Bruna Narrando
Eu cheguei no dormitório rindo com Olivia e Virgínia. A gente tinha passado o dia na Quinta Avenida, andando de loja em loja, experimentando roupas que a gente não podia pagar e tirando várias fotos.
- Meu Deus, eu nunca andei tanto na minha vida. -Olivia reclamou, jogando as sacolas no sofá.
- Mas valeu a pena, olha esse vestido! -Virgínia ergueu um vestido preto justíssimo.
- Com certeza valeu. -concordei, largando minhas sacolas no canto.- Eu tô morta de fome. -Olivia olhou ao redor e franziu a testa.
- Ué, cadê a Marina?
- Deve tá no quarto dela. -respondi, vendo o notebook dela na mesinha de centro.
Subi as escadas e a chamei:
- Marinaaa, chegamos!
Nenhuma resposta.
- Estranho. -murmurei, indo até o quarto dela. Bati na porta.- Marina?
Ainda nada.
Foi então que a porta do quarto dela se abriu com tudo e Marina saiu de lá, vestida com um short e uma blusa larga, mas com uma expressão tão transtornada que me fez parar.
- O que foi? -perguntei, confusa.
Ela piscou algumas vezes e negou com a cabeça.
- Nada. Você não quer saber.
Agora eu queria saber.
- O que aconteceu?
Marina então puxou meu braço, me levando pra dentro do seu quarto.
- Meu Deus, Marina, você tá me assustando! -falei, quando ela fechou a porta.
Ela me olhou por um segundo e depois cobriu o rosto com as mãos.
- Eu… acabei de passar a maior vergonha da minha vida.
Arqueei a sobrancelha.
- O que você fez? -ela respirou fundo.
- O Luan me viu pelada.
Pisquei algumas vezes, sem acreditar no que ouvi.
- O QUÊ?!
- SHHHH! -ela tampou minha boca com a mão.- Não fala alto! -empurrei a mão dela e arregalei os olhos.
- Como assim, ele te viu pelada?
Marina gemeu de vergonha e começou a andar de um lado para o outro.
- Eu saí do banho, achei que eram vocês aqui, mas quando virei… o Luan tava saindo do seu quarto! A gente levou um susto e eu… sei lá, a toalha caiu!
Minha boca se abriu em choque.
- MEU DEUS!
- Eu sei! -Marina afundou o rosto nas mãos.
E então, algo aconteceu.
Eu comecei a rir.
De verdade.
Dei tanta risada que precisei me sentar na cama.
- Isso não tem graça! -Marina reclamou.
- Tem sim! -eu disse, rindo ainda mais.- O Luan viu você pelada, Marina! Eu queria ter visto a cara dele! -ela jogou uma almofada em mim.
- Cala a boca, Bruna!
Mas eu não conseguia parar de rir.
- Ele deve ter ficado em choque!
- Óbvio que ficou! -Marina cruzou os braços.- Ele saiu tateando o caminho pra porta igual um cego! -isso só me fez rir ainda mais.
- Meu Deus, isso é muito bom!
Marina bufou, mas no fundo, eu sabia que ela também achava um pouco engraçado.
- Se você contar isso pra alguém, eu te mato.
- Eu nunca faria isso. -garanti, ainda rindo.
Mas eu não precisava contar. A expressão do Luan na próxima vez que ele visse Marina já diria tudo.
Virgínia entrou no quarto com um sorriso curioso, e Olivia seguiu logo atrás, olhando pra nós, tentando entender o motivo da nossa risada.
- O que está acontecendo? -Olivia perguntou, arqueando uma sobrancelha.
Eu dei um rápido sorriso, tentando disfarçar a situação constrangedora.
- Ah, nada, só uma piada interna. -menti, jogando meu cabelo para o lado e tentando parecer descontraída.
Marina rapidamente assentiu, concordando com a minha explicação.
- É, só isso mesmo. -Virgínia olhou para nós duas com um sorriso travesso.
- Ah, sei... Então, o que acham de irmos pra uma boate hoje? Quero estrear meu vestido novo, e acho que vai ser divertido!
- Boa ideia, eu topo! -respondi, empolgada.
- Eu também! -Marina disse, finalmente sorrindo.
Virgínia, satisfeita, pegou seu celular e rapidamente começou a digitar uma mensagem para alguém.
Olivia se aproximou por trás dela, olhando com uma expressão incrédula para o celular de Virgínia.
- Você está chamando o Anthony? -ela perguntou, claramente indignada.
Eu congelei por um segundo, meu coração acelerando. Anthony? Se ele fosse, com certeza Justin também iria. O pensamento me deu um frio na barriga, mas eu tentei disfarçar.
Virgínia deu de ombros, sem perceber o impacto que suas palavras causaram.
- Claro, ele vai adorar.
Eu engoli em seco, tentando manter a calma. Olhei para Marina, que também estava um pouco desconfortável com a situação.
Olivia parecia irritada, mas, de alguma forma, acabou aceitando, já que parecia que o plano estava em andamento.
- Então tá, vai ser divertido, mas tomara que você não fique grudada no Anthony a noite toda. -Olivia disse, com um toque de sarcasmo.
Virgínia apenas riu, ignorando o tom de Olivia, e continuou digitando na tela do celular.
Fui até o meu quarto, coloquei as sacolas com as roupas que havia comprado em cima da cama e comecei a guardar tudo. Meu celular vibrava constantemente, mas fui ignorando até que vi uma notificação de Justin. Ele tinha me mandado um vídeo no TikTok. Era o terceiro dia seguido que trocávamos vídeos e, mesmo que estivesse me divertindo, não conseguia parar de pensar no que aconteceu ontem à noite. Como eu me senti quando vi ele beijando a Alicia? Aquilo me incomodou, mas eu não sabia o porquê. Será que eu tinha ciúmes? Suspirei e, tentando disfarçar, respondi com alguns emojis rindo.
Fui direto para o Instagram, dei uma olhada nos stories e vi que Harry havia postado uma foto sem camisa logo cedo, seguido de uma foto na academia. Meu Deus, ele estava em ótima forma. Não pude deixar de notar o quanto ele era gostoso, mas rapidamente tentei desviar os pensamentos para algo mais tranquilo.
De repente, uma notificação de WhatsApp apareceu. Era Luan, perguntando se eu já tinha voltado. Respondi que sim e, quase que instantaneamente, ele pediu para me encontrar no pátio central do campus. Aceitei, curiosa para saber o que ele queria.
Quando cheguei lá, Luan estava me esperando, visivelmente agitado. Ele começou a falar sem rodeios.
- Eu preciso da sua ajuda, Bruna. Harry... ele baniu eu e meus amigos de ir nas festas dele, do Victor, ou do Gabriel. Ele baniu todo mundo só porque eu fiquei com a Chloe. E, pior, Anthony, Ryan e até Justin estão putos comigo por causa disso.
Fiquei surpresa com o que ele estava me dizendo, a situação era mais séria do que eu imaginava.
- O que você quer que eu faça? -perguntei, tentando entender. Luan olhou para mim com um pedido silencioso nos olhos.
- Eu preciso que você fale com Harry, Bruna. Sei lá o que ta rolando entre vocês, mas sei que você consegue resolver isso pra mim.
Aquelas palavras me fizeram pensar. Eu sabia que eu poderia conseguir convencer Harry, mas será que era certo me meter nisso?
Respirei fundo, pensando no que fazer.
- Olha, eu vou tentar falar com o Harry, mas você tem que me prometer uma coisa: não se mete mais com a Chloe, tá? Ela não é boa pessoa, e eu já passei por um perrengue com ela no primeiro dia de aula. Ela veio me dar ordens pra sair do meu lugar, achando que podia fazer isso, mas a Marina me defendeu na hora.
Luan parecia confuso, mas ao mesmo tempo, sua expressão mudou para um misto de arrependimento e compreensão. Ele realmente não sabia do que havia acontecido entre mim e a Chloe.
- Não sabia disso... Eu não sabia que ela tinha feito isso com você. Eu realmente não deveria ter ficado com ela...
Eu suspirei, sabendo que ele não estava sendo totalmente sincero com seus próprios sentimentos.
- Eu sei que você não entende, Luan. Mas ela não vale a pena, e, se você seguir com isso, só vai causar mais problemas. Eu realmente espero que você pense melhor.
Luan ficou em silêncio por um momento, como se refletisse sobre as palavras que eu acabara de dizer. Então, ele acenou com a cabeça, como se finalmente tivesse entendido.
- Tá, eu vou pensar sobre o que você disse, Bruna. Obrigado por me ajudar.
Eu não sabia se ele realmente iria mudar de atitude, mas pelo menos ele estava ouvindo.
Fui até o dormitório de Harry, o coração batendo mais rápido do que eu queria admitir. Eu quase me arrependi de ter topado ajudar Luan, mas já era tarde demais para voltar atrás. Quando cheguei à porta, bati duas vezes e logo ouvi passos se aproximando. Quando a porta se abriu, Victor estava ali, sem camisa, e eu tentei não reparar no seu corpo sarado, mas não pude deixar de perceber.
Não seja talarica, Bruna.
Pensei, tentando me controlar.
Victor me olhou com um sorriso curioso e perguntou, sem rodeios:
- Marina mandou você aqui? -eu neguei, balançando a cabeça.
- Não, eu queria falar com o Harry. -Victor pareceu surpreso, mas deu espaço para eu entrar.
- Ah, tá. O quarto dele é a primeira porta a direita.
Entrei, e notei que Gabriel estava ali na sala, jogando videogame, completamente imerso no jogo e nem percebeu minha presença. O ambiente estava tranquilo, mas eu sabia que minha missão ali não seria fácil.
Subi até o quarto de Harry. Quando abri a porta, o encontrei enrolado em uma toalha, com o corpo e os cabelos ainda molhados. Ele estava em frente ao espelho, penteando os cabelos com cuidado. O cheiro do seu desodorante tomou conta do ambiente, e eu precisei me concentrar para não ficar distraída com aquilo.
Harry me olhou por um instante no espelho e, ao me ver, parou por um segundo, ainda segurando o pente.
- Oi, Bruna. O que você está fazendo aqui?
Fiquei ali, sem saber exatamente o que dizer a princípio, mas sabendo que tinha algo importante para resolver.
Respirei fundo antes de falar, tentando parecer mais segura do que realmente me sentia.
- Luan pediu para eu conversar com você. Ele acha que não tem necessidade dessa história de banimento, Harry. -falei, observando ele ainda de frente para o espelho, mas agora prestando atenção em mim.
Harry deu uma risada curta e se virou, ainda com o pente na mão.
- Todo mundo sabe da regra, Bruna. Ninguém fica com a Chloe. E, se ficar, não vai mais em nenhuma festa aqui no dormitório. É simples. -ele disse, com uma expressão séria, como se fosse algo irrefutável.
Fiquei em silêncio por um momento, não acreditando bem no que ele estava dizendo. Então, me arrisquei a perguntar.
- Isso não é um pouco exagerado?
Harry me olhou, uma sobrancelha arqueada, como se minha pergunta fosse um pouco absurda.
- Exagero? Você não entende, Bruna. Não é só sobre ficar com a Chloe. É sobre respeito. Ela foi minha ex, e ninguém, ninguém, vai passar por cima disso aqui. -ele disse, com a voz firme, e percebi que ele realmente acreditava nisso.
Eu não estava convencida, então, tentei trazer um pouco mais de clareza à situação.
- Você não deveria ser assim tão rígido. -Harry deu um suspiro e, então, me perguntou com um olhar curioso.
- Por que você está defendendo tanto o Luan, Bruna? -ele perguntou, e eu sabia que ele queria entender de onde vinha essa defesa.
Fiz uma cara meio óbvia, sem paciência para tentar explicar mais do que já estava claro, e respondi:
- Porque ele é meu irmão!?
Harry pareceu surpreso com a revelação. Ele se afastou do espelho, olhando para mim com mais intensidade.
- Como assim, irmão? -ele perguntou, claramente sem entender.
Eu dei um sorriso, um pouco nervosa, mas resolvi não esconder mais nada.
- Gêmeo. A gente é gêmeo, Harry. -falei, com a voz firme. Harry ficou em choque, os olhos arregalados.
- Gêmeo? -ele repetiu, ainda processando a informação.- Eu não sabia...
Eu acenei com a cabeça, sabendo que ele estava ainda tentando absorver o que eu acabara de contar.
- Pois é. -dei de ombros.- Mas por causa disso, você vai liberar o Luan e os amigos dele para frequentarem suas festas, certo?
Harry ficou em silêncio por um momento, claramente refletindo sobre o que eu havia dito. Então, ele suspirou e assentiu.
- Tá bom. Pode mandar ele e os amigos dele voltarem pras festas, mas, Bruna... Nenhum deles pode se meter com a Chloe. Se isso acontecer de novo, a regra vai continuar valendo. -eu sorri aliviada, agradecendo a ele com os olhos.
- Eu já cuidei disso. -respondi, com um sorriso um pouco mais confiante.
Harry me olhou mais uma vez, como se ainda estivesse tentando processar tudo aquilo, mas no final, ele apenas assentiu, concordando.
- Ok, então. Luan e seus amigos estão liberados.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Harry se aproximou de mim, e, com um sorriso travesso, ele colocou uma das mãos ao redor da minha cintura. Em um movimento rápido, ele inclinou-se e começou a beijar o meu pescoço, a sensação de seus lábios na minha pele me fez estremecer. Eu sabia que não deveria, mas não resisti.
Minhas mãos começaram a agir sozinhas, puxando-o mais para perto, e meu corpo começou a ceder à tentação.
Com o coração acelerado e a mente em turbilhão, me virei para fechar a porta atrás de mim, sentindo a necessidade de ficar mais um pouco, mais perto dele. O que estava acontecendo entre nós dois parecia ser algo que eu não queria deixar escapar.
Deslizei as mãos para a sua nuca, sentindo a suavidade da sua pele enquanto ele continuava a me beijar. A tensão no meu corpo aumentava a cada toque, e eu sabia que estava ultrapassando um limite que nunca imaginei atravessar. Mas naquele momento, tudo o que eu queria era estar ali com ele, sentindo sua presença tão próxima.
Ele me puxou para a cama, e sem dizer uma palavra, começou a me envolver em seus braços. O cheiro do seu desodorante ainda estava no ar, uma mistura de frescor e algo mais intenso, e isso me fazia perder ainda mais a noção do que estava acontecendo. Eu sabia que, de algum modo, estava indo longe demais, mas a verdade é que eu não conseguia parar.
Eu não queria pensar em mais nada, apenas em sentir e aproveitar aquele momento. As palavras que havíamos trocado pareciam distantes agora. O que importava era o calor que envolvia o quarto, a intensidade que me consumia a cada segundo que passava ali, com Harry.
Estava deitada na cama ao lado de Harry, tentando processar tudo o que tinha acontecido, quando uma sensação de desconforto me tomou. Antes que aquilo fosse ainda mais longe, decidi me levantar. Pegar minhas roupas no chão foi uma distração boa o suficiente para limpar um pouco a minha mente.
Harry fez o mesmo, se vestindo sem pressa. Eu não sabia o que dizer, então me concentrei em me vestir o mais rápido possível. O silêncio era pesado, e não sabia se queria enfrentá-lo. Quando terminei de colocar a roupa, Harry me puxou para um beijo rápido e sussurrou:
- Nos vemos por aí, gata.
Não respondi. Não sabia o que dizer, mas meu corpo me dizia para sair dali. Fui até a porta e a abri sem olhar para trás. Saí do dormitório dele e caminhei rapidamente pelo campus, sentindo uma mistura de emoções contraditórias, até que finalmente cheguei ao meu dormitório, fechando a porta atrás de mim.
Eu não sabia o que fazer com o que acabara de acontecer, mas uma coisa era certa: eu precisava de um tempo para entender o que aquilo significava para mim.
Mais tarde, quando estávamos nos preparando para ir à boate, me peguei no espelho do quarto de Marina, sentada na cadeira enquanto ela me maquiava. O clima estava bem mais tranquilo, as risadas e as conversas começaram a fluir de novo. Eu estava em silêncio, tentando organizar meus pensamentos, mas logo Marina percebeu que algo estava me incomodando.
- O que foi, Bruna? -ela perguntou, passando o pincel com a base no meu rosto.
Eu suspirei, não tinha mais como esconder. Eu precisava desabafar.
- Ai, Marina... eu... eu transei com o Harry hoje. E agora tô completamente confusa. Não sei o que pensar. -eu olhei para ela, esperando uma reação.
Marina fez uma pausa enquanto espalhava a base, me observando com cuidado, mas sem nenhuma expressão de julgamento.
- E como se sente? -ela perguntou, com um tom suave.
- Não sei... eu só não quero me apaixonar, sabe? Eu sinto que, se continuar assim, vou acabar me entregando e não sei se é isso que eu quero. -eu dei uma risada nervosa, mexendo nos meus cabelos.- E eu ainda tenho outro cara na história.
Marina parou o que estava fazendo e me olhou com curiosidade.
- Outro cara? Quem é? -ela perguntou, procurando alguma coisa em seu kit de maquiagem.
Eu respirei fundo. Não queria soltar esse nome, mas sabia que Marina ia entender.
- Por favor, não fica brava, tá? -pedi, segurando a respiração.
Marina franziu a testa e me encarou.
- Victor?
- Não, claro que não. -ela suspirou aliviada.
- Então não vou ficar brava. Só... me fala logo. Quem é esse outro cara? -ela parecia mais curiosa do que brava.
Eu hesitei por um momento, mas finalmente disse:
- É o Justin.
Ela deu uma risadinha de surpresa e depois me olhou, um pouco mais séria.
- O Justin? -ela repetiu.- Ele não é exatamente o tipo de pessoa, que se não fosse meu irmão, eu colocaria toda a minha confiança, mas... ele é uma boa pessoa, Bruna. Só que... ele é muito galinha. -ela deu um suspiro, passando iluminador em mim.- Entre Harry e Justin, não sei qual deles é pior.
Eu ri, tentando aliviar a tensão.
- Eu tenho dedo podre pra homem, né? -comentei, soltando uma risada. Marina riu junto, e o ambiente ficou mais leve.
- Ah, Bruna, você é um caso perdido mesmo. Mas tudo bem, pelo menos é divertido. -ela sorriu enquanto terminava de me maquiar.
Eu dei de ombros, tentando me convencer de que tudo ia dar certo. Pelo menos, por agora, eu precisava me divertir. Afinal, quem sabia o que o futuro me reservava?