a adrenalina tomar conta do meu corpo. A batida de “Somebody To Love” ecoava alto nos alto-falantes, e a multidão gritava meu nome tão alto que eu mal ouvia minha própria respiração.

- I, I don't need too much, just somebody to love… -cantei, apontando pro público com um sorriso cansado, mas verdadeiro.

A coreografia estava na ponta dos pés. Cada movimento ensaiado repetido centenas de vezes, mas ali, ao vivo, parecia que tudo ganhava um novo significado. Eu girava, dançava, me doava inteiro, como se fosse meu primeiro show. Ou o último.

Mas por mais que aquele momento fosse mágico, minha cabeça, vez ou outra, escapava do palco e ia parar nela. Bruna.

Ela estava ali, como sempre, do lado do palco, usando aquela blusa branca simples que eu amava, o cabelo preso num coque bagunçado e o olhar atento, orgulhoso, me acompanhando. E mesmo assim, eu sentia uma pontada no peito.

Era julho. Fazia meses que eu estava em turnê sem parar, rodando de cidade em cidade, país em país, avião em avião. E a Bruna… ela tava abrindo mão de tudo pra estar comigo.

As férias de verão tinham começado há semanas. Ela podia estar na praia, com as amigas, ou mesmo no Brasil, matando a saudade dos pais, sentada na varanda com a mãe ou rindo com o irmão. Podia estar de biquíni tomando sol e bebendo água de coco. Mas não.

Ela escolheu estar aqui. Nesse caos. Comigo.

Enquanto cantava o último verso da música, lancei um olhar rápido pra ela. Nossos olhos se encontraram por um segundo. Ela sorriu, aquele sorriso só dela, e balançou os dedos como quem dizia “vai, arrasa”.

Eu sorri de volta, mas por dentro, a culpa apertou.

- Is she out there? Is she out there?
Is she out there? I just need somebody to love. -encerrei a música com um último acorde, o corpo suado, o coração acelerado.

O público foi à loucura. E eu me curvei, agradecendo, mas o que eu mais queria mesmo era sair dali correndo, tirar aquele fone do ouvido e puxar a Bruna pra um abraço.

Eu sabia que precisava dizer algo. Mostrar pra ela que eu tava vendo tudo o que ela fazia por mim. Que eu tava sentindo. E que não queria que ela sacrificasse tudo por minha causa.

Sabia que a próxima seria diferente. Especial. A mais importante da noite, por isso ficou por último. Respirei fundo, e enquanto a introdução suave de "Favorite Girl" começava, fui até o microfone com um sorriso mais contido.

- Essa música… -falei, com a voz um pouco rouca do cansaço e da emoção.- …essa música não é só uma canção. É uma carta aberta. Uma confissão. E foi feita pra alguém que mudou minha vida desde o primeiro momento.

O público gritou, mas eu continuei, sem tirar os olhos do lugar onde Bruna estava, do lado do palco, com as mãos no peito, já emocionada.

- Eu escrevi essa música pra ela. Pra minha garota favorita.

As luzes ficaram mais suaves. E então, comecei a cantar.

- I always knew you were the best… The coolest girl I know…

A cada verso, eu olhava pra Bruna. Ela já tinha ouvido essa música mil vezes, mas naquela noite, com os olhos marejados, parecia que era a primeira. Ela levou a mão até o rosto, tentando disfarçar a emoção. Eu continuei:

- You're my precious little lady… The one that makes me crazy…

E era isso mesmo. Ela me deixava louco, mas no melhor sentido. Pela forma como ria, como falava em português comigo misturado com inglês, como me defendia mesmo quando eu nem merecia. Pela força dela. Pelo jeito dela de fazer tudo parecer mais simples. Mais leve.

- My favorite, my favorite… My favorite, my favorite girl…

Enquanto cantava, o telão atrás de mim mostrava fotos nossas. Momentos que a gente viveu longe das câmeras: rindo numa lanchonete, deitados no sofá, fazendo careta no espelho de um hotel qualquer.

O público todo acendeu as lanternas dos celulares, e a arena virou um mar de estrelas. Eu me ajoelhei no centro do palco, olhei pra cima e cantei os últimos versos:

- Cause you're the girl of my dreams… It's you, it's you… My favorite girl…

O som foi diminuindo, a banda encerrando com suavidade. Eu fiquei de pé, olhando pra Bruna. Ela me aplaudia, com aquele sorriso que valia mais que qualquer prêmio.

E ali, no fim daquele show, eu soube que não importava onde essa turnê me levasse, meu lugar era ao lado dela. Sempre foi. Sempre seria.

Desci do palco com o coração acelerado, a roupa encharcada de suor, mas o sorriso colado no rosto. A banda ainda estava dando os últimos acordes, o público gritava meu nome, mas minha atenção estava toda nela.

Bruna me esperava do lado, encostada na parede com os olhos brilhando, o rosto molhado de algumas lágrimas que ela nem tentou esconder. Quando cheguei perto, ela abriu os braços e me abraçou apertado, como se quisesse me proteger do mundo inteiro.

- Você é um idiota por me fazer chorar desse jeito. -ela sussurrou, e eu ri.

- Mas você gostou? -perguntei, com a voz baixa, ainda ofegante.

- Foi a coisa mais linda que alguém já fez por mim. Nunca vou esquecer. Nunca.

Segurei o rosto dela entre as mãos e beijei sua testa.

- Eu queria que você estivesse curtindo o verão do jeito que merece… com os pés na areia, água de coco na mão, sei lá… Não presa comigo nesse corre louco.

Ela afastou o rosto só o suficiente pra me encarar com seriedade.

- Você é meu verão, Justin. E aonde você for, eu quero estar.

Aquilo me desmontou. Eu sorri sem saber o que dizer, só abracei ela de novo, mais forte. Sentia o perfume dela misturado com o cheiro do palco, da fumaça, da eletricidade no ar. A gente ficou ali uns segundos, no meio da correria dos bastidores, como se o mundo tivesse parado só pra gente.

Uma ideia clareou na minha mente de repente. Foi como um estalo, uma vontade que me tomou inteiro.

Virei pra Bruna, ainda segurando sua mão, e falei baixinho no ouvido dela:

- Preciso falar com o Scooter rapidinho, tá? Espera aqui um segundo.

Ela assentiu e me deu um beijo na bochecha, com aquele sorrisinho curioso no rosto.

Saí andando entre os bastidores, desviando de cabos, cases e gente da equipe que ainda estava desmontando tudo. Encontrei o Scooter perto da mesa de som, conversando com um cara do som técnico e digitando no celular ao mesmo tempo. Como sempre, ocupado. Mas quando me viu se aproximar, ele levantou os olhos e sorriu.

- Grande show, garoto. A plateia tava pegando fogo.

- Valeu, Scoot. -respondi, ainda meio ofegante.- Mas preciso falar com você rapidinho. É importante.

Ele deu um sinal com a mão pro técnico e virou toda a atenção pra mim.

- Manda, tô ouvindo.

- Quando é o próximo show?

- Só daqui cinco dias. A gente tem essa folga programada já. É pra descansar a voz, lembrar?

- Então… eu queria aproveitar. Tipo, de verdade. Levar a Bruna pra uma praia, sabe? Uma escapada rápida. Você consegue dar um jeito disso rolar sem virar um caos?

Scooter ergueu uma sobrancelha, pensativo por um segundo. Depois, abriu um sorriso cúmplice.

- Claro que consigo. Vou chamar a Allison, ver com o pessoal da logística, e até a tarde deixo tudo certo. Escolhe um destino, e deixa o resto comigo.

- Sério?

- Você merece, cara. E ela também. Vocês precisam disso.

Abri um sorrisão, aliviado e empolgado ao mesmo tempo. Dei dois tapinhas no ombro dele.

- Você é o melhor, Scoot. Valeu mesmo.

- Vai lá, aproveita a noite com a tua garota. Amanhã, a gente começa o plano fuga romântica. -ele disse, piscando.

Voltei pro lado da Bruna com o coração leve e a cabeça já imaginando areia, mar, sol... e ela de mãos dadas comigo, sem pressa, sem câmeras. Só a gente.

Já era tarde da noite quando chegamos ao hotel. Bruna e eu mal conseguimos fechar a porta do quarto — nosso desejo falou mais alto. Tê-la nos meus braços, com a cidade ainda pulsando lá fora e nossos corpos conectados em silêncio, foi mais do que especial. Ela estava linda, entregue, e o calor do momento nos uniu de um jeito que só a gente entendia.

Depois, com os lençóis ainda bagunçados, ela adormeceu tranquila, com a cabeça sobre meu peito. O quarto estava na penumbra, iluminado apenas pela luz suave do abajur da mesinha de cabeceira. Eu acariciava devagar os fios do cabelo dela, mas minha mente já estava a mil.

Eu não conseguia dormir. Aquela ideia da praia estava martelando ainda mais forte agora.

Peguei o celular com cuidado, sem acordá-la, e me levantei devagar da cama. Sentei numa das poltronas do quarto, coberto apenas com o lençol enrolado na cintura, e comecei a pesquisar no Google: “praias tranquilas perto da Flórida”, “lugares românticos perto de Orlando”, “ilhas escondidas EUA”.

Foi então que vi umas fotos de Anastasia Island. A vibe parecia perfeita: mar azul, areia fina, natureza preservada, e o melhor... não era tão movimentada quanto Miami ou Key West. Um destino perfeito pra descansar, curtir a Bruna e ficar longe dos flashes por uns dias.

Na hora, mandei mensagem pro Scooter:

"Scoot, encontrei o lugar: Anastasia Island. Consegue organizar tudo?"

Nem demorou um minuto. Ele respondeu:

"Deixa comigo."

Sorri satisfeito. Mas aí, olhando pro celular, pensei: por que não tornar isso ainda mais legal?

Peguei a conversa em grupo com os nossos amigos e comecei a escrever:

"Gente! Tô planejando uma mini trip pra Anastasia Island. Amanhã mesmo. Topam?"

Mandei direto pra Luan, Marina, Olívia, Virgínia, Ryan e Anthony. Eu sabia que eles (exceto Marina e Luan) já estavam em uma praia, aquela onde todo mundo tinha combinado de ir e que, no fim, só eles quatro foram porque a gente acabou tendo show em cima da hora.

Em menos de dois minutos, as notificações começaram a pipocar.

Luan: Mano, tô dentro! Tava esperando essa chance.

Marina: Siiiim! Tô com saudade de vocês!

Olívia: Não acredito! Justo agora que tava começando a curtir aqui... Brinks, é claro que sim!

Virgínia: Ai, finalmente! Já tava sentindo falta do bonde completo.

Ryan: Bora, bora!

Anthony: Já é! Só me passa o horário.

Meu sorriso se abriu mais ainda. Já podia imaginar a reação da Bruna quando acordasse e descobrisse que eu tinha organizado não só uma escapada romântica, mas uma trip com os nossos amigos mais próximos.

Voltei na conversa com Scooter e escrevi:

"Mudança de planos: vai mais gente. Luan, Marina, Olivia, Virgínia, Ryan e Anthony. Pode ver um lugar que acomode todo mundo?"

Ele respondeu com um simples:

"Ok."

E era isso. Tudo estava se encaixando perfeitamente. Fiquei mais um tempo observando Bruna dormir, toda serena, com a pele iluminada pela luz suave do quarto. Já conseguia ver o brilho nos olhos dela quando eu contasse... ela ia amar essa surpresa.

No dia seguinte, o sol estava forte quando chegamos ao hangar, nos fazendo derreter enquanto eu segurava firme a mão da Bruna. Ela estava animada, mas com aquele brilho nostálgico no olhar.

- Ai, amor… vai ser tão estranho voltar pra Nova York agora. -ela disse, encostando a cabeça no meu ombro enquanto a gente esperava a autorização pra embarcar.- Todo mundo tá na praia se divertindo, e a gente indo pro meio da cidade. Nem vou ver a Marina e o Luan que estão em algum lugar na turnê dele...

- Pois é. -murmurei, tentando não rir.- Mas a gente vai aproveitar também… tem coisas boas esperando a gente lá.

Ela assentiu, meio desanimada, mas logo forçou um sorriso. Eu segurei no rosto dela com carinho e dei um beijo na testa, tentando me manter firme no papel. A surpresa estava tão perto.

- Anda logo, vai na frente. -falei, cutucando-a de leve com o quadril.- Entra e pega teu lugar favorito.

Bruna riu e subiu primeiro no jatinho, sem nem desconfiar. Assim que ela desapareceu lá dentro, Scooter se aproximou de mim com um tablet na mão e uma expressão que misturava profissionalismo e cumplicidade.

- Então… tá tudo pronto. -ele disse em voz baixa.- Izzy passou mais cedo, trouxe uma mala completa pra você e pra Bruna. Roupas de praia, acessórios, protetor solar, tudo coordenado. Ela caprichou.

- Sério? -eu disse, surpreso.- Nossa, nem pensei nisso.

- Ela pensou por você. Inclusive colocou alguns looks que combinam entre vocês dois… tipo casalzinho de revista. -ele brincou, arqueando a sobrancelha.

Soltei uma risada abafada.

- Izzy é a melhor.

Scooter então me deu um tapa leve no ombro e olhou em direção ao jatinho, onde Bruna já mexia curiosa na poltrona.

- Tenha juízo, tá? Vocês merecem esse descanso. Mas se algum paparazzo aparecer por lá, não fui eu quem mandou.

- Pode deixar. -falei, sorrindo.- E valeu, de verdade.

- Divirta-se, Bieber. -ele disse, e me deu aquela piscada típica de quem sabe que ajudou a fazer algo especial acontecer.

Assenti, peguei meu celular e respirei fundo antes de subir os degraus do jatinho. O coração batia acelerado, já imaginando a expressão da Bruna quando descobrisse que não estávamos indo pra Nova York… mas pra um paraíso chamado Anastasia Island — com nossos melhores amigos nos esperando por lá.

Assim que o jatinho decolou, Bruna se aconchegou na poltrona ao meu lado, empolgada. Eu sabia que ela ainda estava meio decepcionada, então, do nada, ela começou a listar coisas que poderíamos fazer em Nova York.

- Tá, já que vamos pra lá, podíamos aproveitar pra ir no Central Park, fazer um piquenique... -ela sugeriu, animada.- Ou então patinar no Rockefeller Center. Ah, e o Museu de História Natural? Você sempre quis me levar lá!

Fiz um esforço imenso pra não rir e mantive a atuação firme, fingindo estar pensando nas sugestões dela.

- É, pode ser… -respondi, casualmente.

- Ou então podíamos só ficar em casa, maratonar uns filmes, pedir comida no nosso restaurante favorito…

Assenti, mantendo a cara séria, mas minha vontade era de rir. Ela parecia estar realmente se conformando com a viagem pra Nova York.

- Ah, e vamos ficar no campus ou em um hotel? -ela perguntou, me olhando curiosa.

- Nenhum dos dois. Vamos ficar na casa do meu pai.

Ela arregalou os olhos, e a expressão dela foi impagável.

- O quê?

Eu não aguentei e soltei uma risada, mas logo disfarcei, tentando manter a atuação.

- Ué, qual o problema?

Ela piscou algumas vezes, claramente tentando encontrar palavras.

- Não, nenhum problema… eu adoro seu pai e a namorada dele, são uns amores… -ela começou, meio atrapalhada.- Mas, ahn…

Eu arqueei uma sobrancelha, desafiando-a a continuar.

- Mas o quê, Bruna?

Ela bufou, cruzando os braços.

- Não era bem isso que eu tava imaginando pra gente… -ela admitiu, rindo de si mesma.

Eu me segurei pra não rir mais alto e apenas balancei a cabeça, fingindo concordar.

- Entendi, você queria mais privacidade, né?

- Obviamente! — ela respondeu, me dando um tapa leve no braço.

Ri e passei o braço pelos ombros dela, puxando-a para mais perto.

- Relaxa, amor. Vai ser uma viagem inesquecível…

E mal sabia ela o quanto eu estava certo.

Por sorte, Bruna pegou no sono profundo logo depois de conversarmos, então nem percebeu quando o jatinho pousou. Assim que aterrissamos, tomei cuidado pra não acordá-la. Ela só abriu os olhos quando precisei cutucá-la levemente para descermos. Ainda meio grogue de sono, pegou minha mão e me seguiu até o carro que já nos esperava, enquanto a equipe cuidava das nossas malas.

Assim que ela se acomodou no banco do carro, caiu no sono de novo, o que foi perfeito. Isso significava que ela não percebeu nada — nem o fato de não estarmos indo para Nova York, nem que estávamos indo de carro para o nosso verdadeiro destino.

O trajeto levou um tempo, mas eu estava tão ansioso pra ver a reação dela que nem me importei. Só ficava observando-a dormir, imaginando como seria quando ela descobrisse a surpresa.

Finalmente, chegamos ao nosso ponto de parada antes de pegarmos o barco para a ilha. Olhei para Bruna, que ainda dormia tranquilamente ao meu lado. Sorri e passei a mão delicadamente pelo rosto dela antes de dar um leve cutucão em seu ombro.

- Bruna… acorda, amor.

Ela se mexeu um pouco, soltando um resmungo sonolento antes de abrir os olhos lentamente.

- Hm? Já chegamos? -perguntou com a voz rouca de sono, piscando algumas vezes enquanto tentava se situar.

- Sim.

Ela se sentou mais ereta no banco e olhou pela janela, ainda confusa.

- Mas… onde estamos? Isso aqui não é Nova York.

Foi nesse momento que eu sorri e finalmente revelei:

- Surpresa! Estamos na Flórida. Bem-vinda à Anastasia Island!

Os olhos dela se arregalaram no mesmo instante, e um enorme sorriso se abriu em seu rosto.

- O QUÊ?! -ela exclamou, sem acreditar.

Antes que eu pudesse responder, Bruna abriu a porta do carro num impulso e desceu apressada, olhando ao redor. O sol brilhava forte, a brisa quente batia no rosto dela, e o cheiro de mar preenchia o ar.

Ela colocou as mãos na boca, ainda sem acreditar, enquanto eu descia do carro.

- Não acredito nisso… Justin! -disse, voltando-se para mim, e no instante seguinte, correu na minha direção e pulou nos meus braços.

Soltei uma risada enquanto a segurava firme, girando-a no ar. Ela me abraçou com força, rindo de pura felicidade.

- Você tá falando sério?! A gente realmente veio pra cá?!

- Claro que sim! -respondi, rindo da empolgação dela.- Achei que você merecia uma surpresa, afinal, são nossas férias de verão…

Ela me olhou com os olhos brilhando, como se tentasse absorver tudo.

- Eu não acredito que você fez isso por mim…

- Fiz, e tem mais uma coisa. -acrescentei, segurando suas mãos.

- O quê? -ela perguntou, já parecendo estar no limite da emoção.

- Ainda não chegamos ao nosso destino final. Vamos pegar um barco para a ilha.

Os olhos dela brilharam ainda mais.

- Isso tá cada vez melhor! -ela disse, me puxando para mais um abraço apertado.

Eu ri e beijei sua testa.

- Então vamos logo antes que o sol se ponha. Quero ver sua cara quando chegarmos lá.

Ela sorriu e assentiu, ainda completamente radiante. Sem dúvidas, essa surpresa já estava valendo cada segundo.

Assim que embarcamos no barco que nos levaria até a ilha, Bruna estava encostada no meu ombro, observando a paisagem, até que de repente ficou tensa.

- Justin… eu não trouxe biquíni, nem protetor… -ela falou, preocupada, virando-se para mim.- Como eu vou comprar isso na ilha?

Segurei o rosto dela com as duas mãos e sorri.

- Amor, você acha mesmo que eu ia te trazer pra uma viagem surpresa sem planejar tudo? -falei, divertido.

Ela piscou algumas vezes, absorvendo minhas palavras, e então abriu um sorriso encantado.

- Você… você pensou nisso?

- Na verdade foi Scooter. -confessei.- Izzy comprou uma mala com roupas de praia pra nós dois. Você tem biquínis, saídas de praia, protetor, óculos de sol, tudo o que precisar.

Bruna sorriu ainda mais e passou os braços pelo meu pescoço, me puxando para um beijo.

- Eu te amo, Justin.

- Também te amo, baby.

O barco continuou seu trajeto, cortando as águas cristalinas até finalmente chegarmos à ilha. Assim que atracamos, algumas pessoas da equipe do resort estavam esperando por nós, simpáticos e prestativos. Nos ajudaram a descer do barco e rapidamente levaram nossas malas até a cabana onde ficaríamos.

Assim que entramos, Bruna já foi abrindo a mala ansiosa, tirando um biquíni novo e seu protetor solar.

- Izzy realmente pensou em tudo. -ela disse, admirada, enquanto pegava as coisas.

Apenas pisquei pra ela, pegando minha própria roupa de praia e o protetor solar. Em poucos minutos, já estávamos prontos.

Saímos da cabana de mãos dadas, sentindo a brisa fresca do mar tocar nosso rosto. O lugar era simplesmente deslumbrante. A areia branquinha, o som das ondas quebrando suavemente na praia, coqueiros enfeitando a paisagem… Bruna girou no lugar, de braços abertos, fechando os olhos por um segundo e respirando fundo.

- Isso aqui é incrível, Justin! Eu não acredito que você me trouxe pra cá!

Sorri, satisfeito por vê-la tão feliz.

Enquanto caminhávamos pela praia, avistei o pessoal de longe. Eles estavam juntos, conversando e rindo, mas Bruna não pareceu reconhecê-los de imediato. Em vez disso, seu olhar se tornou um pouco preocupado.

- Justin, será que tem muita gente aqui que pode te reconhecer? Se começarem a te pedir fotos o tempo todo, você não vai conseguir aproveitar…

Não aguentei e comecei a rir, balançando a cabeça.

- Relaxa, amor.

Continuamos andando, e foi só quando chegamos mais perto que Marina olhou pra trás e finalmente Bruna percebeu quem eram.

Ela arregalou os olhos e soltou minha mão.

- MENTIRA!

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Bruna disparou na direção de Marina, e as duas se jogaram uma nos braços da outra, gritando e rindo.

- Você tá brincando comigo! -Bruna exclamou, apertando Marina num abraço forte.- O que vocês estão fazendo aqui?!

- Pergunta pro seu namorado. -Marina retrucou, rindo.

Enquanto as duas matavam a saudade, fui cumprimentar o resto do pessoal. Luan veio até mim com um sorriso de canto.

- Você não existe, mano. -ele disse, rindo.

- Eu sei. -respondi, piscando.

Ryan, Virgínia, Olívia e Anthony estavam animados, me cumprimentando e perguntando como tinha sido enganar Bruna esse tempo todo.

- Ela não desconfiou de nada? -Olívia perguntou, rindo.

- Nada! Ela achou que tava indo pra Nova York e até tava sugerindo coisas pra gente fazer lá!

Todos riram, e eu olhei pra Bruna, que ainda estava abraçada com Marina, pulando animada. Ver o sorriso dela fazia tudo valer a pena.

Essa viagem ia ser inesquecível.

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