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Capítulo 8

Justin Narrando 

Eu estava deitado na minha cama, com o celular na mão, rolando o feed do Instagram sem prestar muita atenção. Minha mente insistia em voltar para mais cedo, na boate, quando dancei com Bruna. Eu sentia o perfume dela misturado com o cheiro de bebida e cigarro do ambiente, mas o que realmente ficou gravado foi a forma como ela se movia comigo, como se estivéssemos sincronizados sem nem precisar falar nada.

O olhar dela queimava o meu, cheio de um desafio que me deixava inquieto. A forma como ela sorria quando eu chegava perto demais, sem se afastar, mas também sem dar o próximo passo. 

Suspirei e deixei o celular de lado, passando a mão no rosto. Eu precisava parar de pensar nisso. Mas então ouvi um barulho estranho vindo do quarto do Luan.

Franzi o cenho e me sentei na cama, prestando mais atenção. No começo, parecia apenas um som abafado, mas depois ficou mais nítido: risadas baixas, sussurros e... gemidos? Arqueei uma sobrancelha, já entendendo o que estava acontecendo.

- Não é possível... -murmurei para mim mesmo.

Eu sabia que Luan e Marina tinham uma conexão estranha, cheia de provocações e discussões, mas isso? Isso eu realmente não esperava. Me joguei de volta no colchão, balançando a cabeça.

- Que loucura... -resmunguei, pegando o celular de novo.

Eu precisava de um jeito de tirar Bruna da minha cabeça, mas, pelo visto, naquela noite, o universo inteiro estava determinado a me manter acordado.

Deitado na minha cama, continuei mexendo no celular, rolando o feed do Instagram sem muito interesse. Até que uma foto chamou minha atenção. Era Bruna junto de Olivia, Virginia e Marina antes de irem para a boate. Elas estavam deslumbrantes, mas foi nela que meu olhar ficou preso. O vestido justo valorizava suas curvas, e o sorriso dela parecia iluminar a foto. Meu dedo ficou parado na tela por alguns segundos.

brusantanareal Girls Night ✨
@marinabieber @virginiaweston_ @olivia_mitch
Ela estava acordada.

Pensei se deveria mandar uma mensagem. Depois da noite na boate, do jeito que dançamos, do flerte intenso, algo dentro de mim queria mais. Mas ao mesmo tempo, Bruna era complicada. Eu sabia que não era o único na cabeça dela. E talvez fosse exatamente isso que me instigava ainda mais.

Saí da foto e abri nossa conversa no WhatsApp. Não trocávamos muitas mensagens, mas eu sabia que ela veria se eu mandasse algo. Digitei uma mensagem, apaguei, digitei de novo. Suspirei e larguei o celular no criado-mudo. Estava tarde, e eu precisava dormir. Amanhã seria outro dia.

Virei para o lado na cama, ajustando o travesseiro e fechando os olhos. Tentei ignorar qualquer outro pensamento e apenas relaxar.

No dia seguinte, acordei com o barulho do despertador, mas levei alguns minutos para realmente sair da cama. Me espreguicei, sentindo o corpo um pouco pesado da noite anterior. A boate, as bebidas, a dança… tudo parecia um borrão agora.

Peguei o celular para ver as notificações. Algumas mensagens no grupo dos caras, uma de minha mãe perguntando como eu estava, e… nada de Bruna. Não que eu estivesse esperando algo, mas… sei lá.

Levantei e fui direto para o banheiro, tomando uma ducha rápida para espantar o resto do sono. Quando fui para a sala, Ryan estava no meu quarto, mexendo no celular sentado na minha cama.

- Finalmente acordou, cara. -ele comentou, sem tirar os olhos da tela.- Tá sabendo da treta de ontem?

- Que treta? -perguntei, pegando uma camisa limpa.

- A polícia bateu lá na boate ontem por conta da denúncia, e pegaram um monte de gente bebendo sem ter 21 anos.

- Sério? -franzi a testa, lembrando do caos na saída.- Sorte nossa que saímos na hora certa.

- Pois é. Se ferraram bonito.

Dei de ombros e vesti a camisa. Ainda estava um pouco cansado, mas pelo menos o dia já tinha começado sem problemas. Agora era ver o que mais vinha pela frente.

Depois de vestir minha camisa, Ryan e eu descemos pra sala, onde encontramos Anthony quase cochilando no sofá, me sentei na poltrona e passei as mãos no rosto, tentando afastar o resto do sono. Ryan continuava vidrado no celular, provavelmente vendo alguma besteira qualquer.

O barulho da porta do quarto ao lado se abrindo fez com que ambos levantassem o rosto olhar. Luan desceu as escadas tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. Estava com o cabelo um pouco bagunçado e a camisa meio amassada, mas sua expressão era de pura indiferença.

- Bom dia. -ele disse, pegando uma garrafa de água na geladeira e bebendo um gole.

Anthony que estava quase cochilando, se sentou no sofá e trocou olhares com Ryan, antes de começaram a rir.

- Bom dia nada, irmão. A gente quer saber quem foi. -Anthony disparou, apontando para ele.- A gente ouviu tudo.

Luan engasgou com a água e tossiu algumas vezes.

- Que merda vocês tão falando?

- Ah, qual é, Luan. -Ryan se encostou na parede com um sorriso sacana.- Você acha que a gente não ouviu a cama rangendo de madrugada?

Luan olhou para eles com a cara mais lavada do mundo, como se realmente não soubesse do que estavam falando.

- Deve ter sido imaginação de vocês. Eu dormi a noite inteira. -Anthony riu alto.

- Aham, sei. Você e sua imaginação deviam estar muito ocupados ontem à noite, né? -Luan revirou os olhos e tentou desconversar.

- Vocês falam muita merda logo cedo.

Mas eu não ia deixar ele escapar tão fácil. Apoiei os cotovelos nos joelhos e abri um sorriso de canto.

- Relaxa, caras, eu conto pra vocês. A garota misteriosa foi minha irmã.

O silêncio que se seguiu foi quase cômico. Ryan e Anthony arregalaram os olhos ao mesmo tempo, como se tivessem acabado de levar um soco no estômago.

- Pera… o quê? -Ryan piscou algumas vezes, tentando processar.

- Você tá zoando, né? -Anthony franziu a testa, como se esperasse que eu começasse a rir e dissesse que era brincadeira. Luan suspirou, passando a mão pelo rosto.

- Valeu, Justin. Muito obrigado. -Ryan caiu na gargalhada.

- Mano, você transou com a Marina?!

Luan não disse nada, apenas cruzou os braços e olhou para o outro lado.

Anthony deu um assobio baixo e balançou a cabeça.

- Irmão do céu… isso é ousado. -Anthony falou e eu ri da reação deles.

- Pois é. Só estou avisando que, se fizer merda, Luan, você vai ter que lidar comigo. -Luan me olhou nos olhos e ergueu as mãos em rendição.

- Relaxa, Bieber. Sei exatamente no que tô me metendo.

Eu não sabia se aquilo me deixava mais tranquilo ou mais preocupado. 

Anthony e Ryan ainda pareciam em choque com a revelação. Anthony ria baixo, balançando a cabeça como se não conseguisse acreditar.

- Cara… eu não acredito que ela veio aqui depois de tudo. -ele olhou para Luan, depois para mim.- Você não tá puto, Justin? -dei de ombros, pegando meu celular do meu bolso.

- Desde que ele não faça merda, tá tudo certo. -Luan bufou, cruzando os braços.

- Eu tô bem aqui, tá?

Ryan ainda ria.

- Você tem noção do nível de merda que isso pode dar? A Marina é meio brava, velho. Se você pisar na bola, tá ferrado. E tem o Victor também na história. -Luan revirou os olhos.

- Vocês tão exagerando demais. Não tem nada de mais nisso. E pelo o que sei, Victor e ela não tem nada sério.

Anthony ergueu as mãos.

- Tá bom, tá bom. Mas a gente quer saber os detalhes.

- Nem fodendo. -Luan pegou a garrafa de água e subiu as escadas de volta pro quarto.

Os caras riram, e eu balancei a cabeça, achando graça da situação. Mas, honestamente, eu não queria mesmo saber dos detalhes. Só de pensar que minha irmã tava pegando meu amigo já era estranho o suficiente.

Desbloqueei a tela do meu celular e vi que tinha uma nova mensagem de Bruna.

"Me diverti muito ontem."

Fiquei encarando a tela por alguns segundos antes de digitar uma resposta.

"Foi uma boa noite mesmo."

Ela visualizou rápido e, segundos depois, me mandou um emoji de coração roxo.

Aquilo me fez sorrir de canto.

Mordi o lábio, hesitante, mas resolvi arriscar.

"Tá afim de tomar café da manhã em algum lugar?"

Fiquei esperando a resposta, me perguntando se ela aceitaria.

Vi que Bruna visualizou minha mensagem, mas ela não respondeu de imediato. Enquanto isso, levantei do sofá e fui até o banheiro, escovar os dentes. Quando voltei para o quarto, o celular vibrou.

"Onde?"

Sorri de canto.

"Onde você quiser. Tem uma cafeteria perto do campus que dizem que é boa."

Dessa vez, a resposta veio mais rápido.

"Pode ser. Em meia hora?"

"Fechado."

Olhei para o relógio. Era cedo ainda, mas eu não ia perder essa oportunidade. Peguei uma roupa qualquer, um jeans e uma camiseta preta, vesti rápido e passei a mão nos cabelos para dar uma arrumada.

Quando desci, Ryan e Anthony ainda estavam na sala, mas Luan não estava por perto.

- Tá saindo cedo, hein? -Ryan comentou, me olhando com um sorriso suspeito.

- Tenho um compromisso. -Anthony ergueu as sobrancelhas.

- Com quem? -dei um meio sorriso antes de responder.

- Bruna.

Os dois se entreolharam.

- A Bruna? -Anthony repetiu, enfatizando o nome dela.

- Sim. -Ryan soltou um assobio baixo.

- Tá brincando com fogo, Bieber. Luan sabe disso?

- Não. -segui para a porta.- Mas ele tá comendo minha irmã, então não tem que falar nada 

Os dois riram, mas eu não dei bola.

Saí do dormitório e segui em direção à cafeteria onde combinamos. Será que Bruna via isso como um simples café entre amigos? Eu não tinha tanta certeza.

Cheguei na cafeteria alguns minutos antes do horário combinado. Escolhi uma mesa perto da janela, onde dava para ver o movimento da rua, e fiquei mexendo no celular enquanto esperava.

Não demorou muito para Bruna aparecer. Ela vestia uma calça jeans clara e um moletom oversized, os cabelos presos num coque, e segurava o celular em uma mão enquanto olhava ao redor, me procurando. Quando seus olhos encontraram os meus, ela sorriu de leve e veio até a mesa.

- Bom dia, Bieber. -ela disse, puxando a cadeira e se sentando.

- Bom dia. Dormiu bem?

- Depois de ontem, parecia que eu tinha corrido uma maratona. -ela riu, pegando o cardápio.- Mas foi divertido. Até a parte que fugimos da boate com medo da polícia.

- Foi mesmo. -concordei, rindo e relembrando da noite passada.

Bruna olhou o cardápio rapidamente e suspirou.

- Eu preciso de um café bem forte. E você?

- O mesmo. E algo para comer, senão vou desmaiar.

Ela riu e chamamos a garçonete para fazer os pedidos. Depois de anotar tudo, a moça se afastou, nos deixando sozinhos.

- E então? -Bruna apoiou os braços na mesa e me olhou.- Isso foi só um convite aleatório ou tem alguma segunda intenção? -sorri de canto.

- E se eu disser que só queria tomar café da manhã com uma companhia legal?

- Eu diria que você tá sendo muito fofo pra quem tem uma má fama por aí. -ela brincou.

- Talvez eu esteja tentando melhorar minha imagem.

Bruna me olhou por um momento, como se tentasse entender o que eu realmente queria dizer.

- Sei... -ela disse, cruzando os braços.- Você tem outras segundas intenções, Bieber?

- Se eu disser que sim, você vai sair correndo?

- Talvez.

Rimos juntos.

Nosso café chegou e começamos a comer, o papo fluindo de maneira leve e descontraída. Mas eu sabia que, por mais que tentássemos disfarçar, tinha algo ali. Alguma coisa entre nós estava crescendo.

O café da manhã estava bom, mas a companhia era ainda melhor. Bruna e eu conversávamos sobre vários assuntos, e a cada minuto eu percebia como ela era diferente das outras garotas com quem eu já tinha saído.

- E depois da faculdade? Vai continuar por aqui? -perguntei, pegando mais um gole do meu café. Bruna deu um suspiro leve e balançou a cabeça.

- Não posso. Meu visto é de estudante, e quando acabar o curso, tenho que voltar pro Brasil. Conseguir um visto pra ficar aqui depois é complicado.

Fiquei surpreso. Nunca tinha parado pra pensar nisso.

- Sério? Mas você quer voltar?

- É claro que não! -ela riu.- Mas não tenho muita escolha.

- E se arrumasse um trabalho aqui?

- O visto de trabalho é ainda mais difícil de conseguir. A menos que uma empresa me banque… e estilistas recém-formadas não são tão disputadas assim. 

Ela falava tentando parecer tranquila, mas eu conseguia ver que isso a incomodava.

- Isso é uma droga. -comentei.

- Pois é. Mas faz parte. Eu já me acostumei com a ideia. -Bruna cortou um pedaço da panqueca no prato e olhou pra mim com um meio sorriso.- Mas chega de falar disso. Tá parecendo até despedida.

- Verdade. Ainda temos muito tempo antes de você ser deportada.

Ela riu e jogou um guardanapo na minha direção.

- Idiota.

O clima entre nós estava leve, mas no fundo, eu sabia que aquela conversa ficaria na minha cabeça.

Eu não gostava da ideia de Bruna indo embora.

E pela forma como ela me olhava, eu tinha a impressão de que ela também não gostava tanto assim.

Depois que paguei a conta, saímos do café e começamos a andar juntos de volta para o campus. O vento frio batia no rosto, mas o sol ainda tentava aquecer um pouco o dia. 

- Esqueci de te contar. -disse ela.- Consegui cancelar seu banimento e do resto dos meninos nas festas do segundo ano. -franzi o cenho, surpreso.

- Sério? Como você fez isso? -ela deu de ombros, soltando o coque e jogando os cabelos para trás de um jeito meio casual demais.

- Eu sei convencer as pessoas.

Foi aí que eu entendi.

Ela e Harry transaram.

Fazia sentido. O jeito como ela desconversou, o tom de voz, aquele olhar de quem não queria explicar demais. Eu podia não conhecer Bruna tão bem assim, mas já dava pra notar quando ela escondia alguma coisa.

Não falei nada, só continuei andando, as mãos enfiadas nos bolsos da calça.

- Você tá bravo? -ela perguntou, depois de alguns segundos de silêncio. Olhei para ela de canto de olho.

- Bruna, você faz o que quiser com a sua vida.

Ela ficou me encarando por um momento, como se tentasse decifrar o que eu realmente queria dizer com aquilo. Então soltou um suspiro curto e desviou o olhar, mordendo o canto do lábio.

- Tá bom.

Seguimos andando, sem falar mais nada.

Mas, por algum motivo, aquela conversa ficou martelando na minha cabeça mais do que deveria.

Quando chegamos perto do dormitório das meninas, ela parou e se virou para mim.

- Obrigada pelo café. -disse, com um pequeno sorriso.

- Que isso. -respondi.

Ela hesitou por um segundo, como se quisesse dizer mais alguma coisa, mas acabou apenas acenando com a cabeça e dando meia-volta para entrar no prédio.

Fiquei parado ali por um instante, olhando ela sumir pela porta. Então suspirei e segui para o meu próprio dormitório.

Quando entrei no meu dormitório, Ryan estava largado no sofá assistindo algo no notebook, enquanto Anthony mexia no celular. 

- Como foi o café com a Bruna? -Ryan perguntou, sem tirar os olhos da tela.

- De boa. -respondi, jogando meu celular na mesinha de centro e me jogando na poltrona. Anthony levantou os olhos do celular.

- Só isso? De boa?

Dei de ombros.

- A gente só comeu, conversou e voltou.

Ryan pausou o que estava assistindo e se virou para mim com um sorriso de quem não acreditava em uma palavra do que eu disse.

- E o que vocês conversaram?

- Várias coisas.

- Tipo? -Anthony insistiu. Revirei os olhos.

- Tipo que ela conseguiu tirar a gente do banimento das festas dos veteranos. -Ryan arregalou os olhos.

- Sério? Como?

Suspirei, me recostando na poltrona.

- Ela desconversou quando perguntei, mas eu já saquei o que rolou. -Anthony franziu a testa, tentando entender. Então, de repente, pareceu captar.

- Ah… -ele disse, trocando um olhar rápido com Ryan.- Ela transou com o Harry?

Assenti.

Anthony deu uma risada baixa.

- Bom, pelo menos ela conseguiu o que queria.

Não respondi. Só peguei meu celular de volta e desbloqueei a tela, como se aquilo não me afetasse. Mas Ryan e Anthony já tinham me sacado.

- Tá incomodado? -Ryan perguntou, me analisando. Fiz uma careta.

- Ela faz o que quiser da vida dela.

- Isso não respondeu minha pergunta.

Bufei e me levantei.

- Vou dormir.

Saí dali antes que eles pudessem continuar com a provocação. Mas, mesmo deitado na minha cama, com os olhos fechados e o quarto escuro, uma coisa não saía da minha cabeça.

Bruna.

E Harry.

Droga.

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