Luan Narrando
Era quarta-feira, e eu estava nervoso. Hoje era o dia da reunião com Daniel Carter. Bruna insistiu para me ajudar a escolher uma roupa, e depois de várias opções, acabei optando por um jeans escuro, uma camisa social azul clara e um blazer preto. Eu queria parecer profissional, mas ainda manter minha identidade.
Insisti para que Marina fosse comigo. Ela aceitou na hora, mas fez questão de se arrumar também. Vestia uma saia xadrez elegante, uma blusa branca impecável e um casaco por cima. Em suas mãos, uma bolsa da Louis Vuitton, que eu tinha quase certeza de que estava vazia — Marina era assim, sempre estilosa até nos mínimos detalhes. E, claro, ela estava linda.
Chegamos ao prédio do escritório de Daniel Carter. Era um lugar sofisticado, com um saguão espaçoso e moderno. Caminhei até a recepção, onde uma mulher de aparência séria, mas simpática, nos atendeu.
- Bom dia. Eu sou o Luan Santana. Tenho uma reunião marcada com o senhor Daniel Carter.
Ela conferiu algo no computador, assentindo.
- Sim, senhor Santana. O senhor Carter já foi avisado. Por favor, aguarde um momento, ele já vem recebê-los.
Agradeci e me sentei ao lado de Marina, que cruzou as pernas com elegância e começou a olhar em volta. Mesmo sem falar nada, dava pra ver que estava analisando tudo.
- Relaxa. -ela disse, pousando a mão na minha perna.- Você vai arrasar.
Sorri para ela, tentando absorver sua confiança. Meu coração batia acelerado, mas tentei manter a calma. Alguns minutos depois, um homem alto, de terno bem alinhado e olhar profissional, apareceu no saguão. Ele parecia em torno dos 40 anos, tinha os cabelos escuros bem penteados e um aperto de mão firme.
- Luan Santana? -ele chamou, sorrindo. Me levantei imediatamente.
- Sim, senhor Carter. Prazer em conhecê-lo. -apertei sua mão, tentando soar confiante.
- O prazer é meu. Seu talento me chamou a atenção. -ele então olhou para Marina, que também se levantou.- E quem é essa bela jovem?
- Minha namorada, Marina Bieber. -apresentei.- Ela veio me dar um apoio hoje.
- Ah, claro! -Carter sorriu.- Se tem alguém que acredita no seu trabalho, com certeza é alguém importante na sua jornada. Vamos para a minha sala. Senhorita Bieber, você pode nos acompanhar, se quiser.
Marina pareceu surpresa por um instante, mas depois sorriu e assentiu.
- Eu adoraria.
Fomos guiados até a sala de Carter. O ambiente era sofisticado, com uma grande mesa de madeira escura, algumas poltronas confortáveis e prêmios musicais dispostos em prateleiras de vidro. Sentei-me à sua frente, enquanto Marina se acomodou ao meu lado. Ela mantinha uma expressão neutra, mas sabia que estava atenta a cada detalhe. Eu respirei fundo.
Daniel Carter se recostou na cadeira, entrelaçando os dedos sobre a mesa enquanto me analisava.
- Vou ser direto, Luan. Quando vi seu clipe, soube que você era exatamente o que eu estava procurando.
Engoli em seco, sentindo Marina apertar levemente minha perna sob a mesa.
- Seu talento é inegável. Sua voz, seu desempenho, até sua atuação no clipe... Tudo me impressionou. E, para ser honesto, já faz um tempo que estou querendo lançar alguém de fora dos Estados Unidos no mercado global. A música precisa de novas vozes, de novas culturas sendo representadas.
Meus olhos se arregalaram.
- Sério?
Ele assentiu.
- Veja o Neymar, por exemplo. O mundo todo conhece o talento brasileiro no futebol por causa dele. A Anitta levou o funk para o cenário internacional. Mas o sertanejo... Esse ainda não teve a chance de brilhar globalmente.
Marina sorriu orgulhosa ao meu lado.
- E você acha que eu posso ser essa pessoa? -perguntei, ainda absorvendo tudo aquilo.
- Acho não, tenho certeza. -Daniel afirmou com convicção.- Sua musicalidade, seu carisma... Você tem potencial.
Meu coração acelerou.
- E como isso funcionaria?
Daniel se inclinou para frente.
- Primeiro, quero entender sua visão. Onde você se enxerga daqui a cinco anos? Você quer se manter fiel ao sertanejo ou está aberto a fusões com outros estilos?
Pensei por um momento.
- O sertanejo é a minha essência, mas não descarto experimentar fusões. Sempre admirei artistas que misturam ritmos sem perder sua identidade.
Ele assentiu, satisfeito.
- Ótima resposta. Autenticidade é essencial.
Marina me olhou com orgulho, apertando de leve minha mão.
- E quanto ao inglês? Você tem interesse em gravar músicas no idioma ou prefere manter o português?
- Eu acredito que falo bem em inglês. Acho que, se for algo natural, posso sim cantar em inglês, mas quero manter o português vivo na minha música.
Daniel sorriu.
- Perfeito. Isso reforça sua identidade. Quero que o público te conheça como um artista brasileiro que conquistou o mundo sem perder suas raízes.
Senti um arrepio de empolgação percorrer meu corpo.
- E qual seria o próximo passo?
Daniel inclinou-se um pouco mais para frente e sorriu.
- Você tem disponibilidade para irmos ao estúdio agora?
Marina e eu nos entreolhamos rapidamente. A pergunta me pegou desprevenido, mas nem precisei pensar duas vezes.
- Sim! -respondi, empolgado.
Daniel pegou o telefone sobre a mesa e fez uma ligação rápida.
- Tragam o carro. Estamos descendo.
Nos levantamos e seguimos Daniel para fora do prédio. Assim que saímos pela porta principal, uma limousine preta brilhante parou bem na nossa frente.
Marina e eu piscamos, surpresos, enquanto o motorista descia rapidamente e abria a porta para nós.
- Caramba… -Marina murmurou ao meu lado.
Daniel riu e fez um gesto para que eu entrasse primeiro.
- Vamos, Luan.
Subi na limousine, sentando-me nos assentos de couro luxuosos. Marina veio logo em seguida, ainda meio deslumbrada com tudo aquilo, e por último, Daniel, que se acomodou de frente para nós, já mexendo no celular.
- Estou contatando meu advogado para providenciar os documentos do contrato. -ele avisou, digitando rapidamente.
Marina olhava ao redor, ainda surpresa com o luxo do carro. O teto tinha luzes pequenas que pareciam estrelas, e havia até um barzinho embutido.
- Isso é surreal… -ela murmurou, olhando para mim com os olhos brilhando.
Daniel deu uma risada e desviou o olhar do celular.
- É bom você se acostumar, senhorita Bieber. Você está namorando uma estrela.
Ela arregalou os olhos e riu, balançando a cabeça.
- Meu Deus, que responsabilidade!
Eu soltei uma risada também, sentindo uma mistura de adrenalina e emoção. Eu ainda não acreditava que tudo aquilo estava acontecendo.
Daniel parecia genuinamente empolgado. Assim que a limousine começou a rodar pelas ruas de Nova York, ele guardou o celular e cruzou as mãos, nos analisando com um olhar afiado.
- Luan, você já pensou sobre como sua vida vai mudar quando estourar na mídia?
Engoli em seco.
- Bom… eu imagino que vai ser uma grande mudança.
Ele soltou uma risada breve.
- Grande? -ele balançou a cabeça.- Vai ser gigantesca. Sua vida inteira vai girar em torno da música. Festas, eventos, entrevistas… Você vai viajar o mundo, conhecer lugares e pessoas que jamais imaginou. E o mais importante, sua música vai chegar a lugares que você nunca sonhou alcançar.
Meu coração acelerou. Tudo aquilo parecia irreal.
- Mas, claro, com tudo isso vem a responsabilidade. Você precisa estar preparado. É um mercado competitivo, e eu não estou falando apenas do Brasil. O cenário internacional é outro nível.
Assenti.
- Eu entendo. Sempre soube que não seria fácil.
Daniel sorriu.
- Bom ouvir isso. Me diz uma coisa… Você toca algum instrumento?
- Sim. Violão e guitarra.
Ele arqueou as sobrancelhas, parecendo satisfeito.
- Excelente. Isso vai te dar mais autonomia na composição e nos arranjos. Um artista que toca seu próprio instrumento sempre tem mais autenticidade.
Marina sorriu orgulhosa ao meu lado.
- Ele está sempre tocando. -ela disse, rindo.- Às vezes, acho que o violão é meu concorrente.
Eu ri junto.
- Nunca, amor.
Daniel observou nossa troca com um olhar atento.
- E quanto à composição? Você já escreveu músicas próprias?
Assenti.
- Algumas. Escrevo desde os 14 anos.
- Isso é ótimo. O público gosta de artistas que têm envolvimento na criação das próprias músicas.
Marina se ajeitou no assento.
- Luan já tem um estilo bem definido. Ele sempre soube o que queria com a música.
Daniel sorriu para ela.
- Isso facilita o trabalho. Ninguém quer um artista perdido, sem identidade.
Olhei pela janela por um momento, absorvendo cada palavra. Eu ainda não era famoso. Meu nome ainda não estava em nenhuma playlist, nenhum programa de TV, nenhum prêmio. Mas se tudo desse certo, em pouco tempo, o jogo ia virar.
Daniel continuou:
- Outra coisa importante: sua imagem. Como você quer que o mundo te veja?
- Quero ser eu mesmo. Não quero forçar um personagem.
Ele assentiu.
- Boa resposta. Mas lembre-se, sua imagem vai além do que você veste. É sua atitude, seu posicionamento, sua forma de se conectar com o público. Você precisa ser autêntico, mas também estratégico.
Quando a limousine começou a reduzir a velocidade, percebemos que estávamos chegando. O prédio da gravadora era imponente, com enormes janelas espelhadas e um letreiro sofisticado na entrada.
Antes de sairmos, Daniel se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e nos olhou com seriedade.
- Antes de pisarmos lá dentro, preciso reforçar algo. -ele disse, a voz firme.- Luan, você já sabe a loucura que sua vida vai se tornar. -engoli em seco. Mas então ele virou o olhar para Marina.- Mas você também precisa se preparar. Namorar uma celebridade significa que você se torna uma também, de certa forma. Seus passos serão observados, cada foto, cada interação, cada escolha de roupa pode virar notícia.
Marina cruzou as pernas, mantendo a postura ereta, e sorriu.
- Eu sei disso. -sua voz saiu firme, sem hesitação.- Eu sempre sonhei em ser reconhecida como atriz um dia, mas por conta própria. Não quero usar o Luan como escada para isso.
Daniel arqueou uma sobrancelha, analisando-a.
- Bom ouvir isso. Você tem classe, se comporta bem diante das pessoas, tem uma elegância natural. Isso pode ajudar muito a construir uma imagem pública forte, tanto ora você, quanto pra Luan. Mas também pode ser um alvo fácil para ataques, principalmente de fãs enciumadas.
Ele parecia testar Marina, esperando qualquer sinal de fraqueza ou hesitação. Mas ela manteve o sorriso confiante.
- Eu sei bem o que vem pela frente. -respondeu.- E estou disposta a passar por tudo isso com ele.
Eu senti um calor no peito ao ouvir aquilo. Marina não hesitava em demonstrar que estava ao meu lado, não importava o que viesse.
Daniel pareceu satisfeito. Ele assentiu levemente e olhou para o motorista, que já havia saído do carro para abrir a porta.
- Então, vamos lá.
Descemos da limousine e fomos recebidos por um segurança na porta. O hall da gravadora era luxuoso, com paredes envidraçadas e quadros de discos de platina pendurados. Vários funcionários passavam apressados, cada um com sua função.
- Me acompanhem. -Daniel disse, liderando o caminho.
Marina segurou minha mão enquanto andávamos pelo corredor.
- Isso aqui é enorme. -ela sussurrou.
- Concordo. -sussurrei de volta.
Chegamos a uma grande porta de vidro, que se abriu automaticamente. Dentro, um estúdio impecável nos aguardava. Monitores gigantes, uma mesa de mixagem profissional e um microfone de última geração no centro da sala.
Um homem estava ajustando algumas configurações no computador quando olhou para Daniel e sorriu.
- Você deve ser o Luan. -ele disse, se levantando para apertar minha mão.
- Sou eu mesmo. -respondi, tentando não demonstrar o frio na barriga.
- Eu sou o Jared, produtor musical. Vamos ver o que você tem.
Daniel sorriu para mim.
- Hora da verdade.
Respirei fundo e olhei para Marina, que sorriu em incentivo.
Estava na hora de provar que eu realmente tinha o que era preciso.
Ao entrar no estúdio, a porta se fechou suavemente atrás de mim, isolando qualquer som externo. O ambiente era moderno, com paredes revestidas de espuma acústica e uma cabine de gravação impecável. Tinha violão, guitarra, baterie e teclado posicionados ali, enquanto grandes caixas de som estavam estrategicamente posicionadas para capturar cada detalhe da minha voz.
Do lado de fora, através do vidro, eu via Marina, Daniel e o Jared me observando. Marina cruzava os braços, claramente ansiosa, enquanto Daniel mantinha um semblante neutro, mas atento.
Jared ajustou algumas configurações na mesa de som e falou pelo microfone interno.
- Sem pressa, Luan. Esse momento é seu. Escolha uma música que represente quem você é.
Assenti e respirei fundo. Havia muitas músicas que eu poderia cantar, mas queria que essa apresentação fosse especial, que realmente mostrasse o que eu sentia. Meus olhos vagaram pelo estúdio até encontrarem Marina, que me olhava curiosa.
Foi quando decidi.
Puxei do bolso um caderno pequeno, onde escrevia minhas composições sempre que a inspiração batia. Virei algumas páginas até encontrar uma música que eu havia feito para ela, algum tempo atrás, mas nunca tive coragem de cantar em voz alta, nem ela havia escutado.
Ajeitei os fones no ouvido, posicionei o violão no colo e olhei para o Jared, que já tinha ativado os microfones.
- Estou pronto.
Toquei os primeiros acordes, sentindo um leve tremor nas mãos, mas assim que comecei a cantar, tudo desapareceu.
- Parece que o mundo parou de girar
Quando você me olhou e me fez sonhar
Me apaixonei
Minha voz ecoou pelo estúdio, suave no começo, ganhando força conforme eu me entregava à música.
- E nesse momento parece que o mar e as estrelas do céu
Puderam me ver te amar
Me entreguei e senti
A magia do amor sobre mim
Do outro lado do vidro, vi Marina levar uma mão à boca, emocionada. Seus olhos brilhavam, e ela parecia mal acreditar no que estava ouvindo.
Daniel e o Jared trocaram olhares, surpresos, mas deixaram que eu terminasse a música sem interrupções.
- E agora não tem quem arranque
Você de dentro do meu coração
Você é minha fantasia, meu sonho lindo, minha ilusão
Eu esperei a hora que eu pudesse te dizer
O meu destino é pra sempre amar você!
Quando toquei o último acorde, deixei a nota se dissipar no ar antes de levantar os olhos. Marina ainda estava parada, piscando algumas vezes, como se estivesse absorvendo tudo.
O Jared foi o primeiro a falar, sua voz soando pelo microfone interno.
- Cara… Isso foi incrível.
Daniel sorriu, satisfeito.
- Exatamente o que eu esperava.
Marina, por outro lado, não disse nada. Mas pelo olhar que me lançou, eu sabia que ela havia sentido cada palavra.
Saí da cabine com o coração acelerado, sabendo que aquela apresentação mudaria tudo — não só minha carreira, mas também o que Marina e eu significávamos um para o outro.
Assim que terminei de cantar, os elogios começaram a chover. Daniel, com um sorriso largo no rosto, foi o primeiro a falar.
- Uau, Luan, você tem algo único. Sua voz, a interpretação, a letra... Tudo se encaixa perfeitamente. Esse é o tipo de talento que eu quero no meu time.
Jared, o produtor, também não poupou palavras.
- Isso foi incrível, Luan. Você não é apenas um cantor, você é um artista. Sua presença, a maneira como você transmite emoções… Estamos falando de algo grande aqui.
Eu estava ainda com o coração acelerado, e Marina parecia completamente emocionada. Ela permanecia em silêncio, observando tudo com os olhos marejados, mas não dizia nada. Eu sabia que ela estava absorvendo tudo o que estava acontecendo, ainda mais depois de ouvir a música que compus para ela. Ela provavelmente estava se sentindo tão conectada àquele momento quanto eu.
Então, alguém bateu na porta. Jared, sem tirar os olhos de mim, gritou para entrar.
- Pode entrar.
A porta se abriu e uma mulher, que eu reconheci como a secretária de Daniel, entrou com uma pilha de papéis nas mãos. Ela se aproximou rapidamente e entregou os documentos a Daniel.
- Chegaram por fax, para o senhor Carter.
Daniel pegou os papéis e, assim que viu do que se tratava, seu olhar se intensificou. Ele me olhou, passando o contrato para minha direção.
- É isso. O contrato está aqui. Agora é a sua chance, Luan. É agora ou nunca.
Ele me entregou uma caneta, seus olhos fixos nos meus, aguardando minha decisão. A pressão era enorme. Olhei para Marina, que estava ainda com o semblante emocionado, mas, ao contrário do que eu esperava, ela não parecia querer se meter. Ela me deu um sorriso pequeno, um gesto de apoio, como se dissesse "a decisão é sua". Eu sabia que, independente do que eu escolhesse, ela me apoiaria.
Eu respirei fundo, sentindo o peso da decisão sobre meus ombros, e então, sem hesitar, peguei a caneta e assinei o contrato. O som da caneta deslizando pelo papel ecoou no estúdio.
Jared e Daniel trocaram olhares satisfeitos, e então Daniel me parabenizou.
- Você não vai se arrepender dessa decisão, Luan. Isso é só o começo.
Jared, ainda com um sorriso largo, levantou-se e se dirigiu à porta.
- Vou pedir para trazerem champanhe. Vamos comemorar essa grande conquista!
A secretária voltou rapidamente com uma bandeja, trazendo quatro taças de champanhe bem cheias. Daniel levantou sua taça, os olhos brilhando com entusiasmo.
- Um brinde a você, Luan, ao seu futuro. A sua estrela acaba de nascer!
Brindamos, e a sensação de vitória encheu o ar. Cada um de nós ergueu sua taça, e naquele momento, tudo parecia possível. A música, a vida que eu sonhava, estava ao meu alcance.
Após a comemoração, saímos do estúdio. Daniel, ainda com aquele sorriso de satisfação, se despediu de nós.
- Parabéns, Luan. E Marina, você está com um cara incrível. Até mais, pessoal.
Ele se dirigiu à limousine, e antes de entrar, olhou para nós uma última vez, dizendo:
- Nos vemos em breve.
O motorista fechou a porta da limousine, e a limousine desapareceu na rua.
Marina, que havia ficado ao meu lado o tempo todo, me abraçou forte. Eu podia sentir a emoção dela vibrando em cada toque. Ela me olhou nos olhos, com os lábios trêmulos de felicidade.
- Eu estou tão orgulhosa de você, Luan... Não só pela música, mas por tudo. Por essa assinatura, por tudo o que está por vir. Isso merece uma comemoração! Você está indo para lugares incríveis, e eu estarei aqui com você, a cada passo.
Ela me apertou ainda mais forte, e eu respirei fundo, sentindo o peso da sua confiança e apoio.
- Obrigado, Marina... Por estar ao meu lado em tudo isso. Eu não faria isso sem você.
Nos afastamos um pouco, e ela me deu um sorriso brilhante, como se já soubesse que, para mim, ela era a minha maior inspiração.
- Agora, vamos comemorar. Essa noite é toda nossa. Não vai ser só o seu sucesso. Vai ser o nosso.
Eu sorri, segurando a mão dela, sabendo que aquele seria um momento que, de alguma forma, mudaria nossas vidas para sempre.
Marina pegou o celular e chamou um Uber. Eu imaginei que voltaríamos para o campus, mas quando o carro parou em frente a um hotel enorme e luxuoso, franzi a testa, confuso.
- Marina...? -lhei para ela, esperando alguma explicação.
Mas ela apenas sorriu misteriosamente e pegou minha mão, me arrastando pelo hall do hotel como se já soubesse exatamente para onde ir. O saguão era impecável, com um enorme lustre de cristal pendendo do teto alto, o piso de mármore refletindo as luzes sofisticadas e funcionários vestidos impecavelmente andando de um lado para o outro. O cheiro de flores frescas no ar denunciava que o lugar não era apenas luxuoso, mas extremamente bem cuidado.
Chegamos até o balcão da recepção, e assim que a recepcionista levantou os olhos e viu Marina, sua expressão se iluminou de surpresa.
- Meu Deus! Marina? Olha só o quanto você cresceu!
Marina sorriu, claramente feliz em reencontrá-la.
- Rebecca! Quanto tempo! Como você está?
As duas trocaram algumas palavras rápidas, como velhas conhecidas. Eu observava tudo sem entender nada. Pelo jeito que conversavam, Marina já tinha frequentado aquele hotel antes.
Então, Marina se virou para mim e me apresentou:
- Esse aqui é o Luan, meu namorado.
Rebecca me olhou com um sorriso simpático e acenou com a cabeça.
- Muito prazer, Luan.
Eu apenas sorri de volta, ainda tentando entender aonde aquilo tudo ia dar.
Marina logo cortou o papo e perguntou:
- Tem algum quarto vago pra mim hoje?
Rebecca sorriu, já sabendo a resposta.
- Para você? Sempre. A suíte presidencial é toda sua essa noite.
Eu pisquei, surpreso, enquanto Rebecca pegava uma chave magnética e entregava a Marina, que a pegou sem hesitar.
- Obrigada! -disse ela, animada.
Ela então segurou minha mão novamente e me puxou em direção aos elevadores. Eu a segui, ainda mais confuso.
- Marina... O que está acontecendo?
Ela me olhou divertida, esperando exatamente essa pergunta.
- Eu já te contei que meu pai é dono de vários hotéis pelo país?
A ficha caiu imediatamente.
- Espera... Esse hotel também?
Ela riu e balançou a chave no ar.
- Principalmente esse.
Fiquei em silêncio por um momento, processando tudo aquilo. Marina sempre foi elegante, sempre teve um jeito sofisticado, mas eu nunca tinha parado para pensar no que aquilo realmente significava.
Quando as portas do elevador se abriram, ela me puxou para dentro e apertou o botão do último andar. Eu ainda estava tentando juntar as peças, enquanto ela apenas sorria, curtindo minha reação.
- Você achou mesmo que íamos voltar para o campus hoje? +ela provocou.
Eu soltei um riso baixo, balançando a cabeça.
- Eu não sei o que achei, mas definitivamente não era isso.
Ela apenas apertou minha mão e encostou a cabeça no meu ombro enquanto o elevador subia.
Eu não sabia o que me esperava naquela noite, mas uma coisa era certa: com Marina, eu nunca sabia o que vinha a seguir.
Assim que entramos na suíte presidencial, fui imediatamente surpreendido pelo luxo do lugar. O espaço era enorme, muito maior do que qualquer quarto de hotel que eu já tinha visto. O chão era coberto por um tapete macio, e os móveis eram modernos e sofisticados. Havia uma sala de estar com um sofá espaçoso, uma televisão enorme na parede e, mais ao fundo, uma cama king size perfeitamente arrumada, com lençóis brancos impecáveis. Um enorme lustre pendia do teto, iluminando tudo de maneira aconchegante.
Marina, que parecia completamente à vontade ali, tirou os sapatos de salto e pegou sua bolsa.
- Já volto. -disse ela, misteriosa, antes de seguir em direção ao banheiro.
Fiquei ali, parado por alguns segundos, tentando entender tudo que estava acontecendo. Marina tinha planejado essa noite, e eu mal podia imaginar o que mais estava por vir.
Antes que eu pudesse pensar muito, ouvi uma batida na porta.
Fui até lá e abri, encontrando um funcionário do hotel de uniforme impecável, empurrando um carrinho de serviço de quarto.
- Serviço de quarto. -ele anunciou, conferindo um pequeno tablet antes de me olhar.- Esta é a suíte da Senhorita Bieber?
Demorei um segundo para responder.
- Sim...
Ele assentiu e entrou, empurrando o carrinho para dentro. Nele, havia um balde de prata com gelo, uma garrafa de champanhe e duas taças elegantes.
- Desejam mais alguma coisa?
Ainda surpreso, apenas balancei a cabeça.
- Não, obrigado.
Ele se retirou educadamente, fechando a porta atrás de si.
Me virei para olhar o carrinho, ainda absorvendo tudo aquilo. Eu não tinha visto Marina pedir nada, mas, pelo jeito, ela tinha planejado tudo nos mínimos detalhes.
Peguei a garrafa de champanhe, passando os dedos pelo vidro gelado, e soltei um sorriso baixo.
- Marina... o que você está aprontando? -murmurei para mim mesmo.
Antes que eu tivesse tempo de pensar mais sobre isso, ouvi sua voz suave me chamando.
- Luan...
Me virei na direção do banheiro, e o que vi fez meu coração parar por um segundo.
Marina estava parada na porta, encostada no batente, usando um baby doll vermelho de seda que moldava seu corpo perfeitamente. O tecido fino caía de maneira delicada sobre sua pele, e a pequena fenda na lateral revelava mais do que o necessário para me deixar sem palavras.
Seus cabelos soltos desciam em ondas pelos ombros, e seus olhos brilhavam com uma mistura de expectativa e diversão ao ver minha reação.
Minha boca ficou seca.
- Então... -ela começou, com um sorriso provocante.- Gostou da surpresa?
Eu engoli em seco, sentindo o coração acelerar.
- Você... -parei por um instante, tentando organizar meus pensamentos.- Você realmente pensou em tudo, né?
Ela deu um passo à frente, fechando um pouco mais a distância entre nós.
- Eu queria que essa noite fosse especial. Você merece.
Olhei para Marina, ainda tentando absorver tudo. A música, o contrato, a limousine, a suíte... e agora, ela ali, na minha frente, linda daquele jeito.
A única coisa que eu sabia era que essa noite ficaria marcada para sempre.