Bruna Narrando
A presença dos novatos parecia ter mudado a energia do refeitório. Josh tinha aquele tipo de confiança silenciosa que chamava atenção sem esforço. Mas foi Zack quem mexeu comigo. Tinha algo naquele olhar, naquele jeito de ficar mais na dele, observando, que me fez engolir em seco. Ele nem falou nada diretamente pra mim… mas não precisava.
Balancei a cabeça, tentando afastar aquilo.
“Você ama o Justin, Bruna. Você ama o Justin.”
No primeiro horário, eu tive aula de design de moda avançado. Caminhei até a sala sozinha, porque Marina tinha aula de interpretação e Olívia ainda estava terminando de organizar os materiais no dormitório.
Assim que entrei, percebi os olhares. De novo.
- É ela, né? A irmã do Luan Santana?
- E também é namorada do Justin Bieber, né?
- Vi uma foto dela com ele na turnê, ela foi com o namorado…
Fingi que não ouvi. Me sentei no fundo, como sempre fiz, e tirei meu caderno da mochila.
Respira, Bruna.
Eu só queria estudar. Só queria focar na minha carreira, nos meus sonhos. Sim, eu amava moda. Sonhava em abrir minha própria marca. Não queria ser apenas "a irmã do Luan" ou "a namorada do Justin". Eu queria ser a Bruna. E só.
O celular vibrou no meu colo.
Era Marina.
"Bru, achei o Josh e o Zack MUITO bonitos. Se você também achou, tudo bem, tá? Eu achei MESMO.
Mas, por favor, não fala isso perto da Melanie. Ela é super fofoqueira e pode distorcer tudo e contar pro Justin.
Eu confio em você. Eu sei que você ama meu irmão, e que nunca faria nada. Eu só tô avisando por precaução, tá bom?"
Sorri com carinho. Marina me conhecia. Mesmo quando eu mesma me sentia meio perdida, ela sabia quem eu era. Respirei fundo antes de responder:
"Eu nunca trairia o Justin. Nunca nem passou pela minha cabeça. Mas obrigada por confiar em mim. E sim… o Zack tem algo, né?"
Ela só respondeu com um emoji.
Coloquei o celular de lado e olhei em volta. Ainda tinha gente me encarando, mas agora eu não ligava tanto. Eu tinha pessoas que me conheciam de verdade. Que me viam além dos rótulos.
E, quanto ao Zack… bom…
Sei lá. Às vezes, a gente olha pra alguém e sente alguma coisa. Não quer dizer nada. Quer?
O professor entrou na sala e começou a aula. Mas, no fundo da mente, aquele olhar tímido e intenso de Zack ainda estava ali. Como se tivesse deixado uma marca.
E eu não sabia o que pensar disso.
Depois das aulas, decidi ir até a cafeteria pegar um chá gelado. Era meu momento de paz no meio do caos — e, sinceramente, eu estava precisando.
Atravessei o corredor olhando o celular, respondendo Marina, quando...
- Ai! -soltei, me desequilibrando um pouco ao esbarrar em alguém na esquina da parede.
- Eita, desculpa! -a voz masculina era baixa, mas firme. Reconheci na hora.
Levantei os olhos.
Zack.
Ele me segurou pelo braço, gentil, só pra garantir que eu não caísse. O toque durou poucos segundos, mas meu coração já estava fora de ritmo.
- Você tá bem? -ele perguntou, e os olhos castanhos fixaram nos meus por tempo demais.
- Tô… -limpei a garganta e ajeitei o cabelo.- Foi minha culpa, eu tava mexendo no celular.
- Não, eu que vinha rápido demais. -ele deu um sorriso torto, meio sem graça, e só então franziu um pouco a testa, me encarando de novo.- Espera… você é… você parece familiar.
Suspirei. Sempre vem essa parte.
- Você já me viu em algum site de fofoca, talvez. -falei com um meio sorriso, como se fosse uma piada que já virou costume.
Ele me analisou por mais um segundo antes de abrir os olhos, em reconhecimento:
- Ah! Você é… aquela garota. Irmã do cantor, né?
- Bruna. -estendi a mão, tentando manter a formalidade.- Irmã do Luan Santana… e namorada do Justin Bieber.
Ele me olhou um pouco mais sério, talvez tentando decifrar o que dizer depois daquilo.
- Uau. -foi tudo o que saiu.- Deve ser… intenso.
- Às vezes. -sorri de lado.- Mas eu ainda sou só eu. Estudante de moda, tentando sobreviver ao segundo ano e ao drama dos corredores da Columbia.
Ele riu, e foi um riso sincero dessa vez.
- Justo. Prazer em conhecer você oficialmente, Bruna. Eu sou o Zack.
- Eu sei. -mordi o lábio, percebendo que talvez tenha dito rápido demais.- Digo… você foi apresentado hoje cedo.
- Ah, verdade. -ele riu de novo, e olhou pro chão por um segundo antes de levantar o olhar de novo.- Bom, foi bom esbarrar em você. Literalmente.
- Idem. -falei, tentando não parecer nervosa.
Nos despedimos com um aceno meio tímido. Ele seguiu pelo corredor, e eu fiquei ali, parada, olhando ele se afastar.
Suspirei fundo.
Não significava nada. Era só um esbarrão. Uma conversa. Uma coincidência.
Certo?
Mas então, o celular vibrou.
"Oi, amor. Tô com saudade. Terminei o ensaio, e só consegui pensar em você. Me liga quando puder?"
Sorri. E ali estava. A única certeza que eu precisava.
Me encostei na parede da cafeteria, ainda com o celular na mão e o coração acelerado. A mensagem do Justin tava ali, no topo da tela. Eu respirei fundo e apertei o botão de chamada. Ele atendeu no segundo toque.
- Oi, amor... -a voz dele do outro lado me fez fechar os olhos por um segundo.- Que saudade da minha garota.
- Oi, Ju... -sorri automaticamente, só de ouvir ele.- Também tô com saudade. Muita.
- Como foi seu primeiro dia de aula? Tá tudo bem? Tá comendo direitinho? -ele perguntou num tom cuidadoso, que sempre me fazia sentir segura.
- Foi tranquilo, tirando o fato de que as pessoas agora me olham como se eu fosse uma Kardashian. -soltei uma risadinha.- Todo mundo querendo saber se é verdade que eu namoro "o Justin Bieber".
- Ah, é? E o que você responde? -ele perguntou com aquele sorrisinho na voz.
- Que sim. Que sou a sortuda. -falei, de coração.
Ele ficou em silêncio por um segundo, e eu sabia que ele tava sorrindo do outro lado.
- Eu que sou o sortudo, Bruna. Nunca esquece disso.
Fechei os olhos de novo, dessa vez com uma pontinha de culpa pesando no fundo do peito. A lembrança do Zack ainda tava ali, meio recente demais pra minha consciência.
- Justin?
- Oi?
- Você confia em mim, né?
- Claro que sim. Por que a pergunta?
- Nada... só queria ouvir. Hoje chegaram dois garotos novos. Transferidos da Yale. Um deles me reconheceu de algum site, acho, e… a gente acabou conversando. Foi rápido, mas... sei lá. Achei que você merecia saber.
O silêncio do outro lado durou mais do que eu gostaria.
- Bruna, -ele disse enfim, calmo.- eu confio em você. Eu sei quem você é. Sei do nosso amor. E sei que você me contaria tudo, como tá fazendo agora. Isso é o que importa pra mim.
Engoli em seco, com o coração apertado.
- Obrigada por dizer isso. Eu… jamais faria nada pra te magoar.
- Eu sei disso. -ele respirou fundo.- E olha, se algum cara novo por aí ficar dando em cima de você, pode deixar que eu vou dar um jeito nele quando voltar pra Nova York, hein?
- Justin! -falei rindo.
- Tô brincando… mais ou menos. -ele riu também.- Agora me conta: a Melanie tá muito insuportável?
- Você não tem ideia. -revirei os olhos.- Marina tá surtando. Acho que ela se arrependeu de incentivar a vinda da irmã.
- Tadinha da Mari. Manda um beijo pra ela. E se cuida, tá? Tô contando os dias pra te ver de novo.
- Também tô. Te amo, Ju.
- Te amo mais.
Depois que desliguei o telefone, fiquei ali parada por um tempo, olhando pro nada. O Justin sempre soube me acalmar. Sempre soube exatamente o que dizer. Mas, por dentro, ainda tinha um nó que eu não sabia como desatar.
Era só um garoto novo. Um rostinho bonito, um olhar intenso... que me olhou como se enxergasse algo que nem eu sabia que tava mostrando. Mas por quê aquilo ficou martelando na minha cabeça?
Respirei fundo e voltei pro dormitório. Marina tava no corredor, de toalha na cabeça e máscara no rosto, como se estivesse no próprio spa.
- Tá bonita pra quem, dona Marina? -brinquei.
- Pra ninguém, amiga. Isso aqui é autocuidado. -ela riu, jogando o cabelo pro lado.- E você, tá com uma carinha…
- Que carinha?
- De quem conversou com o Ju, mas ainda tá com a cabeça cheia.
Entrei no meu quarto e me joguei na cama, encarando o teto.
- Eu esbarrei com o Zack hoje. Ele me reconheceu, ou quase. Disse que já tinha me visto em algum lugar, mas não sabia exatamente onde.
- E você falou o quê?
- Que eu sou namorada do Justin Bieber. -soltei num tom meio automático.
- Bruna... -ela se sentou na beirada da minha cama.- Tá tudo bem sentir alguma coisa diferente. Um susto, um frio na barriga, uma dúvida. Você é humana. Não significa que você ama menos o Ju. Só... não deixa isso virar um buraco, sabe?
- Eu não quero sentir nada. Só fiquei... mexida. Mas não tem espaço pra confusão no meu coração. -olhei pra ela.- O Justin é o cara certo pra mim.
- Eu sei. E ele sabe também. -ela apertou minha mão.- Mas cuidado com a Melanie. Ela tava por perto hoje e ouviu o nome dos meninos mais vezes do que deveria.
- Ah, ótimo. -revirei os olhos.- Lá vem.
Antes mesmo que a gente terminasse o assunto, a porta do quarto se abriu.
- E aí, meninas? -Melanie entrou, com o celular na mão.- Tavam falando dos meninos novos?
Marina e eu trocamos um olhar rápido. Lá estava ela. Sempre por perto na hora errada.
- A gente tava falando do meu encontro com o meu travesseiro. -respondi, seca.
- Ué, achei que estivesse falando do seu esbarrão fofo com o Zack hoje. Eu vi. Ele é lindo, né? -ela sorriu, inocente demais pra ser verdade.- Aposto que o Justin não ia gostar de saber...
- Melanie. -Marina se levantou, com a voz firme.- Vai tomar banho e cuidar da sua vida. A Bruna não te deu liberdade pra esse tipo de comentário.
Melanie bufou, fingindo que não ligava.
- Só achei interessante... -e saiu rebolando, como se fosse a dona da faculdade.
- Um dia eu enfio essa menina num armário. -Marina murmurou.
- Eu ajudo. -falei, ainda irritada.
Quando finalmente ficamos sozinhas de novo, suspirei.
- Marina... se eu ficar longe demais do Justin por muito tempo, eu surto.
- Eu também. O Luan tá rodando o interior agora, nem sinal direito de internet. Tô quase mandando pombo-correio.
As duas rimos. E por um momento, a leveza voltou.
Mas aí, meu celular vibrou. Uma notificação nova.
Era... Zack?
"Ei, Bruna, né? Sei que foi meio aleatório hoje, mas... gostei de esbarrar em você. Talvez a gente se esbarre de novo?"
Meu coração deu um pulo.
Marina olhou pra mim.
- Quem é?
Eu virei a tela pra ela, mostrando a mensagem.
Ela arqueou uma sobrancelha.
- Isso vai dar o que falar...
Enquanto a Marina foi pro quarto dela tirar a máscara facial e vestir roupa, eu fiquei encarando a mensagem do Zack como se ela fosse explodir a qualquer momento.
"Gostei de esbarrar em você."
Eu tinha namorado. Um namorado que era famoso, doce, dedicado e completamente apaixonado por mim. Que tipo de garota eu seria se respondesse isso?
Mas a pergunta que não saía da minha cabeça era: como ele conseguiu meu número?
Respirei fundo e escrevi de volta, tentando ser direta:
"Oi… como você conseguiu meu número?"
Ele visualizou. Digitou. Parou. Digitou de novo. Mandou:
"Na verdade, eu encontrei um papel com seu nome e número na minha mochila. Juro. Achei estranho, mas reconheci seu nome e resolvi tentar."
Meu coração disparou.
Quem teria feito isso? Por quê?
Na mesma hora, comecei a fazer a varredura mental:
Melanie? Não. Não depois da nossa conversa.
Olívia? Virgínia? Impossível.
Chloe? Hmm...
Lauren? Alicia? Pior ainda.
A Marina voltou, agora com o rosto limpo e com uma blusa branca e shorts jeans, me olhando como se já soubesse que eu tava surtando.
- E aí? Respondeu?
- Sim. E ele disse que achou meu número num papel… dentro da mochila dele.
Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa.
- Alguém colocou?
- Foi o que ele disse. E eu acredito.
- Ai meu Deus... -Marina se sentou ao meu lado.- Quem faria isso?
- Tenho alguns palpites. -falei com um sorrisinho irônico.
- Chloe. -ela disse ao mesmo tempo que eu.
- É a cara dela. E se não foi ela, foi uma das amiguinhas: Lauren ou Alicia.
- A Alicia já ficou com o Justin. -Marina cruzou os braços.
Suspirei, me jogando pra trás na cama.
- Isso aqui tá parecendo série de ensino médio com orçamento de série da Netflix.
E o pior? Eu só quero viver minha vida em paz com o Justin e fazer minhas aulas normalmente.
- E ainda tem o Harry circulando por aqui, né? Ele voltou esse semestre.
- É… como se eu precisasse de mais problemas.
Marina virou o rosto pra mim, séria.
- Você quer que eu vá falar com ele?
- Com o Zack?
- Não, com o Harry. Vai que isso tem dedo dele também. Ele pode ter dado o número pra zoar, provocar o Justin…
- Talvez. Mas também não quero parecer surtada.
Meu celular vibrou de novo.
"Desculpa se invadi seu espaço. Não vou mandar mais mensagens se você não quiser. Só… achei que foi uma coincidência interessante."
Marina leu por cima do meu ombro.
- Ele é educado, pelo menos. E não tá forçando a barra.
Fiquei em silêncio. Então, respirei fundo e digitei:
"Tudo bem. Mas só pra você lembrar que eu namoro… eu sou muito apaixonada pelo meu namorado. E não tô disponível. Foi só uma coincidência mesmo."
Ele respondeu rápido.
"Entendido. Sem pressão. Só… boa sorte com as aulas. E com os boatos, caso eles apareçam."
Franzi a testa.
- Como assim “com os boatos”?
Marina já tava de pé, pronta pra guerra.
- Eu vou dar um jeito nisso. Começando pela Chloe.
- Marina…
- Não, Bruna. Ela já passou dos limites no ano passado, e agora parece que quer começar tudo de novo. Mas dessa vez, eu tô mais preparada.
Enquanto a Marina marchava determinada pra achar a Chloe — provavelmente já ensaiando um monólogo digno de Oscar —, eu tomei outro rumo.
Respirei fundo, conferi meu reflexo no espelho do corredor e fui até o campo de futebol, onde costumava ficar com o Harry após as aulas do ano passado. Não nos falávamos desde aquela mensagem durante o show da Demi Lovato… E honestamente? Eu preferia manter assim. Mas agora… eu precisava saber.
Caminhei pelo jardim com o coração batendo forte. Será que ele tava envolvido nisso?
O jardim tava movimentado, alunos espalhados por todo lado. Então, vi ele. Sentado no chão, encostado na parede, com o mesmo olhar despreocupado de sempre, rindo de alguma coisa que outro amigo dele disse.
Ele me viu.
E o sorriso diminuiu um pouco, mas não desapareceu. Ele se levantou, veio até mim como se fosse só mais um dia normal.
- Bruna. -ele falou, com aquele tom arrastado e confiante.- Olha só quem resolveu aparecer.
- Harry. -respirei fundo.- Precisamos conversar.
- Claro. -ele fez um gesto, nos afastando um pouco do burburinho.- Sobre o quê? Sobre como você me bloqueou quando te mandei aquela foto?
- Sobre você ainda ter o meu número… e se por acaso tem alguma coisa a ver com ele ter aparecido na mochila de um calouro novo. Zack. Conhece?
Ele ergueu uma sobrancelha.
- Zack? O novo galã da Columbia? -ele deu um meio sorriso.- O campus tá comentando.
Cruzei os braços.
- Você colocou meu número na mochila dele?
Ele ficou em silêncio por um segundo. Me olhando. Aquele jeito dele de sempre me irritava: como se estivesse analisando o melhor jeito de me provocar.
- Não. Não fui eu. Mas... -ele fez uma pausa, pensativo.- Sei de gente que adoraria causar isso. Inclusive alguém que já ficou com o Justin. Lembra da Alicia?
- Óbvio que lembro.
- Eu ouvi ela comentou algo com a Chloe de manhã, tipo... "seria hilário ver a princesinha Bruna com o número rodando por aí". -ele deu de ombros.- Mas eu não levei a sério. Só... tô te contando agora porque, bem, parece que levaram.
Eu engoli seco.
- E por que você tá me contando isso agora?
- Porque, apesar de tudo, eu me importei com você de verdade. -ele falou, olhando nos meus olhos.- E porque te ver tão bem com o Justin... me fez perceber que eu nunca teria a menor chance de novo. Mas também não quero que você se ferre por coisas pequenas.
Fiquei em silêncio. Parte de mim queria gritar com ele por tudo. Outra parte queria simplesmente ir embora. Mas o mais forte… era o alívio por saber que ele não estava envolvido nisso. Pelo menos, parecia não estar.
- Obrigada por ser honesto… dessa vez. -falei por fim.
- Bruna -ele disse, me parando antes que eu saísse.- Ele é sortudo, tá? O Justin.
- Eu sei.
Virei as costas e fui embora, sem olhar pra trás.
Meu celular vibrou no caminho de volta.
"Vamos nos encontrar no campo de futebol."
Era Marina. Suspirei.
Mas antes de responder, precisei parar e encostar numa parede do corredor. Eu estava exausta. Com tudo isso. Com essa confusão toda. Eu só queria amar o Justin em paz.
Marina e eu nos encontramos no campo de futebol, a conversa com a Chloe não tinha dado em nada. Estávamos conversando sobre a tal "operação descobrir quem deu meu número", quando ouvimos passos atrás da gente. Quando viramos, lá estavam eles. Josh e Zack.
Marina me lançou um olhar rápido, e eu apenas respirei fundo. Eu sabia que eles viriam atrás de uma conversa, principalmente Zack, depois da mensagem.
- Oi, meninas. -Josh foi o primeiro a falar, com um sorriso tranquilo.- A gente tava procurando vocês.
- Conseguiram. -Marina respondeu, com um tom neutro.
Zack passou a mão pela nuca, um pouco sem jeito. Bem diferente do jeito que ele parecia no refeitório, todo confiante.
- Bruna… sobre a mensagem, me desculpa de verdade. Eu não devia ter mandado. Mas deletei, ok?
Olhei pra ele. Parecia sincero. Dei um leve aceno.
- Tá tudo bem. Acontece. Só... cuidado com o que te dão por aí.
- Vou lembrar disso. -ele sorriu de canto e deu um passo pra trás, deixando Josh na linha de frente.
Josh não perdeu tempo.
- E você, Marina... -ele começou, com aquele tom descaradamente galanteador.- Continua linda como da última vez que a gente se viu. Quase não consegui parar de pensar na sua atuação naquele curta. Agora ao vivo, é ainda melhor.
Marina abriu a boca pra responder, mas nenhuma palavra saiu nos primeiros segundos. E isso era raro.
Eu fiquei observando a cena, segurando o riso.
Ela piscou algumas vezes e então disse:
- Eu namoro, Josh.
Ele deu um sorrisinho.
- Pena. Ele é um cara de sorte.
E foi aí que, como num roteiro de filme, Victor apareceu. Parecendo que tinha saído do nada, com aquela cara de dono do mundo.
- Nem perde seu tempo, cara. -ele disse, encarando Josh.- A Marina é do Luan. Sabe, Luan Santana. Talvez você tenha ouvido falar.
Josh ergueu uma sobrancelha, olhando de um pro outro.
- E você é...?
Antes que Victor respondesse, Marina cruzou os braços e disse, com um tom debochado:
- Um ex que ainda não superou. E que se vocês quiserem comprar droga, aliás, é só procurar o Victor do terceiro ano. Especialidade da casa.
Eu virei o rosto na hora pra disfarçar o riso. Não deu. Um som escapou.
Victor bufou e revirou os olhos.
- Vocês duas continuam as mesmas. -disse, se afastando.
- E você continua um zero à esquerda. -Marina respondeu de imediato, ainda sorrindo.
Josh e Zack se entreolharam, visivelmente se divertindo.
- Eu acho que a gente vai se divertir bastante esse semestre. -disse Josh.
- A gente se vê por aí, meninas.
Eles acenaram e foram embora, finalmente nos deixando sozinhas outra vez.
- Meu Deus... -Marina comentou, passando a mão no rosto.- Eu não tenho estrutura pra lidar com esse povo todo. Eu quero meu namorado de volta.
- Eu também. -respondi, encarando o céu que começava a mudar de cor.- E essa história do número ainda tá me incomodando.
- A gente vai descobrir. -Marina falou, determinada.- Eu juro que vou descobrir quem foi. E vou fazer essa pessoa se arrepender de ter mexido com você.
E naquele momento, eu soube: alguém ia se dar muito mal.
[...]
Já era quase onze da noite. Eu estava deitada na minha cama, com a luz do abajur suavemente acesa, enquanto a tela do celular iluminava meu rosto. A chamada de vídeo estava conectada. E lá estava ele. Justin.
Ele estava no camarim, arrumando o cabelo e dando risada com algum comentário do segurança ao fundo, até que pegou o celular e se afastou um pouco, buscando um canto mais calmo. Sentou no sofá e olhou pra mim com aquele sorriso de canto que sempre me desmontava.
- Ei, minha menina linda. -ele disse, baixinho.- Você tá tão quietinha… tá cansada?
Assenti com um sorrisinho fraco.
- Um pouco. Foi um dia longo.
- Hum… aquele tal Zack mandou mais mensagem?
Balancei a cabeça.
- Não… ele já deletou meu número. Falou comigo e pediu desculpa.
- Que bom. Porque se ele tivesse insistido, eu ia precisar fazer uma ligação nada amigável. -ele riu.
Eu tentei rir também. Mas minha garganta apertou. Eu só queria estar com ele.
Ele pareceu notar meu silêncio, porque parou de sorrir e me olhou mais atento.
- Bru… tá tudo bem?
Eu assenti de novo, mas nessa hora uma lágrima escorreu. Eu tentei disfarçar rápido, virei o rosto um pouco, mas ele viu.
- Ei… -ele falou, a voz mais baixa.- Você tá chorando? Por quê, meu amor?
- Não é nada. -murmurei, limpando o rosto com o dorso da mão.
- Bruna… -ele sussurrou, como se pudesse me tocar do outro lado da tela.- Me fala. O que aconteceu?
E foi aí que eu desabei.
- É que… -minha voz embargou.- Quando tô com você, tudo é mais fácil, Justin. Eu me sinto forte, segura, protegida. Mas agora... eu não sei. Parece que tudo ficou mais difícil. Eu odeio ficar longe de você. Odeio essa distância. Eu tento ser forte, mas eu me sinto tão… frágil. Tão perdida sem você aqui.
Ele não disse nada por alguns segundos. Só ficou me olhando pela tela, os olhos marejando também.
- Bruna… -ele disse, com a voz baixa, emocionado.- Você não tem ideia do quanto eu queria te abraçar agora. De estar aí do seu lado, te envolver nos meus braços e prometer que nada de ruim vai chegar perto de você.
Eu respirei fundo, ainda com lágrimas caindo.
- Só queria dormir com sua camiseta, com seu cheiro… e saber que você vai estar ali amanhã cedo. Que vai sorrir pra mim no café da manhã.
- Eu vou voltar, Bruna. Prometo. Assim que essa turnê acabar, a primeira coisa que eu vou fazer é correr pra você. Eu te amo tanto… Você é meu lar.
- Eu te amo também. -sussurrei, tocando a tela como se fosse possível sentir a pele dele.- Desculpa por chorar. Eu só… tava segurando demais.
- Não precisa pedir desculpa. -ele sorriu.- Eu gosto quando você confia em mim pra mostrar tudo o que sente. É isso que faz a gente ser forte juntos.
- Canta pra mim? -pedi, baixinho.
Ele sorriu, pegou o violão que estava encostado ali, e começou a dedilhar devagar, antes de cantar "One Less Lonely Girl", aquela que sempre me fazia chorar.
E foi assim que eu adormeci, com a voz dele me embalando, como se ele estivesse ali do meu lado. E mesmo longe… eu me senti um pouco mais inteira.