Justin Narrando
Eu empurrava o carrinho pelo mercado, analisando a lista mentalmente enquanto pegava algumas bebidas para a festa de sexta. O plano era comprar algumas garrafas de vodca, tequila e cerveja, além de algumas opções não alcoólicas, caso alguém não quisesse beber. O problema era que, como ainda não tinha 21 anos, precisava torcer para que a identidade falsa que consegui passasse despercebida na hora do caixa.
Enquanto caminhava pelo corredor de snacks, escolhendo salgadinhos e amendoins, meu celular vibrou no bolso da calça. Franzi a testa ao ver que era um número desconhecido, mas atendi mesmo assim.
- Alô?
- Justin Bieber?
- Sim, sou eu. Quem fala?
- Aqui é Scooter Braun. -o homem se apresentou.- Você tem um minuto?
Fiquei em silêncio por um segundo, tentando lembrar de onde conhecia aquele nome. Já tinha ouvido falar dele antes… mas onde?
- Sim, claro. -respondi, parando o carrinho no meio do corredor.
- Seu professor de música me enviou um clipe seu, que você gravou há alguns meses. Eu andei tão ocupado, que não tinha tido tempo de checar meus e-mails.
Meu coração deu um pequeno salto no peito.
Lembrei do clipe que havia gravado no semestre passado pra uma matéria, mas com toda a correria das aulas, não tinha dado muita importância para o que aconteceu depois. Lembro que o professor ainda comentou ter enviado o clipe, mas nunca pensei que seria para alguém como Scooter Braun.
- Eu acabei de assistir e, sinceramente, fiquei impressionado. -Scooter continuou.- Você tem um talento natural, Justin. Sua voz, sua presença… tem algo especial ali.
Eu me encostei na prateleira mais próxima, absorvendo o que estava ouvindo.
- Uau… isso é… inesperado. -soltei um riso meio nervoso, tentando processar.
- Eu queria conversar melhor com você sobre isso. -ele prosseguiu.- Você tem disponibilidade para uma reunião hoje, às 14h?
Minha mente girou. Isso estava mesmo acontecendo?
- Sim! Sim, claro! -endireitei a postura, tentando parecer mais confiante do que me sentia.
- Ótimo. Vou te mandar o endereço por mensagem. Nos vemos lá, Justin.
A ligação foi encerrada, e eu fiquei ali, parado no meio do mercado, segurando o celular e tentando absorver o que tinha acabado de acontecer.
Scooter Braun. O Scooter Braun tinha acabado de me ligar.
Respirei fundo, sentindo uma adrenalina tomar conta do meu corpo. Peguei meu carrinho e fui direto para o caixa, agora torcendo para que minha identidade falsa passasse sem problemas.
A moça do caixa me olhava com uma expressão analítica enquanto segurava minha identidade falsa. Ela parecia estar pesando se deveria aceitar ou não.
Mal sabia ela que, na verdade, eu ainda estava nos 18, prestes a completar 19. E, bom, se tinha algo que eu sabia fazer bem, além de cantar, era sair de situações complicadas com um sorriso no rosto e um pouco de charme.
Inclinei-me um pouco sobre o balcão, apoiando os braços casualmente e abrindo um sorriso despreocupado.
- Sabe… -comecei, deixando minha voz um pouco mais grave.- Eu poderia jurar que já te vi antes.
Ela piscou algumas vezes, ainda segurando meu documento.
- É mesmo? -arqueou uma sobrancelha.
- Sim. -assenti, fingindo estar realmente tentando lembrar.- Acho que foi num sonho… porque, com um rosto desses, eu com certeza não esqueceria.
Ela soltou um risinho nasalado, mas ainda manteve o olhar desconfiado.
- Essa foi boa. -comentou, balançando a cabeça.- Mas eu ainda acho que você parece meio novo pra estar comprando isso tudo.
Droga. Ok, plano B.
Abaixei um pouco a cabeça e passei a mão pelo cabelo, fingindo um ar de decepção.
- Ai, você me pegou. -suspirei.- Eu sou novo sim… novo demais pra alguém como você me dar uma chance?
Dessa vez, ela riu de verdade.
- Nossa, você realmente não desiste, né?
- Nunca. -sorri, piscando.- Especialmente quando encontro alguém interessante assim.
Ela me olhou por mais alguns segundos, parecendo ponderar. Então, suspirou e passou meu documento no sistema.
O bip da aprovação foi a melhor música para os meus ouvidos naquele momento.
- Só porque você me fez rir. -disse, digitando o total na tela.- Mas toma cuidado, garotão.
- Pode deixar. -pisquei de novo, pegando o cartão para pagar.- E, ah, anota seu número aí, pra quando eu precisar de um desconto amigo da próxima vez.
Ela riu outra vez, mas balançou a cabeça.
- Sem chance. Agora anda logo antes que eu me arrependa.
Peguei as sacolas e saí de lá com um sorriso vitorioso. Missão concluída. Agora, era só me preparar para a reunião que poderia mudar minha vida.
Assim que cheguei de volta ao campus, fui direto para o meu dormitório, guardando as compras da festa nos lugares certos. Algumas bebidas foram para o frigobar, os salgadinhos e petiscos ficaram em cima da mesa, e o resto eu organizei como pude.
No meio disso, meu celular vibrou. Peguei o aparelho e vi uma mensagem nova de Scooter Braun.
"Justin, houve uma mudança no horário. Consegue vir às 11h? Me avise."
Olhei para a tela, arregalando os olhos. 11h? Olhei o relógio do celular. Já era 09h30.
- Merda.
Respondi rapidamente confirmando e saí correndo para o banheiro. Tomei um banho rápido, tentando não perder tempo. Ainda molhado, saí do banheiro e vesti uma roupa minimamente apresentável: uma calça jeans escura, uma camiseta preta e uma jaqueta jeans por cima. Finalizei com um boné virado para trás e um perfume discreto.
Pedi um Uber e, enquanto esperava, revisei mentalmente o pouco que sabia sobre a reunião. Scooter Braun. O cara era um dos maiores nomes do mercado musical.
O Uber me deixou na frente do prédio. Um arranha-céu imponente, bem localizado em Nova York. O tipo de lugar que gritava dinheiro e influência.
Olhei para o relógio: 10h45. Cheguei com 15 minutos de antecedência. Bom sinal.
Respirei fundo e entrei no prédio, fui até o andar indicado e me dirigindo até a recepção. Uma mulher bem vestida, com óculos elegantes, olhou para mim por cima da tela do computador.
- Bom dia, posso ajudá-lo?
- Oi, eu sou Justin Bieber. Tenho uma reunião com o senhor Braun às 11h.
Ela digitou algo no computador, conferindo minha informação, e depois assentiu.
- Certo, pode aguardar um momento, senhor Bieber.
Assenti, tentando não parecer nervoso.
Depois de alguns minutos, Scooter apareceu no corredor. Alto, bem vestido, com um sorriso confiante.
- Justin Bieber?
- O próprio. -sorri, tentando parecer mais confiante do que realmente estava.
Ele estendeu a mão, e eu apertei firme.
- É um prazer finalmente te conhecer. Vem comigo, temos muito o que conversar.
O segui até a sala dele, meu coração batendo rápido. Eu tinha um pressentimento de que essa reunião mudaria muita coisa na minha vida.
A sala de Scooter era espaçosa, com uma vista panorâmica de Nova York. Havia uma grande mesa de madeira no centro, algumas poltronas confortáveis e prêmios espalhados pelas prateleiras. Eu reconheci discos de platina, fotos com artistas famosos e até um Grammy.
Ele me indicou uma cadeira em frente à mesa, e eu me sentei.
- Bom, Justin. -ele começou, se acomodando na cadeira dele.- Primeiro, quero te dizer que seu professor fez um ótimo trabalho me enviando aquele vídeo. Assisti hoje cedo, e cara… Você tem algo especial.
Ouvir isso dele foi surreal. Fingi naturalidade, mas por dentro, estava gritando.
- Valeu, cara. Fico feliz que tenha gostado.
- Gostei? -ele riu.- Eu fiquei impressionado. Você tem carisma, presença de palco e um talento natural. Sua voz é comercial, seu estilo é vendável, e, mais importante, você tem potencial pra crescer muito.
Eu assenti, esperando ele continuar.
- Mas me diz, qual é seu plano? Você quer seguir carreira musical de verdade ou isso é só um hobby?
A pergunta me pegou um pouco de surpresa, mas eu já sabia a resposta.
- Música sempre foi meu sonho. Quero levar isso a sério.
Ele sorriu, satisfeito.
- Bom, então é o seguinte… Eu quero trabalhar com você. Quero te ajudar a desenvolver sua carreira, a construir sua marca. Mas, antes de qualquer coisa, preciso ver como você se sai em um estúdio profissional.
Meu coração deu um salto.
- Você quer que eu grave algo?
- Sim. Tenho um produtor disponível amanhã. Quero que você vá até o estúdio, teste algumas músicas, veja como se sente. Sem pressão, só pra entender o que funciona melhor pra você.
- Isso é incrível. Claro que eu topo.
Ele assentiu.
- Ótimo. Vou te mandar o endereço e o horário mais tarde. Ah, e mais uma coisa… Você toca algum instrumento?
- Violão, bateria, piano e trompete.
- Perfeito. Isso só te deixa mais versátil.
Conversamos por mais alguns minutos, e ele me fez algumas perguntas sobre minhas influências, minhas composições e o que eu imaginava para minha carreira. Tentei responder o mais sinceramente possível, e ele pareceu gostar do que ouviu.
Quando a reunião terminou, ele se levantou e apertou minha mão novamente.
- Justin, eu vejo um grande futuro pra você. Vamos fazer isso acontecer.
Saí dali ainda meio atordoado. Scooter Braun queria me lançar na música.
E eu sabia que minha vida estava prestes a mudar.
Assim que saí do prédio, pedi um Uber de volta pro campus. Minha mente ainda estava a mil com tudo que o Scooter tinha me falado, mas decidi guardar aquela informação comigo por enquanto.
O professor tinha dito que enviou o meu clipe e o de Luan também, mas, pelo jeito, ele ainda não tinha recebido nenhuma ligação. Se tivesse, com certeza ele teria comentado algo. Quando cheguei ao dormitório, ele estava esparramado no sofá, jogando videogame como se nada tivesse acontecido.
Isso me fez hesitar. Eu sabia que Luan era talentoso e levava a música a sério, mas e se ele ficasse chateado por eu ter sido chamado e ele não? Ou pior, e se ele sentisse inveja? Não queria que isso criasse uma tensão entre nós, ainda mais agora que estávamos tão animados com a festa de sexta.
Então decidi seguir com meu dia normalmente.
- E aí, moleque! -Luan falou sem tirar os olhos da tela.- Sumiu, hein. Tava onde?
- Fui comprar as coisas pra festa e depois fui no apartamento do meu pai. -menti.
- Comprou bebida? -Ryan perguntou, saindo do quarto.
- Claro. Vocês tem que confiar na minha lábia na hora de passar pela caixa. -respondi com um sorriso convencido.
- Você deu em cima de uma caixa de novo, né? -Anthony apareceu, já rindo.
- Talvez. -dei de ombros, largando meu casaco no encosto da cadeira.
Os caras caíram na risada.
- Um dia essa tática vai falhar, Bieber. -Luan zombou.
- E até lá eu já terei 21 anos e não precisarei mais dela? -retruquei, pegando uma garrafa d’água.
Luan pausou o jogo e se virou para mim.
- Falando em festa, como estamos com as expectativas?
- Altíssimas. -Anthony respondeu.- Só espero que não apareça gente aleatória do nada.
- Impossível. -Ryan retrucou.- Uma festa no nosso dormitório? A notícia já deve ter se espalhado pelo campus inteiro.
- E vocês garantiram que os seguranças não vão nos foder? -perguntei.
- Tudo sob controle. Mas, se der ruim, jogamos a culpa no aniversariante. -Luan apontou pra mim com um sorriso sacana.
- Ah, muito obrigado, cara. -revirei os olhos, rindo.
A verdade é que eu estava animado pra sexta, mas agora minha cabeça estava em outro lugar. Scooter Braun via potencial em mim. Ele queria trabalhar comigo. Isso poderia mudar tudo.
A noite já tinha caído, e o dormitório estava mais silencioso do que o normal. Depois de toda a zoeira com os caras, eu fui pro meu quarto, tentando relaxar um pouco, mas minha mente ainda estava a mil. A reunião com o Scooter Braun continuava ecoando na minha cabeça, e eu sabia que precisava contar pro Luan em algum momento. Mas hoje não. Hoje, eu só queria curtir a noite tranquila.
Eu estava deitado na cama, mexendo no celular, quando uma mensagem de Bruna apareceu na tela.
"Vem dormir comigo."
Sorri de lado, já levantando da cama antes mesmo de responder.
"Tô indo."
Joguei o celular no bolso do moletom e saí do quarto sem fazer muito barulho. O corredor estava quase vazio, com algumas portas fechadas e luzes apagadas. O dormitório feminino ficava no outro bloco, então tive que atravessar um pequeno corredor antes de chegar lá. O caminho já era familiar. Eu sabia que não podia ser pego ali, mas, honestamente, isso só tornava tudo mais divertido.
Parei em frente à porta e bati de leve. Alguns segundos depois, a maçaneta girou, e quem abriu foi Virgínia.
- Ah, é você. -ela disse, com um sorrisinho divertido.- Pode entrar, mas sem escândalos.
- Sem escândalos? Eu sou a definição da discrição. -brinquei, entrando no quarto.
As meninas estavam jogadas no sofá, assistindo a uma série na TV. Olívia estava abraçada a uma almofada, enquanto Marina segurava uma tigela de pipoca. Elas me olharam e riram baixinho.
- E aí, garoto Bieber. -Olívia disse, sem desviar os olhos da tela.
- E aí, meninas. -cumprimentei, enfiando as mãos no bolso.
- Bruna tá no quarto dela. -Virgínia informou, fechando a porta atrás de mim.
Eu assenti e dei um passo em direção ao corredor, mas Olívia fez questão de me lembrar:
- Sem barulho, por favor.
Marina, que estava do lado dela, riu e acrescentou:
- E não esquece que sua irmã dorme no quarto ao lado.
Levantei as mãos em rendição, rindo baixo.
- Relaxa, eu sou um cara respeitoso.
Elas reviraram os olhos, mas sorriram. Segui pelo corredor estreito, passando por algumas portas até chegar à de Bruna. Girei a maçaneta devagar e entrei.
Ela estava sentada na cama, encostada na cabeceira, mexendo no celular. Usava um short curto e uma blusa larga que caía de um lado do ombro, deixando parte da pele à mostra. Seus cabelos estavam soltos, e ela parecia completamente confortável ali.
Assim que me viu, um sorriso cresceu nos lábios dela.
- Até que enfim. -brincou, largando o celular no criado-mudo.
Fechei a porta atrás de mim e me joguei na cama ao lado dela, soltando um suspiro exagerado.
- Difícil essa vida de ter que atravessar um bloco inteiro pra te ver. -provoquei, apoiando a cabeça na almofada.
Ela revirou os olhos, mas riu.
- Drama.
Me virei de lado, ficando de frente pra ela.
- Como foi o dia?
- Cansativo. -suspirou.- Muitas aulas, muitas tarefas… e você?
- Ah, o mesmo de sempre. -dei de ombros, evitando o assunto da reunião por enquanto.
Bruna me olhou de um jeito que parecia dizer que não acreditava muito em mim, mas não insistiu.
- Então… quer assistir alguma coisa comigo? -perguntou, mexendo no cabelo.
Sorri.
- Na verdade, eu tinha um outro plano.
- Ah, é? Qual?
Me aproximei um pouco, deslizando a mão pela perna dela.
- Acho que você já sabe.
Ela riu baixinho e se inclinou, nossos rostos ficando a centímetros de distância.
- Justin… as meninas já pediram pra gente não fazer barulho.
- Ah, Bruna… você sabe que eu sou um cara silencioso.
Ela riu de novo, mordendo o lábio.
- Isso é mentira.
Me aproximei ainda mais, roçando os lábios nos dela.
- Então acho que você vai ter que me ajudar a ser discreto.
Ela segurou o riso e revirou os olhos, mas cedeu ao beijo logo depois.
Bruna ainda estava deitada ao meu lado, sua cabeça apoiada no meu peito, enquanto eu acariciava seus cabelos com movimentos lentos. Nossas respirações ainda estavam descompassadas, e o quarto estava silencioso, exceto pelo som suave da nossa respiração e dos nossos corações batendo acelerados. Eu gostava desses momentos depois que ficávamos juntos, quando tudo parecia certo, quando nada mais importava além dela ali comigo.
Ela se moveu levemente, se ajeitando, e apoiou o rosto sobre as mãos, suas palmas descansando no meu abdômen. Me olhou de um jeito que me fez prender a respiração por um instante. Eu conhecia aquele olhar. Era como se ela estivesse pesando as palavras antes de falar, e isso sempre me deixava apreensivo.
- Eu vou fazer essa viagem com a Marina para o Brasil. -ela começou, sua voz baixa, mas firme.- Mas quando eu voltar, quero resolver isso com você.
Franzi ligeiramente a testa, observando-a.
- Resolver o quê? -minha voz saiu mais grave do que eu esperava.
Bruna deslizou os dedos distraidamente pelo meu peito, como se estivesse tentando encontrar a melhor forma de continuar.
- A gente precisa decidir o que vai fazer, Justin. -ela disse, finalmente.- Tornar isso oficial ou parar de uma vez.
Engoli seco. Eu sabia que, eventualmente, essa conversa aconteceria, mas não esperava que fosse agora, depois de ficarmos juntos.
Ela continuou:
- Nesses dias que eu estiver fora… você pode ficar com outras garotas, se quiser.
Minha expressão se fechou na hora.
- O quê?
- Eu só acho que seria justo. Você não tem obrigação de me esperar.
A maneira como ela disse aquilo, tentando soar tranquila, mas falhando miseravelmente, me deixou ainda mais confuso. Era como se ela estivesse tentando me afastar, me dar uma saída antes mesmo de sabermos se precisávamos de uma.
Fiquei em silêncio por um momento, apenas olhando para ela.
- Então é isso? Você quer que eu fique com outras garotas enquanto você tá viajando?
Bruna desviou o olhar por um instante, mordendo o lábio, antes de me encarar de novo.
- Eu não quero nada, Justin. Eu só tô dizendo que, se for pra gente decidir alguma coisa quando eu voltar, então nesse tempo você pode fazer o que quiser.
Poder. Essa era a palavra. Poder não significava querer. E, sinceramente, eu não queria.
Suspirei, passando a mão pelo rosto.
- Tudo bem. -respondi, tentando manter minha expressão neutra.
Mas, por dentro, eu não estava nada bem. Porque, mesmo sem ela dizer com todas as letras, eu sabia o que isso significava. Sabia que Bruna estava me dando a chance de me afastar antes que as coisas ficassem ainda mais sérias entre nós. E isso me assustava.
Porque eu gostava dela. Muito mais do que deveria.
E talvez fosse exatamente esse o problema.
Eu já tinha quebrado a cara antes, quando ela escolheu o Harry ao invés de mim. Eu não podia me dar ao luxo de passar por isso de novo. Mas, ao mesmo tempo, a ideia de perder o que quer que fosse isso entre a gente me deixava completamente inquieto.
Bruna me estudou por alguns segundos, como se tentasse decifrar o que eu estava pensando. Mas eu não deixei nada transparecer.
Ela suspirou, se inclinando para depositar um beijo suave no meu peito antes de fechar os olhos, como se estivesse tentando descansar.
Fiquei ali, olhando para o teto, minha mente a mil.
Eu não queria outras garotas. Eu queria Bruna. Mas será que ela queria o mesmo?